domingo, 22 de fevereiro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Péssimo exemplo
As contas públicas não são grande exemplo da qualidade administrativa da maioria de nossos governadores. Os Estados padecem pela falta de recursos. Não necessariamente pela falta deles, mas pelo excesso de gastos, gerados na contramão das arrecadações.

Para controle, a receita neoliberal gira por arrochar salários, destruir conquistas sociais e quejandos. Trabalhando com um instrumento chamado superávit primário. Que nada mais é do que a economia feita no curso da gestão orçamentária justamente para assegurar o cumprimento das obrigações sacrificando tudo o mais.

Austeridade é a palavra de ordem para justificar a entrega do patrimônio. Honrado é o que mata a família de fome para pagar as dívidas.

No Brasil a cartilha neoliberal não encontrou discípulo melhor que o PSDB. Para alimentá-la o patrimônio estatal foi alienado como forma de gerar recursos para cumprimento das obrigações, escondido no tapume de que a gestão privada melhor administra que a pública. 

Em Minas Gerais o descontrole das contas públicas está quase a levar o Estado à falência (se possível o fosse sob a égide da regra jurídica). No Paraná o caos absoluto.

E nem falemos de São Paulo que, por falta de investimentos (economizados para pagar dividendos a acionistas estrangeiros da SABESP) já padece da falta de água.

O que dói é ver que a austeridade neoliberal está de braços dados com o segundo governo Dilma.

Crise? Onde?
No Paraná em crise os senhores conselheiros do TCE terão auxílio moradia de 4.377,74 para complementar o mísero salário de 26,5 mil mensais.

O alvo
Vão ficando cada dia mais claros os objetivos da Operação Lava Jato: mais atuação política e menos jurídica.

Afirmamos menos jurídica em razão de denunciadas violações a direitos de presos, levados à exaustão para corresponderem – na forma de delações – ao que pretende quem apura. Sabido que dentre os meios de tortura a psicológica alcança resultados sem ferir corpos, ainda que destrua a alma.

Não imagine o leitor que estamos a defender tratamento de sultão para ladrão. No entanto, como vivemos em um Estado Democrático de Direito, onde o pressuposto é o respeito às leis, mormente à Constituição, é o mínimo que se pode exigir das autoridades responsáveis por respeitá-las.

Em torno da atuação política dúvidas não há haja vista a forma como vazam delações e a seletividade em torno dos citados. 

A mídia comprometida até criou um estilo para isentar pessoas: caso envolva o período de FHC e sua augusta base PSDB/PFL/PMDB/PPS o tempo é tratado como “anterior a Lula”, nunca ‘no tempo de FHC’.

A propósito, se levarmos em conta o que diz Fernando Brito no Tijolaço (http://tijolaco.com.br/blog/?p=24915), partindo do método moriano de obter delação (“vai ficar preso até que diga o que queremos que você diga”): o alvo é Lula.

alvo

Olhar o passado não custa
As reservas que fazemos ao juiz Moro – redescoberto pelo método moriano de investigar – dizem respeito a um fato singular: o mesmo juiz que apurou as investigações sobre o Banestado, sob delação premiada do mesmo Yousseff, que diziam respeito a desvios de recursos através de contas CC-5 (que dispensavam identificação do depositante na transferência), invenção do Banco Central de FHC para alimentar desvios de recursos apurados nas privatizações e que levaram ao sumiço de valores entre 39 e 150 bilhões de dólares, dele (Moro) não se conhece nenhuma condenação que tenha repercutido ou encontrado solução para a bandalheira.

A diferença reside justamente nisso: fatos que envolviam o período “antes de Lula”.

Olhar o passado de Moro – pelos resultados do Banestado – ajuda a compreender o presente.

Ou a serviço de que ou de quem.

Recado a Moro
Para o jurista Tércio Sampaio Ferraz é próprio da mentalidade autoritária fazer da prisão preventiva um instrumento de obtenção de confissão.

O recado foi dirigido ao método moriano de obter delações.

Assim caminhamos
A validade de duas importantíssimas operações da Polícia Federal passam pelo Supremo Tribunal Federal: a Satiagraha e Castelo de Areia. Agora apenas permanece a primeira, nas mãos do insígne ministro Luiz 'mato no peito' Fux.

A segunda  a Castelo de Areia  teve recurso do MPF negado, por decisão do ministro Luis Roberto Barroso, que aceitou a nulidade das provas declarada pelo STJ.

Motivo da nulidade: originadas a partir da apuração da Polícia Federal desencadeada a pedido do juiz Fausto de Sanctis, que recebera denúncia anônima da falcatrua e baseado nela instou a PF. Que confirmou tudo.

As apurações comprovaram ilícitos cometidos pela empreiteira Camargo Correia para alimentar o bolso de políticos do PSDB-DEM-PDT-PP-PPS-PMDB.

Como ironiza Paulo Henrique Amorim, 'denúncia anônima no Brasil só para pegar pedófilo'.

Acrescentamos: é que faltou no universo dos partidos envolvidos o PT. Ou mesmo um petistazinho chinfrin.


Devolve, Gilmar!
Destacamos de matéria divulgada no portal da OAB subscrita pelo presidente nacional da Ordem, o seguinte:

"A cidadania celebra a rejeição pelo Supremo Tribunal Federal do financiamento empresarial das campanhas eleitorais, por meio da manifestação já de sua maioria na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.650, proposta pela OAB, pugnando pelo seu rápido julgamento."

Perdeu o presidente da OAB uma ótima oportunidade de engrossar o coro do "Devolve, Gilmar!".

Afinal, no próximo abril se fará um ano do pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes. Tal retenção legitima justamente o que a OAB combate. Portanto, Gilmar Mendes legitima a safadeza.

Pugnar "pelo rápido julgamento" é muito pouco para quem defende a lisura.

Skindô, skindô!
Caíram de pau sobre a vencedora do carnaval carioca, no quesito escolas de samba do grupo especial, custeada por ‘ditador africano’. Vieram à baila as crianças sacrificadas no país custeador e outras razões.

Como vamos nos tornando a pátria da hipocrisia, aplaudimos no curso de décadas as escolas custeadas pelo crime organizado, milícias, jogo-do-bicho etc.

Cautela e caldo de galinha
A defesa que faz o governador Rui Costa da atuação da Polícia Militar e Civil contra o crime pode levá-lo a legitimar ações que também sejam criminosas.

Afinal, quando há suspeita o melhor é investigar. 

E para o governador cautela, como caldo de galinha, não lhe fará mal.


Aprovação
As avaliações envolvendo a administração de Claudevane Leite bem podem ser chamadas, pelos resultados, de desaprovação.

Estranho que uma cidade mais arrumada leve o seu gestor a números tais.

O detalhe: o povo enxerga mais do que possa imaginar a vã filosofia.

Em consumação
Neste espaço, no primeiro dia de fevereiro, registramos:

"Geraldo Simões III
Há quem veja como remota a saída de Geraldo do PT. Mas especular não custa.

Depois que prejudicou a composição do PT na Assembleia Legislativa, desviando – através do filho – votos que garantiriam, pelo menos, mais um deputado na bancada estadual, não podemos afirmar que GS morre de amores pelo PT como antigamente.

Sua história recente mais remete à ideia de que não mais serve ao PT mas se serve do PT. Basta a insistência – de alto custo para Itabuna – em formar uma dinastia com a mulher prefeita (ainda que tenha méritos), o filho deputado estadual e ele deputado federal.

Há quem imagine que esteja duvidando de seu futuro político e tenha partido para preparar o futuro dos seus.

Geraldo Simões IV
A propósito de quem veja como remota a saída de Geraldo Simões do PT: em defesa de suas convicções pode até aliar-se a Fernando Gomes.

O tempo a Deus pertence. E a ocasião faz o pedinte."


Fechado o parêntesis e ainda não findado fevereiro as especulações caminham para o reconhecimento da realidade posta pela curiosidade especulativa deste escriba.

Os limites I
Natural que Geraldo Simões, conhecedor dos meandros da política e particularmente do seu PT (que pretende tornar ex-) não se sinta à vontade no ambiente que ajudou a criar e parece não mais atender ao seu projeto (a dúvida proposital da coluna: dele, GS, ou do PT).

Na condição de ex- age como ex-mulher acabada de se separar: infernizar o parceiro. (Perdoe-nos as leitoras a acentuação machista aqui posta. Mas é que a figura do ex-marido não se expressa plenamente no imaginário como a ex-mulher. Até porque a mulher se apresenta muito mais inteligente na circunstância).

Para materializar a infernização, que o diga a bateria de denúncias levadas a efeito por figuras de sua cozinha (de GS), que chegam ao desplante de até bater no Governo enquanto ainda dele servidores.

Os limites II
Mas, fica-nos um questionamento: qual ou quais os limites de Geraldo Simões, considerada a sua imagem de político individualmente construída no curso dos anos no mesmo partido e dele afastado.

Duas imediatamente se nos afiguram:

Primeira  sai GS derrotado nas eleições últimas. Mas não a derrota em si, referente à busca de mais um mandato.

É que Geraldo  considerando a ambição imediata, candidatura a prefeito em 2016, o que de horizonte lhe resta para reconstruir a trajetória  apenas consumou um processo de derrotas, se observamos a sua votação em Itabuna tomando por parâmetro a eleição de 2006, aqui postos em números redondos: 35 mil votos naquela, 23 mil, em 2010 e 16 mil em 2014. 

Detalhe que merece registro: em 2014 teve menos votos que a esposa Juçara em 2012. Não é qualquer coisa para ser desconsiderada.

Segunda  na forma de indagação, teria GS imagem individual para competir com aquela de Fernando Gomes, que dispõe de eleitorado permanentemente fiel em todas as eleições?

A trajetória  de 35 para 16 mil  diz que não.

Pretensão
Efetivamente Geraldo Simões deve sair do PT. No entanto precisa de um bom álibi, sob pena de perder eleitores que são fiéis ao partido e a Lula.

O único álibi de que dispõe é sair como vítima.

O álibi
Geraldo, no PT, tem(?) cacife para amealhar cargos no âmbito estadual. Resta-lhe, no entanto, a qualidade dos cargos, o que significa o escalão (segundo, terceiro, quarto...).

Sua trajetória recente levou-o a não dispor de interlocutores (alguns, velhos amigos por ele afastados).

Desta forma fica difícil imaginar GS buscando Josias Gomes (Secretário de Relações Institucionais do governo Rui Costa) ou Everaldo Anunciação, presidente do PT, para um jantar regado a vinho.

Aí reside o álibi de que precisa Geraldo Simões para deixar o PT: só conversar diretamente com o governador Rui Costa para discutir preenchimento de cargos.

Sabe muito bem ele que se o governador Rui Costa aceitasse a 'imposição' estaria desmerecendo o seu secretário de Relações Institucionais e o presidente estadual de seu partido na Bahia. 

O que daria a GS o discurso de que tem força com o Governador e não precisa dos velhos amigos.

Não aceitando o Governador a 'imposição' sai Geraldo com o discurso de que foi injustiçado e vítima dos ex-amigos etc. etc.

O futuro
Tal ocorrendo pode cair nos braços de quem escolher. Como no rodapé postado naquele 1º de fevereiro ("Geraldo Simões IV"):


"A propósito de quem veja como remota a saída de Geraldo Simões do PT: em defesa de suas convicções pode até aliar-se a Fernando Gomes.


O tempo a Deus pertence. E a ocasião faz o pedinte".

E concluímos, por hoje: caso Fernando Gomes não o aceite como parceiro, Augusto Castro pode tornar-se agente da vingança ideal.

Especulação? Que seja!



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Explicando
Por razões alheia à vontade deste escriba retomamos as postagens, sustadas pela vontade imperial da assistência técnica do fornecedor do serviço, que nos deixou na mão durante este tempo sem corresponder à sua obrigação de assistir-nos em caso de queda do sinal. E o fazemos com nossos rodapés.


O gato pode virar leão I
O ministro das finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, 58 anos, professor de Economia, com estudos nas universidades de Essex e Birminghan, na Inglaterra, rugiu contra o sistema que quer fazer da pátria da Filosofia quintal de potentados mundiais que dominam o sistema financeiro.

De matéria de Carlos Drumond (“A esperança heterodoxa”), publicada na Carta Capital, destacamos uma de suas ponderações: “O capitalismo sempre foi um sistema fundado no poder do Estado em que a riqueza foi produzida coletivamente e apropriada privadamente”.

A observação reflete a formação marxista de Varoufakis, para quem o capitalismo se esgotaria por si mesmo por se sustentar numa contradição: socializar a produção da riqueza e concentrar seus resultados.

Não se afirme – radicalizando Marx – que o capitalismo venha a se esgotar, dando lugar – por geração espontânea – a um sistema antagônico como o socialismo, por exemplo. 

Mas a humanidade não suportará os conflitos gerados diante da agressiva apropriação – que tende a multiplicar-se não em bases aritméticas, mas ..., que já anuncia 1% da população mundial detentora de 50% da riqueza dentro de 10 meses.

O gato pode virar leão II
Antônio Delfim Neto, analisando as iniciativas de Varoufakis, as vê no plano da oferta de outros/novos ‘nítidos limites do exercício da política social e econômica’ que será levada ao front da batalha que aquele propõe contra a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), a que sustenta – sob comando político do sistema alemão defendido com unhas e dentes por Angela Merkel – as benesses que alimentaram a concentração da riqueza em solo da velha Europa e tem levado, desde a crise de 2007/2008, à miséria uma parcela considerável do Velho Continente.

Delfim vê no tabuleiro de xadrez a proposta de Varoufakis, que pode isolar mais a Grécia e levá-la a um período de sombrio subdesenvolvimento.

Neste ponto ficamos a ruminar o raciocínio de que, diante do fato de que também não há saída para a Grécia sob as lições da troika, algo pode surgir no horizonte da crise.

Delfim, do território da ironia construída na experiência, diz que “Nos meus curtos 87 anos já vi, sem aviso prévio, mas com os bolsos vazios, muito leão virar gato depois de rugir algum tempo assustando apenas a si mesmo.”

O gato pode virar leão III
Pode haver em razão Delfim Neto. Afinal, os postulados da economia aplicada ao planeta, sob o viés teórico de alimentar o sistema financeiro e a exacerbação liberal individualista (a redundância aqui se impõe) têm conseguido sucesso porque se utiliza dos Estados poderosos para assegurar aos seus 1% os frutos das falcatruas e submissões, seja-o sob o domínio diplomático, seja-o pela força bruta.

Sob esta visão – idealismo utópico que seja – não há forte que não sucumba um dia. Assim, aquele tornado gato pode rugir e tornar-se leão.

Claro que não sozinho. A Grécia convoca – como o flautista de Hamelin – os achacados pela troika. E eles já estão nas ruas.


Na Espanha...  


Apostando na evasão
Brilhante a lição/experiência tucano-paulista posta em andamento neste 2015: fecham-se salas de aula, superlota-se as restantes e confia-se na evasão para regularizar a situação.

Consumada a evasão (inclusive por falta de água nas torneiras escolares) as turmas voltam aos números toleráveis.


Genial! Como a falta de água.

Resultado de imagem para Eduardo Anunciação
A falta que faz!
Há dois anos  exatamente no 15 de fevereiro  partiu para a eternidade o jornalista Eduardo Anunciação.

Ainda há quem folheie o Diário Bahia em busca do texto de Eduardo.

O "Bacurau", "Bode Rouco" ou simplesmente "Gaguinho"  contemporâneo de Célio e Hélio Nunes, entre outros  marcou época no jornalismo itabunense. Que não pode registrar sua história sem as paginas de Eduardo.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Impossível

Entender
A transcrição abaixo reflete um fato incompreensível: o que faz o pior Ministro da Justiça da história (pelo menos recente) da República permanecer no cargo? 

E há quem fale na possibilidade de o dito cujo tornar-se Ministro do Supremo Tribunal Federal.

A impossibilidade de entender sua permanência alimenta ao mais arguto que algo de muito podre pode existir por trás de tudo.

Com a palavra Breno Altman em seu 

MINISTRO DA JUSTIÇA NÃO ECONOMIZA SUBSERVIÊNCIA


O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, deu entrevista à TV Veja.

Pouco importa o conteúdo do que disse, pois relevante é a simbologia do fato.

Como é possível, a essa altura do campeonato, sem ferir a credibilidade do PT e do governo, um de seus principais integrantes ser cordial e afável com a revista que trata Dilma, Lula e outros dirigentes petistas como bandidos?

Como é possível a presidente decidir cancelar qualquer publicidade em Veja por seu caráter golpista, mas Cardozo conceder uma longa e sorridente entrevista?

Como é possível que o ministro se cale diante das arbitrariedades cometidas por setores da Polícia Federal para incriminar o seu partido, mas resolva prestigiar o veículo que mais convoca o atropelo da ordem constitucional?

Como é possível que a presidente convoque seus ministros para a batalha da comunicação e a atitude de Cardozo seja correr para os braços de uma revista criminosa?

Como é possível acreditar em qualquer compromisso do governo com a regulamentação dos meios de comunicação se o ministro da Justiça não perde a chance de se curvar diante dos monopólios?

Como é possível que Cardozo, cotado para o STF, vá apresentar credenciais para quem faz da pressão midiática sobre a corte seu instrumento de guerra contra a democracia e os direitos constitucionais?

Como é possível Cardozo ainda ser ministro da Justiça, se a única coisa que faz é cuidar de salvar a própria pele, bajulando os setores mais reacionários do país?

São perguntas que não podem calar.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Exemplo não seguido

                                                                                                                               Barack Obama. / JIM WATSON (AFP)

De certa forma o presidente Barack Obama reconhece valia na posição assumida pelo povo grego de enfrentar o sistema que lhe impôs restrições  em nome da austeridade  que levaram o país ao caos, quando elegeu Alexis Tsipras sob a bandeira da antiausteridade do Syriza. 

“Precisamos ser inteligentes sobre como escolher nossas prioridades”, declarou Obama na manhã de segunda-feira para acrescentar que isso era o que fazia seu orçamento, revitalizar as velhas infraestruturas da nação, apostar na educação dos jovens, investir em saúde e fortalecer uma classe média que, na opinião do mandatário, já esperou por muito tempo  segundo El País em 

O cerne da postura de Obama está em haver enviado proposta orçamentária em que defende mais gastos públicos e aumento de impostos para os ricos.

A primeira receita foi aplicada no Brasil nos últimos anos, segurando a economia diante da crise mundial instalada em 2008 ao promover a geração de empregos, melhoria da renda e ganhos reais de salários, reduzir desigualdades.

A segunda, anunciada para os EUA nem sonha ser por aqui aplicada. Basta ver a guinada à direita neoliberal através das impopulares medidas do ministro Joaquim Levy.

Mamata oficializada
Estão os excelentíssimos ministros (incluindo os substitutos) e demais membros do Poder Judiciário e do Ministério Público autorizados a se utilizarem da singela importância de R$ 4,3 mil como auxílio-moradia. 

Ainda que residam em casa própria.

É que liberou geral e está legitimada a mamata: TCU libera auxílio-moradia generalizado enquanto a barão que ganha salário mínimo não entra na sinecura.

E para não esquecer: o efeito é cascata. Alcançará todos os níveis do Poder Judiciário e do Ministério Público.

O PT conclama
Sai de seu 35º Congresso com um discurso de que cabe abrir uma frente de luta para que o país enfrente a defesa das conquistas dos últimos anos.

Em defesa das conquistas – para nós instrumentos de soberania entre tantos outros aspectos a considerar  nos filiamos à proposta e esperamos estar contribuindo com algumas sugestões:

1. Afastar do governo a imagem de haver guinado à direita neoliberal (leia-se, Joaquim Levy). Afinal, ajuste fiscal não é privilégio de economista comprometido com as lições do sistema financeiro.

2. Economizar recursos (da administração direta, indireta e empresas públicas) com publicidade. Como registrou (a ponta do iceberg) alguém na rede: "A Petrobrás gasta R$ 500 milhões por ano em publicidade. 70% em veículos da Rede Globo e da Editora Abril. Não elegemos Dilma para isso."

3. Exonerar o ainda Ministro da Justiça. O que implica em buscar dar comando às instituições democráticas que devem nortear ações do Ministério Público Federal e Polícia Federal. (Não cabe ao Poder Executivo, sugerir que seja, qualquer opinião em relação ao Poder Judiciário. Apenas utilizá-lo em defesa da Constituição).

4. Estabelecer  de forma confiável e convincente  o contraponto à informação hegemônica. (Por sinal, custeada pelo Governo).

5. Dar ciência ao PT paulista que não mais é a única expressão do Partido dos Trabalhadores. O PT cresceu muito e mais se faz vitorioso fora do eixo paulista.

6. Afastar do Palácio do Planalto os que trabalham em causa própria. Inclusive com suspeitas de vazarem informações para o mídia que espanca o PT. 

7. Voltar a ser PT. E convencer a militância disso.


Pareceres e pareceres I
Quando o parecer é encomendado e responde ao objetivo da encomenda é parecer de torcida.

Não é senilidade
Diante das inconsistências jurídico-constitucionais levantadas em parecer assinado pelo jurista Ives Gandra Martins buscamos o verbete com eu nome no Google de todos nós. Lá está, de imediato: “Ives Gandra da Silva Martins (São Paulo, 12 de fevereiro de 1935) é um advogado tributarista, professor, escritor e jurista brasileiro, conhecido por suas posições políticas e pessoais conservadoras”.

Recomendamos ao leitor acessar o verbete e conhecer as demais virtudes de Ives Gandra.


Nossa busca visava, antes de tudo, conferir a idade do jurista. Afinal, considerando as deduções de Martins na aludida peça, em que defende a possibilidade jurídica para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, passou-nos pela mente a possibilidade de estar o renomado jurista em estado de senilidade. Pela idade (89 anos a se completarem no próximo dia 12) certamente não é o caso, a não ser que algum parecer, declaração ou atestado médico o afirme.

Resta, portanto, reconhecer o parecer como libreto de torcedor.

Estendendo o alcance
Destacamos do ilustrado parecer de Ives Gandra Martins o seguinte trecho:

“Quando, na administração pública, o agente público permite que toda a espécie de falcatruas sejam realizadas sob sua supervisão ou falta de supervisão, caracteriza-se a atuação negligente e a improbidade administrativa por culpa. Quem é pago pelo cidadão para bem gerir a coisa pública e permite seja dilapidada por atos criminosos, é claramente negligente e deve responder por esses atos”. 

Apenas para rememorar fatos da história recente do país, sob a tônica da "atuação negligente" e da inusitada "improbidade administrativa por culpa", estariam em péssimos lençóis, por ordem inversa no tempo:

Aécio Neves, pelo aeroporto de Cláudio e de Montezuma; 

José Serra, pelo escândalo dos trens e metrô de São Paulo;

Geraldo Alckmin, por trens e metrô e falta de investimentos em captação de água;

Fernando Henrique Cardoso, pelos desvios na Petrobrás presidida por Joel Rennó e prejuízos causados pelas privatizações a preço de banana;

João Batista Figueiredo, pelas vantagens auferidas por Sigeaki Ueki quando presidente da Petrobras;  

Até o prefeito de Itabuna, pela doação de patrimônio público efetivada por comissionado sem autorização da Câmara de Vereadores.

Pareceres e pareceres II
Descoberta a pólvora: o parecer encomendado a Ives Gandra Martins o foi por advogado do Instituto Fernando Henrique Cardoso.

Nada mais a declarar quanto à possibilidade de o objeto jurídico atender ao objetivo político da encomenda. 


Sob tortura
Descartada que o seja a física a tortura psicológica se faz flagrante. E depoimentos (quanto mais delação premiada) sob pressão podem invalidar o processo criminal.

A grave denúncia de um advogado, veiculada pela TVAfiada de Paulo Henrique Amorim, caso comprovada, lança nas profundezas a Operação Lava Jato.

Nada contra apurar, processar e prender criminosos (desde que provada a culpa ou o dolo). Mas o método utilizado exige amparo nas garantias constitucionais.

Clique, para o vídeo, em https://www.youtube.com/watch?v=uyz-W645oGQ

Acesse "Somos um governo de torturadores?", de Fernando Brito, no Tijolaço:

Ministros flagrados
Deles nada nos surpreende: os ministros Gilmar Mendes, do STF, e Eduardo Cardoso, da Justiça, foram flagrados em conversa telefônica envolvendo um investigado pela Polícia Federal (sob responsabilidade de Cardoso) com autorização (a escuta) do STF (de Gilmar Mendes).

O grampo  com áudio e transcrição  foi obtido pela revista Época.

Caso para exoneração de Cardoso e impeachment de Mendes.

O bom tucano
Não poderia ser diferente. Na primeira oportunidade, da tribuna do Senado, José Serra defendeu o fatiamento da Petrobras e sua entrega à iniciativa privada.

Defende a venda de ativos da estatal. Incluindo preferencialmente  o pré-sal.

Para afirmar os seus não nega a vocação antinacionalista e entreguista.

Davidson Magalhães, em sua primeira fala na Câmara dos Deputados, não perdeu a oportunidade dada por José Serra e atacou a manobra tucana.

Apenas para lembrar
Não custa defender a Petrobras (não os bandidos de todos os tempos que dela se utilizaram) e retomar a sua bandeira das varejeiras de sempre.


Alerta
"Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre."
Da Carta Testamento, de Getúlio Vargas.


A Petrobras está ai, funcionando e recebendo prêmios internacionais. Mas José Serra e áulicos, como Carlos Lacerda e outros da UDN de antigamente, os do PSDB/DEM/PPS de hoje, não se cansam. Querem vê-la nas mãos estrangeiras em sua totalidade.

Transporte público
O prefeito de São Paulo já localizou os vícios contidos nas planilhas de custo do transporte público sob sua gestão. Promete enfrentamento e melhoria para o usuário.

Segundo a Carta Capital, em Maricá-RJ, o prefeito Quaquá (PT) enfrenta o oligopólio de uma só família de proprietários. Controlam o transporte público aviltando os interesses da população.

O prefeito de Maricá encontrou uma solução: passe livre, através de coletivos que adquiriu para o município.

Concorrência foi a solução. Com participação direta do poder público.

O ônibus grátis de Maricá

Em surdina
Nos foi contado em surdina. Mas em trompete e trombone divulgamos.

Cozida em fogo não tão lento a abertura de licitação para o transporte coletivo de Itabuna.

Mas a alegria não reside nos possíveis avanços. Mas nas vantagens que um grupo pretende auferir com a licitação. Que são desvantagem para o povo.

Presumindo que haja debate com a sociedade, necessário se torna a redobrada atenção do cidadão e da presença do Ministério Público para conter as vantagens.

Basta observar com cuidado a composição da planilha da tarifa.

Afinal  como no financiamento privado de campanhas eleitorais  ninguém dá nada se não receber a 'baba'.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Pitonisa
O senador José Serra, segundo o colunista Ilimar Franco, de O Globo, afirmou que a presidente Dilma Rousseff não concluirá o mandato, pelo desgoverno, crise econômica e denúncias de corrupção e que vive o estágio dos períodos Jânio Quadros e João Goulart.

O ilustre tucano esqueceu de dizer se ocupará o lugar de Carlos Lacerda e se também liderará o pedido de intervenção das forças armadas para um novo golpe militar.

Interpretação diversa
Austeridade é palavra-chave para o domínio da riqueza de um país pelo sistema financeiro e seu receituário, que sempre deságua em recessão. Assim que ocorrem os primeiros sinais de dificuldades na economia a receita se repete: arrocho salarial, sacrifício em relação à conquistas sociais, privatizações etc.

A receita fez sucesso a partir dos anos 80 e hoje está acabando com a Europa (Portugal já chegou ao índice de pobreza de 10 anos atrás). As reações começaram. 

Na Grécia, o partido Syriza, de oposição à austeridade, venceu as eleições e já anunciou a suspensão das privatizações (onde até o histórico porto de Pireu entrava na roda) e deseja a revisão da dívida. Na Espanha o apoio popular ao partido anti-austeridade Podemos levou milhares às ruas de Madri (foto).



No Brasil a interpretação da crise é diversa. Depois de dar exemplo de como enfrentá-la (gerando emprego e investindo na atividade econômica) parece sucumbir ao "deus mercado" e põe em prática a recessão sonhada por aqueles que desejam (e têm por ideário) o país de joelhos diante do sistema financeiro, que hoje ainda dita regras para o mundo para assegurar (já em 2016) que 1% da população mundial detenha mais de 50% da riqueza universal.

Sai, agouro!
No último dia 27 completaram-se 300 dias do julgamento da ADIN 4650, interposta pela OAB (já vitoriosa por 6 x 1), contrária ao financiamento privado de campanha. Mas o aniversário deve ser lembrado pelo pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, ínclito defensor  ao que parece  dos meios que alimentam a corrupção.

A dedução que fazemos é a de que Sua Excelência não devolverá o processo até que seja feita a reforma política pelo Congresso. Fácil o raciocínio, considerando o que declarou o ministro Gilmar Mendes em entrevista a Isto É em dezembro:

"O partido que desenhou essa proposta (o PT) queria o financiamento público e o voto em lista. A minha objeção é que nós temos de discutir o sistema eleitoral para saber qual é o modelo de financiamento. E não discutir o modelo de financiamento para definir o sistema eleitoral"

De imediato verifica-se a insistência de Mendes em petizar a razão de suas reações (culpa do PT), esquecendo de reconhecer, em sua dimensão de significado, que a ADIN foi iniciativa da OAB, liderando um anseio da sociedade.

No mais, pode até ter razão Sua Excelência. O que não pode é pautar-se de paladino da moralidade e imaginar-se líder legislativo deixando de lado a sua obrigação: julgar.



É da natureza
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, concedeu entrevista a Isto É. A certa altura, indagado sobre denúncias que teriam sido encaminhadas pela então ministra Marta Suplicy, que entendia ser indevida a aquisição dos acervos do cienasta Glauber Rocha e do Canal 100 com dispensa de licitação, teria concluído a resposta, como afirma em desmentido baseado na gravação, sem citar nomes: "É isso, então, quer dizer, não se contribui para elevar o nível da política brasileira e do ambiente público com acusações irresponsáveis."

No entanto, a revista não perdeu o mote de por lenha na fogueira e tascou: "Não se contribui para elevar o nível da política pública brasileira com acusações infundadas. Marta Suplicy é uma irresponsável.

Como na fábula do escorpião, é da minha natureza!

Solução
A presidente Dilma Rousseff pediu, em reunião ministerial, que suas excelências respondessem aos ataques que o governo sofre diariamente.

Poderia pedir que ensinassem a turma a pescar, como lembra um internauta, acabando com o bolsa imprensa.

Surtiria mais efeito que o arrocho levado a efeito por seu Ministro da Fazenda.



Du-vi-d-o-dó
O G1 ouviu os 513 deputados que assumirão neste domingo sobre 12 temas, dentre eles a regulamentação  porque já previsto na Constituição  do Imposto Sobre Grandes Fortunas.

A regulamentação do imposto sobre grandes fortunas tem apoio de pelo menos 307 (59,8%) dos 513 deputados que assumem a Câmara a partir deste domingo (1º)  segundo o levantamento. Outros 101 (19,6%) se posicionaram contra a proposta. Os 105 restantes (20,4%) não quiseram responder ou não se manifestaram sobre os pedidos de entrevista

Admitindo que a regulamentação não dependesse da maioria absoluta (metade mais um = 207 deputados) e exigisse quorum de dois terços (308 deputados) já estaria praticamente aprovado.

Mas, para lembrar vó Tormeza: du-vi-d-o-dó.

Queda-livre
O Lauro Jardim, lá na Veja (que nos Deus nos perdoe a citação) afirma ter este mês sido o pior desempenho para janeiro em termos de audiência para a TV Globo: 13,3 pontos, medidos entre 7h e meia-noite em São Paulo.

Não é difícil compreender: os novos equipamentos portáteis, permitindo que seja visto o que quiser e a hora em que o desejar, via internet, está tirando da platinada até seus telespectadores mais tradicionais.

Como sempre foi referência, é o quadro da TV aberta.

E a Globo  na prática do singular esporte  – ainda tem aquele conceito no imaginário de parcela considerável de brasileiros, ao qual está irremediavelmente vinculada, como retrata esta montagem circulando no facebook..

 


Itabuna em movimento I
Desastrosa a incontinência verbal do ex-secretário de Transporte e Trânsito de Itabuna na fala de transmissão do cargo.

Dispensa comentários.

Itabuna em movimento II
O prefeito Claudevane Leite avisa que não fará a reforma administrativa preconizada pelos críticos. Sua Excelência demonstra pretender exercer o comando da gestão.

Que é justamente o motivo da crítica em defesa da reformulação do secretariado.

Itabuna em movimento III
Mas obrou mal ao concentrar poder em mãos de um só secretário.

Itabuna em movimento IV
O novo super secretário já está em campanha. Tem gente pedindo votos para o ‘nosso candidato’. Ele.

Para vereador?

Não, caro leitor. Para prefeito.

Geraldo Simões I
Finou o mandato de deputado federal de GS. Muito difícil, caso não tenha se aposentado, voltar a CEPLAC.

Também muito difícil que encontre espaço no atual governo estadual.

Candidato potencial a prefeito de Itabuna em 2016.

Sua história, no entanto, pode lhe assegurar espaço no Governo Federal. Onde já ocupou cargo, quando assumiu a CODEBA.

Geraldo Simões II
A Companhia das Docas do Estado da Bahia – onde exerceu o cargo de Diretor Presidente – pode ser o destino para Geraldo Simões. A experiência recomenda.

Resta saber o cargo.

Pelo cargo no organograma da CODEBA veremos como anda o prestígio de GS junto ao Governo Federal. Ou  em outras palavras  se por lá repercutiu o que GS fez ao PT na Bahia em 2014.
Geraldo Simões III
Há quem veja como remota a saída de Geraldo do PT. Mas especular não custa.

Depois que prejudicou a composição do PT na Assembleia Legislativa, desviando – através do filho – votos que garantiriam, pelo menos, mais um deputado na bancada estadual, não podemos afirmar que GS morre de amores pelo PT como antigamente.

Sua história recente mais remete à idéia de que não mais serve ao PT mas se serve do PT. Basta a insistência – de alto custo para Itabuna – em formar uma dinastia com a mulher prefeita (ainda que tenha méritos), o filho deputado estadual e ele deputado federal.

Há quem imagine que esteja duvidando de seu futuro político e tenha partido para preparar o futuro dos seus.

Geraldo Simões IV
A propósito de quem veja como remota a saída de Geraldo Simões do PT: em defesa de suas convicções pode até aliar-se a Fernando Gomes.

O tempo a Deus pertence. E a ocasião faz o pedinte.