Assistir e descobrir
Buscando revelar ao estudante, preferencialmente, a literatura de Jorge Amado a partir do cinema que nela se baseia, aporta em Itabuna a Mostra Jorge Cine Amado, sob curadoria do ator Caco Monteiro, a partir de amanhã no Centro de Cultura Adonias Filho.
"Capitães de Areia", de Cecília Amado, abrirá a Mostra às 8:00h, seguida de palestra e debate com o jornalista e crítico Adalberto Meirelles, retornando a partir das 19:00h com a exibição dos documentários "Jorjamado no cinema de Glauber Rocha" e "Jorge Amado", dirigido por João Moreira Sales, que serão também comentados por Adalberto.
Muito interessante a forma de abordagem da obra de Jorge Amado, fazendo o espectador descobrir a sua origem na dimensão literária. Essa integração é um exemplo a ser seguido.
Assistindo e descobrindo a literatura amadiana através do cinema, um tributo ao ferradense ilustre.
O que falta
Tivéssemos uma FICC dirigida por alguém que conhecesse e compromissado fosse com a cultura local e a valorização dos elementos que lhe são próprios, onde é presença significativa a existência de Jorge Amado, a "Mostra Jorge Cine Amado" seria também apresentada no Galpão Cultural Casa de Jorge Amado, em Ferradas, que fica localizado na própria casa onde viveu o escritor parte de sua infância.
Uma forma de alimentar a autoestima dos conterrâneos.
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Da arte à mediocridade
Contraste
Estamos saindo de uma realidade por demais alvissareira, debruçado sobre o que trouxe o II FECIBA durante a semana em Ilhéus. Que expôs o que de vigoroso ocorre no cinema baiano, das novas produções ao resgate de clássicos.
Estamos saindo de uma realidade por demais alvissareira, debruçado sobre o que trouxe o II FECIBA durante a semana em Ilhéus. Que expôs o que de vigoroso ocorre no cinema baiano, das novas produções ao resgate de clássicos.
Enquanto nos alegramos com o que se faz de cinema na Bahia, nos vimos chocado com o veiculado no “Radar Online”, informando que Xuxa conseguiu, mais uma vez, sustar a exibição de “Amor, estranho amor” (1982), o que fora solicitado pelo produtor Aníbal Massaini Neto.
De nossa parte (já vimos o filme), só uma razão justifica o pedido de intervenção judicial em favor de Xuxa: a mediocridade da atriz no belo filme de Walter Hugo Khouri, onde a pobreza artística da “rainha dos baixinhos” não encontra limites e se torna negação absoluta do recomendado nas academias.
Só é possível entender sua participação – medíocre, como sempre – em razão da época: modelo iniciante que namorava Pelé, posava nua...
O filme
Imprópria e apelativamente rotulada de drama erótico, a densa trama psicológica, tendo por fundo a realidade da política brasileira, desenvolvida com competência por Khouri, traça um painel metafórico das entranhas do poder, e não pode deixar de ser vista, por causa dos lindos olhos de Xuxa.
Xuxa nele só é reconhecida porque, por ato de caridade cristã, fizeram inserir seu nome no elenco, ao lado de Tarcísio Meira, Vera Fisher, Íris Bruzzi, Mauro Mendonça, Otávio Augusto e, inclusive, Rubens Ewald Filho.
Porque, se houvermos de falar em interpretação...
Nada impede que seja visto
Demais disso, com proibição ou não, está disponível através de publicidades no Google, até por 20 reais. A vingança de Xuxa dá prejuízo ao produtor e à arte na celulose.
Claro que quando falamos em arte longe dela está a loura global.
Enquanto isso
O que nos salva é saber que há gente fazendo arte. Ainda que a mediocridade de uns impere.
Mas, enquanto a mediocridade depende da decisão de um juiz para que prevaleça, a arte cavalga "na garupa leve do vento macio" (Viagem, de Paulo César Pinheiro) quando a poesia se encontra em todos os que a amamos, fixada na celulose e no digital por aqueles que a cultuam.
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sexta-feira, 6 de abril de 2012
II FECIBA
Tocante
Na Mostra Competitiva do II FECIBA o pungente "Breve Passeio", de Rafael Jardim, exibido para o público e para apreciação do Júri na quinta 5.
A sinopse dispensa comentários: "A pedido da nora grávida, Margarida foi deixada num asilo pelo filho, que prometeu buscá-la após o nascimento do bebê. Alguns anos se passam e Margarida continua no asilo, onde faz amigos e agora planeja um passeio para conhecer a neta".
O encontro entre a avó e a neta, já grande, transforma o exercício criativo de Rafael Jardim numa obra da cinematografia baiana que exige ser vista em qualquer festival do planeta. Coisas que tocam, como "Humberto D", de Vittorio De Sica.
A pungente realidade da velhice nestes tempos em que a família perde valores e os idosos o reconhecimento e a "utilidade" para servi-la.
Para ver e sentir brotar a emoção através da tela, quando a realidade nos cerca sem que a percebamos.
Na Mostra Competitiva do II FECIBA o pungente "Breve Passeio", de Rafael Jardim, exibido para o público e para apreciação do Júri na quinta 5.
A sinopse dispensa comentários: "A pedido da nora grávida, Margarida foi deixada num asilo pelo filho, que prometeu buscá-la após o nascimento do bebê. Alguns anos se passam e Margarida continua no asilo, onde faz amigos e agora planeja um passeio para conhecer a neta".
O encontro entre a avó e a neta, já grande, transforma o exercício criativo de Rafael Jardim numa obra da cinematografia baiana que exige ser vista em qualquer festival do planeta. Coisas que tocam, como "Humberto D", de Vittorio De Sica.
A pungente realidade da velhice nestes tempos em que a família perde valores e os idosos o reconhecimento e a "utilidade" para servi-la.
Para ver e sentir brotar a emoção através da tela, quando a realidade nos cerca sem que a percebamos.
Para não esquecer
Na quarta-feira, dentro da Mostra Atualidades, na programação do II FECIBA, que ocorre em Ilhéus desde o dia 2 e se encerra neste sábado, foi exibido o documentário “O Nó: Ato Humano Deliberado”, de Dilson Araújo (na foto, com a equipe de produção), uma visão sobre o desdobramento da crise cacaueira a partir da vassoura-de-bruxa.
O diretor amparou-se em depoimentos de cacauicultores e em documentos da Polícia Federal.
O diretor amparou-se em depoimentos de cacauicultores e em documentos da Polícia Federal.
O título repercute dois instantes: o “nó”, como nominada a enxertia pelos que a viram no início, e “ato humano deliberado”, a conclusão da apuração da Polícia Federal, de que a infestação ocorreu propositadamente.
A exibição, no Teatro Municipal de Ilhéus, fez esgotar os ingressos e deixar muita gente de fora, a ponto de já estar programada uma sessão extra para este sábado, às 14:00 h.
Durante os debates - que sempre ocorrem depois da exibição - velhas feridas brotaram, nomes foram expostos e, sem claque, a confirmação de que no imaginário regional autorias estão definidas, ainda que a PF não houvesse indiciado quaisquer delas.
Assim como a responsabilidade da CEPLAC, que sofre as consequências pelos erros cometidos no curso destes anos.
O que inclui a tresloucada “matança” de cacauais como solução para erradicar a praga.
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