segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Outros

Tentáculos
Registramos ontem, em três rodapés, nossa cautela em evitarmos embarcar na emoção como tradução da análise crítica em razão do atentado contra o Charlie Hebdo. E o fizemos pela ótica de que a demonstração de intolerância está bem acima da realidade dos fatos. A charge que exibimos  publicada pelo Charlie Hebdo  demonstrava, para nós, a necessidade de compreendermos e respeitarmos o limite das coisas. 

Dentre elas, a sempre  sensível dogmática de fé. Imaginemos, os varões de Plutarco da Civilização cristã Ocidental se naquela posição fosse apresentado Jesus Cristo na messiânica condição de fazer nascer uma estrela.

E não nos dispensamos de evocar no texto o permanente estado de agressão por que passam muçulmanos como alvo da intolerância. Não bastasse serem sempre exibidos pela imprensa como terroristas todos, ainda que poucos o sejam. 

Mas o leque de fatos contidos no entorno da realidade que leva ao atentado não só se expressa pelo mote da fé. É a própria desagregação do Estado de Bem Estar Social que a Europa desenvolveu e o faz sucumbir sob o cutelo do privilegiado rentismo, amparado na exacerbada concentração da riqueza defendida como política estatal pelo neoliberalismo.

Dentre as mil faces (muitas postas conscientemente no anonimato pelo sistema) aquelas defendidas pelas próprias contradições ocidentais. 

Saul Leblon, no Carta Maior, nesta segunda 12, em torno delas faz referências e comparações. De certa forma, expressa o que dissemos em nosso texto: "Charlie Hebdo é ponta do iceberg."

E acrescentaríamos: algoz/vítima de um dos incontáveis tentáculos do sistema

Somos todos o quê?

A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau. O endurecimento contra imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre em Paris.

por: Saul Leblon 

Le Monde

O emblema totalizante, ‘somos todos Charlie’ teve curta unanimidade no ambiente trincado de uma Europa onde, de fato, não há lugar para todos serem a mesma coisa em parte alguma.

Os números da exclusão em marcha no continente são suficientes para esfarelar essas ‘uniões’ nascidas da emoção da tragédia,  como é o caso, mas que historicamente se mostram insuficientes para regenerar as partes de um  todo que já não se encaixava mais.

Como recompor o cristal da liberdade, da igualdade e da fraternidade, diante de uma Europa unificada pela lógica do  mal estar social?

Com políticas pública que hoje  irradiam chantagem, regressão , niilismo, intolerância  e medo diante do futuro rarefeito?

Somos todos o quê?

É justo perguntar quando o Estado a serviço dos mercados  mastigou  todas as pontes para a construção de uma cidadania convergente e soberana.

A polêmica linha de humor do ‘Charlie Hebdo’ deve seu sucesso, em grande parte, justamente  à acentuação dessa rachadura em uma  chave religiosa.

Deve-se respeitar a sua liberdade. Mas a forma como escolheu exerce-la fez do jornal parte do estilhaçamento  que procurava  criticar; tornou-se assim mais um referido do que  referência.

A Europa tem hoje 8 milhões de imigrantes sem papeis; 120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados.

Após seis anos de arrocho neoliberal, o desemprego e o esfarelamento do padrão de vida dos trabalhadores e da classe média –condensado em uma geração de jovens que dificilmente repetirá  a faixa de renda dos pais, turbinou a rejeição ao estrangeiro, criou o medo da  'islamização da sociedade', alimentou a extrema direita e liberou  a demência terrorista.

Não necessariamente nessa ordem, mas com essa octanagem abrangente.

 A imponente marcha em Paris neste domingo não escapou do liquidificador de nitroglicerina.

Seria irônico , não fosse trágico.

Na  comissão de frente da principal coluna da manifestação, que reuniu um milhão de pessoas,  ao lado do presidente François Hollande, e de Merkel, lá estava Benjamin Netanyahu. 

Sim,  o premiê de Israel.

Ele que  acaba de se aliar à extrema direita para transformar o Estado israelense em um estado religioso.

Responsável por alguns dos mais impiedosos massacres do século XXI, contra populações civis encurraladas por Israel  na  Faixa de  Gaza, a presença de Netanyahu a engrossar o  ‘somos todos Charlie’ convida a pensar sobre o alcance das unanimidades.

É  um silogismo barato afirmar  que a recusa  ao bordão dominante endossa o abismo ensandecido  do terrorismo.

Num texto de 1911, ‘Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual’,  e quando ainda nem desconfiava que ele próprio seria uma vítima futura, León Trostsky  criticou exemplarmente aquilo que, nas suas palavras, ‘mesmo que obtenha "êxito" (e) crie confusão na classe dominante (...)  terá vida curta; o estado capitalista não é eliminado; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento. Todavia, a desordem que  um atentado terrorista produz  nas fileiras da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido?’, criticava o líder da Revolução de Outubro, banido e assassinado por Stálin, para concluir em seguida: ‘Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência e (desvia)  seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador, que algum dia virá cumprir sua missão’.

Cento e quatro anos depois, o alerta ganha atualidade diante das medidas cogitadas após o massacre em Paris.

Os indefectíveis Le Pen, pai e filha, pedem, nada menos que a restauração da pena de morte, abolida em 1981.

A nostalgia da guilhotina é  só o primeiro degrau do patíbulo.

O endurecimento contra os imigrantes, na verdade,  já avançava em marcha batida antes do massacre da quarta-feira (07/01) .

Agora, porém, que ‘somos todos Charlie’, quem irá detê-lo – se até Netanyahu  aderiu?

Ofuscados habilmente pelo ‘consenso’, os antecedentes da tormenta esticam o elástico de uma gigantesca armadilha histórica.

Desemprego com deflação e captura do Estado e da política pela alta finança.

 É disso que se trata a tragédia europeia, vista de corpo inteiro.

A zona do euro enfrenta deflação recessiva; a Itália tem desemprego recorde; Alemanha e França assistem a uma espiral de xenofobia; Grécia tem 59% da juventude fora do mercado; Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social.

Assim por diante.

Foi preciso que um economista moderado, Thomas Piketty, coligisse uma enciclopédia estatística do avanço rentista sobre a riqueza da sociedade para que o tema da desigualdade merecesse algum espaço – fugaz —  no debate econômico e midiático sobre a crise europeia.

E mesmo assim colateral às decisões da troika, que estala o relho no lombo da cidadania e exige ordem unida ao abismo.

É sobre essa base de rigidez que a  alavanca da tragédia move o curso da história. 
Não Maomé, não Charlie Hebdo, não a juventude niilista.

Não os  filhos de imigrantes pobres , que se convertem  cada vez mais ao islamismo como ponto de fuga à meia cidadania da desordem neoliberal  que nada tem a lhes propor hoje.

E  não o fará amanhã também.

Entregue aos ajustes fiscais, na ressaca dos mercados após o fastígio neoliberal, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político, que a transformaria em legenda da civilização e da fraternidade.

Na Itália, sob o afável Berlusconi, o Estado elevou para seis meses o tempo que imigrantes ilegais podem ser detidos em ‘ centros especiais’ e autorizou a criação de falanges civis para “ajudar a polícia a combater o crime nas ruas”.


Na Grécia, onde as taxas de desemprego triplicaram sob o chicote de Frau Merkel, os integrantes do partido Aurora Dourada sequer dissimulam a inspiração nazista: sua faxina étnica avança contra árabes, africanos, ambulantes, ciganos e homossexuais.

‘Somos todos Charlie’?

As notícias contraditórias que chegam dos EUA, surfando em uma recuperação feita de empregos com salários aviltados, e da Europa sem Estado à altura para reagir, evidenciam a profundidade de uma desordem  que não cederá tão cedo, nem tão facilmente.

A consciência dessa longa travessia é um dado fundamental para renovar a ação política em nosso tempo.

Recuos e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço pelos interditos neoliberais, alargaram os vertedouros ao espraiamento de uma dominância financeira que  agora produz  manifestações mórbidas em todas as esferas da vida.

Quando a economia se avoca  um templo sagrado, dotado de leis próprias, revestido de esférica coerência endógena, avessa ao ruído das ruas, das urnas e das aspirações por cidadania plena, o que sobra à democracia?

A pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude.

Gigantesca.

Era o  fim da história, replicava o colunismo áulico.

Não era, mostrou setembro de 2008.

Pior que isso.

O sete de janeiro francês avisa que se a sociedade continuar apartada do seu destino, os próximos capítulos serão dramáticos.

No Brasil, os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008, retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos  insustentáveis.

E eles terão que ser pagos agora.

Na forma de um afogamento incondicional.

Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada em 2008 em uma talagada única.

Não há alternativa, diria Margareth Tatcher.

As escolhas intrínsecas a uma repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, não são singelas.

Nada que se harmonize do dia para a noite.

Por isso, o crucial é erguer linhas de passagem, repactuar  metas,  ganhos, perdas, salvaguardas e prazos.

Mas há um requisito para isso: tirar a economia do altar sagrado da ortodoxia e expô-la ao debate democrático do qual participem todas as forças sociais.

Quando a mídia conservadora tenta tropicalizar  o bordão ‘somos todos Charlie’, seu objetivo mal disfarçado vai no sentido oposto.

Tenta-se  reduzir uma  tragédia ciclópica a um atentado à liberdade de expressão.

E de forma rudimentar desdobrar a comoção aqui em um veto ao projeto de regulação da mídia brasileira.

Para quê? Justamente para interditar o debate sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.

O apego da emissão conservadora à liberdade de expressão, como se sabe, é relativo.

No dia seguinte ao massacre em Paris, a Folha de São Paulo, por exemplo, dedicou 256 palavras,  uma nota de rodapé,  para tratar do caso do blogueiro saudita, Raif Baddawi.

Baddawi dirigia o fórum on-line ‘Liberais Sauditas Livres’; foi condenado por isso a dez anos de prisão e  multa de US$ 260 mil.

Seu caso é uma referência do padrão de justiça que impera na democrática sociedade saudita, principal aliada dos EUA no mundo árabe, onde mulheres não podem dirigir sequer automóveis e inexiste judiciário independente da vontade dos mandatários.

Além de dez anos de prisão, Baddawi também será punido com mil chibatadas por "insultar o Islã" – 50 por semana, durante 20 semanas.

A primeira cota foi aplicada na última 6ª feira.

Uma nota com 256 palavras foi tudo o que o liberal Baddawi obteve de um dos principais veículos de informação do país.

Compare-se com as cataratas de tinta, imagem e som dedicadas à blogueira cubana Yoani Sánchez que, livre, leve e solta, viajando pelo mundo, mereceu da mesma Folha de SP mais de 90 mil  citações; 155 mil no Globo e 110 mil no Estadão.

É difícil imaginar algo do tipo ‘somos todos Baddawi’ alastrando-se pelo colunismo pátrio que dispensou às visitas de Yoani um tratamento de chefe de Estado.

São dois pesos e mil chibatadas.

Uma diferença sugestiva.

Que recomenda cautela com as unanimidades produzidas pela mesma fonte.

Aqui ou em Paris.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________
PT e petistas
Ainda que não seja a perfeição, a atuação do Partido dos Trabalhadores no nível das administrações que assume tem sido motivo de considerações as mais várias, realçadas  nas críticas isentas  como um fenômeno positivo. A tônica de todas elas reside na busca de aplicar políticas progressistas, nacionalistas, de conteúdo social, com destaque para a distribuição de renda e redução das desigualdades sociais. 

O PT tem caminhado nessa direção. Repudiado por aqueles que discordam, por convicção, de que concentrar a riqueza produzida por todos é a solução mais apropriada para a construção da Felicidade.

Sob esse prisma é interessante observar que Karl Marx chegou a afirmar que o capitalismo sucumbiria por si mesmo, por sustentar-se na contradição de socializar a produção da riqueza gerada por todos e concentrar a sua distribuição em poucos.

Uma atuação mais à esquerda, portanto, a do PT, se tomamos a clássica dicotomia nascida nos parlamentos europeus tradicionais, onde o da Revolução Francesa melhor registrou: à direita a representação da nobreza, à esquerda a dos sans-culottes, a base da burguesia que buscava superar os valores impostos pela monarquia absolutista e sua defesa de privilégios para a aristocracia e o clero, que a legitimavam.

O barrete vermelho se destacava na indumentária caracterizada da burguesia, onde o algodão grosseiro vestia os corpos dos que calçavam sapatos de madeira. Bem distintos do fausto e colorido da vestimenta aristocrática, pautada nas sedas.

Duas marcas, portanto, datam desta época: a relação com os ideais da Revolução, de políticas sociais do mais amplo alcance, e a cor vermelha associada aos que ficavam à esquerda. 

Estas poucas linhas buscam ligeira análise a partir das declarações de Marta Suplicy a Eliane Catanhêde (agora no Estadão), onde aproveita a oportunidade para dizer horrores do PT, do Governo Dilma, da política econômica, da direção do partido e tudo o mais que lhe foi permitido dizer. E já anuncia estar sendo alvo de convite de uma gama de agremiações (excluindo, segundo ela, o PSDB e o DEM).

Pelo que sabemos, nestes pouco mais de 30 anos de existência do PT Marta Suplicy representou um de seus mais expressivos quadros. Sua administração como prefeita de São Paulo deixou marcas das políticas defendidas pelo petismo.

Razão por que  assim vemos  uma contradição parece encerrar a posição de Marta ex-petista Suplicy: o partido vai a 16 anos no Poder justamente porque o povo/eleitorado nele vê algo melhor que o ofertado pelos outros, o que inclui um voto de descrença/desconfiança nas políticas dos governos que o antecederam. 

No fundo, no fundo não sabemos se mudou efetivamente o PT ou se mudou Marta Suplicy.

Não precisamos concordar com Bessinha, mas cheira a isso. Ou, que a seda da nobreza lhe assenta melhor que o algodão do sans-culotte. 



Inflação
Um dos grandes - e dos mais tradicionais cavalos-de-batalha da processo eleitoral de 2014, a inflação, ficou abaixo do teto (ainda que pouco), considerando o limite fixado para além do centro da meta; aquele, em 6,5%; este, em 4,5%.

O mundo desabaria. O Brasil já estava com a cuia estirada à caridade pública. Ainda que o Governo afirmasse que tinha a dita cuja sob controle a oposição não perdoava.

Trabalhando com as comparações, colhemos a didática disponibilização de Fernando Brito, no Tijolaço, demonstrando as metas e os correspondentes índices inflacionários desde que instituídas, em 1999, governo FHC. Ei-los:

1999 = (Inflação: 8,94%) (Meta: 8,0%) (Teto da Meta:10,0%) (FHC)

2000 = (Inflação: 5,97%) (Meta: 6,0%) (Teto da Meta: 8,0%) (FHC)

2001 = (Inflação: 7,67%) (Meta: 4,0%) (Teto da Meta: 6,0%) (FHC)

2002 = (Inflação:12,53%) (Meta: 3,5%) (Teto da Meta: 5,5%) (FHC)

2003 = (Inflação: 9,30%) (Meta: 4,0%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)

2004 = (Inflação: 7,60%) (Meta: 5,5%) (Teto da Meta: 8,0%) (Lula)

2005 = (Inflação: 5,69%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 7,0%) (Lula)

2006 = (Inflação: 3,14%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)

2007 = (Inflação: 4,46%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)

2008 = (Inflação: 5,90%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)

2009 = (Inflação: 4,31%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)

2010 = (Inflação: 5,91%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)

2011 = (Inflação: 6,50%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)

2012 = (Inflação: 5,84%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)

2013 = (Inflação: 5,91%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)

2014 = (Inflação: 6,41%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)


Quando os números são verificados fica fácil saber quem deixou de cumprir. O gráfico permite melhor visualização. E conferir quem vem mantendo, durante 11 anos seguidos, a inflação dentro das projeções oficiais.



Desmanche
Da entrevista concedida por José Sérgio Gabielli a Mino Carta e Sérgio Lírio, na Carta Capital desta semana, pode-se concluir que muito do que está em jogo a partir do cerco de denúncias envolvendo a Petrobras mais está uma ação política para desmanche da economia que o combate à corrupção em si.

As ponderações de Gabrielli fazem sentido. Basta verificar os destinatários dos vazamentos das delações premiadas.

A conclusão é óbvia: punir corruptos e corruptores não infere em quebrar o país, pela inviabilização da atividade econômica.

Limites I
Causou-nos espécie uma chamada de capa da revista Carta Capital, em torno do atentado ao Charlie Hebdo: "TERROR NA FRANÇA. A chacina na redação do Charlie Hebdo indica talvez uma nova estratégia da ofensiva jihadista em uma guerra que o Ocidente não pode tolerar".

Não temos como feliz a postura editorial da revista de ver nos fatos ocorridos em Paris como um 11 de setembro. Assim entendido, soaria a uma conclamação para reações mais acirradas que as da atualidade contra muçulmanos. 

Preferimos enxergar no 'talvez' um sinal de maturidade e de menos hipocrisia diante de tudo que a cultura Ocidental (em todas as dimensões, inclusive a da histórica manutenção de um controle geopolítico) tem efetivado em relação aos povos que se amparam no islamismo.

Por outro lado, a tônica aventada pela chamada enseja uma condição de minimização da atuação das potências ocidentais (onde se insere a França) em relação a suas políticas expansionistas. O que ocorreu no Iraque, na Líbia e o que ocorre na Palestina não é exemplo de quem se diga preocupado com a autodeterminação dos povos, muito menos com a Paz mundial.

Limites II
Longe de nós admitir a violência como aparato de enfrentamento. No entanto, violência o é em qualquer dimensão.

Cabe à sensatez observar com a precisão que se encerram nos fatos antecedentes para encontrar as razões para estupidez de assassinar.

A religião muçulmana vem sendo alvo de intolerância. O desrespeito ao islamismo vem sendo utilizado para fins os mais vários. Inclusive para alimento do neonazismo e o discurso da ultra direta europeia, utilizando muçulmanos como bode expiatório da crise econômica por que vive a Europa.

Alguém dirá que outros são os caminhos para reagir à intolerância  largamente utilizada pelo jornal vitimado , como a busca do Poder Judiciário para enfrentá-la dentro dos limites do Estado de Direito. De tal postura utilizaram-se diversas associações islâmicas quando se sentiram alvo do desrespeito à sua religião. A Justiça francesa deu ganho de causa à publicação. 

O que andam fazendo com o islamismo na Europa lembra a postura daquele pastor evangélico que chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Que o diga a consciência do caro leitor do quanto publicado (charge abaixo) pelo Charlie Hebdo, 'homenageando' Maomé.



Limites III
Nada justifica a violência. Mas não custa a Carta Capital acautelar-se. Não por temor, mas por respeito às diferenças. Afinal, o Ocidente não é lá este santo que se entroniza nos altares por ele construídos, nos quais muito de nossa imprensa bebe a verdade.

Num primeiro instante disponibilizamos texto publicado no jornalGGN através de http://jornalggn.com.br/noticia/a-tortura-praticada-pela-cia

E para coroamento: http://www.washingtonsblog.com/2008/05/congratulations-america-children-are-being-tortured-in-your-name.html 

Ainda que o leitor se sinta agredido, cabe-lhe saber que os torturados, assim como as crianças sodomizadas diante das mães, o foram por quem se diz exemplo de liberdade e de defesa dos direitos humanos. Integrante da Civilização Ocidental. 

Não se espante por serem, tais crianças e torturados outros, muçulmanas.

Charlie Hebdo é ponta do iceberg.

Inesquecível
Faria hoje 92 anos o insuperável Sérgio Marcos Rangel Porto, o Stanislaw Ponte Preta.

Eleições
Mal começados os ensaios para as candidaturas a prefeito em 2016 e alguém lançou o governador Geraldo Alckmin à presidencial de 2018.

Ainda que o 'picolé de chuchu' tenha radical apoio de todos os meios que sustentam o conservadorismo não sabemos como a Cantareira e o Alto do Tietê tratarão o candidato.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Onde reside

A dificuldade
Não será exagero reconhecer que a base de todos os vícios do poder tem na corrupção o centro de irradiação. A ilustrada e decantada figura se faz presente em registros já elaborados no século IV da Era Cristã, caso tomemos o trabalho do estadista e filósofo indiano Chanakya (370-283 a.C.) e seu “Arthashastra”, uma espécie de “A Ciência do Ganho Material” (que nada tem a ver com a ciência econômica contemporânea). Nela o autor já faz referência à corrupção, frisando a dificuldade de ser percebida pelo governante, a ponto de elevá-la à categoria de verdadeira ‘praga’.

Ninguém passa uma só página do tema corrupção sem vinculá-la ao poder e aos políticos. Ao poder, porque é nele que aportam os recursos que dele saem para gerar o 'bem comum', como propósito; aos políticos, porque buscam o poder para nele se perpetuarem e dele se beneficiarem. 

No noticiário os nomes de políticos, na esteira da Operação Lava Jato, vão surgindo. Alguns, mais recentemente citados, ao lado de outros que já se fizeram presentes no noticiário. 

Do titular da caverna do ‘Ali Babá’, Alberto Yousseff, surgem o baiano Luiz Argôlo (novamente em evidência), Antônio Anastasia (ex-governador de Minas e senador eleito em 2014), Eduardo Cunha (de citações várias e antigas, participante cativo no esquema de 2004 a 2012) e Tiago Cedraz, outro baiano, filho de Aroldo Cedraz, pefelista premiado com uma sinecura no TCU, onde se tornou conselheiro.

Em torno de Anastasia há dúvida de participação sua no esquema. Há mesmo quem entenda que seu nome surge para desviar atenção dos verdadeiros atores de Minas Gerais que trabalham no palco de Yousseff.

A avalanche de nomes de políticos ou a eles diretamente vinculados tende a ser assustadora. E quando falamos em políticos temos que vincular sua condição à existência de eleições, o que lembra campanhas eleitorais. Que lembra gastos e busca de meios para atendê-los.

Nessa vertente (gastos) a tradição histórica é que tenham base em financiamentos vários, donde se destaca o privado, em muito alimentado por empresas que prestam serviços ao Estado. E assim o círculo vicioso se estabelece.

A cada dia fica mais visível a imperiosa necessidade de uma reforma política e eleitoral no bojo da qual seja levado à extirpação o financiamento privado de campanhas nos moldes como hoje ocorre. Como lembrou Luiz Gonzaga Belluzo, em artigo recente, o cartel de empresários alimenta o esquema, funcionando como meio de transferência de recursos de governos (e do 'bem comum') para políticos.

O STF já assegurou vitória a essa linha de pensamento, votando contra o financiamento privado de campanhas eleitorais. O julgamento pende de conclusão, apesar de a tese pela proibição já se encontrar vencedora por 6 x 1.

Estranhamos que o ministro Gilmar Mendes esteja a segurar (com seu pedido de vistas, em abril de 2014) a finalização da histórica decisão do STF. Sua Excelência até já afirmou que poderá devolver o processo e seu voto ‘até dezembro próximo’.

Ou seja, a tempo de manter financiamento privado para campanhas municipais de 2016.

Imagine o caro leitor que ao ministro Gilmar Mendes, como integrante da mais alta cúpula do Poder Judiciário brasileiro, cabe defender a lisura, a ética, a moral pública. Vilipendiados por vieses como a corrupção, sustentada no financiamento privado de campanhas políticas.

Ao que parece, o ministro Gilmar a tem como coisa natural. A ponto de retardar um caminho para evitá-la ou reduzi-la. 

Está a contrariar as considerações de Chanakya, que as antecede às de Platão, Aristóteles e Maquiavel. Ou é contra elas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A razão

Da bala de prata
Ao que parece, para superar a crise financeira que a alcançara a editora Abril buscou caminhos nada ortodoxos para dela se livrar: entrar de peito aberto na campanha político-eleitoral de 2014.

As novas tecnologias estão atingindo os meios tradicionais de comunicação e a mídia impressa é dos que mais se ressentem. Com a Abril não poderia ser diferente.

Mal começou 2015 e o desmonte da Abril se aprofunda. Acaba de fechar revistas e transferir publicações para a Caras e os carros-chefe da editora (a Veja e a Exame) sofreram profundas intervenções nas áreas comercial e editorial.

A gravidade da situação levou a editora a devolver a metade do espaço que alugava da Previ (de quase 30 andares) no prédio da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Até o busto do velho Civita foi retirado.

Pensamos que o grupo Abril imaginou superar a crise financeira com apoio oficial. Encontrando dificuldade em 'arranjar' dinheiro com o atual governo tentou derrubá-lo (outra não pode ser a expressão depois daquela capa que ilustrou a antecipação de uma edição para atender exclusivamente a uma campanha eleitoral) utilizando sua linha editorial como instrumento de campanha.

Pretendeu ser a 'bala de prata' em favor de Aécio Neves.

A bala de prata da Veja não passava de um tiro no pé. Que pode ser um tiro de misericórdia.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Humberto Teixeira

Uma homenagem
Dispensamo-nos de falar sobre o que e quem foi o cearense Humberto, imortalizado com Asa Branca, em parceria com Luiz Gonzaga. Isolado ou contribuído por Gonzaga é dos melodistas mais grandiosos deste país.

No dia de seu centenário, disponibilizamos Orélia, composição sua, em duas interpretações (a de Luiz Gonzaga e a de Cristina Amaral) e o documentário "O Homem Que Engarrafava Nuvens" (2008), de Lírio Ferreira.

Por eles diremos tudo.




https://www.youtube.com/watch?v=OLLcf8UTnPo


domingo, 4 de janeiro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________
Entre dois tempos
Não houvesse hora e calendário o tempo seria nada mais que uma parte clara e outra escura para cada dia e a existência física uma etapa indefinida entre nascer e morrer. Aos sumérios pode ser atribuído o primeiro conhecido controle do tempo, com registro da sua divisão em segundos, minutos, horas e calendário. Como conheciam - lá se vão 5 mil anos - a organização das constelações que perfazem nosso zodíaco, os movimentos de rotação e de translação delimitaram com precisão o que ainda nos sustenta, variado apenas pela arrumação gregoriana.

As últimas edições deste blog se fizeram presentes entre dois tempos: o último domingo de 2014 e o primeiro de 2015. Tentando descansar encontramos cansaço, porque é duro descansar em lugares programados para 'descansar' (pelo menos nesta Bahia).

Reencontrando o universo cotidiano da disponibilidade de energia elétrica e, por conseguinte, do acesso aos meios de comunicação e a leituras várias levantamos alguns destaques, a propósito do que aconteceu e do que está por acontecer, tendo como parâmetro o antes e depois do 31 de dezembro último.

Este o roteiro desta edição, com aquilo que entendemos de mais significativo.

Padroeira
Até quando, não sabemos. Mas, no cimo da ladeira do escândalo que ora atinge a Petrobras surgem os mais variados personagens. 

Uns, santificados por sua dedicação à causa. Avaliada, simplesmente, pela dimensão de sua contribuição para alimentar o próprio escândalo. Ainda que seja parte dele.

Exemplo dignificante: o da funcionária Venina Venosa, que será entronizada no templo da grande imprensa como santa Veneno Venenosa, a Pura.



Padroeiro
Na esteira de santificação temos o senador Aécio Neves, ex-presidenciável, autodenominado 'chefe da oposição', pela singular carreira de almejar candidatura em 2018 e dela declinar nos primeiros bater de asas.

Não está explicado se o 'santo' teme ser descoberto pelos rituais que recomenda para as cerimônias que preside ou se 'descobriu' que não tem lugar entre os paulistas.

Este aspecto pode ter pesado (muito mais que possíveis processos de apuração de irregularidades que tenha cometido) desde que aquele jornal de tradicional família paulista (que, delicadamente publicou matéria contra Sua Excelência com o sugestivo título "Pó pará, Aécio") anunciou que os companheiros de lá começam a descartá-lo.

Não bastasse a velha companheira Veja dar-lhe nota zero por sua atuação parlamentar.

Perderam
Não se negue a capacidade de anunciarem-se vitoriosos. Trabalham sob o método de que o ataque é o meio permanente de que dispõem para enfrentar o inexorável.

Caso levemos em conta o início de um quarto mandato do PT teremos de concordar que alguém está em desconformidade com os fatos. Afinal o discurso, permanente, de setores da sociedade brasileira não traduz o que demonstra haver compreendido o eleitorado que reelegeu Dilma Rousseff.

Neste sentido 2014 deu um bolo em muita gente. Se entendermos uns poucos como 'muita gente'.



Não mais quintal
Ainda que sob risco de uma guerra mundial, onde EUA buscariam sustentar espaços que lhe são estratégicos - Ucrânia em especial - o ano de 2015 traz sinais de outras ocupações por países outros, antes meros marionetes.

O jornalggn.com.br publicou tradução de entrevista concedida pelo embaixador Roy Chardeton, da Venezuela, na Organização dos Estados Americanos, que fazemos destacar (independente de acesso à íntegra através de http://jornalggn.com.br/noticia/o-quintal-dos-eua-nao-e-a-america-latina-e-a-europa) pela precisão de suas observações.


"O império mostra cada vez mais abertamente suas misérias. Penso, mesmo, que ruirá de dentro para fora, mas acho que não acontecerá durante minha vida. Por hora, estão caindo cascalhos da pedra do muro que protege o império e que, um dia, foram estruturas monolíticas indestrutíveis. Seja como for, a guerra “midiática” de 4ª geração continua, e não se pode relaxar porque, depois dela vem a guerra real, mesmo que por meios diferentes e mesmo que as redes sociais já tenham aplicado boas derrotas ao tal poder “midiático”.

Em termos militares, sempre fizeram o que fazem os Marines: primeiro, bombardeiam para “alisar” a praia; na sequência, chegam as tropas de invasão e ocupação. No caso da Venezuela, esse “alisamento” é feito pela imprensa-empresa; tem o objetivo de nos fazer sentir-nos mal, fracos, errados, viciosos, ignorantes. Fazer-nos crer que o país onde vivemos é o pior do mundo, o mais corrupto, o mais pervertido.

É tão forte o ataque no plano continental, que às vezes parece que estamos na defensiva, mas não. Nossos países estão hoje muito melhores do que antes, os movimentos sociais estão crescendo, a esquerda vai aos poucos se re-estruturando, com suas diferenças. E o povo responde ao que os governos progressistas lutam para assegurar.

Na Nicarágua, por exemplo, todos comem, e é hoje o país mais seguro do continente. Na Bolívia todos comem e os bolivianos têm dinheiro e distribuem uma prosperidade que antes nunca conheceram porque sempre lhes foi roubada, como acontecia também aqui na Venezuela. São coisas básicas. Antes de grandes sofisticações e complexíssimas aspirações nacionais ou individuais, é preciso garantir o básico. O direito mais básico, de todos, é o direito à vida. Para isso é preciso comer. A educação também é direito de todos. Sem ela, a vida é sempre miserável. De fato, hoje, em muitos países do continente está em curso uma revolução pacífica, porque se o estado oferece e garante educação e formação para o povo, estou transferindo instrumentos que as massas podem usar para defender-se e derrotar os bandidos.

Chávez sempre disse que não vivemos tempos de luta armada, mas tempos de confiar no povo e que o levante aconteça pelo voto popular. É claro que algo está acontecendo, porque se vê que os países do Caribe, que tiveram a formação conservadora dos britânicos, já estão apoiando a Venezuela e já não se deixam levar pelo cabresto pela OEA. Acontece quando a alma é mais forte que o medo e as ameaças, e há gente que não se encolhe e não baixa a cabeça em circunstâncias difíceis e nunca, em nenhuma circunstância, rouba ou se deixa corromper, por muito que esteja em jogo.

Mas estamos vivendo momentos de imenso perigo, porque o império está desesperado e seus aliados estão com medo.

O quintal dos EUA já não é a América Latina: é a Europa. E a OEA já não é o ministério das colônias dos EUA. Muita coisa mudou."

Não aconteceu
Há dois anos escapamos do fim do mundo. Assim o afirmavam os intérpretes do calendário maia.

Estivemos em 2014 no limiar de uma invasão estrangeira. Afirmavam os órgãos de imprensa, defendendo este torrão tupiniquim do continuísmo. 

Mas nada aconteceu. Nem uma coisa nem outra.



Explicando
A inflação é o pomo de discórdia entre a ação governamental destes últimos anos e os que lhe fazem oposição. A um governo que insiste em aumentar o salário mínimo com ganhos reais e afirmar que os programas de distribuição de renda permanecerão.

A alta da gasolina é o sinal apocalíptico de que as coisas vão desgringolar.

Pelo menos para aqueles que há mais de meio século batem na mesma tecla.

Olhando a comparação abaixo dá para perceber o porquê o país deste governo não quebrar com o aumento do salário mínimo e com o da gasolina.



Previsões
Carlinhos de Apucarana previu a derrota do Brasil para a Argentina na Copa do Mundo/2014 por 2 x 1. E mais oraculou: Aécio ganharia as presidenciais, fato também confirmado por uma cartomante.

Previsões – pautadas em situações nada ponderáveis, algumas – não superaram os avisos da meteorologia de anos atrás. Caso anunciado dia de sol podia-se preparar o pulôver; se chuva, ir à praia.

No plano da futurologia mais seguro admitir a descoberta de mais um caso de corrupção brasileira (estadunidense não vale), um político famoso morrerá, assim como um ator ou atriz de renome, presença de tucanos em escândalos será minimizada e a de políticos da base realçada às primeiras páginas etc. etc. etc.

E, para não perder o mote, começará a campanha de nossa imprensa antecipando o fracasso das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Certo como dois mais dois...

Sinais dos tempos...
Que não se afirme tanto. Mas, para a Globo, a demissão de Xuxa é um sinal emblemático.

Ou as coisas não andam bem para a platinada ou a moça não merecia o que diziam dela.

Levante
Há uma turma que escandaliza a existência dos envolvidos com a repressão e a tortura na ditadura militar. Fazem 'panelaço' em frente a suas moradias. Mostram ao povo retratos e nomes e dão publicidade aquilo que os ‘especiais’ moradores escondem: a identidade e a atuação no tempo da ditadura.

Dirão alguns que ocorre uma violação à imagem e à privacidade de cada um deles ‘escrachados’.

Dirão muitos, que não chega aos pés do que fizeram com aqueles a quem torturaram, mataram ou fizeram ‘desaparecer’.

Pela punição dos agentes de Estado que o tornaram centro de tortura há um movimento pela responsabilização criminal se espalhando pelo país: o Levante pela Justiça.
                                        







________

domingo, 28 de dezembro de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Inimaginável
No plano internacional o final do ano trouxe a notícia desejada e ansiada por muitos e inimaginável para outros tantos: EUA iniciaram as tratativas para o reatamento das relações diplomáticas com Cuba, unilateralmente rompidas desde o limiar dos anos 60.

Pelo tempo que durou (desnecessário) não tememos mudança de planos. Caminhamos para testemunhar o fim da Guerra Fria na América.

Os sinais já são visíveis em Cuba, refletindo a nova era entre os históricos adversários.



Ciência
Pernambucano traz valorosa contribuição à Ciência, desenvolvendo meios de solução para o tratamento de infecções sem uso de antibióticos. A descoberta já foi testada.

Destacamos a matéria veiculada na rede, a partir do asboasnovas.com:

Ao invés de antibióticos que agridem o estômago, luzes capazes de tratar infecções. Essa foi a ideia desenvolvida pelo estudante pernambucano Caio Guimarães, que durante um estágio no Wellman Center, laboratório de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), desenvolveu a tecnologia capaz de tratar infecções através da irradiação de luz nos tecidos humanos.

Em uma frequência que mata até mesmo as bactérias mais resistentes, os equipamentos são capazes de eliminar a infecção em cerca de uma hora. Bem mais eficiente que os antibióticos que existem no mercado farmacêutico, o mecanismo já foi testado em uma pesquisa patrocinada pelo exército norte-americano para eliminar bactéria encontrada em ferimentos de soldados que foram ao Iraque. 


Como uma lanterna portátil, o equipamento conta com lâmpadas de led calibradas para irradiar uma frequência exata de luz, que é visível a olho humano e não tem efeitos colaterais. Uma microagulha guia a luz da fonte para dentro dos tecidos humanos, atingindo até mesmo áreas mais profundas. Em fevereiro de 2015, o trabalho será apresentado no Photonics West, em São Francisco, na Califórnia.”

Da redação do blog: fica o registro de nossa preocupação para com o futuro do pernambucano Caio Guimarães. Afinal, sua descoberta vai de encontro à poderosa indústria farmacêutica.

Outro Gilmar
Dizia Tormeza que não há nada perdido neste mundo. É o que sentimos a partir de matéria da Folha Ilustrada neste domingo 28, de que o ministro Gilmar Mendes é um 'entusiasta de políticas de ressocialização de presos'. Dando o exemplo, mantem em seu gabinete no STF cinco condenados, ora em regime semiaberto,

Disse à reportagem que sequer pergunta pelos crimes cometidos pelos presos que aderem ao programa. Desprovido de tal preconceito convive com 'dois condenados por homicídio, dois por tráfico de drogas e um por assalto'.

A atitude de Gilmar Mendes não deixa de ser um exemplo sadio. Sabemos que o angustiante resultado da segregação social para fins de ressocialização do preso é a impotência estatal em conseguir seu objetivo. Não que tal se deva pura e simplesmente ao Estado, mas também à sociedade que erige o preconceito contra ex-detentos, nivelando-os à categoria de irrecuperáveis.

Dos presos que atendem no gabinete do ministro um deles cumpre pena ao lado de condenados na AP 470 (o mensalão petista, porque o do PSDB de Minas Gerais é simplesmente "mineiro").

Ainda que louvemos a postura do ministro Gilmar Mendes, como 'entusiasta de políticas de ressocialização de presos', fica-nos uma pulga atrás da orelha a martelar meu passado me condena: de que Sua Excelência esteja buscando provas para incriminar José Dirceu ou de assegurar uma vaga em seu gabinete para o médico Roger Abdelmassih, depois que este não soube aproveitar o habeas corpus por Gilmar concedido.

Ou, quem sabe?, acatar o banqueiro Daniel Dantas quando este vier a ser condenado.

Ainda que saibamos que, no caso de Daniel Dantas, é sonho numa noite de verão.


Indolente
Confirmado. Aécio Neves é o pior senador da República. Os números não mentem. Inclusive por sua origem. E sua nota, na escala de 0 a 10, é simplesmente ZERO.


Pelos critérios da Veja para avaliar os integrantes do Congresso Nacional, quando são levadas em conta propostas de ajuste na legislação capazes de contribuir para um país mais moderno e competitivo”, o senador mineiro e ex-candidato a Presidente da República encabeça a lista da reprovação com a nota mínima.

Em nível de atuação Aécio perde para o senador João Durval Carneiro, para os deputados Tiririca e Popó de Freitas.

Para ver a lista completa acesse http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/ranking-do-progresso-os-melhores-parlamentares-de-2014

A propósito da lista de Veja
Os deputados Geraldo Simões e Josias Gomes alcançaram notas 6,17 e 6,77, ficando nos 87º e 77º degraus da classificação, respectivamente, entre os 240 que alcançaram avaliação acima de zero.


Fraude
Ensino privado também leva a isso. Para valorizar a participação das instituições no ENEM algumas ‘criam’ centros de excelência, vinculando-os ao nome geral de cada uma para aparecerem como destaque nacional – é o que denuncia o Estadão.

Descobriram a fraude. Apenas para ilustrar: a mesma que aparece em 1º lugar é a que também ocupa o 569º. Uma  outra, a que aparece em 3º ocupa o 2015º.

O expediente apara a artimanha  utilizado por centenas de estabelecimentos  está no plano jurídico: uma minoria dos melhores entre os melhores alunos da escola é selecionada para integrar um novo cadastro no CNPJ ficando os demais no CNPJ antigo. 

Apesar de todos estudarem com os mesmos professores no mesmo local, aparecem em listas distintas, selecionadas ao alvitre da instituição.

Na economia de mercado a competição faz a tônica. Sendo melhor classificada, o mercado legitima mais valor à mensalidade. Nenhum compromisso com a Ética.

Muita gente pode estar pagando gato por lebre neste Brasil. Que tem sempre um 'sabido' para dar um ‘jeitinho’ para tudo.

Escondendo...
O jornalismo global (leia-se, TV Globo) ressaltou o aumento das vendas nos shoppings neste Natal em 3%. O pior resultado nos últimos anos – frisou. 

Analisando pela postura editorial do JN, percebemos que os negócios, na visão da Globo, limitam-se, pura e exclusivamente, ao entra e sai nas lojas físicas instaladas nos shoppings, pois nada tocou nas vendas virtuais.

Faz parte do método de ação política para atingir o Governo: havendo resultado positivo exiba-se o menos positivo de forma que pareça o todo negativo.

No entanto o seu G1, de São Paulo, destacou: 

"Vendas de Natal na web crescem 37% e superam expectativa, diz E-bit

Faturamento do comércio eletrônico foi de R$ 5,9 bilhões, segundo E-Bit.
Black Friday representou 36% das vendas entre 15 /11 e 24/12.


As compras de Natal realizadas pela internet renderam ao comércio eletrônico R$ 5,9 bilhões, o que representa um crescimento de 37% na comparação com o ano passado, informou nesta sexta-feira (26) a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico, que levantou os dados referentes a pedidos realizados de 15 de novembro a 24 de dezembro de 2014.

O crescimento superou a expectativa inicial da E-bit, que previa R$ 5,2 bilhões em vendas para o período.
No total, foram feitos 15,2 milhões de encomendas, com um tíquete médio de R$ 388,00.
A megaliquidação Black Friday, realizada no dia 28 de novembro, representou 20% de todo este faturamento. Considerando os cinco dias de promoção (de 27/11 a 01/12 ), as vendas corresponderam a 36% do total.
Segundo a E-bit, a entrada de novos consumidores é outro fator que continua favorecendo o crescimento do e-commerce no país. Estima-se que o acréscimo foi de 1,5 milhão de pessoas neste natal.
As categorias com maior quantidade de pedidos foram Moda e Acessórios, Cosméticos, Perfumaria e Saúde, Eletrodomésticos, Telefonia e Celulares e Informática.
A E-bit mediu também as compras realizadas por meio de dispositivos móveis. Se no mesmo período do ano passado elas representaram 4,8% do faturamento total e 4,5% dos pedidos, neste ano passaram para 8,8% do faturamento (crescimento de 82%) e 8,8% do total de pedidos (crescimento de 96%)."
...ou temendo
Ao que parece muita gente deixou de entrar e sair das lojas tradicionais. E, em 2014, de fazê-lo nos shoppings. 

O que o noticiário televisivo da Globo não percebeu. Ou não quis fazer o telespectador perceber.

O último parágrafo do G1 deixa, a nosso ver, a razão do esquecimento: o crescimento de 96% nos pedidos por meio de dispositivos móveis. Ou seja, celulares e quejandos.

Dos quais a Globo foge como o Diabo da Cruz.

Tremei, mestres!
O futuro Ministro da Educação, Cid Gomes, em entrevista concedida à rádio CBN afirmou que pretende realizar um exame nacional para professores semelhante ao ENEM.

Compreendamos que Cid Gomes busca avaliar os mestres em suas competências e não pelo padrão dos avaliados pelo ENEM.

Tem gozador prevendo muito pedido de aposentadoria.


Mudou a Bahia?
Um tal de Pablo tem cachê mais alto que Carlinhos Brown e Daniela Mercury em festa de fim de ano em Salvador. Dispensando a ironia suassúnica fico a imaginar que o dito cujo seja um virtuose nos moldes de Beethoven e quejandos.

Caímos na besteira de ouvi-lo no Youtube. Pra quê? De imediato ficamos com raiva do YouTube. Perdoado porque é ferramenta aberta, portanto, passível de tolerar bispote cheio sem tapar o nariz
.
Mas, ficamos assim, jururu. Duvidando de que estamos vivendo numa Bahia do século XXI.

Aderbal Duarte tocando no SESI. E... ah! Deixa pra lá!

Salvou-nos o Soneto de Natal, de Machado de Assis: “Mudaria o Natal, ou mudei eu?”.

Itabuna I
Finda o segundo ano da gestão de Claudevane Leite. A tônica no início girava em torno da ‘herança maldita’. Meses insones de mantra repetido. Auditorias várias foram anunciadas.

Não se tem conhecimento de que qualquer delas tenha vindo a público.

Nem mesmo aquele aparelho sumido do Hospital de Base. 

Detalhe: o aparelho sumiu do HBLEM na gestão atual. Com gente que fala demais dizendo por aí saber onde anda o dito cujo.

Itabuna II
Não precisamos enveredar pelo que resultou da auditoria sobre os componentes da tarifa de transportes municipal. Afinal fazer o que fez o município de Maricá-RJ não é para qualquer um.

Itabuna III
E por falar em transporte coletivo, o município já abriu as portas para o mototaxismo. Mas não abre a discussão para o transporte alternativo feito por vans e microônibus.

Itabuna IV
Conclamamos pela solidariedade para ajudar no custeio da cirurgia do filho de uma colega, vítima de um acidente quando praticava jiu-jitsu, oportunidade em que rompeu todos os tendões de ligamento do joelho direito, inclusive o nervo fibular comum, o que o fez perder toda sensibilidade do pé e a capacidade de andar, exigindo, para reparar o dano, uma cirurgia, no dia 16 de janeiro, em São Paulo, que lhe custará, a título de honorários médicos, a quantia R$ 60 mil.

Não há, entre os familiares, a disponibilidade do valor necessário, razão por que a OAB-Itabuna enceta campanha – à qual este blog se filia – para que os colegas, e quem mais o desejar, contribuam, depositando – qualquer que seja a quantia na Conta Corrente: 6151 – 0, Agência: 1558 – Caixa Econômica Federal, favorecida – Rita de Cássia Arcanjo dos Santos.
__________