domingo, 17 de fevereiro de 2013

Alguns destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.


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500 anos
A recém descoberta Terra de Santa Cruz embrionava a sanha que a faria terra brasilis, primeiras expedições descortinando acidentes geográficos e a dimensão territorial da conquista portuguesa que alimentaria brevemente a partilha em favor dos senhores da fidalguia portuguesa.

Naqueles idos, mais precisamente em 1513, escorraçado das bandas da Florença retomada pelos Médici e refugiado em San Casciano, o historiador, poeta, diplomata e músico Nicolau Maquiavel elabora (a partir de sua experiência como Secretário de Negócios Diplomáticos e de Guerra durante os quatorze anos anteriores), trazia a público, exatamente no dia 19 de fevereiro, o que ainda é considerado bíblia da Ciência Política e da governança.

São 500 anos de O Príncipe, o clássico que perdura sob os mais convenientes vieses da interpretação, conforme os interesses do príncipe de plantão, ainda que o autor, em sua pretensão, se limitasse a oferecer elaborado princípio da separação da política, moral e religião em um mundo que saía da Idade Média embalado na Renascença.

Leitura que continua obrigatória. Inclusive para este Brasil de quinhentos anos depois.

Fernando, o Lyra
Morreu na quinta-feira 14 uma das vozes políticas que constituíram a resistência à ditadura militar ao lado de Lysâneas Maciel, Chico Pinto, Alencar Furtado, Amaury Muller, integrando o denominado “MDB autêntico” na Câmara dos Deputados. Dele a famosa frase – ainda que tenha sido ministro em seu governo – “Sarney é a vanguarda do atraso”. Seu livro “Daquilo que eu sei – Tancredo e a transição democrática” traduz, sob sua visão, um dos significativos instantes da recente história do país.

Para ele o erro na política era perdoável desde que houvesse rumo de propósitos e não fosse este levado de roldão. O que anda faltando em muita administração na região.

Benefícios
Há estudos, realizados pela consultoria Ernst & Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, que analisam os impactos sócio-econômicos da Copa de 2014 afirmando que para um gasto que supera 22 bilhões de reais outros 142 bilhões serão injetados na economia.

Resta saber com quem ficará a maior parte da diferença. Ou seja, os reais beneficiados.

Mensalão em versões I
Merval Pereira, o último incesto da Academia Brasileira de Letras, como o escorpião da fábula, exercita sua natureza em livro (Mensalão). Não se discute sua natureza, tampouco seu compromisso com a obscuridade.
Estranha na obra, no entanto, quem a prefacia: o ex-ministro Ayres Britto, que presidia o STF durante o julgamento.

Não à toa o ministro perdeu o bonde da história, sacrificou sua biografia e o confessa subscrevendo prefácio em defesa de um lado.

Que não é o do Supremo Tribunal Federal como ente e muito menos o do primado da Justiça.
  
Mensalão em versões II
O jornalista Paulo Moreira Leite, que passou pelas redações da Época e da Veja, traz ao leitor, ainda no frescor do inconcluso julgamento da AP 470 (falta publicação dos acórdãos), “As contradições de um julgamento político”, subtítulo de “A Outra História do Mensalão”.

Para o autor os acusados estavam previamente condenados por aquilo que denomina de “opinião publicada” antes mesmo de o julgamento começar – o mais midiático do Brasil e, talvez, do mundo, transformado em típico reality show.

A obra, prefaciada por Jânio de Freitas, editada pela Geração Editorial, integra a coleção História Agora, é o 7º título de uma série que tem no “A Privataria Tucana” o grande sucesso de vendas.

A leitura de “A Outra História do Mensalão – As contradições de um julgamento político” é recomendada a todos que busquem informações desprovidas de maniqueísmos políticos e, certamente, será um documento para o público compreender que o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, cometeu injustiças e gerou, para alguns condenados, uma versão de “O Processo” de Frans Kafka, quando condenou acusados sem que contra eles houvesse prova, justamente porque cometeu a heresia jurídica de, em matéria penal, transferir para o acusado o ônus de provar a inocência, isentando a acusação de sua função primordial.
 
Solução à vista
Os comandantes das três armas (Marinha, Exército e Aeronáutica) avaliam a forma de divulgação de informações sobre discos voadores.

Pode ser que através delas venham as verdadeiras razões da renúncia do Papa Bento XVI.

Não conseguindo, recomendamos apurar no âmbito das “forças ocultas” que fizeram Jânio Quadros trilhar idêntico caminho.

Desfaçatez
Chegam até a anunciar a queda do lucro da Petrobras como prejuízo. Não desistiram da luta pela privatização plena.

Enquanto isso os especuladores vão ganhando seu trocado. É do sistema.

Memórias a descoberto
Eduardo Anunciação – o “Gaguinho”, o “Bode Rouco”, “Bacurau”, “Duda”, “Bacurau de Terraço” – levou para o túmulo segredos muitos, os que envolviam particularidades das muitas personalidades locais, oriundos da convivência com a sua cinquentenária atividade.

Poucos lembraram da importância de EA na história do jornalismo itabunense, ele que viveu o divisor de águas ocorrido nos anos 60.

Testemunhos ocorreram, à beira do túmulo, desde a bela e pungente oração de Paulo Lima ao depoimento sensibilizado de Eduardinha.

Ausências injustificadas
Sem explicação a ausência de um registro condizente com sua importância nas emissoras de televisão e de rádio. Não fora a ausência de vereadores no velório na Câmara Municipal (como já ocorrera com o de Flávio Simões), casa onde Eduardo exerceu mandato quando o mais jovem vereador do Brasil, eleito em 1966, aos 18 anos.

Como explicar a inexistência de artistas em massa na última homenagem ao agitador cultural que marcou época criando centros culturais, estudantis, políticos e, principalmente, teatros?

Nenhuma moção da ABI, nem fala de Geraldo Simões (presente ao sepultamento), para quem Eduardo representa uma perda irrecuperável, já que se tornara o último bastião de credibilidade a defendê-lo em texto.

Alerta
Descobriu-se, no curso do velório, que não poderia ser retardado o sepultamento (ainda que aguardando a sobrinha Sheila) porque o Campo Santo da Santa Casa de Misericórdia tinha hora para cerrar as portas no sábado (11:30h).

A inusitada circunstância gerou uma provocação em relação ao Poder Público Municipal – para que pense urgentemente em administrar tal situação – e do Cabôco Alencar – para quem “defunto não faz serenata”, razão por que não há como retardar sepultamento.

Registro histórico
Bebíamos Eduardo – inclusive literalmente – em roda de prosa memorialista com Paulo Lima, Ederivaldo “Bené” Benedito e Eva Lima e conhecemos uma das facetas de Eduardo, nunca por ele a nós revelada: a de ativista em defesa da liberdade de imprensa, até as últimas consequências.

Tal circunstância pode ser aferida a partir do seguinte fato:

Quando da inauguração do edifício que abrigaria o todo poderoso Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau (tornado “Nacional” posteriormente), com a pompa e circunstância que a oportunidade exigia, onde presentes cinco Ministros de Estado e o próprio Vice-Presidente da República, Eduardo Anunciação, então Assessor de Imprensa do CCPC, era o responsável pelo cerimonial, a quem cabia acompanhar o ingresso de jornalistas.

Houvera a exigência de traje passeio completo para os integrantes da imprensa, o que faltava a um deles, José Carlos Teixeira.

Tudo correria bem, não fora a ingerência dos Órgãos de segurança incumbidos da proteção às autoridades federais, que já haviam espalhado duas centenas de agentes nas proximidades do evento e controlavam o acesso ao CCPC.
Surgido o incidente (Teixeira sem o passeio completo), os agentes que vigiavam o acesso, e tornaram-se assustadora e intimidadora presença, negaram espaço ao jornalista.

Primeiro corte: a intervenção de Eduardo Anunciação foi decisiva para o acesso de Teixeira. Diante da peremptória postura dos agentes federais em manter a proibição afirmou ele que “a festa é nossa” e se o colega não entrasse não haveria nenhuma cobertura da imprensa regional, já que todos tirariam o paletó em solidariedade ao colega. Para ele, acima de qualquer segurança, o respeito à imprensa.

Segundo corte: isso em plena ditadura militar.

Fogo amigo
O que circula em conversas pela cidade, a partir de “informações” oriundas do centro do poder municipal, é de que faltaria comando à administração e de que haveria profundo cisma no cerne do poder.

Não é o que nos informa uma fonte do primeiro escalão: comando há – afirma; e, também, ao que parece, um centro de divulgação do que não existe.
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DE RODAPÉS E DE ACHADOS é uma coluna do autor publicada semanalmente em www.otrombone.com.br

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Na orfandade do texto

Eduardo flana
“Preocupados os que conhecemos Eduardo ‘Duda’, ‘Gaguinho’ Anunciação, pela circunstância de submetido ao tacão médico. Afirmado tal procedimento sob a égide da química, que o torna absorto da realidade imediata que o cerca e o faz distante”.

Escrevemos o parágrafo acima para o título, como intróito, quando tomamos conhecimento de que Eduardo sofrera um infarto e se encontrava em coma induzido em hospital ilheense. E prosseguíamos, enxergando com outro olhar o périplo de Eduardo à luz do instante em que vive a região, sempre aguçadamente analisada por ele em seus textos:

“Vemos, mui particularmente, estágio a que se fez submeter o estimado ‘Gaguinho’. Assim deduzimos porque (escolheu isolar-se da terra grapiúna) descobre no liame do inconsciente toda a realidade que o cotidiano não recobraria para o imediato de sua vulcânica percepção”.

“Atropelado pela humanidade de suas convicções; usado e abusado por todos que só nele encontram existir, Eduardo melhor está enquanto flana como Ícaro realizado".

"Lamentamos, tão somente, que a consciência imediata faça-o retornar à escravidão do servir... por servir, a quem não está preparado para encontrar em Eduardo a grandeza do porvir que só Castro Alves cantaria”.

Logo soubemos que fora retirado do coma, o que víamos com bons olhos, sinal de que voltaria muito depressa à sua intimorata (assim denominava Stanislaw Ponte Preta a sua máquina de escrever) peça integrante de seu organismo vivo, que dava, através dela, as lições de seu observar à fauna humano-regional. E retivemos a publicação do texto, aguardando as próximas análises de sua “Política, Gente, Poder”, uma marca, como poucas, do jornalismo regional, órfã neste instante de seu criador.

A bissexta figura humana que sepultaremos antes que caia o meio-dia sepulta parcela da credibilidade jornalística desta terra e leva com ela lições que estes novos tempos não querem aprender: o homem acima de tudo, como ser, deve ser o objeto deste universo terráqueo. Tudo o mais é nada.

Por isso Eduardo Anunciação – polêmico que fosse – será lembrado: pelas virtudes que seu frágil corpo soube guardar, hercúleo em sua grandeza humana.

Avis rara esse “Gaguinho”! Que agora nos olha a todos dos píncaros que não alcançamos.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Do sonho de lucro

Ao negócio ruim
Escrevemos em algum instante afirmando que a festa em que se tornara Joaquim Barbosa para a oposição e a mídia que a capitania (afinal, de forma descarada, proclamou Judith Brito – presidente da Associação Nacional de Jornais-ANJ – que diante da fragilidade da oposição ao Governo e ao PT a imprensa estava assumindo o seu papel – de oposição), que ao ministro nada restaria além de tornar-se máscara carnavalesca (naquele instante exibíamos foto de máscaras de JB). Perdoe-nos o caro leitor, mais ainda nos falta competência técnica para o domínio da tecnologia de que dispomos, razão por que não conseguimos encaminhar o leitor ao texto e terá ele que fazer árdua busca nos arquivos.

Escrevemos hoje, quinta-feira, quando o Carnaval oficial se esgotou e nada mais há além do que existiu. E, sinceramente, talvez porque tenhamos pouco acompanhado a festa que a televisão realiza como se do povo fosse, não vimos ninguém usando máscaras carnavalescas com a efígie de Joaquim Barbosa, o ministro da salvação nacional.

Como não há informação de que Sua Excelência, na condição de Ministro-Presidente do Supremo Tribunal Federal, tenha lançado algum édito proibitivo a tal uso, ficamos com a singular impressão de que o sonho capitalista dos que pretendiam aumentar a poupança própria com um dinheirinho a mais vendendo máscaras de Joaquim Barbosa redundou em péssimo negócio.

Aguardemos a queima do estoque. Pode ser que a máscara encontre outras utilidades, como espantar aves predadoras para a agricultura.

Ou, quem sabe, a mídia e a oposição adquiram o estoque para distribuí-las na próxima eleição.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

DE RODAPÉS E DE ACHADOS - Dia 10 de Fevereiro de 2013


Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

Vinho tinto e chá verde

Pesquisa realizada na Universidade de Leeds, no Reino Unido, confirmou haver encontrado substâncias químicas naturais no chá verde e no vinho tinto capazes de quebrar o efeito da proteína causadora do mal de Alzheimer. (Fonte: O Globo).
A proteína beta-amiloide (produzida pelo próprio organismo) quando dissolvida no sistema nervoso em forma de aglomerados, denominados oligômeros, danifica os neurônios, impedindo a comunicação entre eles e matando a célula tempos depois.
Os testes efetivados em laboratório mostraram a destruição da beta-amiloide e aguardam comprovação clínica.

Segurança...

Encontramos no Luiz Nassif On Line o registro de uma entrevista do ministro Celso Amorim concedida à rádio Voz da Rússia, onde expõe a possibilidade de desenvolvimento conjunto de equipamentos de defesa, o que inclui negociações para aquisição de sistemas de defesa antiaéreos com transferência de tecnologia dos russos para o Brasil, não fora a implantação de indústrias em território brasileiro para a produção de equipamentos. Empresários brasileiros já participam das conversas. Na seara das negociações cibernética, área espacial e equipamento militar.
Antes da visita da presidente Dilma Roussef à Rússia por lá estivera o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior, construindo os detalhes do acordo.

...e mais autonomia

De nossa parte esperamos sucesso nas negociações. Não pela circunstância de o serem com a Rússia, mas com um país que admite transferência de tecnologia.
Ficamos a observar, atrás da linha tênue do horizonte, se os Sukov/Sukhoi ainda podem entrar na conversa. Os caças com maior autonomia de vôo e tecnologia avançada que são o sonho de consumo da Força Aérea Brasileira. Inclusive por causa da transferência tecnológica.
Registre-se que o governo brasileiro já adquiriu helicópteros russos.

Em queda

A relação dívida pública e PIB continua em queda no Brasil. Beirando 60% em 2002 tende a estar inferior a 35% em 2012. É a expectativa dos especialistas para o anúncio em breve.
O Governo Federal já alimenta a possibilidade de ampliar o investimento em educação para 25%, sete pontos percentuais acima do que determina a Constituição.
E tem “analista” defendendo o aumento da SELIC.

Lei e Justiça

Condenado o ex-senador Luiz Estevão e sua mulher a 4 anos e 8 meses de reclusão por sonegação fiscal, que montou a 57 milhões de reais, em valores atualizados.
Quatro aninhos e alguns meses, caro leitor. E como é primário não será recolhido ao xadrez.
Já o desgraçado que cair na besteira de roubar por aí, ainda que um sabonete ou uma lata de sardinha, não escapa dos rigores da lei.
Lei que é feita pelos Luiz Estevão da vida.

carnavalOutros carnavais

Como visto o Carnaval pelo “Almanach do Paiz”, com desenho de Rafael Bordalo Pinheiro, no século XIX: “Pleno reinado da Besta, verídico império do Homem Animal”.
O que escreveria hoje?

Mudando de leito

Tempos houve, tempos outros. De Cachoeira valente, mostrando força e invadindo a cidade. Reagindo profético, como premonizando o que aquela lhe faria no futuro. Assim, invadiu-a em várias oportunidades.
Ultimamente, para ser invadida dispensa o Cachoeira. Impermeabilizada e sem canais para escoamento pluvial na dimensão necessária torna-se a cidade de Itabuna em rio quando alguns milímetros de chuva caem por mais tempo.

Porque é Carnaval

Algumas avaliações se fazem axiomáticas, não sabemos por que razões. Uma delas: uma idolatração pouco vista no plano de reconhecimento a composições musicais no samba-enredo “Aquarela Brasileira” (Silas de Oliveira), da Império Serrano para o carnaval de 1964, onde presente aquele verso “terra de Irapuã, de Iracema e Tupã”.
A espécie de abelha admitimos ou mesmo nome indígena para algum personagem de obra nativista; a personagem alencarina não há por que negar; mas aquele “e Tupã” se nos afigura como a mais grotesca e apelativa das possibilidades de construir rima (não fora limitar ao Ceará o Olimpo para a deidade indígena do nativo brasileiro).
Zé Limeira, o poeta do absurdo (obrigado Orlando Tejo) – mestre no estilo de privilegiar a rima como instrumento da sua arquitetura cordélica – certamente não a utilizaria.
Não compreendemos tanta mediocridade aplaudida – não pelo valor do compositor, mas pela pobreza de um mestre em um instante de fraqueza intelectual.

Velhos(?) carnavais

Provavelmente seremos repudiado ao negar valor estético-histórico ao atual processo momesco divulgado como expressão das saturnálias contemporâneas.
É que somos do tempo da “careta” como forma de sublimação. Mais autêntica, certamente.
Primeiro, porque nós mesmos as fazíamos (alguns outros até com conotação comercial). Segundo, porque realizavam o que se propunham: transmudar pessoas e gêneros, tudo descompromissado de outro visar/objetivo que não gerar alegria e ser motivo de fazer a festa
Ainda que – como salienta Graciliano Ramos em crônica no “Viventes das Alagoas” – pudessem contribuir para outros resultados.
Mas, afinal falamos de “velhos carnavais” ou fomos nós que envelhecemos?

Pobreza mental

Enquanto ocupávamos espaço em restaurante local (alimentado com essa doença de ter a televisão sintonizada na Globo) tivemos que engolir o vinho como vinagre e a comida como veneno. Ingerimos o que nos era empurrado goela abaixo através de olhos e ouvidos.
Mas nos ficou uma certeza: Xuxa comandando carnaval não tem Diogo Nogueira que salve. É como esperar de Malafaia texto ovacional ao momesco simbolizado na “rainha”.
Ficamos a meditar/refletir: talvez por isso, como contraposição estética condizente com tal nível cultural, muita gente esteja a ouvir arrocha, delicadamente ofertado naquele não menosdelicado volume (que deram de denominar de som).

Em defesa da saúde

Joel Silveira, quando instado a dizer/responder sobre o que não levaria para uma ilha deserta, gastou poucos segundos para decidir que o faria não levando João Gilberto e seu violão ou, como retificou, levá-lo e abandoná-lo sem o violão ao tempo em que ele – Joel – o deixaria sozinho.
Não estamos aqui para concordar com Joel sobre como o repórter maior via o baiano João. Até porque começamos a descobrir que há em Gilberto algumas fobias, onde a menor é a claustrofobia.
Mas aproveitamos o mote da solução imaginada por Silveira para remetê-la a uma parcela significativa da programação cotidiana e da carnavalesca “oficial”, em particular, das redes de televisão aberta: não bastaria desligar, mas jogar tudo no lixo.
Se não fosse prejudicial à saúde (do planeta).

Buxixos

Os tempos apresentam-se instáveis para a nova administração de Itabuna quando o tema é a condução da base política diante do imaginário de parcela da população que elegeu os novos dirigentes.
O discurso da reformulação de conceitos não demonstra estar se materializando no que se apresenta de mais sensível ao observador: a formulação do quadro funcional através do preenchimento de cargos comissionados a partir do segundo escalão.

Máscara Negra

A marcha-rancho marcou o ritmo dos festejos de Momo em priscas eras. A tradicional “Ô abre alas” de Chiquinha Gonzaga ilustra este interpretar. Sempre encontrou espaço, mesmo depois que a cadência rítmica desaguou na marcha propriamente dita.
Dentre grandes sucessos de marcha-rancho “Pastorinhas” (Noel Rosa-João de Barro), “Anda Luzia” (João de Barro), “Bandeira Branca” (Max Nunes-Laércio Alves) e, para nós, o mais belo exemplo do romantismo carnavalesco: Máscara Negra (Zé Kéti-Pereira Matos).
A que dedicamos aos nossos leitores.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

De Malaquias

A Malafaia
A renúncia de Bento XVI - que voltará a se chamar simplesmente Ratzinger - revela muito mais que dificuldades com a saúde. Afinal, ao aceitar o papado aos 78 anos não estava tão jovem assim. Não fora isso, a rapidez com que foi decidida a eleição demonstra existência de vontade deliberada da maioria. Ou, simplesmente, missa encomendada.

Certamente a dimensão material hoje representada pelo Vaticano - e o brutal jogo de interesses em permanente conflito interno - "abalaram" a saúde de Bento XVI.

Aguardemos as avaliações "proféticas" que o fato enseja. Em breve será demonstrado que Nostradamos o admitira. Não fora as profecias do Monge de Pádua, publicadas em 1527, ou a lista de Malaquias (1094 ou 95-1148), deixada em mãos do Papa Inocêncio II em 1139 e desaparecida até 1590.

De nossa parte, em sendo verdadeiras as especulações acima postas e a razão científica do mal que acometeu Sua Santidade (vírus ou bactéria vatícânica) o papado melhor estaria administrado por Silas Malafaia. 

Bem mais transparente!


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Alguns destaques


DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.
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Vinho tinto e chá verde
Pesquisa realizada na Universidade de Leeds, no Reino Unido, confirmou haver encontrado substâncias químicas naturais no chá verde e no vinho tinto capazes de quebrar o efeito da proteína causadora do mal de Alzheimer. (Fonte: O Globo).

A proteína beta-amiloide (produzida pelo próprio organismo) quando dissolvida no sistema nervoso em forma de aglomerados, denominados oligômeros, danifica os neurônios, impedindo a comunicação entre eles e matando a célula tempos depois.

Os testes efetivados em laboratório mostraram a destruição da beta-amiloide e aguardam comprovação clínica.

Segurança...
Encontramos no Luiz Nassif On Line o registro de uma entrevista do ministro Celso Amorim concedida à rádio Voz da Rússia, onde expõe a possibilidade de desenvolvimento conjunto de equipamentos de defesa, o que inclui negociações para aquisição de sistemas de defesa antiaéreos com transferência de tecnologia dos russos para o Brasil, não fora a implantação de indústrias em território brasileiro para a produção de equipamentos. Empresários brasileiros já participam das conversas.

Na seara das negociações cibernética, área espacial e equipamento militar.

Antes da visita da presidente Dilma Roussef à Rússia por lá estivera o general José Carlos de Nardi, chefe do Estado-Maior, construindo os detalhes do acordo.

...e mais autonomia
De nossa parte esperamos sucesso nas negociações. Não pela circunstância de o serem com a Rússia, mas com um país que admite transferência de tecnologia.

Ficamos a observar, atrás da linha tênue do horizonte, se os Sukov/Sukhoi ainda podem entrar na conversa. Os caças com maior autonomia de vôo e tecnologia avançada que são o sonho de consumo da Força Aérea Brasileira. Inclusive por causa da transferência tecnológica.

Registre-se que o governo brasileiro já adquiriu helicópteros russos.

Em queda
A relação dívida pública e PIB continua em queda no Brasil. Beirando 60% em 2002 tende a estar inferior a 35% em 2012. É a expectativa dos especialistas para o anúncio em breve.

O Governo Federal já alimenta a possibilidade de ampliar o investimento em educação para 25%, sete pontos percentuais acima do que determina a Constituição.

E tem “analista” defendendo o aumento da SELIC.

Lei e Justiça
Condenado o ex-senador Luiz Estevão e sua mulher a 4 anos e 8 meses de reclusão por sonegação fiscal, que montou a 57 milhões de reais, em valores atualizados.

Quatro aninhos e alguns meses, caro leitor. E como é primário não será recolhido ao xadrez.

Já o desgraçado que cair na besteira de roubar por aí, ainda que um sabonete ou uma lata de sardinha, não escapa dos rigores da lei.

Lei que é feita pelos Luiz Estevão da vida.

Outros carnavais
Como visto o Carnaval pelo “Almanach do Paiz”, com desenho de Rafael Bordalo Pinheiro, no século XIX: “Pleno reinado da Besta, verídico império do Homem Animal”.
O que escreveria hoje?

Mudando de leito
Tempos houve, tempos outros. De Cachoeira valente, mostrando força e invadindo a cidade. Reagindo profético, como premonizando o que aquela lhe faria no futuro. Assim, invadiu-a em várias oportunidades.

Ultimamente, para ser invadida dispensa o Cachoeira. Impermeabilizada e sem canais para escoamento pluvial na dimensão necessária torna-se a cidade de Itabuna em rio quando alguns milímetros de chuva caem por mais tempo.

Porque é Carnaval
Algumas avaliações se fazem axiomáticas, não sabemos por que razões. Uma delas: uma idolatração pouco vista no plano de reconhecimento a composições musicais no samba-enredo “Aquarela Brasileira” (Silas de Oliveira), da Império Serrano para o carnaval de 1964, onde presente aquele verso “terra de Irapuã, de Iracema e Tupã”.

A espécie de abelha admitimos ou mesmo nome indígena para algum personagem de obra nativista; a personagem alencarina não há por que negar; mas aquele “e Tupã” se nos afigura como a mais grotesca e apelativa das possibilidades de construir rima (não fora limitar ao Ceará o Olimpo para a deidade indígena do nativo brasileiro).

Zé Limeira, o poeta do absurdo (obrigado Orlando Tejo) – mestre no estilo de privilegiar a rima como instrumento da sua arquitetura cordélica – certamente não a utilizaria.

Não compreendemos tanta mediocridade aplaudida – não pelo valor do compositor, mas pela pobreza de um mestre em um instante de fraqueza intelectual.

Velhos(?) carnavais
Provavelmente seremos repudiado ao negar valor estético-histórico ao atual processo momesco divulgado como expressão das saturnálias contemporâneas.

É que somos do tempo da “careta” como forma de sublimação. Mais autêntica, certamente.

Primeiro, porque nós mesmos as fazíamos (alguns outros até com conotação comercial). Segundo, porque realizavam o que se propunham: transmudar pessoas e gêneros, tudo descompromissado de outro visar/objetivo que não gerar alegria e ser motivo de fazer a festa

Ainda que – como salienta Graciliano Ramos em crônica no “Viventes das Alagoas” – pudessem contribuir para outros resultados.

Mas, afinal falamos de “velhos carnavais” ou fomos nós que envelhecemos?

Pobreza mental
Enquanto ocupávamos espaço em restaurante local (alimentado com essa doença de ter a televisão sintonizada na Globo) tivemos que engolir o vinho como vinagre e a comida como veneno. Ingerimos o que nos era empurrado goela abaixo através de olhos e ouvidos.

Mas nos ficou uma certeza: Xuxa comandando carnaval não tem Diogo Nogueira que salve. É como esperar de Malafaia texto ovacional ao momesco simbolizado na “rainha”.

Ficamos a meditar/refletir: talvez por isso, como contraposição estética condizente com tal nível cultural, muita gente esteja a ouvir arrocha, delicadamente ofertado naquele não menos delicado volume (que deram de denominar de som).

Em defesa da saúde
Joel Silveira, quando instado a dizer/responder sobre o que não levaria para uma ilha deserta, gastou poucos segundos para decidir que o faria não levando João Gilberto e seu violão ou, como retificou, levá-lo e abandoná-lo sem o violão ao tempo em que ele – Joel – o deixaria sozinho.

Não estamos aqui para concordar com Joel sobre como o repórter maior via o baiano João. Até porque começamos a descobrir que há em Gilberto algumas fobias, onde a menor é a claustrofobia.

Mas aproveitamos o mote da solução imaginada por Silveira para remetê-la a uma parcela significativa da programação cotidiana e da carnavalesca “oficial”, em particular, das redes de televisão aberta: não bastaria desligar, mas jogar tudo no lixo.

Se não fosse prejudicial à saúde (do planeta).

Buxixos
Os tempos apresentam-se instáveis para a nova administração de Itabuna quando o tema é a condução da base política diante do imaginário de parcela da população que elegeu os novos dirigentes.

O discurso da reformulação de conceitos não demonstra estar se materializando no que se apresenta de mais sensível ao observador: a formulação do quadro funcional através do preenchimento de cargos comissionados a partir do segundo escalão.

Máscara Negra
A marcha-rancho marcou o ritmo dos festejos de Momo em priscas eras. A tradicional “Ô abre alas” de Chiquinha Gonzaga ilustra este interpretar. Sempre encontrou espaço, mesmo depois que a cadência rítmica desaguou na marcha propriamente dita.

Dentre grandes sucessos de marcha-rancho “Pastorinhas” (Noel Rosa-João de Barro), “Anda Luzia” (João de Barro), “Bandeira Branca” (Max Nunes-Laércio Alves) e, para nós, o mais belo exemplo do romantismo carnavalesco: Máscara Negra (Zé Kéti-Pereira Matos).

A que dedicamos aos nossos leitores.

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DE RODAPÉS E DE ACHADOS é uma coluna do autor publicada semanalmente em www.otrombone.com.br


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Outro auditório

Para Abílio Pereira
Estivemos ausente deste espaço enquanto singrávamos mares da costa brasileira, “sem rádio e sem notícia das terras civilizadas”, como lembrou Zé Dantas para a melodia de Gonzaga (Riacho do Navio), composta em 1955.

Buscamos o que nos competia buscar (blogues etc.) para ocupar o vazio destes dias e descobrimos que Abílio Pereira faleceu no fim de semana.

Nos veio à lembrança não o Abílio que Itabuna re-conheceu: (ex)proprietário da empresa Fátima ou “marido” de Maria Alice, encontrado em identidade mais individualizada nos raros instantes em que exerceu cargos junto à administração municipal ou se ensaiou para o palco da política partidária.

Veio-nos o Abílio de uma conversa há mais de uma década, quando nos dizia lembrar de nós desde os idos em que comerciava vendendo doces naqueles carros que faziam a festa para os olhos da meninada. Na verdade, um ambulante motorizado que saia de comércio em comércio vendendo seu peixe (doces e guloseimas) no cordão sem contas do interior, em cidades, arruados e roças.

Então nos lembramos do velho “carro de doce” que abastecia o pequeno comércio que meu pai mantinha no posto de gasolina (hoje pomposamente denominado “loja de conveniência”) em Itororó e Bandeira do Colônia.

Mais que isso – disse-nos ainda Abílio – sempre que pernoitava em fim de semana em Iguaí não perdia o programa de auditório que produzíamos e apresentávamos no palco do cinema local nas manhãs de domingo.

Lá se vão entre 45 e 50 anos. Ao final deles Abílio levado a outras plagas, para vender seus doces e assistir outros programas de auditório.

Ainda que tenhamos a morte como certeza absoluta e peremptória determinação do existir começamos a pensar na possibilidade inevitável de que em anos vindouros (que esperamos tardem) venhamos a produzir programas de calouros em outras plagas. Mesmo que apreciemos, e prefiramos, o registrado em lápide de cemitério portoalegrense, como anotado por Jorge de Souza Araujo: “Aqui jaz Fulano de Tal. Muito contra a vontade”.

Enquanto isso, um abraço para o português Abílio, que descobriu o interior desta Bahia para alegrar crianças com suas guloseimas e gostava de programas de auditório em manhãs de domingo provinciano nos tempos em que a Jovem Guarda e os Festivais formavam nosso imaginário.