sábado, 7 de setembro de 2013

Os caminhos

Que levam a 2014
A Vox Populi traz, na edição de Carta Capital desta semana, última pesquisa realizada das intenções de votos para Presidente da República. Chama-nos a atenção o cenário da espontânea, onde 52% declaram posicionamento contra 48% que não sabem ou não responderam.

O detalhe fica à conta não de Dilma (24%), mas de Lula, com 10% na espontânea, número que empata com o somatório de Aécio (4%), Serra (2%) e Marina Silva e Eduardo Campos (1% cada) e outros 2% pulverizados.

Considerando que tal avaliação traduz o que se encontra presente no imaginário dos entrevistados, há praticamente um ano das eleições 48% não têm nome definido. Por outro lado, dos 52% que já o têm, 46,5% migram para Dilma e cerca de 38,5% para os demais nomes, ficando os restantes 15% para ninguém, brancos ou nulos.

Caso consideremos que os votos para Lula, que no cenário ora posto representam pouco mais de 19,2%, venham a ser distribuídos meio a meio, Dilma capitalizaria outros 9,6% elevando sua votação a 56%.

Esta é apenas uma avaliação a partir da espontânea, porque na estimulada a candidata à reeleição já alcança 38%, onde a candidatura mais próxima, a de Marina Silva (com dificuldades para registro de seu partido) chega a 19% e Aécio e Eduardo Campos a 13% e 4% respectivamente.

Sem Lula pedindo votos para ela. Eis o detalhe que vemos.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Exame de sangue

Seria melhor
Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia gostariam de ouvir o "cacique" tupinambá.

Bem melhor que mandassem realizar um exame de DNA, para confirmar o que todos sabem.


Imagens

Despencando
A denúncia do Jornal do Brasil de que a presidente do PSoL do Rio de Janeiro, deputada estadual Janira Rocha, comete(u) deslizes na condução dos recursos partidários, seja-o no plano da remuneração de funcionários do partido (dos quais cobrada uma participação), seja-o pela formação de caixa 2 a partir de recursos de sindicatos, levam mais uma agremiação política ao nível da prática tradicional.

Independente de serem verdadeiros ou não os fatos, registrada está a vulnerabilidade dos partidos políticos a meios não ortodoxos de arrecadação, enquanto existir o atual formato.

Não podemos insistir na defesa do atual sistema de financiamento de campanhas. Muito melhor - e mais transparente - o financiamento público. Ou aquele que limita às pessoas físicas o custeio de campanhas, com um máximo de um milhar reais por pessoa.

O fato envolvendo o PSoL mostra que não restará um só partido para fechar a porta da moralidade. Falar dela apenas não passa de hipocrisia.


Ainda que vejam

Não querem enxergar
O conflito sírio - que tem nos rebeldes o instrumento de manter aceso o conflito no Oriente Médio, para assegurar a manutenção dos preços do petróleo no patamar acima de 100 dólares e viabilizar a exploração do xisto betuminoso estadunidense - não encontra de grande parcela da mídia o meio para traduzir verdades.

Dizemos isso por uma simples razão: o último factóide, exaustivamente explorado, de que o governo de Assad teria lançado um ataque com armas químicas contra a população civil, vem sendo contrariado pelos russos - que afirmam e provam que os disparos saíram do bairro onde se alojam os rebeldes (todos armados, financiados e municiados pelo Ocidente) - e mesmo denunciado por jornalistas, o que leva os argumentos pela intervenção ao léu (se fundada neste fato isolado).

Atrocidades são mostradas, todas atribuídas ao governo sírio.

O jornal The New York Times, enquanto se realiza a reunião do G-20, publicou matéria a partir de um vídeo (onde destacou na capa a horrenda cena) de rebeldes fuzilando soldados do governo, de mãos amarradas e curvados com os rostos no chão.

Não vimos destaque na mídia que tanto fala dos rebeldes como vítimas de atrocidades.

Ainda que vejam, não enxergam. Estão a serviço de interesses, não da verdade.

Assim caminha a humanidade, para lembrar do título do filme dirigido por George Stevens, de 1956, com James Dean e Elizabeth Taylor.

No caso do Oriente Médio, para o desastre!


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Carga

De cavalaria
A ação militar em tempos mais remotos denominada de carga de cavalaria pode muito bem ser compreendida como uma vantagem de quem, montado a cavalo (ou camelo etc.), avançava sobre o inimigo combatendo a pé. Alguns até a considerariam desproporcional. Buscamos a figura para produzir uma metáfora para desequilíbrio dos meios utilizados em qualquer disputa. 

E fazemos para avaliar a desproporção entre a realidade fática e a ênfase estabelecida pelo noticiário para "informar" sobre o pedido de aposentadoria por invalidez do deputado José Genoíno encaminhado à Mesa da Câmara dos Deputados. 

Alguns misturaram alhos com bugalhos, transitando pelo absurdo de que um ladrão de dinheiro público seria beneficiado por uma aposentadoria paga por todos nós, como deixou enfatizar o Jornal do SBT, o mais agressivo e despropositado. Os demais dos por nós vistos (da Globo e da Bandeirantes) limitaram-se a expor o pedido de Genoíno como algo que estaria fora de propósito.

No mínimo ficou a mensagem de que o deputado buscaria algo irregular.

Nenhum dos "(in)formadores de opinião" se dignou de levantar um questionamento: se o deputado contribuiu pelo tempo necessário a consubstanciar o pedido e se o faz amparado na lei. 

É que desconhecemos possibilidade de aposentadoria sem que preenchidos os requisitos necessários, como tempo de contribuição, idade ou, no caso sob comento, se realmente padece de doença que justifique o benefício.

Não faz muito tempo José Genoíno esteve internado e teria sofrido uma isquemia cerebral. 

Mas isso não importa. Mais interessa o linchamento que expor a verdade. 

A distinção que vemos entre os (in)formadores de opinião e o deputado é simples de ser explicada: batalha antiga.

Afinal, Genoíno lutou com armas contra a ditadura militar; os senhores da mídia a apoiavam. A ponto até de fazerem mea culpa quando conveniente, como a Globo recentemente.

Como não esqueceram as lições do golpe que ajudaram, saudosistas lançam uma carga de cavalaria sobre o guerrilheiro Genoíno.

Para inglês

Ver
Não fica bem na foto a iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia reunir-se em Itabuna para analisar o conflito existente entre indígenas(?) e produtores rurais potencialmente atingidos pela sinalizada demarcação de 47/48 mil hectares nos municípios de Una, Buerarema, Ilhéus e São José da Vitória.

Pelo menos que o fizessem em Buerarema.

Caso não seja apenas para inglês ver Suas Excelências estão correndo do pau. O que vem sofrendo os produtores da região. Que pelo menos visitassem Buerarema para ver de perto as barracas dos desalojados e expulsos de suas terras sem qualquer ordem judicial.

Ou, como muitos demonstraram gostar quando andaram por Itabuna na Assembleia Itinerante, se reunissem em Ilhéus, regados à brisa marinha. Por lá, pelo menos teriam a desculpa de estar em município que integra a área do conflito.


O macaco

Está certo
A ministra Rosa Weber, do STF, planando sobre o insipido território em que a Corte fez tornar o julgamento da AP 470 e inusitadas manifestações em sede dos embargos declaratório propostos, adiantou que o "Embargo de declaração não é o meio adequado de fazer justiça". 

Recebeu críticas, mas - como dito por personagem em humorístico no passado - o macaco tá certo!

Onde não há instância recursal (caso de julgamentos originários da competência do STF), para corresponder ao direito líquido e certo que tem todo réu ao constitucional duplo grau de jurisdição, o "meio adequado para fazer justiça" são os embargos infringentes. 

Que muitas de Suas Excelências não querem admitir.