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quinta-feira, 14 de março de 2013

Alegria

E tristeza
A tradicional expressão "Anuntio vobis gaudium, habemus Papam", onde há a alegria do anunciar que "temos" novo comando na Igreja Católica Apostólica Romana, certamente causou especial regozijo ao povo argentino. E muito mais aos conservadores da terra que manteve, ainda que por tempo menor que no Brasil, uma sanguinária ditadura que ceifou a vida de pelo menos 30 mil concidadãos.

Certamente não haverá alegria alguma para os que foram vítimas da ditadura e que acusam o novo Papa, enquanto Cardeal, de haver colaborado com a repressão, inclusive "ofertando" de bandeja alguns irmãos jesuítas.

terça-feira, 5 de março de 2013

Conclave

Fechado em copas
Noticiário noturno, ainda que informando o início do processo de sucessão no Vaticano (o que decorreria do fechamento das portas da Capela Sixtina) evita afirmá-lo em razão da ausência do anúncio oficial. Retardado tal anúncio sob o argumento de que ainda não se faziam estar em Roma todos os cardeais eleitores. Para o cerramento das portas da Sixtina a alegação de que os cardeias presentes buscam uma reflexão sobre o que pretendem para o futuro.

No dia de ontem circularam mundo a fora questionamentos levantados por alguns dos que decidirão sobre o novo Papa. Pretendiam - inclusive dois brasileiros, o cardeal Geraldo Majjela, de Salvador, e Raymundo Damassceno, de Aparecida - ter pleno acesso ao dossiê secreto que chegara às mãos de Ratzinger, pouco antes da renúncia, com relatos de fatos comprometedores à imagem da Igreja.

Tal intenção foi reduzida em sua importância pelo noticiário de hoje, até afirmando que dita pretensão já fora atendida - ainda que não integralmente - por aqueles que elaboraram o próprio dossiê.

As portas cerradas da Capela Sixtina hoje nos soam como uma busca menos para refletir e mais de consenso em torno da abertura de dito dossiê aos eleitores do Conclave que se aproxima. A reflexão anunciada bem mais está para saber o que efetivamente acontece na dimensão temporal da Igreja. Sustentados Suas Eminências parecem estar nas Escrituras: a Verdade salvará!

Razão há em Suas Eminências. Afinal, bem poderiam eleger um futuro Papa, personagem do dossiê que tanto assustou Ratzinger. Estariam, então, fechados em copas... para votar o sim ou não que assegure o pleno conhecimento do que está nos porões do Vaticano. E nada têm a ver com as sagradas catatumbas.


In extremis
Imaginemos a situação de um determinado cardeal - por suas estripulias temporais - que tenha contra si um mandado de prisão decretada em algum país onde o futuro Papa venha a visitar. 

Cinema pedagógico
Há um filme canadense, "O Conclave" (buscamo-lo em nosso acervo, sem no entanto localizá-lo graças ao atual estágio de nossa des-arrumação), dirigido por Christoph Schrewe, que revela os bastidores de um conclave, no imediato da morte de Calixto III (o "papa Bórgia"), ocorrida em 1458, tendo por centro de atenção um jovem cardeal, Rodrigo Bórgia, o "cardeal-sobrinho", que viria a se tornar o Papa Alexandre VI, entre 1492 e 1503, então cardeal Vice-Chanceler, e sua decisiva atuação na eleição de Pio II, que comandou a Igreja de agosto de 1458 a agosto de 1464.

Afirmam ter o enredo se baseado em diário secreto de um dos cardeais presentes. Certo que, ficção ou não, os interesses de ontem podem divergir dos de hoje. Mas, interesses os há. À época relatada no filme, o poder político de estados nacionais, disputas entre franceses e espanhóis, chantagens etc. Hoje... estamos acompanhando.

Uma razão para recomendarmos o filme: viver os bastidores de um Conclave.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Da crise

Ao espetáculo

Há pouco, com aquela considerada última aparição de Ratzinger como Bento XVI, consumada a renúncia papal. Em meio aos profundos conflitos de que emerge, o gesto do agora Papa Emérito, tornou-se não a explosão de fatos graves, mas um espetáculo midiático.


Da crise ao espetáculo fica, no entanto, com o gesto concreto, a denúncia de que a Igreja Católica Apostólica Romana não tem somente a Fé que transmite aos seus fiéis como suporte para enfrentar as mazelas terrestres, mas - e principalmente - a Cúria do Vaticano. Ou seja, um lado de pouca fé.

 

Talvez seja este o maior legado da renúncia papal: mais que promover as reformas - que poderiam emperrar-se no próprio processo de execução - mostrar quão difíceis são para um homem comum, investido no poder temporal por um conclave, mudar o que existe como fundamentos do próprio poder. Confessa que tal desiderato é trabalho para a Divindade.

 

Papa humanum est. Como muito da natureza humana os podres encerrados no Vaticano.


Ultrapassado o espetáculo, o retorno à crise.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

De Malaquias

A Malafaia
A renúncia de Bento XVI - que voltará a se chamar simplesmente Ratzinger - revela muito mais que dificuldades com a saúde. Afinal, ao aceitar o papado aos 78 anos não estava tão jovem assim. Não fora isso, a rapidez com que foi decidida a eleição demonstra existência de vontade deliberada da maioria. Ou, simplesmente, missa encomendada.

Certamente a dimensão material hoje representada pelo Vaticano - e o brutal jogo de interesses em permanente conflito interno - "abalaram" a saúde de Bento XVI.

Aguardemos as avaliações "proféticas" que o fato enseja. Em breve será demonstrado que Nostradamos o admitira. Não fora as profecias do Monge de Pádua, publicadas em 1527, ou a lista de Malaquias (1094 ou 95-1148), deixada em mãos do Papa Inocêncio II em 1139 e desaparecida até 1590.

De nossa parte, em sendo verdadeiras as especulações acima postas e a razão científica do mal que acometeu Sua Santidade (vírus ou bactéria vatícânica) o papado melhor estaria administrado por Silas Malafaia. 

Bem mais transparente!