domingo, 18 de setembro de 2016

Outros ecos

Menos traumático
Não conhece nem os integrantes do BRICS. Ainda que responsável pela diplomacia do país. 

O vídeo – para muitos – disponibilizado aqui,  mostra um decrépito. 

Preferimos perdoá-lo pela presumida amnésia alcoólica. 

Menos traumático que tê-lo como burro mesmo. Ressalvando, de logo, lamentar que dos asnos (nada ‘burros’) tenha sido gerado tal adjetivo para qualificar tipos como o dito cujo.

Decepção I
Ainda escreveremos mais densamente – e menos pontualmente – sobre o que representa o instante vivido pela nação – ou o que sonhamos para ela – neste 2016 e o quanto repercute em nós particularmente.

Tudo resumido na palavra-chave: decepção. A mais profunda, para quem sonhou viver para ver superadas as crises institucionais que viveu.

E quem a expressa não é um rapazola fruto dos escaninhos da escola contemporânea, tampouco dos meios pelos quais se informa. São sete décadas no lombo.

Incluindo os tempos em que imaginamos que o fortalecimento de certas instituições seria contributivo para a construção da Nação, dentre elas o Ministério Público. (O que aqui dizemos está materializado através de um personagem em nosso romance, Amendoeiras de Outono”).

Avacalha-nos o quão néscios se tornaram alguns de seus membros. 

De memória curta quando provas há – à sorrelfa – envolvendo os partidos adversários do PT e seus projetos/políticas de estado. 

E mais: saber que o são muito bem remunerados por nós outros, plebe ignara (obrigado Stanislaw Ponte Preta).

Que imaginamos em algum instante da existência que exercício de função institucional nunca seria defesa de casta.

Decepção II
Como preciosamente observa Márcio Sotelo Felippe (Carta Capital) padecemos da síndrome aventada por Joaquim Nabuco, que afirmou – durante a campanha abolicionista, da extensão dos danos causados – e sua duração no tempo histórico – pela escravidão, contaminada que ficou a ‘nação’ sob rédeas da mesma sociedade escravagista.

Muito a propósito – partindo da premissa aventada por Nabuco – ainda que quase treze décadas passadas – observa Sotelo em seu texto:

Nunca haverá um power point denunciando FHC e a compra de votos para a sua reeleição. Fernando Henrique Cardoso se perpetuou no poder graças a um dos mais escandalosos delitos da história política do país: a compra de votos para a emenda da reeleição. Todo o aparato repressivo do Estado sabe. Existem gravações e recentemente a delação premiada do ex-deputado Pedro Correa fez emergir o assunto.

Foram gravados confessando a venda de votos os ex-deputados Ronivon Santiago, Osmir Lima, Chicão Brígido e Zilla Bezerra. Os “operadores”, como são designados no mundo da política brasileira aqueles que fazem o trabalho sujo de aliciar e fazer com que o dinheiro chegue aos bolsos dos corrompidos, seriam Sérgio Motta, Luiz Eduardo Magalhães, Pauderney Avelino, Amazonino Mendes, Orleir Camelli."
Janio: covardia e conveniência fazem calar
Desnecessárias outras ‘convicções’. Provas encontram-se escancaradas. O que não há é caráter individual e responsabilidade/compromisso funcional.

A degeneração que atribuem aos outros se faz presente, em essência, em suas origens. 

De Torquemada a capitão do mato e feitor cada um assume a seu tempo e oportunidade.

(Não)Lógica
Denúncia contra Lula. Até que enfim – imaginamos – puseram na rua o que guardavam a sete chaves: as provas contra o ex-presidente.

Decepção. Tudo o mesmo de sempre!

A não ser o deplorável espetáculo, da convicção como elemento da denúncia.


Ou seja, a conclusão como premissa. 

Quando tal ocorre deixa de ser filosofia para tornar-se dogma de fé.

                   

A bomba que vira traque

Ninguém há de acreditar – a não ser os que militam na campanha ‘prenda o Lula’ – que as requentadas fontes da denúncia do MPF valham além do que se propõem.

Quiá-quiá-quiá-quiá

Não tenho como provar
Nem indício de prova há
Mas tenho a convicção
De que 'sou' condenação


Está explicado
Enfrentar não temos como, isolado. Resta-nos a gloriosa ironia. 

Xarope.jpg
Ou a nossa ou a de outrem. 

Como a relatada por Armando Coelho Neto, referindo-se um magistrado carioca ao dito procurador. 

Naturalmente!

Que esperar de alguém que tem nome de laxante?

Como laxante, nada contra. O duro é pagarmos seu supersalário. 

Lula perdura
De Lula muito provavelmente a história registrará a injustiça e a perseguição que ora sofre. Pelo menos até que provem materialmente contra ele e dispensem ‘convicções’. 

Getúlio Vargas detinha um ‘mar de lama’ que precisava ser extirpado para que a pátria fosse salva. Aquele apartamento de Juscelino Kubitschek na Vieira Souto o levou a constrangimentos como o maior dos corruptos deste país.

O devassado Lula – e não lhe basta o próprio, mas a todos que o cercam – vai-se tornando mártir.

E palavra de mártir perdura. E sempre encontra ouvidos.

Copiando a quem servem
No imediato do 11 de Setembro – o estadunidense, não o chileno – só faltou ser dito que Lula planejou com Bin Laden o ataque que os próprios Estados Unidos fizeram para garantir o ataque ao Iraque.

Planejado a partir de um espetáculo com o power point de Colin Powell...

Entregou a rapadura
A denúncia contra Lula, dentro da Lava Jato, sustentada em não-provas, além do surrealismo a que chegou a atuação de parcela da PGR (na qual incluído o atual Procurador-Geral) demonstra – de uma vez por todas – o que o juiz Sérgio Moro e ‘sua’ Lava Jato representam como instrumento de golpe às instituições republicanas. 

Naturalmente apoiados por outras figuras – até agora omissas – como Supremo Tribunal Federal.

Unindo a reação
Nenhuma dúvida de que o Partido dos Trabalhadores anda acuado. Há muito. Mais precisamente, desde o ‘mensalão’ (‘petista’, porque o tucano anda de asas e bicos leve e solto).

Aquela parcela da sociedade – a concurseira por excelência – que se imagina deus porque conseguiu passar num concurso não suportou o nordestino, torneiro-mecânico, assumir a presidência da república e ter se tornado o que eles nunca conseguirão.

Utilizar dos meios de que dispõem – claro que com a mídia, porque sem ela nada ocorreria – passaram a massacrar o PT e suas lideranças. 

Condenações ao arrepio do direito e na ausência de prova, ou de provas adredemente escolhidas ou omitidas fazem a festa.

Mas a turma gostou do que fez até agora. E deu certo.

Mas está indo com sede demais ao pote.

Podem estar unindo a reação do PT em frangalhos. Que tem militância. Que pode deixar de ser ressabiada e partir para o ataque.

Vai dar chabu
Mobilização contra procuradores e Moro. Em Curitiba. Pedindo cadeia para Moro e o nome de laxante. 

Ainda que tardia
A Nota do Partido dos Trabalhadores trouxe expressões duras.

Antes tarde, que nunca. Houvesse agido em tempos mais pretéritos – PT e governos petistas – certamente o Brasil não estaria vivendo o estágio de obscurantismo presente.

O regime de polícia política nada caricato assumido por figuras do Ministério Público. 

A carta
Sem sombra de dúvida um histórico documento a Carta Aberta de Eugênio Aragão ao Procurador-Geral da República Rodrigo Janot falando a partir de fatos vividos e vivenciados. Inclusive as traições. 

A ser estendido a todos os setores institucionais desta combalida República. 

Sejam eles do Judiciário ou do Legislativo. 

Porque do Executivo não mais os há. 


domingo, 11 de setembro de 2016

Ecos III

Brasil isolado
temer g2000.jpg
Nos últimos tempos a atuação da diplomacia brasileira sempre mereceu aplausos. E mais os recebeu recentemente.

E não só aplausos. Também causou preocupação, como ocorreu com a reação de Obama/EUA quando Lula conseguiu (a pedido da própria diplomacia estadunidense) uma solução para o conflito iraniano tentada e não obtida pelos próprios States.

Hoje seu ‘representante’ (do Brasil) é uma foto no canto de página.

Quem é ele?
Na China, apenas um (insignificante).

Nada, nada mais que um nada
Certamente imaginou que deixado o interinato pela consumação do golpe seria reconhecido ‘presidente’ lá na China. Ridículo era. E permanece. Olhando os líderes – quando em outros tempos o presidente brasileiro era olhado – o interino mantido só faltou salivar pelos olhos.
Cerra Meirelles.jpg
Na lista de chamada – como na abertura dos Jogos Olímpicos – nem seu nome foi citado. 

Haja prestígio!

Nada a comentar sobre a foto sonhada: interino e Obama. 

Viria!!!
O Papa viria ao Brasil em 2017. Não mais virá. 

Vencido o golpe já anunciou o cancelamento da viagem.

Tantas as vaias...
... que se tornarão aplauso. Restará ao interino mantido lembrar o coronel sertanejo Marcionílio de Souza, mandachuva encastelado em Maracás, depois de preso no início dos anos 30 do século passado e vaiado pela população quando chegou preso em Jequié: "Realmente, as vaias são as palmas daqueles que não sabem aplaudir".

Passos
Nosso 11 de setembro – inclusive como armação – ocorreu em agosto. Para quem duvida pode começar com Michael Moore e seu ‘Fahrenheit 11 de Setembro’ (2004).

E prosseguir pelo Google. Verá que a conspiração passa longe (ainda que pareça absurdo para muitos e nos textos alguns exageros possam ser vistos).

Conspiração
A coluna destaca a complexidade do projeto estadunidense ofertando ao leitor (que o pretenda) algumas informações disponíveis na rede donde destacamos partes.

Lembrando que por aqui já trouxemos Moniz Bandeira afirmando que os EEUU nunca aceitariam o protagonismo que o Brasil desenvolvia no mundo, denúncia reafirmada recentemente

As denúncias de Moniz Bandeira vão ao encontro de temas mais complexos no âmbito da geopolítica e estratégia estadunidenses, comumente tidos como simples conspiração, como o exemplo nos enxertos abaixo extraídos da rede

“O ex-ministro alemão Andreas von Bülow disse: ' A ideia de uma nova imagem inimiga do Islã viria de Zbigniew Brzezinski e de Samuel Huntington, dois analistas dos serviços secretos norte-americanos e da política exterior. Já em meados dos anos 90 Huntington sustentava que as populações na Europa e nos Estados Unidos tinham necessidade de alguém para odiar. Isto reforçaria sua identificação com a própria sociedade.E Brzezinski, desde o tempo em que era conselheiro do presidente Jimmy Carter, batia-se pelo direito exclusivo dos Estados Unidos controlar todas as matérias-primas do mundo, especialmente o petróleo e o gás'.
...
"Diante dos olhos impotentes do mundo, os Estados Unidos e seus aliados continuarão com suas práticas expansionistas. No princípio do ano 2004, a ClA declarou que células da Al Qaeda estão operando no Paraguai, no Brasil e no Equador (América do Sul). Será acaso outra mentira mais que junto com o Plano Colômbia vão servir de pretexto para ocupar'. essa rica região? Será esse, por acaso, o motivo para que uma ilha pertencente ao Arquipélago de Galápagos (Equador), Patrimônio da Humanidade pela sua fauna e sua flora, tenham seus direitos cedidos aos militares desse país que dariam as facilidades para a instalação de uma base militar norte-americana, repetindo-se a estratégia da II Guerra Mundial?
   Para terminar é interessante um texto escolar norte-americano sob o título "Introdução à Geografia" que concede aos Estados Unidos a "responsabilidade" sobre a Amazônia. O livro inclui um mapa da América do Sul, no qual aparece, à maneira de um novo país, algo denominado PRINFA (Primeira Reserva Internacional da Floresta Amazônica). Esse "novo estado" encaixa-se em partes do Brasil, da Venezuela, da Colômbia, do Equador e de outros países correspondentes à Amazônia. PRINFA é uma espécie de parque internacional, com regras severas para a exploração. O texto escolar afirma que esses países em sua maioria são reino de violência, do tráfico de drogas, da ignorância e de um povo sem inteligência e primitivo. Trata-se de um claro exemplo do modelo imperialista norte-americano levado às escolas e a seu projeto educacional nos Estados Unidos. O livro escolar afirma textualmente: "O valor desta área é incalculável, mas o planeta pode estar certo de que os Estados Unidos não permitirão que os países latino-americanos explorem e destruam esta verdadeira propriedade de toda a humanidade". Esse livro escolar tenta transmitir às novas gerações norte-americanas o desprezo pelo resto dos povos, pelas normas internacionais de respeito às fronteiras e que proclama e legitima a intervenção e o domínio do mundo pelos Estados Unidos.

Nem tudo está perdido
Durma com essa, caso o leitor não viva o pantagruélico mundo do colunismo pátrio, para o qual tudo é comida.

O povo não precisa se preocupar. O modo de vestir da primeira dama resolve tudo.

A revolução em andamento está expressa no vestido de Marcela, mensagem viva no 7 de Setembro. 

É o que escreve deslumbrado colunista da Folha: Marcela Temer vestiu resumo de mensagem que marido quer passar. Durma com essa.

O sabujismo de certa imprensa se ultrapassa.


domingo, 4 de setembro de 2016

Ecos II

Buarque
O Cristóvam, o senador Cristóvam. Um zero à esquerda, finalmente desnudado.

Nunca chegara a zero à direita... e pior ficou. Não por votar com o golpe, mas por tentar explicá-lo.

Já dera sinais de sua insanidade/estelionatária nos idos de 1994 quando afirmara – parecendo estar descobrindo a pólvora  que Karl Marx estava ultrapassado. 

Marx continua estudado... e Buarque, nem lembrado. Quando muito, tristemente citado.

Vai ficando cada vez mais claro por que Lula o exonerou por telefone.

Caso alguém o confunda com o medalhão machadiano não será mera coincidência. 

O augusto personagem buscou a honraria. 

Réquiem para a Democracia
Resta o STF. E pouca a esperança de que assuma sua responsabilidade como corte constitucional. 

Aguardando pelo julgamento do mérito
De Eugênio Aragão, em entrevista a PHA.

Porque, de repente, os argumentos jurídicos são distorcidos, contorcidos, redobrados, à vontade do freguês. Me parece que nós vamos ter um tempo muito longo de escuridão – não só na política mas, também, na respeitabilidade das instituições. As instituições vão precisar de um esforço muito grande para readquirir a respeitabilidade do público.”

“A nossa República saiu, sem dúvida nenhuma, muito fortemente maculada do Golpe, da esperteza, da falta de escrúpulos, da atuação de bandos – para não falar de matilhas – contra o poder constituído. Isso, infelizmente, vai ter consequências duradouras até que a gente possa reconsolidar um pacto nacional e dar algum tipo de estabilidade e respeitabilidade, um pacto que reconstitua a confiança da coletividade nas suas instituições”.

A eles Alighieri
A traição é uma coisa imperdoável. Dante a ela destinou o mais profundo de seu “Inferno”, a esfera de Antenora, no Nono Círculo, para os traidores de sua pátria.

Um imenso Paraguai I
Dizia Chico Buarque "Fado Tropical", da Ópera do Malandro, que “o Brasil vai tornar-se um imenso Portugal”. 

Em sua premonição Chico errou, quando não pensou no Paraguai. 

Um imenso Paraguai II
Por lá o golpe – nos moldes aqui aprendido – encontrou na Suprema Corte a legitimação jurídica.

O juiz justo
A decisão emana do juiz Carlos Alberto Simões, da 17ª Vara Federal, de Belo Horizonte.

O desgraçado vendia cigarros ilegais. Fora preso. O juiz determinou a soltura.

Exemplo a ser seguido. Inclusive como forma de defesa das instituições democráticas.


Homenagem à gloriosa turma

                           

domingo, 28 de agosto de 2016

Ecos

Desmistificando
A história de Tiradentes, mártir, tem levantado dúvidas, inclusive sobre a circunstância de estar barbado ou não quando do ‘enforcamento’.

Tudo em Tiradentes poderia ser uma farsa, para muitos, em relação ao que está registrado na História pátria. O que não se estranha haja vista a atual.

Em livro – com o título nada feliz de "O enforcado deu no pé" (edição do Autor) – o maranhense Austregésilo Cerqueira Nunes afirma que Joaquim José da Silva Xavier morreu, aos 72 anos, em São Luís do Maranhão, assinando-se Joaquim José de Freitas.

No Brasil que processa e condena(rá) alguém por não-crime duvidar não se pode.

Cautela!
O medo que Eduardo Cunha faz ficou flagrante na liberação do passaporte da mulher pelo juiz Sérgio Moro. O 'catão' de Curitiba não encontra o endereço de Cunha e Cláudia para intimações, mas encontrará para entrega do passaporte.

A proteção a Cunha é proteção ao golpe. Assim como o STF – até agora – e a PGR, o juiz Moro mostra a que veio.

A cautela de Moro explica o poder (ou temor) que faz Eduardo Cunha.

Entre Anselmos
Ou, Anselmos em dois tempos: 1964 e 2016.

Exerceram – cada um em seu tempo – o papel de muleta do golpe. 

Um, o cabo Anselmo; outro, delegado da Polícia Federal. 

O primeiro sublevando quartéis para assegurar motivo militar ao golpe engendrado a partir dos Estados Unidos; o segundo, criando um factóide no curso do golpe do impeachment, para assegurar o golpe a partir dos Estados Unidos. 

Lingote
Tudo está conforme a lei. Não há o que criticar. Dirão os que agridem o Estado de Direito destituindo um Chefe de Estado sem o crime que exige a lei. 

Ficaremos nas formas e não no conteúdo, mais dirão. 

Mais que suprimir dois anos de Dilma caminha-se para um golpe na Constituição vigente, a quem cabia o STF defender e interpretá-la dentro do espírito que a norteou.

O que faz ali o Lewandowski seria a pergunta natural se estivéssemos em plenitude de um Estado de Direito. 

Preside uma farsa, assumindo o julgamento de um não-crime. Porque a instituição que ainda preside – o STF – não assumiu suas responsabilidades quando avocado a tanto.

O personagem de Chico Anísio, Lingote – cheio de fumo, no "Vou batê pá tu", de Chico e Arnaud Rodrigues (Baiano e os Novos Caetanos) – perguntava “o que eu tô fazendo nesse disco” para mostrar quão alheio em relação àquela realidade. 

O presidente Lewandowski não precisa de um baseado para repetir a pergunta.

Mas, pelo menos, deixaria de legitimar – como presidente – um tribunal de exceção. 

O silogismo explica
“Veja as dez propostas que apresentaram. Uma delas diz que prova ilícita feita de boa fé deve ser validada. Quem faz uma proposta dessa não conhece nada de sistema, é um cretino absoluto. Cretino absoluto. Imagina que amanhã eu posso justificar a tortura porque eu fiz de boa fé”.

São declarações do ministro Gilmar Mendes.

Sérgio Moro a defendeu no Congresso.

Nos alfarrábios da Lógica aprende-se o mais elementar dos silogismos: Todo homem é mortal. Pedro é homem. Logo, Pedro é mortal.

Perto demais
A reação de Gilmar Mendes ocorre no instante – mais um instante – em que há sinais concretos – nada novos – de picaretagem do PSDB.

É que o ministro Gilmar Mendes, do STF, não é o paradigma que sonhamos para a magistratura brasileira. Suas atitudes encontram-se amparadas em postura político-partidária, para atingir objetivos eleitorais. Suas declarações desmerecem e diminuem o Judiciária, já o disse o então colega Joaquim Barbosa. É tido como midiático.

No entanto – ainda que não sejam vazias de objetivos suas declarações publicadas na Folha de São Paulo – Sua Excelência desceu o cacete na menina dos olhos dos Moros e quejandos.

Ainda que não tenhamos dúvida em concluir que o que está por trás das declarações nada tem de defesa da legalidade democrático-constitucional (rasgada em mais de uma vez por Gilmar Mendes), visto que enxergamos nelas a defesa de interesses tucanos. 

Afinal, as anunciadas delações da OAS e da Odebrecht atingiriam em cheio próceres do PSDB – como Serra e Aécio Neves, sem descartar FHC e outros mais – e o núcleo do governo golpista que se esbalda no interinato.

Ratos comendo o pedestal
Dúvidas não há da existência de um golpe institucional em curso no Brasil. Denunciam-no jornais, revistas, e expressões intelectuais e artísticas internacionais. 

Do NYT ao The Guardian, da Al Jazera ao Le Monde. 

Mas, 'vivemos no país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza'.

Sinal amarelo
Os dados são alarmantes para as oligarquias: alunos negros e de baixa renda, que cursaram escolas públicas, são maioria nas universidades federais, como divulgado pela Associação Nacional de Dirigentes das Instituições de Ensino Superior.

Lula processou O Globo
Pelo apoio que tem merecido do Judiciário vai ser condenado.

Cabalístico
13º lugar. Por pirraça o resultado do Brasil nas Olimpíadas é o ‘cabalístico’ número 13: o terror de 2018.

Galvão “Jesus” Bueno
Galvão vai ocupando o anedótico. Como a de pedir que todos se levantassem para ouvir um Hino quando entre eles um cadeirante.

Conquistou espaço único em pleno século XXI, vésperas do Apocalipse, quando retornará o Senhor: o de Jesus Cristo, que mandava levantar os aleijados. 

O crime de Léo Pinheiro

Não acusar Lula.

"A radiografia do golpe" 
Eis o título do novo livro de Jessé Souza. Explicado no vídeo abaixo. Com o singular subtítulo: "Transformar o país num puteiro / Pois assim se ganha mais dinheiro" (Cazuza)

                     

domingo, 21 de agosto de 2016

Antes que as Olimpíadas terminem

Ninguém divulgou
No correr de uma semana acelerando os Jogos da Rio 2016 um fato passou ao largo, amparado na conveniência em torno de sua omissão.

Quando lançada – com o espalhafato exigido pela mídia e autoridades que deixaram de exercer função para fazer política – a Operação Triplo X vinculava (e condenava antecipadamente) o ex-presidente Lula à condição de partícipe de negócios escabrosos, onde beneficiado seria com um apartamento no edifício Solaris, no Guarujá, que resultaria de favorecimento da OAS.

Não houve desmentido que bastasse, documento que negasse. Os jornais, revistas e noticiários televisivos tinham em mãos a ‘prova’ de que precisavam para manter a execração pública do ex-presidente. 

Faltava a comprovação, a cargo da apuração que faria a Polícia Federal, que tudo realizara com autorização judicial de Sérgio Moro, dentro da Lava Jato, de onde saíam as determinações para busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico e de dados, bancário e fiscal.

A devassa tudo buscou. Mormente diante do fato que lhe parecia concreto: Lula beneficiário da corrupção na Petrobras.

Quando por lá apareceu uma tal Mossack – operadora de picaretagens – e a possibilidade concreta de os Marinho (da Globo) envolvidos com um paraíso na costa brasileira em nome dela a coisa arrefeceu na mídia. Mas Lula já estava condenado.

Oito meses depois – no último dia 18 – saiu o relatório da Polícia Federal. Oito são os indiciados.

Inocentados Lula e familiares.

Da imprensa que o condenara nenhuma palavra.

Celebridade
Virou piada não tem jeito, leciona a sabedoria popular. Moro caiu nas graças de José Simão, para quem o juiz da Lava Jato “Contratou Bolt para pegar Lula e Rubinho para pegar a mulher de Cunha”.

E dizem as colunas sociais que Cláudia Cruz nunca deixou de aparecer com Eduardo Cunha em restaurantes. 

Última esperança
Certamente não acreditamos no retorno de Dilma. Nosso pessimista entendimento se ampara num fato singular: parcela considerável dos que votarão no Senado nem mesmo receberam um mísero voto em eleição para tanto, já que suplentes. 

Envergonhados – os poucos que a tenham – votarão para manter privilégios e mais algum para o bolso. São trilhões de doares em jogo. Só no pré-sal.

Só restará a Dilma o STF. O mesmo que nada. 

Um deles
Uma crítica ao indevido uso de estacionamento destinado a idoso nos remeteu a um detalhe: um senador – pelas circunstância de ser suplente – quando candidato distrital recebeu a retumbante votação de SEIS expressivos votos.

Trata-se do distrital Hélio José, hoje no PMDB, depois de passar pelo PSD e ser suplente de Rollemberg (PSB) a figura ficou famosa por afirmar que se indicasse uma melancia seria acatado pelo interino.

Hoje vota abertamente contra o retorno de Dilma. 

Olímpicas
Não pode ser considerado como satisfatório o evento Olimpíadas para o interino. Vaiado na estréia, fugindo do encerramento. Nenhum chefe de estado de magnitude presente.

O sucesso da Rio 2016 foi um fracasso para o interino Temer. (Perdoe-nos o leitor por citá-lo. Mas, palavrão é coisa nossa).

Fugirá o interino de cumprir a missão protocolar de passar ao Japão a “chave’ olímpica que desembocará nos jogos de 2020.


domingo, 14 de agosto de 2016

Neste Brasil olímpico

Ninguém acena
Macambúzios imagem e semblante do interino. A assunção do poder – querida e autopromovida – não lhe dá os louros da conquista. Assim demonstra-o sua imagem.

Não espera uma carta como o Coronel de Gabriel Garcia Márquez (Ninguém Escreve ao Coronel). Mas, certamente, um aceno de governante estrangeiro ao seu governo. 

Aceno que lhe propiciaria uma propaganda de que reconhecido além de golpista. 

Vive a crueldade de – servindo a quem serve – nem mesmo dele encontrar o aceno de que tanto carece.

Tudo escancarado ficou na humilhante presença na abertura dos Jogos do Rio de Janeiro, onde nem citado foi na condição exercida. Como observou a TV suíça um fato inédito: a não citação do nome do governante constitui-se circunstância inédita em 120 anos de existência dos Jogos modernos.

E, didática, mais acusou a TV suíça: as vaias com que agraciado eram esperadas e sua imagem não foi exibida no telão enquanto ensaiou fala (para que não fosse imediatamente reconhecido) o que não impediu – ainda que sua voz soasse por ‘apenas alguns segundos’ – à estrepitosa vaia que correu mundo.

Decididamente – essa a mágoa que o faz sofrer – ninguém acena ao interino.

Só critica
Não bastassem os revezes externos à sua imagem nem mesmo é dispensado de comentários ácidos – e edificantes – como o da Al Jazeera.

                     

Tudo traçado
Neste espaço nunca nos demos por convencido de que o golpe não se materializaria no Senado. Tanto o dinheiro em jogo – trilhões do pré-sal e mais – nos assegurava a certeza.

A semana comprovou.

Ousamos outra afirmação: Eduardo Cunha não será cassado.

Contradições
Em Itabuna – repetindo manifestações em outros lugares – magistrados e advogados trabalhistas criticam o desmonte da Justiça do Trabalho.

Em meio aos manifestantes inúmeros que defendem o governo interino.

OAB lança “A Saúde na UTI”, movimento por mais recursos para a Saúde/SUS.

A mesma OAB e líderes que são contra a CPMF.

Recado
“Acima de tudo, a delação tem que ser um ato espontâneo. Não cabe prender uma pessoa para fragilizá-la para obter a delação. A colaboração, na busca da verdade real, deve ser espontânea, uma colaboração daquele que cometeu um crime e se arrependeu dele”.

Do ministro do STF, Marco Aurélio

Blindagem
Janot estaria ampliando as investigações a partir da Lava Jato. Alcançando PMDB e PP. 

PSDB permanece de fora, ainda que Nestor Cerveró tenha dito com todas as letras haver o partido se beneficiado de uma propina de US$ 100 milhões desviados da Petrobras na compra de uma petrolífera argentina no governo FHC.

Mais que oportuna a charge de Pataxó.

vazou, moro.jpg

Pedindo
FHC – denuncia Maurício Dias, na Carta Capital – teria pedido ao chefe do clã, Emílio Odebrecht, por Serra e Aécio ficarem de fora da delação premiada anunciada.

Comovente e sincera
O olhar triste da menina vencedora no judô traduz o que sofreu nesses anos todos.

Inclusive por ser vítima de preconceito e discriminação. 

De uma outra medalha é vencedora: respeito e sinceridade. Não esqueceu de quem contribuiu para a fama conquistada.

                     

domingo, 7 de agosto de 2016

Tempos de ontem e de hoje

Jogos Olímpicos em três tempos

Tempo I

Superação 
A realização dos Jogos Olímpicos no Brasil deixou claro – assim que acesa a pira – que realizamos, sim, aquilo que parcela da sociedade negava ser possível.

Simbolicamente – em nível de superação o momento singular de tudo possa estar em quem acendeu a pira: Vanderlei. Sim, caro leitor, aquele Vanderlei Cordeiro de Lima que foi vítima de um maluco na Maratona nos Jogos de Atenas. Aquele que tendia a consagrar-se como medalhista de ouro na mais clássica das provas olímpicas.

Um brasileiro que ali superava a circunstância de ser brasileiro, o estigmatizado de sempre, desde que não tenha nascido em  berço de ouro. 

Apenas um dos sete filhos de lavradores do interior paranaense. Aprendiz de roçariano, como milhões de tantos outros brasileiros. 

Único patrício (e latinoamericano) agraciado com a Medalha Pierre de Coubertain.

Pois é, o medalha de bronze em Atenas – porque lhe surrupiaram a de ouro – acendeu o Fogo Olímpico. Assistido por bilhões planeta afora.

Certamente se não fosse no Brasil a realização dos Jogos não teríamos tido – e o mundo – a oportunidade de lembrar de um que sobreviveu às dificuldades.

Começando por aquela certamente  maior que correr a Maratona: ser pobre e brasileiro na terra onde uma elite insiste em ser detentora dos méritos de todos.

Tempo II

Onde tudo começou
O sonho impossível – nem mesmo imaginado – coube-o a quem superou o existir de nordestino. Ainda que vocacionado a ser o que tantos outros conterrâneos se tornaram: pau-de-arara servindo a São Paulo.

A ele o mérito de haver se empenhado para levar o Brasil a sediar os Jogos. Com um detalhe: vencendo, inclusive, os Estados Unidos. Ainda que seu presidente Obama lá estivesse fazendo o seu lobby. 

Que perdeu para o de Lula. 

                          

Tempo III

Constrangido
Todo o mérito decorrente de o Brasil sediar os Jogos Olímpicos se deve a Lula.
Caberá ao interino Michel Temer ficar com a medalha do constrangimento. 

Isolado, sua imagem traduzia o desconforto, nas poucas vezes em que exibido.

Antes mesmo de ser vaiado.


Constrangimento
O protocolo da cerimônia certamente foi quebrado. A realidade das ruas se impôs. O Comitê Olímpico Internacional compreendeu. E o interino nem foi citado nominalmente – fosse-o como cidadão ou como presidente – nas falas de Nuzman 
e de Thomas Bach.

Sua imagem nem mesmo apareceu no telão. Daí por que as vaias soaram 
somente quando percebido que falava o interino.

Um presidente sem nome... para bilhões de telespectadores.

Palmas
As palmas para o interino só a Globo (de Galvão) ouviu em meio à monumental 
vaia.

Arremesso 
Bastante simbólica a presença de Meirelles próximo ao interino na abertura dos Jogos do Rio.

É técnico da nova competição olímpico-brasileira: arremesso de direitos sociais.

                           Olimpíada: a muamba do Fernando Meirelles