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domingo, 26 de agosto de 2018

Brasil: da desmoralização à fiscalização externa das eleições


Bagaço
A rudeza do golpe de 1964 em sua existência, donde brotaram a mancheia traições, delações, ambições e a mesquinhez que norteia o que chamam vida em tais instantes, alimentou uma pérola literária de Mário Lago: Bagaço de beira-estrada, livro de memória em continuidade ao Na rolança do tempo.

Como a história se repete – em muito como farsa, como já fora aquele instante – há atores e personagens, casos e histórias no curso do presente que nada deixam a dever aos pretérito referidos.

Chamado por alguns de “bagaço do golpe” o juiz Sérgio Moro – hoje inteiramente desmoralizado na cena jurídica no Brasil e no exterior, onde só encontra apoio dos que alimentaram o golpe e o sabem ‘agente judicial’ para corresponder aos interesses da banca – deu de, mais uma vez, exercitar seu lado político-partidário e passou a dar pitacos sobre o que os candidatos deveriam dizer na campanha. 

Nessa de coordenador de campanha sai com pérolas, como as ditas ao jornal O Estado de São Paulo, abaixo transcrito:

"[...]o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, em Curitiba, sugeriu que os candidatos à Presidência da República sejam questionados durante a campanha eleitoral sobre seis temas específicos relacionados ao combate à corrupção. Moro elencou a necessidade dos candidatos serem abordados sobre suas posições em relação ao cumprimento de pena após 2. 2ª instância, anistia ao caixa 2, lei de abuso de autoridade, foro privilegiado, padrão de governança pública e, por fim, concessões à corrupção para garantir governabilidade."
A fala de Moro foi: ‘Nós precisamos que a classe politica e nossas lideranças politicas façam a sua parte e deem seu exemplo, não só com atitudes consistentes contra a corrupção, mas com posições vigorosas contra ela’”.

Esquece sua excelência (com letra minúscula revisor!) – por conveniência típica de Diabo fugindo da cruz – de sugerir sobre o que acham os candidatos a propósito do respeito à Constituição da República. 

Ou, mais precisamente, do que acham de violações, pelo Poder Judiciário (de juízes a ministros do STF), do quanto disposto na Constituição como cláusula pétrea.

De tudo, incluindo Moro, restará o ‘bagaço’. Que não dará título a livro nenhum.

Onde 'moro' prevalece tratado internacional referendado nada vale
A gandaia a que chegamos alcança o desplante de autoridades dos Poderes Executivo e Judiciário afirmarem que um Tratado Internacional, da ONU, subscrito e referendado pelo Brasil não possui nenhum valor porque não foi sancionado pelo Poder Executivo.

Natural que tal ocorra  quebra do determinado  em decorrência de uma singular coincidência: a determinação da ONU beneficia o ex-presidente Lula.

Como o país escuta a rede Globo e esta se impôs como oráculo e divindade suprema esquecem todos de uma lição primária de Direito Constitucional: 

Tratados Internacionais subscritos pelo Brasil são referendados pelo Congresso Nacional e dispensam sanção presidencial, porque o instrumento que os afirma é o denominado Decreto Legislativo (das espécies legislativas o meio pelos quais a Câmara e o Senado exercem competências exclusivas, a teor do artigo 49da CF), para produzir os efeitos dispostos no plano interno e acarretar encargos ao país.

O Decreto Legislativo 311, de 16 de junho de 2009, foi publicado pelo Senado Federal e a força do Tratado é vinculante como lei supranacional com força interna.

Quanto custa
O gritante em tudo não está somente no fato de o Estado brasileiro, na figura de uma representação que nada representa hoje no concerto das nações, se negar a fazê-lo, mas que a principal instituição capaz de instá-lo – porque em suas mãos as decisões – o Judiciário/STF se negar a efetivar e não falta entre seus membros quem diga que tal não tem eficácia.

Essa gente que mais está para fazer política partidária sem risco de eleição gosta mesmo de uns penduricalhos, como alerta Brito no Tijolaço.


O Estado Democrático de Direito... para eles, como casta.

Sexta-feira, 24
Sexta-feira última não foi 13, mas 24. Tempo de lembrar de Getúlio Vargas e o trágico suicídio. Tantos anos, os fatos se repetem. No primeiro caso o massacre midiático voltado apenas para o eterno projeto de elites, a subserviência aos interesses estrangeiros e o colonialismo como prêmio, onde somente a casa-grande se beneficia.

O dito acima e a relação com o presente parte de considerar o dito por Assis Chateaubriand ao General Mozart Dorneles, subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República, em 1954, de que tudo o que promovia tinha por objetivo Getúlio desistir da Petrobras, criada há três semanas.

Hoje, em nível de riqueza, a Petrobras e o petróleo são ainda joia da coroa, como as reservas de urânio, o projeto de beneficiamento de urânio, a base de Alcântara, etc. etc.

Para tanto, o massacre para alijar do processo eleitoral quem anuncia beneficiar o povo, incluindo quem o efetivamente o fez.

Ontem Assis Chateaubriand e a TV Tupy (São Paulo e Rio)e a revista O Cruzeiro; hoje, a Globo e o Globo, capitaneando as(os) que os reproduzem.

Em jogo o país. Ainda que os instantes históricos sejam diversos os interesses são os mesmos.

Em agosto de 1954 Getúlio Vargas deu um tiro no peito para salvar as conquistas nacionalistas de seu período, incluindo a Petrobras.

A insignificância e o insignificante
A mesquinhez, aliada ao ciúme barato – diria alguém – fazem de FHC uma insignificância no imaginário de parcela considerável de brasileiros ouvidos em pesquisa. 

O intelectual mostra-se insignificante no que prega, porque não convence. E não convence porque não é coerente com o que propaga ou, mais grave, apesar de insinuar dizer para o povo trabalha (e sempre trabalhou teoricamente) contra o povo.

E esse danado de povo – mesmo que o tenham por ignorante – tem memória e não esquece. Que o diga a avaliação ao lado (GGN), dizendo respeito à importância político-eleitoral dos referidos, onde figura o 'príncipe'.

Como profissão de fé, em três tempos
Temos – há muito tempo – nos posicionado contra o voto eletrônico no modelo brasileiro. Justamente porque é o caminho natural para fraude. Sem a possibilidade de conferência da votação – que se tornar necessária – qualquer violação ao sistema para controle do registro de votos nunca será percebido. 

Somente quem acredita em Papai Noel admitirá seriedade num sistema criticado (com comprovação de violações) e não reconhecido no resto do mundo. Basta que se diga – para ilustrar – que outros sistemas de votação eletrônica não dispensam a impressão do voto, que não tem nada a ver com a propaganda fácil de que identificaria o votante, uma mentira deslavada, porque o voto impresso fica depositado em urna física apenas para conferência em caso de recurso.

Também já afirmamos não acreditar na realização de eleições em 2018, o que parece nos levar ao pelourinho da crítica e da teoria da conspiração.

Por fim, o corolário: temos afirmado que não acreditamos que um golpe elaborado, planejado e engendrado por forças internacionais – apoiadas em marionetes nacionais, que dão legitimidade interna àquelas – voltado para que o controle do país e de suas riquezas não fuja mais do controle das ‘forças poderosas’ (diria Jânio Quadros) alicerçadas no capital especulativo que hoje controla países, de pequenos a grandes, venha a tolerar entrega do poder a este ou aquele candidato que contrarie suas políticas de concentração da riqueza, controle do estado (estado mínimo) e domínio do mercado sobre o interesse coletivo.

Havendo eleições uma coisa é certa, assim enxergamos: ou há certeza da vitória de seu candidato ou a manipulação da urna eleitoral mostrará a que veio.

Pensaria diferente caso não visse tanta resistência ao voto impresso pelo próprio Judiciário. O exemplo melhor de que – a serviço do mercado – não só para legitimar impeachments absurdos, condenações mais absurdas ainda, como também eleger o presidente da banca.

No mais, o país (e sua gente) que se lixe!

Tudo, naturalmente, deve parecer democrático. Como a queda dos militares do poder por eles (da banca) imposto através do golpe de 1964 e a redemocratização.


OEA
Missão da Organização dos Estados Americanos chega ao Brasil para acompanhar o processo e as eleições dele decorrentes.

Comumente tal acompanhamento somente ocorre em casos de suspeita de fraudes e irregularidades. Nas denominadas 'republicas (de) bananas'.


Leitura: o Brasil caiu na boca do mundo como inconfiável à Democracia. 

Acompanhamento a eleições é sinal de que a coisa não anda boa.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Aguardar e conferir
Do Valor, capturado através do Conversa Afiada: “Com a forte queda dos preços do petróleo e os custos ainda altos de exploração e produção, o lucro das principais petrolíferas do mundo foi praticamente a zero no ano passado. O Valor levantou os balanços de Royal Dutch Shell, Exxon Mobil, Chevron, BP, Statoil e Pemex e constatou que o resultado líquido das seis empresas ficou em US$ 1,6 bilhão durante 2015, recuo significativo de 98% perante 2014.”

Há analistas no Brasil – sempre eles – que esperam o balanço da Petrobras com graves perdas.

Podem se surpreender. Afinal, extraindo petróleo do pré-sal a US$ 8 o barril e dispondo de uma rede de distribuição interna a situação da estatal brasileira pode em muito diferir das congêneres estrangeiras.

Redução do lucro certamente ocorrerá, mas não a praticamente zero como com as estrangeiras. É só aguardar para conferir.

O mundo
Hoje permeados pela dengue mais de 150 países. (153, para a presidente Dilma, discursando em evento de combate ao transmissor no Rio de Janeiro).

Mas, para uma deputada tucana de São Paulo (naturalmente) Dilma é culpada pela endemia/epidemia. 

China em frangalhos
A análise de economistas comprometidos com a matriz e dissociada de compreensão em torna da geopolítica põe a redução do PIB chinês como uma hecatombe para o país... e para o mundo. Que somente seria salvo utilizando-se de políticas de exacerbado controle fiscal para assegurar aos emprestadores (mercado financeiro) a confiança em continuar emprestando seu dinheirinho estéril.

Já escrevemos em algum instante neste blog que a China pensa para tempo futuro distante. E devagar vai enganando os trouxas. Não os estadunidenses, que percebem as peças acionadas pela China em seu tabuleiro universal.

Chineses acabam de adquirir o pleno controle da suíça Syngenta, gigante e líder global em defensivos agrícolas, vencendo disputa com a estadunidense Monsanto.

Como diz Rui Daher, na Carta Capital: "Estratégia geopolítica é cada vez mais importante, meus caros, e nós aqui destruindo a Petrobras e o know-how no setor de construção de grandes obras nacionais e internacionais."

Não registra Daher – neste aspecto – a que e a quem servem os que buscam destruir nosso parque tecnológico e a Petrobras em particular. São os que não passam de mente indigente tirada a inteligente (obrigado Stanislaw Ponte Preta) em geopolítica e inteiramente desprovidos de compromisso para com o país.

E que nunca entenderão Fernando Pessoa (Navegar é Preciso):

“Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue   
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir  
para a evolução da humanidade.”  

Economist
Para a revista britânica – em reportagem sobre corrupção no Brasil – “A Justiça brasileira é antiquada e estranha”. O “poder incomum” de juízes como Moro somente ocorre – segundo a revista – “porque a lei brasileira confere esse tipo de poder incomum” a ponto de utilizar desregradamente a detenção pré-julgamento como regra comum quando “a maioria dos países” só a utiliza “como último recurso”.

O que não cabia a Economist relatar é que neste país sem Ministro da Justiça, onde alguns procuradores e delegados da Polícia Federal fazem política partidária escancaradamente, constranger para obter prova não só lhes dá mídia como supera a incompetência técnica em obtê-las pelos meios tradicionais. 

3 bilhões/dia
Não imagina o leitor o que representa a especulação financeira aceita e administrada pelo Banco Central como sustentáculo da ‘credibilidade’ brasileira perante as demais nações.

Ainda que as reservas internacionais estejam próximas de US$ 400 bilhões (o que daria mais de R$ 1 trilhão) de nada representam para o país (povo/nação) quando nos debruçamos sobre os gastos previstos no Orçamento vigente, que estima as obrigações para com a dívida/rolagem e seu serviço em mais de R$ 885 bilhões. 

Quase 3 BILHÕES DE REAIS POR DIA.

Mito caindo
Dentre os aprovados na Unicamp 51,9% são oriundos de escola pública, o que vai destruindo o mito de que só ingressava na universidade quem estudasse em escola particular.

A mudança deve ser tributada ao quesito oportunidade. Antes, o funil do vestibular aliado ao reduzido números vagas; recentemente, aumento de vagas (criadas dezenas de universidades federais) e o ENEM como instrumento de acesso.

Da sede ao pote...
Os sonegadores de sempre se imaginam inalcançáveis. Estão aí aqueles envolvidos na Operação Zelotes que deles se esqueceu para correr atrás de Lula.

Especialistas em picaretagens seus personagens ficam a imaginar que nenhum respingo lhes caia às costas. (Até porque – caso caia – não lhes falta proteção em todos os escalões).

No entanto, em tempos de internet e de blogs futucando tudo as coisas não ficam tão fáceis assim.

É o que acaba de ocorrer com a descoberta dos donos da empresa onde os Marinho da rede Globo foram buscar apoio para a construção de um triplex em Paraty.

E descobrem que a empresa está envolvida na Lava Jato, como escancara Helena Sthephanowitc no RBA

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...ao tiro no pé
Muitos dos que acusam Lula/PT/Dilma de escândalos estão até às fuças envolvidos neles.

O detalhe é que de acusadores podem tornar-se acusados. Não que se diga que algo vá ocorrer com a família Marinho do sistema Globo. (Quem há de ser louco de imaginar que um juiz como Sérgio Moro, premiado pelo sistema administrado pelos Marinho vá punir quem  o reconhece em sua vaidade? Afinal, a sua Lava Jato tem por exclusivo objetivo fazer política em favor da oposição capitaneada pelo PSDB. No mais, se a empresa envolvida no triplex dos Marinho é investigada na Lava Jato é típico daquele não vem ao caso).

Mas estão caindo na boca do povo. Helena desmontou a rede.

Difícil é a Procuradoria-Geral da República investigar o que ocorre e por que ocorre.

Enquanto isso...
Correm os ‘senhores’ para fazer Justiça. ‘Senhores’ aqui são a elite oligárquico-patrimonialista deste país, de priscas eras. Lula precisa ser alcançado – assim pensam e exigem. A seu serviço alguns integrantes de variados órgãos estatais (PGR, MPF, PF, Judiciário).

Enquanto isso, nem a determinação judicial (abaixo) foi cumprida, desencavada por Fernando Brito no Tijolaço. Naturalmente por interessar aos Marinho, beneficiados pela omissão judicial iniciada e não materializada.

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A propósito
Mais uma declaração de Martina Silva – na condição de defensora do Meio Ambiente – é aguardada com ansiedade: sobre a construção do triplex da família Marinho (da Globo) em Paraty, invadindo área primária de Mata Atlântica, onde terceiro não podem entrar, porque a praia, de uso comum, está isolada para atender aos 'proprietários'.

A outra declaração esperada: sobre o desastre ambiental de Mariana.

Ligações perigosas
Assim registra o GGN, referindo-se a possíveis(?) relações entre Paulo Roberto Costa e os Marinho, declarando aquele que havia constituído uma consultoria (A Costa Global) “que teria como missão fazer o "casamento" de investidores com donos de projetos. Entre eles, estaria a venda do terreno da família Marinho, onde está a mansão.” 

Enquanto isso vamos curtir o bom gosto e a vida no paraíso, com os Marinho!

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Letrados
Diante de certas declarações assumidas por alguns Procuradores da República há quem os reconheça aprovados pelo glorioso fato de terem sido ‘decoradores de apostila’. Até o concurso, naturalmente. 

Faz sentido. Afinal, não precisam ser avaliados – e não o são – em Geopolítica, Economia Política, História, Geografia, Sociologia.

Disso ninguém lembra!
A lista do HSBC anda esquecida. Talvez venha a ser lembrada a partir das informações obtidas recentemente pela CPI do HSBC. 

Garimpando o Swissleak, traz o 247  "Família Steinbruch, capitaneada pelo empresário Benjamin, aparece com a maior fortuna brasileira no HSBC e, provavelmente, uma das maiores do mundo: nada menos que US$ 543 milhões; dono do grupo Vicunha, que enfrentava dificuldades no setor têxtil, Benjamin deslanchou depois de contratar, ainda em 1995, o filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Paulo Henrique, como assessor especial; na era das privatizações, Benjamin comprou a Companhia Siderúrgica Nacional, a Light e até a Vale, sempre com apoio do BNDES ou dos fundos de pensão estatais; em nota, a família Steinbruch afirmou que não irá comentar 'vazamentos ilegais'".

Steinbruch não deixa de ter razões para não comentar a matéria. Primeiro, porque é preciso respeitar a sua privacidade (o que inclui o patrimônio); segundo, porque será difícil entender – que do início dos anos 90 – o seu Grupo Vicunha tenha gerado recursos para encampar participação em três privatizações (CSN, Vale e Light).

E – mais difícil – a razão por que tudo foi conseguido depois que contratou o filho de FHC para assessorá-lo.


Próxima etapa
Pelo andar da carruagem – e a insistência em prender Lula – e à falta de ‘denúncias’ consistentes é possível que passemos à fase crucial de colheita de provas contra o ex-presidente utilizando-se de métodos conhecidos... pela Inquisição. 

se disser que foi o lula
                                                                       Ilustração de Cynara Menezes
Nem peticionando
Os fatos contidos na petição (clique) de João Santana ao juiz Sérgio Moro – não fora escancarar o abuso de autoridade, de poder e quejandos – nos deixa a contemplar uma outra vertente: e a OAB?

Risível aqui...
Não há como imaginar como terminará a coisa. Citamos ‘coisa’ porque os fatos não mais se apresentam como tais, reconhecíveis e palpáveis, identificáveis em sua dimensão e personalidade. Trata-se da postura do Ministério Público Federal (os estaduais são outra história) – onde a Procuradoria-Geral da República cumpre destaque, na pessoa de seu representante Rodrigo Janot – diante das denúncias – reiteradas em delações premiadas – envolvendo o senador Aécio Neves em escândalos vários, como o de Furnas (onde detinha um terço da propina).

A ‘coisa’ deu de beirar a galhofa. 

Para uns ‘mineiro não é só solidário no câncer’ – como salpica Nelson Rodrigues em relação ao que teria ouvido de Otto Lara Rezende (posto em “Bonitinha Mas Ordinária” – ou de que o tucano mineiro – não bastasse a solidariedade – não correria nenhum risco pelo simples fato de ser tucano. Ou mesmo de que Janot brinca de esconde-esconde com Aécio.

O que deixa a entender é que a atuação político-partidária do juiz Sérgio Moro – até que cobre apuração em relação a um tucano ilustre (e não lhe faltam citados em sua Vara) – contamina ou simplesmente repercute a vontade de parcela do MP.

...risível acolá
A Polícia Federal e investigadores vários (incluindo ávidos procuradores) também transitam na esteira da galhofa. 

Correm – também – atrás de Lula, mas não conseguem descobrir dono de meia tonelada de cocaína, ainda que encontrada em helicóptero com proprietário conhecido. 

Sem falar naquele avião de Eduardo Campos, ainda sem dono. 

Cansando
A insistência em pegar Lula leva o cidadão comum – ainda que não goste do ex-presidente – a vê-lo como um perseguido. Já não há mais como esconder a intenção.

Para todos os que sabemos que corrupção no Brasil é endêmica a busca por incriminar petistas – e agora Lula especialmente – leva à desmoralização de ações que poderiam contribuir – em muito – caso não buscassem o vedetismo para corresponder a interesses político-partidários-eleitorais - para realmente reduzir a bandidagem de colarinho branco.

Não à toa a turma está cansando de só ouvir falar em PT-Dilma-Lula. 

Pesquisa da Vox Populi afirma que a Lava Jata não mais detém aqueles 67% de aprovação. Ora começa a patinar no percentual que a sustentará sempre: 26%, o mesmo que ampara a votação da atual oposição.

A descoberto
A análise de Luiz Nassif em O xadrez da Lava Jato e a incógnita Janot – afastados os senões que sobre ela venham a ser postos – deixa ao Procurador-Geral da República Rodrigo Janot a responsabilidade por conter o desvario que acomete figuras a ele subordinadas, o que alcançaria – por tabela – Polícia Federal e alguns juízes.

Toda a análise não disfarça a flagrante atuação político-partidária das peças citadas. Inclusive o próprio Janot em relação ao senador Aécio Neves.

Dispensando Freud
Antes imaginava-se que este criminoso comportamento do então ministro Joaquim Barbosa, no STF, se devia ao fato de que havia apenas uma relação espúria entre ele e o global Luciano Huck. 

O famoso inquérito 2474 – que inocentaria todos os acusados na Ação Penal 470, o denominado mensalão petista, do crime de corrupção, por ausência de dinheiro público – e prova que o tal ‘mensalão petista’, que não passava de Caixa 2 – ficou escondido, retido por Barbosa, como escancara Miguel do Rosário no Cafezinho (Barbosa escondeu laudo por filho) para que o nome de seu rebento não viesse à tona. 

A verdade nele contida não atendia ao seu compromisso de estampar corrupção. Não havia prova contra ela. O inquérito, da Polícia Federal, instaurado a pedido dele Joaquim, o confirmava.

O laudo demonstrava que o dinheiro da Visanet não era dinheiro público. E, mais que isso: da quase totalidade foram comprovados os gastos para o fim a que se propunha a Visanet (divulgação, patrocínio, propaganda etc.), inclusive parcela considerável para a rede Globo (fato confirmado por um seu diretor a uma CPI no Congresso) e autorizados ao tempo de FHC.

Mas a sanha de Joaquim Barbosa – por razões que só Freud explica – escondeu o inquérito.

Freud  do Além  se dispensou, declarando que o fato 'é caso de polícia, não de psicanalista'.

Seriedade
O alerta do secretário Paulo Bicalho, da Saúde, de que há risco concreto de 50% da população contaminada por dengue, zika ou chinkungunya até abril reflete a seriedade como administra a pasta.

Por sua vez  em leitura simples  a situação é grave.

Por outro lado, a população não pode se dar ao luxo de apenas esperar solução do Poder Público, quando o 'poder' de evitar criadouros é de cada proprietário ou residente no imóvel.

Batido o martelo
Em nível petista para Itabuna o nome de Geraldo Simões assumiu a pré-candidatura, como definido pelo Diretório Estadual do Partido aqui


Onde há fumaça...
Falam  à boca pequena  que um pré-candidato a prefeito será rifado. A sua negativa confirma o fato explorado.

A outra negativa  de admitir lutar por uma vaga de vereador  sinaliza para efetivação da campanha mais cara para assumir cadeira no Plenário Raymundo Lima.


domingo, 10 de janeiro de 2016

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Argentina
Não se deve negar que a eleição de Macri na Argentina vai realizando os sonhos neoliberais de alguns brasileiros, que esperavam em Aécio o seu mágico e redentor.

A recente atitude dos hermanos foi dispensar os médicos cubanos do programa Mais Médicos de lá. Que  como aqui  trabalhavam onde os de lá  como os daqui  não queriam servir.

Há gente exultante por aqui.

Possivelmente pronta e disposta para atuar no exército de Macri quando as mobilizações populares começarem a reagir.

Laboratório de nosferatu
A Argentina vai funcionando como laboratório para o decadente neoliberalismo.

Típico laboratório de nosferatu, palavra aqui posta em sua significação românica, como sinônimo de vampiro.

Para quem deseje sentir o clima pode buscar os filmes homônimos de Friedrich W. Murnau (1922) e Werner Herzog (1979).

A banca exulta.

O filme perfeito
Nos tempos do ‘milagre econômico’ na ditadura a mensagem do dia era ‘fazer o bolo crescer para depois distribuir’. 

Ao lado, sustentando tal política no imaginário da população, como mantra da elite, o famoso ‘ensinar a pescar é melhor que dar o peixe’. Vinculando o ensinar a pescar com o fazer crescer o bolo chegaríamos à perfeição na distribuição de renda.

Quarenta anos são passados. O mantra se repete a cada instante. Temos mais de 600 bilhões de dólares escondidos no exterior e anualmente a sonegação beira outro meio trilhão de reais.

Não precisamos ir longe para compreender quem fica com o bolo. Ainda que o povo tenha aprendido a pescar.

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Até os indiozinhos de colo!
Em nosso Amendoeiras de Outono (Via Litterarum) um dos personagens, aboletado em Paris, por lá sempre ouve que somos descendentes "dos 'irresponsáveis' perante a mata e o índio:  se a este matam, àquela extinguem."

Doída realidade. Já dizimaram praticamente os povos indígenas. Pela fome, doenças e aculturação.

Passam à conclusão pelo extermínio direto. 

Como fizeram com a criança índia Kaingang, de dois anos, no município de Imbituba-SC, conforme denúncia do CIMI-Sul; degolada enquanto era amamentada dentro de uma estação rodoviária.

Em avançado estágio a destruição da biodiversidade. E de roldão, a fauna primitiva: índio.

A ilusão
O não-sujeito de direitos preenche considerável parte do universo adolescente brasileiro. O ordenamento jurídico – capitaneado pela Constituição Federal – outorgou-lhe garantias várias. Dentre elas – a mais elementar e primordial – o direito à vida e à liberdade de ser e viver como criança e adolescente. Na esteira, a educação.

Na sociedade excludente – por vocação e princípios – onde o indivíduo não passa de peça de reposição na massa uniforme da força de trabalho para corresponder à máquina coordenada pelo capital, negar o menor dos direitos à criança e ao adolescente corresponde a torná-lo inexistente, porque nunca chegará àquela utilidade. 

E não chegando jamais se tornará parte desta sociedade. 

A saída – dolorosa – é buscar quem o reconheça, enquanto vida ainda tiver.

Amparando-o, o crime, o único que o reconhece útil.

Esclarecendo
Bastante singular o que está ocorrendo no seio da Operação Zelotes (e seus promovidos desdobramentos). Os senhores investigadores esqueceram-se – pelo menos por conveniência ou desinteresse – de vazar informações (certamente por falta de algum petista entre os apurados) em torno do real objeto daquela operação: definir autoria e indiciar os responsáveis pelo escândalo que envolve prejuízos de cerca de R$ 20 bilhões para o Governo.

Esqueceram-se do Bradesco, do Bank Boston, do Pactual, do Santander, do Itaú, do Safra, da Gerdau, da Ford, da MMC-Mitsubishi, da RBS (Globo), etc. etc. e cuidam de ‘apurar’ vantagens obtidas por parlamentares para a aprovação de Medidas Provisórias.

Para tanto o ex-presidente Lula foi convidado a esclarecer em torno de fatos envolvendo a edição de Medidas Provisórias que desoneraram empresas.

O que falta esclarecer
Lula esclareceu. Não custa agora o brasileiro comum cobrar da Polícia Federal, e seus delegados, bem como do MP, do Judiciário, o "esclarecimento" – à sociedade que paga seus gordos salários, como funcionários públicos que são – do porquê da guinada da operação Zelotes em relação a seus objetivos originais. 

A operação já em abril de 2014 se arvorava em apurar até as últimas consequências o que começou com a venda de "soluções mágicas" dentro do CARF, órgão de apoio a Receita Federal, com vários empresários gordos do Brasil, bem como bancos, rede de televisão, e um monte de gente graúda envolvida, e que agora descamba para uma suposta investigação sem pé nem cabeça.

Limites (ou a falta de...)
Queremos crer que se trate de uma montagem veiculada por algum irresponsável na internet.

Caso contrário estamos nos limites da irresponsabilidade. 

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O outro lado
De postagem/comentário do delegado da Polícia Federal Armando Rodrigues Coelho Neto no blog de Marcelo Auler:

Sr. Repórter. Sou contra o impeachment da presidente. Como delegado federal atesto que a PF vive seu melhor momento. Só Dilma, entre 2011/2014, aprovou 13 normas pró PF. A citação ao meu nome está truncada. A PF não está lutando contra a corrupção e sim contra o PT. A campanha salarial está contaminada pelo clima de golpe. Os delegados têm feito uma avaliação equivocada do momento político e descontextualizado, seja da crise mundial, da crise nacional e descontextualizada no tempo. Afinal, não comparam passado e presente. Usam a LAVA JATO como chantagem, mas a democracia sobreviverá”.

Para não esquecer
Há coisas que não podem cair no esquecimento. Por mais amparados que estejam os atores principais.

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Insaciabilidade
A grita da PF por mais recursos não destoaria da realidade se não estivesse ela exercitando sua atividade em dimensões como nunca antes.

O número de operações confessa a melhoria/aumento de recursos alocados pelo Governo para a PF.

No entanto imaginar-se insuscetível de contingenciamento – quando até a Saúde e a Educação sofreram cortes – é imaginar-se ou sentir-se a ‘dona da bola’.

Chapéu alheio
A ‘ajuda’ da Veja pode complicar o juiz Moro, divulgando o que ele dispôs (depósito judicial) quando não podia dispor.

Mas – talvez – para quem compete apurar ‘não venha ao caso’. 

A ‘bondade’ do juiz Sérgio Moro para com a PF no Paraná cheira a esmola roubada de chapéu alheio.

Dinheiro havia
A 'ajuda' do juiz Sérgio Moro decorreria (no condicional, mesmo) da falta de recursos para a manutenção de veículos. Tal não ocorria, demonstra-o Fernando Brito no Tijolaço. Que observa:

"Mas creio que está mais do que suficiente – e existem mais valores – para demonstrar que há algo de muito estranho com este chororô de que o Governo, malvado, não dava verbas para manter os carros da PF paranaense e os delegados da Lava Jato tiveram de ir passar o chapéu diante do juiz Sérgio Moro que, embora “não sendo apropriado”, liberou recursos sob sua guarda para evitar o colapso da operação".

O homem (Moro) ou anda mal orientado ou mal intencionado, a ponto de cometer um ilícito para beneficiar a turma insaciável.

O mais grave
Para Fernando Brito, em "Documentos: Moro tirou da própria cabeça 'urgência' e ameaças a Lava Jato", todo o 'enfeite' moriano saiu de sua própria mente.

Inclusive a alusão  desnecessária  à Lava Jato.

Stalinismo I
Muito de desgraça já aconteceu neste país sob a égide da guerra fria. Pensar contrariamente ao consenso nascido nos EUA e levado ao planeta pela CIA constituía crime de lesa-majestade. Todos comunistas. 

E por tal razão muitos não só presos, também torturados e mortos. 

A prisão de ‘comunista’ poderia constituir-se na sua sentença de morte. Coisa assim, tipo stalinismo – o método pelo qual uma prisão ou julgamento já tinha antecipadas a sentença e a execução; bastava ser adversário. O processo instaurado dele já se sabia o resultado.

Assim caminha esta terra de São Saruê. A Polícia Federal quer autonomia total. 

Polícia só tem autonomia em ditadura. Quando age no modus operandi stalinista.

Stalinismo II
O stalinismo em regime democrático somente pode ocorrer à luz da ausência de comando, de desrespeito à lei. Assim têm agido alguns policiais e delegados federais.

Mas, na falta de comando, a bagunça se torna ‘lei’.

Como bem observa Paulo Henrique Amorim em comentário em sua TVAfiada, a proeza de José Eduardo Cardozo é haver transformado a Polícia federal num DOI-CODI em plena democracia. 

                 
Apareceu a Marina
Não a Margarida, como diz a canção. Marina Silva aparece para defender a cassação da chapa Dilma-Temer por possível recebimento de recursos de propina para a campanha.

Não lembrou – ou deixou de aproveitar a oportunidade – de informar a quem pertence o jatinho que a conduzia na campanha política até a morte de Eduardo Campos.

E – para mostrar quão límpido era o seu dinheiro de campanha – explicar aquele jogo contábil que fez transferir R$ 2,5 milhões da conta pessoal de Eduardo Campos (depois de morto) – valores superiores a cinco vezes ao que declarara ao TSE – para os gastos de sua campanha em 2014.

Lição não aprendida
A situação por que passa o jornal O Estado de Minas é gravíssima. Assim que ficou um ano longe da cornucópia do poder capitaneado por Aécio Neves/PSDB se viu no que sempre foi: um nada, que só vivia como dependente de recursos públicos.

A lição pode ser levada a outros veículos de comunicação

Quem nunca exerceu a lição governamental foi o Governo Federal.


Estrela branca
O símbolo do Partido dos Trabalhadores é uma estrela vermelha. Impregnado no imaginário popular (ou de parte dele) pela força de ações do Governo Federal.

Não tenhamos dúvida de que a ‘estrela’ deu de amarelar. E brevemente será branca. Ou seja... nada.

Mas o ministro amarelado, José Eduardo Cardozo, permanece no trabalho de branqueamento.

Não faltando o apoio da presidente Dilma... que aproveita as horas vagas para escrever artigos para o ‘”Opinião” da Folha de São Paulo.

Licitação questionada
Robenilson Torres  vice-presidente do Conselho Municipal de Transportes de Itabuna  questiona em artigo publicado no Pimenta o processo licitatório para o transporte urbano itabunense lançado pelo Município.

Sua análise decorre do fato da inserção dos critérios "Melhor proposta técnica" e "Menor tarifa de remuneração' concomitantemente, fato que  na forma do art. 46 da lei geral das licitações (8.666/93)  somente poderia ocorrer exclusivamente para serviços de natureza predominantemente intelectual.

Assiste razão a Robenilson.

Bastaria o Município exigir a 'melhor proposta técnica' para todos e – dentre os que a apresentarem em igualdade – vencedor seria o que oferecesse a 'menor tarifa de remuneração'.

Simples assim. Evitaria suspeita de possível interpretação subjetiva em torno da 'proposta técnica' para assegurar a alguém desvantagem, ainda que apresente 'menor tarifa'.