De certa forma – quando nos envolvemos com análises sobre o Brasil, no quesito soberania sob visão da classe dominante – em muito nos valemos de Eça de Queiroz, sob heterônimo de Fradique Mendes, em missiva a Eduardo Prado (“Cartas”, em Correspondência de Fradique Mendes).
Assim, o caro e paciente leitor deste
escriba de província há de encontrar considerações, sob a ótica da oportunidade
do texto, em nossos “Amendoeiras de Outono” (romance) e “Portal da Piedade” (crônica),
ambos editados pela Via Litterarum.
E a propósito de quê o faz nesse
instante, indagará o leitor!
Acompanhamos recente manifestação do
Presidente Luiz Inácio da Silva em evento do governo, da qual destacamos aquele
”Ninguém respeita quem não se respeita; ninguém respeita lambe-botas”.
No fundo reproduz lição da
experiência secular, ou mesmo milenar se caminhamos até Aristóteles e seu
conceito de “justo meio” (tema recorrente em A Ética a Nicômaco e A Ética a
Eudemio), porque adstrito à Ética como fenômeno de compreender a Virtude em
todas as suas dimensões, em particular – muito a propósito do caso concreto – o
fenômeno da acrasia em nível de astheneia, quando avaliado o caráter.
Mas, diante do que nos propomos
considerar a partir daquele ”Ninguém respeita...”, recomendamos ao leitor a tradução mais imediata sob o
imaginário e inconsciente coletivo: quem muito se abaixa acaba mostrando os
fundilhos.
A aí nos apropriamos de Eça de
Queiroz/Fradique Mendes, ilustrando a crônica Cumprindo Ordens, iniciada
com uma referência a Lima Barreto (Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá
ironizando a burguesia, à qual chamava de “essa gente de Petrópolis”, próceres
desta atual “estúpida mania de aristocracia”:
“... em vez de terem escolhido esta existência que daria
ao Brasil uma civilização sua, própria, genuína, de admirável solidez e beleza
– que fizeram os brasileiros? Apenas as naus do senhor D. João VI se tinham
sumido nas névoas atlânticas, os brasileiros, senhores do Brasil, abandonaram
os campos, correram a apinhar-se nas cidades e romperam a copiar
tumultuariamente a nossa civilização européia, no que ela tinha de mais vistoso
e copiável”.
Eça condena o país por ficar apinhado de instituições alheias, “quase contrárias a sua índole e ao seu destino”. E leciona o ainda inalcançado, apenas tentado recentemente: “No dia ditoso em que o Brasil, por um esforço heróico, se decidir a ser brasileiro, a ser do novo-mundo – haverá uma grande nação. (...) pode contar com um soberbo futuro histórico, desde que se convença que mais vale ser um lavrador original do que um doutor mal traduzido do francês”.
E ilustramos naquele texto: O instante vivido pelo país – a partir de parcela de sua gente – não permite outra visão que não a de Lima Barreto há 100 anos e a de Eça de Queiroz – mais vivo que nunca – apenas substituindo o ‘francês” por ‘estadunidense’, Paris e Londres por Miami e Disneylandia.
Quando Eça de Queiroz e Lima Barreto pontificaram
nem mesmo poder-se-ia sonhar com o que representa o Brasil como celeiro, como detentor
de reservas minerais e parcela considerável do ouro mineral ora chamado de “terras
raras”.
Ao caro e paciente leitor deste
escriba de província a leitura em torno do que quis dizer o presidente Luiz
Inácio da Silva.
Caso o pretenda, sob análise geopolítica.