domingo, 7 de maio de 2017

Tantas coisas

Alimento
Os pobres de espírito na contemporaneidade brasileira são todos os que somente leem o que lhes interessa. Em todos os sentidos. Ou seja, leio para afirmar uma fonte daquilo que já tenho pré-concebido. Em meio a isso desaparece qualquer possibilidade de abrir discussões de caráter crítico em relação a fatos com vistas a busca da verdade factual, a verdade em si.

No processo judicial sempre se presumiu a busca por essa verdade. Atuações recentes – em muito amparadas no espalhafato que as envolve – lançaram às calendas a busca pela verdade. Não se tratando da Divindade ou a Ela teologicamente parentada, não cabe à espécie a afirmação de Cristo no “Eu Sou a Verdade...” (João, 14:6). 

Que dizer em torno da Verdade buscada pela sociedade no punir o semelhante a partir de um julgamento? Na justiça dos homens a verdade precisa ser provada. Tanto que, presunção não faz verdade sem que provada. Presunção antecede, para que a prova seja materializada e reconhecida na conclusão, de caráter sentencial, dispositivo.

E nessa dimensão específica – a busca da verdade pela prova – não cabe métodos que ultrapassem os limites estabelecidos por lei. Fiquemos, aqui, com a lei brasileira. Porque no que diz respeito aos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário são rasgados no dia a dia, como ocorre – apenas para ilustrar – com a Convenção Americana de Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica, e suas garantias judiciais estatuídas no Art. 8º.

Parcela da população brasileira – o que demonstra o atraso a que estamos retornando – jacta-se com declarações de condenados sob a égide de delações acordadas, porque não mais premiadas tão somente. 

Depois de a Civilização haver ultrapassado a etapa do suplício corporal e das almas (onde tudo era cabível, da tortura física à mutilação etc. etc.) como meios de obtenção da verdade (onde a Inquisição celebrou aos píncaros tal absurdo) voltamos àquela fase, onde o encarcerado é levado a dizer o que o acusador quer sob pena de apodrecer nas masmorras.

Para não gastar o precioso tempo do leitor cabe-nos registrar: tudo para obter prova contra um acusado onde nenhuma prova factual foi encontrada em três anos de procedimentos investigativos e tudo o mais que seja possível instrumentalizar.

Já afirmamos neste espaço que das duas uma: ou o acusado é perfeito no que faz ou a investigação que o acomete é incompetente, ainda que disponha de toda a tecnologia moderna para obter a comprovação de suas alegações/convicções.

Ou, como diz Luiz Nassif: “Contando com os mais potentes instrumentos de investigação da história – a NSA, FBI e Departamento de Justiça na cooperação internacional, os bancos de dados do Banco Central, Receita, Coaf, as interceptações telefônicas e as delações premiadas – a equipe da Lava Jato não conseguiu levantar uma prova sequer contra Lula.

Nestes três anos o que não faltou mesmo foi manchete em revista, rádio, jornal e televisão condenando-o antecipadamente.  

O que alimenta os pobres de espírito.

Cutucada
O recuo de Moro em relação ao número de testemunhas arroladas pela defesa de Lula não deixa dúvidas de que temeu a alegação de cerceamento de defesa caso se utilizasse da faculdade que lhe é atribuída por lei de limitá-las; tentou constranger o arrolante e não deu certo. No segundo plano, de que errara ao promover a exigência.

Não bastasse a revogação de sua determinação, sponte propria, viu-se sucumbir por força de concessão de liminar em ordem de habeas corpus impetrado pela defesa de Lula.

Quem cutucou Moro não foi um desembargador, mas um juiz que exerce a função de substituto, que prolatou a decisão liminar, à qual remetemos o leitor através de Marcelo Auler

Nada falta
Se faltava alguma coisa nada mais falta. A Lava Jato, que dispõe até de uma agência de publicidade para assegurar-lhe a visibilidade que necessita, como meio de fazer-se respeitada e aplaudida, tem outdoors aqui espalhados em Curitiba para fortalecer a imagem dos catões da moralidade brasileira em viés parcial (falta indagar quem os paga!).

Juiz, procurador e delegado dependendo de propaganda é o fim do mundo. 

Ou falta de convicção.

Insatisfação ou insubordinação, eis a questão
Nem falemos em desrespeito. Está ele contido in re ipsa (na própria coisa) no conteúdo do texto levado a público e exaltado por muitos dos de sempre. Dos que encontram no Estado de Direito tão só o estado para o meu direito.

Imaginar um procurador, um promotor reagindo a uma decisão que não lhe agrade, quando tem-no – nos limites da competência funcional – através do recurso processual é o fim da picada. É escancarar a postura político-ideológica.

Agravada por fazê-lo contra decisão do Supremo Tribunal Federal. 

Retorno à senzala
Andou-se falando de retorno à escravidão, dentro das críticas às reformas trabalhistas postas em andamento pelo interino tornado presidente.

Não bastou o que está em andamento. Uma reforma trabalhista específica para o trabalhador rural se encontra no projeto. Foi deixado de lado o discurso e partiu-se para a consumação do inconcebível, incluindo integralidade da remuneração em moradia e alimentos.

A teor da proposta só falta exigir que a moradia seja coletiva, senzala, e os alimentos comprados no barracão da fazenda.

No fundo do imaginário dessa gente está explicado porque do ódio a Lula: botou essa gente da senzala/roça na Universidade! 

Retorno
Há coisas primorosas na proposta, como a dispensa de instalação de banheiros e sanitários para as empresas rurais se não superar o número de 20 empregados.

Mijar, só na rodinha e cagar, só no mato. Como nos tempos de antanho.

Segundo golpe
Maia, presidente da Câmara, desarquivou proposta de prorrogação de mandatos.

Ou o golpe dentro do golpe, como aconteceu com o AI-5. 

Para inviabilizar possível candidatura/eleição de Lula adia-se o mandato do interino tornado presidente e, naturalmente, governadores e senadores, sob o álibi da coincidência de mandatos.

A ditadura foi mais consentânea: adiou o dos prefeitos, para um mandato de 6 anos, para coincidir com o de presidente da república.

Não bate prego em estopa
José Dirceu é um símbolo. Gilmar Mendes, no STF, votou a favor de sua liberação. 

Caíram de pau em Mendes. Desconhecem que o ministro Gilmar Mendes não bate prego em estopa. Liberar Dirceu – símbolo da esquerda – é justificar suas ações/decisões futuras contra quem pretende apurar e processar seus amigos do PSDB e do PMDB.

Gente fina é outra coisa
Ah! Sabe o estimado leitor que o senador Aécio Neves andou depondo na Polícia Federal? Não? Natural!

Pelo tempo de duração do depoimento – uma hora – não deu nem para falar daquele helicóptero. 

A que ponto chegamos
A imagem veiculada mostra um cassetete sendo quebrado na cabeça do manifestante em Goiânia, nas mobilizações do dia 28 último.

Para a Folha não passava de “um homem trajado como policial militar”.

Quem foi afastado – sem meios termos – foi o capitão ... da Polícia Militar.

Fica-nos a certeza de que o jornalismo (informação) praticado por alguns órgãos de comunicação (como a Folha de São Paulo) não é sério.

Primeiro porque: considerando alguém vestido de policial cabia – a priori – a informação de que (até prova em contrário, por condescendência) se tratava de um policial.

Segundo: quem fotografou sabia. 

Dourar, nem aí!
Houvesse critérios crítico-dialéticos (redundante, que seja!) e um fato concreto seria manchete de página inteira em toda imprensa: por que o desastre tucano a partir de algumas delações?

O massacre por que passa o PT há, pelo menos, dez anos causou fraturas graves ao partido. Nenhuma dúvida.

No combate PT x PSDB o tucanato levou vantagem comparativa. Nenhum meio de informação(?) tradicional o acusava/acionava, ainda que próceres de sua seara estivessem sempre sob o crivo de denúncias (graves, algumas).

Mas tudo parecia (e ainda parece!) ter nascido e só a ocorrer em razão da existência do PT e dos governos petistas. 

Nada a ver com UDN, ARENA, PDS, PFL, DEM, PMDB moderado e quejandos outros que se alimentam das decanas mediocridades do pensamento ocidental, sob a glória da exacerbação liberal (neoliberal), beneficiários históricos dos desmandos quando estiveram no poder, salvo raras exceções.

Mas a nenhum partido político no Brasil, depois do PTB de Getúlio Vargas no imediato do suicídio, no curso do que se denominou udenismo como sinônimo de extrema-direita e entreguismo, se vê submetido a um massacre como o vive (ou sobrevive) o PT.

Nenhum proselitismo ao até aqui posto. Mesmo porque carecemos retomar a indagação inicial  do desastre tucano  respondendo-a.

No primeiro plano porque ocorre o que a sabedoria popular leciona: quem tem telhado de vidro não joga pedra no alheio. 

No segundo, porque o método cansou – não bastasse a fragilidade do catonismo tucano (somente defendido em plenitude pelos meios de comunicação que o servem e dele sempre se serviram).

No terceiro estágio, os reveses de uma política de governo que se exauriu – em essência e em instante – à qual aliaram-se.

No fundo, em tudo que está relacionado a Lava Jato – em sua dimensão político-eleitoral – está naquilo que a mesma sabedoria diz: mexeram e deu pra feder. Ou, jogaram m... no ventilador.

Que não escolhe lugar para atingir. Muito menos cara. Porque não pensa, como a mente dos colegas.

Na esteira da promessa não cumprida não há imprensa que desfaça a realidade.

Ainda que doure a pílula!

O beco
O controlador do beco está perdendo o controle, desde que passaram a existir as redes sociais.

Observa Nassif, a partir das mobilizações do dia 28: 

"Além disso, a mídia já havia sentido o desgaste de anos de jornalismo militante, de pós-verdade, de manipulação das informações. Nos últimos tempos, com dez anos de atraso, caiu a ficha que a única maneira de se diferenciar da miscelânea das redes sociais seria voltar a praticar um simulacro de jornalismo.

A recaída com a greve, porém, mostra que a síndrome do escorpião é invencível.

Entram em uma cilada complicada.

Se continuam a apostar no jogo da desinformação, aprofundarão o buraco em que se meteram. Se vacilam, há o fator Lula. E foi tão forte a radicalização política da mídia na última década, que a bandeira central da campanha de Lula certamente será o da regulação da mídia e do combate implacável à rede Globo.
Manter o jogo atual, portanto, é questão de sobrevivência para a Globo. O que significa que apostará todas suas fichas em Dória, ou em um pacto de ditadura com Bolsonaro ou abolindo as diretas. De qualquer modo, jogará todas suas fichas na condenação de Lula e sua inabilitação para 2018."

Desafio
Lula desafiou, no sentido de que toda a audiência em que será ouvido (incluindo todos os espaços e personagens) seja disponibilizada à rede/divulgação.

Foi posto, mas não será aceito. 

No escondidinho todo namoro sempre foi ideal. 

Imagine na busca por convicção!

Deu no GGN
"A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional divulgou nesta quinta (4) a lista de deputados federais e senadores em débito com a União, e também a relação de devedores que financiaram campanhas eleitorais de candidatos à Câmara e ao Senado. O órgão também informou que estas informações não são protegidas por sigilo fiscal e estão disponíveis para consulta pública.
Nesta semana, a Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) 766/17. Programa de Regularização Tributária (PRT), conhecido como Refis.  

A MP aprovada dá descontos de 99% em multas, juros e encargos da Dívida Ativa da União, e seu relator foi o deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB/MG), cujas empresas devem ao Estado mais de R$ 67 milhões, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz)."

Não precisa explicar!

Penas do tiê
Ainda que a letra não seja a íntegra do original (do compositor Hekel Tavares, editada em 1928), a interpretação de Maria Bethânia e Omara Portuondo (cubana) nos leva à beleza que melodia e versos encerram.

                       

domingo, 30 de abril de 2017

Ao leitor a conclusão



Não nos cabe aferir se a greve foi um sucesso ou não, se a maior da história do país ou não. Temos, como amostragem, uma Itabuna vazia.  Sem convocações e acompanhamento em tempo real da Globo e quejandos o que aconteceu teve origem na insatisfação que vai se internalizando na população.

Greve somente pode ser considerada como tal – em nível de sucesso – quando afeta a produção, paralisando o setor produtivo. Seja greve trabalhista ou política assim ocorre. Os efeitos, diversos, alcançam a categoria empresarial – que se sente pressionada a atender à demanda obreira para não acumular prejuízo – ou para impedir medidas oriundas das instituições políticas que sejam contrárias aos interesses da coletividade. 

Por caminho diferente do votar a cidadania é exercida e exercitada em tais instantes. E a greve é um deles.

Como observa Eugênio Aragão, ex-Ministro da Justiça (único acerto de Dilma na Pasta):

“Quando as instituições se omitem na defesa da democracia, devolve-se ao detentor da soberania popular – ao povo – o direito de resistir à arbitrariedade. Somos nós os verdadeiros e originários guardiões da Constituição!

Inegavelmente a greve de ontem foi política haja vista o universo de segmentos da produção industrial, intelectual ou de mobilização do ir e vir a ela integrados.

O professor Fábio Marlini, de Comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo analisou a rede, em seus prós e contras, e chegou à conclusão de que apenas 12% se posicionaram contra a mobilização, distribuídos na forma do gráfico abaixo.

Considerando o estudo, ainda que não seja levada em conta a dimensão física do movimento, na batalha da comunicação alguém parece haver ganho de goleada.

De uma forma ou de outra, analise o leitor a repercussão da mobilização como greve política nos próximos dias. Se obteve sucesso ou não.
                         

A outra batalha
A greve como tema de análise pode ser observada a partir da cotidiana batalha na comunicação. Esta compreendida entre o que divulga e propaga a mídia hegemônica e aquela que se expande através dos recursos contemporâneos, onde se destaca a rede. Como ponto de inflexão a realidade. Ou seja, o que foi dito – e por quem – corresponde ou não à verdade factual?

Para os que assistem a mídia hegemônica, e a acompanhou nas manifestações a partir de 2013, acentuadas no curso de 2015/2016 – como em outro instante da História, na campanha “Diretas Já”, quando também se esquivou a liderança maior, a Globo – não existia programa algum que envolvesse mobilizações e paralisações contra políticas do governo interino. Tanto que, o Jornal Nacional, na noite de 27 em nenhum instante de seus quase 40 minutos tocou no assunto. 

Ou seja, o carro-chefe da mídia ignorou inteiramente a mobilização e omitiu-se em sua função primordial: informar.

Desta forma, análise do DAPP, da Fundação Getúlio Vargas, publicada como Relatório de Análise Estratégica de Redes Sociais, refletiu a batalha entre a mídia hegemônica e a de blogs, via twiter.

Ao quanto demonstrado está fica-nos a imagem, veiculada no mesmo espaço do Conversa Afiada, de que a ‘informação’ foi inteiramente manipulada à conveniência do sistema, nos moldes postos na charge.

Saídas
Os dados de diferentes institutos de pesquisa de opinião sobre 2018 não deixam dúvida alguma: Lula se elege.

Diante disso, duas vertentes levamos ao raciocinar do leitor: 1. Quem faz Lula crescer, ainda que massacrado midiaticamente? 2. Haverá eleição?

À primeira, também nenhuma dúvida: a força tarefa comandada por Moro, sem encontrar provas concretas há três anos vai jogando no imaginário do povo de que Lula é vítima de perseguição. Afinal, se Moro já mandou prender tanta gente por que não prende Lula?

A segunda, nos leva a repetir algo que integra nossa conclusão há tempos: não é crível que tudo o que foi promovido, por via de um golpe parlamentar (pela ação) e judiciário (pela omissão) para colocar o interino tornado presidente, tendo por trás do decote do horizonte a entrega das riquezas do país aos sistemas capitalista e financeiro rentista venha admitir o retorno de Lula.

Uns querem o retorno dos militares (não tolerável pelos EUA, em razão de que a defesa de seus interesses dispõe de outros meios ‘institucionais’); 

Outros, a não-eleição de Lula. 

Que pode se materializar com: 1. prorrogação de mandatos (depois de afastado o interino e eleito um testa-de-ferro pelo Congresso); 2. com implantação do parlamentarismo.

Transitório
A ‘recomendação’ do Juiz Titular da 14ª Vara de Porto Alegre ao Presidente do Tribunal Superior do Trabalho constituiu-se numa bofetada com luvas nada de pelúcia, mas de couro tratado.

Basta as expressões que aqui destacamos: [...] “dirijo-me a V. Excelência para recomendar a paralisação das atividades [...] no dia 28 de abril [...].“ A reforma  legislativa proposta [...] penaliza os usuários da Justiça do Trabalho [...] tendo os advogados [...] se posicionado contra ela [...] assim como a imensa  maioria dos juízes do trabalho que V. Exa. deveria representar.”

[...] “Recomendo a V. Exa., ainda, que não dê sinalizações públicas de caráter político em desacordo com o que pensa a coletividade dos juízes do trabalho [...] e da instituição na qual exerce o transitório cargo de Presidente.”

A íntegra aqui, extraída do Conversa Afiada.
                                  
Seria assim com Lula?
Rodrigo Janot afastou o tucano Geraldo Alckmin da relação de investigados a partir das delações da Odebrecht, ainda que Luiz Bueno tenha dito, em delação, que transferiu recursos ilícitos para o caixa 2 na ordem de R$ 8,3 milhões ao ‘Santo’ que governa São Paulo, envolvendo as eleições de 2010 e 2014. 

Cautela
Da OAS – como tábua de salvação da imagem e da pretensão – arrancam desastrada delação de Léo Pinheiro, onde Lula esconderia recursos percebidos ilegalmente em apartamento que está em nome da própria OAS.

A Odebrecht em sua avalanche de delações trouxe tucanos gordos à ceia dos que se arvoram Catões da moralidade tupiniquim. Não bastasse a leva do PMDB que exercita o interinato. 

Com documentos e coisas tais.

Mas alguns são tratados com cautelas que chegam a espantar.

Marajanato
Não sabemos se é muito. Sabemos que comparada com o menor salário do brasileiro a distância é escandalosa.

Ganham acima do que percebem similares da Suécia, Alemanha, Portugal, Espanha e França, entre outros países.

Alguns superam US$ 20 mil dólares mensais.

O teto é R$ 33 mil reais.

Ah! Trata-se de parcela significativa de titulares do Ministério Público de São Paulo, conforme apurou a Folha de São Paulo.

                    

Inocente
Para os auditores que esmiuçaram a Petrobras Lula nada é do que dizem. Atenderam ao pedido de Sérgio Moro, que obteve a resposta abaixo.

Por essas e outras é que uma condenação de Lula somente sairá a fórceps, baseada em convicção alimentada em alguma delação combinada.
 

Atrasado
Não fora a extemporaneidade, Lula dizer que fará num próximo governo a democratização da mídia nos traz, ainda um outro fato: deixou de fazê-lo quando podia, e devia, mas encheu (como Dilma) as burras da Globo, apenas como exemplo. 

Cremos que conseguiu justificar toda a postura da mídia contra ele.

Em outras palavras: falou besteira.

Disputa inglória
Moro sobra no enfrentamento político. Está caindo no jogo armado por Lula. É o que analisa Helena Chagas, em OS Divergentes.

Estamos no começo
Tomamos conhecimento de que o Delagnol, que tem contra si uma ação ajuizada por Lula  em razão daquele famoso powerpoint onde inseriu o ex-presidente como “comandante máximo”  tem a Advocacia-Geral da União como seu defensor.

Uma festa! Postura funcional temerária, que implica em responsabilidade individual, passa a ser institucional. 

A ponto de a sua defesa ser paga com dinheiro de nós outros. Supimpa!

Agradecimentos
Completamos 71 anos sentindo-nos rejuvenescido. E mais ficamos com as tantas palavras de carinho recebidas, que nos levam a definir uma existência mais longa como o meio de saber se efetivamente realizamos alguma coisa válida. Nunca o sabemos olhando para nosso próprio umbigo. Só em instantes como os recentemente vividos.

Amigas e amigos de tantos e tantos anos, colegas da Escola Rui Barbosa, da Professora Carmelita Santana, em Itororó, de magistério, ex-alunos do Centro Educacional de Itororó, do Colégio Estadual de Itabuna, alunos da UESC.

Particularmente a sensibilidade nos chega e nos toca como varinha de condão para exigir a manutenção nos rumos construídos e postos em prática, onde a sinceridade pauta na cabeça da lista. 

Resta-nos agradecer, sensibilizado. A todos, um forte abraço e a doçura de Nara Leão, em Cuitelinho, de Bento Costa, recolhida por Paulo Vazolini, pescando nas águas do Pantanal. 

Porque quando "[...] os óio se enche d'água [...] até a vista se atrapaia".

domingo, 23 de abril de 2017

País de tristes figuras


Fato público e notório, amplamente divulgado pela Folha de São Paulo, em junho de 2016: “Léo Pinheiro não conseguia fechar o acordo de delação premiada porque havia poupado Lula das acusações."

E nos vem neste abril, às vésperas do Tiradentes, a delação de Léo Pinheiro – somente agora admitida, porque antes de nenhuma serventia por não incluir Lula em ilícitos – da qual fica uma lição basilar: o que não faz o constrangimento imposto pelo Estado de Exceção.

Quando a pena de Léo Pinheiro for reduzida tudo ficará mais claro.

Na ausência de provas contra Lula tentam encontrar uma convicção (que ainda lhes faltava) para condená-lo. Nascida de uma pressão criminosa contra um homem combalido pelo constrangimento a dizer o que o acusador precisa – ou quer – ouvir, sob a máxima ‘dize-me na forma que o quero ou apodrecerás na prisão.

A condenação que resta a Moro é a de – não tendo provas contra Lula – dizer que Lula fez desaparecer as provas contra si. Supimpa!

E não se culpe um grupo de violadores especificamente. A descrença de Léo Pinheiro – que o leva ao degradante resultado atual – nasce de um Judiciário que perdeu a razão de ser, desde o dia em que julgadores passaram a defender que uma operação conduzida sob critérios típicos de regimes de exceção justifica meios excepcionais. Ou seja: a exceção pela exceção, e tenho dito!

Miguel de Cervantes criou a personagem imortal de Dom Quixote, ‘o cavaleiro da triste figura’. 

Estamos concluindo o primor tupiniquim: “o país de tristes figuras”.

Desmoralização
Quando a documentação existente afirma ser da OAS a tal cobertura no Guarujá, inclusive arrolada judicialmente para garantir credores em pedido de recuperação da empresa; depois de tantas dezenas de testemunhas de acusação ouvidas onde nenhuma afirma qualquer ilação/insinuação que torne Lula agente do ilícito; ainda que a hoje testemunha tenha negado participação do ex-presidente, vem a imprensa antecipar o que resolveu falar em Juízo (Deus sabe sob que estado emocional – o tom de voz nas respostas bem o demonstra), ainda que detido em presídio, tudo está a demonstrar o estágio a que chegou determinado magistrado e sua singular prestação jurisdicional para coleta de provas.

Haja espontaneidade! 

Renúncia coletiva
De acordo com o antecipado (por Valor), o acordo será fechado com a Procuradoria Geral da União após a colaboração de Leo Pinheiro no processo do triplex.

A banca de advogados do empresário deve renunciar.

Faltou explicar por que. 

Nada escapa
Aqui se plantando tudo dá  disse-o Pero Vaz de Caminha. Ou, aqui em se querendo tudo se vende e tudo é mercadoria. Como registra Jeferson Miola, no GGN:

“O depoimento de Emílio Odebrecht evidencia a hipocrisia da mídia, sobretudo da Globo, que dissimula indignação com os procedimentos conhecidos há pelo menos 30 anos. Assim, a mídia constrói a falsa narrativa de que a corrupção no Brasil nasceu nos governos petistas [sic]. O patriarca da empreiteira explicou, contudo, que a promiscuidade da empreiteira com o Estado advém da época do seu pai, Norberto Odebrecht, que fundou o conglomerado em 1944.

A dinheirama da Odebrecht que irrigou o sistema político brasileiro só nos últimos 10 anos atingiu a cifra assombrosa de US$ 3,3 bilhões [R$ 10,6 bilhões], valor superior ao PIB de mais de 40 países. Isso expressa o poder de dominação do capital sobre a política; esclarece como o capital deforma a democracia. O dinheiro é um poder que frauda a soberania popular e corrompe a política para orientar, a partir do controle do Estado, a concretização dos seus interesses e negócios.”

Na mesma esteira Aldo Fornazieri:

“[...] delações revelaram, em termos políticos, é que quase tudo está a venda e quase todos se vendem. Vendem-se medidas provisórias, licitações, leis, tempos de TV, alianças eleitorais, perguntas em debates presidenciais, notícias, fim de greves, impeachments etc. E se vendem o pastor, o sindicalista, o índio, a polícia, o delegado, o prefeito, o deputado, o governador, o senador, o presidente, o juiz. Vende-se a soberania popular e a democracia.

[...] No vasto balcão da corrupção brasileira, a saúde, a cultura, a educação, as creches, os direitos, a ciência e a tecnologia esvaem-se nos imensos recursos que empresas entesouram pelas valas medonhas da privatização da res publica.”

Ainda que não se deva generalizar (e não o pretendemos) o sistema, em seus tentáculos, está viciado em suas origens. Do cidadão que vende o voto ao servidor público ou funcionário privado que contribui com aquele jeitinho, do médico ao empresário, todos os componentes de raças da classe dominante, por suas diferentes elites, das socialites aos falsos jornalistas e os não pouco corruptos meios de comunicação, nada fica de fora. 

Afastá-los é apenas a hipocrisia maniqueísta de ver nos outros o centro de todos os males enquanto os que causo pairam acima da ordem, das leis, da Moral.

No fundo, vivemos a plenitude da apropriação do Estado Democrático de Direito pelo capital, que se tornou um estado paralelo, como observa Jeferson Miola.

Nada escapa à sanha criminosa.

O grosso da patranha
Caso a cruzada contra a corrupção tenha os valores($) roubados como paradigma a hora chegou de alcançar alguns ‘privilegiados’.

Não que se não deva esperar punição a ilícitos cometidos por Lula, por menores que sejam – mesmo o de não possuir um apartamento que nunca foi dele, mas que serve de base para uma condenação com base em convicções” – mas não custa comparar com algumas quantias citadas pela Odebrecht em relação a Alckmin, Marcondes Perillo e Beto Richa, mesmo deixando de lado José Serra, Aécio Neves etc. etc. 

São R$ 180 milhões envolvendo campanhas somente dos governadores tucanos acima...  alimentados pela Odebrecht. 

Sem dispensar todos os demais partidos, sem esquecer aqueles US$ 40 milhões (de DÓLARES) capitaneados pelo interino tornado presidente para o seu PMDB.

Aguardando as provas
Há muito evitamos comentar em público (conversas) fatos relacionados a Lula, sob o crivo da lei como premissa da prestação jurisdicional. Ou seja, emitir raciocínio como advogado.

Por aquilo que nos chega, não sabemos se na atualidade alguém no planeta Terra sofre um massacre em nível de lawfare como o ex-presidente.

O que está por acontecer confirmará o porquê – ainda que advogado – deixamos de acreditar na Justiça a cargo de alguns agentes do Judiciário.

Preferimos copiar Assis Ribeiro, do GGN:

“O massacre diário de Lula na imprensa visa municiar o Ministério Público a criar a sua verdade, mesmo sem fatos suficientes para fundamentar minimamente uma denúncia, e com isso influenciar a sociedade a aceitar ilações como verdades e blindar o juiz para a suas decisões antidemocráticas, injustas e ilegais.

Até que – com provas, e não ‘convicções’ – nos provem o contrário Lula é inocente. 

O butim
O jogo se sustenta porque o tabuleiro fica nas costas do povo. Caso o povo se levante acabará o jogo? Ou, tem como o povo se levantar? 

Correm para aniquilar conquistas dos trabalhadores, para violentar o sistema previdenciário e de seguridade social.

Eis o busílis: o povo. Que contra ele é usado o aparato policial... pago por ele (povo).

Jânio
Ridículo em sua mesquinhez, prepotência, pequenez humana, egoísmo funcional etc. etc. registra Jânio de Freitas, na Folha:

"O juiz Sergio Moro ofereceu mais uma demonstração de como concebe o seu poder e o próprio Judiciário. Palavras suas, na exigência escrita de que Lula compareça às audiências das 87 testemunhas propostas por sua defesa:

'Já que este julgador terá que ouvir 87 testemunhas da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva (...), fica consignado que será exigida a presença do acusado Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências na quais serão ouvidas as testemunhas arroladas por sua defesa, a fim de prevenir a insistência na oitiva de testemunhas irrelevantes, impertinentes ou que poderiam ser substituídas, sem prejuízo, por provas emprestadas'. É a vindita explicitada.

Um ato estritamente pessoal. De raiva, de prepotência. É uma atitude miúda, rasteira. Incompatível com a missão de juiz. De um "julgador", como Moro se define.

O Judiciário não é lugar para mesquinhez."

De nossa parte registramos: à procura de uma mísera prova contra o ex-presidente ouviu 73 testemunhas de acusação. 

E – certamente porque ganha pouco – se sente ‘achacado’ em cumprir o seu dever funcional: ouvir as testemunhas arroladas pela defesa de Lula.

Gargalhada
Quando João Alves de Almeida, um quase eterno presidente da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional, flagrado em corrupção, depondo perante a comissão de Ética que veio a recomendar a sua cassação, respondeu sobre o porquê ganhara muitas vezes na Loteria e saiu-se com o antológico “Deus me ajudou muito”, a gargalhada foi geral.

Daquele escândalo, em 1993, nasceu uma CPI, a das Empreiteiras, que nunca deu em nada.

Os atores (empreiteiras) continuaram fazendo o de sempre. E – sem aliviá-las – a classe política permanecendo como única culpada.

E a gargalhada continua.

Para rir
A lista de apelidos de políticos do Senado (apenas do Senado) na relação de trambiques da Odebrecht.

Aécio Neves (PSDB-MG) - Mineirinho
Antônio Anastasia (PSDB-MG) - Dengo
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) - Prosador
Ciro Nogueira (PP-PI) - ​Cerrado​
Dalírio José Beber (PSDB-SC) - Conquistador
Edison Lobão (PMDB-PA) - Esquálido
Eduardo Braga (PMDB-AM) - Caderudo
Eunício Oliveira (PMDB-CE) - Índio
Fernando Collor de Mello (PTC-AL) - Roxinho
Ivo Cassol (PP-RO) - Massaranduba
Jorge Viana (PT-AC) - Menino da Floresta
José Agripino Maia (DEM-RN) - ​Gripado​
José Serra (PSDB-SP) - Vizinho / Careca
Omar Aziz (PSD-AM) - Ganso
Renan Calheiros (PMDB-AL) - Justiça
Ricardo Ferraço (PSDB-ES) -​ Duro​
Romero Jucá (PMDB-RR) - Caju
Valdir Raupp (PMDB - RO) - ​Alemão​
Saída
Desemprego em alta, expectativa de crescimento em baixa. 

Busca-se uma luz no fim de um túnel que não surge.

De queda em queda não há saída: só resta explodir o povo.

Eliana Calmon
A entrevista concedida causou lacunas profundas à credibilidade e à seriedade da ex-Ministra Eliana Calmon. Mormente ao dizer – ela que parecia o terror para muitos enquanto corregedora – que viu mas não coibiu exageros da Polícia Federal em relação a vazamentos para a mídia

Na lama
Na lama, ops!, na lona!

Iniciativa do PSOL junto ao STF pretende que o interino tornado presidente seja investigado. 

Juristas são claros: não pode ser acusado, mas investigado, sim.

Aguardemos a solução (salomônica) do STF e veremos o caminho que a turma pretende dar ao arrecadador mor do PMDB.

Didaticamente objetivo
Não pelo fato de se originar de um dos advogados de Lula, mas em razão do conteúdo da refutação (aqui) a Merval Pereira, de O Globo. 

Intervenção
Crise na Venezuela somente acabará com eleições livres, diz o interino tornado presidente. E a do Brasil?

Até porque – em nível de método – o golpe em andamento por lá – desenvolvido desde 2002 – é o mesmo consolidado aqui. Que deu no que deu.

Não bastasse, ‘sua excelência’ (com letra minúscula mesmo) ao fazer tal declaração promove indevida intervenção em assuntos internos de outro país, postura incompatível para um chefe (?) de Estado.

Francisco, o único
Com todas as letras confirma: não virá ao Brasil. E diz por que (ainda que utilize como álibi a agenda): 

“Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao Papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo  (…) Porém, não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”, acrescentou. Inflação: Por que os pobres sofrem mais?

Mas Bessinha tem outra interpretação.
.
Circula na rede
A recusa do papa Francisco em vir ao Brasil do interino tornado presidente pode levar a uma saída: condução coercitiva.

É só falar...

Igreja Viva