“O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do
conhecimento” (Stephen Hawking)
Diante do registrado no texto anterior,
considerando nosso conceito para “cultura da certificação”, de íntima relação
com a ignorância, razão por que assaz oportuna a citação de Hawking. Que nos serve
de alento e apoio ao adiante posto, que envolve particular admiração de
singular casta, dentre castas tantas que expressam parte da cultura pátria.
O ora escrito encontra pano de fundo
na realidade que nos circunda – pouco percebida – exaltada por circunspectas
expressões da gente aculturada sob a égide da “certificação” como aplaudida intelligentsia
pátria contemporânea e que certamente – se leu – não compreendeu Hanna Arendt
em suas percepções sob “As Origens do Totalitarismo”..
Ressalvamos, de logo que não têm
espaço por aqui Celso Furtado, Afonso Arinos de Melo Franco, Paulo Brossard,
Paulo Freire, Manoel Bonfim, Darcy Ribeiro, Dom Hélder Câmara, Pontes de
Miranda, Anísio Teixeira, Evandro Lins e Silva, Oscar Niemayer, Milton Santos,
Josué de Castro (o Apolônio) etc. etc. etc. etc.
Muito particularmente nos
debruçaremos em torno do estágio ora vivido – por sua importância adquirida – muito
aplaudido por parcela significativa do jornalismo “certificado”. E com o
inusitado da singularidade com que ocupa o palco desta terra sonhando em
relação a ela (diante de outras plagas) o buarque-guerreano “Ainda vai
tornar-se um imenso Portugal”.
Ansioso o caro e paciente leitor
deste escriba de província? Vamos lá, adentremos no augusto espaço do que
perante o imaginário pode ser afirmado que, por mazelas clássicas, tornou o STF peça chave objeto de lawfare.
Alvíssaras!
Primeiro, diante do pouco ora
escancarado do escondido que passamos a ver, indagará o paciente leitor em
torno dos critérios que elevam ao panteão maior do Poder Judiciário Brasileiro
algumas daquelas nada singulares peças. Está na Constituição da República: “O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze
Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de
sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada.”
Considerando ditos requisitos e o
como algumas peças ali chegaram recentemente (“primeiro negro”, “primeira
mulher”, “terrivelmente evangélico”!) nossa divagação passa por um “Sei não”
sob postura de “O Pensador”, de Rodin!
E caboclamente matutando parece-nos
haver um novo viés que, abalando as atuais estruturas individuais, recomenda
novo requisito – que passa a corresponder no mais precioso elemento para
reconhecimento à atuação dos nobilíssimos pares, elevando este pensamento “não
certificado” a indagar o porquê eruditos são ali relegados enquanto outros
elevados.
E concluímos, talvez precipitadamente
(que nos perdoe o leitor), que para conformação com os tempos que estão a
exigir novos critérios, que se acresça ao texto do art. 101, da Carta da
República um novo requisito para indicação às cortes superiores: além do “notável
saber jurídico” e “da reputação ilibada”, espelhado nas últimas décadas e fundamental
à reação de alguns que lá se instalam: vaidade e susceptibilidade ao Jornal
Nacional ou, simplesmente, como me fazer agradar para aparecer no JN.
Observados em torno de decisões
tomadas e do que delas concorda e aplaude a Platinada, depois de andarem por
lá, evidente que o paciente leitor deste escriba de província vai concordar que
o quesito JN supera para muitos e se puder acrescer um pouco de lamúria vazia
tudo se torna perfeito.
Apenas deixamos ao caro e paciente leitor o que advirá disso caso aquele famoso esperado "último debate da Globo" alcance a dimensão na atualidade do já foi a Fórmula 1 e a Seleção Brasileira, como dela privativos.
Ah! Antes que o pergunte o caro e
paciente leitor deste escriba de província a razão por que do título aspeado
pedimos vênia para remetê-lo a um artigo publicado por Dalmo de Abreu Dalari,
na sessão Opinião do Jornal Folha de Salão Paulo, de 8 de maio de 2002. Diz
respeito a uma indicação do então presidente da República para ocupar cadeira
no STF.
Por último, acresçamos ao pensamento
de Hawking: “...e a vaidade que nos acomete”.