domingo, 2 de julho de 2017

Mais credibilidade

Perdendo para a contravenção é o estágio em que está a vara morina. 

Levando-se em consideração as aberrações jurídico-processuais como as que deram de acontecer sob aplausos de uma gente que não consegue sobreviver em regime democrático (pelo menos por haver eleições).

As consistentes observações postas no artigo do baiano Eduardo Borges (professor da UNEB) aqui disponibilizado – leva-nos a concordar com o veiculado na rede – uma vez que Themis (depois de séculos) está perdendo – e feio – em credibilidade e coerência, para o jogo do bicho.

No estatuto do Barão de Drumond  “vale o que está escrito”. 

Na vara de Sérgio Moro (possessivo mesmo), nada disso. Mais próxima do princípio que norteia a boca de fumo: tendo dono a lei é a lei do dono.

Entre pesos e contrapesos
Está lá – em Eduardo Borges, link acima disponibilizado – em comentário de Ari Couto: 

"A justiça sempre teve 2 pesos e duas medidas mas, de maneira geral, as evidências ficavam restritas ao interessados num determinado processo. Agora, porém, os fatos são anunciados em cadeia nacional. Vejamos.

Lula está na eminência de ser condenado pelo Circo de Curitiba com base na delação de um homem já entrado em anos que denunciaria, o Papa, Deus ou sua mãe se necessário para ser solto. Nesse ínterim, Aécio é liberado para voltar ao Senado, quando o mesmo Lula foi impedido de assumir um ministério por um juiz abaixo de qualquer suspeita usando em seus argumentos uma gravação ilegal. Já com Moreira Franco...E temos ainda o homem da mala com o dinheiro do Temer sendo solto apesar de sua cueca ser puro batom. E, como se nada mais faltasse, vem a vice-presidenta do STF falar em condenações com base no clamor popular."

É minha gente, o colibri perdeu a plumagem. Só recuperou a do urubu.

Ajuste fiscal I
Dia desses o FGTS andou na trilha de ser fatiado. Saques e multas limitados em parcelas. Suspenderam a ignomínia. Por enquanto.

Agora anunciam possibilidade de suspender – ou eliminar – o abono salarial, aquele que o povo conhece como PIS/PASEP. Uma disfarçada propaganda da ditadura travestida de participação do trabalhador nos lucros da empresa. Um fundo depositado em favor do trabalhador que passa a percebê-lo – até dois salários mínimos de ganho – depois de trabalho remunerado durante cinco anos.

Ajuste fiscal II
Na falta de tu é tu mesmo. O (des)governo do interino tornado presidente busca recursos para pagar a banca financeira. Suspenderá o reajuste do Bolsa Família, anunciado em 4,6%.

Certíssimo; dinheiro não pode faltar é aos bancos e rentistas que – coitados (os bancos) – correm o risco de ver seus lucros reduzidos em 21%.

No país onde um presidente (FHC) chamou aposentados de vagabundos carecer do Bolsa Família é um escândalo. Ainda que o FMI recomende seu incremento para evitar um desastre humanitário diante da recessão.

Ficando difícil
Imaginemos como se sente um cidadão que paga suas contas, escorchado por bancos e financeirismo, diante de um (des)governo de ladrões comandado por um deles (poderia ser por todos ou qualquer outro deles).

Por ser de bem paga suas contas, esfola-se e aos seus para fazê-lo. Sabe que se cobrado a espada da Justiça não lhe dará oportunidade. 

Porque quem a maneja está do outro lado. A serviço. 

A dura realidade
Que ninguém escuta, porque ninguém dela fala. Nem mesmo as forças organizadas à esquerda. Mas, para ilustrar o por que de o Brasil estar no cadafalso em que está basta atentar para o registro no Carta Maior, de onde destacamos:

A concordata de direitos sociais por vinte anos, conforme a PEC do Teto, ou para sempre – como ameaçam as reformas na Previdência e na CLT, omite alternativas fiscais sequer toleradas como reflexão pela mídia conservadora.
Há múltiplos de dezenas de bilhões de reais celibatários na economia dissociados de um direcionamento virtuoso.

Eles poderiam gerar as riquezas e serviços dos quais a sociedade carece, a partir de uma repactuação desenvolvimento com a equação tributária que ele requer.

Estudos do Senado brasileiro mostram que, em 2016, R$ 334 bilhões em lucros e dividendos foram apropriados por pessoas físicas das faixas de renda mais altas.

Sem qualquer tributação.

O governo do PSDB isentou esses ganhos em 1995 e assim permaneceram no ciclo de presidências progressistas.

E mais diz: “A simples volta da tributação dos mesmos 15% injetaria R$ 60 bilhões por ano aos cofres públicos.” – recursos que permitiriam, só em investimentos na área metroviária a triplicar a malha existente no país (300 quilômetros) em menos de 3 anos para atender à demanda total, de 1.200 quilômetros.

E nem mesmo se fale de uma CPMF – retirou cerca de 70 bilhões – que poderiam estar vinculados inteiramente à saúde – por birra política da oposição ao então presidente Lula.

Caro leitor: em um país em que é que o extrato do 0,1% dos contribuintes detém 43% da renda do 1% mais rico demonstra a absurda concentração da riqueza produzida. Dados da Segundo a Receita Federal, em 2016 os 10% mais ricos tiveram 2,4 vezes mais renda que os 50% de contribuintes mais pobres. O imposto sobre o consumo – indireto – do qual ninguém escapa, representa 15% do total arrecado no Brasil, enquanto a taxação sobre o lucro líquido mal chega a 1,5%.

O mesmo país que gastou no ano passado cerca de 7% do PIB no pagamento de juros da dívida pública.

A 4ª maior carga desse tipo em uma lista de 183 países, segundo informa Mark Weisbrot , do Centro de Pesquisa Econômica e Política, de Washington (Folha 06/06/2017).

Golpe: causas e consequências
Sobejas razões tem a presidente Dilma quando nomina os responsáveis pelo golpe.

Como as têm os que lhe atribuem inércia ‘republicana’ por deixar correr tudo frouxo com/como a frouxidão de ministros como José Eduardo Cardozo e Aloísio Mercadante.

Não vem ao caso
Em qualquer projeto de democracia a confiança no povo é a base de sustentação. Não é caso do Brasil, onde uma classe dominante sempre encontra um meio de impedir que o povo o exerça.

A indissociabilidade do exercício irrestrito – sem concessões – da soberania popular sempre é um entrave nesta terra brasilis. Porque sua classe dominante – sempre beneficiária da desgraça que causa e cria – não admite experiência popular.

Especialmente quando dá certo! 

Faltou ser avaliada em solidariedade
A baiana Luislinda – saudada como primeira negra em muita coisa, juíza inclusive, primeira “desembargadora negra” (alardeado como título e não como mérito), oriunda do trabalho doméstico (em casa) – paradigma de superação na eterna luta de classes posta sob olhar marxista deixou-nos sob transe quando aceitou comandar ministério do interino tornado presidente. Tal circunstância, relegamos. Afinal, vinculada político-partidariamente ao PSDB, nesse quesito nada a esperar.

No entanto a declaração a ela atribuída, de que “O equívoco não partiu desta ministra, mas sim de outras autoridades que deveriam estar alertas ao prazo” a remete àquela pequeno-burguesia que desconhece origens quando (pensa) muda (sublima) de origem.

Em jogo, por inércia do Governo do Paraná, a vida de 45 jovens que viram cancelado o programa de proteção aos ameaçados de morte por traficantes, o que "cheira a desumanidade do governo" do interino tornado presidente, como denuncia o blog do Esmael.

Tal declaração, a de Luislinda – além de infeliz – reforça uma tese que temos defendido neste espaço: a de que juízes, em concurso, não são avaliados em muitas coisas (Filosofia, Sociologia, Economia Política, Antropologia, Geopolítica, Finanças Públicas etc. etc.).

No caso da Dra. Luislinda, também em solidariedade humana. Porque nem política o teve, já que a “autoridade” a que se refere  nada mais é que um parceiro tucano, o governador Beto Richa, 

Martelo das bruxas
Vão-se confirmando o caráter e a vontade política na vara de Curitiba sob martelo de Moro. 

O senador Roberto Requião tomou o Maleus Maleficarum como referência e lá descobre que o que andam fazendo alguns magistrados e titulares outros do Ministério Público estatuído está na obra dos beneditinos Heinrich Kramer e James Sprenger, datado de 1484, parição da Idade Média contra milhares de escolhidos para serem assados na fogueira da Inquisição.
  
Desejando o leitor o texto original, de onde parecem haver saído as teses que instruem a processualística na vara morina a ilustração ao lado demonstra existir versão no Brasil.

Que deve andar esgotada por aqueles lados. 

O pensamento de São Paulo
Não tenha dúvidas o leitor: Dória é a cara de São Paulo. 

10 razões
Às vésperas de ser condenado a 22 anos, meses e dias de prisão – fato já antecipado em revista semanal – o Instituto Lula trouxe a público 10 razões para a absolvição de Lula.

Disponibilizamo-las, tão só. Que julgue e avalie o leitor.

As 21 razões
A certeza de que não vivemos um Estado Democrático de Direito em plenitude, segundo Lênio Streck.

De novo!
Mais de meia tonelada de cocaína. 653 Kg, mais precisamente aqui e aqui. Dia desses, aquele de Perrela. Agora, saindo da fazenda de Blairo Maggi, ex-governador do Mato grosso e atual Ministro da Agricultura. Tudo em casa.

E atribuem aos Fernandinho Beira-Mar e Marcola o controle do tráfico.

Absolvido
Registramos no dia 18 de junho, em Luz:

"Ainda que um voto revisor, surge luz no fim do túnel. Enfrentar a pressão midiática – que tem no PT o pai de todas as desgraças no país – e afirmar em voto que o juiz Sérgio Moro condenou Vacari Neto sem provas, apenas na base de delação, é sinal da existência de juízes em Berlim.

Do voto do revisor, desembargador Leandro Paulsen, do TRF-4, a absolvição de Vaccari decorreria da falta de provas: 

'Nenhuma sentença condenatória será proferida apenas com base nas declarações de agente colaborador. O fato é que a vinculação de Vaccari não encontra elementos de corroboração. É muito provável que ele tinha conhecimento, mas tenho que decidir com o que está nos autos e não vi elementos suficientes para condenação', afirma o magistrado."

Como antecipamos, Vaccari absolvido (por falta de provas  porque delação não é prova).

Cursinho
Não há intuito algum de recomendar ao juiz Sérgio Moro passar por um desses cursinhos preparatórios da OAB no quesito provas em processo criminal.

Mas, a afirmação contida na decisão que absolveu Vaccari, de que delação sem prova não gera sentença condenatória, soa como sugestão a retorno aos bancos escolares. Pelo menos de um cursinho preparatório da OAB.

Não é surpresa, e sim a linha de julgamento do TRF-4, que "reformou todos os casos em que as acusações vieram respaldadas unicamente em delações, sem as provas", como o afirma Luís Nassif.

Soa a desafio
A manutenção de Vaccari preso – por conta de outro decreto preventivo de Moro – soa a desafio. 

Abusivo porque se sustenta nos mesmos fatos que originaram a condenação, da qual absolvido Vaccari.

Acrescido de um detalhe: soltou os delatores.

Vejamos como reagirá o TRF-4.

Porque a mídia aplaude!



domingo, 25 de junho de 2017

Apocalíptico

Temos trilhado por entre fábulas e saias justas, pessimismo, palhaçadas e desgoverno, buracos profundos, confissões, até pelo Latim (miserere nobis) porque o idioma pátrio já não atende aos reclamos da realidade, a tantas coisas mais, a ponto de o leitor ser chamado à conclusão muitas vezes. É que estamos num país de tristes figuras, perdido entre a verdade por ser encontrada, entre guerras e batalhas, sob o clima de rupturas, que caminha a passos largos por utopias, samaritanos, listas e venenos em meio a indigências entre dois países que não se encontram, perdidos entre remunerações e quebradeiras, escondendo em gargalhares e ironias o domínio da mesquinhez na triste sina de ser Brasil, tentando fugir dos tempos de necrológio da existência entre a tragicidade e a idiotia, caminhando para chamar Moreira César, o corta cabeças, como expressão governamental, pois este é o por vir que nos impuseram por ser esta terra o peru da vez a enganar os novos sinais da fome, as reações ou insatisfações em faniquito; afinal, o crime compensa, está demonstrado, caminhando – como caminhamos – para o começo do fim, de beiradas ou asas quebradas, pouco importa. Descendo a ladeira estamos, desde que consolidado o golpe.

De outubro/2016 a este junho que finda, os títulos (em itálico) que alimentam o parágrafo de abertura deste editorial dispensam avançar até maio daquele ano, porque nada a ser acrescentado a uma nação destruída em valores e instituições.

De lá para cá profundou-se escrever sobre o Brasil como exercício de fuga a um lugar comum: denúncias que se  sobrepõem, ilustrando a roubalheira escancarada comandada por um interino tornado presidente, anunciado como chefe de quadrilha.

Mas não reside aí a marcha dolorosa. A profunda agonia persiste porque posto o ‘chefe’ o foi para que se realizasse o butim, que se tornara não suficiente no período dos governos imediatamente anteriores. Ou, como anunciado por tal gente (santa de pau oco), porque novos atores ocupavam a cena. O detalhe, então, passa a residir na comparação entre o antes e o depois, dispensado o pós-depois (do interino).

Ainda que os atores dos desmandos, em parte considerável, agissem a partir de tempos mais imemoriais (disse-o Machado, desde 1946) buscou-se a criminalização de um bode expiatório (que deu causa por acreditar que sendo igual não seria alcançado). Ocorre que sobre o bode lançaram tudo, desde Roma. E as merrecas, em termos comparativos, tornaram-se fortunas incalculáveis, ainda que diante de bilhões santificados.

Certo que as visíveis contradições não mais enganam. Não há como acreditar que outros não sejam os motivos que sustentaram – e sustentam – o golpe.
No mais, apenas aprofundamos perdas: da identidade, dos referenciais étnicos, sociais e nacionais. Estamos vivendo a imposição de aprender a não nos conhecer. Nióbio, terras, Alcântara e a Arábia Saudita do pré-sal estão indo pelo ralo.

E já não nos basta um interino tornado presidente levando ao exterior o ridículo de sua desmoralização – e na esteira dela o Brasil – porque além da queda vem coice.

E acabamos de saber em torno do domínio que sobre nós ocorrerá através do controle da informação aprofundado em nível de globalização/neoliberalismo. A crise financeira da Globo levou-a a coadjuvância da Vice Media – deu no The Wall Stret Journal – canadense radicada nos Estados Unidos, que editora conteúdos para jovens.

O fato se encontra comentado/analisado pelo professor Pedro Augusto Pinho, no Conversa Afiada. Simplesmente apocalíptico. 

Precipitado o retorno à escravidão e ao colonialismo, que aguarda as próximas gerações.

Só nos falta Debret.

Nada mudou
Sociedade forjada à sombra da escravidão – afirma-o Jessé Souza em entrevista a Carta Capital. Autor de A Ralé Brasileira (2009), A Tolice da Inteligência Brasileira (2015) lançará A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato, analisando o comportamento brasileiro, em relação à escravidão, sob um conceito científico, para explicar o processo desenvolvido na terra brasilis, ilustrando:

“Como essa herança nunca foi refletida e criticada, continua sob outras máscaras. O ódio aos pobres é tão intenso que qualquer melhora na miséria gera reação violenta, apoiada pela mídia. É o tipo de rapina econômica de curto prazo que também reflete o mesmo padrão do escravismo.” 
Males de antes, males de hoje.

Cansativo
Não fora imperiosa necessidade de contrapor-se ao lawfare que insiste em ser Lula o dono de um apartamento no Guarujá estaríamos cansado(s) de ouvir o lenga-lenga da Lava Jato em torno do tema.

Lula não é dono versus Lula é dono, eis a questão.

Desmoralização
O país está desmoralizado perante o cenário internacional. Ninguém o respeita. Os prejuízos se avolumam. Seu Judiciário é alvo de críticas – aqui e lá fora.
Uma revista semanal – pródiga em obter vazamentos – antecipa a condenação de um juiz  a Lula em 22 anos.

Caso alguém pergunte se há prova(s) nos autos tenha a consciência de que em país desmoralizado, com juiz fazendo política partidária, prova judicial é coisa de somenos.

Ecce homo
Recebido por um vice-Primeiro-Ministro, na Rússia; um único jornalista, iniciante, acompanhndo seu discurso na Noruega (onde ouviu sobre cortes de investimentos no Brasil); recebido pelo chefe interino do Cerimonial e do comandante da base aérea local, onde anunciou que se encontraria com o “rei da Suécia”, ainda que estivesse na Noruega.

Eis o interino! Eis o homem!

Aos estudiosos
Em nós nenhuma pretensão aclamatória, mas tão somente a de disponibilizar uma peça de natureza jurídica sobre um tema que pode alcançar pessoas vizinhas bem próximas de nosso escritório, disponibilizada no Empório do Direito.

Quiá-quiá-quiá...
A gaitada – forma como dita pelo interior aquela risada gostosa e gozadora – começa a ficar desmoralizada, tanto se repetirá. 

Começa com o interino tornado presidente processando o colega de infortúnio/ladroagem Joesley Batista.

Voyerismo
De Eugênio Aragão a Dellagnol, aqui, com carinho, que anda faturando com palestras.

Confisco programado
A materializar-se a pretensão de Meirelles não tardará o confisco de parte do FGTS para garantir o pagamento aos rentistas. 

Em outras palavras: tirar do trabalhador para beneficiar a especulação financeira.

Nunca esquecemos
É pessoal, mesmo! Nunca esquecemos uma certa matéria de um esculachado grupo com programa televisivo. Nunca esquecemos a humilhação a que foi levada nossa querida Itororó em nível nacional. Nunca esquecemos da indagação naquele instante: quem pagou?

A senadora Kátia Abreu denunciava, à época, o que estava acontecendo: uma brutal concentração em detrimento dos pequenos, promovido por grandes grupos, o que viria a sacrificar, inclusive, toda a cadeia produtiva.

Itororó cometia o crime de abater entre 800 a 1.000 reses semanalmente, tirando da JBS, instalada em Itapetinga, a sanha por concentrar em suas mãos todo o abate regional e brasileiro.

Acompanhe a política de "terra arrasada" causada pela JBS, na leitura viabilizada pelo GGN.

Que atingiu Itororó.

domingo, 18 de junho de 2017

De fábulas a saias justas

Para análise I
A Karl Marx atribui-se a profecia: o capitalismo sucumbirá a suas próprias contradições. O estopim residiria na circunstância de socializar a produção (Capital + Trabalho) e concentrar a distribuição do lucro (obtido com parcela do Trabalho, pela mais-valia, teoria elaborada bem antes de Taylor desenvolver o sistema assegurador da produtividade, que fez ampliar aquela). 

Tal afirmação nem mesmo previa a substituição/apropriação do capital produtivo pelo financeiro/especulativo, na contemporaneidade do Neoliberalismo, tampouco vislumbrava o surgimento das novas tecnologias, incluindo a robótica. 

Nestes sombrios tempos em que o Neoliberalismo é a expressão do próprio Capital ler a entrevista concedida por Antonio José Avelãs Nunes a Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada) ilustra a compreensão do estágio a que chegamos.

E o Brasil, mais do que nunca, no contexto.

Para análise II
Aos advogados e estudantes de Direito destacamos: "Para sairmos desta caminhada vertiginosa para o abismo, é necessário evitar que o mercado substitua a política, que as 'leis do mercado' se sobreponham aos normativos constitucionais e que o estado democrático ceda lugar a um qualquer estado tecnocrático".

Sob esse condão, o significativo papel do julgador/Judiciário em compreender o que de 'mercado' foi inserido no ordenamento jurídico e fazer sobrepor o princípio da primazia do Homem sobre aquele.

Luz
Ainda que um voto revisor, surge luz no fim do túnel. Enfrentar a pressão midiática – que tem no PT o pai de todas as desgraças no país – e afirmar em voto que o juiz Sérgio Moro condenou Vacari Neto sem provas, apenas na base de delação, é sinal da existência de juízes em Berlim.

Do voto do revisor, desembargador Leandro Paulsen, do TRF-4, a absolvição de Vaccari decorreria da falta de provas: 

Nenhuma sentença condenatória será proferida apenas com base nas declarações de agente colaborador. O fato é que a vinculação de Vaccari não encontra elementos de corroboração. É muito provável que ele tinha conhecimento, mas tenho que decidir com o que está nos autos e não vi elementos suficientes para condenação“, afirma o magistrado.

A fábula
Na esteira de O Rei Está Nu esta fábula de Sebastião Nunes, disponibilizada no GGN. A metáfora de uma história sem fim a la Sherazade ou Giovani Boccaccio, até que as razões para conta-la se desfaçam no ar. O que anda muito difícil e imprevisível, tantos os fatos novos a se atropelarem na disputa por aparecer.

Enquanto isso o sultão ensaia a morte de aposentados e pensionistas em vez de esposas e se transformou na própria Peste Negra.

A entrevista I
Uma coisa não bate com a realidade histórica na entrevista de Joesley à revista Época: a afirmação de que fora o PT o organizador do processo de corrupção no país nos moldes em que existe. 

Não se afaste o Partido dos Trabalhadores, no Poder, de ter se envolvido no tradicional sistema de financiamento eleitoral tupiniquim via caixa 2. Isso fica claro desde o dia em que, no imediato da assunção, buscou Marcos Valério – finório agente do PSDB de Minas – para ilustrar ‘cursos’ aos recém chegados.

Demais disso, caixa 2 nem sempre significa corrupção em relação aos recursos, o que alcança todos os partidos.

Outro senão na entrevista se nos afigura esforço para dourar o entrevistador: o raciocínio de que tudo começou com o PT desmente a verdade de Sérgio Machado, de que a coisa rola solta desde 1946. Passando ao largo dos depoimentos de Duque, Cerveró e quejandos estendendo os fatos da Petrobras ao período FHC (lembrar, com Kiko Nogueira, no DCM), incluindo aqueles US$ 100 milhões para o PSDB como propina pela aquisição da YPF argentina e a ansiedade e a gula do PMDB por diretorias na estatal.

E a revista não perdeu a oportunidade de chamar o interino tornado presidente de chefe “da quadrilha mais perigosa do Brasil” na capa da edição.

Enquanto isso vão vivendo dias tranquilos José Serra, FHC, Sérgio Motta (in memorian) etc. etc. 

Porque, dentre estes, o bode expiatório – sem possibilidade de expiação, até agora – é o senador Aécio Neves.

A entrevista II
Joesley é um nouveau riche dentro de poucas centenas de brasileiros, bom aprendiz na linha de Daniel Dantas. 

Não temos esse rapaz como herói ou com alguma importância, além de bandido como muitos desta podre classe dominante que se apropriou do Estado desde os tempos de Colônia.

E que sonha tornar o Brasil novamente uma colônia: dos Estados Unidos. Para onde carreiam o dinheiro que roubam aqui.

Arrumação I
A situação do interino tornado presidente caminha para a insustentabilidade. Só uma coisa efetivamente o motiva a permanecer: evitar a cadeia, no imediato da descida da rampa do Planalto.

O compromisso de entregar o país e destruir a incipiente proposta de um Estado de Bem-Estar Social se torna coisa menor.

Arrumação II
No entanto aí reside o busílis: assumiu para corresponder ao baronato (interno e externo). Sua saída sob o condão de uma eleição direta – coisa que demanda tempo – pode levar esse baronato a ter que engolir sapo, leia-se Lula. O que significa retorno à políticas em razão das quais o PT/Governo foi derrubado.

A eleição indireta sinaliza dias nebulosos.

Há cheiro de parlamentarismo no ar. 

Geddel
O baiano saiu do governo mas não perdeu a evidência.

Judiciário faz parte
Dispensamos comentar. Disponibilizamos a matéria, como publicada. Cremos que os fatos são por demais graves. 

A demonstrar que o Poder Judiciário (no caso concreto, específico, o Tribunal Superior do Trabalho) se imiscuiu no jogo sujo a serviço do capital.

Em termos de decisões monocráticas, posteriormente mantidas por colegiados de 2º Grau, não desconhecemos o tratamento dado ao Trabalho no conflito com o capital, como ocorre em muitos casos.

Mas desconhecíamos a saga de cortes superiores, na pessoa de alguns de seus expoentes.

No caso específico da denúncia contida no texto outro agravante: uma empresa de propriedade de um ministro do STF (Gilmar Mendes) acumplicia a canalhice, custeada/patrocinada por uma empresa privada, a JBS. 

Unanimidade
O interino tornado presidente começou a sua lua-de-mel anunciando a intenção de unir o país. Nem mesmo chegara a um ano já conseguira o proposto: quase a totalidade contra. 

Inclusive pedindo  de forma nada delicada  a imediata saída do salvador. 

Decifra-me ou devoro-te
A (nova) iniciativa de juristas capitaneados por Cláudio Fonteles, ex-Procurador da República, Hugo Cavalcanti de Melo Filho (ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho-ANAMATRA) e Marcelo Neves (ex-membro do Conselho Nacional de Justiça-CNJ) em reiterar o pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes no Senado, aliando-o a uma notícia crime junto a Procuradoria-Geral da República e uma representação disciplinar diretamente ao STF levanta lebres muitas.

Sem dúvida, uma saia justa foi posta – e bem justa – no corpinho do STF diante dessa representação disciplinar.

A melhor saída será transferir para o Senado. 

Mas, não tem saída. Qualquer decisão dentro da representação disciplinar abalará a imagem do STF. 

Inclusive a de não decidir.

Festa
E por falar em São João Léo Villanova exibe a melhor surpresa(?) do ano.