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domingo, 20 de dezembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Luz no fim do túnel
Perceber a dinâmica histórica em andamento não é papel para neófitos. Sentir os humores decantados dos fatos cotidianos não é tarefa fácil. No entanto, o que ora ocorre no Brasil – oriunda da crise política que afeta a economia – precipitou percepções, oferta lições para serem postas em prática imediatamente.

No viés da economia o terrível erro do Governo de imaginar que uma política ortodoxa levasse o país ao Paraíso está dando com os burros n’água. O modelo que destrói o planeta em benefício exclusivo de um punhado de rentistas, administrado ao sabor de teorias desenvolvidas para corresponder aos interesses do sistema financeiro internacional – apátrida – mais do que demonstrou ser inviável para responder aos reclamos exigidos.

O tripé posto se sustenta – por exemplo – na ficção de que a inflação em curso pode ser controlada por uma elevada taxa de juros. Tal remédio – amargo ao extremo – deveria ser utilizado quando a demanda se torna inconveniente e a relação oferta-procura – em razão da demanda – faz o ofertante elevar os preços do que vende para ‘aproveitar’ a oportunidade. Não é o caso brasileiro.

O aumento de preços decorre não de demanda excessiva do consumidor, mas de preços administrados em dólar que vão às alturas por falta de controle do câmbio que faz a moeda estadunidense oscilar ao sabor de humores da especulação, entre outros penduricalhos. Dessa forma, subindo o dólar sobem todos os bens que tem seus preços nele administrados: trigo, petróleo etc.

Para sermos sucinto, o ajuste fiscal proposto – causando recessão – certamente não é o caminho da retomada do crescimento. Aliado a isso, uma atuação criminosa do Judiciário – ao intervir em relações econômicas – gera o caos de ver-se uma Petrobras – da qual dependem cerca de 71 mil empresas no país – impossibilitada de comprar/encomendar e de pagar a quem já lhe forneceu obras e serviços. A cadeia produtiva – e os empregos por ela sustentados – foi lançada ao léu e leva, certamente, a que o PIB tenha se contraído em pelo entre 2% a 3% em razão direta com a impossibilidade atual de a Petrobras manter seus investimentos.

Por outro lado, a crise política – que alimenta o aprofundamento da econômica – deixa entrever que algo de concreto está acontecendo. E não decorre – como muitos podem admitir – de sucesso de operações policiais envolvendo a classe política. (Até porque a seletividade nos objetivos das operações depõe contra a utopia de ‘passar o Brasil a limpo’ somente tirando a sujeira de um lado da casa e deixando o outro sob o antigo tapete).

O que emerge da crise política leva(rá) até ao cidadão mais distante das discussões/análises a compreender que este presidencialismo de coalizão – levado ao extremo no período Sarney e lançado como projeto por Temer – precisa mudar sob pena de esfacelamento da nação.

Mais que cristalino que atender aos caprichos deste ou daquele partido que se apresente com maior número de congressistas na base de sustentação ao governo não tem demonstrado ser o ideal.

Podemos estar errado: mas a crise política tem o condão de viabilizar a depuração neste ‘presidencialismo de coalizão’. Começando – à guisa de exemplo – com o afastamento da turma vinculada a Temer dos cargos que ora ocupa no Governo.

Abrindo espaço para outros formadores da coalizão e lançando o joio às chamas.

Degradação
Quando instado a manifestar-se dentro dos parâmetros da isenção o ministro Gilmar Mendes aproveita a oportunidade para dar razão ao professor e jurista Dalmo de Abreu Dallari, que, profeticamente, em artigo publicado na Folha de São Paulo em maio de 2002, criticava a possível indicação do nome do então Advogado-Geral da União para o STF. Alertava o presidente FHC dos graves riscos decorrentes da indicação (e mostrando as razões) e afirmando peremptoriamente: "Gilmar Mendes no STF é a degradação do Judiciário Brasileiro.

Não lhe bastou o voto no julgamento em torno do rito do impeachment e sai Gilmar Mendes a alimentar a sua natureza degradatória, ofendendo seus pares em entrevista concedida a CBN, dizendo  entre outras diatribes  que por lá foram "cooptados". 

Razão assiste a Dalmo Dallari.

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Ser ou não ser
A preferência política – a cada dia se confirma – parece ser o limite das investigações que querem passar o Brasil a limpo. Limpando do cenário político brasileiro o PT. Isso porque não se vê uma só iniciativa de Ministério Público, Polícia federal e do juiz Sérgio Moro (em particular) que envolva um tucanozinho que seja. Deixamos de fora a imprensa (“golpista”, como a denomina Paulo Henrique Amorim) porque esta permanece em seu papel histórico, deitada no berço esplêndido comprado pelos poderosos (daqui e de lá) aos quais sempre serviu e serve, pautada por bandidos.

Isso o que está desmoralizando operações perante a opinião pública.

Na Bahia – por exemplo – fica difícil para o baiano enxergar pureza no carlismo e nos seus sucessores. Assim, em Pernambuco, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Pará etc. (São Paulo fica de fora, porque é um caso de patologia político-administrativa especial). Em cada um o povo conhece os ‘seus’ ladrões. Não os vendo alcançados pela dura investigação começa a duvidar das intenções e pretensões punitivas.

Esconder o PSDB das investigações desmoraliza a atuação investigativa. As provas não faltam. Falta a vergonha na cara de não ser isento.

Coisa de trazer à baila Shakespeare do Hamlet.

Legalidade
As oposições – impõe-se o plural diante das tendências (no Judiciário Gilmar Mendes, no PSDB Aécio Neves, FHC etc. etc. etc.)  gastaram um ano com o discurso do impeachment. Construído sobre os trilhos que ela mesmo edificou. 

Sua vitória residia – no entanto – no apoio das ruas. Foi-lhe negado.

E tudo caminha para as calendas.

Bastou atender à legalidade. 

Dobradinha
A OAB nacional engrossa uma corrente de ruptura institucional aderindo a uma ideia inoportuna pelo instante: o semipresidencialismo. 

Lembra-nos a solução ‘parlamentarista’ para barrar o golpe no imediato da renúncia de Jânio Quadros para evitar a assunção plena do vice-presidente João Goulart.

Destacamos do informe da OAB: "A proposta de se debater a implementação do semipresidencialismo no Brasil, defendida pela OAB, foi recebida com elogios pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Para o magistrado, é importante que as instituições estejam abertas a possibilidades para contornar a crise enfrentada pelo país e que uma revisita histórica pode trazer luzes ao momento atual de crise".

Naturalmente, Gilmar Mendes adorou. Com quem a OAB passa a fazer uma dobradinha.

Ficou pequeno
O voto do ministro Edson Fachin nos causou estranheza. Não podemos entender como embasado juridicamente um posicionamento que contraria normas expressas. No caso da questão levantada pelo PCdoB no STF – das irregularidades cometidas por Eduardo Cunha, ao atropelar o Regimento Interno (e a lei) para assegurar o controle da Comissão que analisaria o impeachment – Sua Excelência entendeu legítima a atuação de Cunha.

Fachin ingressou no STF sob grande pressão e era tido e defendido como um progressista. Negou-se a si mesmo, e encontrou aliados em Gilmar Mendes e seu pupilo Dias Tóffoli. Ficou pior entre alguns de sempre.

Ficou pequeno, mal entrou nos cueiros do STF. E decepcionou. Jogou fora a oportunidade de ministrar uma lição que o poria entre os melhores. Bastava aplicar a Constituição. Como o fez Barroso.

Caso encontre justificativa para a aberração nas ameaças sofridas, temos que, além de pequeno, ficou covarde.

A foto que fala
Atribui-se a Michelangelo, extasiado, diante da obra que acabara de realizar: “Fala!” 

Tão perfeita a arte na Moisés que viva o era.

A foto de Gilmar Mendes nada tem de êxtase. Tampouco de comparação com Moisés.

Mas que fala, isso fala!

      Miniatura

Escutando as ruas I
A presidente Dilma Rousseff dá sinais de retomada do poder que ainda não assumira no segundo mandato. Exonerar e nomear faz parte do ritual.

A mudança na Fazenda – ponto nevrálgico – sinaliza ter ouvido as ruas. Lá não ouviu somente apoios, mas também críticas contundentes a uma política econômica que aprofundava o desastre. E quanto aos apoios – parece haver percebido – os perderia se mantivesse a política levyana.

Livrou-se de Levy. Com isso um recado: o mercado será ouvido mas não manda.

Escutando as ruas II
Na esteira do instante acena para uma guinada na economia com a edição de uma Medida Provisória para legitimar acordos de leniência com envolvidos em escândalos com estatais. Simplesmente salvar empresas e empregos sem prejuízo de punir os responsáveis e a própria empresa nos limites de sua responsabilidade/possibilidade.

Feito isso teremos a retomada da atuação das empreiteiras e do emprego em fase de retorno. 

Afinal, a Petrobras emprega – com suas encomendas – trabalhadores de 71 mil empresas brasileiras.

Gostemos ou não
“Ajustes nunca são um fim em si mesmos. Ajustes são medidas necessárias para a recuperação do crescimento da economia, que por sua vez é condição indispensável para continuar nosso projeto de desenvolvimento econômico.” (De Barbosa há um ano).

Gostemos ou não a fala de Barbosa mais afinada está com o desenvolvimento do país.

Gostar ou não gostar
No âmbito das paixões, gostar ou não gostar dos possíveis novos rumos para a economia brasileira é apenas ‘torcida’. 

A coisa pode rolar por outros vieses, mas o peso do mercado financeiro nas prioridades de formulação de política econômica não mais representa o que representou com Joaquim Levy.

Vazar é a lei
Vazamento no Brasil se tornou lugar comum. Caminha para tornar-se instituição nacional. 

Até no STF.

Doa a quem doer
Há quem veja naquela expressão de Dilma, de que “não ficará pedra sobre pedra” uma estratégia de espera.

Caso haja procedência, a Operação Sangue Negro pode servir de parâmetro para o dito: tucanos relacionados, por ações no período de FHC/Rennó começam a ser investigadas.

Joel Rennó foi o presidente da Petrobrás no primeiro mandato de FHC (onde tudo continuou). O próprio FHC – em seu livro de memórias – confessa ter ouvido de Steinbruch que por lá (na estatal) era “um escândalo”.

No tempo de FHC tudo ia para baixo do tapete. Nos tempos recentes não fica “pedra sobre pedra”. Eis a diferença.

Tanto é que a coisa começa a cheirar mal para os lados do período tucano. É o que afirma Marcelo Auler em Operação Sangue negro atinge governo de FHC.

Para o juiz Sérgio Moro – que ouviu de Cerveró e Pedro Barusco o que está sendo apurado na Sangue Negro – não vem ao caso.

Esse Merval!
A premonição de Merval Pereira, em sua coluna n’ O Globo de quinta-feira 17:

"Caminho livre

O dia de ontem adicionou dois dados fundamentais no caminho do impeachment da Presidente Dilma: o relatório do ministro Luiz Edson Fachin, que deve ser aprovado quase que por unanimidade hoje ... "

Só falta dizer que Eduardo Cunha ganhou de 3 x 8 na sessão da tarde do STF, na mesma quinta.

A ver navios
O trenó ansiado por Eduardo Cunha lhe foi tirado. Vai ficar a ver navios neste Natal. Resta-lhe tempo para reiterar a defesa no processo a que responde.

                 

Melou
O mecanismo engendrado para afastar Dilma e colocar o afastadores no poder começa a melar: sem povo e vendo o vice capitão do golpe à paraguaia suspeito das mesmas práticas.

Ou seja, o caos se aproxima. Na linha de sucessão cabe a Eduardo Cunha assumir o Planalto.

O povo não é bobo... não só contra a Globo. 

O que restou
De todas as manifestações pró impeachment restou o que diz Cervantes em relação aos cavaleiros de Granada: saiam em louca disparada na madrugada. Para quê? Para nada!

Ou, como observa Paulo Henrique Amorim em vídeo postado em sua TVAfiada:

“Não tinha um negro. Não tinha um pobre.  É um golpe de poucos brancos contra todos os pobres”.

Aglutinando
As forças que vêem no pedido de impeachment um golpe branco, à paraguaia, vão se aglutinando. Juristas de renome, prefeitos de capitais, governadores de estado, juízes federais da associação Juízes para a Democracia  

O golpismo contava com as ruas. Contava.

Não ofende
Não custa perguntar: o que faz um táxi de 230 mil reais em nome de um tal Altair Alves Pinto (citado como receptor de dinheiro destinado ao deputado, segundo Fernando Baiano) estacionado na garagem de Eduardo Cunha?

Miniatura

Bahia na cabeça
Em termos absolutos – considerando a participação no total de votantes – a representação baiana na Câmara dos Deputados deu nada mais nada menos que 1/3 dos nove votos em defesa de Cunha na Comissão de Ética.

O nome dos heróis baianos: Cacá Leão (PP), Erivelto Santana (PSC) e João Bacelar (PR).

Rescaldo
A temeridade bateu-lhe de frente. O impeachment sem base material (crime de responsabilidade cometido no exercício do mandato) tendia a não vingar. No entanto, a oposição insistiu, tresloucada. 

Imaginou existir em 2015 uma véspera de 1964. Tempos outros, não dissecados e interpretados com a sabedoria exigida.

Os custos começam a surgir. Cobranças, idem.

A nau começa a fazer água. Tripulantes  inclusive antigos  anunciam deixá-la.

Havia fala de Alckmin trocar o PSDB pelo PSB. Aguarde-se. Álvaro Dias fala em deixar o tucanato para envolver-se no PV...

O rescaldo será cruel.

E terá que segurar Eduardo Cunha... quando até as águas investigatórias ameaçam o antes inalcançável PSDB (Azeredo condenado, Petrobrás tucana sob a Operação Sangue Negro etc.).

Walter Moreira
A Galeria Walter Moreira já foi espaço de exposição de livros de autores regionais, de saraus literários e de lançamentos de pinturas e artes. Por lá livros e quadros estavam à disposição do público que circula na Olinto Leone. Inclusive do artista grapiúna que honra o local, dignificando-o com seu nome.

A instituição que o administra anuncia desvio na utilização.

Walter Moreira  o grapiúna que dá nome ao Espaço – deve estar chacoalhando em sua sepultura.

Dizem, no entanto, que a mudança decorreu de ‘pressão no facebook’, diante da poeira e teias de aranha que ocupavam o local. Detectada por ‘gentil’ assessor de imprensa.

Itabuna, final de 2015
Valorosa consumidora saiu para comprar um reservatório para água. O preço estava tão alto que saiu mais barato comprar uma piscina.

Correu as ruas. ‘Espírito’ natalino é assim. O venda do momento era de baldes, de mosquiteiros e de raquete para matar muriçoca.

Em meio a um desses espaços, um pré-candidato a prefeito ‘deixando-se’ fotografar, para ampliar o ‘currículo fotográfico’ aos cuidados de zeloso assessor. 


domingo, 6 de dezembro de 2015

Detaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Arauto das trevas
As instituições de um país são a sua marca existencial. De democracia ou de ditadura, versando em nível de extremos. Constituem-se no arcabouço de regras que instrumentam as relações em sociedade, desde as mais comezinhas (família, comunidade etc.) àquelas que sustentam a Nação: Poderes constitucionalmente definidos, interdependentes e autônomos (fruto da conformação Iluminista) como contrapesos (entre uns e outros) exercitando suas competências (definidas constitucionalmente) conforme a função a que cabe cada um exercer.

Assim, Judiciário julga, Legislativo vota leis que hão de ser executadas pelo Executivo, a quem compete a administração geral. Sob esse jaez, não se concebe que atribuições de um e outro sejam interpenetradas, tampouco usurpadas, a não ser por omissão, nos limites estabelecidos pela própria Carta.

O ministro Gilmar Mendes  amparado no que tem dito no passado  continua a exercitar o julgar (que lhe é competência funcional) antecipadamente. Como se fosse a coisa mais natural. Viola o dever funcional, de não antecipar ou se manifestar sobre o que lhe cabe julgar.

Parece-nos que ele está certo. Não há quem se levante contra a figura.

Ainda que sua postura seja contributiva para a instalação do caos.

bessinha pra frente


Falta esclarecer 
O ministro Tóffoli – como presidente do TSE – alerta para o ‘retrocesso’ do voto manual nas eleições de 2016 em razão da falta de recursos para atender à licitação de urnas eletrônicas.

O judiciário é assim: quando tem dinheiro simplesmente constrói prédios nababescos.

De nossa parte vemos uma ameaça ao grande avanço do voto impresso, recentemente aprovado. Do qual a Justiça Eleitoral foge como o Diabo da cruz.

Presumindo que as urnas utilizadas em 2014 não tenham sido jogadas no lixo, temos que o que Tóffoli não exibe ao público é a sua menina dos olhos: a identificação biomédica nas novas urnas eletrônicas, que lhe daria os holofotes pela implantação.

O que também não explica o Presidente do TSE é o fato de que as urnas de 2014 podem ser utilizadas em 2016, sem causar nenhum problema. 

O que bem pode estar implícito no que cheira a uma chantagem é a aquisição dos equipamentos de identificação biométrica, a menina dos olhos do Toffoli.

Ah! Em tempos de crise não custaria – por constituir-se valiosa ajuda – cortar umas diariazinhas!

Combate
Sugestão de internauta, preocupado com a saúde (do Brasil): 'Temos também de combater o chicunCunha'.

À sorrelfa
Mais que irresponsável e individualista Eduardo Cunha acaba de demonstrar que – em defesa de si mesmo – é capaz de tudo. Até de jogar o país no abismo sem fim.

Bem lembra Leonardo Boff, em artigo publicado no seu blog: “Seu ato irresponsável pode lançar a nação em um grave retrocesso, abalando a jovem democracia, que, com vítimas e sangue, foi duramente conquistada. Não podemos aceitar que um delinquente político, destituído de sentido democrático e de apreço ao povo brasileiro, nos imponha mais este sacrifício.”

Razões abundam em Leonardo Boff. Que enxerga não perdendo o retrovisor da História pátria.

Quanto aos delinquentes políticos, destituídos de sentido democrático e de apreço ao povo temo-los às burras. Basta ver os que apoiam Eduardo Cunha e com ele confabulam e tramam.

Inclusive no Supremo Tribunal Federal.

E a vida continua...
O país não parou. O povo não está nas ruas... como querem os ‘pró-impeachment’.

Já em São Paulo...

Difícil de entender
Distante de São Paulo não nos afirmamos acreditar no que vemos. Mas, não deixa de ser estranho o comportamento do governo Geraldo Alckmin de tratar à base de cassetete e gás de pimenta a mobilização social – envolvendo diretamente pais e alunos – contra a reformulação pretendida pelo governo que – dizem – prejudicaria 311 mil estudantes com o fechamento de 93 escolas.

A foto (anônima) fala mais que as palavras todas contra o que soa como absurdo.


Quem há de lembrar?
Escândalo dos precatórios. Hoje esquecido. Impunes todos. Inclusive o então Advogado Geral da União  Gilmar Mendes – hoje ministro tucano do STF.

Saia justa
ACM Neto entrou na saia justa de optar pelo corrupto Eduardo Cunha em razão do interesse pessoal ‘contra Dilma’. 

Sentiu o peso da irresponsabilidade e andou se desdizendo

Exibiu sua pequenez! Antes e depois.

Para entender
A arrogância editorial dos que se servem e se servirão de um golpe contra as instituições democráticas brasileiras encontra no pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff a festa que não existe.

O senador Roberto Requião desmistifica, em artigo, o móvel do pedido: as tais pedaladas fiscais.

Alerta
Sempre alerta! É o lema do escotismo. O governo deve ficar muito mais alerta. Confiar em Michel Temer pode ser sinal de inocência. Vislumbrando a possibilidade de assumir a cadeira presidencial e sendo um homem forte no PMDB duvidar de sua solidariedade não ofende sua honorabilidade.

Tudo que Eduardo Cunha está fazendo – além de atear fogo às vestes – pode estar articulado a partir de Temer.

Gênese
O senador Aécio Neves sempre buscou atrelar as suas origens ao seu tio Tancredo Neves (irmão de sua mãe), respeitado nome da política nacional e personagem em momentos únicos da história do país nos últimos 60 anos.

Certamente o sobrinho não seguiu a cartilha do tio, basta ver seu discurso oportunista e antidemocrático.

Sabe-se agora a gênese política de Aécio Neves. O que bem justifica a sua irresponsável postura para com a Pátria e suas instituições é a história de um membro da família: o próprio pai.

Enquanto Tancredo esteve ao lado de Getúlio e enfrentou a ditadura, o pai de Aécio – da oligarquia Tristão Ferreira da Cunha, deputado conservador de 1946 a 1963, premiado com a presidência do CADE em 1964 por seu apoio ao golpe civil/militar, em cujo órgão ficou até 1974, quando morreu – se elegeu em 1962 e – apoiando a ditadura – foi deputado pela ARENA, PDS e PFL – até 1986.

Em sua primeira eleição, em 1962, o deputado Aécio Cunha foi financiado com dinheiro dos Estados Unidos, integrando a famosa lista do IBAD.

Nada a ver com Tancredo Neves.

O filho não nega a origem: segue os passos golpistas do pai.

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Estado de (não) Direito
Os jovens estavam a comemorar o primeiro salário de um deles, que tinha apenas 16 anos e já começara a trabalhar; outro, com 20 anos, concluiria o curso de administração neste em dezembro.

O texto acima envolve a polícia do Rio de Janeiro (com letra minúscula), que metralhou o carro onde estavam os jovens. A de São Paulo não fica atrás. Não afirmemos que a de todos os estados da federação.

Para melhor entender tamanha estupidez sugerimos a leitura de "Como Nascem os Monstros", do ex-PM Rodrigo Nogueira Batista, para quem "A perversão começa na formação".

Quem administrará?
O Governo anuncia ação de R$ 20 bilhões contra a Sanmarco e controladoras para formar um fundo para recuperar os danos causados pela tragédia de Mariana.

Não vai longe o tempo em que as obras contra a seca no Nordeste eram o ‘fundo’ para gerir a crise, gerando trabalho (escravo) para os miseráveis.

Ganhavam os latifundiários, em cujas terras trabalhavam os miseráveis construindo açudes e aguadas. Além do empreguismo de compadrio para fins eleitorais.

Em quem vai gerir esses vinte bilhões de reais está o x da questão.

Ateando fogo I
Ao atear fogo às próprias vestes – para utilizar expressão de Maurício Dias na Rosa dos Ventos da Carta Capital – o deputado Eduardo Cunha apenas reflete o desespero.

Afinal, nunca o vimos na condição de monge, tampouco idealista...

Ateando fogo II
Mais que escancarada ficou a iniciativa do deputado Eduardo Cunha. Ao autorizar a abertura de procedimento de impeachment – as contestações formais e legais começam a vir à tona – somente encontra aplauso dentre os que entendem que o humor de cada um justifica o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Pipocam – interna e externamente – as críticas.

É que ficou flagrante a reação de Cunha ao voto dos petistas pela instauração de processo de cassação de seu mandato.

O que de remoto está na declaração do governador da Bahia Rui Costa ficou escancarado: “Gerações lutaram para que tivéssemos plena democracia política, com eleições livres e periódicas, que devem ser respeitadas”.

Ateando fogo III 
A iniciativa – ou, mais precisamente, a revanche – de Eduardo Cunha sinaliza – assim vemos – dois desdobramentos imediatos: 1. Acolhimento e sucesso, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff; 2. Não afastamento.

No plano mediato, os desdobramentos ocorrerão na seara política dos envolvidos. 

Caso a presidente Dilma não seja defenestrada (coisa tida como difícil, tanto por juristas – em relação à fragilidade dos fundamentos do pedido de impeachment – como por observadores políticos – o jornal O Globo vê sucesso em favor da presidente) o Governo sairá fortalecido.

Por outro lado, a última cartada de Eduardo Cunha escancara o seu caráter e o joga mais profundamente contra a opinião nacional (e internacional, se importância tivesse lá fora), levando os pares da aventura.

Entre eles, o ministro Gilmar Mendes.

Aventuras
A aventura política em que se meteram – ao arrepio da lógica política – os partidos de oposição pode levá-los ao precipitamento da extinção.

Especialmente se – depois de escancaradas as suas intenções e ficarem nominados simplesmente de ‘golpistas’ – o impeachment não se consumar.

Paralelamente ao imbróglio em que se meteu o PSDB e quejandos – áulicos do impeachment, em estado orgástico – o tucanato paulista ganha um herói digno das telas: “Alckmin, o exterminador de futuros”.

Aplausos em novo formato
Fátima interrompe reportagem de rua diante dos calorosos aplausos à emissora.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Do ridículo

À fanfarronice
Neste país de "São Saruê" o Poder Judiciário vai se expondo ao ridículo. Não porque o seja como Poder da República. Mas pelo expressar de alguns membros do STF, dados a imiscuir-se onde não chamados, utilizando-se de espaço midiático que não condiz com a Ética a que devem(riam) estar submetidos.

Não bastasse os absurdos cometidos no curso da AP 470 - que começam a cair no noticiário comum, especialmente quando vierem à luz os fatos presentes no inquérito 2474 da Polícia Federal, alijado por Joaquim Barbosa do conjunto probatório da AP 470 justamente porque certamente absolveria muitos dos condenados por crimes a eles atribuídos - a 'fala fácil' do ministro Gilmar Mendes demonstra postura incompatível com o cargo e a clara visão político-partidária que está a assumir.

De todos sabido que multas em valores absurdos foram aplicadas a alguns (até porque impossíveis de ser cumpridas com recursos próprios) o que gerou uma mobilização de militantes petistas para arrecadar fundos para pagar as de José Genoíno e Delúbio Soares.

A arrecadação superou expectativas. E deixou de ser apenas 'arrecadação' para tornar-se mobilização por uma tomada de consciência e de luta a envolver um processo de enfrentamento e de denúncia contra as suas condenações.

Pois não é que o ministro Gilmar Mendes (envolvido até o pescoço com situações constrangedoras, como sua aliança com o banqueiro Daniel Dantas) busca a imprensa para levantar a suspeita de que tais doações podem ser fruto de lavagem de dinheiro de corrupção e pede que o Ministério Público tome a iniciativa de apurar tal irregularidade! 

Não fora o ridículo, beira a fanfarronice. Para não dizer que nos chama a todos de idiotas.

O mesmo Gilmar Mendes que é proprietário de um Instituto educacional que cultiva o nada salutar hábito de prestar serviços, sem licitação, ao poder público. Como ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, envolvido até o pescoço com denúncias que estão sendo apuradas pelo Conselho Nacional de Justiça. 

Este Gilmar Mendes que também se dá 'ao luxo' de denunciar o que nunca prova, como aquele famoso grampo no STF nunca aparecido em áudio.

Um fanfarrão e boquirroto que se utiliza do cargo que exerce para respaldar comportamento nada compatíveis com o decoro.

Caberia, quando pouco, o ajuizamento de ações individuais, de cada doador, contra Sua Excelência pela prática dos crimes de injúria e difamação 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sensatez

A caminho
Os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes admitem a possibilidade de o STF rever condenações da AP 470.

Sinal de que a lógica jurídico-processual está com a razão, quando defende a necessidade de apreciação de embargos infringentes.

Da banda de cá ficamos aguardando. De orelha em pé. Lewandowski tem nosso respeito e credibilidade pelos enfrentamentos estabelecidos durante o julgamento, Gilmar Mendes pode estar jogando para o público e na hora agá "justificará" a manutenção do ponto de vista anterior.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O que move

Gilmar Mendes
Não se afirme que a decisão de Gilmar Mendes de suspender tramitação de lei em fase de discussão legislativa pode ser tributada à consciência do STF. Fora isso e teríamos alcançado o caos institucional.

Não descuremos que Gilmar Mendes é um ministro famoso e caiu nas graças da opinião pública não por seu conhecimento jurídico mas por ter concedido dois habeas corpus em menos de 48 para soltar o banqueiro Daniel Dantas e permitir a fuga de Roger Abdelmassih, aquele médico condenado a 278 anos de cadeia por haver estuprado 58 mulheres em sua clínica, quando o mesmo Mendes o favoreceu também com um habeas corpus.

Há nas inconsequentes atitudes monocráticas de Gilmar Mendes uma evidente atuação político-partidária, tanto que aplaudido por parlamentares de partidos que hoje temem a eleição de 2014 e buscam, por todos os meios, criar espaços que levem a eleição presidencial pelo menos ao segundo turno.

Se a política move o ministro Gilamr Mendes joga ele as instituições democráticas em terreno pantanoso, visto não ser facultado a membros do Poder Judiciário a atuação em tal seara. A não ser que a ele renunciem.

Ninguém duvide, no entanto, que a atuação do ministro, ao se deixar bajular por políticos, se insere em típica oposição político-partidária extrapartidária.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Para ler

E divulgar
"Gilmar: um coronel no Supremo" e "Gilmar Mendes é um irresponsável, empenhado em gerar crises institucionais" são expressões de Luis Nassif em seu www.advivo.com.br

Nada a comentar. Apenas divulgar.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Chamado

Às falas
Lemos há pouco, através do Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim, o que pode ser considerado como uma advertência do Congresso ao ministro Gilmar Mendes. Como abordado em texto anterior, neste blogue, o ministro do STF suspendeu tramitação de projeto de Emenda Constitucional. 

"O papel do Legislativo  é zelar por sua competência" - afirmou o presidente do Senado Renan Calheiros. "Da mesma forma que não interferimos no Judiciário, não aceitamos que o Judiciário influa nas nossas decisões".

Anuncia Renan Calheiros - dentro dos limites da lei - que entrará com agravo regimental no próprio STF contra a decisão de Gilmar Mendes.

O presidente do Congresso está certo. Errado está o ministro Gilmar Mendes e seus acólitos, que integram uma oposição minoritária que sonha desestabilizar as instituições republicanas, buscando realizar por aqui um "golpe paraguaio".

Precisando ser chamado

Às falas
O STF "está se tornando uma fonte de insegurança jurídica" - afirma o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos - "contrariando em momentos jurisprudenciais estratégicos a codificação legal e processual existente no País e alargando o território delegado ao arbítrio do juiz". O registro está na Rosa dos Ventos, de Maurício Dias, na Carta Capital desta semana.

Lêramos a matéria pela manhã. Agora à tarde ouvimos no noticiário que o ministro Gilmar Mendes suspendeu a tramitação de projeto de lei que contém reformas que refletem nos futuros partidos, aqueles por criar. Pasme o leitor, suspendeu a tramitação!

Como não podemos afirmar o que se passa pela cabeça do ministro Gilmar Mendes queremos crer que busca um mecanismo de defesa preventiva para o que que somente existe em seu inconsciente. (Caso o Congresso resolva apreciar um outro pedido de impeachment contra ele interposto, já que Sarney não mais preside o Senado, para salvá-lo de outro como já o fez em relação ao primeiro).

O que Gilmar Mendes acaba de fazer não é mais ofertar interpretação que adquira conteúdo de lei, mas interferir na própria fase de sua elaboração. Coisa assim - a contrário senso - de o Poder Legislativo impedir o STF de apreciar uma questão que lhe tenha sido submetida.

Ou ouvimos mal, ou estamos ficando louco ou o ministro Gilmar Mendes precisa ser chamado às falas.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sócrates

Não ouvido
As relações da mídia com fatos idênticos ou similares encontra distintas considerações conforme o "eleito" e o "observador". As relações de amizade entre o advogado Sérgio Bermudes e o ministro do STF Luiz Fux são a bola da vez. Justificadas pelos acontecimentos recentes, dentre eles a prometida (e não realizada) festa de aniversário de Fux promovida por Bermudes. Outros ingredientes inflam o bolo, como a presença de uma filha do ministro no escritório do advogado.

Nenhuma alusão a fatos, pelo menos similares, se não idênticos, envolvendo relações de amizade entre Sérgio Bermudes e outro ministro do STF: Gilmar Mendes. Que já ensejaram até pedido de impeachment junto ao Senado presidido por José Sarney (que, naturalmente, o arquivou).

Dentre as denúncias contra Gilmar Mendes as relações entre ele e Bermudes, como admitir no escritório a esposa do ministro e haver estado ao lado do anfitrião recebendo convidados à porta, dentre eles empresários, na festa promovida por Bermudes no Hotel Copacabana Palace. Isso quando era presidente do Supremo Tribunal Federal.

Luiz Fux e Gilmar Mendes encontram-se no mesmo patamar de atenção: filha de um e mulher de outro trabalham no escritório de Bermudes e ambos vinculam-se às festanças do advogado.

Não fora o distinto tratamento da imprensa fica-nos outra ponderação: tratando-se de escritório renomado, que tem sob sua banca um leque de empresários e de intenresses sob o crivo de julgadores, a atuação de Fux e Mendes ferem, pelo menos, o disposto no art. 135 do Código de Processo Civil: "Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz, quando for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes".

O que a Ética remete às relações com escritórios de advocacia.

Os dois ministros entenderam que um empréstimo do Banco Rural a ex-mulher de José Dirceu era prova inconteste das relações deste com o escândalo objeto da AP 470. Nada dizem das suas incestuosas relações com o advogado Sérgio Bermudes.

Apesar de eruditos, certamente não lembram do que é atribuído à Ética de Sócrates (470-399 a. C.): ""Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente". 


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Daniel Dantas

Mandante
Denúncia da Comissão Pastoral da Terra , do Movimento dos Sem Terra e da FETAGRI regional sudeste: Daniel Dantas utiliza pistoleiros e veneno para expulsar posseiros em terras que diz serem de sua propriedade.

A revista Carta Capital debulha a denúncia na edição que chega às bancas neste fim de semana. Daniel Dantas, aquele banqueiro da Operação Satiagraha, é proprietário do Grupo Santa Bárbara, com propriedades na região de Marabá, no Pará.

Pelo andar da carruagem em passado recente, quando condenado à prisão, não vemos maiores problemas para Daniel Dantas.

Tem, lá no Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que lhe assegurou, nas prisões anteriores, habeas corpus (dois, em menos de 48 horas). Quem tem que se preocupar são os trabalhadores rurais, agora alvo do mandante Daniel Dantas.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Surrealismo à brasileira

Recebi, não nego...
Matéria veiculada no Estadão informa que o ministro Gilmar Mendes, do STF, promoveu junto a Procuradoria-Geral da República a abertura de inquérito por calúnia, difamação e injúria contra a revista Carta Capital (e seu editor Mino Carta), que afirmou, na edição 708, haver o ministro recebido 185 mil reais do valerioduto mineiro em março de 1999, quando advogado-geral da União.

O argumento de Mendes é de que àquela época (o do recebimento) não era Advogado-Geral da União (o que ocorreria a partir de janeiro de 2000), e sim subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Não fora isso, alega que é falsa a lista onde aparece seu nome como beneficiário do “mensalão” do PSDB mineiro (que espalhou dinheiro para políticos e personalidades de vários estados brasileiros).

A matéria não explica se Gilmar Mendes, na condição de “subchefe” para Assuntos Jurídicos da Casa Civil podia exercer a advocacia privada. (Aqui não entramos no mérito de que tal advocacia o era para um esquema criminoso).

...Mas foi legal
O que está claro: Gilmar Mendes não nega haver recebido o dinheiro.

Entende, no entanto, que comprovada está a falsidade da acusação pela circunstância de nela ser afirmado que ocupava o cargo de Advogado-Geral da União, o que ocorreria somente um ano depois.

Ou seja, se fosse o Advogado-Geral da União não podia (ilegal), mas como era “subchefe” para Assuntos Jurídicos da Casa Civil estava amparado (não sabemos em quê!).

Brasil singular. O ministro do STF – nosso “Fanfarrão Minésio” – recebeu recursos de um esquema criminoso enquanto servidor de alto escalão do Governo Federal ao tempo de FHC (que o indicou para o Supremo) e parece demonstrar que isso é normal.

Tanto que pretende processar a Carta Capital não pelo conteúdo (a denúncia do recebimento) mas pela “falsidade” de que não era Advogado-Geral da União e sim mísero subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Detalhe para fechar o pano: certamente pretende julgar a ação, para que não falte mais nada neste teatro do absurdo do surrealismo tupiniquim do século XXI.

Para sabermos onde pisamos
O senador Fernando Collor, na reunião da CPMI do Cachoeira desta terça 14 apresentou uma grave denúncia que leva ao descrédito a atuação de membros do Ministério Público federal. Ou, quando nada, ao envolvimento de alguns com irregularidades outras, além das por eles praticadas.

Revelou o senador que, exatamente em 2 de março de 2012, procuradores que se constituem braço direito do Procurador-Geral da República Roberto Gurgel (Leia Batista de Oliveira, Daniel de Resende Salgado e Alexandre Camagno de Assis) se encontraram, por orientação de Policarpo Júnior, com outros repórteres da Veja, Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel. Deles receberam documentos de inquéritos protegidos por “segredo de Justiça” que resultaram nas operações Monte Carlo e Vegas.

Para Collor, a Veja e o Procurador-Geral estão num mesmo barco, altamente suspeito de transporte de material nada regular.

Afinal, a transferência de material sob responsabilidade da PGR, amparado em “segredo de Justiça”, para a revista dos escândalos, onde o mais recente é o envolvimento com o crime e sob comando de um criminoso (Carlinhos Cachoeira) abala os pilares da respeitada instituição republicana denominada de Ministério Público Federal.


domingo, 29 de julho de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS-Dia 29 de Julho

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  
Adylson Machado

                                                                             

Olimpíadas

A festa de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos tem conseguido surpreender a cada edição. Desde aquele humanizado Misha vertendo lágrimas na despedida nos Jogos de Moscou (1980) temos tido verdadeiros espetáculos de criação, resgatando a história e as tradições de cada povo.
A abertura dos Jogos de Londres, na sexta, conseguiu trazer novidade, depois de imaginarmos que tudo havia se esgotado nos Jogos da China de 2008.
Marcou, na mensagem, a história da contribuição inglesa para o mundo a partir da industrialização como grande foco, não afastando a literatura e a música. Nem mesmo dispensou Mr. Bean.

Compradores em potencial

cadilacEis o famoso Cadillac Town Sedan 1928 que pertenceu a Al Capone, levado a leilão neste domingo 28.
Bem que poderia ser arrematado por algum brasileiro de casta muito “ilustre”.

Onde a isenção?

cartaO ministro Gilmar Mendes, ainda que luminar do Direito, no plano ético não nos traduz credibilidade e isenção. O que significa dizer: decisões suas podem estar eivadas de menos defesa do Direito e mais dos interesses à sua volta.
Declarações estapafúrdias e ameaças a membros de outros Poderes da República fazem-no, para nós, um ator bufão em busca de aplausos. Particularmente sabemos de quem espera aplausos, ou mesmo para quem atua no tablado.
Não fora a manifestação funcional em favor de poderosos, onde o exemplo mais imediato está nos habeas corpus para livrar Daniel Dantas da prisão (não pela concessão da ordem em si, mas pelo atropelamento ao ordenamento jurídico pátrio, ultrapassando instâncias), tem se portado em certos instantes como panfletário político-partidário.
Do ministro Gilmar Mendes não podemos duvidar nada. Mas nos faltava algo além na sua capacidade de inovar. E a revista Carta Capital traz então a última pérola do fanfarrão Minésio: recebeu dinheiro do “mensalão” do PSDB de Minas Gerais, através do mesmo Marcos Valério, que ele julgará, a partir de agosto.

Inédito

Estranha essa greve de caminhoneiros. Param para pedir o “direito” de continuar a trabalhar mais com menos descanso. A lei que os beneficia e os humaniza está sendo questionada pelos próprios beneficiados.
Mais nos parece locaute, a greve dos patrões. Os que teriam de assegurar jornada de oito horas, com intervalo de descanso de meia hora a cada quatro viajadas.

Preservação

A mãe morrera logo depois do parto, deixando quatro gatinhos a miar por alimento. O leite de gado, desdobrado com água, não lhes faltava. Faltavam mamas. Que lhes foram ofertadas por Primavera, uma cadelinha poddle. Que brigava com todos que se aproximassem de “sua” ninhada.
Aconteceu ali em Itororó, no início dos anos 60. Testemunhas vivas do fato. Eu e minhas irmãs Eva, Aidil e Nancy.

Diplomacia

Há uma insistência do conservadorismo nacional em criticar a política externa brasileira e em particular a atuação de sua diplomacia. O aprofundamento da aproximação com a África, Oriente Médio e a América Latina sofre na língua viperina de parcela da imprensa como nordestino em tempo de estiagem.
Evidente que este país, para pensar mais em seu futuro (ainda que não se afaste em termos absolutos, inclusive pela impossibilidade geopolítica), não pode estar atrelado, sob a égide da submissão, aos ditames do interesse dos Estados Unidos.

Diplomacia e subserviência

Nossa subserviência recente, no período FHC, nos levou a absurdos como prometermos entrega da Base de Alcântara sem que mesmo tivéssemos, os cientistas brasileiros, possibilidade de lá entrar sem autorização estadunidense. A ALCA eram favas contadas, a partir de janeiro de 2003. E não se fale na vergonhosa postura de um chanceler tirando sapatos em aeroporto como se reles mortal portador de artefatos capazes de destruir o Pentágono ou a Casa Branca.

Diplomacia que não perdoam

No caso recente, do golpe perpetrado no Paraguai, a diplomacia brasileira tem comido o pão que o Diabo amassou. E mesmo escrevem os arautos da conservadora elite nacional – mais afeta ao entreguismo que ao nacionalismo – de que estaríamos intervindo em assuntos internos do Paraguai, ainda que reagindo nos termos contidos nas declarações que alimentam o Mercosul.
Muito diferente dos Estados Unidos (santo do pau oco, como diria  Tormeza), que não fazem outra coisa nesse mundo a não ser promover belicosas intervenções em negócios alheios. (E estamos aqui para ajudar a não esquecer sua participação na nefanda ação na América Latina, derrubando governos eleitos democraticamente em defesa da democracia contra o comunismo, o que particularmente nos deixou um legado difícil de triste memória).

Diplomacia de lá para cá

De Cláudio Humberto não podemos esperar outra coisa além do que faz. É da ideologia dele, é compromisso dele e para com os dele. Respeitamos. Mas, até que nos seja ofertada uma explicação convincente, ficamos sem entender o por quê de o Diário do Sul publicar texto de Humberto criticando a diplomacia brasileira.
Nosso espanto não decorre do texto em si. Mas porque o Diário do Sul não tem tradição de enfrentar temas polêmicos locais, estaduais ou nacionais. Muito menos temos conhecimento de que na sua editoria haja alguém que se debruce em suas páginas para lidar com o melindroso tema que é a diplomacia.
A não ser que tenha tomado essa iniciativa. O que muito louvamos.

Guerra de números I

Pesquisas de intenção de voto pululam para consumo interno, vazadas conforme o interesse da encomenda ou por quem se vê beneficiado por elas. Estudos há, em relação a reeleições, municipais em particular, de que não são os indicadores de intenção de votos o grande referencial para definir a comodidade ou não de candidato que está no poder.
Os estudos analisam em torno de exemplos concretos, onde ponderado o peso e a influência de um dado pouco apresentado por muitos candidatos à reeleição: a imagem da administração na avaliação do conjunto da obra (administrativa), que pode influenciar no resultado se este indicador apontar um percentual em torno de 25% de ruim.
Isto acontecendo, ainda que na dianteira das intenções de voto, pode o “eleito” perder a eleição em consequência de como é visto o seu gerir a coisa pública.

Guerra de números II

Levantamos essa discussão – inclusive já a levamos a debate em programa de rádio do qual temos participado (o Bom Dia Bahia, comandado por Ederivaldo Benedito, na Rádio Nacional AM, aos sábados) – diante da circunstância de tomarmos conhecimento do resultado de pesquisas não levadas a registro na Justiça Eleitoral onde estão apontadas apenas as intenções de voto da estimulada, o que inviabiliza análise mais aprofundada dos dados coletados por não estarem disponíveis aqueles acima referidos.
Tudo que nos tem chegado ao conhecimento gira em torno de certa vantagem de Azevedo, dele se aproximando Vane, que se encontraria empatado, ainda que na dianteira, com Juçara. Ou de que a realidade não é bem essa: Juçara lideraria, com Azevedo escorregando na folha de bananeira e Vane sem sair do lugar.
Mas, diante do esconde-esconde dos dados preferimos ficar com o raciocínio de que em andamento está uma “guerra de números” aguardando as urnas. Que passam pelo horário eleitoral no rádio e na televisão.

Campanha pela “princesinha”

princesinha
Por demais louvável a iniciativa dos que convocam a comunidade uesquiana em torno da preservação da velha fobica
Certamente a Professora Adélia Pinheiro desconhecia a situação e compreenderá a mobilização em favor de um dos poucos ícones materiais da Universidade.
O pombal se foi, a planta baixa do projeto original foi alterado. Que a “princesinha” não continue a enferrujar.

Peças trocadas I

Fomos a Ferradas ver o que se passava por lá. Ainda que náuseas nos alcancem quando se trata de evento ligado à administração municipal. Não porque realizações da administração local não mereçam nossa atenção e respeito, mas por ver, em meio a homens de bem, uns tipos asquerosos e nauseantes, inexpressivas figuras, carimbados papagaios-de-pirata de eventos que possam lhes garantir uma fotografia para um álbum particular onde só resta a foto e nada de feito.
Mas para lá nos deslocamos, neste sábado, porque temos acompanhado, desde meados de 2010, a atuação de alguns abnegados em defesa do resgate de Ferradas a partir do filho ilustre – que nunca negou ter ali nascido, em que pese os saudosistas e pessimistas desta terra se utilizarem dessa afirmação negativa, que desconhecemos como nascida de Jorge Amado.
Visando transformar aquele espaço da geografia urbano-itabunense num centro cultural para Ferradas trouxeram, inclusive, um evento internacional – a XI Edição do Mercado Cultural, em novembro de 2011.
Para tanto, revitalizar a casa onde viveu Jorge Amado parte de sua tenra infância integrava o propósito. Adicionaram os idealistas transformá-la também num espaço de ações culturais concretas, onde instalado um Galpão Cultural.
Lutaram e conseguiram do prefeito Azevedo o compromisso de verem inaugurada a casa do escritor ferradense, onde só havia terreno e mato, e nela acrescer Galpão, biblioteca e museu. Não se negue: o prefeito cumpriu e a obra foi inaugurada neste sábado 28. Como também um símbolo do resgate que o idealismo almejou, com a estátua do ferradense no trevo recém-construído na entrada do bairro.
Peças trocadas II
Para lá nos deslocamos, esperando ver autoridades ao lado do povo de Ferradas, representantes da ACCODEC (a associação local) em festa todos para lembrar Jorge Amado. No entanto, visualizamos um punhado de pessoas para momento tão nobre, numa Ferradas onde muitas portas estavam fechadas como gesto mudo de repúdio.
Tudo precedido de propaganda eleitoral indevida e ilegal. Não fora o repertório brega que o mesmo veículo decidiu tocar.
Para coroamento, não podia faltar um símbolo amadiano: uma Gabriela. Que parecia em fim de carreira. Como a imagem de muitos que integram a administração de Azevedo e se faziam ali presentes.

Dinheiro do Santander

Uma placa do Santander enfei(t)a a parede lateral direita na sala de entrada da casa de Jorge Amado em Ferradas, acima de cópia da certidão de nascimento do ferradense. Não está de graça.
Não temos a razão imediata, mas sabendo que onde há nome de banco há sinal de dinheiro circulando, como cidadão gostaríamos de saber quanto o Santander andou distribuindo para ter o nome na parede da casa do ferradense ilustre.
E mais: se houve autorização da Câmara Municipal para tanto. Afinal, a Casa de Jorge Amado em Ferradas é espaço público, por integrar o patrimônio cultural do município.

Juçara está certa I

Melhor assumir a realidade e afastar, de logo, imagens que possam prejudicar a sua campanha. Assim, defendemos a posição de Juçara/Acácia no que diz respeito a desvincular Jacques Wagner e Geraldo Simões de sua propaganda eleitoral. Hoje mais pesadas do que chumbo lançado em piscina.
Como desculpa, no entanto, afirmar que a razão de exibir material de propaganda onde só apareçam mulheres (Dilma, Juçara e Acácia) está vinculada a legitimar a chapa local como força eleitoral feminina, dá para enganar alguns, mas não convence.
E não convence por uma razão elementar: não se dispensa em processo eleitoral apoio, muito menos se ele vem de imagens já vinculadas no imaginário da sociedade. Não se pode dizer que um Governador de estado reeleito e um deputado federal em terceiro mandato e ex-prefeito por duas vezes – não fora o distante mandato de deputado eleitoral – não teriam peso em sua campanha pela circunstância de serem homens/masculinos (preconceito de gênero).

Juçara está certa II

Ocorre é que grande mesmo é o peso de qualquer candidato em Itabuna – para não dizer da região – dizer que tem o apoio de Jacques Wagner. Pior, no caso particular, dizer que o tem de Geraldo Simões, imagem desgastada e sofrível (ainda que seja injusta a afirmação, para alguns), hoje às voltas até com uma denúncia junto ao Conselho de Ética da Câmara Federal.
Juçara está certa mesmo. Basta o peso de uma imagem que lhe outorgaram e que lhe pode ser cara: a de ausente da realidade do povo e de ser candidata imposta ao PT por ser mulher de Geraldo Simões.

E por falar em Olimpíadas

Porque é tempo de confraternização olímpica trazemos o tema principal da trilha de Carruagens de Fogo, de Vangelis, posto na abertura do filme que aborda a luta e determinação para superar dificuldades e alcançar vitórias. Com um detalhe particular: serviu de mote para o humorismo de Mr. Bean na abertura dos jogos de Londres, nesta sexta 27.

Cantinho do ABC

caboco28 de julho de 2012. Dia, mês e ano do Jubileu de Ouro do ABC da Noite. Fomos visitar o filósofo do Beco do Fuxico na antevéspera da efeméride histórica. Meu filho André acompanhando. Cumprimentos rolaram. E provocamos a verve alencarina:
– Cabôco, 50 anos na cacunda do ABC não é pouco para você!
– É, Cabôco – investe o filósofo – pelo menos você tem idade para tentar outro cinquentenário. Eu não.
– Certo que não dispensamos você por companhia, que tem vocação para Matusalém – dissemos. E prosseguimos no mote:
– O que não lhe falta é mato para percorrer.
– É, Caboco, muitos matos além! – fechou a cena o filósofo do Beco.
Só nos restava anotar mais uma. Para a segunda edição de O ABC do Cabôco.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum