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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Na orfandade do texto

Eduardo flana
“Preocupados os que conhecemos Eduardo ‘Duda’, ‘Gaguinho’ Anunciação, pela circunstância de submetido ao tacão médico. Afirmado tal procedimento sob a égide da química, que o torna absorto da realidade imediata que o cerca e o faz distante”.

Escrevemos o parágrafo acima para o título, como intróito, quando tomamos conhecimento de que Eduardo sofrera um infarto e se encontrava em coma induzido em hospital ilheense. E prosseguíamos, enxergando com outro olhar o périplo de Eduardo à luz do instante em que vive a região, sempre aguçadamente analisada por ele em seus textos:

“Vemos, mui particularmente, estágio a que se fez submeter o estimado ‘Gaguinho’. Assim deduzimos porque (escolheu isolar-se da terra grapiúna) descobre no liame do inconsciente toda a realidade que o cotidiano não recobraria para o imediato de sua vulcânica percepção”.

“Atropelado pela humanidade de suas convicções; usado e abusado por todos que só nele encontram existir, Eduardo melhor está enquanto flana como Ícaro realizado".

"Lamentamos, tão somente, que a consciência imediata faça-o retornar à escravidão do servir... por servir, a quem não está preparado para encontrar em Eduardo a grandeza do porvir que só Castro Alves cantaria”.

Logo soubemos que fora retirado do coma, o que víamos com bons olhos, sinal de que voltaria muito depressa à sua intimorata (assim denominava Stanislaw Ponte Preta a sua máquina de escrever) peça integrante de seu organismo vivo, que dava, através dela, as lições de seu observar à fauna humano-regional. E retivemos a publicação do texto, aguardando as próximas análises de sua “Política, Gente, Poder”, uma marca, como poucas, do jornalismo regional, órfã neste instante de seu criador.

A bissexta figura humana que sepultaremos antes que caia o meio-dia sepulta parcela da credibilidade jornalística desta terra e leva com ela lições que estes novos tempos não querem aprender: o homem acima de tudo, como ser, deve ser o objeto deste universo terráqueo. Tudo o mais é nada.

Por isso Eduardo Anunciação – polêmico que fosse – será lembrado: pelas virtudes que seu frágil corpo soube guardar, hercúleo em sua grandeza humana.

Avis rara esse “Gaguinho”! Que agora nos olha a todos dos píncaros que não alcançamos.


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