domingo, 20 de setembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Quem diria! I

papa fidel castro

Quem diria! II
O detalhe traduzido na foto não está em muitos descobrirem que Fidel não come criancinhas nem estupra freiras. 

Está em descobrir-se que Fidel veste Adidas!

Antes dos interesses
Até o fim da Primeira Guerra Mundial o Oriente Médio, como um todo, e a Síria em particular, viveram em paz por cerca de quatro séculos. Síria – então integrante do Império Otomano – vivia em paz. Ainda que as mais diversas etnias e religiões presentes sob o mesmo crivo governante, o Sultão de Constantinopla.

O Oriente Médio foi dividido entre Inglaterra e França. Síria e Líbia para segunda, o restante para os ingleses. Ultrapassada a Segunda Guerra a configuração regional adquiriu outro estágio, com a criação e instalação do Estado de Israel no espaço habitado pelo povo Palestino, onde antes também reunidas as mais diversas religiões e etnias em convivência pacífica.

Ter-se tornado a região um polo de conflito pode ser compreendido a partir dos interesses em jogo. Hoje aprofundado pelo ethos do fundamentalismo religioso.

Inicialmente os países da Europa à frente; atualmente também os Estados Unidos. Todos alimentaram o barril de pólvora que hoje gera a maior tragédia migratória depois da segunda Guerra.

A Europa  na comodidade construída para si na esteira da União Europeia  se vê forçada a conviver  e encontrar uma solução  para o problema que alimentou a partir de quase um século.

A insensibilidade que norteou declarações de chefes de estado tem encontrado em diversas populações e, principalmente, na imprensa o contraponto para enfrentar tal tragédia.

Começa-se a entender que a compaixão  quando nada  precisa estar presente para superar a insensibilidade. Que encontra argumento na observação sobre a história no curso do último século. Dialetizando em torno dos interesses que levaram ao estágio atual.

Sucesso

Por aqui  como em parte considerável do planeta  o assunto causa arrepios, ainda que as poucas experiências provoquem reflexão. Afinal, durante um século o uso da maconha tornou-se tema proibido e móvel de repressão estatal. 

Aquela parcela que olha o fato concreto (maconha) como coisa do Diabo certamente achará estranho que a liberação da dita cuja tenha dado resultado no âmbito fiscal, como o sucesso decorrente no estado do Colorado, nos Estados Unidos.

O Opera Mundi aqui destaca o fato de que o Colorado suspendeu por um dia a arrecadação de imposto sobre a comercialização da cannabis em razão do excesso de imposto sobre comercialização (10%) e produção (15%) em favor do erário, que fez superar a receita dentro dos critérios ali estabelecidos. 

Por lá o excesso de arrecadação  em relação à prevista  leva o poder público a dispensar a arrecadação como medida compensatória.

No Colorado  a permanecer a situação  produzir e vender maconha é sucesso para a arrecadação.

"Picnic de abutres..."
O livro foi publicado em 2014. Nos Estados Unidos, escrito por jornalista que também conhece(u) as coisas daqui, que se dedica à investigação de escândalos e quejandos que os alimenta, incluindo governantes.

Trata-se de "Picnic de Abutres - Em Busca dos Porcos do Petróleo, Piratas da Energia e Carnívoros da Alta Finança", 456 páginas, aqui lançado pela Alta Books, do norte americano Greg Palest, que romanceia no plano da não-ficção em torno dos artifícios (criminosos) do sistema político-financeiro.

A (nada) heroica participação brasileira fica a cargo de FHC, a partir da página 347. Onde revelados fatos (documentados) que a maioria dos brasileiros desconhece. Alguns detalhes aqui, em 'resenha' de Ana Cláudia Dantas para o GGN.

In dubio pau no reo
A Polícia Federal dispõe dos dados: a propina de 5,6% sobre 1,1 bilhão de reais da calha do rio Tietê, a partir de análise sobre documentos da Camargo Correa que instrui procedimento sob responsabilidade da PF.

Não apura se não quiser. Ou se somente houver tucano no ‘negócio’.

Certeza mesmo de que os 5,6% venham a se constituir apuração e alcançar algum político só no caso de haver algum petista beneficiado/relacionado.

Ou pelo menos citado. Aí in dubio pau no reo.

Ig Nobel
Lamentável que alguns pensadores do direito brasileiro não possam participar do IG Nobel, a hilária premiação do inusitado ao redor do mundo.

Este ano a premiação alcançou diversas categorias: A descoberta de que o termo "huh" se encontra em todas as línguas do planeta(Linguística); a experiência de deixar-se picar por abelhas para demonstrar os locais mais sensíveis, incluindo 'picada' no pênis (Fisiologia); a conclusão de que todos os mamíferos (do elefante ao gatinho, à guisa de exemplo) levam o mesmo tempo para esvaziar a bexiga (Física); o 'descozimento' de ovos (Química); a premiação a policiais na Tailândia que recusam suborno (Economia); que uma galinha com um peso no traseiro caminha como um dinossauro (Biologia).

Como ainda somos uma sociedade não alcançada pelos observadores do Ig Nobel perdemos a oportunidade de ver Gilmar Mendes premiado como exemplo de isenção política na alta corte do Judiciário.

Entre o suspense e o terror, ou a fuga de Gilmar
O clássico de Hitchcock ecoa no tresloucado gesto do ministro Gilmar Mendes durante julgamento no STF, quando enfrentado em razão de aspectos fáticos postos em seu voto: assombra lançando os ‘pássaros’ todos contra as instituições democráticas, o tema monocórdico de suas declarações.

Muito bem interpretado e traduzido por Pataxó.



Dedo petista
A reforma da educação sancionada pelo prefeito Fernando Haddad leva a efeito propostas altamente inovadores para a Educação brasileira, caso posta em prática no curso dos próximos anos.

A começar pelo aumento de recursos destinados à Educação, que alcançarão 33% do orçamento corrente do município de São Paulo. 

Outro ponto do novo Plano Municipal de Educação: zerar a procura por creches em dez anos, o que pode ocorrer já em 2018, segundo o prefeito, uma vez que o ritmo de abertura de creches está no nível de uma por dia.

Outro avanço  para os padrões nacionais  é a redução de alunos por sala, em torno de 15% a 20% por turma, que deverá ficar no máximo entre 10 e 20 por sala. A meta tende a ser retardada quanto ao objetivo, em razão do fato de ser evitada a redução de oferta, o que implica em criação de novos espaços. Ou seja, não deve ser sacrificada a garantia de acesso.

A participação da sociedade ficou assegurada com o reconhecimento do Fórum Municipal da Educação como instância de debate e elaboração das propostas para a educação municipal

Gostaríamos de trazer a este espaço iniciativas como essa (pelo menos o aumento de recursos destinados à Educação) em todos os municípios brasileiros, qualquer que seja o matiza partidário do gestor.

Histórica, sim!
Nessa conturbada fase da política nacional, onde a insensatez motivada em interesses individuais norteia a (des)construção das instituições, sob o jargão do ‘combate à corrupção’, uma decisão do STF pôs termo a muito do que se pensava produzir em nível do histórico avanço privado sobre o Estado.

Sob este viés – a corrupção – menos se construía em nível de combate e mais se alimentava o processo que a sustentava: o financiamento empresarial de campanhas político-eleitorais, sustentáculo da apropriação do Congresso por grupos privados para saciamento de sua gulodice.

A tartufice sustentava a contradição: combata-se a corrupção, mas não combata a sua causa.

Não à toa, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) pugnava pela conclusão da decisão sustada pelo pedido de vista do ministro Gilmar Mendes (desde abril de 2014) e levanta loas aqui – através de seu presidente, João Ricardo Costa – à decisão do STF que definiu o fim do financiamento de empresas a campanhas políticas.

Diz o magistrado:

O voto de cada brasileiro passa a ter o mesmo peso. A decisão do STF é a melhor notícia que o Judiciário poderia dar à sociedade brasileira para combater a corrupção no País”.

De longe, a maior fonte de arrecadação para a corrupção vem de empresas privadas. Essas empresas não fazem filantropia, são corporações interessadas em influir nos rumos da economia e articular regras que lhes sejam favoráveis.

Muitos somente perceberão o momento histórico vivido no futuro, já a partir das eleições municipais de 2016.

Reforma I
A reforma que o Congresso não admitiu fazer – desde que negou a participação direta do eleitor através de uma constituinte exclusiva para tal mister – acaba de ser exercitada pelo STF.

Em definitivo.

Há muito se sabe e tem sido dito que o financiamento empresarial é a fonte mor da corrupção. Não fora o fato de golpear a democracia representativo-popular ao formar bancadas específicas de grupos empresariais e financeiros para corresponder a seus interesses em nível congressual.

Ainda que alardeado como caminho por aqueles que o elaboraram, o primeiro golpe contra a corrupção não veio da Lava jato, tampouco das prisões e espetáculos promovidos por Moro, delegados e procuradores.

A doença está contida, e lançada a pomada para cicatrizar a ferida: não mais dinheiro empresarial para custear políticos e retornar pelo ralo da corrupção.

Em termos absolutos, não afirmemos. Mas que ficou difícil, muito mais difícil, ficou.

Os feitos já serão percebidos em 2016.

Reforma II
Há quem diga que a farra do boi não acabou. Que o financiamento empresarial alimentaria o caixa 2 (ilegal), uma vez que não mais possível o caixa 1 (legal). 

O detalhe se esconde no fato simples de que basta financiar para constituir crime. Criminalizado está não mais o caixa 2, por qualquer fonte, mas o financiamento em si, o empresarial.

Para quem duvida, basta tentar. Já a partir de 2016.

Sem conteúdo e disforme
Depois de proferir voto brilhante, dentro de premissa constitucional em defesa do direito individual, ao enxergar inexistência de crime por porte de droga ilícita para consumo próprio o ministro Gilmar Mendes retornou às origens e pôs os pés adiante das mãos ao proferir longo voto na ação (onde já derrotado) que acatou a proposta da OAB por reconhecer inconstitucionalidade no financiamento empresarial de campanhas político-eleitorais.

Faltou-lhe – ao ministro GM – conteúdo e forma, esquecendo-se até da pretensão da sociedade (de ver abolido o financiamento) e não bastou-se em exercitar o costumeiro ranço político-udenista-tucano e passou a desancar governo, advogados e sua OAB.

Escancarou – vestindo a camisa – a sua função político-partidária. Ou seja, o seu voto de cinco horas foi nada mais um voto partidário. 

Quem não sabia passou a saber que Sua Excelência faz oposição ao governo e ao PT dentro do Supremo Tribunal Federal.

Sem conteúdo e disforme para com a realidade Gilmar Mendes, como ministro, mostrou a cara de político tucano.


E não soube perder
O despreparo e desequilíbrio emocional de Gilmar Mendes escancarou a dimensão moral do ministro no âmbito de sua função de julgador.

Depois de cinco horas fazendo o que quis fazer, inclusive política partidária, não suportou uns poucos instantes de réplica. Habituado a falar sozinho para uma platéia que sempre o aplaude (os colegas de campanha contra Dilma, Lula e PT) se viu obrigado a calar, quando o Presidente do STF manteve a palavra da OAB com a singular expressão "Quem preside a sessão sou eu, ministro.

Então fugiu da raia. E  deselegantemente  deixou a sessão de julgamento carregando os seus agouros. 



Asas cortadas
Gilmar Mendes sentia-se o dono da cocada. Como não havia doceiro outro na cidadezinha de seu sonho mandava e desmandava, temperava como queria, vendia só a quem desejasse. Não bastasse ter o controle dos ingredientes, todos adquiridos e manipulados por ele. Ainda aplaudido.

Um dia alguém pediu licença para tentar uma pequena quantidade de doce. Não prejudicaria sua concorrência. Pensou-se magnânimo.

A porta de sua doceria foi arrombada.

O gesto tresloucado de Gilmar Mendes em querer transformar um voto seu no STF em discurso político-partidário de oposição ao Governo levou-o a imaginar que – diante dos aplausos sempre recebidos fora do plenário da Casa – faria calar a vitoriosa ação, cujo resultado conclusivo retinha com pedido de vista.

Deram-lhe asas e quando pensava voar para o infinito cortaram-nas.

a.M / d.M
Não escrevemos por proselitismo, tampouco para contrariar quem quer que seja. Mas a passagem de Juvenal Mainart pela CEPLAC deixa um legado que só o tempo e o desprendimento na análise permitirão compreender.

O órgão - que registrava lamúria e aguardava extinção - novamente é lembrado e volta a tornar-se âncora para a cultura do cacau, agora olhada com olhos da atualidade.

Caso nada houvesse sido feito por Juvenal bastavam a inserção da CEPLAC no âmbito da produção de chocolate (não como indústria, mas como fomentadora técnica), a integração ao complexo acadêmico, através da Universidade Federal do Sul da Bahia e valorização das terras de plantio.

E tudo sem aqueles 10% sobre as exportações.



domingo, 13 de setembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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A foto fala
Retrato de a quantas anda o preconceito contra imigrantes na Europa, berço da Civilização Ocidental. A postura xenófoba – praticada como política de Estado ao tempo de Esparta – tornou-se câncer da contemporaneidade européia.

A repórter cinegrafista não se bastou em gravar a cena de um imigrante tentando alcançar o território húngaro, após romper a barreira policial de fronteira. Intervém, expondo a sua índole, e passa uma rasteira no pai – que carrega um filho nos braços – derrubando-os. Até crianças a ‘heroína’ andou chutando.

A foto fala.

Como o Brasil já recebeu milhares de húngaros, aproveitando-se do fato alguém na rede sugeriu que ela – agora desempregada – venha para o Paraná, do governador Beto Richa, para atuar com a polícia paranaense na derrubada de professores durante manifestação. 

Aproveitando para produzir as cenas para o programa da Sherazade.



Refugiados
Ainda que tenham sido tomadas algumas iniciativas – tênues – a situação de refugiados clama por uma solução. Que começa pela supressão de bombardeios sobre populações civis, uma vez que os povos estão fugindo de guerras.

O atual estágio beira a barbárie. As fotos lembram campos de concentração: dentro ou fugindo deles.

            foto refugiados           

Insensatez
Tendem a denominar as Olimpíadas da Coreia do Sul como "Olimpíadas Verdes".

Para dar lugar às instalações de uma pista de esqui estão destruindo uma reserva florestal com indivíduos de 500 anos, como denuncia o avaaz. Com o singular detalhe de nela haver quatro espécies em extinção.

Entre a suspeita e o indício
Suspeitar demanda a certeza de algo por provar. A existência de indícios e não de presunção. A denominada justa causa exige, pelo menos, sinais evidentes da prática ilícita.

Em Itabuna – em tempos pretéritos – um titular do Ministério Público Estadual desenvolveu a figura do ‘inquérito civil preventivo’, contra o então gestor municipal, através do qual buscava as provas que não tinha. Fazia-o – aí o absurdo – sem que mesmo houvesse uma denúncia qualquer, ainda que anônima. Fez escola.

Um delegado federal presume – ainda que afirme não existir provas – que o ex-presidente Lula tenha sido beneficiado pelo esquema de propina da Petrobras. Para tanto, pede que seja ouvido.

Ou seja, como no precedente itabunense, não tem provas e deseja que aquele a quem pretende acusar/indiciar confesse que cometeu ilícito.

Caso se reconheça no valoroso servidor a vontade de apurar crimes, cabe apenas indagar ao ilustre/ilustrado delegado, considerando a denúncia de Yousseff, tanto na Lava jato como na CPI: por que não pede a ouvida de Aécio Neves para falar sobre os desvios de Furnas, através de Janene, que o teriam beneficiado com valores entre 100 e 150 mil dólares mensais?

A sua atuação tenderia a fazer sucesso. Afinal entre a suspeita pura e simples e o indício o segundo sinaliza para o sucesso. Basta seguir o dinheiro, a partir de sua origem.

Preocupante
A Folha, nesta sexta 11, especulou em torno da saída de Aloísio Mercadante da chefia da Casa Civil. O Planalto desmentiu veementemente.

O desmentido preocupa.

Na frigideira
Como manteiga posta em frigideira quente a audiência da TV Globo vai contabilizando reveses. Sinais de grave doença na outrora imbatível platinada.

O futebol sempre foi o carro-chefe da Globo. Na terça – ainda que transmitindo jogo da seleção brasileiro – pouco ultrapassou os 24 pontos. Em 0,1.

A coisa não anda boa. A audiência está – literalmente – derretendo, como vaselina posta ao sol. Que o diga a audiência do Jornal Nacional, na quinta 10 e seus 23,1... Uma novela da Record já alcança 18 pontos. Coisa inimaginável em tempos não distantes.

E vem gente dizer que o Netflix já ocupa mais de 5 horas do brasileiro por semana.

Nem assim!
O Ministério Público de São Paulo pede a devolução de 1 bilhão de reais, desviados do escândalo de trens e metrô paulistanos. Busca as empresas. Foge, no entanto – como o Diabo da cruz – de citar os responsáveis nos governos de José Serra e Geraldo Alckmin pela falcatrua.

Os fatos vão se avolumando. Materializam fortes indícios de prática criminosa a confirmar o que anda denunciado. Mas a defesa “branca” do tucanato permanece afoita.

Por essas e outras alguém na rede (Totonho) pinçou o seguinte, parodiando a oposição a Getúlio Vargas em 1950: “Tucano não pode ser denunciado, se for, não pode ser investigado, se for, não pode ser julgado, se for, não pode ser condenado. Com a palavra, começando pela letra A, Azeredo, Aécio, Anastasia, Aloysio e Alckmin."

Deboche
O ministro Gilmar Mendes, no dia imediato em que a Câmara aprovou o financiamento empresarial e privado para campanhas político-eleitorais, devolveu o processo que guardava desde abril de 2014, quando já derrotado por 6 x 1.

Como devolveu no imediato, tem-se que seu voto já estava definido. Apenas segurava-o para fazer política partidária, já que quem defende tal financiamento mais está nas fileiras do ideologismo político de Sua Excelência.

No mínimo, um deboche.

Temos que, muito a propósito, o artigo “Judicatura e dever de recato”, do ministro Ricardo Lewandovsky na Folha de São Paulo – aqui disponibilizado através do Conversa Afiada, enfrenta o deboche, ao concluir:

“O protagonismo extramuros, criticável em qualquer circunstância, torna-se ainda mais nefasto quando tem o potencial de cercear direitos fundamentais, favorecer correntes políticas, provocar abalos na economia ou desestabilizar as instituições, ainda que inspirado na melhor das intenções.

Por isso, posturas extravagantes ou ideologicamente matizadas são repudiadas pela comunidade jurídica, bem assim pela opinião pública esclarecida, que enxerga nelas um grave risco à democracia.”

Hecatombe
Uma agência de risco rebaixou a nota do Brasil. Uma parcela considerável de economistas  do nível 'cabeças de planilha' como já os nominou Luiz Nassif em livro  fez a festa. Para eles festa é o caos para qualquer um que não leia em suas cartilhas.

A propósito, do mesmo Luiz Nassif, um artigo (Para entender a lógica da S&P aqui) delimita com precisão a 'disputa entre o rentistas e a economia re real: "A disputa dá-se em torno do orçamento público. Os rentistas se apropriam dele através dos juros; a economia real através de subsídios ao crédito e compras públicas; o cidadão através de gastos sociais e com serviços públicos."

Posto em evidência que há interesses em jogo (no caso, dos rentistas) cabe avaliar a efetiva repercussão e a credibilidade da fonte em relação à economia brasileira.

Para tanto, alguns rodapés como pinceladas:

Quem é a S&P
A indigitada figura acaba de ser condenada a pagar pelos prejuízos causados por suas 'avaliações' e 'orientações' no escândalo das bolhas de subprime de 2007/2008.

Ou seja, pagou porque errou dolosamente, por fraude, enganando os investidores. E errou em favor de quem? Dos rentistas, naturalmente.

Por afirmar a qualidade do 'investimento' no subprime pagará US$ 1,37 bilhão ao governo e, por enquanto, outros US$ 125 milhões a fundos de pensão da Califórnia.

bessinha os veio

Unanimidade
Afastada a 'unanimidade' de economistas em defesa do rentismo  ou seja, aquela que vê no sistema financeiro a solução para o planeta – o fato concreto sustenta a certeza de uma tentativa de ataque especulativo contra o país.

Para uma parcela de economistas outros aqui a S&P errou ao rebaixar a nota do Brasil.  

A realidade
A situação do Brasil  ainda que no contexto de uma economia mundial claudicante  não se apresenta nos moldes que justifique o rebaixamento. Afinal, o país tem cumprido todas as obrigações contraídas, tem reservas consideráveis em dólares etc. etc. 

O que há – como observa Moniz Bandeira aqui – é um jogo complexo, por onde transitam os interesses mais vários, inclusive em dimensão geopolítica (Brasil e Brics etc.), onde presentes interesses econômicos e políticos dos EUA.

Traque
Bombinha de bater. Esta a dimensão do rebaixamento do Brasil para a S&P. Veja o leitor, por exemplo, a repercussão em relação a Petrobras aqui

Nenhuma, além da especulação em si, que ocorre porque o sistema financeiro está fundado no capitalismo não-produtivo, o de especulação. A quem servem as agências de risco.

bessinha standard and poors

Avaliação
Estando elas, as agências de risco, a serviço do sistema financeiro especulativo reta perguntar-lhes: como estão os EUA, a França, a Espenha, a Itália etc. etc.?

Como observou Lula, em fala na Argentina:

— Eu fico pensando: é engraçado, como é que eles têm facilidade para tomar medidas quando a dor de barriga é na América Latina. Ou seja, todo mundo sabe quantos países da Europa estão quebrados e eles não têm coragem de diminuir o “investment grade” de nenhum país.

Detalhe
O rebaixamento do investment grade brasileiro pela S&P torna-o, ainda, neste período Dilma mais alto que no período Lula e muito mais que no de FHC (que por três vezes foi com a cuia na mão em busca do FMI).

Enquanto isso
Investimento anda no passo ansiado. Mesmo que sob política econômica a serviço da especulação. 

Que o digam a Transnordestina e a Transposição do São Francisco.

O objetivo do projeto é aumentar a competitividade da produção agrícola




Geraldo Vandré
Nestes tempos bisonhos, de sonho nenhum, de gritos vazios, de festa sob incelência, não custa trazer à lembrança um sonhador em termos outros.

Geraldo Vandré hoje completa 80 anos. Dos cantos tantos  inclusive com o baiano de Ubaitaba Fernando Lona  escolhemos "Disparada". Aqui trazida a partir do instante em que colheu as flores de um outro público, de outras ideias, sonhos e compromissos.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A propósito

De Ayslan
Transcrevemos a íntegra do texto de Leonardo Boff, a propósito do estágio que vivemos no que denominam de Civilização.


O Jornal de todos Brasis


Do Jornal do Brasil

Leonardo Boff

O pequenino sírio de 3 a 4 anos jaz afogado na praia, pálido e ainda com suas roupinhas de criança. De bruços e com o rosto voltado ao lado, como quem quisesse ainda respirar. As ondas tiveram piedade dele e o levaram à praia. Os peixes, sempre famintos, o pouparam porque também eles se compadeceram de sua inocência. Ayslan Kurdi é seu nome. Sua mãe e seu irmãozinho também morreram. O pai não pôde segurá-los e lhes escaparam das mãos, tragados pelas águas.

Querido Ayslan: você fugia dos horrores da guerra na Síria, onde tropas do presidente Assad, apoiado pelos ricos Emirados árabes, lutam contra soldados do cruel Estado Islâmico, esse que degola a quem não se converte à sua religião, tristemente apoiado pelas forças ocidentais da Europa e dos Estados Unidos.  Imagino que você tremia ao som dos aviões supersônicos que lançam bombas assassinas. Não dormia de medo de que sua casa voasse pelos ares em chamas.

Quantas vezes você não deve ter escutado de seus pais e vizinhos quão temíveis são os aviões não pilotados (drones). Eles caçam as pessoas pelas colinas desérticas e as matam. Festas de casamento, celebradas com alegria, apesar de todo o horror, também são bombardeadas, pois se supõe que no meio dos convidados deverá haver algum terrorista.

Talvez você nem imagina que quem pratica essa barbaridade e está por trás disso tudo, é um soldado jovem, vivendo no Texas num quartel militar. Ele está sentado tranquilo em sua sala diante de imensa tela como de televisão. Através de um satélite mostra os campos de batalha da sua terra, a Síria, ou do Iraque. Conforme a sua suspeita, com um pequeno toque num botão dispara uma arma presa no drone. Nada sente, nada escuta, nem chega a ter pena. Lá no outro lado, a milhares de quilômetros, são mortas subitamente 30-40 pessoas, crianças como você, pais e mães como os seus e pessoas que nada têm a ver com a guerra. São friamente assassinadas. Lá do outro lado, ele sorri por ter acertado o alvo.

Por causa do terror que vem pelo céu e pela terra, pelo pavor de serem mortos ou degolados, teus pais resolveram fugir. Levaram toda a família. Nem pensam em arranjar trabalho. Apenas não querem morrer ou  serem mortos. Sonham em viver num país onde não precisam ter medo, onde possam dormir sem pesadelos.

E você, querido Ayslan, podia brincar alegremente na rua com coleguinhas cuja língua você não entende mas nem precisa, porque  vocês, crianças, têm uma linguagem que todos, os meninos e meninas, entendem.

Você não pôde chegar a um lugar de paz. Mas agora, apesar de toda a tristeza que sentimos, sabemos que você, tão inocente, chegou a um paraíso onde pode enfim brincar, pular e correr por todos os lados na companhia de um Deus que um dia foi também menino, de nome Jesus, e que, para não deixá-lo só, voltou a ser de novo menino. E vai jogar futebol com você; você vai poder pegar no colo um gatinho e correr atrás de um cachorrinho; vocês vão se entender tão bem como se fossem amigos desde de sempre; juntos vão fazer desenhos coloridos, vão rir dos bonecos que fizerem e vão contar histórias bonitas, um ao outro. E se sentirão muito felizes. E veja que surpresa: lá estará também seu irmãozinho que morreu. E sua mãe vai poder abraçá-lo e beijá-lo como fazia tantas vezes.

Você não morreu, meu querido Ayslan.  Foi viver e brincar num outro lugar, muito melhor. O mundo não era digno de sua inocência.

E agora deixe que eu pense com meus botões. Que mundo é esse que assusta e mata as crianças? Por que a maioria dos países não querem receber os refugiados do terror e da guerra? Não são eles, nossos irmãos e irmãs, habitando a mesma Casa Comum, a Terra? Esses refugiados não cobram nada. Apenas querem viver. Poder ter um pouco de paz e não ver os filhos chorando de medo e saltando da cama pelos estrondos das bombas. Gente que quer ser recebida como gente, sem ameaçar ninguém. Apenas quer viver o seu jeito de venerar Deus e de se vestir como sempre se vestiu.

Não foram suficientes dois mil anos de cristianismo para fazer os europeus minimamente humanos, solidários e hospitaleiros? Ayslan, o pequeno sírio, morto na praia é uma metáfora do que é a Europa de hoje: prostrada, sem vida, incapaz de chorar e de acolher vidas ameaçadas. Não ouviram eles tantas vezes que quem acolhe o forasteiro e o perseguido está anonimamente hospedando Deus?

Querido Ayslan, que a sua imagem estirada na praia nos suscite o pouco de humanidade que sempre resta em nós, uma réstea de solidariedade, uma lágrima de compaixão que não conseguimos reter em nossos olhos cansados de ver tanto sofrimento inútil, especialmente, de crianças como você. Ajude-nos, por favor, senão a chama divina que tremula dentro de nós, pode se apagar. E se ela se apagar, então afundaremos todos, pois sem amor e compaixão nada mais terá sentido neste mundo. 

De Leonardo Boff, um vovô de um país distante que já acolheu muitos de seu país, a Síria, e que se compadeceu com sua imagem na praia e lhe fizeram escapar doloridas lágrimas de compaixão

domingo, 6 de setembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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A Firmino Rocha
Entre o absurdo e o natural, como ilustrado por Reginaldo Nasse no Facebook, veio-nos à lembrança o poeta itabunense (1910-1971) a dizer-nos que a tragédia humanitária permanece. 

E sacrificando inocentes, como o menino sírio.


Não tinha um fuzil o menino 

Queria apenas ser menino 

Viver como menino.

Não há maio de Firmino 

nem setembro, nem dezembro 

Nem mesmo há mais o menino

Natureza morta
A foto do menino morto é a morte da Humanidade toda que alimenta este morticínio. Em todos os vieses: pela fome, pelo fundamentalismo (judeu-muçulmano), pelas desigualdades todas que sustentam isso que chamam de Civilização, pela riqueza de todos concentrada em uns poucos.

O exemplo da Europa, berço da cultura Ocidental, analisado por Leonardo Bofff aqui, desconstrói as utopias.

Resta o sonho de como cada um aqui vê o menino que se foi, simbólico em sua expressão última.

O que teme Janot?
O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, requereu apuração e investigação sobre as campanhas de Lula e Dilma, fundado em delação premiada no seio da Lava Jato. Nada faz além da obrigação.

No entanto, na mesma Lava Jato há delação premiada citando Aécio Neves como beneficiário da famosa “lista de Furnas”. 

Mais que isso: há contra Aécio o resultado das apurações realizadas pela procuradora Andrea Bayão, concluídas desde 2012, confirmando os fatos da lista de Furnas, fato bem ilustrado por Conceição Lemes, no Viomundo aqui.

Até agora Rodrigo Janot não viu culpa em qualquer tucano.

Caso não seja aquela coisa de ‘um dia é de caça ao PT; o outro também’, cabe indagar: o que teme Janot?

Lições diversas
Considerando o atual inferno astral da presidente Dilma Rousseff – em muito agravado pela incompetência de alguns (não afirmemos muitos) de seus escudeiros imediatos alguém poderia lembrar aquele vivido por FHC no início de seu segundo mandato.

Na esteira do raciocínio a oposição de hoje vislumbraria a certeza de que a situação perderá a eleição de 2018, como a de ontem enxergava o final do mandato de FHC visando 2002.

Alguns fatores, no entanto, não alimentam tal certeza. A primeira delas, a insistência de pesquisas afirmando que Lula será derrotado fragorosamente por qualquer dos tucanos Aécio, Alckmin e Serra.

Já consideramos neste espaço a razão da suspeita ‘insistência’: temor a Lula.

Outras vertentes, ainda, vêm-nos à mente, levando em consideração as situações de Dilma e FHC em início de segundo mandato. 

A primeira delas é de que a situação pretérita de cada um é bastante diversa: as políticas sociais e de redução das desigualdades promovidas por um e outro mais se afirmam por fazer continuar o projeto em favor do atual governo.

A segunda,é bastante elucidativa: o candidato (possível) de Dilma se chama Lula e não Serra. O que dispensa racionamento e apagão no final do governo Dilma. 

Não brinquem com fogo! I
O deputado Marco Feliciano acionou Eduardo Cunha para por em andamento uma interpelação judicial contra a ex-deputada Luciana Genro. Tudo em decorrência de diálogos tuitais:
Não brinquem com fogo! II
No caso sob comento, ainda que esteja na moda a utilização da delação premiada ou do domínio do fato, mesmo do dolo eventual de Moro, ainda que em nível judicial a prova deva ser pré-constituída, moralmente não custa provocar por exame de sangue e de urina de quem não tenha culpa para ver quem tem razão.

Coisa assim que pode se desdobrar em fato como naquela manchete “Metade da Câmara é de ladrões” substituída por “Metade da Câmara NÃO é de ladrões”. (O fato do "Febeapá" pontepretano, decorreu da indignação de vereadores de uma localidade cearense em relação a uma manchete do jornal local que acusava a metade da composição por falcatruas).

Imagine a ex-deputada Luciana Genro se oferecendo a um exame público e desafiando Marco Feliciano e colegas a fazê-lo. E  por um destes acontecidos  um deputado  e mais outro... e mais outro...  resolva mostrar que não faz parte da turma!

Quem não participar assume a culpa. Inclusive senador. 

Tempos bicudos
O tucanos são bicudos. Mas nunca imaginaram ter um Bicudo como aliado.

Nem os filhos!
Registramos neste espaço, na quarta 2 (As faces da gênese), nossa incompreensão diante da posição do ex-petista Hélio Bicudo em protocolar pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Destacamos o fato de que  para alguém que contribuiu para a elaboração das políticas de Estado postas em prática pelo PT  constituía-se numa postura que beirava o nonsense e a estupidez.

Algum leitor pode ter-nos visto como um exagerado. Mas, nem os filhos de Hélio Bicudo concordam com ele. aqui

Pedido pra quê?
A OAB pede ao STF a concessão de liminar para que, nas eleições de 2016, sejam impedidas as doações por empresas. É a solução que tenta diante do ilustre ministro haver sentado  com pedido de vistas  na ação de inconstitucionalidade já vitoriosa por 6 x 1 e segura por Gilmar desde abril de 2014.

Corre a OAB o risco de o ministro Fux, relator, levar o tema ao plenário. E novamente Gilmar Mendes pedir vistas.

Bem que poderia a OAB fazer um favor à sociedade  e à Justiça em si – pedindo o impeachment de Mendes junto ao Senado.

charge bessinha gilmar

É demais!
Mercadante manda avisar a Paul Singer: o cargo que ocupa desde 2003 ‘pertence ao PDT’. Singer ocupa a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) do Ministério do Trabalho e Emprego, que entra na cota de arrumação da base política no Congresso de ‘porteira fechada’ para o PDT. Outros detalhes aqui

Para o nível de mediocridade que norteia a coordenação política do Governo Federal a biografia e história aqui de Singer e seus 25 livros publicados são um incômodo. 

Como está sinalizado, a coordenação política de Mercadante vai entregar o país a qualquer um, desde que seja de um partido que possa garantir votos no Congresso.

A competência e o respeito dos Paul Singer fica para outra hora, porque agora o que interessa ao 'afundador' Mercadante é voto e não serviço.

A incompetência de Mercadante causa um prejuízo desta estirpe. Por essas e outras há quem pense que se o PT Governo visa praticar o que o PSDB e quejandos sempre praticaram que então entregue o poder. 

A não ser que apenas defenda alguns cargos. Como o de Mercadante.

Mais de 1 milhão de barris
Assim caminha a produção da Petrobras no pré-sal. Já contribui com mais de 1/3 de toda a produção da estatal. Leia mais em Pré-sal já ultrapassa 1 milhao de barris/dia

E o senador e ex-presidenciável tucano José Serra liderando o entreguismo com sua proposta de transferir o controle da exploração da riqueza às petroleiras estrangeiras.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

As faces

Da gênese
Certamente os problemas por que passa a Governo Federal – expressão da práxis político-administrativa do Partido dos Trabalhadores nestes treze anos de república – reside menos na sofrível condução da economia e mais, muito mais, no que deixou de – pelo menos – desenvolver na consciência da sociedade, esta observada naqueles segmentos evidentemente beneficiados pelas políticas de Estado desenvolvidas pelo governo petista. Paralelamente à ação governamental não foi fixada na consciência da coletividade beneficiada nem mesmo a circunstância de estabelecer a diferença comparativa no plano histórico.

Temos afirmado – inclusive à luz de experiências próximas – que em muito o pensamento do partido desenvolveu uma ‘crença’ em que a realidade imediata alteraria, pura e simplesmente, compreensão e comportamentos atávicos da sociedade brasileira. 

Nesse particular, imaginou que o exemplo da ação administrativa, representada na gestão de política sociais, se reproduziria em elogios e reconhecimentos. Que todos os estamentos sociais que lhe teriam sido adversos se deixariam deslumbrar com a revolução pacífica, somados à base correligionária que ativara as ruas durantes os anos de busca pelo poder.

A assunção do poder – como sói acontecer com a assunção de poder, em qualquer estágio – escancarou os conflitos entre as várias facções internas, de pensamentos – algumas – até incompatíveis, na prática, com a realidade de administrar o país. 

Não à toa, foram-se militantes históricos, fundadores e pensadores da experiência político-partidária que resultou na criação do PT. Muitos alegando descompasso entre o sonhado e o praticado.

O purismo destes até se justifica no plano da coerência.

No entanto, no verso do caminho duplo, perdeu o PT quadros e angariou outros tantos. Dentre os que perdeu alguns daqueles utópicos e sonhadores com a revolução universal do socialismo; outros, pela incompatibilidade no plano dos interesses imediatos. Dentre os que ‘encontraram’ no PT o porto, todos os que não conseguem conviver longe do poder, aqueles desprovidos de um mínimo de consciência histórico-política do que representa o avanço do trabalhismo consolidado na experiência petista.

Na situação presente está o Governo Federal em debate – não só interno – com as forças várias que indiretamente exercitam controle sobre as forças político-partidárias que sustentam o poder. Sob este crivo debate-se na busca de um caminho, de uma solução para superar o conflito presente no próprio organismo partidário.

E aí se defronta o PT/governo com todas vertentes: as que lhe fazem histórica oposição – muitas de conteúdo ideológico – e outras que – pela contradição entre o passado idealista e o presente oportunista  renunciam a toda história pessoal construída.

Talvez construída sobre pântano.

Somente assim podemos identificar as (não)razões de Helio Bicudo se propor a postular pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Fora ele integrante da oposição estaria no seu papel, porque ideologicamente não convém às castas por ela representada qualquer continuidade do que não lhe atende em nível de interesses.

No entanto, como egresso de um grupo de idealistas que contribuiu para formatar a construção de um Estado nacional para os brasileiros sua postura beira o nonsense e alcança a estupidez.

Basta que se lhe pergunte: substituir Dilma por quem neste instante? Por quê? É a solução (milagrosa) para tudo que de mazela foi historicamente construído neste país? Onde e como ficarão as conquistas da sociedade, a redução das desigualdades sociais e regionais etc. etc. etc.?

Enquanto as forças conservadoras do país abrem-se na defesa do respeito ao resultado eleitoral Hélio Bicudo, cínica e hipocritamente, propõe-se remar contra a corrente.

Dispensa de condenar – ou, como jurista, acionar – a omissão do Congresso e do Judiciário pela falta de compromisso para com o Brasil nação. De forma objetiva enfrentar os golpistas encastelados nos Poderes da República.

Hélio Bicudo – dito petista histórico – deixou de pensar no povo. Convertido, certamente, em favor daquilo que condenou no passado e que – ao que parece – deixou de anatematizar no presente. Mesmo que em desfavor daqueles que disse defender em tempos mais pretéritos.

Parece-nos um triste fim para quem pensou defender o futuro para este país!

Em Hélio Bicudo a verdadeira face de uma das faces da gênese petista: a que não se sustenta nas convicções.