sexta-feira, 6 de março de 2015

Pax americana

A tragédia para os outros
Ainda na memória  pela insistência da lembrança  o ocorrido em Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945. Não lembramos aqui o fim da guerra no Pacífico, mas a destruição das duas cidades. E mais que isso: as consequências.

Em tempos de Paz os mesmos Estados Unidos de Hiroshima e Nagasaki promoveram testes no mesmo Pacífico, no atol de Bikini. As populações próximas às experiências nucleares viveram o mesmo drama dos japoneses, ainda que nenhuma guerra houvessem promovido.

O mais recente desastre  com indevido (e criminoso) uso de material nuclear  ocorreu no Iraque. 

Adiante parte do texto do Informação Incorreta, onde disponibilizado o link Whatsupic (com fotos para quem tiver coragem de ver), que inicia sua denúncia com a afirmação de que (em tradução livre) "É um escândalo planetário que pode ser denominado de OMSgate".

É o silêncio.
As autoridades norte-americanas admitem ter usado 320 toneladas de urânio empobrecido, números contestados pela fundação Laka de Amsterdam que estima a quantidade real mais perto de 800 mil toneladas, lançadas no Iraque durante a guerra de 1991 e 1.200 toneladas durante a invasão de 2003.

Em 1991, o exército norte-americano lançou quase um milhão de bombas de urânio empobrecido em três dias contra os soldados iraquianos em retiradas e milhares de refugiados ao longo das estradas perto de Bassora.

O resultado? Rapidamente, algumas áreas do sul do Iraque tiveram um aumento anual de 350% dos casos de leucemia, deficiências imunológicas, cataratas e disfunções renais. As estatísticas oficiais mostram que antes da eclosão da primeira Guerra do Golfo, em 1991, a taxa de casos de câncer era de 40 por cada 100.000 habitantes. Em 1995 tinha subido para 800 por 100 mil e, em 2005, dobrou para pelo menos 1.600 pessoas por 100.000.

O Dr. Jawad al-Ali, do Centro de Tratamento do Câncer em Bassora:
O mundo deve saber que os Iraquianos foram vítimas de agressões infligidas pelo uso de munições de urânio empobrecido por parte de tropas americanas e britânicas durante a guerra. Este é um genocídio.
O especialista que existam 300 locais em todo o Iraque contaminados com radiação de munições de urânio empobrecido:
Antes da Guerra do Golfo, tínhamos dois ou três casos de pacientes com câncer por mês, agora 30-35 pessoas morrem a cada mês. Os nossos estudos indicam que uma percentagem entre 40 e 48% da população terá um câncer dentro de cinco anos.
Considerando que a OMS (Organização Mundial da Saúde) quantifica a população iraquiana em cerca de 33 milhões de habitantes (dado de 2013), estima-se que cerca de 15 milhões de pessoas receberão um diagnóstico de câncer nos próximos anos.

Além disso, nunca antes tinha sido detectada uma tão elevada taxa de espinha bífida nas crianças, por exemplo em Bassora, e a taxa continua a aumentar.

O número de hidrocefalias em recém-nascidos é seis vezes maior em Bassora que nos Estados Unidos e são encontradas malformações relatadas apenas nos manuais de medicina que estudam as crianças nascidas perto dos locais dos testes nucleares no Pacífico: crianças sem membros, com intestinos para fora do abdómen, tumores enormes, com um único grande olho ou sem olhos, crianças anencefálicos (ausência de grande parte do cérebro e do crânio), com graves problemas de respiração, com tumores malignos muito agressivos que implica amputações. Estes são apenas alguns exemplos entre muitos.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Crise

Em termos
Estamos vivenciando no Brasil uma bem engendrada propagação de uma crise que efetivamente não existe nos termos em que posta. Dentre elas, a hídrica como reflexo para um 'apagão' no fornecimento de energia.

Não que diz respeito à água a grande crise  além daquela inerente às classes dominantes da mídia, a de nacionalismo e respeito à Pátria  é compreender que no país, de dimensões continentais, o que ocorre aqui não ocorre ali.

O Sudeste e o Nordeste vivem estiagens prolongadas levando à redução do nível de barragens que servem às hidrelétricas. No entanto, Sul e Norte não vivem idêntica realidade.

Que se perceba o que ora ocorre no Acre.



Na realidade a crise alardeada passa pela imperativa crise nas linhas de transmissão da energia produzida onde tem água para onde vive estiagem.

Justamente o que aconteceu em 2001/2002. O estoque de água bastava para atender o país. O que falta era linhas de transmissão. Que FHC nunca se interessou em realizar.

No entanto, com a programada suspensão de obras  a considerar a ação de prepostos do Judiciário e do Ministério Público Federal  em razão do afastamento de empreiteiras afetadas por denúncias/delações na Lava Jato, a permanecer o retardamento da retomada de ditas obras (que envolvem a conclusão de hidroelétricas no Norte e linhas de transmissão que sejam necessárias) pode, sim, levar a um racionamento. Não a um apagão, como anunciado apocalipticamente.

Tanto que é assim que vemos uma crise: muito mais em termos de anúncios que de fetiva falta de água no país.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A caminho

Da denúncia
O título desta postagem não se vincula à denúncia judicial, mas àquela que tende a ocorrer em relação a toda a Operação Lava Jato se o método de apuração de delegados, procuradores e, especialmente, o juiz Moro demonstrarem o que muitos suspeitam: violações ao devido processo, considerando o modus operandi de Moro na forma do fique preso enquanto não disser o que eu quero.

Ao que parece o Procurador-Geral da República, no que diz respeito aos nomes de políticos citados na Lava Jato (e omitidos por delegados para não perderem a instância moriana), pretenderia pedir a abertura de inquéritos. Pelo menos é o que arrepiou o jornal Folha de São Paulo, levado à insatisfação demonstrada na manchete "Janot pedirá só abertura de inquéritos contra políticos" (clique em http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/02/1595542-janot-pedira-so-abertura-de-inqueritos-contra-politicos.shtml).

Aquele "só" é o sinal de que a coisa pode não corresponder ao ritmo sensacionalista de que se vale a grande imprensa, especialmente no quesito politização seletiva.

Nossa observação, no entanto, vai um pouco mais além: tal ocorrendo (pedido de abertura de inquérito) significa desconfiança no trabalho até aqui desenvolvido pela Lava Jato. Pelo menos em relação aos políticos.

Em outras palavras: as denúncias de violações cometidas na apuração fazem sentido. E podem levar a Lava Jato a naufragar no plano das intenções até aqui postas em prática.

domingo, 1 de março de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Piada
Agências de risco são uma picaretagem para alimentar o sistema financeiro internacional assegurando tranquilidade para os do centro e intranqüilidade para a periferia. Em outras palavras: produzem o que o seu freguês precisa.

Assim Europa e Estados Unidos permanecem como exemplos de liquidez. Aquela bolha imobiliária que estourou em 2008 era um exemplo de administração financeira até que quebrou quem acreditou nas agências de risco.

Vivem de alimentar a especulação.

Assim, o rebaixamento da Petrobras na avaliação da Moody's apenas visa criar clima de sonhos para ocupação especulativa na empresa que é típica joia da coroa para os interesses financeiros internacionais.

Que em nada interessam ao Brasil como nação soberana.

Apenas para ilustrar em torno da 'seriedade' da agência: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação contra a Moody's (assim como contra a Standard & Poor's) em razão de sua atuação anterior à crise de 2008, uma vez que todos os envolvidos encontravam avaliações altamente positivas da agência, o que levou investidores a embarcarem na barca furada do subprime.

Como pérola do que representa a Mood's, ao banco Lehman Brothers atribuiu 'grau de investimento' no imediato anterior à sua quebra.

Maldade!
Maurício Dias, no Andante Mosso de sua Rosa dos Ventos, adianta que circula 'nos corredores dos tribunais de Brasília' escancarada defesa do juiz Flávio Roberto (aquele que se apropriou de um Porsche apreendido, por ordem sua, do empresário Eike Batista e guardava-o na sua própria garagem). 

Dizem os defensores que nada há de ilegal no comportamento de Sua Excelência: "Afinal, a lei diz que é dever do juiz conduzir os autos do processo". 

Juiz no carro de Thor Batista (Foto: Arquivo Pessoal)

Outra maldade!
Há quem afirme que o Ministério Público Federal somente busca investigar o escândalo das contas 'harmonizadas' no HSBC suíço para ver se descobre algum petista, já que tucano lá não falta.

No caso de petista, Lula preferencialmente.

Preocupação
O senador Aécio Neves, líder da oposição, está preocupado com o que acontece no Paraná, administrado pelo tucano Beto Richa.

Como a coisa não anda nada boa para o lado da administração, que destruiu as finanças do estado, teme Aécio que possa repercutir negativamente na imagem do movimento contra Dilma.

Solução
A crise na engenharia de construção nacional, decorrente da Operação Lava Jato (que mais está para lavar o país do mapa mundi) exige iniciativas concretas do Governo Federal, para o que desemprego dela decorrente não afete milhões de brasileiros.

O BNDES pode ser caminho. Afinal, se financiou a Friboi para comprar fábrica de frangos nos Estados Unidos pode bem financiar as empreiteiras para manter empregos brasileiros.

O detalhe fica em perguntar se o juiz Moro deixa.


Mostrando a que veio
Ou mostrando as unhas. Certamente para garantir o poder que ora dispõe dar o alheio parece coisa simples para Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados..

Não pode ser entendido de outra forma a extensão de passagens de deputados a suas respectivas esposas.

E nem se fale que a coisa cheira a inconstitucionalidade, uma vez que dinheiro da Câmara é dinheiro público e a iniciativa significa desvio de recursos públicos uma vez que o eleito (e destinatário das regalias) é o deputado e não o cônjuge.

Caso a moda venha a pegar não tardará passagem para vovô, vovó, papai, mamãe, titio, sobrinho e, não tardará, para o cachorrinho da madame, para o papagaio, periquito etc. que também são filhos e criação do Altíssimo



Ah! Levy
Do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em flagrante crítica à política de desoneração implantada pelo Governo Federal nos últimos anos como forma de garantir empregos, em declaração ao jornal O Globo:

— Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano e não tem criado e nem sequer protegido empregos — afirmou.

Da presidente Dilma, diretamente do Uruguai, ao tomar conhecimento das declarações de seu ministro para o arrocho:

"A desoneração da folha, ela foi importantíssima e continua sendo. Se ela não fosse importante, nós tínhamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo."

De lembrar que a política de desoneração da folha de pagamento das empresas ajudou o Brasil a manter a menor taxa de desemprego do planeta.

De lembrar, também, que o ministro Levy já anunciou que sua declaração não foi feliz.

Um lado
Demora não é substantivo qualquer. Especialmente quando envolve o Poder Judiciário. Que o digam os que esperam do STF decisões que em muito interessam ao Brasil e muitas dormitam em pedido de vistas – como Gilmar Mendes retendo processo onde a derrota sua (se mantiver ponto de vista contrário) já está configurada.

No entanto, Poder Executivo não pode explicar a demora na indicação de um ministro para ocupar vaga no STF, o que mereceu críticas de dois dos decanos da Casa, os ministros Marco Aurélio Melo e Celso de Mello.

Das duas uma: ou se encontra sem quadros ou está justificando a PEC da Bengala.

Quando a coluna se refere a estar ‘sem quadros’ diz respeito à possível indicação do atual ministro da Justiça.

O outro lado
No entanto a grita de dois dos decanos ministros do STF pode ser o pontapé que rompe a inércia do Executivo. Como na Física a presidente Dilma carecia de um toque para realizar o que poderia ter feito anteriormente.

Ocorre – e aí é o outro lado – que se tivesse feito anteriormente teria alimentado a campanha de que estava aparelhando o STF. Fazendo-o a partir da grita dos ministros apenas atende ao pedido etc. etc.

Pode ter sido uma jogada de mestre.

Mais um
O Parque Eólico Geribatu, em Santa Vitória do Palmar-RS, com capacidade para gerar 258 megawatts de eletricidade para atender 1,5 milhão de habitantes, obra do PAC, acresce a oferta de energia ao país, suprindo a redução da originada de hidroelétricas sacrificadas pela crise hídrica.

É mais um dos muitos espalhados pelo país interligados ao sistema nacional. O mais importante: estão integrados por linhas de transmissão, o que pode fazer com que energia gerada no Norte venha a ser utilizada no Sudeste ou Centro-Oeste.




Fracasso
Itabuna como ‘cidade da paz’ fracassou. Passados vinte e seis meses de administração o resultado da ideia é um redundante fracasso.

Volta-se à velha solução: convocar a sociedade para dividir com ela o ônus da fracasso daqueles que se disseram ungidos.

Sempre foi difícil entender como uma frase de efeito poderia resultar em solução para a violência quando as políticas públicas não são suficientes para convencer a sociedade.

E mais que isso: quando falta unidade na administração em torno de tais políticas, onde uns querem ocupar/usurpar o espaço do outro que esteja fazendo alguma coisa.

Confirmando
De uma fonte segura ouvimos, em diálogo com terceiro, que ‘ele’, Geraldo Simões, disse que assumirá uma diretoria da Codeba. “Não a presidência” – afirmou.

Vindo a se consumar a nomeação confirmada a especulação levantada neste blog em 1º de fevereiro.

O organograma da CODEBA está lá. Para conferir.

Em mortório
GS não sairá do PT. Por enquanto.

E o PT pode tê-lo como candidato em 2016.

Há quem diga que continuará infernizando os adversários internos até 2016. Inimigo a ser respeitado. Até que perca a Codeba. Quando então terá o álibi para a sua saída do PT.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A confusa

Casa da mãe joana
O Governador da Bahia assinou decreto nomeando alguém para determinado cargo. O alguém busca tomar posse. Munido, naturalmente, do ato governamental. Subalterno ao Governador suspende a posse.

Não sabemos se o subalterno queria fazer uma posse com pompa e circunstância. Ou, quem sabe?, tenha mandado suspender o ato assinando-o enganado.

Como já o fez em outro instante.

Seja lá o que for, cheira à confusão em casa de mãe joana.

Para quem está fora do espaço não pode pensar outra coisa. E mais: qual a utilidade de que tal esteja ocorrendo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Civismo

Cidadão
O que a imprensa está fazendo com a Petrobras só encontra paralelo nas campanhas por ela mesma lideradas contra a empresa no curso da história, desde o instante da sua pré-existência.

Encanta-nos, no entanto, a resposta de uma funcionária da Petrobras, dirigida à jornalista do jornal O Globo, que se utilizou de uma foto para vincular a missivista a fatos que não traduzem a distinção entre a empresa e os safados que dela se utilizaram em tempos recentes de sua história, que vão a, pelo menos, 40 anos (desde que Sigeaki Ueki a presidiu no governo Figueiredo, passando por Joel Rennó, no de FHC).

A reação de Michelle Daher Vieira ao texto de Letícia Fernandes demonstra que não será tão fácil, como muitos imaginam, estuprar a Petrobras para entregá-la aos abutres estrangeiros (façanha iniciada por FHC). 

E pode levantar brasileiros para uma campanha "Eu Sou o Brasil, Sou Petrobras" ou, simplesmente, "Eu Sou Michelle".



Eis parte de sua carta, que pode ser lida na íntegra (inclusive as notas referidas no texto) no http://jornalggn.com.br/noticia/funcionaria-da-petrobras-desmente-rotina-de-medo-de-materia-do-globo


Carta aberta à Leticia Fernandes e ao jornal O Globo
Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que não estou falando em nome da Petrobras, nem em nome dos organizadores do movimento “Sou Petrobras”, nem em nome de ninguém que aparece nas fotos da matéria. Falo, exclusivamente, em meu nome e escrevo esta carta porque apareço em uma das fotos que ilustram a reportagem publicada no jornal O Globo do dia 15 de fevereiro, intitulada “Nova Rotina de Medo e Tensão”.

Fico imaginando como a dita jornalista sabe tão detalhadamente a respeito do nosso cotidiano de trabalho para escrever com tanta propriedade, como se tudo fosse a mais pura verdade, e afirmar com tamanha certeza de que vivemos uma rotina de medo, assombrados por boatos de demissões, que passamos o dia em silêncio na ponta das cadeiras atualizando os e-mails apreensivos a cada clique, que trabalhamos tensos com medo de receber e-mails com represálias, assim criando uma ideia, para quem lê, a respeito de como é o clima no dia a dia de trabalho dentro da Petrobras como se a mesma o estivesse vivendo.

Acho que tanta criatividade só pode ser baseada na própria realidade de trabalho da Letícia, que em sua rotina passa por todas estas experiências de terror e a utiliza para descrever a nossa como se vivêssemos a mesma experiência. Ameaças de demissão assombram o jornal em que ela trabalha, já tendo vários colegas sendo demitidos[1], a rotina de e-mails com represálias e determinando que tipo de informação deve ser publicada ou escondida devem ser rotina em seu trabalho[2], sempre na intenção de desinformar a população e transmitir só o que interessa, mantendo a população refém de informações mentirosas e distorcidas.

Fico impressionada com o conteúdo da matéria e não posso deixar de pensar como a Letícia não tem vergonha de a ter escrito e assinado. Com tantas coisas sérias acontecendo em nosso país ela está preocupada com o andar onde fica localizada a máquina que faz o café que nós tomamos e com a marca do papel higiênico que usamos. Mas dá para entender o porque disto, fica claro para quem lê o seu texto com um mínimo de senso crítico: o conteúdo é o que menos importa, o negócio do jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido[3] em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia Fernandes serve quando escreve sua matéria.

Leticia, não te vejo, nem você nem O Globo, se escandalizado com outros casos tão ou mais graves quanto o da Petrobras. O único escândalo que me lembro ter ganho as mesma proporção histérica nas páginas deste jornal foi o da AP 470, por que? Por que não revelam as provas escondidas no Inquérito 2474[4] e não foi falado nisto? Por que não leio nas páginas do jornal, onde você trabalha, sobre o escândalo do HSBC[5]? Quem são os protegidos? Por que o silêncio sobre a dívida da sonegação[6] da Globo que é tanto dinheiro, ou mais, do que os partidos “receberam” da corrupção na Petrobras? Por que não é divulgado que as investigações em torno do helicoca[7] foram paralisadas, abafadas e arquivadas, afinal o transporte de quase 500 quilos de cocaína deveria ser um escândalo, não? E o dinheiro usado para construção de certos aeroportos em fazendas privadas em Minas Gerais [8]? Afinal este dinheiro também veio dos cofres públicos e desviados do povo. Já está tudo esclarecido sobre isto? Por que não se fala mais nada? E o caso Alstom[9], por que as delações não valem? Por que não há um estardalhaço em torno deste assunto uma vez que foi surrupiado dos cofres públicos vultosas quantias em dinheiro? Por que você e seu jornal não se escandalizam com a prescrição e impunidade dos envolvidos no caso do Banestado[10] e a participação do famoso doleiro neste caso? Onde estão as manchetes sobre o desgoverno no Estado do Paraná[11]? Deixo estas perguntas como sugestão e matérias para você escrever já que anda tão sem assunto que precisou dar destaque sobre o cafezinho e o papel higiênico dos funcionários da Petrobras.

A você, Leticia, te escrevo para dizer que tenho muito orgulho de trabalhar na Petrobras, que farei o que estiver ao meu alcance para que uma empresa suja e golpista como a que você trabalha não atinja seu objetivo. Já você não deve ter tanto orgulho de trabalhar onde trabalha, que além de cercear o trabalho de seus jornalistas determinando “as verdades” que devem publicar, apoiou a Ditadura no Brasil[12], cresceu e chegou onde está graças a este apoio. Ao contrário da Petrobras, a empresa que você se esforça para denegrir a imagem, que chegou ao seu gigantismo graças a muito trabalho, pesquisa, desenvolvimento de tecnologia própria e trazendo desenvolvimento para todo o Brasil.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A tortura

Escancarada
Neste espaço disponibilizamos a corajosa e humanística denúncia de Paulo Henrique Amorim através de sua TVAfiada, no DE RODAPÉS E DE ACHADOS de 8 de fevereiro, em relação ao risco por que passa a Operação Lava Jato  em razão do método moriano de obter 'delações'  alertando para o fato de que 

"Descartada que o seja a física a tortura psicológica se faz flagrante. E depoimentos (quanto mais delação premiada) sob pressão podem invalidar o processo criminal.

A grave denúncia de um advogado, veiculada pela TVAfiada de Paulo Henrique Amorim, caso comprovada, lança nas profundezas a Operação Lava Jato.

Nada contra apurar, processar e prender criminosos (desde que provada a culpa ou o dolo). Mas o método utilizado exige amparo nas garantias constitucionais.

Clique, para o vídeo, em https://www.youtube.com/watch?v=uyz-W645oGQ"


O fato não mais está escancarado tão somente nos denominados 'blogues sujos'. Também a Folha de São Paulo publicou em torno da evidente torTura praticada na prisão que alberga os da Lava Jato. Está comprovada a denúncia veiculada por Paulo Henrique Amorim.

Dispensando-nos de voltar a textuá-la, trancrevemos Fernando Brito, no Tijolaço, reproduzindo também Paulo, no Diário do Centro do Mundo:

A prisão de Moro. O importante não é como ela é, mas porque ela é assim

23 de fevereiro de 2015 | 06:27 Autor: Fernando Brito
touro
No Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira põe o dedo na ferida ao analisar a matéria de ontem, na Folha, relatando as condições dos executivos de empreiteira presos na “Lava-Jato”.

É o método: “ah, eu faço jornalismo porque publiquei isso”. Um registro, mais nada.

Não foi assim no caso da sonegação da Globo? Uma matéria, uma apenas, mais nada.

Não é jornalismo, é álibi.

Tal como em outros assuntos, políticos ou não, jornalistas não admitem, mas fazem “campanhas”.
Os assuntos “rendem”: buscam-se repercussões, detalhes escandalosos, paralelos com outras situações e, sobretudo, julgamentos morais.

Nogueira, aliás, faz o que a Folha não faz, creditar a Paulo Henrique Amorim, em seu Conversa Afiada, o fato de terem sido expostas as vísceras deste processo prisional conduzido por Sérgio Moro.

Mas há algo que ele não afirma diretamente, e que sinto a necessidade de expressar.

O problema das condições humilhantes daquela prisão, porém, não é apenas – embora seja, sim – o da questão dos deveres de humanidade que devam ter nossas prisões, e que não têm, aqui.

Porque sempre se pode argumentar, com toda a razão, que essas, ou piores, são as condições de encarceramento de milhares, dezenas de milhares, centenas, talvez, de outros brasileiros.

São, sim, por desimportantes, pobres, desprezíveis para uma cultura que se importa em prender para castigar, punir e que, sadicamente, quer punições cada vez mais cruéis, como ferramenta de vingança, não de solução dos conflitos do convívio humano.

O problema na prisão do Dr. Moro não é o de que, na forma indigna, é assim.

É o porquê de ser assim, a mesma  razão de estar sendo prorrogada além, muito além, do que seria necessário para garantir a investigação.

É que é, já agora indisfarçadamente, um instrumento de coação, destinado a obter ao confissão do que se quer, pouco importa se real ou não.

É mais perverso do que seria um tapa ou um chicote de um bruto, de um meganha medieval, porque é brandido por homens de fino trato, acostumados a linhos e ágapes, não a comer com as mãos ou a defecar com platéia.

Um retrato da diferença entre brutalidade, própria dos brutos, e tortura, um ato deliberado em que o prazer sádico consiste faze-lo para obter o que se quer de alguém.

E em nome do Estado: portanto, em meu e em seu nome.

Como os homens que estão lá, obrigados a fazerem suas necessidades em público, também é em público que a Justiça brasileira pratica as suas necessidades políticas, com alguns latinismos e muitas folhas de jornal a fazerem às vezes de cortina para a imundície.

O que Moro tem a dizer sobre as condições
em que vivem os presos da Lava Jato?

Paulo Nogueira
A Folha confirmou, sem citá-lo, algo que presumo não fazer parte de seu manual de jornalismo, Paulo Henrique Amorim.

Poucos dias atrás, PHA gravou um vídeo em que relatou as condições abjetas em que vivem na cadeia, em Curitiba, os presos do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato.

Folha foi atrás da pauta, com uma de suas jornalistas mais prestigiadas, Mônica Bergamo, e encontrou exatamente o quadro descrito no vídeo de PHA. (Vejo agora, ao fazer uma breve pesquisa, que o Globo também seguiu a PHA. Imagino o quanto ele tenha rido com isso tudo.)

Não é algo que honre muito Moro a vida que levam os detidos.

Os presos da Lava Jato têm, em cada cela, um arremedo de banheiro que utilizam, seja para que for, à vista de todos.

Nas refeições, uma faca de plástico incapaz de cortar carne os obriga a comer com a mão.

No capítulo das misérias, foi-lhes proibido o uso de relógio na prisão, o que significa ficar o dia inteiro sem saber as horas. É algo particularmente torturante para quem está preso e não tem nada a fazer. Também não podiam ler.

Há uma clara situação de direitos humanos violados, sob o comando de Moro, e é um horror que a mídia tenha ficado inerte até que PHA se movimentasse.

Inerte, não. Com sua habitual canalhice, a Veja, em dezembro, teve acesso ao dia-a-dia dos presos.  O texto sugeria que eles tinham regalias dignas de um hotel.  A revista disse ter ouvido uma familiar, que teria afirmado o seguinte:  “Não há do que reclamar do ponto de vista humanitário.” 

Quem acredita que essa familiar exista, e que a frase seja genuína, acredita em tudo, como disse Wellington.

Nunca nenhuma grande empresa jornalística fez uma campanha pela melhora das prisões brasileiras.

Tanto dinheiro público jorrando nelas – anúncios, compras de livros e assinaturas, financiamentos camaradas em bancos oficiais – e mesmo assim nenhum jornal ou revista separou, em qualquer instante, os recursos necessários para lutar por uma causa social tão relevante.

Você conhece um país por suas cadeias, e as brasileiras são degradantes. Na Noruega, numa missão jornalística, visitei o presídio de Bastoy, próximo de Oslo. Os prisioneiros vivem em chalés, dispõem de cavalos e campos de futebol para se entreter e, nos finais de semana, podem receber parentes e amigos para um churrasco.

Naturalmente, podem usar relógios à vontade.

A isso se dá o nome de civilização.

“Nosso objetivo é recuperar os presos, e isso não se consegue submetendo-os a castigos e humilhações sem sentido”, me disse o diretor da cadeia de Bastoy, uma referência mundial.

Quando a imprensa vai criar vergonha e pressionar por condições humanas para os presos?

Tenho a resposta. Apenas quando o dono de alguma grande empresa jornalística for preso.

Sonegação, em sociedades avançadas, dá cadeia. O antigo presidente do Bayern, que era tido como cidadão modelo na Alemanha até que se descobrisse uma conta secreta na Suíça, cumpre sentença hoje de cinco anos numa prisão alemã.

Arrependido, ele decidiu não recorrer da decisão da Justiça, por entender que dera um péssimo exemplo para os alemães e tinha que mitigar os danos à sociedade de alguma forma simbólica.

Só assim a imprensa se mobilizará: no dia em que um dos barões enfrentar uma situação parecida com a dos detidos da Lava Jato.

Tão entretida em bajular Moro por motivos ideológicos e partidários, os donos da mídia fecharam os olhos para seu lado b, assim como já tinham feito com Joaquim Barbosa.

Nosso garoto-pobre-que-mudou-o-Brasil, aspas e gargalhada, inventou uma empresa em Miami para driblar o fisco americano na compra de um imóvel. Mesmo assim, por ter sido poupado pela mídia amiga, ainda se julga em condições de dar lição de moral aos brasileiros.

A revista Época, da Globo, disse há pouco que Moro é um dos homens que “estão mudando” o Brasil.

É muita gente “mudando” o Brasil para que tudo – vantagens, privilégios de um pequeno grupo – permaneça exatamente como está desde sempre.