domingo, 21 de maio de 2017

Buracos profundos

Um escândalo moral quando o filme “Garganta Profunda/Deep Throat” (1972) – pornô dirigido por Gerard Damiano/Jerry Gerard, estrelando Linda Lovelace – exibiu sexo explícito. Adotado como símbolo da liberação sexual estadunidense nos anos 70 levava a que suas cenas de sexo fossem vistas como ataque à moral hipócrita. 

Com esse nome ficou conhecido o ex-diretor do FBI Mark Felt, a fonte que orientou a investigação de Watergate, o escândalo político que levou à renúncia o presidente Richard Nixon.

Em razão de gargantas profundas o país está vivendo em buracos.

Buraco I – oportunismo
A irresponsabilidade para com o país, em defesa de interesses eminentemente pessoais (ou de grupos restritos) levou a um buraco, no campo político, milhões de vezes maior que aquele do metrô de São Paulo, no campo físico.

Uma rápida rememoração exige lembrar: movimentos desestabilizadores de 2013 visando resultados em 2014, onde beneficiários seriam os opositores do então governo, com destaque para PSDB/DEM/PPS e penduricalhos deram o passo planejado, urdido a partir do exterior descontente com o papel desenvolvido/assumido pelo Brasil no cenário da geopolítica mundial.

Correndo por fora e alimentando a fogueira Eduardo Campos e seu PSB, que teria Marina Silva no costado. Seria o tertius para o sistema caso não pudesse o PSDB ir ao segundo turno e ele, Campos, encarnaria a concentração opositora e se elegeria presidente, derrubando o governo então no poder e que viria a ser reeleito.

Não dando certo pelo viés eleitoral, o resultado foi de imediato contestado. Não por fundamento legítimo, mas por insatisfação em permanecer a classe dominante fora do controle absoluto do poder por mais quatro anos.

Em torno do projeto se uniram membros do Poder Judiciário (incluindo STF), do Ministério Público e da Procuradoria da República, do Poder Legislativo e da grande mídia capitaneada pelo sistema Globo. Não mais a prevalência do Estado de Direito, do respeito às leis. Mas a ocupação do torreão instalado no Palácio do Planalto de qualquer forma e maneira – como diz o caboclo mineiro. 

Assegurando-lhes apoio logístico forças internacionais coordenadas a partir dos Estados Unidos.

Afastada a presidente eleita assumiu o interino, que se tornou permanente, não para corresponder ao programa de governo que elegera a chapa majoritária. 

Então a crise política aprofundou-se em decorrência da ilegitimidade. Afinal, não se tratava de um vice que assumia, mas um títere para assegurar mudanças no Estado para atender aquela classe dominante em sua vertente nacional e (mais) internacional. Desmontar o patrimônio estatal amealhado nos últimos anos (o pré-sal) e fazer efetivar promessas de Malan/FHC em 1999 não materializadas em razão da vitória de Lula em 2002 através de privatizações/doações.

Ocorre que o discurso moralista – sempre incompatível, como solução, com o político – não poderia desaguar em outra coisa. Imaginar que uma viciada – historicamente – classe dominante, habituada a dar as ordens desde a Colônia, exploradora em sua essência, individualista, destituída do mínimo resquício de concepção de Pátria e Nação trouxesse solução para uma crise onde ela mesmo em muito (muitíssimo) ajudou seria acreditar em papai noel.

A composição das forças que assumiram o poder – apodrecidas por convicção e método – exacerbaram na dosagem de partilha do butim. 

Temos que uma certa insegurança quanto ao futuro e a incerteza quanto a permanência no controle levaram a uma ação de governo que escancarou sua dimensão assaltante.

E não deu outra. Porque o jogo já não tem o domínio absoluto deste ou daquele grupo, mas de um conglomerado que começou a se ver minado por denúncias fora da unidade de um controle político. Cada um vivendo outro oportunismo: o de salvar a própria pele.

Buraco II – fonte
No país onde somente um partido político – e suas lideranças – era apresentado como quadrilha única se viu, de um instante para a outro, escancarado, inteiramente nu. Nem mesmo a informação manipulada, praticada pela mídia, teve como selecionar e filtrar o que tinha que divulgar, atropelada que foi pela avalanche dos fatos.

A sequência de delações de grandes empresários atingiu um ponto sem retorno. Justamente porque o modus operandi é único: financiamento/controle privado do poder político em sua dimensão representativa (Executivo e Legislativo). Em outras palavras: uma parcela significativa de deputados, senadores, chefes do Poder Executivo (em todos os níveis) são eleitos por empresas. 

(Até o momento estão na berlinda somente parte delas, visto que o sistema financeiro e bancário não perderam ainda suas vestais. Questão de tempo – que o diga uma anunciada delação/ameaça de Antônio Palocci).

O dito pela Friboi/JBS (apenas uma parte do sistema) bem demonstra o nível de controle, amparado num processo eleitoral que existe para que tal ocorra: só dela saiu dinheiro (600 milhões de reais) para irrigar a campanha de 1.829 candidatos de 29 partidos políticos, conseguindo “eleger 167 deputados federais de 19 siglas, bancou 28 senadores e fez 16 governadores” (O Globo).

Ainda que o dito pela empresa dependa de comprovação em torno de sua veracidade quanto à finalidade – para não generalizar – os números assustam: mais de um terço na Câmara, quase outro no Senado e mais da metade dos Estados brasileiros, por seus governadores. 

E isso apenas oriundo da JBS! E o empresariado das FIEPSs da vida, dos bancos, do agronegócio?

Buraco III – não escapa um!
Não se tenha – sob visão imparcial ou mesmo apologética, muito menos altruísta – a iniciativa dos sócios da JBS/Friboi como oriunda de um surto moralista. Apenas mais um na cadeia (ops!) que domina o país – mais competente que a Odebrecht – que dimensionou os riscos para o conglomerado que atua além mar, com base nos Estados Unidos, hoje dependendo do Brasil menos do que se imagina.

Não passa a atuação denunciada da demonstração do que realiza essa classe dominante. Colonialista, entreguista, descompromissada com o país e seu povo, que realiza aqui o ganho sonhado para consumo lá fora.

Nenhum altruísmo na JBS/Friboi. Apenas salvar os dedos, entregando alguns anéis.

Emílio Odebrecht cinicamente já afirmara como agia, inclusive de sua tentativa de adquirir Petrobras e a Embratel (com ajuda da Globo) no curso das privatizações promovidas por FHC.

Da mesma forma que buscamos criminalizar a Política e a generalidade dos políticos, também que deles se diga: não escapa um!

Buraco IV – Judiciário
Disse-o a ex-ministra Eliana Calmon que nem o Judiciário escapa à apurações.

A JBS/Friboi tem – pelo divulgado – controle sobre juízes. E, sabe-se lá mais o que venha dessa trilha.


Buraco V – Ministério Público
Considerando que seja parcela insignificante da representação corporativista, o santo do pau oco também se faz presente no Ministério Público. 

Haja vista um dos Procuradores que defendeu aquelas ’10 medidas contra a corrupção’ estar preso e sob investigação.

Buraco VI – imprensa
Na mesma esteira a divulgação, pelo sistema Globo, das denúncias que abalaram os pilares da política nacional. Veja o porquê.

Por que?
Caso não assumisse a divulgação outra televisão noticiaria. 

Então, simplesmente perderia a publicidade da JBS/Friboi que – dizem – hoje sustenta 70% da folha da TV Globo.

Como dizia o amigo Pitanga, lá em Itororó: Ou calça de veludo ou bunda de fora.

Buraco VII – Direitos e Garantias constitucionais
Mais buraco nas garantias individuais. O aprofundamento do caos leva à generalização de que o que está acontecendo está certo. 

Opinião não é ciência. Assim, da mesma forma que Delcídio foi preso também o afastamento de Aécio Neves – ainda que não preso – padece de respeito à ampla defesa e métodos a ela inerentes: procedimento processual instaurado, direito à defesa etc. etc.

"Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação”
Faz parte do diálogo mineiramente humanístico de Aécio com Joesley.

Cristina Aparecida, modelo, assassinada por volta de 2000. Diziam ser ela ‘mula’ do esquema de Furnas, que alimentava o ‘mensalão tucano’. 

Havia um cara, em Minas Gerais, ex-policial, que dizia, com todas as letras: “Aécio Neves é traficante”. Morreu.

Todas as desconfianças que dizem respeito à relação Aécio e narcotráfico voltam à tona. 

Inclusive aquele famoso helicóptero do Perrela (destinatário do dinheiro rastreado pela Polícia Federal). 

Tancredo Tolentino – primo de Aécio – ficou famoso soltando narcotraficantes com ajuda de um desembargador de Minas Gerais ao módico preço de R$ 120 mil.

"Acossado"
Não o filme (A bout de souffle), clássico de Jean-Luc Godard, de 1960, mas o interino tornado presidente.

“Tem que manter...”
Entrará para a História como o “Independência ou Morte” dos acossados.

O interino está certo!
“Não renunciarei!” – diz o interino tornado presidente. 

Está certíssimo.

Sairia do Planalto para a cadeia. 

Caso não dependesse dos dois juízes comprados pela JBS.

Sublimação
Dilma foi afastada em razão de umas tais pedaladas. Nunca confirmadas. Ao contrário, inexistentes, ou praticadas por todos os que ocuparam o cargo, inclusive o interino.

E a República se vê diante de uma quadrilha – em todos os termos – no Poder.

Que não pratica pedaladas, mas assaltos, mesmo! 

Lula liquidado
Não afastem Lula como alvo. Afinal mostrar que estão atingindo a todos atingir a Lula – massacrado pela mídia – é apenas mais um.

Sua condenação por Moro, mesmos sem provas, passa a ser justificada.

Não esquecer que Lulinha sempre foi um dos donos da Friboi – coisa divulgada e internalizada no imaginário de parcela da população.

Para a mídia condenação de Lula será apenas a do ‘chefe’.

O mote
O Globo já fala em R$ 150 milhões da Friboi para Lula e Dilma. Não diz se para campanhas ou para cota pessoal. 

Nenhuma delação vinda a público, até agora, cita o nome dos dois como beneficiários diretos. 

No entanto, há muito circula que Lulinha – o filho – é dono da Friboi.

Subornado
Na Lava Jato há(via) um procurador subornado pela Friboi. Supimpa!

Esse Lulinha é capaz de tudo!

Lembrado, para não ser esquecido
O juiz Sérgio Moro afastou as perguntas encaminhadas por Eduardo Cunha ao interino tornado presidente.

Está explicado.

Coisa estranha
Quem pôs as provas (filmagens, interceptações etc.) nas mãos da Friboi e autorizou a divulgação?

Na rede
Gozador na rede fala em possível pedido de asilo político por Aécio Neves. 

Buscará asilo na República de Curitiba, onde se dá muito bem com o presidente de lá.

Miúra
Sabíamos que há muito nelore na linha de abate da Friboi. Mas nunca imaginamos que dispusesse de miúra contra desafetos.

                       


Momentos de ternura
Entre encantamentos e ternuras, figuras angelicais se encontram. Como a construir a personagem de Aldir Blanc “Esmeraldo Simpatia É Quase Amor” (Rua dos Artistas e Arredores, originário de crônicas publicadas no Pasquim).

Só falta a turma repetir o bloco carnavalesco – inspirado na personagem de Aldir – “Simpatia é quase amor”.

Tanto que não cansaremos o leitor com fotografias de Moro, Aécio, o interino, Luciano Huck etc. etc. etc. etc. entre homenagens, brindes e abraços

Novidade!
Há quem se escandalize com a intimidade (incluindo pedidos) entre o senador Aécio neves e o ministro Gilmar Mendes, do STF.

Inocente!

Não interprete mal ou faça mal juízo da coincidência ao lado.

domingo, 14 de maio de 2017

Entre confissões

Eis uma semana de confissões. As mais gritantes se fazem a partir do depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, analisadas a seguir. 

Mas, não ficou nisso: a posição de Marco Aurélio se declarando impedido de atuar em processos de um escritório em que uma sobrinha atua (contraponto ao escândalo de Mendes atuar em processos do escritório de Sérgio Bermudes, onde advoga sua mulher) leva-nos a compreender a dimensão de podridão em que se encontra o Judiciário brasileiro, a considerar os duelos entre membros do Supremo Tribunal Federal. 

Não nos esqueçamos que Joaquim Barbosa chamou Mendes de chefe de jagunços.

No mais, as charges de Laerte e de Aroeira contam tudo.

Confissão I
A mídia amestrada e compromissada com interesses muito mais externos que internos (se internos o fossem, da classe dominante) alardeia ‘confissão’ de Lula em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro. 

Quem assistiu, com a isenção necessária a um julgamento realístico diante dos fatos ali ocorridos, sabe que houve, sim, um massacre de Lula implorando – até “pelo amor de Deus” – que apresentassem uma prova contra ele.

No entanto temos que houve uma confissão: no imediato do depoimento a iniciativa do sistema que o persegue (que passa não só pelos conhecidos membros do Ministério Público e do Judiciário) cuidou de alardear novas denúncias contra o ex-presidente, agora com a valorosa contribuição do ministro Fachin, do STF – haja vista o timing no encaminhamento de peças de que dispunha para Curitiba – o que demonstra o fracasso inquisitorial do caso do tríplex, depois de três anos de ‘investigações’.

Eis a ratoeira em que está metido Sérgio Moro: andando em círculos sem provas e condenar para agradar a mídia e a classe dominante.

Na falta de provas – e até então, de uma delação (sem prova) para sustentar o domínio do fato – até mesmo um procurador chegou a lamentar que Lula não tivesse produzido provas contra si (como registra Jeferson Miola em seu facebook, reproduzido no GGN), dão sinal de instaurar outro processo com base nas delações de João Santana e sua mulher.

Ou seja, o lawfare prossegue “mais forte do que quando começou” (verso de Sodade, Meu Bem, Sodade, de João do Vale).

Confissão II
A repercussão da audiência deixa claro o que está acontecendo contra Lula – até que provem acusações – ficou confessada: perseguição. 

Até o mediano cidadão – ainda que habitué do Jornal Nacional – já começa a dizer o que juristas (brasileiros e estrangeiros) vem dizendo: não se trata de um processo judicial, mas político.

Confissão III
Esta muito bem velada: Lula não será presidente, eleito em 2018, em razão e três desdobramentos: 

1. Inviabilização de sua candidatura; 

2. Implantação do parlamentarismo (de ocasião, como ocorreu em 1961 para impedir a posse do vice João Goulart); 

3. Prorrogação de mandato, com alguém eleito indiretamente, caso o interino tornado presidente não tenha condições de chegar até lá e continuar no serviço sujo a que se submeteu (caminha para doar reservas de ouro na Amazônia, como denuncia Fernando Brito).

Confissão IV
A afirmativa tornou-se lugar comum, como na declaração de voto de Rosa Weber, do STF (assessorada por este mesmo Sérgio Moro), da AP 470 (o denominado ‘mensalão’ petista): não tenho provas contra José Dirceu mas a literatura jurídica me autoriza a condená-lo. E condenou-o (sem provas, como disse).

No processo criminal – diferente do civil – a prova é objetiva, de forma alguma subjetiva, por convicções.

Mas para Sérgio Moro condenar Lula não é questão de apuração e provas no processo, mas 'de honra', ainda que destrua princípios, fundamentos e legislação (incluindo a Constituição).

Eis a confissão maior de tudo o que ocorreu no processo que acusa Lula de ser dono de um tríplex em Guarujá: não é processo, mas afastar uma liderança que tornou o Brasil personagem central no cenário internacional, o que muito incomoda os Estados Unidos, a quem serve Moro e sua turma.

Confissão V
Não se diga que houve cortesia de Lula no curso da audiência. Em muitos instantes foi até petulante.

Confissão contra Moro e o processo incriminatório: a força da verdade (de Lula) superou a armação.

E Moro ficou diminuto diante de Lula. Como tem sido no exercício político-judicial na Lava Jato.

Confissão VI
Haja o que houver, do duelo entre Lula e Moro/Lava Jato uma só conclusão: Entre a autoridade da razão e a autoridade da investidura a História registrará a primeira, como anotou alguém na rede.

“Então pode guardar, por gentileza”
Anotações de Maurício Dias em “O tríplex ruiu” no “Rosa dos ventos”, na Carta Capital, não podem deixar de ser lidas e entrar no rol do que aqui denominamos ironias hilárias promovidas por Lula. 

Bem o perceberá o leitor que a inexistência de nenhuma referência ao juiz Moro na imprensa que o aplaude demonstra quão significativas a tiradas de Lula:

Lula: “O Dallagnol não tá aqui. Eu queria o Dallagnol aqui pra me explicar aquele Power-Point”, falou olhando para os procuradores da Lava Jato.

Moro: “Tem um documento aqui que fala do triplex”.

Lula: “Está assinado por quem?”

Moro: “A assinatura tá em branco...”

Lula: “Então, o senhor pode guardar, por gentileza”.

Moro: “Esse documento em que a perícia da PF constatou ter sido feita uma rasura. O senhor sabe quem rasurou?”

Lula: “A PF não descobriu quem foi? Não? Então, quando descobrir, o senhor me fala. Eu também quero saber”.

Moro: “Saíram denúncias na Folha de S. Paulo e no jornal O Globo de que...”


Lula: “Doutor não me julgue por notícias, mas por provas”.

Moro: “Senhor ex-presidente, você não sabia que Renato Duque (ex-diretor da empresa, hoje preso) roubava a Petrobras?”

Lula: “Doutor, o filho, quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: ‘Pai, tirei nota vermelha’.

Moro: “Os meus filhos falam”.

Lula: “Doutor Moro, o Renato Duque não é seu filho”.

Por falta de provas
Não há outra interpretação. Definitivamente virou bagunça. Um acusado anda investigado durante três. Ao final, durante interrogatório, é perguntado pelo juiz se sabe de matéria publicada em determinado jornal no ano de 2010.

Esta a pergunta de Moro a Lula, segundo O Globo (naturalmente), que Lula não teria respondido.

Certamente pode ser o elemento basilar de uma convicção para uma condenação.

Afinal – o que não se sabia – A/O Globo é auxiliar de acusação na vara do Moro.
Daí, para uma condenação POR FALTA DE PROVAS não custa.

Auxiliar de Acusação
O fato de que o juiz Sérgio Moro indagou a Lula sobre haver lido matéria de O Globo veiculada em 2010 demonstra a quantas anda a força probante nos referidos autos.

A ponto de carecer de seu principal auxiliar de acusação: o sistema Globo.

A senha
De Lula, no final da audiência:

"Aqui, na sua sala, tiveram 73 testemunhas. Grande parte de acusação do Ministério Público. E nenhuma me acusou. O que aconteceu nos últimos 30 dias, doutor Moro, vai passar para a história como o 'mês Lula'. Porque foi o mês em que vocês trabalharam, sobretudo o Ministério Público, para trazer todo mundo para falar uma senha chamada 'Lula'. O objetivo era dizer 'Lula', se não dissesse 'Lula' não valia".

E com todas as letras acusou Moro de destruir a indústria da construção civil no Brasil. 

E mais: de vazar para a imprensa um telefonema entre ele e D. Marisa. 

Disse-o olhando nos olhos. 

Prova
A fala de Lula no final do depoimento será a ‘convicção’ perfeita para sua condenação. 

Até em razão da ironia em dizer que “O Sr. É muito jovem, jovem  tem menos paciência com velho”.

Envelheceram e envileceram
De Gilmar Mendes:

- Os antropólogos, quando forem estudar algumas personalidades da vida pública, terão uma grande surpresa: descobrirão que elas nunca foram grande coisa do ponto de vista ético, moral e intelectual e que essas pessoas ao envelhecerem passaram de velhos a velhacos. Ou seja, envelheceram e envileceram. 

Gilmar Mendes
"As prisões preventivas estavam sendo transformadas em cumprimento antecipado de pena. Se se quiser argumentar que a prisão preventiva é imprescindível para atingir determinados objetivos, aí estamos num campo minado, do ponto de vista do Estado de Direito, porque podemos estar usando a prisão preventiva como instrumento de tortura".

É o que diz um dos advogados de Palloci (Batochio), ao deixar a defesa do ex-ministro: 

“Palocci não resistiu ao sofrimento psicológico que lhe foi imposto na Guantánamo meridional” (José Roberto Batochio).

Imprensa ou a Privatização da função jurisdicional
Importante a abordagem, onde o autor salienta o fato de que na Lava Jato está ocorrendo “Uma privatização ad hoc da função jurisdicional”. Leia

Análise
Paulo Henrique Amorim  diante do dinheiro não reinvestido da Globo  assegura, para futuro próximo, a venda. São 5 bilhões da empresa para os sócios (os filhos de Roberto Mahrinho).

                      

domingo, 7 de maio de 2017

Tantas coisas

Alimento
Os pobres de espírito na contemporaneidade brasileira são todos os que somente leem o que lhes interessa. Em todos os sentidos. Ou seja, leio para afirmar uma fonte daquilo que já tenho pré-concebido. Em meio a isso desaparece qualquer possibilidade de abrir discussões de caráter crítico em relação a fatos com vistas a busca da verdade factual, a verdade em si.

No processo judicial sempre se presumiu a busca por essa verdade. Atuações recentes – em muito amparadas no espalhafato que as envolve – lançaram às calendas a busca pela verdade. Não se tratando da Divindade ou a Ela teologicamente parentada, não cabe à espécie a afirmação de Cristo no “Eu Sou a Verdade...” (João, 14:6). 

Que dizer em torno da Verdade buscada pela sociedade no punir o semelhante a partir de um julgamento? Na justiça dos homens a verdade precisa ser provada. Tanto que, presunção não faz verdade sem que provada. Presunção antecede, para que a prova seja materializada e reconhecida na conclusão, de caráter sentencial, dispositivo.

E nessa dimensão específica – a busca da verdade pela prova – não cabe métodos que ultrapassem os limites estabelecidos por lei. Fiquemos, aqui, com a lei brasileira. Porque no que diz respeito aos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário são rasgados no dia a dia, como ocorre – apenas para ilustrar – com a Convenção Americana de Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, e suas garantias judiciais estatuídas no Art. 8º.

Parcela da população brasileira – o que demonstra o atraso a que estamos retornando – jacta-se com declarações de condenados sob a égide de delações acordadas, porque não mais premiadas tão somente. 

Depois de a Civilização haver ultrapassado a etapa do suplício corporal e das almas (onde tudo era cabível, da tortura física à mutilação etc. etc.) como meios de obtenção da verdade (onde a Inquisição celebrou aos píncaros tal absurdo) voltamos àquela fase, onde o encarcerado é levado a dizer o que o acusador quer sob pena de apodrecer nas masmorras.

Para não gastar o precioso tempo do leitor cabe-nos registrar: tudo para obter prova contra um acusado onde nenhuma prova factual foi encontrada em três anos de procedimentos investigativos e tudo o mais que seja possível instrumentalizar.

Já afirmamos neste espaço que das duas uma: ou o acusado é perfeito no que faz ou a investigação que o acomete é incompetente, ainda que disponha de toda a tecnologia moderna para obter a comprovação de suas alegações/convicções.

Ou, como diz Luiz Nassif: “Contando com os mais potentes instrumentos de investigação da história – a NSA, FBI e Departamento de Justiça na cooperação internacional, os bancos de dados do Banco Central, Receita, Coaf, as interceptações telefônicas e as delações premiadas – a equipe da Lava Jato não conseguiu levantar uma prova sequer contra Lula.

Nestes três anos o que não faltou mesmo foi manchete em revista, rádio, jornal e televisão condenando-o antecipadamente.  

O que alimenta os pobres de espírito.

Cutucada
O recuo de Moro em relação ao número de testemunhas arroladas pela defesa de Lula não deixa dúvidas de que temeu a alegação de cerceamento de defesa caso se utilizasse da faculdade que lhe é atribuída por lei de limitá-las; tentou constranger o arrolante e não deu certo. No segundo plano, de que errara ao promover a exigência.

Não bastasse a revogação de sua determinação, sponte propria, viu-se sucumbir por força de concessão de liminar em ordem de habeas corpus impetrado pela defesa de Lula.

Quem cutucou Moro não foi um desembargador, mas um juiz que exerce a função de substituto, que prolatou a decisão liminar, à qual remetemos o leitor através de Marcelo Auler

Nada falta
Se faltava alguma coisa nada mais falta. A Lava Jato, que dispõe até de uma agência de publicidade para assegurar-lhe a visibilidade que necessita, como meio de fazer-se respeitada e aplaudida, tem outdoors aqui espalhados em Curitiba para fortalecer a imagem dos catões da moralidade brasileira em viés parcial (falta indagar quem os paga!).

Juiz, procurador e delegado dependendo de propaganda é o fim do mundo. 

Ou falta de convicção.

Insatisfação ou insubordinação, eis a questão
Nem falemos em desrespeito. Está ele contido in re ipsa (na própria coisa) no conteúdo do texto levado a público e exaltado por muitos dos de sempre. Dos que encontram no Estado de Direito tão só o estado para o meu direito.

Imaginar um procurador, um promotor reagindo a uma decisão que não lhe agrade, quando tem-no – nos limites da competência funcional – através do recurso processual é o fim da picada. É escancarar a postura político-ideológica.

Agravada por fazê-lo contra decisão do Supremo Tribunal Federal. 

Retorno à senzala
Andou-se falando de retorno à escravidão, dentro das críticas às reformas trabalhistas postas em andamento pelo interino tornado presidente.

Não bastou o que está em andamento. Uma reforma trabalhista específica para o trabalhador rural se encontra no projeto. Foi deixado de lado o discurso e partiu-se para a consumação do inconcebível, incluindo integralidade da remuneração em moradia e alimentos.

A teor da proposta só falta exigir que a moradia seja coletiva, senzala, e os alimentos comprados no barracão da fazenda.

No fundo do imaginário dessa gente está explicado porque do ódio a Lula: botou essa gente da senzala/roça na Universidade! 

Retorno
Há coisas primorosas na proposta, como a dispensa de instalação de banheiros e sanitários para as empresas rurais se não superar o número de 20 empregados.

Mijar, só na rodinha e cagar, só no mato. Como nos tempos de antanho.

Segundo golpe
Maia, presidente da Câmara, desarquivou proposta de prorrogação de mandatos.

Ou o golpe dentro do golpe, como aconteceu com o AI-5. 

Para inviabilizar possível candidatura/eleição de Lula adia-se o mandato do interino tornado presidente e, naturalmente, governadores e senadores, sob o álibi da coincidência de mandatos.

A ditadura foi mais consentânea: adiou o dos prefeitos, para um mandato de 6 anos, para coincidir com o de presidente da república.

Não bate prego em estopa
José Dirceu é um símbolo. Gilmar Mendes, no STF, votou a favor de sua liberação. 

Caíram de pau em Mendes. Desconhecem que o ministro Gilmar Mendes não bate prego em estopa. Liberar Dirceu – símbolo da esquerda – é justificar suas ações/decisões futuras contra quem pretende apurar e processar seus amigos do PSDB e do PMDB.

Gente fina é outra coisa
Ah! Sabe o estimado leitor que o senador Aécio Neves andou depondo na Polícia Federal? Não? Natural!

Pelo tempo de duração do depoimento – uma hora – não deu nem para falar daquele helicóptero. 

A que ponto chegamos
A imagem veiculada mostra um cassetete sendo quebrado na cabeça do manifestante em Goiânia, nas mobilizações do dia 28 último.

Para a Folha não passava de “um homem trajado como policial militar”.

Quem foi afastado – sem meios termos – foi o capitão ... da Polícia Militar.

Fica-nos a certeza de que o jornalismo (informação) praticado por alguns órgãos de comunicação (como a Folha de São Paulo) não é sério.

Primeiro porque: considerando alguém vestido de policial cabia – a priori – a informação de que (até prova em contrário, por condescendência) se tratava de um policial.

Segundo: quem fotografou sabia. 

Dourar, nem aí!
Houvesse critérios crítico-dialéticos (redundante, que seja!) e um fato concreto seria manchete de página inteira em toda imprensa: por que o desastre tucano a partir de algumas delações?

O massacre por que passa o PT há, pelo menos, dez anos causou fraturas graves ao partido. Nenhuma dúvida.

No combate PT x PSDB o tucanato levou vantagem comparativa. Nenhum meio de informação(?) tradicional o acusava/acionava, ainda que próceres de sua seara estivessem sempre sob o crivo de denúncias (graves, algumas).

Mas tudo parecia (e ainda parece!) ter nascido e só a ocorrer em razão da existência do PT e dos governos petistas. 

Nada a ver com UDN, ARENA, PDS, PFL, DEM, PMDB moderado e quejandos outros que se alimentam das decanas mediocridades do pensamento ocidental, sob a glória da exacerbação liberal (neoliberal), beneficiários históricos dos desmandos quando estiveram no poder, salvo raras exceções.

Mas a nenhum partido político no Brasil, depois do PTB de Getúlio Vargas no imediato do suicídio, no curso do que se denominou udenismo como sinônimo de extrema-direita e entreguismo, se vê submetido a um massacre como o vive (ou sobrevive) o PT.

Nenhum proselitismo ao até aqui posto. Mesmo porque carecemos retomar a indagação inicial  do desastre tucano  respondendo-a.

No primeiro plano porque ocorre o que a sabedoria popular leciona: quem tem telhado de vidro não joga pedra no alheio. 

No segundo, porque o método cansou – não bastasse a fragilidade do catonismo tucano (somente defendido em plenitude pelos meios de comunicação que o servem e dele sempre se serviram).

No terceiro estágio, os reveses de uma política de governo que se exauriu – em essência e em instante – à qual aliaram-se.

No fundo, em tudo que está relacionado a Lava Jato – em sua dimensão político-eleitoral – está naquilo que a mesma sabedoria diz: mexeram e deu pra feder. Ou, jogaram m... no ventilador.

Que não escolhe lugar para atingir. Muito menos cara. Porque não pensa, como a mente dos colegas.

Na esteira da promessa não cumprida não há imprensa que desfaça a realidade.

Ainda que doure a pílula!

O beco
O controlador do beco está perdendo o controle, desde que passaram a existir as redes sociais.

Observa Nassif, a partir das mobilizações do dia 28: 

"Além disso, a mídia já havia sentido o desgaste de anos de jornalismo militante, de pós-verdade, de manipulação das informações. Nos últimos tempos, com dez anos de atraso, caiu a ficha que a única maneira de se diferenciar da miscelânea das redes sociais seria voltar a praticar um simulacro de jornalismo.

A recaída com a greve, porém, mostra que a síndrome do escorpião é invencível.

Entram em uma cilada complicada.

Se continuam a apostar no jogo da desinformação, aprofundarão o buraco em que se meteram. Se vacilam, há o fator Lula. E foi tão forte a radicalização política da mídia na última década, que a bandeira central da campanha de Lula certamente será o da regulação da mídia e do combate implacável à rede Globo.
Manter o jogo atual, portanto, é questão de sobrevivência para a Globo. O que significa que apostará todas suas fichas em Dória, ou em um pacto de ditadura com Bolsonaro ou abolindo as diretas. De qualquer modo, jogará todas suas fichas na condenação de Lula e sua inabilitação para 2018."

Desafio
Lula desafiou, no sentido de que toda a audiência em que será ouvido (incluindo todos os espaços e personagens) seja disponibilizada à rede/divulgação.

Foi posto, mas não será aceito. 

No escondidinho todo namoro sempre foi ideal. 

Imagine na busca por convicção!

Deu no GGN
"A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional divulgou nesta quinta (4) a lista de deputados federais e senadores em débito com a União, e também a relação de devedores que financiaram campanhas eleitorais de candidatos à Câmara e ao Senado. O órgão também informou que estas informações não são protegidas por sigilo fiscal e estão disponíveis para consulta pública.
Nesta semana, a Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) 766/17. Programa de Regularização Tributária (PRT), conhecido como Refis.  

A MP aprovada dá descontos de 99% em multas, juros e encargos da Dívida Ativa da União, e seu relator foi o deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB/MG), cujas empresas devem ao Estado mais de R$ 67 milhões, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz)."

Não precisa explicar!

Penas do tiê
Ainda que a letra não seja a íntegra do original (do compositor Hekel Tavares, editada em 1928), a interpretação de Maria Bethânia e Omara Portuondo (cubana) nos leva à beleza que melodia e versos encerram.