domingo, 5 de fevereiro de 2017

Triste sina de ser Brasil


Nada esperar para o futuro de um país onde parcela considerável de sua gente orgasma com a tragédia alheia, avançando não mais em proporção aritmética a inefável conduta. O exemplo do andar de cima chega aos de baixo e tudo segue como se apenas houvesse ocorrido um tropeço passageiro. No entanto, a inexorabilidade contida em tudo reverte contra todos.

Que o diga a apologia aos assassinatos todos cometidos pelos marginalizados não oficiais e oficiais, clamados e aclamados em relação a uns por programas televisivos e radiofônicos – tão deletérios quanto o que noticiam, em espúrio conluio – nocivos à saúde, física e mental, sacrificando as gerações que surgem, que caminham para tornar-se as perdidas que aí estão, onde o ódio e a vingança tornam-se valores . E a não-vida, como valor, elevada aos píncaros da submissão à mesquinhez do que a propagam.

A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público instaurou Reclamação Disciplinar contra um procurador de Minas Gerais por suas postagens em relação a então moribunda Marisa Letícia. O mínimo dele expelido girou em torno de pedir que sua morte logo acontecesse.

No particular da atitude do Conselho do MPF queremos crer que nada ultrapassará – quando muito – a uma advertência e o ilustre permanecerá expelindo sua bílis nos processos que lhe cheguem, onde provavelmente ‘liquidará’ com os pequenos que não façam parte de seu sonho de consumo social.

Mas nos causa espécie – a razão de abordar tão infame assunto – o fato de que tal está a ocorrer no Brasil do terceiro milênio.

E o fato que motiva este escrever não se passa isolado na figura de um provável (muito provável!) doente mental que ultrapassou o teste psicológico que lhe tenha sido submetido – aquele conhecido psicoteste – depois de ultrapassada a fase de aprovação em avaliação escrita – onde pesa menos os valores desenvolvidos pela humanidade e mais o aprendido em ‘cursinhos preparatórios’ – e ora recebe remuneração às custas da população que paga impostos.

O que vivemos não se esvai em atitudes como a do tal senhor. Presente está em outras tantas. Como a de uma médica que vaza informações da paciente por ela acompanhada (ainda que não devesse por adianta da Ética a sua opção política ou ideológica), assim como naqueles que espoliam o país dizendo defendê-lo no plano dos interesses da nacionalidade, nos que fazem do exercício funcional trampolim midiático, que nunca alcançariam pelos méritos profissionais.

E nem mesmo seja esquecida atitudes como de alguns poucos delegados da Polícia Federal a postarem imagem de uma presidente da República para a prática de tiro ao alvo e besteiras tantas cometidas por outros ‘alguns poucos’ procuradores da República, Promotores de Justiça e mesmo Magistrados que liberam vazamentos nada importantes para um processo mas visando ferir a imagem pessoal das pessoas que pretendem atingir.

Em meio a tantas bandidagens somente a de negros, pobres e espoliados em geral são objeto da sanha por combater – a qualquer preço – as marginalidades todas que se nos acometem.

Muito triste a sina de ser Brasil, abrigando tal estirpe de inumanidade. À espera de sua triste e longa noite.

Jânio de Freitas
Depois de registrar a inutilidade das denominadas ‘delações premiadas’, ápice do que poderia ser considerado incompetência de ministério público e polícias na apuração de provas a partir de documentos apreendidos com ordem judicial, conclui, considerando as condenações morinas, que “como crime, a delação compensa!”:

“O marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, foram agora condenados a oito anos e quatro meses de prisão. Receberam em conta na Suíça US$ 4,5 milhões, pagamento parcial pelo trabalho na campanha de Dilma/Temer. O pagador, Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, deu como origem do dinheiro um desvio no contrato, com a empresa Sete, de construção de plataformas ou sondas para a Petrobras. Participantes também do desvio, no lado da Sete, Edson Vaz Musa e João Carlos de Medeiros Ferraz.

Condenados os três por Sergio Moro. Skornicki a 15 anos e meio, cumpridos assim: entrega US$ 23,8 milhões de desvios vários, não sai de casa até o fim da semana que vem, e depois só ficará lá à noite e nos fins de semana por um ano. Vaz Musa recebeu oito anos e dez meses de prisão, transformados em permanência no doce lar durante os fins de semana por dois anos. E Medeiros Ferraz, condenado a oito anos, teve-os igualados a "serviços comunitários", só.

Quem recebeu o dinheiro, sem participar da trama, é condenado a oito anos e quatro meses. Quem operou o desvio criminoso de um excedente ilegal contra a Petrobras, e com esse dinheiro fez um pagamento também ilegal, esses são premiados: vão para casa e para as ruas.

Assim é a moral e é a justiça da prática de delações premiadas. Com ambas, dizem, o Brasil será outro. Será: quem disser que o crime não compensa fará papel de idiota.” 

De fazer inveja
Não sabemos se o registro de FHC em artigo publicado no Globo traduz ironia ou anedota. Nele afirma que "A venda de empresas a estrangeiros na bacia das almas não é o caminho mais saudável para o futuro".

Também não sabemos o que del diria o Barão de Itararé. Nem mesmo se diria!

Quem não mais tem como escutar são os bancos públicos privatizados, a Vale do Rio Doce, a Telebras, as concessionários de energia elétrica etc. etc. etc.. 

Que foram o caminho saudável para FHC em seu tempo de ‘bacia das almas’.

Por enquanto
O ministro Roberto Barroso concedeu liminar suspendendo os efeitos da 'doação' às teles de patrimônio público superior a R$ 100 bilhões, autorizada pelo Congresso na calada da noite, como sói ocorrer na atuação de gatunos.

Aquela picaretagem está suspensa. Por enquanto.

A que ponto chegamos
Não bastasse o que já afirmou Gonzaga Belluzzo em relação ao juiz Sérgio Moro – um idiot servant – há muito no magistrado que somente pode ser explicado a partir de um divã de psicanálise. Fora disso seria postura de mau caráter em relação a muitas coisas e uma patológica vocação para o exercício do poder.

Ou aquela paradoxal humildade em nível de exibicionismo global (de Globo, mesmo”).

Nosso augusto guardião deu – tanta a ousadia que lhe dão – de emitir opinião – o que acha – de indicação de um Ministro do STF para ocupar uma função.

Tão diminuto se confirma ser, que a sua burlesca postura de imaginar reconhecimento por emitir opinião antiética nos leva imaginar que não está a fazê-lo (opinar) mas a bajular. 

Afinal inferior elogiando superior lá no sertão sertanejo tem outro nome: puxa-saco.

Não insistam!
Essa insistência em colocar Aécio Neves em meio ao turbilhão oriundo das denúncias da Odebrecht cheira (ops!) a coisa de sonhar.

Afinal, como sabemos, contra ele ‘nada vem ao caso’. 

O que queremos  dirão eles  é outra mina. No momento apenas parcialmente explorada/destruída.

Às avessas
Há um novo conceito no mercado: o da popularidade às avessas. Para atender aos ‘invejáveis” índices alcançados pelo interino tornado presidente, simplesmente MT nas delações da Odebrecht.

Afinal, 13% o acham melhor que Lula. 

Falando em empresários
Corruptores estão às levas por aí. É da essência da selvageria capitalista. 

Onde há dinheiro por ganhar há quem o dispute. 

Não dando para todos alguém há de ser preferido e outro preterido.

Para começar
14 mil famílias perderam o imóvel adquirido pelo sistema financeiro... e o dinheiro que já haviam pago por eles. 

Laranja madura
"Na beira da estrada está bichada ou tem marimbondo no pé" – diz o cancioneiro popular nos versos de Ataulfo Alves, imortalizada por Noite Ilustrada.

Deu no Estadão: iniciativa do sistema bancário/financeiro de instalar uma ‘força tarefa’ para salvar empresas/empreiteiras. Uma demonstração da gravidade da situação. 

Não havendo uma saída imediata não tardará a crise chegar de sola nos bancos.

Inadimplência não soa bem nas gerências e diretorias dos bancos. 

Quando é casa própria, toma-se; empreiteira, ajuda-se. Para não explodir tudo.

Pobre explodindo é uma coisa, grande is very important.

Inacreditável!
Sabemos que a política expansionista de Israel sob comando sionista não encontra apoio dos judeus em plenitude com a Torá.

Mas, nunca imaginaríamos o encontro registrado no vídeo abaixo.


Ainda que tomemos como uma encenação haveremos de reconhecer, em dimensão cinematográfica: excelente argumento, excelente diretor e excelentes atores.

                   

domingo, 29 de janeiro de 2017

Marisa Letícia

Lembranças
A mulher simples, desprovida das vaidades inerentes ao poder – próprias ou adquiridas – nunca se pôs a exibir-se. Já registramos neste espaço (Dois tempos) o ouvido por um amigo, de integrante do corpo de funcionários do Palácio do Alvorada, de sua busca – na feira-livre – por ingredientes para uma feijoada com que queria brindar Lula no primeiro dia de assunção do poder. 

Somente isso – pela simbologia – justificaria encômios vários se fora outras as primeiras damas.

Nunca buscou os holofotes, além daquele imposto pelos cerimoniais: estar ao lado do marido, Chefe de Estado, pela circunstância de ser Primeira Dama. Nada mais que isso. 

Muito menos aceitou convite para estrelar ovos em programas de televisão, para falar de intimidades do casal, dar opinião sobre esta ou aquela vestimenta etc. etc..

Debochada e ridicularizada enquanto o marido exercia o poder (como lembra Hildergard Angel, disponibilizada no Conversa Afiada) manteve-se indiferente, como lhe cabia em grandeza existir.

Hoje é a mulher do ladrão e coautora de crimes vários, cúmplice do marido, que sofreu um acidente vascular cerebral com hemorragia, o que torna grave o seu estado de saúde.

No entanto, caso dispusesse de condições de ler jornais e internet em vez de ver registrados pedidos de recuperação para sua saúde leria crueldades que mostram – e muito bem explicam – a razão por que este país passa pelo que passa: o nível da gente que defende os instalados no poder, gente como eles, que não espelha o mínimo de valores espirituais, morais e éticos. 

Na imprensa medíocre apenas o registro e na rede não lhe falta quem a chame de “vaca” ainda que seu estado de saúde exigisse pelo menos o silêncio, em respeito aos que podem estar no estágio de moribundos.

Nenhum(a) dos(as) que se encontra(m) em estesia orgástica com seu estado de saúde e a escarnecem como abutres que se dizem humanos teria(am) a coragem de assumir o papel que ela assumiu em plena ditadura, de resistência e vanguarda no enfrentamento ao regime por aquele(as) aplaudido.

Certamente – e não o registramos por bajulação – muitas primeiras e ex-primeiras damas oriundas daquela ‘elite branca’ a que se refere Cláudio Lembo seriam humanamente ainda mais irreconhecíveis se tivessem exercido o poder que logrou chegar a D. Marisa Letícia. Principiando por trabalhar em fábrica aos 13 anos.

Do incômodo em ver doméstica na poltrona ao lado em aviões e em gôndolas de supermercados a inveja (esse pecado capital) incomoda aos que não chegaram (e nunca chegarão) a viver o que D. Marisa Letícia viveu.

E para isso não existe golpe que resolva.

Entre a faca e a espada
O Partido dos Trabalhadores se não saiu esfacelado das eleições de 2016 foi nelas profundamente abalado. E continua o alvo de permanentes ataques da mídia, acusado de tudo que não preste no Brasil desde o descobrimento. 

Paga caro a falta de articulação política que resultou na eleição de Eduardo Cunha para presidir a Câmara, mérito incontestável de Mercadante, aquela parte da elite petista de São Paulo. Não precisa repetir que tudo começou com Eduardo Cunha, presidindo a Câmara com uma mesa composta e controlada por ele.

O não alinhamento – correto – com o PMDB de Cunha implicaria – diante da flagrante impossibilidade de uma candidatura própria obter vitória – de compor com outros partidos, na época até o mesmo com o PSB que ensaiava deixar o barco do governo.

Ficou sem presidir comissões importantes e sem um mísero cargo na Mesa Diretora “de Cunha”. Perdeu inteiramente o controle, restando tão só o microfone para espernear.

Hoje não dispõe de possibilidade de enfrentar eleição em qualquer das casas do Congresso. Sua assembleia nacional conseguiu fazer vencer a proposta de abrir espaço para composições em chapas presididas pelo DEM, na Câmara, e pelo PMDB, no Senado.

O oxigênio buscado reside em participar das correspondentes mesas e presidir as comissões que lhe sejam oferecidas. Está naquela fase de mendigo, que não tem como escolher o que lhe seja dado, mesmo que peixe quando só come carne.

Para tanto – aprender com o látego nas costas – compor com os grandes artífices de um golpe que o afastou do poder, na dura lição de votar com o DEM e com o PMDB, seus carrascos.

Essa a melhor (e humilhante) saída. Afinal, pensar nas promessas e compromissos com o povo nada representam. Mesmo porque o povo preferiu o noticiário às ações que o beneficiaram nos últimos, tanto que não reelegeram nem Haddad em São Paulo.

Na discussão envolvendo uma postura purista e a pragmática (posta em prática nos últimos anos) provável que vençam a faca e a espada.

Legado em discussão
Nos limites das informações de que dispomos nunca entendemos algumas iniciativas de Teori Zavasck. Está posto em Necrológio I

Mas oferecemos o contraponto para análise do leitor, no expressado por Eugênio Aragão, no Blog de Marcelo Auler, reproduzido por PHA e Breno Tardelli, no Justificando. 

Tramando
Por mais inocente a conversa entre as três figuras, no imediato do velório de Teori Zavasck – incluindo aquele Gilmar Mendes que foi a tiracolo com o interino tornado presidente a Portugal, para enterrar Mário Soares e lá não compareceu – há cheiro de interesses sendo discutidos. Não lhes cabe o benefício da dúvida, porque não dissimulam suas vontades e sonhos.

“Um encontro casual entre amigos há mais de trinta anos” com certeza não foi. A amizade, até; a casualidade, nunca.

Basta ver Gilmar Mendes portando um livro quando lá chegou, mostrada na televisão.

Imagine o leitor Gilmar Mendes assumindo o controle sob as delações que estavam sob Teori Zavascki, já que ele nunca se dará por impedido emr azão de amizade com as partes interessadas.

                        

Esprit du corps
Construindo o torreão, alicerçado no corporativismo. Assim a AJUFE (associação deles) pretende um deles para ministro do STF.

Na linha do idiot servant – atribuído por Belluzzo a Moro – a fila caminha para a mediocridade. 

Qual o notório saber jurídico de suas excelências recomendadas? Apenas passar no concurso.

A destruição do país registrada a partir da destruição de sua indústria e da sua construção civil.

Carlos Válder
O tributarista e ex-professor da UESC, Carlos Válder do Nascimento, nunca imaginou que viesse a ser lembrado no imbróglio em que se encontra o país. 

Mas aconteceu.

Considerando as várias citações do nome de Ives Gandra Martins Filho para a vaga de Teori Zavasck no STF, Paulo Henrique Amorim futucou um artigo de Gandra.

‘...o repórter André Guilherme Vieira revela que a "Lava Jato teme por apurações no MP paulista".
MP paulista, como se sabe, é aquele que apurou exemplarmente a cratera do metrô do Cerra e troca Engels por Hegel.
Segundo o PiG Cheiroso, "receio é que fatos revelados pela Odebrecht não sejam aprofundados por promotores de Justiça".
Que fatos seriam esses?
O PiG cheiroso responde: a Linha-15-Prata do monotrilho de São Paulo, obras de rodovias, saneamento, além da formação de cartel e fraude em licitações do metrô e em trens de São Paulo.’

De nossa parte afirmamos: tal desconfiança pode resultar em briga judicial. 

Onde o povo paga as custas.

Foragido
Anunciam-no foragido. No entanto simplesmente viajou para o exterior no imediato da operação que o prenderia. 

Mais cabe à imprensa sedenta perguntar a Polícia Federal – presente nos aeroportos –a razão por que o deixou viajar.

Sem falar também porque a operação não alcança Pedro Malan e Tourinho, conselheiros de Eike Batista, todos ex-ministros de FHC. 

À época teria havido manipulação de mercado e falsificação de documentos envolvendo as negociatas de Eike.

Acidentes retornando
Dória não é o culpado, e sim quem o legitimou na decisão judicial para aumentar a velocidade em avenidas paulistanas, o que já gerou acidentes e mortes.

Como explicar a conduta desses agentes da persecução? Claro que existem interesses pessoais e políticos na perseguição, vaidades, ódios, rancores e frustrações. Mas esses agentes não deixam de ser a representação da violência atávica das elites brasileiras contra todo o sentido da construção ética de uma sociedade justa e igual e de tudo o que significa luta nacional e popular por direitos. Como serviçais das elites, esses agentes não deixam de se sentirem donos do Estado, donos dos instrumentos da violência concentrada, portadores de uma imemorial consciência dos privilégios patrimonialistas.

Direitos, justiça e igualdade e a constituição ética do Brasil e da sociedade, portanto, são ameaças aos interesses, ao poder e ao mando das elites e de seus agentes. De tempos em tempos promovem uma degola das conquistas alcançadas através das lutas. É isto que se está vendo neste momento com o governo Temer. Nestes surtos violentos e destrutivos da agregação social e do sentido ético, agridem também com mais violência as representações simbólicas dessas lutas e dessa construção. Os movimentos sociais e políticos progressistas precisam compreender que quando se trata de democracia, direitos, liberdade, justiça e igualdade nunca há uma garantia definitiva. A manutenção das conquistas e sua ampliação requer lutas e mobilizações permanentes.

Antecipamos
Não sabemos a pretensão da Ciência – a teor da experiência japonesa – em criar um embrião parte humano e parte porco. Ainda sem nome o resultado do cruzamento.

A dúvida que nos abate, entre a prevalência do cérebro, é a seguinte: o do homem no porco ou o do porco no homem.

Cremos que, pela natureza humana contemporânea, presente em parcela considerável de brasileiros, prevalece o do porco no homem.

OIT
Em 2017, UM em cada TRÊS desempregados, no mundo, será brasileiro.



domingo, 22 de janeiro de 2017

Em tempo de necrológios

Necrológio I
O ministro Teori Zavasky certamente não era um falastrão como Gilmar Mendes, um deslumbrado como Luiz Fux, um menino grande assustado com o cargo, como Dias Toffoli, uma pluma em tempestade como Roberto Barroso, um dependente da ‘literatura jurídica’, como Rosa Webber, um aprendiz do poder, como Cármen Lúcia, um preocupado com o que vão pensar dele, como Edson Fachin etc. etc.

Mas, por trás de sua sisudez no exercício da função no STF deixou-nos a desejar e – sem arrependimento algum – podemos afirmar que sua omissão em enfrentar os absurdos que lhe chegaram às mãos em razão do impeachment muito do que ora acontece no país pode ser tributado à sua posição de perder o bonde da história.

Legitimou o ato indecente, imoral e ilegal de Sérgio Moro, ao não desconsiderar as provas obtidas ilegalmente, apesar de haver espinafrado o catão paranaense e os vazamentos de delações.

O mesmo Teori que determinou a prisão do então senador Delcídio do Amaral. Não por aquilo que representa Delcídio, mas pelas violações à lei cometidas através da ordem de prisão por ele exarada.

Nenhuma dúvida há da seriedade com que Teori exerceu a função. No entanto – a teor da doutrina dos frutos da árvore envenenada – era mais um membro do pior conjunto de composição do STF em sua história. Não pelo conhecimento jurídico (em que pese até aí haver limitados) mas pela posição escancaradamente política de alguns e – mais que isso – a submissão à mídia. 

Não bastasse declarações incompatíveis como algumas do próprio Barroso, que chegou a legitimar, em declarações à imprensa, procedimento em detrimento do direito material.

Lágrimas de crocodilo
Certos presentes no velório de Teori Zavasck em muito se assemelham ao velho coronel nordestino que mandava matar e comparecia ao velório e ao enterro para conferir se o indigitado estava morto e enterrado mesmo.

No caso presente seria leviandade afirmar o mando, mas todos sabemos que sob as mãos de Teori se encontrava o caminho de leva-los (tucanos e peemedebistas) a um procedimento criminal.

Decifra-me
A indagação que acomete brasileiros de todos os quadrantes é se a morte de Teori Zavaski afeta as apurações que estavam sob sua responsabilidade.

Quando nada, afirme-se – em termos otimistas – o retardamento na conclusão (se houver) da homologação das delações.

Certamente, uma festa para tucanos e peemedebistas. Por razoável tempo, se não definitivamente, esquecidos nos noticiários policiais.

No fundo uma incógnita para a deusa hera e sua Esfinge de Tebas.

Devoro-te
Politicamente ruim para Lula e o PT. Que ficarão sem o contraponto. Devorados que já estão.

Afinal, presos mesmos somente petistas. Com o risco de – sob o domínio de convicções fáticas – o próprio Lula ser condenado (e preso). 

Ainda que o mundo se sinta estarrecido com o que andam fazendo com ele aqui dentro.

Porque lá fora sempre será bem recebido. E aplaudido.

Tudo se acertando 
Ainda que acidente, puramente... não custa duvidar. Mormente para quem lembra daquela diálogo entre Machado e Romero Jucá, em março de 2016, especulando saídas para o desenrolar da Lava Jato depois de arrebentar o PT:

Machado: Um caminho é buscar alguém que tem relação com o Teori [Zavadski, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.

Jucá: Não tem. É um cara fechado. Foi ela [Dilma] que botou... um cara burocrata, ex-ministro do STJ...

Tiraram a Dilma, levaram  interino tornado presidente ao Planalto, entregaram Eduardo Cunha, blindaram Renan Calheiros (Gilmar Mendes) e – coincidências, que sejam! – pararam o Teori Zavascki.

Como se diz no sertão nordestino: tudo certinho como boca de bode.

Bruta sorte! 
No tema coincidência a manifesta vantagem de uma gama de ladrões (já por demais conhecidos e nominados) com qualquer das duas hipóteses:  manutenção do processo da LJ nas mãos do substituto, indicado pelo interino tornado presidente – até agora citado 43 nas delações da Odebrecht – ou por sorteio dentro da turma ou de todos os integrantes do STF.

Uma conclusão se encontra flagrante: essa turma (de ladrões) tem uma bruta sorte!

Pequena fábula
Havia um país na terra distante onde uma rainha governava. Quando começou a prender ladrões os ladrões a derrubaram e puseram um deles para ser rei. 

Então havia um julgamento onde o ladrão, antes de ser rei, estava tendo seus furtos apurados e em risco de ser processado e condenado.

Um dia o juiz morreu e cabia ao rei escolher o juiz para o lugar do que morreu. 

Assim o rei nomeou um amigo seu para julgar os seus crimes. O seu ministro, afamado por suas ligações com criminosos.

A historinha está assim mal escrita, os fatos confusos, personagens idem. 

Como o andar das coisas naquele reino.

Barroso
O Ministro Roberto Barroso – pluma em tempestade – andou falando o que não lhe competia: deveríamos repensar em torno do atual sistema de universidade pública para torna-lo financiado pela iniciativa privada.

Necrológio II
Tamanha a desmoralização que justifica ser expressa como necrológio o que representa a credibilidade do país.

Prestígio nem mais se fala. Nenhuma referência ao Brasil no encerramento do encontro em Davos.

Vendendo
Rodrigo Janot – não sabemos com que base legal ou institucional – compareceu a Davos para vender o Brasil como pátria de tranquilidade e segurança para investidores.

Cabe a indagação: quem pagou as despesas?

Vendendo
A valiosa atuação de Janot em Davos pode estar vinculada ao projeto de seu terceiro mandato.

Especialmente para quem já declarou que Lula é ladrão.

Considerando os sistemas empresarial e financeiro transnacional o retorno de Lula é inconveniente.

Assim – depois da instalação de uma equipe a seu favor (com rabo preso) –(para eles) evitar o retorno de Lula pode encontrar forte apoio no novo mandato para Janot.

Depende da Globo
Através de seu porta-voz, Merval Pereira, Sérgio Moro tem tudo para se tornar ministro do STF. 

Foi dada a saída para o jogo, apitado pela platinada. Basta a Globo ‘sugerir’.

Agrada ao povão que o endeusa e põe lá quem – com certeza – apagará qualquer vestígio da Globo nas picaretagens, como já o fez quando mandou soltar os presos envolvidos no ‘Panamá papers’, com ligações com os Marinho e aquele barraco em Paraty.

E – o mais importante – garantirá a impunidade do PSDB.

Por outro lado, é o novo charme global, como revela Romulus em montagem. Tanto que até vestiram a Globeleza.

Militar alerta
Transformar as forças armadas em “capitão do mato” desperta questionamentos vários, como o do Tenente Coronel da reserva do Exército Brasileiro, João Luiz Mena Barreto.

Mais Médicos em extinção
O cinismo do atual Ministro da (não)Saúde beira o deboche explicando o "menos médicos".

Tirando o sofá da sala
O interino tornado presidente já provou à sorrelfa suas absolutas incompetência e limitações como gestor. Flagrado quer tirar o sofá da sala para evitar a traição.

Mudar o nome do PAC – sucesso absoluto em projetos de infraestrutura dos governos petistas – para assumi-los como obra sua. 

Através do novo nome.

Não esqueça
Este espaço auxilia o caro leitor a não esquecer de coisas que são ‘esquecidas’ por quem de direito deveria apurá-las. 

Aproveitando a deixa do deputado Paulo Pimenta, que voltou a cobrar, na terça 17, do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot (que, segundo o ex-ministro Eugênio Aragão, afirmou peremptoriamente que Lula é corrupto) sobre o andamento das denúncias, sobejamente documentadas, contra a atuação das empresas Brasif e Vaincre LCC, ligadas a Mossack Fonseca, responsável por fatos vinculados aos “Panama papers”.

A primeira, beneficiada com concessões em aeroportos brasileiros pelo governo FHC está envolvida como meio de transferência de recursos de FHC para Mírian Dutra e a segunda, com aquela mansão da Globo em Paraty, que pertenceria aos Marinho da Globo.

A matéria ora disponibilizada aqui lembra que o juiz Sérgio Moro – docemente alcunhado de idiot savant por Luiz Gonzaga Belluzzo – cuidou de libertar os responsáveis pela Mossack flagrados destruindo provas.

Lançamos o tema neste ‘Não esqueça’ para requentar o que este blog já denunciou em páginas passadas.

Ainda é pouco
Detentores de vazamentos falam em delações da Odebrecht que alcançariam idos de 2000. Não cremos que nada vá adiante, dependendo de Sérgio Moro. 

Afinal, oportunidade teve ele de, pelo menos, determinar apuração da denúncia de Yousseff em depoimento, de que Aécio Neves recebia do esquema de Janene/Furnas entre 100 e 120 mil dólares mensais, quando o esquema do PSDB, em Minas Gerais, era operado pela irmã, Andréa Neves (vídeo abaixo).

E nem se fale de Nestor Cerveró, que a ele disse de uma propina de 100 milhões de dólares para o PSDS na compra de uma petroleira argentina em 2002, tempo de FHC, com registrou a Carta Capital.

É dessa época o lançamento da famosa marca de Sérgio Moro: não vem ao caso.
                      

domingo, 15 de janeiro de 2017

Entre a tragicidade e a idiotia

A Norberto Bobbio a precisa observação de que percebemos "o grau de civilidade de uma sociedade pela forma como trata as crianças, os velhos e os prisioneiros", lembra Luiz Gonzaga Belluzzo em entrevista a RBA.  Posto o Brasil vigente sob essas premissas podemos afirmar que longe estamos da civilidade, caso não assumamos, de logo, o estágio de barbárie a ser brevemente alcançado. 

Afinal, congelar gastos públicos em educação e saúde por vinte anos e elevar idade para aposentadoria a 65 anos são de uma insensatez que beira os limites da loucura ou – pelo menos – internamento em hospital psiquiátrico, tal o nível intelectual dos ‘pensadores’ que aí estão, capazes de contrariar todos os técnicos mundo afora que abriram baterias contra os absurdos em curso.

A barbaridade e selvageria levadas ao topo de projeto de país para essa gente não descura de alimentar até a segregação como meio de auferimento de lucros, tornando a ampliação, administração e manutenção de presídios em objeto de ganhos para a iniciativa privada.

O estágio a que estamos chegando – com apoio propagandístico da mídia – dispensa buscar as razões por que existe a delinquência e a criminalidade. Isolar e matar o semelhante torna-se tônica de um discurso primitivo. Não sensibiliza parcela considerável da sociedade (alienada) o fato de que entre presos degolados em Roraima estavam seis que se encontravam em prisão provisória (há apenas um mês, um deles, de 25 anos, primário, pai de dois filhos, levado à cela por uma juíza que entendeu – convicção é assim – que traria riscos à sociedade permanecer em liberdade).

A desumanidade vai assumindo espaços, como se natural o fosse. Afirmam os técnicos e estudiosos que a proposta (de extermínio) do interino tornado presidente para a aposentadoria exigiria trabalhar até mesmo depois de completados os 65 anos como forma de garantir integralidade de proventos e manter o mínimo de dignidade como aposentado.

Segundo o G1, como somente 0,3% dos trabalhadores com carteira assinada exercem atividade hoje a conclusão é simples: idoso não encontra trabalho. Sob esse viés a aposentadoria – caso venha a ser alcançada – será com menos dinheiro para sobreviver.

Trabalhar mais tempo ou estar preso tem vinculação com o processo educacional ofertado. Mas, aproveitando o observado por Belluzo, em relação a Sérgio Moro, na entrevista ora disponibilizada, vivemos uma cultura de idiot savant, onde convicções e achismos suplantam a realidade e a exacerbação positivista pede apenas ‘mais cadeia’ e 'menos escola'.

Na esteira da genialidade atual, para estes ‘gênios’, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense se encontra ameaçada por uma CPI no Senado, como o deseja o senador Ronaldo Caiado, do DEM e da UDR, porque está a entender (tem ‘convicção’) que o tema “Xingu – o clamor que vem da floresta” pode ter sido financiado por grupos contrários ao agronegócio.

Haja Festival de Besteira assolando o país (obrigado Stanislaw Ponte Preta). 

Umas trágicas; outras, idiotas.

Responsável
A culpa é do povo. Esse ignorante que está solapando o país com sua irresponsável sanha consumista. Comprando feijão caro etc. etc. Esse o bla-blá-blá do Jornal Nacional na quinta 12. 

Em nenhum momento levantou – ainda que em horizonte marítimo – a mínima responsabilidade pela política econômica implantada pelo interino tornado presidente.

Transferindo a responsabilidade para o povo até mesmo criou a singular “inflação pessoal”, aquela que nasce da perdulariedade de cada um habituado a comer, recomendado a suprimir gastos, em vez de reclamar contra a política econômica que está a nos encaminhar para uma crise humanitária sem precedentes.

Só faltou o Bonner dizer – como Cid Moreira na gênese do JN, no ano de 1968  “nunca fomos tão felizes!”.

Na olimpíada global o lançamento de peso atinge, em definitivo, o cérebro do que se diz telespectador.

Que raciocina em preto e branco.

Estavam errados, sim!
Reconhecem o erro cometido. Os “cabeças de planilha” – como os denomina Luis Nassif – na pessoa do ilustre André Lara Rezende, confessam o erro de suas avaliações econômicas apreciando o câmbio e lançando a Selic como instrumento de controle inflacionário.

Depois da desgraça consumada só nos resta ler Rezende (para crer) e Nassif (para ratificar a denúncia levada a termo ainda no limiar do Plano Real).

Sem culpa alguma
Execrado e absolvido. Como absolvidos os demais alvos da operação policial que visava – em outro estágio da lawfare – atingir o PT.

Marcelo Auler traz à tona mais um caso. Emblemático o título: A imprensa que acusou cala-se na absolvição.

Com todas as letras
A ONU responsabiliza o STF pela (não)redução da população carcerária. A pancada levou a presidente do STF Cármen Lúcia a convocar os presidentes dos Tribunais de Justiça para um esforço concentrado para agilizar processos de presos.

Poderia, também, ter exigido dos juízos criminais e de execução penal das comarcas igual iniciativa.

Trágico que uma solução para a superlotação nos presídios tenha sido buscada depois do festival de degolas despertando da letargia o Judiciário. 

Muito voltado, ultimamente, para ajudar a iniciativa privada que se alimenta de presos. Tanto que legitimou o recolhimento à prisão antes de transitada em julgado a sentença condenatória.

Chegando lá
O escancaramento do escândalo envolvendo o PMDB em falcatruas através da Caixa Econômica Federal, sob a competente gestão de Geddel Vieira Lima, em parceria com Eduardo Cunha, à frente da vice-presidência da Diretoria para pessoas jurídicas, exercida em governos petistas.

Ainda que – mais uma vez – a bandidagem esteja vinculada ao PMDB não custa Lula e Dilma serem acusados por Procuradores da República com base na ‘convicção’ de que sabiam de tudo.

Finalmente!
Oh, glória! Finalmente empresas estrangeiras vão atender à demanda da Petrobras. Ainda que acusadas de corrupção, como denuncia Joaquim de Carvalho no DCM.

Licitações comandadas pelos mesmos ladrões da época de FHC.

Mais prazo
Assim trabalham. Levantam suspeitas, amparadas em ‘convicção’ (“eu acho”), não conseguem provas e vão pedindo prazo para ver se ‘descobrem’ alguma coisa. Enquanto a imprensa vai divulgando... divulgando...

Desde que Lula seja o alvo.

A fala de Lula I
" É importante a gente não ter vergonha de dizer que quer eleição direta. O (Michel) Temer (PMDB) quer ser presidente? O (José) Serra (PSDB) quer ser presidente? O (juiz de 1ª instância Sérgio) Moro quer ser presidente? Ótimo. Todo mundo que quer ser presidente tem o direito de se candidatar. O que não pode é querer ser presidente dando um Golpe, na base da canetada."

Faloooou!

A fala de Lula II
Da fala de Lula leva uma outra conclusão: pelo menos a de servir para que o Brasil deixe de ser motivo de gozação lá fora, como o posto no vídeo abaixo (legendado).

                     

Ajudando a entender
O texto do geógrafo norte-americano Brian Mier, publicado na Brazil Wire esmiúça a participação dos Estados Unidos no Brasil/2016. Aqui, no original e traduzido.

Aragão e o papel higiênico
O imperdível Eugênio Aragão:

Um julgador pegar carona com um réu a ser por ele julgado; um chefe do ministério público ir a Davos para ajudar a atrair investimentos numa economia que chama de podre, ou um ministro da justiça se esquecer de que negara meios a uma governadora para evitar um massacre, mas que agora, diz, vai dá-lo a um outro governador que faltou bater palmas para o banho de sangue no xilindró sob sua responsabilidade: tudo isso não é muito diferente do uso de papel higiênico nos dois lados. Mas quem fica com as mãos borradas somos nós que fingimos estar tudo bem.”

Mudando de plano
Estamos sepultando amigos, companheiros de música e de artes. De cantoria e de poesia. Gente que só dava alegria.

Na quarta, Aladino  ex-integrante do conjunto Os Apaches  voz encantadora do grupo, guitarra base enquanto trabalhávamos o contrabaixo e Aderbal Duarte solava e arranjava. 

Neste domingo Ramon Vane, que aqui trazemos como o Coronel de "Cacau Verde – nem tudo que reluz é ouro", de José Delmo.

A cada um nossa homenagem. A Aladino uma das músicas em que marcou uma de suas melhores interpretações no grupo, no original de Roberto Carlos; a Ramon Vane, uma foto da época em que o "Grupo de Arte Macuco" andou por Itororó, nos anos 80.