Para inglês ver
Anunciada a criação de comissões de sindicância, pelas Forças Armadas, voltadas para investigar a realização de tortura e mortes em instalações militares durante a ditadura. A iniciativa atende solicitação da Comissão Nacional das Verdade a partir de depoimentos prestados à Comissão e que declararam terem sido torturados e saberem de mortes praticadas em quartéis das forças armadas em pelo menos sete instalações localizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Belo Horizonte. (Agência Brasil).
O prazo de trinta dias para apresentarem resultados nos leva a concluir que dificilmente serão alcançados os objetivos pretendidos: a confirmação materializada de que "graves violações de direitos humanos – em especial tortura e práticas ilícitas que, em muitos casos, redundaram nas mortes das vítimas – ocorreram de forma mais intensa ao longo das décadas de 1960 e 1970” em instalações do próprio Estado, sob responsabilidade de seus agentes.
No entanto, por demais simbólico que tal esteja a ocorrer. Justamente por envolver as próprias Forças Armadas, responsáveis por liderar a iniciativa do golpe civil/militar e que assumiram o poder aniquilando as instituições democráticas então vigentes e instalando uma ditadura militar que durou 21 anos.
Aprofundada em 1968, com a edição do Ato Institucional n. 5, denominado de "golpe dentro do golpe", a radicalização extrema, quando todos que não rezassem em sua cartilha se tornavam inimigos da Pátria e o regime de exceção sentia-se livre para decidir sobre suas vidas.
O extremo reside justamente no fato de que aqueles que enfrentavam pelo debate de ideias a destituição de João Goulart pelo militares passavam a constituir-se escória do país, ainda que jovens, trabalhadores e intelectuais.
Particularmente duvidamos que os resultados pretendidos venham a ser plenamente alcançados. Mas não deixa de ser uma vitória da democracia. E, provavelmente, o início de uma catarse retarda no curso destes 28 anos de redemocratização.
Ainda que seja para inglês ver, melhor que seja assim!
Destruindo álibis
A justificativa e a desculpa (se o há para tantos absurdos cometidos) residia no fato de que o regime enfrentava resistência armada, sustentada numa guerra interna que precisava ser combatida.
Sabido e consabido que a resistência armada ao golpe decorreu de não mais bastarem ao regime ditatorial implantado as cassações de mandatos de parlamentares democraticamente eleitos e a cassação de seus diretos políticos por dez anos, mas de serem lançados na clandestinidade todos os que pensavam diferente da 'doutrina' do regime, não lhes restando (ainda que não tantos como anunciam ter havido) outro caminho se não a resistência.
Recente levantamento da Comissão Nacional da Verdade demonstra que, somente no Rio de Janeiro, foram identificados "ao menos 371 casos de tortura entre 1964 e 1966, período que antecede, segundo estudiosos, a resistência à ditadura pela luta armada. Segundo o levantamento, feito com base em pedidos de reparação à Secretaria de Direitos Humanos do RJ, os torturados, à época, eram trabalhadores e pessoas ligadas ao movimento sindical, não guerrilheiros. (Do G1)
Vão caindo os muros da mentira - deslavadamente alimentada pelo regime ditatorial e divulgada à saciedade pela imprensa que apoio e legitimou o golpe.
Da essência do golpe - isso o que vai se confirmando a cada dia - a eliminação dos adversários.
"A mentira tem perna curta" - diz a sabedoria popular. Ainda que dure quase três décadas.
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quarta-feira, 2 de abril de 2014
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Leitura
Imprescindível
Matéria da Carta Capital (O algoz e o crematório), na edição 744, que precisa ser lida: a visita do ex-delegado capixaba Cláudio Guerra à Usina Cambahyba, em Campos, em cujo forno Guerra afirma ter queimado 12 cadáveres de militantes da esquerda, inclusive David Capistrano, mortos sob tortura nos porões da ditadura, no Rio e em Petrópolis (onde instalada a Casa da Morte).
A matéria desconstrói o álibi de que a entrada do forno não daria para passar o corpo de um homem. Cláudio vem afirmando o fato há muito, inclusive em livro, 'Memórias de uma guerra suja".
A crueldade do sistema, torturando e matando os presos sob sua responsabilidade, precisa ser lembrada, para que fatos semelhantes não voltem a acontecer.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Confirmação
Da própria fonte
O que há muito se sabia - participação direta dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 - vai se materializando com a liberação de documentos antes arquivados sob sigilo. Na esteira, muitos dos fatos escabrosos cometidos pela ditadura militar, especialmente aqueles que desaguaram em mortes nos porões do regime.
Para alentar a realidade a Comissão da Verdade vem sofrendo críticas diante da postura morosa e, de certa forma, conivente para com o esquecimento dos fatos. Coisa que o glorioso STF, ainda que contrariando convenções internacionais subscritas pelo Estado brasileiro, em muito contribuiu quando legitimou a denominada Lei da Anistia, abrindo espaço para que nela fossem amparados torturadores e assassinos respaldados em funções estatais.
Como observamos no início, os Estados Unidos tem participação ostensiva nos lamentáveis fatos ocorridos a partir de 1964 e por vias transversas vão sendo confirmados os desmandos praticados pela ditadura militar a partir de documentos por lá arquivados.
Como o reconhecimento da morte de Stuart Angel sob tutela dos carrascos do regime, logo depois de preso, ainda que viesse a ser inocentado pela própria justiça militar depois de morto.
O Wikileaks vazou documento da embaixada dos EUA no Brasil, datado de 14 de março de 1973, confirmando os fatos denunciados por testemunhas que viram Stuart Angel ser arrastado pelo pátio do quartel onde estava preso, com a boca amarrada à descarga do veículo. (O revelado pelas testemunhas não consta do comunicado da embaixada). Os detalhes do vazamento estão no www.conversaafiada.com.br ("Wikileaks: documento relata assassinato de Stuart Angel").
O registro que ora fazemos se volta para engrossar as vozes que começam a desconfiar de que a Comissão da Verdade caminha muito mais para legitimar a mentira de que nada houve de extraordinário durante a ditadura militar, a não ser a o desaparecimento expontâneo de "terroristas" como Angel, o estudante de dupla nacionalidade (americana e brasileira) que acreditou no futuro melhor para uma de suas pátrias.
Talvez mais condizente com a Verdade iniciativas como a do deputado Romário, quando busca afastar Marin da CBF por suas ligações com a ditadura e a tortura, aquele que denunciou Vladimir Herzog da tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo e levou o jornalista à prisão e morte nos porões do DOI-CODI sob a delicadeza dos comandados por Sérgio Paranhos Fleury, outro dos "anistiados" pelo STF.
Cabe-nos recomendar à Comissão da Verdade que busque os arquivos do governo estadunidense. Provavelmente chegará à verdade sem necessidade da investigação que faz, constrangida.
O que há muito se sabia - participação direta dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 - vai se materializando com a liberação de documentos antes arquivados sob sigilo. Na esteira, muitos dos fatos escabrosos cometidos pela ditadura militar, especialmente aqueles que desaguaram em mortes nos porões do regime.
Para alentar a realidade a Comissão da Verdade vem sofrendo críticas diante da postura morosa e, de certa forma, conivente para com o esquecimento dos fatos. Coisa que o glorioso STF, ainda que contrariando convenções internacionais subscritas pelo Estado brasileiro, em muito contribuiu quando legitimou a denominada Lei da Anistia, abrindo espaço para que nela fossem amparados torturadores e assassinos respaldados em funções estatais.
Como observamos no início, os Estados Unidos tem participação ostensiva nos lamentáveis fatos ocorridos a partir de 1964 e por vias transversas vão sendo confirmados os desmandos praticados pela ditadura militar a partir de documentos por lá arquivados.
Como o reconhecimento da morte de Stuart Angel sob tutela dos carrascos do regime, logo depois de preso, ainda que viesse a ser inocentado pela própria justiça militar depois de morto.
O Wikileaks vazou documento da embaixada dos EUA no Brasil, datado de 14 de março de 1973, confirmando os fatos denunciados por testemunhas que viram Stuart Angel ser arrastado pelo pátio do quartel onde estava preso, com a boca amarrada à descarga do veículo. (O revelado pelas testemunhas não consta do comunicado da embaixada). Os detalhes do vazamento estão no www.conversaafiada.com.br ("Wikileaks: documento relata assassinato de Stuart Angel").
O registro que ora fazemos se volta para engrossar as vozes que começam a desconfiar de que a Comissão da Verdade caminha muito mais para legitimar a mentira de que nada houve de extraordinário durante a ditadura militar, a não ser a o desaparecimento expontâneo de "terroristas" como Angel, o estudante de dupla nacionalidade (americana e brasileira) que acreditou no futuro melhor para uma de suas pátrias.
Talvez mais condizente com a Verdade iniciativas como a do deputado Romário, quando busca afastar Marin da CBF por suas ligações com a ditadura e a tortura, aquele que denunciou Vladimir Herzog da tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo e levou o jornalista à prisão e morte nos porões do DOI-CODI sob a delicadeza dos comandados por Sérgio Paranhos Fleury, outro dos "anistiados" pelo STF.
Cabe-nos recomendar à Comissão da Verdade que busque os arquivos do governo estadunidense. Provavelmente chegará à verdade sem necessidade da investigação que faz, constrangida.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Rezando
Por encontrar
A milenar tradição judaico-cristã alimenta a reverência aos mortos. Em um dia especialmente dedicado a eles lembranças de parentes, amigos, personalidades.
Os cemitérios se enchem dos que sabem onde encontrar seus mortos.
Felizes os que os encontram. Milhares neste Brasil não sabem onde encontrá-los.
E nem mesmo deles têm um atestado de óbito.
São outras essas vítimas da repressão política institucionalida durante período posterior ao golpe militar de 1964: parentes de desaparecidos.
Os que não encontram seus mortos vão buscando descobrí-los através dos que os sequestraram.
Pelo menos assim anda ocorrendo. Para alento. Desde que a Justiça resolveu acolher a tese de sequestro permanente e tem recebido denúncias do Ministério Público contra algozes da ditadura militar. Como a mais recente, a encolver o coronel Brilhante Ulstra.
Rezando por encontrá-los, a todos os desaparecidos, como agora espera a família de Edgar de Aquino Duarte, "recolhido" sob as ordens de Ulstra desde 1971.
A milenar tradição judaico-cristã alimenta a reverência aos mortos. Em um dia especialmente dedicado a eles lembranças de parentes, amigos, personalidades.
Os cemitérios se enchem dos que sabem onde encontrar seus mortos.
Felizes os que os encontram. Milhares neste Brasil não sabem onde encontrá-los.
E nem mesmo deles têm um atestado de óbito.
São outras essas vítimas da repressão política institucionalida durante período posterior ao golpe militar de 1964: parentes de desaparecidos.
Os que não encontram seus mortos vão buscando descobrí-los através dos que os sequestraram.
Pelo menos assim anda ocorrendo. Para alento. Desde que a Justiça resolveu acolher a tese de sequestro permanente e tem recebido denúncias do Ministério Público contra algozes da ditadura militar. Como a mais recente, a encolver o coronel Brilhante Ulstra.
Rezando por encontrá-los, a todos os desaparecidos, como agora espera a família de Edgar de Aquino Duarte, "recolhido" sob as ordens de Ulstra desde 1971.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Fazendo história
Derrubando tabus
A História somente a reconhecemos quando a enxergamos no passado. É da sua essência e natureza: narração de fatos ocorridos. O tempo verbal sempre no particípio, nunca no gerúndio. Razão por que não percebemos os fatos acontecendo, fazendo história, enquanto somos atores e espectadores.
A Presidente Dilma Rousseff vai ocupando espaços em temas ingratos, recusados. Assim como, ao fazê-lo, estabelece enfrentamentos.
Não escrevemos a propósito de sua mensagem lançando o Brasil Carinhoso, um programa que objetiva acelerar o processo de redução (para alcançar a extinção) da miséria absoluta, priorizando as regiões Norte e Nordeste. Mas, pelos temas e personagens alcançados por algumas de suas atitudes recentes: bancos e banqueiros, meio-ambiente e desmatadores, tortura e militares.
Já o afirmou a Presidente: "Eu vou fazer o que tem que ser feito". Demonstra pretender cumprir o dito.
Está fazendo História.
A História somente a reconhecemos quando a enxergamos no passado. É da sua essência e natureza: narração de fatos ocorridos. O tempo verbal sempre no particípio, nunca no gerúndio. Razão por que não percebemos os fatos acontecendo, fazendo história, enquanto somos atores e espectadores.
A Presidente Dilma Rousseff vai ocupando espaços em temas ingratos, recusados. Assim como, ao fazê-lo, estabelece enfrentamentos.
Não escrevemos a propósito de sua mensagem lançando o Brasil Carinhoso, um programa que objetiva acelerar o processo de redução (para alcançar a extinção) da miséria absoluta, priorizando as regiões Norte e Nordeste. Mas, pelos temas e personagens alcançados por algumas de suas atitudes recentes: bancos e banqueiros, meio-ambiente e desmatadores, tortura e militares.
Já o afirmou a Presidente: "Eu vou fazer o que tem que ser feito". Demonstra pretender cumprir o dito.
Está fazendo História.
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