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domingo, 26 de agosto de 2018

Brasil: da desmoralização à fiscalização externa das eleições


Bagaço
A rudeza do golpe de 1964 em sua existência, donde brotaram a mancheia traições, delações, ambições e a mesquinhez que norteia o que chamam vida em tais instantes, alimentou uma pérola literária de Mário Lago: Bagaço de beira-estrada, livro de memória em continuidade ao Na rolança do tempo.

Como a história se repete – em muito como farsa, como já fora aquele instante – há atores e personagens, casos e histórias no curso do presente que nada deixam a dever aos pretérito referidos.

Chamado por alguns de “bagaço do golpe” o juiz Sérgio Moro – hoje inteiramente desmoralizado na cena jurídica no Brasil e no exterior, onde só encontra apoio dos que alimentaram o golpe e o sabem ‘agente judicial’ para corresponder aos interesses da banca – deu de, mais uma vez, exercitar seu lado político-partidário e passou a dar pitacos sobre o que os candidatos deveriam dizer na campanha. 

Nessa de coordenador de campanha sai com pérolas, como as ditas ao jornal O Estado de São Paulo, abaixo transcrito:

"[...]o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, em Curitiba, sugeriu que os candidatos à Presidência da República sejam questionados durante a campanha eleitoral sobre seis temas específicos relacionados ao combate à corrupção. Moro elencou a necessidade dos candidatos serem abordados sobre suas posições em relação ao cumprimento de pena após 2. 2ª instância, anistia ao caixa 2, lei de abuso de autoridade, foro privilegiado, padrão de governança pública e, por fim, concessões à corrupção para garantir governabilidade."
A fala de Moro foi: ‘Nós precisamos que a classe politica e nossas lideranças politicas façam a sua parte e deem seu exemplo, não só com atitudes consistentes contra a corrupção, mas com posições vigorosas contra ela’”.

Esquece sua excelência (com letra minúscula revisor!) – por conveniência típica de Diabo fugindo da cruz – de sugerir sobre o que acham os candidatos a propósito do respeito à Constituição da República. 

Ou, mais precisamente, do que acham de violações, pelo Poder Judiciário (de juízes a ministros do STF), do quanto disposto na Constituição como cláusula pétrea.

De tudo, incluindo Moro, restará o ‘bagaço’. Que não dará título a livro nenhum.

Onde 'moro' prevalece tratado internacional referendado nada vale
A gandaia a que chegamos alcança o desplante de autoridades dos Poderes Executivo e Judiciário afirmarem que um Tratado Internacional, da ONU, subscrito e referendado pelo Brasil não possui nenhum valor porque não foi sancionado pelo Poder Executivo.

Natural que tal ocorra  quebra do determinado  em decorrência de uma singular coincidência: a determinação da ONU beneficia o ex-presidente Lula.

Como o país escuta a rede Globo e esta se impôs como oráculo e divindade suprema esquecem todos de uma lição primária de Direito Constitucional: 

Tratados Internacionais subscritos pelo Brasil são referendados pelo Congresso Nacional e dispensam sanção presidencial, porque o instrumento que os afirma é o denominado Decreto Legislativo (das espécies legislativas o meio pelos quais a Câmara e o Senado exercem competências exclusivas, a teor do artigo 49da CF), para produzir os efeitos dispostos no plano interno e acarretar encargos ao país.

O Decreto Legislativo 311, de 16 de junho de 2009, foi publicado pelo Senado Federal e a força do Tratado é vinculante como lei supranacional com força interna.

Quanto custa
O gritante em tudo não está somente no fato de o Estado brasileiro, na figura de uma representação que nada representa hoje no concerto das nações, se negar a fazê-lo, mas que a principal instituição capaz de instá-lo – porque em suas mãos as decisões – o Judiciário/STF se negar a efetivar e não falta entre seus membros quem diga que tal não tem eficácia.

Essa gente que mais está para fazer política partidária sem risco de eleição gosta mesmo de uns penduricalhos, como alerta Brito no Tijolaço.


O Estado Democrático de Direito... para eles, como casta.

Sexta-feira, 24
Sexta-feira última não foi 13, mas 24. Tempo de lembrar de Getúlio Vargas e o trágico suicídio. Tantos anos, os fatos se repetem. No primeiro caso o massacre midiático voltado apenas para o eterno projeto de elites, a subserviência aos interesses estrangeiros e o colonialismo como prêmio, onde somente a casa-grande se beneficia.

O dito acima e a relação com o presente parte de considerar o dito por Assis Chateaubriand ao General Mozart Dorneles, subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República, em 1954, de que tudo o que promovia tinha por objetivo Getúlio desistir da Petrobras, criada há três semanas.

Hoje, em nível de riqueza, a Petrobras e o petróleo são ainda joia da coroa, como as reservas de urânio, o projeto de beneficiamento de urânio, a base de Alcântara, etc. etc.

Para tanto, o massacre para alijar do processo eleitoral quem anuncia beneficiar o povo, incluindo quem o efetivamente o fez.

Ontem Assis Chateaubriand e a TV Tupy (São Paulo e Rio)e a revista O Cruzeiro; hoje, a Globo e o Globo, capitaneando as(os) que os reproduzem.

Em jogo o país. Ainda que os instantes históricos sejam diversos os interesses são os mesmos.

Em agosto de 1954 Getúlio Vargas deu um tiro no peito para salvar as conquistas nacionalistas de seu período, incluindo a Petrobras.

A insignificância e o insignificante
A mesquinhez, aliada ao ciúme barato – diria alguém – fazem de FHC uma insignificância no imaginário de parcela considerável de brasileiros ouvidos em pesquisa. 

O intelectual mostra-se insignificante no que prega, porque não convence. E não convence porque não é coerente com o que propaga ou, mais grave, apesar de insinuar dizer para o povo trabalha (e sempre trabalhou teoricamente) contra o povo.

E esse danado de povo – mesmo que o tenham por ignorante – tem memória e não esquece. Que o diga a avaliação ao lado (GGN), dizendo respeito à importância político-eleitoral dos referidos, onde figura o 'príncipe'.

Como profissão de fé, em três tempos
Temos – há muito tempo – nos posicionado contra o voto eletrônico no modelo brasileiro. Justamente porque é o caminho natural para fraude. Sem a possibilidade de conferência da votação – que se tornar necessária – qualquer violação ao sistema para controle do registro de votos nunca será percebido. 

Somente quem acredita em Papai Noel admitirá seriedade num sistema criticado (com comprovação de violações) e não reconhecido no resto do mundo. Basta que se diga – para ilustrar – que outros sistemas de votação eletrônica não dispensam a impressão do voto, que não tem nada a ver com a propaganda fácil de que identificaria o votante, uma mentira deslavada, porque o voto impresso fica depositado em urna física apenas para conferência em caso de recurso.

Também já afirmamos não acreditar na realização de eleições em 2018, o que parece nos levar ao pelourinho da crítica e da teoria da conspiração.

Por fim, o corolário: temos afirmado que não acreditamos que um golpe elaborado, planejado e engendrado por forças internacionais – apoiadas em marionetes nacionais, que dão legitimidade interna àquelas – voltado para que o controle do país e de suas riquezas não fuja mais do controle das ‘forças poderosas’ (diria Jânio Quadros) alicerçadas no capital especulativo que hoje controla países, de pequenos a grandes, venha a tolerar entrega do poder a este ou aquele candidato que contrarie suas políticas de concentração da riqueza, controle do estado (estado mínimo) e domínio do mercado sobre o interesse coletivo.

Havendo eleições uma coisa é certa, assim enxergamos: ou há certeza da vitória de seu candidato ou a manipulação da urna eleitoral mostrará a que veio.

Pensaria diferente caso não visse tanta resistência ao voto impresso pelo próprio Judiciário. O exemplo melhor de que – a serviço do mercado – não só para legitimar impeachments absurdos, condenações mais absurdas ainda, como também eleger o presidente da banca.

No mais, o país (e sua gente) que se lixe!

Tudo, naturalmente, deve parecer democrático. Como a queda dos militares do poder por eles (da banca) imposto através do golpe de 1964 e a redemocratização.


OEA
Missão da Organização dos Estados Americanos chega ao Brasil para acompanhar o processo e as eleições dele decorrentes.

Comumente tal acompanhamento somente ocorre em casos de suspeita de fraudes e irregularidades. Nas denominadas 'republicas (de) bananas'.


Leitura: o Brasil caiu na boca do mundo como inconfiável à Democracia. 

Acompanhamento a eleições é sinal de que a coisa não anda boa.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A lição

Que falta
Um detalhe se nos passa praticamente despercebido: o 22 de abril. Tempo houve, distante, em que cantarolávamos “22 de abril, Cabral descobriu o Brasil”. No verso, arrastado em melodia sílaba a sílaba, a lembrança de um instante que se apresentava significativo para a geração que vivenciava as primeiras descobertas no universo da História do Brasil nos cinco anos de curso primário. No fundo, cada versejo alimentava a fixação no imaginário de uma data que deve(ria) refletir alguma significação para a História do país. Afinal, naquele dia – há cinco séculos – aportavam as naus cabralinas no costeado atlântico sul-americano.

Os desdobramento todos conhecemos. Pelo menos um pouco. Desde a possível história mal contada do ‘descobrimento’ (adredemente planejado) ao correr dos séculos de colonialismo, do qual não podemos afirmar que nos tenhamos libertado plenamente; quando muito substituído. 

Ainda embrionamos a concepção de nação. Que o diga o médico, psicólogo, pedagogista, sociólogo e historiador sergipano Manoel Bonfim (morto num 21 de abril de 1932) que tanto a defendeu e encontrou em Darcy Ribeiro um seguidor na concepção visionária da ‘civilização dos trópicos’, liderada por este augusto torrão.

Mas, os que acompanhamos um pouco do que motivou, e ainda motiva, esse descaso para com a nossa identidade e, para com tudo que possa fixá-la, mais aprofundado quanto mais progredimos técnica e intelectualmente, nos remete a perceber quão limitados são os compromissos da gestão histórica deste país para com o desenvolvimento da nacionalidade tão cara a outros povos. Temos visto aqui sempre a construção de barreiras para evitar a conquista da sociedade a se dar pelo domínio do conhecimento sobre o que representa no concerto das nações.

Em ano eleitoral – pelo nível do debate que se instala, mais repetição que novidade – não vemos manifestação de compromisso além do asseguramento da busca por cargos e funções. Disputas insossas de idéias, vertente de mera conquista do poder pelo poder.

O “22 de abril’ dos versinhos cantados da infância nem mesmo são lembrados, tão lançados foram ao mais recôndito da lembrança, mais fixados pelo ‘cansaço’ atribuído ao estudar como se aprender fosse um estorvo. Em nível de memória vivemos estágio de insanidade mental.

As experiências que poderiam ter sido exitosas fadaram-se ao esquecimento assim que ultrapassados os limites temporais das gestões que as desenvolveram, sempre destruídas por aqueles que Eça de Queiróz – pelo heterônimo Fradique Mendes – em carta a Eduardo Prado tratou como “senhores do Brasil”; os que “em vez de terem escolhido esta existência que daria ao Brasil uma civilização sua, própria, genuína, de admirável solidez e beleza... abandonaram os campos, correram a apinhar-se nas cidades e romperam a copiar tumultuariamente a nossa civilização européia, no que ela tinha de mais vistoso e copiável”, gênese de estar este país coberto de instituições alheias “quase contrárias a sua índole e ao seu destino”.

A observação de Eça de Queiroz ainda nos cala fundo, os que nos imaginamos defensores de uma identidade nacional, em valores autóctones, ainda que antropofagidos (como ilustraram os modernistas): “No dia ditoso em que o Brasil, por um esforço heróico, se decidir a ser brasileiro, a ser do novo-mundo – haverá uma grande nação. (...) pode contar com um soberbo futuro histórico, desde que se convença que mais vale ser um lavrador original do que um doutor mal traduzido do francês”.

O duro, caro leitor, é que Eça de Queiroz registra suas observações há quase 150 anos, nos 80 do século XIX. O que nos deixa indagar sobre o que mudou de lá para cá. Certamente a substituição, apenas, das referências colonizadoras.

Vendo na rede a manifestação de educadores mineiros contra a gestão de seu estado lembramos do que anda a propagar um seu filho que aspira a presidência da república. Não conseguiu fazer algo pela educação ao tempo em que governou Minas Gerais. E deseja transformá-la em nível de Brasil.

Nenhum dos que se propõem a ‘mudar’ o país se afasta dos compromissos com os “senhores do Brasil” de que fala Eça de Queiróz. Aí reside a contradição, inconciliável: a de prometer o impossível; de servir a Deus e a Mamon simultaneamente.

Em sede de exercitar o instrumento ‘educação’ como ferramenta revolucionária, temos que compreendê-los. Afinal, afirma – como profecia interpretada dos escaninhos legados pelos ‘senhores do Brasil’ – o educador Paulo Freire: “Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitissem às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”.

Assim estamos em nível de oposição: no mato sem cachorro – como diria Tormeza. Por isso não conseguem seus próceres deslanchar, ainda que a candidata que se lhes opõe tenha perdido pontos em avaliações recentes.

É que falta aprender uma das primeiras lições: saber que no dia “22 de abril, Cabral descobriu o Brasil”.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O preferido


É o cabo eleitoral
Não sabemos de, nem elaboramos, seu mapa astrológico, mas não se negue que a presidente Dilma Rousseff anda em fase de inferno astral. As pesquisas vêm lhe apresentando quedas seguidas nas intenções de voto, avaliação do governo e popularidade. 

Não que representem algo confiável neste instante. (Não se pode crer que uma determinada avaliação tenha seus resultados previamente anunciados – como tem ocorrido através de um tal de Informany* – antes mesmo de a pesquisa entrar em campo, como já ocorreu). Mas - de concreto - planejado, sério ou não o resultado alimenta todo tipo de especulação.

Não fora isso, ainda que seu governo apresente avanços significativos dentro do projeto de administração, desde aqueles no âmbito das políticas sociais aos de infraestrutura, o observador mais atento pode deduzir que Dilma Rousseff parece demonstrar ‘cansaço’ diante de tudo. Aquela mulher forte, gerente, sinaliza humores diversos à adjetivação.

Tida como centralizadora, no caso da refinaria de Pasadena cometeu um deslize imperdoável em política, porque dirigente: afirmou ter autorizado a compra ‘enganada’ pelas informações. Não foi uma declaração feliz, tampouco oportuna. Jogou gasolina na fogueira acesa pela oposição e deu noticiário para o resto do ano à imprensa que faz oposição ao Governo, não fora significativo tablado para a campanha eleitoral (que já começou) onde, nesse instante, só faz apanhar.

O discurso de Dilma que assistimos na inauguração e assinatura de ordens de serviço no interior de Pernambuco refletiu o cansaço de que falamos acima. Não um cansaço que pode ter sido reflexo da viagem (já havia passado por Recife) mas por uma fala pausada em demasia, com lacunas aqui e ali na prestação de contas a que se propunha, que permite levantar a hipótese de que apenas cumpre com a obrigação institucional, destituída de qualquer compromisso político.

Falta-lhe jogo de cintura para transitar com a classe política no Congresso. O velho companheiro já dissera em instante não tão pretérito para ser esquecido que por lá andavam “300 picaretas”. O ‘companheiro’ da base, deputado Eduardo Cunha (PMDB) é o exemplo mais visível deste instante. E para demonstrar que Lula tinha razão, em torno dele (Eduardo Cunha) se reúne um “blocão” para atanazar a vida do governo. 

A casca de banana mais recente foi a inclusão de uma emenda por Eduardo Cunha na MP 627 (que objeta tratar da tributação dos lucros de empresas brasileiras no exterior) que simplesmente anistia multas de planos de saúde que, caso o governo venha a não vetar, trará um prejuízo de 2 bilhões de reais aos cofres públicos.

Singular afirmativa – para ilustrar este instante – a de Luiz Tito, n’ O Tempo: “Dilma, podemos escrever, não disputará essas eleições. Ela sabe disso.” O articulista não afirma, mas escreve. Se escreve encontra elementos. Especulação que seja, ou mesmo intriga de adversário, reflete o que anda ocorrendo.

No processo eleitoral de 2014, com a oposição capengando, sem as muletas que a permitam andar, certamente o maior adversário de Dilma Rousseff é Dilma Rousseff. Ela entendida como governo, como vidraça de tudo que assessores fazem. Inclusive da atuação infiltrada em órgãos da administração pública federal de ações tipicamente políticas.

Não se diga que há falência de material no que diz respeito à candidatura de Dilma Rousseff à reeleição. Mas que há muita gente torcendo há. E não se imagine que seja da oposição, que a prefere a Lula. Que dela é um cabo eleitoral de ninguém jogar fora.

Mas não se despreze preferências. Sabe a presidente Dilma Rousseff que o preferido é o cabo eleitoral.

___________
* Da redação do blog:
Aquele "tal de Informany" é propriedade de grupos estrangeiros vinculados ao óleo e ao gás. Ou seja, à turma do petróleo que ainda sonha em ter inteiramente a Petrobras (leia-se, pré-sal).

São eles o grupo estadunidense General Atlantic e o inglês Actis Private Equity.

Para o leitor compreender a jogada acompanhe a variação dos papeis da Petrobras na Bolsa quando há uma 'antecipação' do resultado de uma pesquisa.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Eleições


O grande eleitor I
Em que pese dois momentos significativos da história político-administrativa recente do país somente um deles tem sido explorado em pesquisas. Ainda que a disputa de idéias se apresente polarizada entre PSDB e PT, quando referido um representante dos respectivos ‘pensamentos’ somente o ex-presidente Lula tem integrado as planilhas de pesquisas eleitorais.

As conclusões imediatas podem advir do fato de que Fernando Henrique Cardoso não recuperou a imagem que deteve em instantes de seus governos; o contrário de Luís Inácio Lula da Silva, que a mantém. 

Isso considerado uma conclusão se impõe: FHC tira votos; Lula, soma. Talvez essa a razão por que os institutos de pesquisa não põem em confronto FHC x Lula em suas enquetes.

Claro fica, escancaradamente – e vemos como de importância singular – que o guru de Aécio Neves – FHC – em nenhum momento é posto sob consulta como ocorre com Lula. O que há no ar além dos aviões de carreira: o tão alardeado governo tucano não motiva nenhum chamado tipo ‘volta, FHC’, dentro do PSDB, como ocorre com o ‘volta, Lula’ em setores do PT.

Resta – para abalar os efeitos do grande eleitor – gerar a desconfiança que interessa à oposição (a quem serve parte da imprensa): um conflito entre Dilma e Lula, instigado sempre sob o domínio de números que a ele assegurariam vitória certa. 

Jogo psicológico, teste de nervos.

O grande eleitor II
Partindo da premissa da existência de manipulação através do levantamento aventamos ontem ("Falta combinar com alguém") a circunstância efetiva do porquê da queda de Dilma em pesquisa da Datafolha, considerando o fato concreto de que nenhum dos demais candidatos postos como cabeça de chapa haverem dela se beneficiado. 

E mais: de que nela estaria embutido um claro sinal de substituição do nome de Eduardo Campos por Marina Silva, aquela que, segundo o levantamento, seria capaz de assegurar um segundo turno.

No entanto, outro dado presente na pesquisa fora omitido da divulgação (com objetivo de “agitar o mercado”): o que representa aquele Lula ‘eleitor’ no processo eleitoral. 

Tais dados foram divulgados à solerte na calada da noite, 24 horas depois, na noite de domingo, pela Folha de São Paulo, sem a visibilidade que exigia sua importância: o peso de Lula na sucessão leva-o a ordenar e a hierarquizar a definição de – compreenda o leitor o porquê de a Folha não divulgar o dado pesquisado no sábado – 60% do eleitorado. 37% ‘votariam com certeza’ no indicado por Lula. Ou seja: considerável parcela do eleitorado votará em quem Lula recomendar.

Para ampliarmos a dimensão do fato negado no primeiro instante pela Folha: 41% rejeitariam indicação de Marina Silva e 57%, a de Fernando Henrique Cardoso (somente 23% admitem sufragar uma sua indicação).

Elementar conclusão: quase o mesmo percentual que admite votar em quem for indicado por Lula (60%) rejeita indicado por FHC (57%).

O grande eleitor é fato explícito. Arrasador nas andanças de campanha pelo país e nos programas eleitorais.


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pobres de espírito

Em busca de Mefistófeles
O vazio de lideranças deixa a eleição presidencial naquele viés de ser a favor da permanência de Dilma ou de ser contra 'porque não gosto do PT'. Essa a tristeza que acomete o quadro político atual se trilhamos pelas candidaturas postas, observando-as sob o prisma das que se destacam, diante das falas recentes anunciando os compromissos que passaram a assumir.

Nomes como os de Eduardo Campos e de Aécio Neves, que trouxeram em cada instante de disponibilização a idéia de que representariam algo novo – não pela ótica revolucionária, mas da proposta de gestões que pudessem se ofertar como contraponto político (sem romper as políticas sociais) a um período de 13 anos que – gostem ou não, admitam ou não – está presente no imaginário de parcela considerável da sociedade em razão das ações que a esta beneficiaram – caíram na mesmice do poder pelo poder desde o instante em que perceberam, através das pesquisas, que não traduziam o apelo que imaginavam levar ao convencimento do eleitorado. 

Mais simplesmente, que não tinham ouvintes para o discurso que imaginavam para eles ensaiado.

Percebe-se a falta de grandeza política, de compromisso com o país e, por resto, para com o povo. Típicos peregrinos em busca de Mefistófeles contemporâneo negociam com quem quer que seja – ofertam-se à sedução, quando se imaginam sedutores – em busca do retorno à Idade Média, instante em que aquele nasceu. 

Oferecem-se (burlados pelas pesquisas) como o cientista frustrado do Fausto, de Goethe, assegurando retorno de privilégios (muitos recentemente extirpados da política nacional, quando menos, em muito reduzidos).

Caso o leitor duvide, leia Mônica Bérgamo, na Ilustrada da Folha desta quarta 2, “Aécio: estou preparado para decisões impopulares” http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/159317-monica-bergamo.shtml

Pela mediocridade de compromisso - além de saciar o próprio bolso daquela platéia extasiada com a fala - se percebe quão pobres de espírito andam esses candidatos.

Por que não insistimos com alguma referência a Eduardo Campos e nos debruçamos em Aécio? É que a cara de Aécio é a mesma de Campos. Afinal seus discursos afinaram-se em busca de seduzir o mesmo público.

Caso fizessem por merecer tornarem-se personagens da literatura Aécio e Campos não passariam de Faustos encantados com a possibilidade de serem agraciados por Mefistófeles.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Meta

Futura
Artigo publicado por Fernando Henrique Cardoso em jornais no último domingo (O Globo, O Estado de São Paulo e Zero Hora) pode ser olhado como a bíblia para elaboração do programa do PSDB para as próximas eleições presidenciais. Nada de novo, para ser coerente. Como não poderia deixar de ser, no plano interno defende receitas postas em prática pelos tucanos como gestão pública e o papel do estado na economia. (Nesse particular, obviamente o Estado mínimo).

Cumpre seu papel de ideólogo vinculado aos interesses estadunidenses quando enumera o que pensa sobre a política externa brasileira. De imediato fica claro o retorno ao realinhamento automático com os EUA e a Europa, razão por que é fundamental (para ele) o ingresso do Brasil na ultra-liberal Aliança do Pacífico – comandada pelos Estados Unidos, como sabido – o que implica reduzir o espaço da China e distanciamento dos governos sul-americanos mais à esquerda, realçando o México como potência emergente (hoje em estágio lamentável depois de haver aderido ao Nafta).

De ressaltar, ainda que possa parecer proposição imediata, que a manifestação de FHC, em que pese nada inovadora, não parece possível de ser traduzida em projeto para o PSDB em 2014, que vai ocupando uma posição de coadjuvante no processo sucessório, ainda que apoiado por Eduardo Campos.

A polarização PSDB-PT – transformada em PT-PSDB nos últimos 12 anos – tende a não se manter, a ponto de analistas políticos prenunciarem um insosso terceiro lugar para Aécio Neves.

Não bastasse, o PT busca ampliar seu leque de alianças à direita, ou à centro-direita, começando por São Paulo, onde pretende liderança do agronegócio como vice na chapa de Padilha para governador. Ou seja, o PT começa a invadir território antes restrito ao PSDB.


Assim, pensamos que a mensagem de FHC visa atrair discípulos – no imediato de 2014 – como Eduardo Campos, para realização do que ele PSDB não poderá (o que significa reconhecer dificuldades concretas nas próximas presidenciais) e retomar o caminho para tentar o poder em instante mais distante – em 2018.


sábado, 4 de janeiro de 2014

Aliança

Consolidada
Não há dúvidas da guinada à direita - centro-direita para os mais apaziguadores - estabelecida pelo Partido Socialista Brasileiro-PSB. Em Pernambuco, dos secretários empossados nesta sexta 3, dois são quadros do PSDB, antes oposição no Estado. 

A destacar que a aliança que acima nos referimos não se consolidará, em termos de candidatura presidencial, no primeiro turno, mas assinala pré-assinatura de acordo para o segundo. 

O leque que se espraia em torno de Eduardo Campos envolve a expressão conservadora do discurso nacional mesclada com uma representação à esquerda - se assim considerarmos Marina Silva - que contém em si a contradição de se encontrar amparada em forças do capital tupiniquim triado entre o empresarial e o financeiro. 

Eduardo Campos também vê assegurada certa tranquilidade em torno da escolha de seu nome para cabeça de chapa, tendo Marina como vice, anúncio formal que ocorrerá em fevereiro. A composição pode assegurar votos verdes suficientes a lançar Aécio - se mantida a candidatura - num terceiro incômodo terceiro lugar para o PSDB, o que afasta o partido da polarização com PT.

O PSDB, neste instante, fica sem reciprocidade em São Paulo, onde Marina Silva veta apoio a Geraldo Alckmin.

Os sinais são evidentes, apontando para um PSDB coadjuvante. Liderando a aliança o PSB de Eduardo Campos reunindo em sua constelação expressões do PFL/DEM - como Heráclito Fortes e Jorge Bornhausen - e assegurando o apoio do PSDB para o segundo turno.

Aí o nó górdio a ser desatado: segundo turno.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Barbosa

Descartado
Encantou o país durante pelo menos um ano. Tornou-se referência no combate à corrupção, assim o entendeu parcela significativa da população que o aplaudiu a partir da visibilidade dada pela mídia quando assumiu punir muitos – se não todos os possíveis – ainda que faltassem provas contra alguns. Para tanto pouco importava a existência de violações à lei ou a princípios universais do direito.

Na catarse nacional – sempre carente de um Dom Sebastião redivivo de Alcacequibir –, da qual viveu, vive e (sobre)viverá a classe dominante, passava a encarnar a esperança de regeneração de uma sociedade que, através dele, se encontraria escapada do domínio do mal sob o condão de um legítimo ‘salvador da pátria’.

Fernando Henrique Cardoso jogou a pá de cal nas pretensões de Joaquim Barbosa – se as tinha, como o demonstrava – de candidatar-se ao cargo maior da Nação. É dito por Ricardo Chapola, do Estado de São Paulo:

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ‘não tem traquejo’ para ocupar a Presidência da República na hipótese de o ministro decidir se candidatar ao Planalto. Para FHC, Barbosa não possui as características necessárias para liderar o País e sugeriu que seria ‘mais positivo’ se ele eventualmente se candidatasse ao Senado ou à Vice-Presidência.

Ao senado, sonha o PSDB do Rio de Janeiro; à vice, o PSDB de Aécio Neves.

Tudo caminhava para um final feliz. Uma candidatura a presidente, quem sabe? O sonho – para não desmoronar – lhe reserva apenas um papel de coadjuvante. De vela, como se dizia no interior para quem apoiava ou acobertava namoro alheio proibido.


Barbosa está descartado. Não pelo prazo de validade, mas de utilidade.

De sua cruzada fica apenas o papel de carrasco.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Escancarando

O sistema
A advogado de José Dirceu anunciou a disposição de seu cliente não mais trabalhar no hotel que lhe oferecera emprego em Brasília. A justificativa não deixa de conter um conteúdo político: outros podem ser prejudicados por quem não pretende fazê-lo (joga a carga sobre a imprensa) é o que fica claro já no primeiro parágrafo da nota divulgada:






Aparentemente mais uma vitória da imprensa da elite, que assume a defesa da vingança em relação a condenados petistas. Ao que parece deseja vê-los na guilhotina. Literalmente. Pescoço decepado, caindo no cesto, para gáudio da turba alucinada.








No entanto, a cada lance, mais vai se escancarando o sistema. Tanto o prisional, mostrando as vísceras - depois que presos ilustres, com capacidade de se fazerem ouvidos, o põem a nu - como a mídia, que vai confessando quais são seus verdadeiros motivos.

Por trás de cada lance a eleição de 2014.



sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Coisas

Da "terra de São Saruê"
Muito difícil - para não dizer praticamente impossível - a presidenciável Marina Silva conseguir partido próprio, por ela imaginado e criado, para disputar as eleições de 2014. Sua presença traria quase a certeza de que pelo menos haveria segundo turno para presidente da república.

Tinha ela exponencial papel no projeto da direita e da centro-direita (PSDB, DEM e PPS). Certamente tiraria mais votos da situação - ainda centro-esquerda com muita vontade de caminhar para o centro. Tal circunstância alimentava a esperança de uma unidade à direita viabilizar a disputa no segundo turno com candidatura própria ou de aderir a ela Marina caso fosse a delegada pelo povo para disputar o segundão. De uma forma ou de outra, caminho aberto para derrotar a situação.

Não sabemos se a coerência que tem buscado manter fará Marina Silva se deixar convencer de que deve exercer a cívica postura de concorrer por qualquer partido que lhe ofereça espaço.

Caso fique de fora - sob a visibilidade permitida pelo instante - o único nome para corresponder ao apelo originariamente destinado a Marina seria o do ministro Joaquim Barbosa.

Que uma conceituada colunista regional nele vê o anjo para o brasileiro porque teve a coragem de enfrentar a impunidade.

Lembramos, apenas, que o "anjo" tem asa torta - porque voa para um lado só - ou olho vesgo - por enxergar somente o que lhe interessa. Não fora assim, ele - que tinha em mãos o "mensalão" do PSDB de Minas Gerais, bem mais antigo que aquele ora julgado, poderia através do mesmo duto (irrigado pelo mesmo Marcos Valério com dinheiro de estatais mineiras) ter iniciado exemplar lição contra a impunidade.

Mas, a visão de Joaquim Barbosa, como a de Marina Silva - cada uma ao seu tempo e ao seu modo - são coisas desta "terra de São Saruê".

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Apreensão

Tucana
Não há quem imagine que seja cômoda a imagem do PSDB com a intensificação das informações que envolvem o propinoduto encastelado em São Paulo, que atinge diretamente o partido no centro de referência político-eleitoral do país.

Ha menos de ano do início da propaganda eleitoral para o pleito de 2014 - de eleições para presidente, governador, senador, deputados federal e estadual - não pode ser bom sinal o que anda ocupando as manchetes.

Os danos são imensos. E mais o serão caso tudo não seja explicado o mais rapidamente possível. Ainda que para confirmar. 

O clima de apreensão se justifica. Afinal, caso alguém precise deixar o barco tucano o tempo urge. Menos de dois meses.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

O que move

Gilmar Mendes
Não se afirme que a decisão de Gilmar Mendes de suspender tramitação de lei em fase de discussão legislativa pode ser tributada à consciência do STF. Fora isso e teríamos alcançado o caos institucional.

Não descuremos que Gilmar Mendes é um ministro famoso e caiu nas graças da opinião pública não por seu conhecimento jurídico mas por ter concedido dois habeas corpus em menos de 48 para soltar o banqueiro Daniel Dantas e permitir a fuga de Roger Abdelmassih, aquele médico condenado a 278 anos de cadeia por haver estuprado 58 mulheres em sua clínica, quando o mesmo Mendes o favoreceu também com um habeas corpus.

Há nas inconsequentes atitudes monocráticas de Gilmar Mendes uma evidente atuação político-partidária, tanto que aplaudido por parlamentares de partidos que hoje temem a eleição de 2014 e buscam, por todos os meios, criar espaços que levem a eleição presidencial pelo menos ao segundo turno.

Se a política move o ministro Gilamr Mendes joga ele as instituições democráticas em terreno pantanoso, visto não ser facultado a membros do Poder Judiciário a atuação em tal seara. A não ser que a ele renunciem.

Ninguém duvide, no entanto, que a atuação do ministro, ao se deixar bajular por políticos, se insere em típica oposição político-partidária extrapartidária.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

De Deus

E de deuses
Ouvir certos comentaristas de programas jornalísticos da televisão brasileira leva-nos à quase certeza de que Deus não existe, porque deuses são eles e suas afirmações.

A facilidade com que afirmam inexistir democracia em outros países e que eleições foram fraudadas, como no caso atual da Venezuela, remete-nos à conclusão que alguma está errada.

O "processo eleitoral  na Venezuela é o melhor do mundo", afirmou-o o ex-presidente Jimmy Carter em 2011. Ficamos com pena do Jimmy quando escutamos as afirmativas de José Nêumane Pinto, no SBT Brasil, desancando as eleições venezuelanas, onde um povo se apresenta dividido e a democracia não existe (para ele, naturalmente).

Como tínhamos que uma das manifestações da existência de Democracia no planeta se lê a partir da existência de processo democrático, parece que o "deus" JNP está com a verdade.

Debulharemos brevemente neste espaço - nós que já afirmamos aqui ser o processo eleitoral venezuelamo bem mais aprimorado que o brasileiro - como tal ocorre na Venezuela e, certamente, concluiremos que algo está errado.

E não será com as eleições venezuelanas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Confrontos

Ensaios de golpe
O que a imprensa tem divulgado atende a interesses mesquinhos quando dizem respeito às eleições na Venezuela. É reconhecido o processo eleitoral daquele país como dos mais seguros e confiáveis. Os observadores internacionais nada viram que justifique recontagem de votos.

No entanto, o candidato derrotado deseja recontagem de 100% das urnas. Por que 100%?

Por uma razão simples, caro leitor: a legislação eleitoral elaborada por Hugo Chaves determina obrigatória conferência de votos em 30% de urnas escolhidas aleatoriamente. (Coisa que não há no Brasil, onde o voto eletrônico não-impresso inviabiliza qualquer recontagem).

Ora, não bastando ao derrotado a (re)contagem obrigatória em 30% das urnas, ao alegar a necessidade de que tal ocorra na totalidade das urnas sem apresentar um fato concreto que demonstre a existência de fraude, de imediato confessa a lisura do pleito. Sua reação, portanto, visa tulmutuar o processo.

Nossa leitura: mais uma vez os setores conservadores da Venezuela "exigem" um golpe de estado. Esperam contar com apoio dos marines estadunidenses.

Não à toa buscam levar o caos ao país atacando prédios do governo, como o fizeram na província de Barinas, cercam casa de autoridades tocando fogo assim como atacam centros de saúde onde há médicos cubanos.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Natural

Coisas da Globo
De certa forma o sistema Globo, espelhado nacionalmente na rede Globo de televisão, não está distante de manipulações eleitorais, como a que ocorreu com a edição do Jornal Nacional depois do último debate entre Lula e Collor, em 1989.

E o mesmo Jornal Nacional continua a fazer das suas. Como ocorreu na edição de ontem: consumiu 18 minutos de um bloco de 32 minutos falando do mensalão.

E não deu uma nota ou palavra sobre as pesquisas publicadas pelo Ibope e Datafolha para capital paulista, cada uma apontando, respectivamente, 49% x 36% e 49% x 34%, com Fernando Haddad (outro poste de Lula) liderando.

Natural, muito natural, caro leitor. Coisas da Globo!

Parodiando
Vem-nos uma vontade danada de parodiar Fernando Pessoa, a partir de "O poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente". 

Mas, botar Pessoa nesse meio é demais!

E nem nos fale...
...da atual "Gabriela" em fim de noite. Típico curso preparatório para bordel!

Jorge Amado não merece!

sábado, 20 de outubro de 2012

Pesquisa

Estranheza
Os números do Ibope para o segundo turno em Salvador apontaram ACM Neto com 47% e Pelegrino com 39%, levantados entre os dias 17 a 19. Pesquisa local, da Babesp, realizada entre os dias 17 e 18 apontam 41,2% a 40,4%, "Grampinho" à frente.

Sem questionar os dados acima postos nos vem ao texto o resultado do primeiro turno: ACM Neto 40,17% e Pelegrino 39,73%.

A considerar o Ibope, Pelegrino não conquistou nenhum ponto percentual de lá para cá.

Não sabemos se o que nos estranha é a inércia de Pelegrino ou a velocidade de ACM Neto. Ou se acreditamos no Bapesp.

De uma forma ou de outra, Pelegrino está precisando ser um "poste" de Lula.

Melhor do que cria de Jacques Wagner!


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O custo

Em sociedade tudo se sabe
O título é uma frase atribuída a um dos mestres do colunismo social brasileiro, Ibrahim Sued, para explicar o que publicava quando representava furo ou verdadeiro "segredo".

A história de 300 mil alguma coisa que sumiram no dia da eleição para ajuda de custo e despesas várias tem sido atribuída à ganância de determinado prócer da atual administração. Circula que o mesmo teria desviado para despesas mais imediatas, digamos pessoais, dita "alguma coisa", amparado na certeza ofertada pelas pesquisas de que o candidato à reeleição permaneceria no poder.

A economia então se justificava. Para que o desperdício diante da avassaladora vontade popular!

Dizem alguns prejudicados - o que vazou - terem sido deles aquelas 300 mil "alguma coisa". Em palavras mais objetivas: tratava-se de adiar o pagamento da remuneração de comissionados. Que ficaram desprovidos de numerário para "ajudar" a campanha.

Especulação, que seja! Mas em sociedade tudo se sabe. O custo é que foi muito alto. 


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Buscando culpados

Basta enxergar
Divulga-se a surpresa por ainda não ter vindo a público o prefeito José Nilton Azevedo manifestar-se sobre o resultado das eleições em Itabuna, que lhe negaram a permanência no cargo por mais um mandato. Talvez a atitude reflita, caso não seja algum problema de saúde, o fato de que ainda não tenha absorvido o resultado que não atendeu à sua expectativa.

Escutamos de pessoas ligadas à administração análise de que houvera traição e quejando tais, a partir do número de votos nulos etc.

A atitude do prefeito e do analista refletem, para nós, uma circunstância permanentemente denunciada em nossos textos, donde destacamos para este comentário a ausência de controle de Sua Excelência sobre a administração. Passou o prefeito Azevedo mais encantado e envolvido pelas "informações" que lhe eram passadas que pelo concreto domínio sobre o que acontecia à sua volta. 

O eleitor, por mais criticado que venha a ser, avalia o seu município a partir da sua cidade, a expressão mais visível de uma gestão, razão por que, independente de "traições", o resultado eleitoral mais configura a análise do eleitor, que sentia na pele o que evidentemente percebia.

O que levou à derrota de Azevedo não foi o não-reconhecimento às obras que realizou, mas justamente o que deixou de realizar e podia fazê-lo. Dentre o que podia e cabia realizar, o controle da administração.

Quem queira buscar culpados os encontrará bem próximos ao prefeito. Basta enxergar. Os mesmos que o abandonarão quando tiver que responder por tudo que eles fizeram.


Rescaldo

Das eleições e do STF
Caso tomemos o processo eleitoral pelo ângulo das paixões, e estejam elas consideradas sob a metáfora do incêndio e o eleitor como bombeiro, o rescaldo deixa, ou reitera, algumas lições, dentre elas a de que, para definição do voto municipal, quem vai às urnas mais avalia os problemas reais, aqueles que o afetam, que estão diante de si, e menos os problemas nacionais.

Sob esse aspecto, em nível nacional, em pleno processo do denominado mensalão petista, tornado julgamento político do partido pela inoportunidade em que promovido (como o sonhava a oposição e o desejava a mídia que a sustenta e a defende) o resultado do primeiro turno demonstra que a população não deu a mínima para o que diziam os senhores ministros e a repercussão massificada na mídia como pão nosso de cada dia.

Não só o crescimento no número de prefeituras conquistadas pelo PT, que passam de 550 para 628 (avanço de 14,2% até agora), enquanto minguaram percentualmente o PMDB (que caiu de 1093 para 1025), com redução de 6,2% e o PSDB, que sai de 787 para 693 (queda de 11,9%).

Destaque-se para o fenômeno real de queda da participação do DEM/PFL e do PSDB o número de prefeituras conquistadas pelo recém criado PSD, que chegou a 491, o que demonstra ocupar o vazio que vai ficando na esteira daqueles partidos.

Profundamente emblemático, para alimento do raciocínio que encabeça estas considerações, a eleição de Osasco, em São Paulo. Por lá, João Paulo Cunha era o candidato petista, afastado do pleito em decorrência de sua condenação pelo STF. Venceu o PT, com o candidato que substituiu o deputado.

Ao que parece, como rescaldo da Ação Penal 470 no resultado das eleições, mais ficará no imaginário da população não o simbólico que representa o julgamento em curso no STF, mas a máscara e a capa do novo personagem carnavalesco, o ministro Joaquim Barbosa. 


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Elegância

Civilidade democrática
A nota distribuída pela chapa PT-PDT reconhecendo o resultado eleitoral prima pela elegância e civilidade democráticas. Abrangente, ainda que concisa, reconhece a decisão oriunda das urnas como vontade soberana do povo, ao tempo em que agradece aos que comungaram com a coligação e reitera os compromissos e propostas da campanha.

Uma lição de elegância de Juçara Feitosa e Acácia Pinho que engrandece a democracia.