quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

DE RODAPÉS E DE ACHADOS-Dia 8 de janeiro de 2012



adylson machadoQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

A natureza se espelha

Não imagine o leitor que à direita temos uma montagem ou pintura onde o artista misturaria flora e fauna. A flora traduz uma orquídea, a orchis simia, natural do Equador e Peru, a "orquídea macaco", também chamada de "Dracula Simian" pela semelhança com a indumentária do famoso Conde Drácula (vistosa capa e o colarinho alto, como o cinema o construiu).
Não bastasse, os filamentos inferiores, nas extremidades das pétalas, lembram as presas do Drácula ficcional.
natureza

Antes tarde

tvtA denominada esquerda padece, historicamente, dos caminhos elementares que alimentam a direita na difusão de suas ideias. (Discutimos tal fragilidade em capítulo de nosso “Amendoeiras de Outono” – Via Litterarum). Em um século de história, desde as experiências anarquistas, um ou outro jornal ou revista estoicamente se ofereceu ao cumprimento do dever. Mas, nem de longe competiu – e ainda hoje não compete – com a organização e o controle dos que lhe são contrários. Quando muito se imagina “conquistando-os” quando de fato alimentam financeiramente os que lhe “batem” enquanto estão no poder.
Notícia veiculada na rede, a partir de matéria de Daniel Roncaglia, na Folha de 27 de dezembro (Rede de comunicação criada por sindicatos da CUT cresce) sinaliza para o que entendemos como uma tomada de consciência em torno do assunto. (Detalhes emhttp://www1.folha.uol.com.br/poder/1206779-sindicatos-vinculados-ao-pt-criam-rede-de-comunicacao.shtml).
A TVT – TV dos Trabalhadores – projeto amadurecido a partir de 1980 começou a funcionar em 2010. E integra uma rede de comunicação que hoje envolve uma emissora de televisão, três rádios, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal.
Até que enfim!

A luta de Geraldo

Poucos entenderam o que se passava na cabeça de Geraldo Simões em 2012. Tudo porque não há como explicar o que pensava o deputado em relação ao partido do qual historicamente é um dos primeiros fundadores, a ponto de sacrificá-lo visivelmente para corresponder aos seus interesses.
Lógico que a individualista visão, particularmente mesquinha em alguns aspectos, tinha no militante, que através dele conquistara prestígio por força de sua luta e coerência num passado não tão remoto, fez chegar a um projeto: ele.
Dentro de tais limites ousou e perdeu.

O que Geraldo perdeu

A luta de Geraldo era voltar a ser o centro de atenção regional, Itabuna como cabeceira. Muitos dos seus projetos administrativos – frustrados com a não reeleição em 2004 (um prejuízo de 30 anos para Itabuna), em muito devida ao famoso “PT do tapetão” – estão prestes a se consolidar: a cobertura do Lava-Pés e a reurbanização da Amélia Amado, a barragem do Colônia, a Universidade Federal. Não tardará um outro: o primeiro centro de cirurgia cardíaca do interior da Bahia, no Hospital de Base. Assim como pode deslanchar o pólo industrial para manufatura do algodão do Oeste baiano.
Sem enveredarmos por outros projetos de Geraldo, os primeiros acima citados serão capitalizados por Vane. A ordem de serviço para a barragem do Rio Colônia, mal Vane inicia a gestão (oito dias apenas), era sonho de Geraldo que o fosse com Juçara. Assim os demais.
Por isso Geraldo lutou; e perdeu.
Geraldo não será lembrado de nada que projetou. Injustiça que seja; por culpa exclusiva dele.

Os brados

Ouço os brados que ecoam de Itororó. Não por causa da tradicional carne de sol (prestes a finar-se, como tradição, quando perder a essência de sua feitura) mas pela ação desafiadora do prefeito eleito, nomeando alguns parentes (dentre eles a genitora) para cargos de confiança.
Os brados, no entanto, não repercutem na dimensão que os observadores externos imaginam. Marco Brito encontra-se sob o signo do perdão. Afinal, todos em Itororó o conheciam (prefeito duas vezes) e a Edineu Oliveira (também prefeito outras duas), novamente tornados correligionários depois de o serem na primeira eleição de Edineu e estarem separados até o reencontro.
Os brados ecoam mesmo é contra Adroaldo Almeida, o prefeito que conseguiu o milagre inimaginável de eleger quem estava enterrado fazia tempo.
Deste modo, o ressuscitado tudo pode. Inclusive esta coisinha menor, de nomear parentes, que deram de denominar nepotismo!

Reação I

O militância do PT, em nível nacional, andava acomodado sob o manto de quem desenvolveu a cultura política de eleger “postes”, cunhador da expressão já famosa de que “É de poste em poste que o Brasil vai ficar iluminado”. Assim, se dispensava a aguerrida militância de ocupar as ruas, de portar bandeiras sem o crivo profissional.
A postura do STF, ao politizar o julgamento do caixa 2 petista, oficializado “mensalão”, atendendo aos reclamos dos segmentos da elite que não dispunha de meios para enfrentar o tal fazedor de “postes”, gerou indignação e mexeu com a autoestima da base petista. Afinal, Genoíno e José Dirceu – condenados sem provas no tribunal de exceção – nunca poderiam ser o que quiseram muitos dos ministros capitaneados por Joaquim Barbosa: os criminosos que gostariam que fossem.
A reação foi reocupar as ruas em muitos espaços do país. Onde foi possível fazê-lo. Porque lugares houve que nem o fazedor de “postes” elegeria o candidato. Itabuna entre eles.

Reação II

Ainda que tardia não deixa de ser sumamente oportuna a reação que se esboça nas hostes do PT itabunense para trazer a sigla às origens depois de usurpada para atender ao PTdoG.
Começa pela busca de convivência com a administração do prefeito Claudevane Leite.

Reação III

Analisam cabeças pensantes do PT itabunense que a postura de Geraldo Simões nada tem a oferecer como contribuição para a sigla, uma vez que a olha como feudo particular. Observam que, apesar de o PT ter votado para eleger a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Itabuna, não conseguiu inserir um mísero integrante de último escalão na composição.
Tudo porque Geraldo radicalizou na orientação, contrariando muita gente.

Da posse II

Das cerimônias de posse dos eleitos em 2012 emerge no eixo Ilhéus-Itabuna o grande vitorioso: Davidson Magalhães.
Observadores têm como natural uma eleição de Davidson para a Câmara Federal em 2014 com uma invejável votação: 200 mil votos.

Da posse II

Nada confiável a situação político-eleitoral de Geraldo Simões. Não só perdeu na aposta que fez para 2012. As seqüelas acossam-no levando-o para uma doença que os políticos não gostam de ouvir falar: derrota. Para ele, mais uma.
Sua situação em 2014, se mantida a queda de votos – tomando-se como parâmetro a eleição de 2006 – praticamente joga uma pá de cal no futuro imediato.
Para quem superou 89 mil votos em 2006 e os viu decrescidos para 75 em 2010 (ainda assim graças ao apoio do hoje deputado estadual Rosemberg Pinto). Como lembrete dois aspectos: em 2008 a mulher, que ele lançou para ser sua cabeça de ponte eleitoral, teve 44 mil votos para prefeita e em 2012 despencou para 16 mil. Não fora isso, também foi Geraldo secretário da Agricultura da Bahia.
Amigos de Geraldo apostam que terá dificuldades para conseguir 8,5 votos em Itabuna.

Calos

Que esperar GS de 2014? Reza para que Rosemberg Pinto não saia candidato a deputado federal e mantenha o apoio em alguns municípios, um deles de difícil manutenção de votos, como Itororó.
Josias Gomes pode instalar-se em Itabuna até maio para arrebanhar descontentes com Geraldo, o que já vai fazendo municípios afora.
No entanto o calo maior para ele não será Josias Gomes. E sim Davidson Magalhães; que em Itabuna pode retirar-lhe uma considerável parcela daqueles votos de admiradores do PCdoB que nele votavam.

Uma foto que diz muito

reuniãoA ordem de proximidade ao prefeito na mesa de reuniões variou. No tempo de Geraldo Simões quem lhe estava imediatamente próximo era o Procurador-Geral do Município, José Orlando Rocha de Carvalho.

Proposta concreta

Do que ouvimos até agora o que há de revolucionário – não por sê-lo em si, mas por estar expressado em nível itabunense – é a proposta da Secretária de Educação, Dinalva Melo, que pretende atuar de modo a unir, através da educação formal, a escola, a pesquisa, o reconhecimento, o resgate e a conformação da identidade cultural local. Para tanto, anunciou a professora Dinalva Melo que está em andamento uma ação conjunta com a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania para desenvolver os projetos que alimentem a proposta.
Posta em andamento a idéia teremos algo inusitado, repercutindo em menos de dois anos. E a ruptura com a concepção de conservadores governantes de que gasto com cultura é luxo.

Centenários

Wilson Batista, Vinicius de Moraes e Ciro Monteiro fariam 100 anos de nascidos em 2013. A eles voltaremos nos próximos DE RODAPÉS...

Folia de Reis

Da tradição brasileira, forte no Nordeste, já foi pujante em nossa região. De antes do Natal até a festa de São Sebastião, corriam casas em ruas e roças cantando a viagem dos “santos Reis Magos” até o encontro com o Menino Jesus.
Em Itabuna a gente do Cerrado e de Itamaracá dispunha de seus músicos, flautas de bambu, ganzás e tambores. Aqui mesmo, Miúdo, que faz dupla com Miudinha (moradores no bairro Lomanto) participaram de festejos, que tem data oficial no 6 de janeiro.
A tradição, de origem portuguesa, se esvai pelo ralo, restando na lembrança de poucos. Como nossos casarões.
Como protesto, dispensamos a música original para lembrar o Dia de Reis na forma estereotipada cantada por Tim Maia em “A festa de Santos Reis”.

_________________
Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

domingo, 6 de janeiro de 2013

Detalhes

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.
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Antes tarde
A denominada esquerda padece, historicamente, dos caminhos elementares que alimentam a direita na difusão de suas ideias. (Discutimos tal fragilidade em capítulo de nosso “Amendoeiras de Outono” – Via Litterarum). Em um século de história, desde as experiências anarquistas, um ou outro jornal ou revista estoicamente se ofereceu ao cumprimento do dever. Mas, nem de longe competiu – e ainda hoje não compete – com a organização e o controle dos que lhe são contrários. Quando muito se imagina “conquistando-os” quando de fato alimenta financeiramente os que lhe “batem” enquanto está no poder.

Notícia veiculada na rede, a partir de matéria de Daniel Roncaglia, na Folha de 27 de dezembro (Rede de comunicação criada por sindicatos da CUT cresce) sinaliza para o que entendemos como uma tomada de consciência em torno do assunto. (Detalhes em http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206779-sindicatos-vinculados-ao-pt-criam-rede-de-comunicacao.shtml).

A TVT – TV dos Trabalhadores – projeto amadurecido a partir de 1980 começou a funcionar em 2010. E integra uma rede de comunicação que hoje envolve uma emissora de televisão, três rádios, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal.

Até que enfim!


A luta de Geraldo
Poucos entenderam o que se passava na cabeça de Geraldo Simões em 2012. Tudo porque não há como explicar o que pensava o deputado em relação ao partido do qual historicamente é um dos primeiros fundadores, a ponto de sacrificá-lo visivelmente para corresponder aos seus interesses.

Lógico que a individualista visão, particularmente mesquinha em alguns aspectos, tinha no militante, que através dele conquistara prestígio por força de sua luta e coerência num passado não tão remoto, fez chegar a um projeto: ele.

Dentro de tais limites ousou e perdeu.

O que Geraldo perdeu
A luta de Geraldo era voltar a ser o centro de atenção regional, Itabuna como cabeceira. Muitos dos seus projetos administrativos – frustrados com a não reeleição em 2004 (um prejuízo de 30 anos para Itabuna), em muito devida ao famoso “PT do tapetão” – estão prestes a se consolidar: a cobertura do Lava-Pés e a reurbanização da Amélia Amado, a barragem do Colônia, a Universidade Federal. Não tardará um outro: o primeiro centro de cirurgia cardíaca do interior da Bahia, no Hospital de Base. Assim como pode deslanchar o pólo industrial para manufatura do algodão do Oeste baiano.

Sem enveredarmos por outros projetos de Geraldo, os primeiros acima citados serão capitalizados por Vane. A ordem de serviço para a barragem do Rio Colônia, mal Vane inicia a gestão (oito dias apenas), era sonho de Geraldo que o fosse com Juçara. Assim os demais.

Por isso Geraldo lutou; e perdeu.

Geraldo não será lembrado de nada que projetou. Injustiça que seja; por culpa exclusiva dele.

Os brados
Ouço os brados que ecoam de Itororó. Não por causa da tradicional carne de sol (prestes a finar-se, como tradição, quando perder a essência de sua feitura) mas pela ação desafiadora do prefeito eleito, nomeando alguns parentes (dentre eles a genitora) para cargos de confiança.

Os brados, no entanto, não repercutem na dimensão que os observadores externos imaginam. Marco Brito encontra-se sob o signo do perdão. Afinal, todos em Itororó o conheciam (prefeito duas vezes) e a Edineu Oliveira (também prefeito outras duas), novamente tornados correligionários depois de o serem na primeira eleição de Edineu e estarem separados até o reencontro.

Os brados ecoam mesmo é contra Adroaldo Almeida, o prefeito que conseguiu o milagre inimaginável de eleger quem estava enterrado fazia tempo.

Deste modo, o ressuscitado tudo pode. Inclusive esta coisinha menor, de nomear parentes, que deram de denominar nepotismo!

Reação I
O militância do PT, em nível nacional, andava acomodado sob o manto de quem desenvolveu a cultura política de eleger “postes”, cunhador da expressão já famosa de que “É de poste em poste que o Brasil vai ficar iluminado”. Assim, se dispensava a aguerrida militância de ocupar as ruas, de portar bandeiras sem o crivo profissional.

A postura do STF, ao politizar o julgamento do caixa 2 petista, oficializado “mensalão”, atendendo aos reclamos dos segmentos da elite que não dispunha de meios para enfrentar o tal fazedor de “postes”, gerou indignação e mexeu com a autoestima da base petista. Afinal, Genoíno e José Dirceu – condenados sem provas no tribunal de exceção – nunca poderiam ser o que quiseram muitos dos ministros capitaneados por Joaquim Barbosa: os criminosos que gostariam que fossem.

A reação foi reocupar as ruas em muitos espaços do país. Onde foi possível fazê-lo. Porque lugares houve que nem o fazedor de “postes” elegeria o candidato. Itabuna entre eles.

Reação II
Ainda que tardia não deixa de ser sumamente oportuna a reação que se esboça nas hostes do PT itabunense para trazer a sigla às origens depois de usurpada para atender ao PTdoG.

Começa pela busca de convivência com a administração do prefeito Claudevane Leite.

Reação III
Analisam cabeças pensantes do PT itabunense que a postura de Geraldo Simões nada tem a oferecer como contribuição para a sigla, uma vez que a olha como feudo particular. Observam que, apesar de o PT ter votado para eleger a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Itabuna, não conseguiu inserir um mísero integrante de último escalão na composição.
Tudo porque Geraldo radicalizou na orientação, contrariando muita gente.

Da posse II
Das cerimônias de posse dos eleitos em 2012 emerge no eixo Ilhéus-Itabuna o grande vitorioso: Davidson Magalhães.

Observadores têm como natural uma eleição de Davidson para a Câmara Federal em 2014 com uma invejável votação: 200 mil votos.

Da posse II
Nada confiável a situação político-eleitoral de Geraldo Simões. Não só perdeu na aposta que fez para 2012. As seqüelas acossam-no levando-o para uma doença que os políticos não gostam de ouvir falar: derrota. Para ele, mais uma.

Sua situação em 2014, se mantida a queda de votos – tomando-se como parâmetro a eleição de 2006 – praticamente joga uma pá de cal no futuro imediato.

Para quem superou 89 mil votos em 2006 e os viu decrescidos para 75 em 2010 (ainda assim graças ao apoio do hoje deputado estadual Rosemberg Pinto). Como lembrete dois aspectos: em 2008 a mulher, que ele lançou para ser sua cabeça de ponte eleitoral, teve 44 mil votos para prefeita e em 2012 despencou para 16 mil. Não fora isso, também foi Geraldo secretário da Agricultura da Bahia.

Amigos de Geraldo apostam que terá dificuldades para conseguir 8,5 votos em Itabuna.

Calos
Que esperar GS de 2014? Reza para que Rosemberg Pinto não saia candidato a deputado federal e mantenha o apoio em alguns municípios, um deles de difícil manutenção de votos, como Itororó.

Josias Gomes pode instalar-se em Itabuna até maio para arrebanhar descontentes com Geraldo, o que já vai fazendo municípios afora.

No entanto o calo maior para ele não será Josias Gomes. E sim Davidson Magalhães; que em Itabuna pode tirar-lhe uma considerável parcela daqueles votos de admiradores do PCdoB que nele votavam.

Proposta concreta
Do que ouvimos até agora o que há de revolucionário – não por sê-lo em si, mas por estar expressado em nível itabunense – é a proposta da Secretária de Educação, Dinalva Melo, que pretende atuar de modo a unir, através da educação formal, a escola, a pesquisa, o reconhecimento, o resgate e a conformação da identidade cultural local. Para tanto, anunciou a professora Dinalva Melo, que está em andamento uma ação conjunta com a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania para desenvolver os projetos que alimentem a proposta.

Posta em andamento a idéia teremos algo inusitado, repercutindo em menos de dois anos. E a ruptura com a concepção de conservadores governantes de que gasto com cultura é luxo.

DE RODAPÉS E DE ACHADOS é uma coluna do autor publicada semanalmente em www.otrombone.com.br
 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.
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Entretenimento como intervenção
Não se tem na história da humanidade, e certamente tão cedo não será superada, uma estrutura de cunho ideológico com o compromisso de propagar, internalizar e mesmo mimetizar valores (ainda que supostos em muitos casos) como a indústria de entretenimento estadunidense. Nem outros métodos político-propagandísticos (Plano Marshall, Aliança para o Progresso etc.) e intervenções à base do porrete em defesa da “liberdade”, tampouco a atuação do Departamento de Estado e órgãos de direta, maciça e insidiosa atuação, como a CIA, alcançaram tantos resultados como a autêntica matriz cultural desenvolvida pelos Estados Unidos.

Através dela o que podemos denominar de imperialismo cultural americano exerceu objetivos no plano econômico e no político, capturando mercados para as suas mercadorias culturais e estabelecendo a hegemonia pela intervenção na consciência popular. O entretenimento (Disney, Hollyhood) tornou-se das mais importantes fontes de acumulação de riqueza e de transferências globais. O cinema comandou soberano até o advento e disseminação da televisão, tudo hoje desaguando no sistema de rede que alcança todo e qualquer indivíduo em qualquer parte do planeta.

Na ponta política, o imperialismo cultural desempenhou e desempenha papel singular na desconstrução de pessoas e suas raízes culturais e tradições para substituí-las pela criação de “necessidades” que atendam aos interesses estadunidenses, que se alteram ao sabor da publicidade. O efeito desta política é alienar pessoas dos vínculos tradicionais de classe e de comunidade, promovendo o individualismo como dogma.

Todos os “heróis” defensores da democracia e da liberdade têm origem no Tio Sam e usam indumentária nas cores do país (Super Homem, Homem América etc.). Nada à toa.

Para Freud explicar
Podem os empregadores locais demitir funcionários que entendam muito atraentes, foi o que decidiu, por unanimidade, a Suprema Corte do estado de Iowa, nos Estados Unidos (Reuters).

No caso concreto reconheceu-se o direito de um dentista demitir uma funcionária que com ele trabalhava há mais de 10 anos, motivado no fato de que a mesma era “muito atraente”.

Claro que a ilustre demitida é um pedaço de mau caminho – como diria um gozador brasileiro em sua singela forma de elogiar a beleza feminina.

No entanto, inspirado em Tia Zulmira, a famosa “ermitã da Boca do Mato” do preclaro Stanislaw Ponte Preta, queremos crer que o que levou Melissa Nelson a ser demitida não está na circunstância de ser “muito atraente”. Mas de sê-lo para os outros e não para o empregador.

Não fora isso, é caso para Freud.

Avanço
O vale-cultura, projeto do ministro Gilberto Gil, tal como os Pontos de Cultura, gestado e transformado em Projeto de Lei durante a gestão Juca Ferreira, enviado ao Congresso em 2009, levou três anos para que fosse plenamente apreciado e aprovado, encerrado com sua votação no Senado, em 5 de dezembro último.

Assegura ao trabalhador que perceba até cinco salários mínimos um “vale” de 50 reais mensais (Lula queria 100 reais, como o disse Juca Ferreira, mas o Ministério da Fazenda limitou-o ao valor aprovado) para gastos com livros, revistas, discos e filmes, e acesso a teatro e cinema.

Considerando que falar em cultura inclui produção e fruição, corresponderá a todas as dimensões do conceito, seja a antropológica, a sociológica ou a econômica (e mesmo a tecnológica).

Foi preciso um operário na presidência para resgatar essa dívida do país para com o povo, abrindo as portas para uma nova vertente de incentivo e acesso às artes em geral.

Os Estados Unidos desenvolveram sua indústria do entretenimento no imediato da grande depressão e início dos anos 30, utilizando-se de incentivo semelhante.

Concluída a aviventação...
Não se pode ter como outra coisa a anunciada “definição” dos limites entre Ilhéus e Itabuna, fixados nos marcos atuais, onde a praieira praticamente invade o espaço urbano itabunense.

A medíocre condução dos trabalhos técnicos pela comissão da Assembleia Legislativa da Bahia, mais centrada na politicagem que no cumprimento de função institucional – para não chamá-la de incompetente – legitimou (pelo menos temporariamente) o status quo territorial.

A lei aprovada na quarta 26 demonstra quão pobre anda a Assembleia Legislativa baiana, com deputados mais preocupados em arrebanhar eleitores do que discutir e resolver os problemas que afligem a população.

Alie-se a isso – já que não podemos atribuir a exclusividade do prejuízo tão somente aos senhores deputados – a omissão quase absoluta da sociedade itabunense, destacando-se para tanto a classe política local, clubes de serviço, sindicatos, associações outras.

Na realidade, como natural em direito de propriedade quando dúvida há sobre os verdadeiros limites entre um imóvel e outro, AVIVENTAÇÃO DE RUMO foi o que houve e não refazimento de limites.

...Aguarda-se a redefinição dos limites
O que estava sob apreciação da Assembleia Legislativa era o estabelecimento de novos limites entre município, onde se fizesse necessário. Entretanto a patacoada – obrigado Tormeza – cuidou de promover discussões estéreis não sobre os fatos concretos mas em torno dos limites vigentes, muitos sem corresponder à realidade histórica, como no caso de Itabuna.

Não fora esta dimensão – a histórica – a realidade dos atuais limites ferem o bom senso, agridem interesses das populações envolvidas.

Tampouco não houvesse a instalação de complexo varejista nos limites de Itabuna, que circunstancialmente se encontram em Ilhéus, e a praieira não estava nem aí para o que acontecesse.

E em torno desta realidade – a instalação das redes comerciais – insistimos na pergunta, que a decisão dos senhores deputados não responde: instalaram-se elas em Itabuna ou em Ilhéus?

A piada do ano
Em final de ano a alegria torna-se referência. E a piada, como sempre, alimentará as rodas de conversa.

A deste fim de 2012, depois de confirmado que o mundo não se acabara, é a inauguração da placa por Azevedo e duas dezenas de “amigos”.

Com direito a cobertura televisiva, onde o plano da câmera não pode ser aberto: para não mostrar o vazio, inclusive metafórico.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Ilhéus

Turismo de aventura e risco
Quase nada veiculado na imprensa regional. A não ser o impossível de esconder (afinal, receber um tiro, com bala alojada na coluna vertebral, não encontra desculpa). Não fora o caso da itabunense ferida pouco se ouviu sobre a quantas anda a segurança ao turista em Ilhéus.

No entanto, basta conversar com quem buscou a praieira (uma só pessoa nos serviu de amostra) para perceber que as coisas não andam bem para os que procuram Ilhéus em período de festas. Assaltada e ameaçada por am casal de marginais a itabunense ainda se vê traumatizada, "ouvindo as ameaças" do bandido e "sentindo a faca roçando o pescoço".

Não bastasse, o colega está impossibilitado de trabalhar: derrame em um dos olhos e rosto inchado em consequência das agressões físicas.

Ainda que pareça muita coincidência (uma só pessoa revelando dois fatos) estranha-nos a "louvação" pura e simples em torno da turística Ilhéus sem olhar o que passam os turistas que a alimentam. E não nos esqueçamos que agressões não são só as físicas; os preços e o atendimento estão longe de corresponder ao que efetivamente oferece a privilegiada São Jorge dos Ilhéus.

De concreto a reação das vítimas da violência praieira: Ilhéus nunca mais!

Indústria por se instalar
O jornal Nacional desta quinta 3 verberou a presença de brasileiros turistando por Nova York. Por lá deixaram 4 bilhões de reais. O equivalente praticamente ao investimento no sistema intermodal em Ilhéus nos próximos anos.

Ilhéus não consegue fazer-se a cidade turística propagada. Se mudasse a forma de ver o visitante como potencial contribuinte para sua economia bem poderia ficar com um naquinho da grana que o brasileiro deposita em NY.

Ganharia mais se implantasse a "indústria sem chaminés" (aproveitando as dádivas com que natureza a dotou), que invadindo a território itabunense em seu limite urbano em busca dos tostões do Makro e do Atacadão..

Melhor, bem melhor, que ser centro de turismo de aventura e risco!


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ordem de serviço

Na terça
O governador Jacques Wagner estará em Itabuna na próxima terça 8 para assinar a ordem de serviço para a construção da barragem do rio Colônia.

Mal assume, o prefeito Claudevane Leite já recebe o Governador do Estado e a obra do século, como a nominava Geraldo Simões, que encontrará espaço limitado no palanque oficial.

Se lá aparecer!

Morre Altamirando

Diretor da FESPI
Faleceu nesta terça 1º o advogado e professor Altamirando Cerqueira Marques (1928-2013). Professor de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito foi Diretor Geral da antiga FESPI, embrião da UESC.

Baiano de Capivari (hoje Macajuba) Altamirando MArques foi um dos ícones do pensamento grapiúna.

Será sepultado às 16 horas no Campo Santo da SCMI e está sendo velado no SAF. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um dia comum

Ainda que não qualquer
Este 1º de janeiro transcorreu como muitos outros nestes últimos anos em Itabuna. Diferente, porém, daquele de 2009, quando a festa tomava as ruas embalada por quem se entendia parte concreta no resultado eleitoral anterior que fazia empossar o futuro prefeito.

Havia uma expectativa de que outros tempos ocorressem. Que outras práticas de gestão pública pudessem trazer uma esperança diante do que ocorrera até aquele instante.

Quatro anos são passados. Um 1º de janeiro de posse de novos eleitos. Diferentemente de outras "posses", no entanto, não se viu festejos. O foguetório foi comedido, como a traduzir que vivemos tempos de vacas magras em todos os sentidos.

Esta festa quase nenhuma traduz, em primeiro instante, a cautela do futuro gestor, ou mesmo sua filosofia para administrar. Como a sinalizar que não serão as festas que demonstrarão (como nunca o demonstaram) o que repercute uma gestão de coisa pública. Em muitos casos é através delas que se revelam práticas odiosas de tratamento de recursos do povo, mais voltadas para o panis et circensis temporão, que alimenta uma ressaca onde remorso e arrependimento perduram por meses.

O prefeito Cladevane Leite assume sob a aura da cautela. Anuncia rigor na condução dos negócios itabunenses, que se verão de imediato submetidos a um processo de auditoria.

Nestes primeiros dias buscará conhecer todos os cantos da casa, um conserto aqui outro ali enquanto descobre as artérias e veias que irrigam o organismo, retirando delas os excessos que possam levar este corpo vivo a um colapso.

Age bem o prefeito. Melhor cuidar do óbvio, o imediato que tem feito tanta falta. Sanear as contas é passo fundamental.

Certamente não esquecerá da autoestima, despencada em depressão aprofundada no pós-eleição. Olhará com outros olhos os que buscam a atenção da Saúde; sinalizará a cidade para mostrar que está viva; retirará o desmando que denominam de trânsito; lembrará que água é líquido precioso e que mais precioso fica para os muitos que por ela pagam sem vê-la em suas torneiras.

A nossa gente está como gato escaldado: teme água fria. Escolheu quem lhe inspirou confiança. Mas, observa, também cauteloso, os passos de sua liderança a partir de agora.

Por isso que este 1º de janeiro foi um dia comum. Ainda que não um dia qualquer. Porque, sem os arroubos das festas, pode ser este início de 2013 não o dia da posse de eleitos mas a semente da esperança que se esvaía pelo ralo.