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sexta-feira, 6 de abril de 2012

II FECIBA

Tocante
Na Mostra Competitiva do II FECIBA o pungente "Breve Passeio", de Rafael Jardim, exibido para o público e para apreciação do Júri na quinta 5.

A sinopse dispensa comentários: "A pedido da nora grávida, Margarida foi deixada num asilo pelo filho, que prometeu buscá-la após o nascimento do bebê. Alguns anos se passam e Margarida continua no asilo, onde faz amigos e agora planeja um passeio para conhecer a neta".

O encontro entre a avó e a neta, já grande, transforma o exercício criativo de Rafael Jardim numa obra da cinematografia baiana que exige ser vista em qualquer festival do planeta. Coisas que tocam, como "Humberto D", de Vittorio De Sica.

A pungente realidade da velhice nestes tempos em que a família perde valores e os idosos o reconhecimento e a "utilidade" para servi-la.

Para ver e sentir brotar a emoção através da tela, quando a realidade nos cerca sem que a percebamos.

Para não esquecer

O Nó
Na quarta-feira, dentro da Mostra Atualidades, na programação do II FECIBA, que ocorre em Ilhéus desde o dia 2 e se encerra neste sábado, foi exibido o documentário “O Nó: Ato Humano Deliberado”, de Dilson Araújo (na foto, com a equipe de produção), uma visão sobre o desdobramento da crise cacaueira a partir da vassoura-de-bruxa.

O diretor amparou-se em depoimentos de cacauicultores e em documentos da Polícia Federal.

O título repercute dois instantes: o “nó”, como nominada a enxertia pelos que a viram no início, e “ato humano deliberado”, a conclusão da apuração da Polícia Federal, de que a infestação ocorreu propositadamente.

A exibição, no Teatro Municipal de Ilhéus, fez esgotar os ingressos e deixar muita gente de fora, a ponto de já estar programada uma sessão extra para este sábado, às 14:00 h.

Durante os debates - que sempre ocorrem depois da exibição - velhas feridas brotaram, nomes foram expostos e, sem claque, a confirmação de que no imaginário regional autorias estão definidas, ainda que a PF não houvesse indiciado quaisquer delas.

Assim como a responsabilidade da CEPLAC, que sofre as consequências pelos erros cometidos no curso destes anos.

O que inclui a tresloucada “matança” de cacauais como solução para erradicar a praga.