domingo, 30 de março de 2025

Revendo o futuro nas águas de março

 

Eis-nos a quixotear em torno dos moinhos deste nosso tempo. Há meses trilhando caminhos de encontro, distorcidos da realidade compreendida no curso das décadas deste existir efêmero. Com dificuldade para aceitar que o sistema de controle é o mesmo e que todo o avanço científico tão só avança tecnicamente nestes hodiernos tempos em aprofundada proporção inversa aos conceitos de civilização e humanidade.

Relia nossa última postagem. De lá para cá aprofundaram-se os conflitos internos, agravaram-se os externos. E sob a égide da modernidade, do acesso instantâneo ao que acontece aqui e alhures, McLuhan mais se fez atual.

Destaca-se a cada dia a impropriedade da Verdade, superada pela supremacia do dizer e pensar de cada um. A individualidade assomou poderes inimagináveis. E a Verdade aristotélica a cada um destes instantes mais se torna inaceitável e se faz mentira.

Na esteira de tais pérolas o genocídio cometido sobre o povo palestino (sob aplausos de parcela disto que chamam ‘civilização’) está sendo praticado por uma espécie de “sionismo cristão” haja vista os que divulgam e incensam o povo que matou profetas, inclusive Jesus Cristo, como exemplo de país cristão. E não falta quem aplauda a proposta de matar idosos, mulheres, crianças e expulsar os que restarem (quanta magnanimidade!) para que seja dado espaço a uma nova “Riviera” no Mediterrâneo oriental.

Do bom dia a cavalo, rapsódia húngara e quejando tais eis-nos ano depois retomando o tomar o tempo alheio para lembrar que, até que enfim, aquela crítica aos “órgãos de comunicação do Governo” incumbidos de falar em nome dele parece ter sido ouvida (oh! vaidade!).

Tempo também de confirmar que neste estágio de negação da Verdade o coração conveniente esquece a razão. E quem bateu, ameaçou, pretendeu matar descobre que chorar é o melhor dos argumentos. A convencer até mesmo quem se arvora de pautar-se no racional sob a égide de uma toga de um tribunal superior. Mas, tudo pode mudar desde que quem alimente o racional esteja a expressar a “sua” conveniência.

Vivemos o fato singular, de que na disputa entre a Verdade e a Mentira vence(rá?) quem melhor domine e articule o meio para a narrativa. Demonstrando que a negra realidade que se põe diante do olhar que vê é engano ótico de quem não enxergar o azul celeste que não existe, mas propagado.

Era de tudo digitalizar. Mais fácil. Aceito como dogma de fé. Para que pensar, ler para aprender a raciocinar, compor uma nova realidade se tudo, evidentemente mais fácil e imediato, chega pronto e acabado? E dispensando questionamentos porque imediato o resultado!

E descobre a mesma Ciência que a isso chegou que nós, os destinatários de todo o avanço por ela propagado, já estamos na primeira nova geração reduzindo o QI, porque nosso cérebro está sendo reconfigurado, limitado à digitalização como o deus desta contemporaneidade e futuro que dela emana. A produtividade não mais exige atenção; apenas a mecânica da digitalização. Mas isso é coisa desta neurociência orientada por alguns negacionistas etc. etc. etc. inimigos do progresso etc. etc. etc.

E aqui estamos: revendo o futuro. Porque nele somente o avanço tecnológico manuseando o retrocesso civilizatório ao passado mais primitivo a que possamos alcançar.

Ultrapassando as águas de março, imortalizadas na canção elaborada em um tempo em que se pensava e a criação frutificava do pensar, caminhamos para o mês de abril. Que de imediato anuncia o primeiro dia como o “da mentira”. Profético enunciado em calendário de uma época que vai abarcando o futuro em busca do passado que pensávamos haver superado.

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