Ao lucro
Para economistas que não estão a serviço da especulação financeira a alta da SELIC para conter a inflação, neste instante no Brasil, estaria no âmbito de típica discussão bizantina, a que não encontra saída, resposta, tampouco importância além do confronto em si mesma, daí porque insignificante. (A expressão tem origem em Bizâncio, quando já o Cristianismo reconhecido como religião oficial, decorrendo do fato de que por lá membros destacados do clero se debatiam em longas e inconclusas discussões que versavam sobre temas como o sexo dos anjos).
A inflação, que não está fora do controle, "tem causas estruturais muito mais complexas que aquelas passíveis de correção com a elevação dos juros", afirma-o Delfim Neto, na Sextante (Carta Capital nº 739). E avançamos: que não podem ser tributadas ao tomate e quejandos. (A propósito, o tomate, na feira livre de Itabuna, tem seu preço em queda há, pelo menos, duas semanas, sem qualquer influência da SELIC).
No entanto, a batalha campal pelo aumento da taxa básica de juros não se arrefeceu.
É que, ainda que bizantina em relação aos componentes estruturais da inflação atual - sob controle, repetimos -, serve aos senhores da especulação financeira.
É a bizantinice a serviço do lucro.
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domingo, 21 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Turma
Insaciável
Diziam os de antigamente, quando criticando quem gostava de dinheiro: O saco do usurário não enche nunca. A visão de parcela significativa do empresariado nacional, sob o condão de analistas de mercado e economistas que está a seu serviço, nos parece muito próxima do dito popular. A campanha está aberta, de forma escancarada, para aumentar a taxa básica de juros, a denominada SELIC.
Para a banca e parte de economistas ortodoxos o risco de aumento da inflação justifica (para ontem) jogar a SELIC para cima. Seria esta, a inflação, na atualidade, aquele dragão que incendiou a economia ultrapassando 80% ao mês no último quartel dos anos 80 de século passado e que fez o neoliberalismo de FHA entregar o país a Lula com inflação de 25% ao ano.
É sabido e consabido que quem ganha dinheiro com juros altos é a banca do mercado financeiro, os que vivem de especulação sem gerar um mísero emprego. Investir em produção não faz parte de sua agenda. Neste particular, para muitos empresários, integrar o universo de aplicadores no mercado financeiro assegura ganho certo (pago e garantido pelo governo), diferentemente de produzir, disputar espaço entre os consumidores, comercializar, vender etc.
Durante muito tempo a carga tributária era o bordão, o mote do dia: o país não vai para a frente em razão da carga tributária. O Governo Federal reduziu a arrecadação em dezenas de bilhões de reais, como forma de contribuir para a redução de preços, o que reflete na inflação etc. A indústria de eletrodomésticos, de alimentos da cesta básica, a construção imobiliária dentre os beneficiados.
Enquanto a derrocada do neoliberalismo arrocha os do Norte lá em cima - causada fundamentalmente pela especulação financeira - aprofundando a crise na Europa, gerando desemprego e miséria, quebradeira geral, por aqui amplia-se, como política de governo, a busca por produção e consumo como instrumentos de manutenção do bem estar da população, tendo por resultados um desemprego de país civilizado e consumo em crescimento.
A meta: descontrolar o que está sob controle
O monstro da inflação, contida nos limites fixados para o máximo da meta, podendo, segundo alguns especialistas, até ultrapassá-lo um pouco, mas, muito mais tendente a buscar o centro da meta (4,5% ao ano) ainda que longe dele, não atende aos reclamos da banca.
Em palavras simples, a política econômica, como posta, tem conseguido gerar emprego, reduzir o desemprego, ofertar ganhos reais de salários, aumentar o consumo, demandar por serviços e bens, ainda que a crise externa influencie a realidade local.
Pois é! Quando se espera resposta positiva do empresariado depois de desonerações na folha de pagamento em nível tributário e previdenciário, concessões ao setor privado de áreas privativas de atuação do poder público, da redução de juros do BNDES para empréstimos de longo prazo para investimentos etc. - o que era clamado por estes mesmos economistas e analistas de mercado - dizem não bastar. Somente o aumento dos juros salvará da inflação galopante, não o aumento da oferta.
O detalhe fica debitado à conta de que se estes parasitas, vigaristas e oportunistas que sonham com o retorno da plena especulação financeira e o Brasil voltar a ser o peru de natal para o mundo resolvessem o problema do povo este país seria o Paraíso.
Que foi para eles durante muito tempo, quase todo o tempo passado. Usurários cujo saco não enche nunca.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Às galinhas o galinheiro
Impressiona
Na história do presidencialismo o último presidente a enfrentar o sistema financeiro fora Prudente de Morais, quando desafiou os credores externos. No século XIX. Quando sanha havia mas o poder não o era como hoje.
Não o dizemos para fazer apologia ou proselitismo. Mas nos impressiona a coragem da presidente Dilma de assumir, publicamente, o enfrentamento ao todo poderoso sistema bancário. Nas entrelinhas jogou a população contra os bancos privados.
Não dirão que isso é coisa de terrorista e guerrilheira porque a Presidente detém alto índice de aprovação popular e seria despertar a população para uma cruzada de correntistas contra o sistema bancário privado.
Melhor aceitar e calar. E continuar solapando o governo pela mídia.
Retomando
Para a turma, “a saudável concorrência”, do “isento mercado”, deve continuar a controlar o sistema que ele criou. Por que tirar a raposa do galinheiro quando tudo deu sempre certo para a raposa?
Nos sentimos convocado, em meio a todos, para assumir nossa consciência de titulares do galinheiro. Afastando do comando a raposa.
Nos sentimos convocado, em meio a todos, para assumir nossa consciência de titulares do galinheiro. Afastando do comando a raposa.
Até quando não sabemos. Mas dá uma fé danada no que está acontecendo!...
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Aceitou o desafio
Dilma parte para cima dos bancos privados
Há muito tempo não se via uma posição tão contundente do Governo em relação ao sistema financeiro privado. Dizemos privado porque o oficial correspondeu às determinações estabelecidas pelo Governo e, como exemplo, começou a reduzir os custos do dinheiro.
A Presidente não só deu um tom oficial às críticas como até recomendou ao consumidor a concorrência sadia. No caso, procurar quem tenha juros menores.
Recado direto, objetivo, sem meios termos. A perversidade do sistema bancário não é mais retórica de economistas e choro das vítimas, mas fato reconhecido pela própria Presidente da República.
Com ela a palavra:
"É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso.
Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos.
O setor financeiro, portanto, não tem como explicar esta lógica perversa aos brasileiros".
Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos.
O setor financeiro, portanto, não tem como explicar esta lógica perversa aos brasileiros".
Como mensagem alusiva ás comemorações do Dia do Trabalho as palavras da Presidente Dilma só não superam as de Getúlio Vargas quando implantou as Leis Trabalhistas, o que incluía o salário mínimo.
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