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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Império

Da ironia
Em sutil instante de sua verve Luiz Nassif inspirou-se em texto  que reputa como "crônica imortal publicado por Roberto Da Matta.

No seio dos comentários o hilário de Fábio SP, que trazemos ao espaço como contraponto – não menos irônico  à tendência posta por quem controla a informação ao seu talante maniqueísta, onde 'aos outros posso fazer; a mim, não façam' que bem norteia a tragédia que vivemos como Civilização, onde cultuado o ter como razão e o Ser como abstração intelectual, que alcançou o apogeu de não mais ter o Homem como sentido e destinatário daquela.  



Estado Islâmico queria explodir Cristo Redentor junto com ação terrorista na França.
(CNN Special)

Documentos descobertos e mantidos em sigilo pela Polícia Federal do Brasil, FBI e Polícia Francesa revelam que o Estado Islâmico (ISIS), teria ordenado a execução de um atentado no Brasil.

O alvo da ação seria a estátua do Cristo Redentor, um dos símbolos mais conhecidos do Rio de Janeiro. Foram enviados para o sequestro de um avião que seria lançado contra a "estátua-símbolo dos infiéis cristãos".

Os registros da Polícia Federal dão conta de que os dois terroristas chegaram ao Rio no domingo, 1 de novembro , às 21h47m, num voo da Air France.

A missão começou a sofrer embaraços já no desembarque, quando a bagagem dos muçulmanos foi extraviada, seguindo num voo para o Paraguai.

Após quase seis horas de peregrinação por diversos guichês e dificuldade de comunicação em virtude do inglês ruim, os dois saem do aeroporto, aconselhados por funcionários da Infraero a voltar no dia seguinte, com intérprete. Os dois terroristas apanharam um táxi pirata na saída do aeroporto, sendo que o motorista percebeu que eram estrangeiros e rodou duas horas dando voltas pela cidade, até abandoná-los em lugar ermo da Baixada Fluminense. No trajeto, ele parou o carro e três cúmplices os assaltaram e espancaram.

Eles conseguiram ficar com alguns dólares que tinham escondido em cintos próprios para transportar dinheiro e pegaram carona num caminhão que entregava gás. Na segunda-feira, às 7h33m, graças ao treinamento de guerrilha no Afeganistão, os dois terroristas conseguem chegar a um hotel de Copacabana.

Alugaram então um carro e se perderam no Rio, entraram para o lado da Rocinha e o carro foi totalmente metralhado, mais uma vez graças ao treinamento de guerrilha se safaram, voltaram para aeroporto, determinados a sequestrar logo um avião e jogá-lo bem no meio do Cristo Redentor. Enfrentam um congestionamento monstro por causa de uma manifestação de estudantes e professores em greve e ficaram três horas parados na Avenida Brasil, altura de Manguinhos, onde seus relógios foram devidamente roubados em um arrastão. Às 12h30m, resolvem ir para o centro da cidade e procuram uma casa de câmbio para trocar o pouco que sobrou de dólares.

Recebem notas de R$ 100,00 falsas, dessas que são feitas grosseiramente a partir de notas de R$ 1,00.

Por fim, às 15h45m chegam ao Tom Jobim para sequestrar um avião.

Aeroviários e passageiros estão acantonados no saguão do aeroporto, tocando pagode e gritando slogans e palavras de ordem contra o governo.

O Batalhão de Choque da PM chega batendo em todos, inclusive nos terroristas.

Os árabes são conduzidos à delegacia da Polícia Federal no Aeroporto, acusados de tráfico de drogas, visto que tiveram plantados papelotes de cocaína nos seus bolsos.

Às 18 horas, aproveitando o resgate de presos feito por um esquadrão de bandidos do Comando Vermelho, eles conseguem fugir da delegacia em meio à confusão e ao tiroteio. Às 19h05 eles se dirigem ao balcão da GOL para comprar as passagens.

Mas o funcionário que lhes vende os bilhetes omite a informação de que os vôos da companhia estão suspensos.


Eles então discutem entre si, pois começam a ficar em dúvida se destruir o Rio de Janeiro, no fim das contas é um ato terrorista ou uma obra de caridade.

Às 23h30m, sujos, doloridos e mortos de fome, decidem comer alguma coisa no restaurante do aeroporto. Pedem sanduíches de churrasquinho com queijo de coalho e limonadas. Só na terça-feira, às 4h35m, conseguem se recuperar da intoxicação alimentar de proporções equinas, decorrente da ingestão de carne estragada usada nos sanduíches. Foram levados para o Hospital Miguel Couto, depois de terem esperado três horas para que o socorro chegasse e percorresse os hospitais da rede pública até encontrar vaga. No HMC foram atendidos por uma enfermeira feia, grossa, gorda e mal-humorada.

Debilitados, só terão alta hospitalar no domingo.

Domingo, 18h20h: os homens de al-Baghdadi saem do hospital e chegam perto do estádio do Maracanã. O Flamengo acabara de perder o jogo . A torcida rubro-negra confunde os terroristas com integrantes da galera adversária e lhes dá uma surra sem precedentes. O chefe da torcida é um tal de "Pé de Mesa", que abusa sexualmente deles.

Às 19h45m, finalmente são deixados em paz, com dores terríveis pelo corpo, em especial na área proctológica. Ao verem uma barraca de venda de bebida nas proximidades, decidem se embriagar uma vez na vida (mesmo que seja pecado, Alá que se foda!). Tomam cachaça adulterada com metanol e precisam voltar ao Miguel Couto. Os médicos também diagnosticam gonorreia no setor retofuricular inchado (Pé de Mesa não perdoa!).

Segunda-feira, 23h42m: os dois terroristas fogem do Rio escondidos na traseira de um caminhão de eletrodomésticos, assaltado horas depois na Serra das Araras. Desnorteados, famintos, sem poder andar e sentar, eles são levados pela van clandestina de uma ONG ligada a direitos humanos.

Viajam deitados de lado. Conseguiram fugir do retiro da ONG no dia seguinte e perambulam o dia todo à cata de comida. Cansados, acabam adormecendo debaixo da marquise de uma loja.

A Polícia Federal ainda não revelou o hospital onde os dois foram internados em estado grave, depois de espancados quase até a morte por um grupo de mata-mendigos. O porta-voz da PF declarou que, depois que os dois saírem da UTI, serão recolhidos no setor de imigrantes ilegais, em Brasília, onde permanecerão até o Ministério da Justiça autorizar a deportação dos dois infelizes, se tiver verba, é claro.

Os dois consideraram desnecessário terrorismo no Brasil e irão sugerir na Síria um convênio para realização, no Rio de Janeiro, de treinamento especializado para o pessoal do ISIS, alegando que em matéria de terror e sofrimento imposto, estamos anos luz à sua frente."

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A indignação

Que nos acomete
Transferimos ao caro leitor a leitura do texto de Nassif. Não sabemos como o receberá. Pelo menos nos sentimos orgulhoso em reparti-lo.

A dimensão da hipocrisia de muitas de nossas instituições - sustentadas em dois pesos e duas medidas - chega-nos em passes de surrealismo de invejar Jorge Luiz Borges.


Genoíno e o tetraplégico de Papuda
O preso não tem nome. O advogado pediu que não fosse divulgado e o jornal acatou. Não por respeito - e desde quando um jornal acata pedidos dessa ordem. Mas pela única razão de que é um anônimo, talvez um José de sobrenome da Silva. Não é celebridade para aguçar a curiosidade, nem classe média com o qual o leitor se identificar, nem ativista político, para despertar paixão e ódio, nem intelectual que possa ser romanceado.
É apenas um tetraplégico preso no presídio de Papuda.
Em sua casa, na periferia de Brasília, a polícia encontrou nove pedras de crack, mais de 60 gramas de maconha e R$ 900 em dinheiro. Pelas cotações de mercado, no máximo R$ 90 reais em crack, R$ 120 em maconha. O suspeito alegou que não estava sozinho em casa, que a droga não era dele, apenas parte dela, para consumo próprio.
A reportagem não detalha como um tetraplégico morava sozinho em casa e ainda tinha disponibilidade para traficar drogas. Mas informa que, mesmo antes da condenação definitiva, foi trancafiado em regime fechado na Papuda, sem direito à prisão domiciliar. Reincidente, foi condenado a 7 anos de prisão fechada.
Devido ao seu estado, o advogado pediu prisão domiciliar. O Ministério Público opinou pela aceitação. Aí a direção da Papuda garantiu que tinha condições de trata-lo e o MP voltou atrás, assim como a juíza Rejane Teixeira, da Terceira Vara de Entorpecentes, que anotou na sentença que "relatório enviado pelo presídio informou que o requerente está obtendo tratamento médico, realizando curativos nas úlceras, com bom estado geral".
Segundo a reportagem, o tetraplégico depende de colegas para comer e se limpar. Usa fraldas e a urina fica armazenada em uma sonda que ele carrega consigo.
Mas ganhou uma relevância insuspeita. Nem se imagine o jornal, procuradores, juízes, ativistas de direita ou esquerda preocupados com as condições de um tetraplégico preso. Nem se imagine os bravos procuradores do DF envergonhando um poder que se gaba – com razão – da defesa dos direitos dos anônimos. Ou ONGs de direitos humanos levando seu caso para as cortes internacionais.
O tetraplégico anônimo ganhou a condição de álibi. Para o jornal, tornou-se álibi para destacar os “privilégios” de José Genoíno. Se um tetraplégico que precisa ser carregado pelos próprios colegas de cela permanece preso, porque um cardíaco em estado grave tem direito a prisão domiciliar?
Quando os holofotes da mídia acenderam, tornou-se álibi também para os procuradores exigirem imediatamente a isonomia, de presos políticos e presos comuns irmanados no desrespeito aos direitos individuais.
Para a direita, é álibi para desancar os “privilégios” de Genoíno; para a esquerda, o tetraplégico deve ser esquecido por não ter ficha de filiação partidária e nem uma história pregressa nobre para ser incensada.
Quando os médicos de Joaquim Barbosa admitiram que o quadro de Genoíno era sério, mas aceitaram as explicações da Papuda, de que poderia dar o atendimento necessário, os jornais celebraram. Circularam informações esparsas, de que o presídio não dispunha sequer de ambulância, ou de atendimento médico 24 horas.
Mas ninguém se habilitou a dissecar o que é o presídio. Os jornais, para não darem razão a Genoíno; os procuradores, para não expor sua falta de cuidados para com os direitos dos presos; o PT, porque o foco de interesse é apenas a cela que abriga Genoíno, Dirceu e Delúbio.
Nesses tempos de bestificação, de exacerbação do ódio e de falta de generosidade, a lembrança do tetraplégico anônimo, preso em Papuda, ainda se constituirá na prova maior de uma opinião pública que perdeu o sentimento de humanidade.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Para ler

E divulgar
"Gilmar: um coronel no Supremo" e "Gilmar Mendes é um irresponsável, empenhado em gerar crises institucionais" são expressões de Luis Nassif em seu www.advivo.com.br

Nada a comentar. Apenas divulgar.