Cidadania
A França, já no início do ano escolar de 2013-14 - por lá iniciado entre setembro-outubro, como o programar a instituição - encontrou promulgada uma Carta da Laicidade, onde reafirmado o primado da igualdade e da fraternidade como valores a serem assegurados nas escolas, decorrência natural de um Estado que viva plenamente a liberdade.
"O laicismo garante a liberdade de consciência. Cada qual é livre para crer ou não crer" - diz o terceiro mandamento ali estabelecido. "O laicismo permite o exercício da cidadania, conciliando a liberdade de cada um com a igualdade e a fraternidade" - declina o quarto.
A pátria da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão embute na Carta da Laicidade o respeito à consciência como primado de sua universalidade.
Muitos entenderão como afronta ao direito de ter uma religião e ao homem, portador deste direito, de fazê-lo presente onde esteja. No entanto, clara é a proposta: "A Carta do Laicismo assegura também a liberdade de expressão dos alunos" - está no oitavo mandamento.
Esta, certamente, a mais importante dimensão posta: a liberdade de expressão dos estudantes, o que não há de ser confundido com liberalidade ou licenciosidade. Tão somente assegurar-lhes que a escola "ofereça aos alunos as condições para forjar sua personalidade" e os proteger "de todo proselitismo e toda pressão que os impeça de fazer sua livre escolha" - sexto mandamento.
A pedido da Comissão Estadual da Verdade do Estado do Rio de Janeiro a Escola Costa e Silva teve seu nome mudado, desde ontem, para Escola Senador Abdias Nascimento.
Na Bahia o Colégio Estadual Emílio Garrastazu Médice, em Salvador, se mobilizou através de seus alunos e conseguiu ver reconhecida em votação - depois de amplo debate - o direito de mudar o nome da instituição, que passa ser chamada Colégio Estadual Carlos Marighella.
Entre uma e outra iniciativa brasileira vemos de maior peso e consonância com a Carta da Laicidade dos franceses a do atual Colégio Estadual Carlos Marighella.
Não somente por ter produzido o debate e a forçar a mudança a partir do voto. Mas por haver enfrentado essa "religião" onde muitos querem tornar os que integraram a ditadura militar beatos da liberdade, a ponto de reconhecê-los investidos do poder natural à defesa de dogmas de Fé e como senhores da Verdade defendida por 'Torquemadas' promover o extermínio dos que lhes faziam oposição.
Mesmo que ainda tenhamos legitimada uma Lei de Anistia (que também beneficia assassinos e torturadores) e um ministro do Supremo Tribunal Federal que nela viu "um mal necessário".
Bem melhor que se construa a cidadania com o exercício do direito de escolha.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Tradição
Em queda
Da BBC News em Paris, nos chega através do Luiz Nassif OnLine no www.advivo.com.br a informação de que a França começa a refletir sobre algo que entende grave, porque vinculado às suas raízes: o consumo de vinho está em queda.
Os estudos sinalizam para o fato de que nas três últimas décadas os francesas saíram de um patamar de 51% de adultos que consumiam diariamente o néctar dos deuses (em 1980) para 17% na atualidade. Com o agravante de que hoje a proporção de franceses que nunca bebem vinho dobrou no mesmo período, alcançando os 38%.
Os dados são do FranceAgriMer, órgão que supervisiona as políticas do Ministério de Agricultura e Pesca e remetem à possibilidade de que aquela gente, por demais exigente (para não dizermos intransigente) na defesa de seus valores e tradições, esteja a perdê-los, o que pode configurar uma ferida aberta na identidade nacional.
Pelo menos, essas as preocupações imediatas. De nossa parte, queremos entender que, naturalmente, quem mais se ressente não é a cultura de França mas a indústria vinícola.
Essa a leitura que fazemos, a partir de dados contidos na matéria: em 1965 o consumo per capita estava em 160 litros/ano, decrescendo para os atuais 57 e despencará para 30 nos próximos anos.
Como elemento da identidade cultural o consumo de vinho deixou os ambientes frequentados pela nobreza e o clero em torno da monarquia com a Revolução de 1789, que o estendeu ao povo, retirando dele a imagem aristocrática e, inegavelmente, impulsionou a economia francesa nos séculos seguintes.
Não neguemos que, sob este aspecto, contribuiu para a afirmação do movimento na construção do imaginário popular de uma autoestima amparada na igualdade, como ideal revolucionário, ao lado da liberdade e da fraternidade.
Da BBC News em Paris, nos chega através do Luiz Nassif OnLine no www.advivo.com.br a informação de que a França começa a refletir sobre algo que entende grave, porque vinculado às suas raízes: o consumo de vinho está em queda.
Os estudos sinalizam para o fato de que nas três últimas décadas os francesas saíram de um patamar de 51% de adultos que consumiam diariamente o néctar dos deuses (em 1980) para 17% na atualidade. Com o agravante de que hoje a proporção de franceses que nunca bebem vinho dobrou no mesmo período, alcançando os 38%.
Os dados são do FranceAgriMer, órgão que supervisiona as políticas do Ministério de Agricultura e Pesca e remetem à possibilidade de que aquela gente, por demais exigente (para não dizermos intransigente) na defesa de seus valores e tradições, esteja a perdê-los, o que pode configurar uma ferida aberta na identidade nacional.
Pelo menos, essas as preocupações imediatas. De nossa parte, queremos entender que, naturalmente, quem mais se ressente não é a cultura de França mas a indústria vinícola.
Essa a leitura que fazemos, a partir de dados contidos na matéria: em 1965 o consumo per capita estava em 160 litros/ano, decrescendo para os atuais 57 e despencará para 30 nos próximos anos.
Como elemento da identidade cultural o consumo de vinho deixou os ambientes frequentados pela nobreza e o clero em torno da monarquia com a Revolução de 1789, que o estendeu ao povo, retirando dele a imagem aristocrática e, inegavelmente, impulsionou a economia francesa nos séculos seguintes.
Não neguemos que, sob este aspecto, contribuiu para a afirmação do movimento na construção do imaginário popular de uma autoestima amparada na igualdade, como ideal revolucionário, ao lado da liberdade e da fraternidade.
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