domingo, 9 de dezembro de 2018

Zaratustra em meio a provocações, miséria e incendiários


Assim falou Zaratustra
“A cada dia que passa, a cada declaração dos filhos, dos Ministros da cota dos Bolsonaros, mais nítido fica a falta absoluta de condições de governabilidade. Já se abriram as comportas do escândalo, apesar de todo antipetismo da mídia e do tempo de carência com que, geralmente, se trata um novo governo.
Dependendo do ritmo dos escândalos, será inevitável o enquadramento final de Bolsonaro, obrigando-o a afastar os filhos e a reduzir a máquina de falar besteiras. E, pelo fato de ser o único centro de racionalidade do governo, cada vez mais os militares assumirão poder.” 
Acima falou Luiz Nassif.
Para nós há no ar um cheiro de gasolina encharcando a casa (país) e muitos já riscando o fósforo.
Cutucando com vara curta
Na sua disputa comercial com a China os Estados Unidos de Trump mandam o Canadá prender e extraditar uma executiva chinesa, da Huawei.

O governo daqui anuncia alinhamento com os Estados e criticam a China.

Detalhe no particular da prisão, a partir de dados levantados pelo Conversa Afiada: a Huawey é a maior produtora mundial de equipamentos para telefonia e a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicações nesta terra brasilis. É a segunda maior produtora mundial de celulares, líder mundial em inteligência artificial. Tem uma fábrica em Sorocaba com 3 mil funcionários.

Imagine se o ‘alinhamento’ resulta em retaliação!

Essa gente está dando uma de cutucar o dragão com canivete.

Os depósitos chineses em dólar americano nos Estados Unidos beiram 4 TRILHÕES de dólares.

Incendiário internacional
Temeu-se Trotsky, Rosa Luxemburgo. Hoje cabe temer o clã do presidente eleito.

Pelo menos para os negócios internacionais do Brasil.

Retrato destes tempos
O vermelho tornou-se cor altamente perigosa nesta contemporaneidade. Haja vista o que fez um shopping, em Salvador. Dispensaram-no até do velhino da Lapônia.

Papai Noel veste azul e marron, no Brasil. Porque lá fora continua vestindo vermelho. 

Inclusive nos Estados Unidos. Onde o vermelho é a cor do Partido Republicano.

No entanto, louve-se a iniciativa do Papai Noel vestido de marrom. Traduz, pela cor, o que podem pensar seus marqueteiros sobre o que vem para o país a partir de janeiro: merda. 

Provocando
Ainda que não o seja, a indicação de uma médica que vaiou cubanos para o ocupar o Mais Médicos cheira a desafio desrespeitoso.

Coisa que vai marcando o futuro governo. Antes de (mal) começar.

Lembrando Pessoa
Mente tão descaradamente que chega a dizer que é mentira o que sai de sua descarada mente.

Unha e carne I
Não há aquela de “quem te viu, quem te vê!” quando se trata de católicos carismáticos em relação a protestantes. Afinados andam há tempos, desde os anos 70 quando iniciaram suas práticas imitando o que praticavam os pentecostais protestantes.

Deram de retomar a prática da “venda de indulgências” e só não comerciaram ‘lascas’ da cruz de Cristo porque os liderados de Edir Macedo já haviam esgotado o estoque. Mas, não faltam água e areia do rio Jordão.

A existência de Jair Bolsonaro – candidato e presidente eleito – traduz em plenitude a aliança de convicções e princípios entre uns e outros.

Bonito seria caso o fundamentalismo não os norteasse. 

Unha e carne II
Elegeu-se amparado não em propostas e projetos para o país. Tanto que se negou a discuti-los porque não tinha como, tampouco saberia, explicar o que nem mesmo sabe. 

Mas elegeu-se, sustentado naquela constelação do que “sou contra tudo que aí está”. Como símbolo disso se apresentou, e convenceu, de que era inimigo do sistema, um homem incorruptível, defensor da família, homem de palavra, que nunca mente. 

O messias concebido no imaginário dos desencantados, desassistidos e vilipendiados.

Um mito tornou-se, exemplo a ser seguido.

Nem tomou posse e descobrem que a corrupção mora em sua casa, que parece ser corrupto (ou os seus, que tanto elogia), que mente quanto posto diante da verdade.

Na verdade, tudo igual aos tantos criticados. Não mais resta nem o mito. 

A não ser nos bolsões do dogma fundamentalista que dele se aproveitam.

Em tempos de Natal
Mais 470 mil crianças de 0 a 14 anos entraram na linha de miséria somente no ano passado, segundo o IBGE. No total já são 5 milhões.

“Das 470 mil crianças que entraram na miséria no país, 271 mil estão no Nordeste. Somente na Bahia foram 109 mil jovens a mais na miséria. Em Pernambuco, a pobreza extrema entre crianças de zero a 14 anos cresceu 14% - 52 mil crianças a mais. O único Estado nordestino que não teve piora foi a Paraíba.”

“Das demais grandes regiões do país, o número de crianças miseráveis aumentou fortemente no Centro-Oeste (41%) e no Sul (21%). Apesar dos percentuais expressivos nessas duas regiões, elas apresentam as menores proporções de crianças vivendo com no máximo US$ 1,90 por dia - 6% e 4%, respectivamente. Mesmo assim, os dados surpreendem porque o agronegócio tem peso relevante na atividade econômica dessas regiões e foi responsável pelo crescimento da economia brasileira em 2017.”

Beatificação
Considerando a compreensão de Sérgio Moro para com Õnix Lorenzoni e seu confessado caixa 2, sua omissão em relação ao que já chamam bolsonarogate, muito certamente o Ministério das Relações Exteriores e o Itamaraty clamarão ao Vaticano, a partir de janeiro de 2019, em razão da postura milagrosa, a beatificação do ilustrado Ministro da Justiça como o santo padroeiro dos aliados arrependidos. 

Quando janeiro vier
O título deste rodapé parodia o filme Come September (1961), Quando Setembro Vier, na versão brasileira.

Sete foram os presos na operação, deputados estaduais como filho do futuro presidente, do assessor que deu 24 mil à futura primeira-dama.

Corrupção teria sido o motivo das prisões. E o dinheiro do policial motorista teria origem lícita se questionados os valores que movimentou pelo COAF?

Quando janeiro vier tudo será esquecido. E PM, mulher e filha, antes assessores de pai e filho Bolsonaro, tendem a ser assessores ‘para assuntos especiais’ do novo presidente.

Mas, quando janeiro vier o passado será esquecido. 

E, no fim, quem apuraria os fatos? Moro, para quem, naturalmente, a denúncia não vem ao caso... por ausência de Lula/PT e quejandos.

Aguardando
Considerando aquele power point de Dallagnol para Lula, sustentado em ‘convicção’, com o mínimo até agora divulgado do bolsonarogate dá para imaginar uma tremenda exibição em rede nacional muito melhor do que aquele feito com o do Luiz Inácio.

Aguardando. Porque paciência há... só esperar!

Próximo dia 12



segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Convite para lançamento

Aos amigos
Imensa alegria em recebê-los, no próximo dia 12, no SARAU do Goethe, no Corredor da Vitória, em Salvador



domingo, 2 de dezembro de 2018

Falando de anões


A cagada
Não se trata de culinária sertaneja ou do vai-e-vem que norteia a atual realidade brasileira. 

Mas da besteira cometida por um destes que se imaginam na crista da onda puxando o saco de estadunidense, de presidente a auxiliar de embaixada, achando que cria condições internacionais para seu país.

A Argentina acaba de mostrar quão idiota se faz no comércio internacional.

Melhor ler o que diz o Página 12 (jornal de lá).

Detalhe: em razão da posição ainda mais anã do Brasil, a Argentina assume o protagonismo em negociações do Mercosul com a Rússia.

Fim do mundo
Nunca imaginamos que, em meio às experiências por que passamos,  chegássemos ao que estamos vivendo. Mais grave, na seara do fundamentalismo, da pretensão ao controle de ideias.

Ainda que sem entrarmos no mérito da questão espanta a iniciativa do Ministério Público de Minas contra o Colégio Santo Agostinho para que indenize por "situação de risco", o que entendem Suas Excelências qualquer discussão de gênero, não a abordagem, que passam a denominar de "ideologia do gênero", como denunciado pelo Brasil 247.

Mais espanta pelo fato de ser a escola acionada uma instituição vinculada aos valores defendidos e difundidos pela Igreja Católica e o catolicismo.

O nível
Melhor diríamos: o baixo nível a que chegam alguns intérpretes da lei  porque vivemos a era "da lei" e não "do Direito"  inclusive da Constituição, está embutido no ridículo questionamento ao indulto de Natal concedido ano passado pelo interino tornado presidente.

Agora, que a maioria do STF o considera constitucional, não falta quem indague se uma cautelar deferida contra o mérito pode produzir efeitos depois de este mérito sucumbir.

Seria bizantinice se não fosse burrice argumentativa.

O surrealismo decorrente de tal ‘burrice’ encontra singular exemplo de Lênio Streck: “É como se alguém estivesse preso por prisão cautelar e o Plenário julgasse procedente o pedido de habeas corpus... e ainda assim a prisão cautelar se mantivesse.

A não ser – e não se ponha em dúvida tal argumento à luz da contemporaneidade brasileira – que para ditas mentes indigentes tiradas a inteligentes (obrigado Stanislaw) uma cautelar judicial tenha passado a gerar efeitos típicos de Medida Provisória editada.

Currículos
Não basta a singular insustentável leveza de suas ideias no quesito convicção em torno do que seja governar um país, e, mais particularmente, aquele para o qual foi eleito.

Nunca se cobre do eleito em torno disso. Afinal, nesse aspecto, nunca falseou suas ‘convicções’ e ‘princípios’, tanto que em torno deles sempre os expressou às claras.

Em sua carreira parlamentar – nada curta – não se conhece um projeto seu que dignifique o exercício da atividade parlamentar.

Nunca tão às escâncaras a qualidade e a pretensão ficaram. Olhar rápido que seja não traduz a menor confiança no anunciado pelo presidente eleito.

Para coroar, algumas indicações cheiram a sangue fresco, por aquilo que dizem ser, acreditar e pretender fazer.

domingo, 25 de novembro de 2018

Lições

Sem maniqueísmos
O que ora se passa no Brasil não pode ser analisado sob o prisma comum às discussões apaixonadas, na esteira da religião, carnaval ou futebol.

Cremos que este espaço – em que pese parecer tendente para alguns  sempre cuidou de difundir um erro cometido pelo PT/Governo, em todos os níveis observados pelo escriba: do federal ao municipal a batalha da comunicação nunca foi compreendida e, portanto, enfrentada a contento. Por tal razão muito dos absurdos por que passa o Partido dos Trabalhadores encontram origem em abrir a guarda em aspecto tão sensível.

Claro que não somente isso. A autocrítica cobrada do PT  a exigir-lhe a ele e tão só ele  como réu confesso em relação à corrupção que também andou fazendo das suas em seus períodos de gestão não tem o condão de justificar o que lhe acontece. Isso porque, como o demonstram à sorrelfa os fatos, na corrompida 'república' brasileira (basta ler/reler sua história) o que hoje se chama de política sempre foi pautado em participação. Participação no poder, apadrinhamento, patrimonialismo, corporativismo. À direita e à esquerda. 

Nunca é demais lembrar uma análise/definição de Raimundo Reis, jornalista, político e cronista baiano, referindo-se ao velho PSD (hoje travestido em PMDB/MDB, ARENA/PDS/PFL/DEM, PSDB, PPS, apenas para encabeçar a ilustração), de que livro de cabeceira do partido era o Diário Oficial. Dizia-o quando lhe perguntavam qual a leitura e a ideologia que norteava o PSD: "O Diário Oficial". Ou seja: o poder exercido e manipulado em todas as dimensões, da ocupação de cargos a contratos com o poder público.

O que ora escrevemos tem o condão didático de alertar para releituras e promoção das críticas não levadas a sério no tempo certo.

Sem maniqueísmos. Porque aqui não se trata de ser a favor ou contra o que é ou o que pensam amigos ou inimigos.

Outra análise
As raízes do fenômeno são mais profundas. Não somente a falta de controle ou enfrentamento em nível de comunicação. As dimensões sociais não respondidas falam muito alto.

O ocorrido no Brasil encontra resposta técnica na análise de Wolfgang Streeck, através do Conversa Afiada:

Assim como a natureza, a política não tolera o vácuo. Se a centro-esquerda não pode mais entregar progresso social, em especial segurança econômica e igualdade, por sua própria culpa ou devido a circunstâncias desafortunadas — como os efeitos da crise financeira de 2008 —, outros chegam para tentar conquistar o poder. Além disso, se o internacionalismo, em particular o livre-comércio, beneficia apenas os ricos à custa dos pobres, então forças nacionalistas têm uma oportunidade de prometer que farão melhor.”

Acrescentamos: e efetivar o processo da tomada de consciência de que, existindo as diferenças, cabe a cada um percebê-las, distingui-las e definir-se por uma delas. Que no caso concreto bem poderia ser o da esquerda.

Cabeças demais
Não há como negar: o futuro governo exercitado está – assim decorre do que vemos e lemos – no curso de paralelas.

Nas duas linhas que nunca se encontram a hierarquia militar de um lado e Moro e Guedes de outro.

Muitas cabeças se batendo enquanto o eleito governa do twiter.

Resta saber o que sobreviverá se houver o sobrevivente e a que sobreviver.  


Invasão
A Bolívia está sendo invadida por quem busca melhores condições de sobrevivência diante da crise em seu próprio país.

Adianta-se: não são venezuelanos. Tão somente argentinos que estão a dispensar as maravilhas do governo neoliberal.

Que estão a se espalhar por esta Latina América.

Esconde-esconde
O PT, à luz da observação de Miguel do Rosário, no Cafezinho, andou brincando de esconde-esconde (não só com referência ao convívio/controle da comunicação) com as nomeações para o Poder Judiciário. 

Passavam, afirma o articulista a partir do último depoimento de Lula, pelo crivo da classe política, como moeda de troca.


Chocou ovo de serpente.

domingo, 18 de novembro de 2018

Entre poesia, novela e ironia


                        Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste 
                          Criança! não verás país nenhum como este...”.

Não custa começar esta coluna com versos de Olavo Bilac (acima), extraídos de A Pátria. Que seja ironia, caro leitor. 

Mas, vamos adiante.

E voltando no tempo duas, três décadas, nos sentimos na Rua Mata-Cavalos, relendo os originais de “O Alienista” com o Bruxo do Cosme Velho, que será publicado em 1882. 

Não para análise sob o prisma literário, se conto ou novela  arte mais precisa sob a pena de Hélio Pólvora  mas para dimensionar os distintos tempos de atualidade brasileira. 

Na política ou na literatura esta terra brasilis é chegada a se repetir, ou – quem sabe? – de subir no palco com aquela de a vida imitar a arte.

E acometido dessa veia literária é que aproveitamos os versos de Bilac. E na esteira das letras, Machado de Assis.

Que Machado de Assis não se sinta ferido por ver reproduzido, no plano da ironia, a saga do muito seu Simão Bacamarte e seus sonhos de consumo. 

Tampouco Bilac, o civista. 

Cada um em sua época, cada fato uma razão.

Tudo que ora vivemos está por ser feito em multiplicações ao cubo.

Afinal, para fugirmos à ironia, não estamos como dizem alguns, à beira do precipício, mas – como não há ‘país nenhum como este” – literatura à parte, instalando um grande hospício.

Interpretação como sanção
De publicação do assistente social Marcelo Garcia em seu Facebook, sobre o depoimento de Lula.

Registre-se que Marcelo Garcia já assessorou de Antônio Anastasia (PSDB) a de César Maia (DEM).

"Em nenhum momento foi apresentado uma única prova de que o Sítio de Atibaia era dele. Muito ao contrário as provas mostravam que não era dele.
Eu repito: Assisti Atentamente.
Não foi apresentado uma única prova. Nenhuma prova que o sítio fosse dele.
Ele frequentava o Sítio como eu já frequentei casa de vários amigos.
A Justiça ontem mostrou pra mim que esse país mata com a lei na mão e que a lei é uma interpretação.
No caso de Lula uma interpretação de pena de morte.
Lula vai morrer na cadeia.
E o que mais me assusta é que é justamente isso que a minoria que comanda a desigualdade no Brasil quer."
Big stick
A diplomacia do presidente eleito, com a singular amenidade do porrete, acaba de levar o país a perder uma de suas melhores conquistas no combate a doenças e na oferta de cuidados médicos aos mais necessitados. As ameaças proferidas aos cubanos do Mais Médicos encontraram plena e altiva resposta do governo cubano que, simplesmente, rompeu o acordo existente. 

São mais de 8 mil médicos a deixar o país, atuando – em alguns casos – onde nenhum brasileiro se dispõe a atuar.

Perdem os brasileiros. Trump aplaudiu. Faz parte.

Um país que precisa de muito mais médicos além dos existentes afastar/expulsar parte deles por falta de afinidade ideológica mostra a que chegamos.

Por tal caminhar, o Brasil, ao que parece, precisa urgentemente de um outro programa Mais Médicos: médicos psiquiatras para o grande hospício em que se torna esta terra brasilis.

Preciosa análise I
“Nós estávamos completamente anestesiados com um tipo de esquerda que se consagrou com a abertura [pós ditadura], dos anos 1990 em diante, que é uma esquerda que pensa em governo e não se imagina fora dele, uma esquerda para governar. Essa é a grande novidade do petismo e, portanto, gestionária.”

São palavras do filósofo Paulo Arantes, no Brasil de Fato.

De nossa parte sempre raciocinamos que a esquerda embeveceu-se com o poder.

Nele encastelado imaginou que as políticas públicas por ela postas em prática seriam o instrumento de convencimento e aliança para a perpetuação do poder, que a classe dominante se curvaria às evidências. 

Acreditando nisso dispensou a batalha da comunicação. E aquele beneficiado por ditas políticas mais acreditou na propaganda adversa e lançou fora a esquerda.

Preciosa análise II
O ex-ministro José Dirceu (no Brasil 247) exibe razões por que permanece lúcido. 

Sua análise é precisa: Bolsonaro ocupou os espaços em meio ao povo abandonado pelo PT.

As lições foram levadas. Cabe saber se aprendidas.

Caso contrário não custa aproveitar as reformas anunciadas (inclusive na Educação) para retomar a prática da palmatória e do ajoelhar sobre milho/feijão para não esquecer a lição.

domingo, 11 de novembro de 2018

Ontem, hoje, sempre(?)

Um século

Há 100 anos, assinado o Armistício que pôs fim à primeira Grande Guerra. Ano seguinte, a partir de junho, as tratativas que resultaram no Tratado de Versalhes, em janeiro de 1920, que, por suas condições draconianas, os alemães denominaram de ‘imposição’.

As pesadas sanções– da perda de territórios na Europa e de colônias na África e na Ásia à redução, em quantidade e tamanho, do exército e de seus equipamentos bélicos (tanques, submarinos, navios e fragatas etc.) e indenizações de guerra – levaram a Alemanha e, de imediato, a recém instalada república de Weimar, a uma crise sem precedentes e abriu espaço para a ascensão de Hitler e a segunda Grande Guerra como instrumento de recuperar o perdido pela imposição.

Os vencedores não compreenderam a sabedoria oriental: a consolidação da vitória não está em destruir o vencido depois de derrotado na derradeira batalha, mas em não fazê-lo sentir-se como tal.

Simplesmente, a paz não se constrói com vingança e aniquilamento do inimigo. Mas com o reconhecimento da dignidade em todos que lutaram. Porque o vencido, como o vencedor, também a tem.

Ainda nos tocam William L. Shirer, Ingmar Bergman e Rainer W. Fassbinder. O primeiro, com o magistral "Ascensão e Queda do III Reich" (1960); o segundo, com "O Ovo da Serpente" (1977) e o terceiro com o documentário para TV "Berlin Alexanderplatz" (1960).

Há quem nunca os tenha lido e visto. Muito menos em torno do tema debatido a razão, o porquê e o como. E assim continuará.

Muito apropriado
Noticia-se que o ensino de Libras pode se tornar matéria obrigatória, em todos os níveis. Para quem não saiba, é a caligrafia para surdos.

Sugere-se, também, a obrigatoriedade do Braille, a de cegos.

Muito apropriado nestes tempos de estio, quando a surdez e a cegueira vão ocupando espaços antes inimagináveis. Inclusive mental.

Nesse particular não temos como saber se há estudos para ensinar a pensar. Porque anda a prevalecer a vontade de impor o NÃO pensar.

Basta entender
Ilustrado na sabedoria do macaco Sócrates (“Não precisa explicar! Eu só queria entender”), os números para o estimado leitor, em razão da sanha do STF por mais dinheiro para os seus pupilos e quejandos, mais penduricalhos para a indústria automobilística, em custos anuais comparados a outros programas de governo:
Aumento concedido a Ministros do STF e PGR = 5,3 bilhões
Desoneração da indústria automobilística = 1,5 bilhão
Minha Casa Minha Vida = 4,5 bilhões
Eletrificação rural = 1 bilhão
Muito a propósito: a sonegação, no último setembro, alcançou 460 bilhões de reais.
Tudo junto, misturado, fede pra cachorro!

Humor circense
Tivéssemos naquele misto de cinema chapliniano/trapalhão diríamos estar vivenciando ensaios de mais um filme protagonizado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Mestres do singular humor circense, aquele leva o espectador ao riso através da queda do palhaço.

Não bastasse os anúncios espatafúrdios no plano interno, que vão de extinção do Ministério do Trabalho ao apoio a que estados contratem milícias particulares armadas de fuzis com autorização para matar, o eleito já abriu pontos de tensão além mar com a China, Venezuela, BRICS, Cuba, Mercosul e países árabes.

Para imaginar-se Trump e agradar ao grande irmão do Norte anunciou a piada (pelas consequências) que em vez de fazer rir faz chorar a muitos: embaixada da Palestina em Israel. Nem Israel precisa disso, porque quem a ele tudo recomenda, assume e garante são os Estados Unidos.

Lá fora efeito prático nenhum no campo da política internacional. 

Mas, aqui, bem aqui dentro, parcela daquela gente que aplaudiu e financiou o eleito despertou como de um pesadelo: o de perder exportações de carne e soja, aves e suínos, que transitam por entre a China e povos árabes.

Não sabemos se os atormentados exportadores perceberam que o pesadelo foi por eles mesmos criado. E muito bem criado!

Ou se caíram na gargalhada.

Fiscais de outros tempos
Já tivemos os ‘fiscais de Sarney’, vigias da política econômica etc. etc.
Faz parte de uma espécie de “panicus” que se expressa identificando ou mesmo fabricando um problema que nos angustia, e de imediato ofertar diagnóstico distorcido, suficiente a injetar em doses cavalares o medo e desmedida raiva contra o inimigo sugerido. Para eles melhor esconder soluções eficazes, porém mais demoradas, porque o fundamental são os problemas do país anunciados como o fim do mundo e cuidar de combater os inimigos indicados.

Nos tempos do Plano Cruzado foi lançado o tiro único e certeiro para acabar com a inflação sem que suas verdadeiras e latentes causas fossem atacadas, sem que os atores que dela se beneficiavam (grandes empresários e sistema financeiro) e os que por causa dela sofriam (o povo) participassem da discussão e elaboração de um plano de médio e longo prazo, que passava por uma nova conformação econômica capaz de superar o que sempre a sustentou.

Estamos a caminho de um novo affair: escudados na promessa do eleito de acabar com a classe política, com a corrupção e com a violência estarão os fiscais em cada esquina, hoje munidos de celulares. 

Esses os novos tempos, férteis à prática. Em meio à paranoia coletiva todos seremos suspeitos. Viveremos o país onde crianças serão fiscais a investigar, seus pais e vizinhos juízes de um tribunal de inquisição onde não faltará quem para ele busque a tortura como meio de obtenção de prova da culpa.

Não mais vivemos o romano panis et circenses, mas o brasiliense panicus et circenses.

Ontem e hoje
Muito a propósito trazemos trecho da oração proferida pelo escritor Antônio Lopes quando da posse na Cadeira 4 da Academia de Letras de Ilhéus, em maio de 2001, ao referir-se a Wilde Lima, fundador da honraria (disponibilizado em "Estória de Facão e Chuva", Editus, 2005):

“Faz muita falta hoje a atitude lúcida e destemida de Wilde Lima, quando ponderável parcela da sociedade brasileira está ameaçada e – talvez por isso – clama equivocadamente por novas leis e punições rigorosas, exige mais dureza contra a violência, pretende responder ao crime com o crime, ao sangue derramado com mais sangue derramado, combate efeitos e não combate causas, quer dar prisão a quem necessita de escola, pede justiceiros quando precisa de professores, quer polícia quando devia reivindicar justiça, principalmente justiça nos pratos da balança social.”

Lá se vão quase 18 anos da oração de Antônio Lopes. O ontem muito mais presente nesse singular instante do que possa imaginar nossa vã filosofia.

Agravado, até – diríamos –, caso não entendesse o leitor como pessimismo o que registra este escriba.

As pérolas I
Nestes tempos de estio pedregulhos tornam-se pérolas. Na primeira semana a prodigalidade; na segunda, reafirmação e magistralidade. Começando por barrar imprensa e fazer cinegrafista apagar imagens gravadas. A delegada que levou ao suicídio o reitor Cancellier provável convidada para assumir a Polícia Federal. Supimpa!

As pérolas II
O juiz Sérgio Moro, na condição de indicado para Ministro da Justiça, aproveita o exercício de sua função de magistrado e dela se afasta, tira férias, para montar sua equipe de governo.

Ou seja: para exercer um cargo político – incompatível com o exercício da magistratura – se aproveita da investidura na de magistrado e se beneficia de uma condição inerente a esta para efetivar aquela.

Assim, tira férias na função pública para exercer atividade política (montar ministério).

Simplesmente infração disciplinar, à primeira vista, e apropriação de recursos públicos, por consequência.

Mas, pergunte ao STF e ao CNJ? Dirão que tudo está sob inteiro controle e as instituições funcionando regularmente.

Pérolas, como o Diabo gosta?