Eis-nos a quixotear em torno dos
moinhos deste nosso tempo. Há meses trilhando caminhos de encontro, distorcidos
da realidade compreendida no curso das décadas deste existir efêmero. Com
dificuldade para aceitar que o sistema de controle é o mesmo e que todo o
avanço científico tão só avança tecnicamente nestes hodiernos tempos em aprofundada
proporção inversa aos conceitos de civilização e humanidade.
Relia nossa última postagem. De
lá para cá aprofundaram-se os conflitos internos, agravaram-se os externos. E
sob a égide da modernidade, do acesso instantâneo ao que acontece aqui e
alhures, McLuhan mais se fez atual.
Destaca-se a cada dia a
impropriedade da Verdade, superada pela supremacia do dizer e pensar de cada
um. A individualidade assomou poderes inimagináveis. E a Verdade aristotélica a
cada um destes instantes mais se torna inaceitável e se faz mentira.
Na esteira de tais pérolas o
genocídio cometido sobre o povo palestino (sob aplausos de parcela disto que
chamam ‘civilização’) está sendo praticado por uma espécie de “sionismo
cristão” haja vista os que divulgam e incensam o povo que matou profetas,
inclusive Jesus Cristo, como exemplo de país cristão. E não falta quem aplauda
a proposta de matar idosos, mulheres, crianças e expulsar os que restarem
(quanta magnanimidade!) para que seja dado espaço a uma nova “Riviera” no
Mediterrâneo oriental.
Do bom dia a cavalo, rapsódia
húngara e quejando tais eis-nos ano depois retomando o tomar o tempo alheio
para lembrar que, até que enfim, aquela crítica aos “órgãos de comunicação do
Governo” incumbidos de falar em nome dele parece ter sido ouvida (oh! vaidade!).
Tempo também de confirmar que
neste estágio de negação da Verdade o coração conveniente esquece a razão. E
quem bateu, ameaçou, pretendeu matar descobre que chorar é o melhor dos
argumentos. A convencer até mesmo quem se arvora de pautar-se no racional sob a
égide de uma toga de um tribunal superior. Mas, tudo pode mudar desde que quem
alimente o racional esteja a expressar a “sua” conveniência.
Vivemos o fato singular, de que
na disputa entre a Verdade e a Mentira vence(rá?) quem melhor domine e articule
o meio para a narrativa. Demonstrando que a negra realidade que se põe diante
do olhar que vê é engano ótico de quem não enxergar o azul celeste que não
existe, mas propagado.
Era de tudo digitalizar. Mais
fácil. Aceito como dogma de fé. Para que pensar, ler para aprender a
raciocinar, compor uma nova realidade se tudo, evidentemente mais fácil e
imediato, chega pronto e acabado? E dispensando questionamentos porque imediato
o resultado!
E descobre a mesma Ciência que a
isso chegou que nós, os destinatários de todo o avanço por ela propagado, já estamos
na primeira nova geração reduzindo o QI, porque nosso cérebro está sendo
reconfigurado, limitado à digitalização como o deus desta contemporaneidade e
futuro que dela emana. A produtividade não mais exige atenção; apenas a
mecânica da digitalização. Mas isso é coisa desta neurociência orientada por
alguns negacionistas etc. etc. etc. inimigos do progresso etc. etc. etc.
E aqui estamos: revendo o futuro.
Porque nele somente o avanço tecnológico manuseando o retrocesso civilizatório
ao passado mais primitivo a que possamos alcançar.
Ultrapassando as águas de março,
imortalizadas na canção elaborada em um tempo em que se pensava e a criação
frutificava do pensar, caminhamos para o mês de abril. Que de imediato anuncia
o primeiro dia como o “da mentira”. Profético enunciado em calendário de uma
época que vai abarcando o futuro em busca do passado que pensávamos haver
superado.