De fogo
Em tempos de Inquisição a prova da verdade se apresentava sempre contra o acusado na "caça às bruxas": cabia a ele demonstrar a inocência (coisa assim como o pensar do ministro Luiz Fux em juízo criminal). Passar pelo fogo e não se queimar era uma forma de demonstrar inocência. O que nunca acontecia e o desgraçado não escapava da fogueira - esta, oriunda da condenação e não do teste.
Pelo andar do noticiário há um teste de fogo para o Banco Central e a política implantada a partir de agosto de 2010, quando iniciou a redução da taxa SELIC no instante em que o mercado - sempre ele - pedia mais, insaciavelmente, agentes que são do "bom mocismo" do combate à inflação.
A campanha é tão sórdida - assim a vemos - que mesmo a redução do IPCA para 0,47% em março, ante 0,60 em fevereiro, o que sinaliza início de queda da inflação, os "especialistas" não deram ênfase à queda mas ao acumulado nos últimos 12 meses, um mecanismo de propaganda pura e simples visto que a inflação anual é aquela correspondente ao ano civil (de 1º de janeiro a 31 de dezembro) e o que ocorreu, por exemplo até dezembro de 2012, em nenhum instante contamina afirmativamente o que venha a ocorrer até dezembro de 2013.
Mas, o que está por trás de tudo isso é justamente o enfrentamento que o Governo Federal estabeleceu ao sistema de metas de inflação, criado e desenvolvido para atender aos interesses do mercado, leia-se aí a banca da especulação financeira.
O atual sistema contraria o anterior, que tinha a atuação do Banco Central eminentemente preventiva: utilizando-se de expectativas, a partir de analistas do próprio mercado (coisa assim de raposa tomando conta do galinheiro) quando ditos "especialistas" acham que há sinais de aumento da inflação e para contê-la cabe ao BC apenas aumentar os juros. Ou seja, encarecer preventivamente o consumo para inibir o consumidor de comprar e com isso forçar a redução dos preços. Só que, para a manutenção de tal esquema, o Governo vende papéis para financiar os juros da dívida (o que beneficia a banca de especuladores. Uma festa!).
Aí está o teste de fogo do Governo Federal: os Torquemadas do mercado, quase à unanimidade, pedem a alta de juros. Se o Banco Central ceder dirão que a política de redução da SELIC não funcionou, foi um "fracasso" e que o juros altos são e continuarão a ser a solução.
Os abutres, partindo da possibilidade de manutenção da SELIC no atual patamar (7,25%) já sinalizam que o aumento venha a ocorrer em maio. Se não... em junho... em julho...
Aguardemos o resultado do teste. A ser conferido na próxima reunião do Copom.
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Turma
Insaciável
Diziam os de antigamente, quando criticando quem gostava de dinheiro: O saco do usurário não enche nunca. A visão de parcela significativa do empresariado nacional, sob o condão de analistas de mercado e economistas que está a seu serviço, nos parece muito próxima do dito popular. A campanha está aberta, de forma escancarada, para aumentar a taxa básica de juros, a denominada SELIC.
Para a banca e parte de economistas ortodoxos o risco de aumento da inflação justifica (para ontem) jogar a SELIC para cima. Seria esta, a inflação, na atualidade, aquele dragão que incendiou a economia ultrapassando 80% ao mês no último quartel dos anos 80 de século passado e que fez o neoliberalismo de FHA entregar o país a Lula com inflação de 25% ao ano.
É sabido e consabido que quem ganha dinheiro com juros altos é a banca do mercado financeiro, os que vivem de especulação sem gerar um mísero emprego. Investir em produção não faz parte de sua agenda. Neste particular, para muitos empresários, integrar o universo de aplicadores no mercado financeiro assegura ganho certo (pago e garantido pelo governo), diferentemente de produzir, disputar espaço entre os consumidores, comercializar, vender etc.
Durante muito tempo a carga tributária era o bordão, o mote do dia: o país não vai para a frente em razão da carga tributária. O Governo Federal reduziu a arrecadação em dezenas de bilhões de reais, como forma de contribuir para a redução de preços, o que reflete na inflação etc. A indústria de eletrodomésticos, de alimentos da cesta básica, a construção imobiliária dentre os beneficiados.
Enquanto a derrocada do neoliberalismo arrocha os do Norte lá em cima - causada fundamentalmente pela especulação financeira - aprofundando a crise na Europa, gerando desemprego e miséria, quebradeira geral, por aqui amplia-se, como política de governo, a busca por produção e consumo como instrumentos de manutenção do bem estar da população, tendo por resultados um desemprego de país civilizado e consumo em crescimento.
A meta: descontrolar o que está sob controle
O monstro da inflação, contida nos limites fixados para o máximo da meta, podendo, segundo alguns especialistas, até ultrapassá-lo um pouco, mas, muito mais tendente a buscar o centro da meta (4,5% ao ano) ainda que longe dele, não atende aos reclamos da banca.
Em palavras simples, a política econômica, como posta, tem conseguido gerar emprego, reduzir o desemprego, ofertar ganhos reais de salários, aumentar o consumo, demandar por serviços e bens, ainda que a crise externa influencie a realidade local.
Pois é! Quando se espera resposta positiva do empresariado depois de desonerações na folha de pagamento em nível tributário e previdenciário, concessões ao setor privado de áreas privativas de atuação do poder público, da redução de juros do BNDES para empréstimos de longo prazo para investimentos etc. - o que era clamado por estes mesmos economistas e analistas de mercado - dizem não bastar. Somente o aumento dos juros salvará da inflação galopante, não o aumento da oferta.
O detalhe fica debitado à conta de que se estes parasitas, vigaristas e oportunistas que sonham com o retorno da plena especulação financeira e o Brasil voltar a ser o peru de natal para o mundo resolvessem o problema do povo este país seria o Paraíso.
Que foi para eles durante muito tempo, quase todo o tempo passado. Usurários cujo saco não enche nunca.
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