quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Impressões

De viagem
Estamos em Recife. Observando parte da História brasileira. Registre-se, de luta. Porque Pernambuco a tem para expor. Hoje, lá no Centro de Cultura  um resgate da organização da sociedade civil recifense que evitou que a antiga Casa de Detenção, então desativada, se tornasse um estacionamento (o que faz Itabuna com o seu casario)– bebemos de uma cidade forte na defesa de valores e instituições culturais. 

O que dizer do que encontramos no espaço destinado ao Artesanato, lá no Marco Zero?

Até agora, uma lição. Em torno disso voltaremos a escrever.

Mas, muito mais, escutar as pessoas. E muito ouvimos.

Por exemplo, em meio aos taxistas, um reflexo do que ora ocorre no país: crítica ao Governo e, particularmente, a Dilma (como encarnação deste mesmo governo). Mas quando confrontados com uma argumentação isenta consideram a realidade brasileira contemporânea e compreendem os avanços.

Ainda que afastado da persecução do atual instante de aprofundamento da desestabilização política promovida por Eduardo Cunha e sua 'pauta-bomba' observamos que algo tende a não sair como o programado.

Sinalizamos no DE RODAPÉS E DE ACHADOS deste fim de semana em torno do que víamos como concretos sinais contrários à loucura iniciada. Não só a indústria e suas associações FIRJAN e FIESP, como o sistema financeiro pátrio, via Bradesco, o sistema Globo, e outro prócer da imprensa que incentiva o caos (Folha de São Paulo) deram o pontapé do basta.

Podem até estar jogando para a plateia. Mas uma coisa parece ter-se tornado consciência comum: embarcar com Eduardo Cunha é entrar no túnel sem saída, onde só restaria o aeroporto para o exterior (para os que tiverem tempo).

Dissemos hoje a um taxista que nos levava ao Centro Histórico de Recife que não vivemos tempos de brincar, tampouco de antanho, quando a notícia chegava nas costas de cágados (para formarmos uma imagem forte). E que a população trabalhadora não suportará inerte e passiva um retorno brusco – interrompendo o ciclo virtuoso dos últimos anos – aqueles 12,7% de desemprego legado por FHC em 2002.

Quando se (inter)comunica pelas redes sociais a explosão de uma crise gerará uma reação incontrolável.

Tem gente que já enxergou isso. 

Há – no entanto – os que se encontram abraçados ao leme da insensatez.

Os que acabaram de jogar fora o que conquistaram a duras e variada$ penas. Por insistência no jogo em que queriam o resultado final contrariando as regras do próprio jogo. 

O que pode não ser simples impressão de quem viaja. 

Especialmente quando um tal de Lula deu de andar dizendo que deseja viajar. E conversar. E lembrar que "“Quem aprendeu a comer filé não quer voltar a comer bucho."


domingo, 9 de agosto de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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O sonho
Em domingo de homenagem aos pais  resistida por nós em decorrência da exploração comercial que alimenta ditas 'homenagens'  fica-nos a reflexão em torno de quem o é ou não. Ou mesmo dos que se maginam tal, ou substituindo a ação paterna.

A família  onde a paternidade exerce papel preponderante, não só como parcela conceptiva  tem sofrido ameaças permanentes, não tão veladas. E não são raras as bizarrices.

Vivenciamos instante em que a infância  que deveria ser assistida pela família (primariamente)  e pelo Estado (em nível secundário, pela universalidade da educação e oferta de incentivos às condições materiais formadoras do homem) sofre ataques os mais aviltantes, a ponto de torná-la algoz, quando vítima.
  
O sonho de muitos por aqui – em relação a menores – pode estar sintetizado no vídeo acima, oriundo dos Estados Unidos, onde duas crianças (com 8 e 9 anos) portadoras da Síndrome do Déficit de Atenção com Hiperatividade são algemadas dentro de uma escola, por autoridade policial, como terapia imediata. 

Tão crianças eram que tiveram de ser algemadas pelo antebraço.

Triste mundo.

As lágrimas derramadas por este escriba não resolverão o problema, que transita muito além da maturidade racional. Deveriam ser choradas por este mundo bizarro. Afinal, a paranoia estadunidense é a paranoia que inspira a todos nós.

Certo é que nos tiraram a alegria da fantasia da homenagem.



A caminho
Nossa metáfora ao que por lá ocorre está contida na matéria Americanos temem terremoto de grandes proporcões

Semente plantada e regada... há de ser colhida. "O que fizerdes a um destes pequeninos...", entre eles "as criancinhas" (Mateus)...

BRICS x BROCS
A propósito de panelaços a cada vez que ocorre fala da presidente Dilma Rousseff ou de programa partidário do PT (que alcançou  o panelaço  retumbantes 7% de aprovação, segundo o Datafolha, naturalmente elevados em 100 vezes em nível de repercussão) não falta criatividade.

Como a de um comentarista de blog que criou a expressão BROCS como contraponto aos BRICS, levando em consideração os objetivo (in)comuns entre uns e outros.

Para ele  analisando a natureza de quem 'panela'  BROCS vem de B (de branco) , R (de reacionário), O (de odiento), C (curvado) e S (de superado). 

Ou seja: nada.

Recado claro
Ordem expressa: parar com a brincadeira de destruir as instituições conseguidas a duras penas. Eis o recado do capital brasileiro sediado na indústria.

Ainda que adiante exija que o Governo cumpra a sua parte, um alerta à classe política (liderada/comandada por Eduardo Cunha), vem das federações da indústria (FIESP e FIRJAN) de São Paulo e Rio de Janeiro, em nota:

"O povo brasileiro confiou os destinos do país a seus representantes. É hora de colocar de lado ambições pessoais ou partidárias e mirar o interesse maior do Brasil. É preciso que estes representantes cumpram seu mais nobre papel – agir em nome dos que os elegeram para defender pleitos legítimos e fundados no melhor interesse da Nação."

Outro recado
Em entrevistas aos jornais Folha de São Paulo e O Globo, Luiz Carlos Trabuco – do Bradesco engordado com o HSBC – não deixa por menos, resumindo o alerta em observações como a de que o Brasil está hoje – para os investidores – entre os três países preferidos, razão por que a retomada do crescimento “é inevitável”.

E manda um recado direto de que – sendo a crise muito mais política que econômica – reside no “dissenso entre órgãos do governo e o Legislativo” o retardamento da retomada, a ponto de gerar a indagação: ‘O Congresso tem contribuído para buscar soluções ou apenas tumultua o ambiente e cria desgastes para o governo?

E leciona, dentro do recado, aos que defendem o quanto pior melhor:

Mas precisamos sair desse ciclo do quanto pior, melhor. Melhor para quem? Para o Brasil, não é. As pessoas precisam ter a grandeza de separar o ego pessoal do que é o melhor para o país. 

Há quem se faça de surdo. Em defesa do ego e do pior para o país.

Mais outro
Ainda que não se possa confiar em qualquer Marinho (dizia Nestor de Hollanda: não confundir os 'irmãos Marinho' com as "Irmãs Marinho", tanto em "O puxa-saquismo ao Alcance de Todos" como em "A Ignorância ao Alcance de Todos"), um de seus 'rebentos' também está se levantando contra a crise política: "Dilma deve ser sucedida por quem ganhar em 2018".

Pelo menos o que registra Paulo Nogueira Leite, no DCM aqui

Ainda outro mais
De editorial da Folha de São Paulo:

“No PSDB, por exemplo, dado que o impeachment levaria à posse do vice Michel Temer (PMDB), uma facção passou a patrocinar a hoje inoportuna ideia de nova eleição – na qual seu candidato derrotado, Aécio Neves, despontaria em vantagem.
...

“Fica evidente, porém, que uma ala barulhenta do partido pensa que pode subordinar os meios jurídicos a seus fins eleitorais, vergando as regras da democracia para encurtar o caminho até o poder.

Presente de grego... ops!, de Serra
"A educação pode perder até R$ 360 bilhões nos próximos 15 anos, ou R$ 24 bilhões por ano, caso seja aprovado o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) que altera o regime de exploração dos recursos naturais do pré-sal. A estimativa é do assessor legislativo da Câmara dos Deputados, Paulo César Ribeiro de Lima."

A íntegra do texto em Projeto de lei de Serra pode tirar até R$ 360 bilhões da Educação

Além de que há, na esteira do prejuízo, um outro: a transferência da tecnologia desenvolvida pela Petrobras e seus técnicos durante décadas.

Projeto retira obrigatoriedade da Petrobras ser a operadora em todos os campos do pré-sal

Prosperam
Por lá nasceram nos cueiros do New Deal. Competem com os bancos comerciais. Uma espécie de freio ao desregramento imposto pelo sistema financeiro.

Aqui já tivemos muitas. Aquelas “de crédito” amparadas em carta da antiga SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito), órgão de fiscalização estatal antecedente ao Banco Central. Resta uma ou outra, como peça de museu.

É que por aqui os bancos (privados e estatais) vão enchendo as burras. E ampliando os tentáculos de domínio e concentração.

O Bradesco acaba de adquirir o HSBC

Recordando
Esse HSBC – adquirido pelo Bradesco por 17,6 bilhões de reais – é aquele originado do Bamerindus. Vendido/presenteado por R$ 1,00 (UM REAL mesmo!).

Naturalmente em tempos de FHC, que o tomara do confrade Martinez.

Cenas da luta de classes
Tentaram até 78% de aumento. Os integrantes do Judiciário. Vetado. Agora buscam 16%. Os ministros do STF. Que querem chegar aos 39 mil mensais. Fora as vantagens e ‘ajudas’. 

O salário mínimo está em R$ 788,00. Querem – os privilegiados, porque acham que valem – 49,5 vezes mais que o trabalhador brasileiro.

E os que nos contradizem ainda dizem que não vivemos uma luta de classes.

Não bastasse, corre em paralelo às pretensões, um ajuste fiscal – redução de gastos e investimentos do Governo – para ordenar a atividade econômica, o que gera prejuízos ao andar de baixo da população.

Comprovado, pois, que ajuste fiscal é para os pobres.

Apocalipse
Oportuna a observação de Percival Maricato, a propósito do projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados e está na pauta de votações – como parte das ‘bombas’ de Eduardo Cunha aqui: praticamente equipara a remuneração de delegados da Polícia federal e de advogados da União a de ministros do Supremo Tribunal Federal.

O estágio de insanidade a que chegamos beira o Apocalipse.

Dia desses a presidente Dilma – alegando o impacto nas contas (justamente no instante em que promove um ajuste fiscal que sacrifica a economia brasileira) vetou o aumento da remuneração de ministros das altas cortes (STF, STJ), explicando ao próprio Lewandowsky as razões de sua iniciativa.

Acossado por denúncias Eduardo Cunha atira para todos os lados. E provoca prejuízos irreparáveis ao país.

Macho, muito macho!

Político macho faz assim. Brizola o era. Criticava a Globo na cara e no microfone da platinada em tempo de governador do Rio de Janeiro https://www.youtube.com/watch?t=51&v=K3bPtImebTc

Não estes borra-botas do PT/governo que se encantam com a naja Globo, como acabaram de fazer no Congresso. 

E vivem a lhe fazer mesuras enquanto  masoquistamente  apanham.

O líder que falta
O senador Requião (PMDB) é o “macho” que falta ao PT. Secundado – em igualdade de enfrentamento – a Ciro Gomes.

Premonição
Não afirmemos que a imprensa antecipa a realidade. Muito de mentira transita pela ‘informação’ a serviço de interesses.

Pontuadas estão inúmeras ‘verdades’ pela imprensa na atual relação PT-PMDB (nesta ordem diante da atual composição do governo, oriundo da chapa majoritária eleita a partir de 2010) onde não faltam especulações de possível ‘traição’ do aliado.

Poderíamos, então, entender como premonitória – para não se dizer apenas lúcida – a avaliação de Luiz Felipe de Alencastro, na Folha, em outubro de 2009, aqui veiculada pelo Conversa Afiada com a ilustrada interpretação de Bessinha. 

 

Não custa...
Não leia somente O Globo, a Veja, a Época, a Isto É, o Folha de São Paulo, o Estadão e quejandos.  Claro que o caro leitor tem todo o direito de ‘informar-se’ a partir deles(as). Mas não custa fazer o contraponto. 

Não precisa ler o Le Monde Diplomatique, a Caros Amigos. Faça uma concessãozinha e leia a Carta Capital. 

Ou em alguns textos publicados em blogs, como este aqui do, e da lavra, Mauro Santayana.

Compare umas e outras ‘informações’ e tire suas conclusões. Caso não queira vivenciar a realidade.

Como Itabuna de ontem
Câmara Cascudo – trilhando pelas “Coisas que o povo diz” – relata inusitadas formas de suprir a contraprestação pecuniária à força de trabalho, inclusive pelo poder público nos tempos em que o Tesouro não imprimia suficientemente e a circulação da moeda andava nos cueiros da tradição clássica, porque antiga, de escambar para sobreviver.

Assim, pagava-se com alqueires de farinha, com novelo de algodão, com jerimum, com ovas de tainha.

Contaram a este escriba alguns que viveram um período do ‘ontem’ itabunense um singular fato: houve em algum tempo um tesoureiro da prefeitura que tinha o singular hábito de atrasar o pagamento dos vencimentos e salários dos servidores e – para aliviar as dívidas emergenciais, para não deixá-los no desamparo – emprestava-lhes dinheiro ‘seu’, a juros, até que o cofre da viúva (por ele controlado) se dignasse fazê-lo cumprir com a obrigação. As más línguas mesmo afirmam que o “seu” o era o da própria viúva, apropriado temporariamente para a especial bondade do barnabé favorecer os colegas de infortúnio pelo atraso.

No Rio Grande Sul a coisa está neste nível. Com uma diferença: quem empresta são os outros.


Stanislaw
O Stanislaw que nos legou o “Samba do Crioulo Doido” compôs “Nabucodonosor”. Cinco anos depois de sua morte (1968) foi gravada/lançada pelo Quarteto em CY.

Registra Luciano Hortêncio – para apimentar a compreensão irônica de Stanislaw Ponte Preta – que o nome original da composição – “Marcha da Bicha Louca” – era uma homenagem ao Rogéria, tornada Nabucodosor porque a censura não aceitava o original.

Resta-nos ouvir e elevar a imaginação ao Teatro Municipal e seus antológicos desfiles no anos 60.




sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Lições

Não aprendidas
É o tema, por excelência. Mas que se evita discutir com a profundidade que está a exigir. A fuga, no primeiro plano, decorre do fato de que inúmeros atores (parcela considerável) não têm qualquer compromisso com o país em si. Dito assim com a construção de uma nação no sentido absoluto. No segundo plano – decorrente do primeiro – a conveniência da manutenção de um status quo que sempre correspondeu aos propósitos individualistas de uma oligarquia desenvolvida no curso dos séculos.

Isto posto, não temos como fugir a uma conclusão primária: vivemos uma luta de classes (ricos x pobres, abonados x desassistidos etc.) em que aquela oligarquia, tendo perdido o controle absoluto da cornucópia do Estado nacional (sem perspectiva imediata de retomada) põe-se na trincheira do ataque em defesa de seus interesses. Individuais, e não coletivos.

Levantando a hipótese de que a denominada Nova República fundava seu equilíbrio no pacto a partir do “imobilismo” diante do enfrentamento aos vícios históricos Vladimir Safatle traz no bojo de artigo publicado na Folha (A Nova República acabou, aqui disponibilizado através do JornalGGN)  ainda que não o avente de forma explícita  a manutenção do acordo histórico da apropriação do Estado por oligarquias. O que ocorre desde que o colonialismo português se sustentava na certeza da estabilidade pela detenção da propriedade dos bens da Coroa na pessoa do titular do singular absolutismo monárquico então imperante.

Dessa forma, a Coroa Portuguesa dotava o monarca de posse e domínio sobre tudo o que descoberto, a quem cabia distribuir a quem – e na forma que – lhe aprouvesse.

Assim ocorreu com a colonização através das Capitanias hereditárias, embrião da formação histórica da oligarquia nacional, que sempre viveu, vive e sobrevive às custas do Estado.

A propósito da Nova República e do pacto ‘imobilista’ que a sustentou aventa Safatle:

Desde o momento em que FHC se sentou com ACM e o PFL para estabelecer a ‘governabilidade’, a sorte da Nova República estava selada. Frentes heteróclitas de partidos deveriam ser montadas acomodando antigos trânsfugas da ditadura e políticos vindos da oposição em um grande pacto movido por barganhas fisiológicas, loteamento de cargos e violência social brutal.

Para tanto – observa Safatle, apoiado em José Artur Giannott, que cunhou a expressão ‘zona cinzenta de amoralidade’ – a Nova República exercita a “contenção por visibilidade”, que exige respeito a uma “linha de tolerância” para acomodar as forças díspares que a sustentam. “Havia coisas que não poderiam aparecer, sob pena de insuflar a indignação nacional” – observa Saflate.

Simplesmente, um “acordo fundado sobre uma zona cinzenta de amoralidade resultante de disfunções estruturais e democratização limitada.

Pontuando em torno de sua proposta textual (o fim da Nova República) o autor diz que toda aquela pactuação “é coisa do passado”. E acresce:

O primeiro sintoma do fim da Nova República é a pura e simples gangsterização da política e a brutalização das relações sociais. Não há mais 'linha de tolerância' a respeitar, pois não é mais necessário um 'pacto pelo imobilismo'.

Pacto pressupõe negociação entre atores que têm força e querem coisas distintas. Mas todos os principais atores políticos da Nova República já estão neutralizados em seu risco de mudança. Os que não querem a mesma coisa não têm mais como transformar seu desejo em ação.

Assim, como não há mais linha de tolerância a respeitar, o outrora impensável pode ser mostrado, desde que sirva para desestabilizar o governo de plantão.

Por exemplo, foi como um sindicato de gângsteres que o Congresso Nacional e seu presidente agiram na semana passada ao convocar, para uma CPI de fantasia, a advogada de defesa de denunciantes da Operação Lava Jato, a fim de intimidá-la.

De toda forma, só uma política gangsterizada pode aceitar que o presidente da Câmara seja um indiciado a usar seu cargo para, pura e simplesmente, intimidar a Justiça, como se estivesse na Chicago dos anos 1930."

Defendendo a ”radicalização da democracia” – que implicaria na refundação institucional que inclua um novo Poder Constituinte onde participe o cidadão não vinculado ao sistema eleitoral vigente – Safatle – dizemos nós – trilha por utopia.

Justamente porque tudo o que está sendo feito o é para manter o processo oligárquico vigente há cinco séculos. E com tal, a luta de classes que norteia esta terra de São Saruê.

Contrariando Vladimir Safatle em sua conclusão de que deixemos “os mortos enterrarem seus mortos” vemos caminhos postos para o ressussitamento de ‘mortos’ no que ora ocorre.

Porque as lições não foram lidas. Muito menos aprendidas.

A pauta
Em tempos de Eduardo Cunha, de O Globo (jornal e TV) e quejandos, os Brasinhas dizem muito.



domingo, 2 de agosto de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Logo ali
Do anedótico a ‘légua de beiço”, explicação para a distância da légua exibida pelos lábios do caboclo quando responde à pergunta do viajante peregrino de ‘quanto a distância’: logo ali. 

O ali pode significar que uma ou duas dezena(s) de léguas pareça não chegar a uma mísera leguazinha de meu Deus! O andar do indagador é que demonstrará a real distância, não a informação beiçal.

Nas distâncias cósmicas – tratadas sob ‘anos-luz’ – a coisa beira à loucura, caso o indigitado estudioso resolva fazer na ponta do lápis as suas operações.

Tais distâncias serão melhor compreendidas somente na ausência da relação espaço-tempo.

É o caso da descoberta de um planeta, nominado de Kepler452b – bem maior que a Terra (60%) – na constelação de Cygnus, em muito parecido e com um ano semelhante ao nosso, de 385 dias.

Está ‘logo ali’, a 1.400 anos-luz. A algumas dezenas de zeros. Basta partirmos dos 8min19s que a luz do Sol leva para percorrer os médios 149.597.871km até aqui a uma velocidade de 299.792.458m/s.

Abaixo, a explicação, em vídeo, da NASA, para o Kepler452b..



Não faltará tempo
Para os que não estejamos agoniados e pensemos aguardar a oportunidade de alcançar o Kepler452b há uma solução. Em estudo.

Para tanto, basta que desenvolvamos a existência imortal da turritopsis dohrnii, uma alga estudada no Japão, que consegue “reverter o processo de envelhecimento ao invés de morrer”. leia

Domínio do fato
Um fato – não tão raro neste país – causou indignação quando anunciado: a morte de 12 jovens negros no Cabula, em Salvador, às vésperas do Carnaval, em ‘confronto’ com a Polícia. A justificativa – se há justificativa para este tipo de ação – estava fundada no fato de que estariam planejando assalto a um caixa eletrônico. A abordagem ocorreu à noite e todos morreram por ‘resistência’ à ação policial, que agiu em ‘legítima defesa’.

Sem enveredar no cerne da questão – até porque a verdade só Deus sabe! – ficam-nos algumas indagações de difícil resposta. 1. Se a Polícia sabia do planejamento não seria melhor monitorá-los e flagrá-los assaltando ou evitando o assaltar? Isso por presumir que na ausência de provas do planejamento não pudessem ser presos sob a força da investigação. 2. Por que a incursão à noite – onde todos os gatos são pardos – ou não haveria outro meio de defesa da sociedade. 3. Como explicar o fato de que entre os 12 mortos (fora os seis feridos) somente dois tinham efetivamente passagem pela Polícia? 4. E, finalmente: estão presos os seis feridos, partindo-se da presunção de que a ação se destinou a prevenir um assalto?

Na falta de respostas para todo o questionamento fica-nos a dúvida se a mortandade não está ocorrendo pelo fato de apenas haver suspeição. Ou seja, morrer porque suspeito.

Coisa assim, de domínio do fato. Tanto que a recente absolvição dos nove policiais envolvidos na operação sacramentou a suspeição. 

Como em relação a outros 25 mil casos ocorridos em 2014 (leia). 


Imagine!
A cena não se passa no Brasil. Mas, em Miami, nos EUA, onde brasileiros esperaram durante mais de 24 horas por retornar em vôo da American Airlines.

Sem qualquer apoio de órgão ou autoridades da terra da liberdade para o mercado tiveram de contentar-se com o 5 estrelas da foto.

Caso o fato tivesse ocorrido em aeroporto dessa terra de São Saruê...



Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa
O lamentável tratamento que nossa imprensa dá aquilo que representa o Brasil como nação, força mundial, nos leva à provocação: como seria noticiada a informação de que a Petrobras estaria demitindo funcionários e reduzindo investimentos?

É que lembramos de um fato recente: a Petrobras – diante da queda dos preços do petróleo no mercado internacional – reprogramando suas ações, reduziu investimentos para os próximos cinco anos, e anunciou o desfazimento de ativos. Um Deus nos acuda!

Deu na Folha aqui, através do Tijolaço: "A gigante Shell, informa o Financial Times (aqui a versão publicada pela Folha), está demitindo 6,5 mil de seus 94 mil trabalhadores, por conta da baixa do preço do petróleo."

Nenhum dedo de prosa (obrigado Eva Lima) a mais.

É que uma coisa é uma coisa...

Paranoia
"Soube de fonte muito boa que 10 ou 15 ianomâmi estão na América aprendendo inglês. (...) Essa gente volta liderando, falando inglês, com outra mentalidade. O que eles vão fazer? Vão pedir um território ianomâmi desmembrado do Brasil e da Venezuela. E a ONU dará como tutora a América do Norte. Amor dos americanos pelos ianomâmi? Não, não senhor".

O trecho acima foi retirado por Maurício Dias, para a Rosa dos Ventos, na Carta Capital de 28 de maio de 2008, da entrevista de Orlando Villas Bôas (falecido em 2002) à jornalista Paula Saldanha.

Tem gente no Brasil que acha que isso é paranoia. 

Paranoia, que seja!
Atentem para o alcance da Lava Jato de Moro: infraestrutura, energia e petróleo e, agora, defesa. 

Nada a duvidar se todos os nomes citados em delações fossem objeto das ações de Moro. A seletividade, no entanto, parece demonstrar um objetivo específico. 

A quem interessa?

Caminho de Damasco
Afastados os que bebem na cartilha do neoliberalismo  a serviço do rentismo e da especulação financeira  vivemos no Brasil detalhes de uma retração na Economia onde os pontos altos que a alimentam encontram-se centrados na alta taxa de juros e na dificuldade de apoio estatal a investimentos programados.

No primeiro caso, o encarecimento do dinheiro trabalha contra a atividade econômica. No segundo, muito mais fruto da inserção de empreiteiras em processos criminais, inviabilizando sua atividade de financiamento pelo Estado.

Nos dois casos há um forte componente político. De gestão política.

Por seu turno, Joaquim Levy não é exemplo de quem vai a Damasco. Mas, de quem volta.




Ataque mortal
Inútil falar para quem parece só fazer ouvidos de mercador”. 

Claro que Marcelo Odebrecht – através da sua defesa jurídica – não está no conforto de quem pode usar o que diz Carl Jung em seu “Memórias, Sonhos, Reflexoões”: aprendi a não dizer aos outros o que não podem entender.

Mas, na trincheira da busca por se ver objeto de respeito dentro dos padrões da constitucionalidade, o dito por sua defesa, na frase acima, é um ataque de proporções espetaculares, por sua dimensão e conteúdo, não fora o contexto em que posto: no bojo de uma apuração judicial.

Impressiona, igualmente, a dubiedade do discurso de Vossa Excelência. De um lado, quando intima a defesa, assevera que ‘tudo está sujeito à interpretação’. De outro, porém, antes mesmo de ouvir explicações, prende novamente quem já está preso dando por certo aquilo tudo que estava sujeito a interpretação”
...
Ademais, esse ínclito Magistrado acabou por encampar o indecoroso uso que a Polícia Federal fez daquilo que a r. decisão tachou de “o trecho mais perturbador” das anotações.
...
 “A perfídia é inominável.

Aqui a disponibilização da íntegra da corajosa petição da defesa de Marcelo Odebrecht, publicada e comentada por Fernando Brito no Tijolaço.


Para ler sem arroubos de paixão
O que deveria ser motivo de orgulho tem sido móvel de execração. Triste país que tem uma imprensa contra a nação!

Compreenda o leitor no artigo de Mauro Santayana para o La Onda em A Odebrecht e o BNDES

Conspiração I
Causa-nos asco descobrir  graças a outros centros de informação, visto que aquele norteado pela grande mídia alimenta a política e políticos a serviço dos 'interesses' alheios  que há cheiro estranho no ar, com a prisão do Almirante Othon. Não que o ressalvemos de responder por responsabilidades.

Muito próximos ficamos da indignação expressa na rede por um comentarista: Estou entristecido e emputecido que um homem da importância histórica do Alm. Othon receba um tratamento desses enquanto a gentalha tucana desfila sorridente pelas ruas”.

Duas observações sustentam o indignar: 

1. O juiz Sérgio Moro  ainda que não tenha a Polícia federal encontrado elementos de culpabilidade para indiciamento do Almirante Othon  manteve sua prisão.

Registre-se que a PF  mesmo ponderando estar em fase de "avaliação preliminar" relata taxativamente: "Documentos apreendidos e depoimentos não foram suficientes para comprovar fraudes em licitação em Angra 3; - Não foi possível comprovar o pagamento de vantagens indevidas a servidores da Eletronuclear. (do G1 PF abre mão).

2. O mais grave: o nome do Almirante Othon teria aparecido depois de uma visita de Procuradores da República, capitaneados pelo Procurador-Geral Rodrigo Janot aos Estados Unidos, onde teria havido conversa com escritório de advocacia que defende interesses enfrentados no Brasil pelo programa nuclear pátrio.

Conspiração II
A propósito do que representa o processamento de urânio desenvolvido com tecnologia nacional  ambicionado por muita gente lá fora  eis as observações técnicas de um comentarista ao texto denúncia de Luis Nassif em PGR encontrou-se nos EUA com ex-socia de concorrentes da Eletronuclear:


 "Creio que o Luis Carlos Assis, possa explicar bem melhor do que eu, mas como acabei de chegar de uma certa viagem agora, e sem me comprometer, gostaria de colocar alguns "colchetes" em sua explanação:
     Sem ser muito técnico, que não é minha area, o nosso "ciclo de combustivel nuclear", gerar o UF-6 (Hexafluoretode uranio ), que a USEXA em Iperó, já realiza, a niveis de produção de energia ( enriquecimento de 3 a 5 % ), através da ultracentrifugação gasosa, já é realizado a algum tempo. O Problema estratégico:
      O reator proposto (PWR), para o SNBr1 ( SSN Alvaro Alberto ), necessita de um combustivel, com base no UF-6 ( a 5% ), de ser "elevado" no minimo á 19,9% - ideal 20 a 22 % - um processo fisico - quimico que somente as potencias nucleares detem, mas nós no CTMSP/CEA - ARAMAR, com a complementação do LABGENE, indice de nacionalização de 90%, estamos para conseguir, a 19,9% em 2017, e em projeto paralelo ao do combustivel, já foi iniciada a contratação do reator, a ser montado em Aramar - o desenho e projeto executivo já está concluido - do reator do SSN Alvaro Alberto, propulsado a UF-6/20% ( o 00,1 é conseguido nos turbo-geradores), com potencia liquida de 48 MW térmicos. Tal feito de nossos engenheiros e técnicos, com certeza assusta as potencias nucleares, pois o "pulo do gato" em enriquecimeto de uranio, visando utilização militar, não é a simples ultracentrifugação, que transforma o 238 em 235, a no máximo 10 - 12 % - com muita perda e varias "cascatas" - um processo demorado e custoso, muito sujeito a falhas, MAS:
       A partir do momento tecnológico, que o País chega a UF-6/20% - ideal para propulsão - alcançar posteriormente, evoluir o enriquecimento laboratorial ( processos fisico - quimicos e com grande demanda de eletricidade/energia), somete seria necessária, mandatória, um descisão politica, para chegar a 85% - o nivel ncessário para uma "arma nuclear com base em uranio - Portanto, ao chegar a 19,9% rompe-se a "barreira", chega-se na "realidade técnica e utilizavel" de todo o ciclo completo, desde isotopos para saude, agricultura, pesquisas, propulsão, até o entendimento completo do que possa ser, em futuro, uma arma.
        O "problema comercial" : O RMB ( Reator Multiproposito Brasileiro) - Em associação com a INVAP da Argentina, será instalado em Iperó, com varias contribuições e acordos com nossas Universidades e Hospitais, este reator ( estava proposto para 2016, com os contingenciamentos vai ficar para 2018 ), irá proporcionar a brasileiros e argentinos, alem de produção passivel de exportação, que todos os principais isótopos utilizados em tratamentos médicos ( molibdenio - 99 por exemplo ), sejam gerados aqui, é um mercado de mais de US$ 1,0 Bilhão ( só Argentina e Brasil ), o que tiraria de nosso mercado, e possivelmente a ALatina, os atuais fornecedores: Canadá, Estados Unidos, Holanda, Bélgica ( Holanda e Bélgica significa URENCO ), alem de ser mais um concorrente ocidental a eles." 

Caro leitor: simplesmente 1 bilhão de DÓLARES por ano em jogo!, em componentes para a Medicina. Que ficarão como resultado financeiro para Brasil e Argentina, afastando do negócio EUA, Canadá, Holanda e Bélgica.

Resultado da ativação de um projeto lançado às brumas por Collor e FHC e que um tal Lula  retirante e analfabeto nordestino  resolveu reativar. Incluindo a conclusão do projeto do submarino nuclear.


Fênix
Para quem vem acompanhando a trajetória de Geraldo Simões depois das eleições de 2014  que lhe negaram o retorno à Câmara dos Deputados  chegou a vislumbrar um fundo do poço para os seus projetos e ambições políticas.

Mesmo foi aventada a possibilidade de sua saída do PT, tanto o enfrentamento por que passava diante da direção estadual, não bastasse o fortalecimento da oposição interna local com a ascensão de Josias Gomes para a secretaria de assuntos políticos do Governo Estadual.

No entanto, GS  apesar de derrotado  mostrou-se muito mais fortalecido do que se poderia imaginar. O cacife amealhado no curso dos anos de militância  ainda que ferido pelo afastamento de históricos companheiros  parece dispor de reservas suficientes a fazê-lo integrante da partida de xadrez articulada para sucessão municipal em nível do PT.

Nesse aspecto  quando tudo estava à deriva, com indicações suas para cargos do Estado em pleno sacrifício  parece-nos que a mão do coordenador político do governo Rui Costa o bafejava.

Tal especulação encontra-se materializada no fato elementar de que não são poucos os cargos estaduais por preencher somente em Itabuna. E lá se vão sete meses passados. Como um aceno para Geraldo Simões. Ou, pela força reconhecida na esteira do que amealhara no curso dos anos.

Há um prazo fatal para Geraldo: o que o levaria a um outro partido para disputar a eleição municipal.

O PT sem nome  aproveitando-se da indecisão do prefeito Claudevane Leite (que dizem pretender embarcar em aventura eleitoral), que teria o apoio do Governador para a reeleição  está naquela do quem não tem tu vai com tu mesmo.

O nome do tu é a fênix Geraldo Simões. A não ser que ocorra uma hecatombe.

Resta-lhe juntar os cacos e tentar o terceiro mandato. E mais: não repetir os erros que tanto o desgastaram.