quarta-feira, 16 de março de 2016

Debandada

Cumprindo ordens
Lima Barreto (1881-1922) ironizava a burguesia da época definindo-a como “essa gente de Petrópolis” (Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá), próceres de “nossa estúpida mania de aristocracia”. Natural à análise de Lima Barreto a permanente sublimação dos que folhearam livros para ver as figuras – na infância – ou para o decoreba – para a prova ou concursos. 

Mais se acentua tal limitação, contemporaneamente, com o advento da tecnologia: se o livro fora ferramenta absoluta em tempos idos o copiar/colar e o fotocopiar as páginas que interessam ao ‘estudo’ são a realidade presente, o que nos leva – os que cultivamos a leitura como fonte e caminho para o conhecimento – a permanente estado de decepção.

Em Lima a percepção – a partir de sua observação concreta no seio da então capital da República recentemente proclamada – do que virá a ser definido (ultrapassada a interpretação político-econômico, como substrato da classe média ainda no século XVIII, teorizado dentro do materialismo histórico no século seguinte) como ‘pequeno burguês’: aquele que aspira e anseia, pondo em prática o que não tem como corresponder. É clássico exemplo de quem se espelha na alta sociedade, imita-a, se endivida para fazê-lo, arrasta a barriga no chão para ‘parecer’ o que não é. Copiar e validar – sem dispor dos meios necessários – é o modus vivendi deste ensaio de burguesia como objetivo vivencial.

A expressão pequeno burguês adquiriu, com o tempo, o conceito de adjetivação pejorativa, mais simplesmente como imitação e vivência do que seu extrato sócio-econômico não permite. Avançada para ser vista naquele dotado de uma visão rasteira, acanhada, mesquinha e preconceituosa, que para ser traduzida como reacionária é apenas conclusão.  

Não nos furtamos a valorizar a visão de Eça de Queiroz, sob o heterônimo de Fradique Mendes, em carta a Eduardo Prado, posto em nosso Amendoeiras de Outono (Via Litterarum), quando o personagem que o cita leva à comparação o permeado no país entre o século XIX e início do XX e a fase atual:

“... em vez de terem escolhido esta existência que daria ao Brasil uma civilização sua, própria, genuína, de admirável solidez e beleza – que fizeram os brasileiros? Apenas as naus do senhor D. João VI se tinham sumido nas névoas atlânticas, os brasileiros, senhores do Brasil, abandonaram os campos, correram a apinhar-se nas cidades e romperam a copiar tumultuariamente a nossa civilização européia, no que ela tinha de mais vistoso e copiável”.

Eça condena o país por ficar apinhado de instituições alheias, quase contrárias a sua índole e ao seu destino”. E leciona o ainda inalcançado, apenas tentado recentemente: “No dia ditoso em que o Brasil, por um esforço heróico, se decidir a ser brasileiro, a ser do novo-mundo – haverá uma grande nação. (...) pode contar com um soberbo futuro histórico, desde que se convença que mais vale ser um lavrador original do que um doutor mal traduzido do francês”.

O instante vivido pelo país, a partir de parcela de sua gente, não permite outra visão se não a de Lima Barreto há 100 anos e a de Eça de Queiroz – mais vivo que nunca – que substituiria ‘francês” por ‘estadunidense’, Paris e Londres por Miami e Disneylandia.

Permanecem os mesmos vícios culturais, as mesmas idiossincrasias e preconceitos a nortear a “gente de Petrópolis” ou a pequeno burguesia contemporânea.

Não se lhes exija que mantenham consigo mesmos o instante de conversar com suas consciências. Neles está o muito próximo do percebido por Hannah Arendt em Adolf Eichman (Eichman em Jerusalém) durante o julgamento deste: a total ausência de consciência, existente aquele como espantalho orgulhoso do que realizara ‘cumprindo ordens’. Nele não havia perversidade, apenas a desumanidade.

Não se exija de qualquer destes arvorados a discutir as mazelas brasileiras que o façam a partir da informação/leitura nos compêndios de Sociologia, de Geografia, de Filosofia, de Ciência Política, de História. Muito menos superficial leitura de “As Origens do Totalitarismo”, de Hannah Arendt.

Caso o estimado leitor queira ver a debandada geral – para não exigir muito – fale-lhes de Geopolítica. Conteúdo que lhes permitiria entender – quando nada – de quem estão "cumprindo ordens".

   livro de historia

domingo, 13 de março de 2016

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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É o petróleo, burro!
Cuidamos de ainda escrever muito mais para deleite pessoal no futuro. Claro que dos leitores que temos queremos imaginá-los todos capazes de entender o que escrevemos. Tanto que não os temos aumentando. Talvez até reduzindo.

Mas, temos afirmado que a crise por que passa o Brasil somente pode ser compreendida por quem domine minimamente os alfarrábios da Geopolítica, porque nela estão as razões da crise política brasileira.

Aí está o texto Pepe Escobar O terremoto brasileiro  didático e conclusivo: “É o petróleo, estúpido!”

No caso do Brasil o pré-sal.

Quem está por trás
É o mesmo Pepe Escobar, em "A luta é de vida ou morte; porque Lula é BRICS", que mostra aos que vão à rua – como simples marionetes embaladas pela mensagem do combate à corrupção – quem está por trás de tudo.

Registramos no rodapé "Vassalo(s)", no domingo passado:

"A luta de vida e morte por que vivem os Estados Unidos diante da China como vocacionada à liderança mundial em tempo não tão distante exige que aqueles ocupem o quanto antes os espaços que guardavam para mais tarde (África), ou detinham sob pleno controle (Brasil neoliberal entre eles e o restante da América Latina)."

É a Eletronuclear, burro!
Na esteira de registrar o instante para (re)leitura futura, eis outra dimensão da (não)razão de atos sustentados no combate à corrupção que menos visam esta e mais a desconstrução da inteligência e pesquisa nacionais.

Destacamos, de "Corrupção e soberania nacional", de Reinaldo Del Dotore, no Brasil 247, a propósito da prisão do Vice-Almirante Othon:

O motivo, porém, que faz acender a tal "luz amarela": o vice-almirante preso ontem foi o responsável pelo início e pela continuidade do desenvolvimento da tecnologia nuclear brasileira. A questão, aparentemente, começa a extrapolar o universo da corrupção e, ao que tudo indica, já esbarra na própria soberania nacional.
O programa nuclear brasileiro (e isso não é sabido pela maioria dos cidadãos) é de excelência ímpar, e já há muito tempo despertou o interesse de potências estrangeiras. As ultracentrífugas para enriquecimento de urânio desenvolvidas no Brasil pelo programa conduzido pelo Vice-Almirante Othon são muito mais eficientes, em termos energéticos, do que as mais modernas centrífugas em utilização na Europa ou nos EUA. Segundo o almirante Alan Arthou, diretor do Centro Tecnológico da Marinha, o Brasil foi o único país a desenvolver ultracentrífugas por levitação magnética, tecnologia que proporciona esse desempenho energético significativamente maior. Quem conhece efetivamente o ramo assegura que as centrífugas brasileiras só encontram concorrência naquelas desenvolvidas no Irã (o que, se confirmado, explicaria muita coisa que ocorreu nos últimos anos). É de se ressaltar que, além do aspecto estratégico do tema e de sua evidente vinculação ao futuro da soberania nacional, o mercado do enriquecimento de urânio, segundo estimativas, movimenta cerca de 20 bilhões de dólares por ano. Além disso, sob a batuta do Vice-Almirante está sendo desenvolvido o primeiro submarino nacional movido a energia nuclear, fundamental se considerados os aparentemente intermináveis campos de petróleo do Pré-Sal localizados em mar aberto na costa brasileira. Segundo a agência de notícias Defesanet, especializada em defesa, estratégia e inteligência e segurança, a prisão do Vice-Almirante Othon pode incentivar o ataque ao único projeto estratégico brasileiro que realmente eleva a nação a um patamar vários níveis acima. Nas entrelinhas: não seria o Vice-Almirante o alvo, e sim a Eletronuclear e toda a estratégia nuclear brasileira.
Norberto Bobbio
O fascista fala o tempo todo em corrupção. Fez isso na Itália em 1922, na Alemanha em 1933 e no Brasil em 1964. Ele acusa, insulta, agride como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso, um sociopata que persegue carreira política. No poder, não hesita em torturar, estuprar, roubar sua carteira, sua liberdade e seus direitos. Mais que corrupção, o fascista pratica a maldade.

E completamos: no Brasil, continuam falando. Autodispensados de ler “Do Fascismo à Democracia”, do italiano.

Como ontem
Incendiar o país faz parte do método. Basta ver como funcionaram as ‘primaveras’ no continente africano. Tudo fomentado a partir dos Estados Unidos. 

Objetivo: controle da energia. Fóssil e nuclear.

A desculpa posta para a verdade é a de que  os que enxergamos  estamos vivendo uma 'síndrome conspiratória'.

Gasoduto
Destacamos a partir de informação da Reuters – O gasoduto que estava sendo construído pela Odebrecht no Peru foi para o espaço. A brasileira deixou um projeto de US$ 5 bilhões para uma peruana e uma espanhola.

Na esteira do projeto, "A Braskem tinha planejado construir uma unidade de polietileno no Peru, que seria ligada ao oleoduto de 1.000 quilômetros, para transportar gás da Amazônia para a costa do Pacífico". (A Braskem  para quem não sabe  é brasileira).

Viva este Brasil da elite, que em vez de prender criminoso quebra a empresa nacional. 

Outros tempos, mesmas soluções
Em tempos de guerra fria – quando a geopolítica estadunidense se sustentava na proteção ao ‘mundo livre’, para livrá-lo das garras do comunismo soviético – a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, gerou a resistência da oposição – amparada em setores da cúpula militar aliada aos Estados Unidos – e levou ao confronto político-institucional que resultou no parlamentarismo.

Líderes políticos voltam a aventar o parlamentarismo – agora travestido de semiparlamentarismo – como solução para a crise política em andamento.

O caminho sempre o mesmo: ruptura das instituições.

O caminho está traçado. Onde o impeachment é última solução, política.

Falta combinar. Com muita gente.

Afinal  tirando a participação dos Estados Unidos  2016/2017 não é 1961.

Abortamento
As indagações ainda permanecem e uma maior fica no ar: o que impediu a Polícia Federal de levar Lula para o Paraná. O blogueiro Esmael Moraes já havia matado a charada. Valdir Cruz, do Notícias Paraná, especulou, afirmando que muita gente sabia que tal ocorreria, inclusive a presença do deputado Jair Bolsonaro em frente a PF de Curitiba soltando foguetes.

Não tardou a verdade aflorar. No Carta Maior, Jari Maurício Maurício da Rocha, em "O plano de prender Lula poderia ter acabado em tragédia", detalha  passo a passo  os momentos de tensão que levaram à frustração do sequestro, a ponto de, por ordem do Coronel comandante da Polícia da Aeronáutica, que fez reunir centenas de comandados, levar 100 deles a cercar "o jatinho que levaria Lula".

Jânio de Freitas, na Folha, confirma-o em "O plano obscuro", aqui disponibilizado através do GGN Lula foi efetivamente sequestrado e somente não levado para Curitiba graças à reação de um coronel da Aeronáutica que comanda o aeroporto de Congonhas.

A coisa andou feia
O recuo da Polícia Federal  incluindo o do juiz Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato  caro leitor, não foi nada daquilo que eles mesmos anunciaram.

De nossa parte interpretamos a assunção da operação pelo juiz Sérgio Moro como uma forma de proteção para a Polícia Federal, uma vez que se tornou os quindins da mídia e dispõe de mais visibilidade favorável perante a opinião pública/publicada.

Foca no pedalinho
A Polícia Federal – capaz de atos significativos – ainda não se deu ao trabalho de se debruçar sobre aquela cocaína.

Dizem as más línguas – Duke entre elas – que anda ocupada demais com pedalinhos.

                                 

Da página do Henfil no Facebook


Na rede não faltou quem fizesse comparações.

"Este desenho foi feito por Henfil no início dos anos 80.

Substituindo os escândalos do segundo e terceiro quadro por ...

- Você está envolvido no Trensalão?

- Você está envolvido no mensalão mineiro?

- Você está envolvido no escândalo do HSBC?

- Você está envolvido na lista de Furnas?

- Você está envolvido na operação Zelotes?

- Você construiu aeroporto nas terras da sua família com dinheiro público?

A primeira acusação nem precisa atualizar.....parece mais atual do que nunca...450Kgs atuais!!"


De nossa parte não nos fica a dúvida de  poderíamos comparar o magistrado de Henfil com aquele outro do 'não vem ao caso'. 

Ao caro leitor: para MEDITAÇÃO um provérbio mexicano, que diz:

Tentaram nos enterrar,
mas não sabiam
que éramos sementes.

Os canhões de Amaralina
Não bastasse o conteúdo de violações cometidas no sequestro do ex-presidente Lula temos ainda a reconhecer o quão ridícula se portou a Polícia Federal (na pessoa de seus agentes presentes, naturalmente sob determinação superior) armados até os dentes, com fuzis semiautomáticos, alguns com o pente de balas na arma.

Fomos buscar no Heléboro (1974), livro de estreia de Ruy Espinheira Filho, o singular “Marinha”, onde faziam-se ainda presentes – destituídos de utilidade – os canhões em frente ao Quartel de Amaralina, em Salvador. 

Ruy Espinheira metaforiza em metonímias a natureza em todas as dimensões (brisa, mar, verde, coqueiros, recifes, ondas, nuvens etc.) e os artefatos de guerra.

Como hoje podemos perguntar: para que aquele aparato de mais de duas centenas de homens armados para sequestrar Lula?

MARINHA

Meus olhos testemunham
a invisibilidade das ondinas,
a lenta morte dos arrecifes
e os canhões de Amaralina.

Vou, a passo gnominado,
pisando a areia fina da praia.
Pombas sobrevoam
os canhões de Amaralina.

 Parece a vida estar completa
na paz que o azul ensina.
A brisa ilude a vigilância
dos canhões de Amaralina.

Nem a tua ausência, amor,
perturba esta alegria matutina
 onde só há o claro e o suave...
(E os canhões de Amaralina?)

Tudo está certo: mar, coqueiros,
aquela nuvem pequenina...
Mas – o que querem na paisagem
os canhões de Amaralina?

Leitura
A postagem de Noblat só nos permite uma conclusão: como o objetivo é a pura e simples extinção do PT, a derrubada da presidente Dilma Rousseff e a prisão de Lula, a Lava Jato estaria com os dias contados, assim que cumprida aquela  sua missão.

Afinal, com tantas delações citando tucanos e quejandos...

                            Se me deixarem solto viro Presidente  

Leitura
Considerando a 'angústia' e 'ansiedade de Noblat  sendo ele uma voz do sistema  razões não lhe faltam. Se a verdade não tarda, mas chega, sabe-o o porta-voz, que não tardará que uma dessas delações até agora não aproveitadas e lançadas nos escaninhos do esquecimento brotará das cinzas.

Quando, então, virão a público os fatos que se encontram postos sob a luz de eufemismos.

                              Mino magistral:  Moro não sabe nada da Mãos Limpas

A denúncia
Não fosse real o folhetim diríamos tratar-se apenas de mais uma dessas novelas que rolam na televisão brasileira. Mas a denúncia do Ministério Público de São  leia-se, subscrita por três de seus promotores  contra o ex-presidente Lula deixou no ar aquele cheiro de mofo e traça, natural a folhetins guardados no fundo baú de tão inúteis à leitura.

A peça  não afirmemos aqui, caro leitor, qual a interpretação a que se sujeita aqui a palavra peça  sofreu crítica de todos os lados. De juristas, de colegas, de juízes. Aplausos, mesmo, só da mídia.


Abusando da paciência
Não se tem conhecimento que, por intuição divina – ou mesmo a natureza que define a Divindade – da possibilidade de avaliar-se o desempenho e a cultura geral (incluindo a jurídica) de quem tenha sido aprovado em concurso. A experiência o afirmará.

A peça e as midiáticas explicações dos patetas do Ministério Público de São Paulo – cada um em busca de ‘um jornalista que seja seu’ – demonstra-o à saciedade.

É o resultado do abuso/estupro ao republicanismo que alimentou a autonomia do Ministério Público na Carta de 1988.

Do sublime ao ridículo I
O Procurador Vladimir Aras lembrou, na rede, da frase atribuída a Napoleão no imediato do desastre decorrente da campanha contra a Rússia, em 1812: “Do sublime ao ridículo, é só um passo”.

O pessoal de São Paulo – em busca de um jornalista que possa chamar de seu – nem alcançou o sublime. Nasceu no ridículo, e a peça por eles assinada já nasceu um fiasco.

        Miniatura

Do sublime ao ridículo II
O fiasco pode melhor ser compreendido a partir da afirmação do mesmo Vladimir Aras:

"Nunca vi nada igual. Todo mundo comete erros, mas não é possível tamanha inépcia e falta de técnica. O texto é imprestável a qualquer juízo."


Nada mais

Simplesmente um ato político e nada mais – afirma-o o jurista Dalmo de Abreu Dallari

Velório
E por falar em protesto cumpre-nos lembrar que São Paulo tem elegido tucanos há vinte anos.

Não fale na mesa em que um deles estiver de merenda, trens, metrô, água etc. etc. etc. 

Pode parecer alegria em velório ou conversa de corda em casa de enforcado.

               Miniatura 

Confirmando
A 'profecia' de Roberto Marinho  em nível de recomendação jornalística  volta a se confirmar nessas mobilizações; "Não quero preto nem desdentado no jornal nacional".

Para um país com  pelo menos meio a meio de brancos e pardos e pretos  estranha que na carioca Copacabana a turma do morro não tenha descido para o asfalto.

Em Salvador  maior concentração de negros do país por metro quadrado  o fato se escancara. 

Ações antidemocráticas
Reunião de sindicato no ABC paulista é invadida por prepostos da Polícia Militar de São Paulo. Sede da UNE é atacada. Também em São Paulo.

É assim que uns desejam a Democracia. Com aquele conhecido vigor que fez anteceder 1964.

O sonho se embalou no sequestro de Lula.



domingo, 6 de março de 2016

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Superioridade moral
Bem sabem todos os que por lá andam, embevecidos, tratados a pão-de-ló. Voltam ‘fechados’ com Tio Sam e não abrem. Se preciso entregam-se todos e tudo.

Trata-se de política de Estado dos EUA atuar para fortalecer os interesses dos seus sobre os demais. 

Observa Bruno Brasil pesquisando no Department of State:

“Uma das ideias mais arraigadas na sociedade norte-americana, à direita e à esquerda, é do excepcionalismo dos EUA. É muito recorrente o discurso de que os EUA são o único país indispensável no mundo, cuja presença é benigna a toda a humanidade (http://foreignpolicy.com/2011/10/11/the-myth-of-american-exceptionalism/). Imagino que esse programa sirva para propagar a outros povos essa noção de superioridade moral dos EUA e de seu modo de vida. Assim, naturalmente, o indivíduo que se convence disso tenderá a enxergar o mundo pelo prisma do establishment norte-americano e a aceitar não só como inevitável, mas também como necessários os objetivos da política externa dos EUA.”

Em sua pesquisa encontrou outras pérolas:

"Por meio de visitas de curta duração aos EUA, atuais e futuros líderes estrangeiros de variedade de temas vivenciam, em primeira mão, esse país e cultivam relacionamentos duradouros com seus congêneres norte-americanos. Encontros profissionais refletem os interesses profissionais dos participantes e dão apoio aos objetivos de política externa dos EUA.

Na seção IVLP Experience http://eca.state.gov/ivlp/ivlp-experience, fica claro o objetivo de intercâmbio cultural, de essas atuais e futuras lideranças conhecerem como funcionam os EUA, suas instituições, seus negócios, etc."

Alguma semelhança com o posicionamento de algum conhecido que por lá andou ou participou de intercâmbios não é mera coincidência.

A guerra
Em A mani pulite versão século XXI, no GGN, Aurélio Júnior destaca:

“As ações de Estado, mesmo a de multi-estados (tipo a UE - empresarial), não devem ser analisadas exclusivamente em seus aspectos primários, ou jurídicos, uma vez que qualquer Estado que tenha um claro objetivo, não de "partido ou ideológico", faz qualquer movimento para alcançá-lo, pois ser "protagonista", ser "decisivo", significa ocupar espaços de outros, e para tal feito ser realizado, atitudes heterodoxas são necessárias, e claro, o "outro lado" irá reagir, até cooptando nacionais (as vezes nem precisam ser pagos, basta convencê-los, "ética" em certos locais é moeda), inserções constantes na mídia (a própria aquisição de veículos é válida), aquisição de parcelas da economia nacional (visando solapar um possível futuro concorrente).

O mundo é assim, esta é a realidade apresentada, a luta diária dos que vivem este confronto, quem não gostar, filie-se a uma ONG, vá para Marte, ou preste concurso público para Procurador."

Difícil é explicar para Sérgio Moro e muitos dos procuradores e delegados da Polícia Federal a ele associados. Falta-lhes leituras e estudos para tanto.

O jogo
Enquanto se discute pedalinhos em Atibaia a realidade passa ao largo, a anos-luz da percepção. Temos afirmado neste espaço que nenhum – nenhum mesmo – juiz, procurador, delegado etc. etc. – é avaliado em concurso sobre História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Ciência Política, GEOPOLÍTICA. 

Esta – particularmente – faz parte das análises de militares e diplomatas, diretamente afetados por uma realidade que explica as relações de poder no mundo, modelo e forma como as nações se desenvolvem para ocupar espaço no planeta. Seja pelo viés comercial, seja-o pela guerra. Estratégia e logística estão no centro de decisões que se desenvolvem a partir da política de Estado posta por uma nação ou governo.

Por uma nação temos exemplos clássicos que vão de Roma aos Estados Unidos – pela História mais recente – onde para ocupar espaços para os seus a guerra se torna instrumento essencial, cabendo – em dimensão particular – uma estratégia e logística próprias.

Nações se desenvolvem montando indústrias, protegendo negócios que as atendam através de acordos comerciais. Ninguém o faz pelos lindos olhos do outro.

Compreenda o leitor o que está em jogo no Brasil!

Os Estados unidos – à guisa de exemplo – nunca admitiriam a entrega do pré-sal ao controle estrangeiro. 

Como não admitem os avanços da diplomacia brasileira de Lula para cá, que lhes negou – entre outras coisas – pleno acesso à Base de Alcântara-MA, assim como abriu frentes na autonomia na política aeroespacial aliando-se a China e a Ucrânia (antes que esta estivesse sob controle dos EUA), muito menos não disporem da tecnologia de processamento de urânio pelo Brasil, que alimentará a propulsão nuclear de submarinos construídos no país por empreiteiras brasileiras.

Vassalo(s)
Dispensa-nos análise do texto de J. Carlos deAssis – até porque sempre temos aventado nesse espaço a dimensão planetária em que o Brasil se vê envolvido no xadrez da geopolítica estadunidense – apenas recomendando-o ao leitor.

Cumpre reiterar que tais absurdos jurídico-processuais cometidos pelo juiz Sérgio Moro o autorizam – ao lado de procuradores da república e de delegados da Polícia Federal – a uma indicação ao prêmio vassalos de Washington.

Miniatura
A luta de vida e morte por que vivem os Estados Unidos diante da China como vocacionada à liderança mundial em tempo não tão distante exige que aqueles ocupem o quanto antes os espaços que guardavam para mais tarde (África), ou detinham sob pleno controle (Brasil neoliberal entre eles e o restante da América Latina).

A vitória estadunidense se consumará em 2018, caso um candidato nacionalista não vença as eleições.

No plano interno há – sem dúvida – outra vertente na luta pela sobrevivência. Começando pelos meios de comunicação que – não bastasse constituir-se concessão pública – viveram sempre pendurados como parasitas do poder público.

A serviço
Imaginar que o juiz Sérgio Moro é essa inteligência toda é zombar da realidade. Qualquer um pode vê-lo e senti-lo em suas limitações interrogando acusados. É figura limitada. 

Sua informação intelectual está vinculada a uma leitura da Operação Mãos Limpas em contexto inteiramente diverso e desprovida da análise histórica resultante. Quando escreveu sobre ela – como Narciso em busca do espelho – nem mesmo percebeu o estrago causado à Itália sem que a corrupção (agora por outros vieses) tivesse efetivamente sido extirpada.

Desconhecer Filosofia, Sociologia, História, Geografia, Economia Política ou Geopolítica não é privilégio dele. Todos os concurseiros hoje abastados pelas burras do Estado seguiram o mesmo trilhar. Têm dificuldade de interpretar uma bússola. Ele, Moro, é apenas um deles (aprovado em concurso aos 24 anos, recém saído dos cueiros da academia).

No entanto, quanto mais limitada a mente mais fácil de ser manobrada. Especialmente aquelas carentes de uma análise freudiana, em fase sublimativa. Joaquim Barbosa que o diga.

Aí a utilidade: servir ao senhor, inclusive a quem controle mamom. Sérgio Moro e a Lava Jato – em nível de utilidade para a nação – nada mais são do que uma insignificância, arvorado aquele de paladino da moralidade pública a serviço de interesses que não tem capacidade de entender, muito menos de interpretar.

Não se lhe cobre a discrição que se espera de um magistrado. Afinal – já o demonstrou – gosta de holofotes. A ponto de escancaradamente comparecer a premiações e homenagens de cunho ostensivamente político-partidário.

Resultado de imagem para foto ou pintura de carruagem na porta de um teatro francês
Serve ao papel que escolheram para ele. Que não lhe outorga nem mérito para setecentista premiação nos antecedentes da comedie française, quando o sucesso do espetáculo era medido pela quantidade de cocô deixado pelos cavalos que levavam seus senhores ao teatro, razão por que da utilização da expressão merde (que se pronuncia mérd) como aplauso.

A reconquista
Não se negue a competência estadunidense. Quando (brasileiros) nos imaginávamos ocupando espaço na geopolítica planetária descobrimos que fôramos solapados pelo império.

Jogam-nos numa ‘primavera’. Aqui – como lá – petróleo. Acrescido do enriquecimento de urânio que desenvolvemos e da ousadia de estarmos nos BRICS.

Contam com os de sempre.

Para reflexão
Vargas, morto, mudou o quadro; Lula... está vivo. Sendo motivado pela Lava Jato de Moro. 

Lembrando
Quando Getúlio Vargas deu um tiro no peito, em 24 de agosto de 1954, um clima (de golpe) semelhante ao deste março de 2016. 

Como naquele 1954 o sistema Globo à frente.

A população empastelou o jornal O Globo.
Miniatura

O pretendido
Alguém ainda não perguntou a razão por que de a Polícia Federal haver sequestrado Lula e o levado para depor no aeroporto de Congonhas.

Ninguém duvide de que tudo estava armado para levá-lo à presença – oh! gáudio – do juiz Sérgio Moro. Leia-se melhor: encarcerá-lo em Curitiba.

O blogueiro Esmael Moraes matou a charada. E a truncada decisão morina (para dupla interpretação/execução) explica-o.

Há referência de que havia em Curitiba uma apresentadora da Globo do Rio de Janeiro.

Tudo adredemente planejado/armado. Tanto que a imprensa 'amiga' já dispunha, desde 24 de fevereiro, da decisão determinativa de Moro, vazamento denunciado através do blog da Cidadania.

Veja a foto da sede da PF em São Paulo para entender que não passa de esfarrapada a desculpa de que o faziam por “segurança".                            
                              pf e lula

Bandeira de Melo
Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Melo, no GGN“é um ato que equivale a uma confissão de medo, de pavor” da elite brasileira ao assistir e torcer pela prisão de Lula.
E didatizou, partindo de observação da filósofa Marilena Chauí, que vê na classe média o aliado da imprensa tradicional do país: Lembrando a filósofa Marilena Chaui, Bandeira de Mello aponta a classe média como o principal aliado (peso) da imprensa tradicional do país. 
“Mas esse peso se restringe à chamada classe média, sobretudo a classe média alta, que é uma gente, eu diria, lamentável. A classe média alta é invejosa”, diz. “Não se satisfaz em estar bem. Ela quer que os outros estejam mal para se sentir superior.”
O que dói para essa gente é que um homem simples como Lula é recebido por reis e rainhas, homenageado por eles, por primeiros ministros, chefes de estado, presidentes. Como os outros não o são, eles ficam aborrecidos. Já pensou o sujeito que faz universidade, consegue título de mestre, de livre-docente, de titular, e vê que para o mundo ele vale muito menos do que um operário? É humilhante, não é? Eles se sentem humilhados com a presença do Lula. O Lula é uma humilhação viva para as pessoas que se acham grande coisa., acrescenta.

Ainda em sua avaliação ““Falta para esse juiz, Sérgio Moro, o elementar para um magistrado, que é o equilíbrio”.

Está explicado I
Nota Oficial do gabinete de Moro: “A pedido do Ministério Público Federal, este juiz autorizou a realização de buscas e apreensões e condução coercitiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento.”

Está explicado. Agradecemos pela confissão e assunção em torno das violações legais. 

Até porque não consta tal pedido na petição do MPF.

Está explicado II
Também explicado o vazamento costumeiro de tudo que ocorre na vara morina para atender ao patrão que lhe outorgou premiação.

Antecipando o Plantão.

          Miniatura 

Nem na ditadura
Marcelo Auler lembra que Juscelino Kubitschek foi escamoteado pelos militares, constantemente chamado a depor nos vários inquéritos instaurados contra ele por corrupção (nunca encontraram nada). NUNCA foi conduzido coercitivamente, ainda que o regime fosse de exceção.

Cassaram JK, mas nunca o conduziram. Respeitavam o ex-presidente. Lula, sem ser convidado foi levado/sequestrado.

Com FHC – no caso Cayman – foi ouvido em casa pela Polícia Federal. 

Sem explicação
Juristas vários se levantam contra a decisão do STF de admitir a prisão de quem ainda não esgotou os recursos de que dispõe.

Que dirão da condução coercitiva de quem nem mesmo foi intimado pela autoridade? 

Resumo perfeito
"O que parece é que esse juiz (Sergio Moro) queria era prender o Lula. Não teve a ousadia de fazê-lo e saiu pela tangente", disse José Gregori a BBC Brasil.

Disse tudo o ex-ministro de FHC. Resumo perfeito.

Mistério(?)
O mistério – fácil de desvendar – está expresso na montagem abaixo, a partir da delação de Nestor Cerveró.

                          Miniatura
Entregou-se
Depois de tudo que aconteceu a partir desta sexta-feira, véspera do domingo 13, só quem compactua e conluia com o juiz Sérgio Moro e sua Lava Jato não perceberá que a dita operação entregou seu objetivo: prender Lula e não punir corrupção.

Decididamente a Lava Jato ficou definitivamente comprometida.

Escapou do controle
MiniaturaNunca faltou competência ao tucanato paulista para encobrir escândalos. Como o governo FHC. Este tinha a mídia (Globo faturando os tubos) e um Procurador-Geral engavetador.

A merenda escapou do controle.

Resta descobrir o que aconteceu.

No tabuleiro
No enxadrismo mundial grandes partidas foram jogadas, grandes mestres as disputaram. “A imortal” (Adolf Anderssen x Lionel Kieseritzki), a “Sempre viva” (Adolf Anderssen x Jean Dufresne) marcam a história do milenar xadrez. (Os amantes do xadrez sabem do que estamos falando).

Neste momento, no Brasil o tabuleiro político está posto: Moro versus Lula.

Resta saber quem é mestre em seu campo.

Para não esquecer
Aquele Procurador dando entrevista depois do sequestro de Lula é o mesmo denunciado por Amaury Ribeiro Jr. e Osmar de Freitas Jr. na IstoÉ, em matéria simbolicamente titulada de “Raposa no galinheiro” e com o subtítulo “Procurador Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de sigilo de contas suspeitas”. 

MiniaturaO dito cujo, ora vestal da moralidade, simplesmente – integrante da comissão brasileira em busca de documentos nos Estados Unidos – mereceu, depois do constrangimento causado à delegação brasileira, a expressão de que “Foi insólito” por uma autoridade estadunidense.

Pano rápido: quem presidiu a apuração do escândalo do Banestado – que desviou mais de US$ 130 bilhões através de contas CC-5 no governo FHC, que as autorizara através de seu Banco Central – foi o mesmo Sérgio Moro. 

Pergunte-se a ele se há algum preso. Naturalmente que não, todos eram tucanos e pefelistas.

O fim como questão 
Há quem veja nas ações do juiz Sérgio Moro o fim do mundo para o Brasil e sua economia. 

Há – por outro lado – quem nelas veja o fim de Moro.

Ah! OAB, quem fostes no passado
Enquanto tudo ocorria a OAB em silêncio.
Não queremos abstrair o contexto em que foi dito, mas bastante coerente a fala do presidente nacional da OAB em relação à condução coercitiva de Lula e seu discurso de posse. Basta lê-lo (aquele discurso).

Não vejo qualquer problema em conduzir um cidadão para depor, seja ele o ex-presidente Lula ou qualquer outro. A Constituição Federal não exclui ninguém, somente aponta foro privilegiado para determinadas autoridades”

O ilustre não vê, como enxergar?

O baiano Luís Viana foi outro que se negou a exprimir uma opinião: “Posso conversar depois e dar alguma posição, mas, agora, a OAB-BA ainda não tem uma posição sobre a operação”.

Eleitor de Lamachia. Naturalmente.

Coercitividade
Em tempos da descoberta da condução coercitiva como algo tão banal (para Moro) como beber água há quem se sinta desperto à condução coercitiva para votar em Lula em 2018.

Não reconduzido
A não recondução de Márcio Fahel ao comando da Procuradoria-Geral do Estado pode levantar especulações. 

Incluindo a de que foi combativo contra uma administração petista em Itabuna.  Ou que tenha sido acordado para que tal acontecesse (a não-recondução).

Especulação
Não se trata aqui de análise política no seu sentido absoluto. Mas para demonstrar  especulativamente  que a sucessão municipal longe está de ser definida em nível de base do governo estadual.

Passa ao largo um fato, no instante de (re)arrumação da base aliada em nível estadual: Marcelo Nilo deixa o PDT e assume o PSL enquanto Félix Mendonça (PDT) negocia retorno à base.

Detalhe, em nível itabunense: o filho de Geraldo Simões foi candidato pelo PSL, em 2014, o pai apoiando-o em detrimento de companheiros.

Marcelo Nilo no PSL, por onde já anda Tiago Feitosa... Falta saber para que partido da base migrará Capitão Azevedo (a incógnita que pode decidir a eleição).

Insistindo Davidson na candidatura poderá – quem sabe? – surgir uma dobradinha Geraldo-Azevedo. Ou – outro quem sabe? – Azevedo-Tiago.

Um 'Samba do crioulo doido'... mas, samba.

Vereança em aberto
O prefeito Claudevane Leite bateu o martelo: Davidson Magalhães é o seu candidato. E todos devem acompanhá-lo ou deixar o governo (recado para quem ocupa cargos de confiança com ambições ao Firmino Alves).

Para quem sonhava com a unção somente restará tentar ser vice de alguém.

O que será difícil, depois que a cornucópia municipal que o alimentava sair de seu controle.

Vice de Davidson Magalhães, improducente.

Vereança em aberto, a saída.