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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um país

Pouco conhecido

POR QUE O BRASIL É O PAÍS DAS OPORTUNIDADES


Por Luiz Inácio Lula da Silva

Passados cinco anos do início da crise global, o mundo ainda enfrenta suas consequências, mas já se prepara para um novo ciclo de crescimento. As atenções estão voltadas para mercados emergentes como o Brasil. Nosso modelo de desenvolvimento com inclusão social atraiu e continua atraindo investidores de toda parte. É hora de mostrar as grandes oportunidades que o país oferece, num quadro de estabilidade que poucos podem apresentar.

Nos últimos 11 anos, o Brasil deu um grande salto econômico e social. O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto. Hoje somos grandes produtores de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; líderes mundiais em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Reduzimos a inflação, de 12,5% em 2002 para 5,9%, e continuamos trabalhando para trazê-la ao centro da meta. Há dez anos consecutivos a inflação está controlada nas margens estabelecidas, num ambiente de crescimento da economia, do consumo e do emprego. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%. As despesas com pessoal, juros da dívida e financiamento da previdência caíram em relação ao PIB.

Colocamos os mais pobres no centro das políticas econômicas, dinamizando o mercado e reduzindo a desigualdade. Criamos 21 milhões de empregos; 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

Quantos países conseguiram tanto, em tão pouco tempo, com democracia plena e instituições estáveis?

A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses. Não é por outra razão que as contas do país e as ações do governo tornaram-se objeto de avaliações cada vez mais rigorosas e, em certos casos, claramente especulativas. Mas um país robusto não se intimida com as críticas; aprende com elas.

A dívida pública bruta, por exemplo, ganhou relevância nessas análises. Mas em quantos países a dívida bruta se mantém estável em relação ao PIB, com perfil adequado de vencimentos, como ocorre no Brasil? Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2,58%, o melhor desempenho entre as grandes economias. E o governo da presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

Acumulamos US$ 376 bilhões em reservas: dez vezes mais do que em 2002 e dez vezes maiores que a dívida de curto prazo. Que outro grande país, além da China, tem reservas superiores a 18 meses de importações? Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas, ajustando o câmbio sem artifícios e sem turbulência. Esse ajuste, que é necessário, contribui para fortalecer nosso setor produtivo e vai melhorar o desempenho das contas externas.

O Brasil tem um sistema financeiro sólido e expandiu a oferta de crédito com medidas prudenciais para ampliar a segurança dos empréstimos e o universo de tomadores. Em 11 anos o crédito passou de R$ 380 bilhões para R$ 2,7 trilhões; ou seja, de 24% para 56,5% do PIB. Quantos países fizeram expansão dessa ordem reduzindo a inadimplência?

O investimento do setor público passou de 2,6% do PIB para 4,4%. A taxa de investimento no país cresceu em média 5,7% ao ano. Os depósitos em poupança crescem há 22 meses. É preciso fazer mais: simplificar e desburocratizar a estrutura fiscal, aumentar a competitividade da economia, continuar reduzindo aportes aos bancos públicos, aprofundar a inclusão social que está na base do crescimento. Mas não se pode duvidar de um país que fez tanto em apenas 11 anos.

Que país duplicou a safra e tornou-se uma das economias agrícolas mais modernas e dinâmicas do mundo? Que país duplicou sua produção de veículos? Que país reergueu do zero uma indústria naval que emprega 78 mil pessoas e já é a terceira maior do mundo?

Que país ampliou a capacidade instalada de eletricidade de 80 mil para 126 mil MW, e constrói três das maiores hidrelétricas do mundo? Levou eletricidade a 15 milhões de pessoas no campo? Contratou a construção de 3 milhões de moradias populares e já entregou a metade?

Qual o país no mundo, segundo a OCDE, que mais aumentou o investimento em educação? Que triplicou o orçamento federal do setor; ampliou e financiou o acesso ao ensino superior, com o Prouni, o FIES e as cotas, e duplicou para 7 milhões as matrículas nas universidades? Que levou 60 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo? Abrimos mais escolas técnicas em 11 anos do que se fez em todo o Século XX. O Pronatec qualificou mais de 5 milhões de trabalhadores. Destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

E que país é apontado pela ONU e outros organismos internacionais como exemplo de combate à desigualdade?

O Brasil e outros países poderiam ter alcançado mais, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global, que se mantém estagnado. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do Fed. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil está entre os oito países do G-20 que tiveram crescimento do PIB maior que 2% em 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo destruía 62 milhões de empregos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil criava 10,5 milhões de empregos. O desemprego é o menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Que país atravessou a pior crise de todos os tempos promovendo o pleno emprego e aumentando a renda da população?

Cometemos erros, naturalmente, mas a boa notícia é que os reconhecemos e trabalhamos para corrigi-los. O governo ouviu, por exemplo, as críticas ao modelo de concessões e o tornou mais equilibrado. Resultado: concedemos 4,2 mil quilômetros de rodovias com deságio muito acima do esperado. Houve sucesso nos leilões de petróleo, de seis aeroportos e de 2.100 quilômetros de linhas de transmissão de energia.

O Brasil tem um programa de logística de R$ 305 bilhões. A Petrobras investe US$ 236 bilhões para dobrar a produção até 2020, o que vai nos colocar entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. Quantos países oferecem oportunidades como estas?

A classe média brasileira, que consumiu R$ 1,17 trilhão em 2013, de acordo com a Serasa/Data Popular, continuará crescendo. Quantos países têm mercado consumidor em expansão tão vigorosa?

Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas. O povo brasileiro está construindo uma nova era – uma era de oportunidades. Quem continuar acreditando e investindo no Brasil vai ganhar ainda mais e vai crescer junto com o nosso país.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente da República e presidente de honra do PT
________
Da redação do blog:
Este é o país vivido e, ao que parece, pouco conhecido. Difícil para as gerações que se aproximam dos 28 anos dimensionar, em nível de comparação. entre o antes e o depois.
Com certeza não é o país que a televisão aberta mostra. Mas o Brasil que pode ser sentido. E reconhecido.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Não só a oposição

Também o povo
A presidente Dilma Rousseff lançou desafio mortal à oposição por via indireta. Dirigindo-se ao povo brasileiro neste domingo perguntou se nossa vida melhorou. Poderia mais ainda provocar: como o era há dez anos, há cinco...

Para a Presidente estamos “Construindo a base para que a expressão ‘melhorar de vida’ deixe de ser, em um futuro próximo, um sonho parcialmente realizado, torne-se a realidade plena e inegável da vida de cada brasileiro e de cada brasileira.

E tocou no âmago de quem permanentemente sonha e tem esperança: “É para isso que você pega duro no batente todos os dias”.

Como desafio à oposição deixa-a encurralada para trabalhar pelo quanto pior melhor, única forma de ver reação no resultado eleitoral a partir da construção de uma memória recente para fins imediatos. Coisa do nível – já programado, desejado e divulgado – do que ocorreu em junho 2013.

Na outra vertente – ainda no plano de desafio – deixa aos adversários o discurso da proposta de melhorar o que existe. Outra encurralada. Afinal, entre aventurar acreditando nas promessas e permanecer com o que vê e dispõe tende o eleitor a ser conservador.

Isso já demonstrou em outros instantes. Inclusive reelegendo Fernando Henrique Cardoso que acabava de enterrar o Brasil e evitara mostrar – até que passasse a eleição – o atestado de óbito escrito com a imediata desvalorização do real, sob o qual se elegera.

Eis onde pecará a oposição: imaginar que somente ela é conservadora. O povo também o é. Pragmaticamente.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Construindo

Cidadania
A França, já no início do ano escolar de 2013-14 - por lá iniciado entre setembro-outubro, como o programar a instituição - encontrou promulgada uma Carta da Laicidade, onde reafirmado o primado da igualdade e da fraternidade como valores a serem assegurados nas escolas, decorrência natural de um Estado que viva plenamente a liberdade.

"O laicismo garante a liberdade de consciência. Cada qual é livre para crer ou não crer" - diz o terceiro mandamento ali estabelecido. "O laicismo permite o exercício da cidadania, conciliando a liberdade de cada um com a igualdade e a fraternidade" - declina o quarto.

A pátria da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão embute na Carta da Laicidade o respeito à consciência como primado de sua universalidade.

Muitos entenderão como afronta ao direito de ter uma religião e ao homem, portador deste direito, de fazê-lo presente onde esteja. No entanto, clara é a proposta: "A Carta do Laicismo assegura também a liberdade de expressão dos alunos" - está no oitavo mandamento.

Esta, certamente, a mais importante dimensão posta: a liberdade de expressão dos estudantes, o que não há de ser confundido com liberalidade ou licenciosidade. Tão somente assegurar-lhes que a escola "ofereça aos alunos as condições para forjar sua personalidade" e os proteger "de todo proselitismo e toda pressão que os impeça de fazer sua livre escolha" - sexto mandamento.

A pedido da Comissão Estadual da Verdade do Estado do Rio de Janeiro a Escola Costa e Silva teve seu nome mudado, desde ontem, para Escola Senador Abdias Nascimento.

Na Bahia o Colégio Estadual Emílio Garrastazu Médice, em Salvador, se mobilizou através de seus alunos e conseguiu ver reconhecida em votação - depois de amplo debate - o direito de mudar o nome da instituição, que passa ser chamada Colégio Estadual Carlos Marighella.

Entre uma e outra iniciativa brasileira vemos de maior peso e consonância com a Carta da Laicidade dos franceses a do atual Colégio Estadual Carlos Marighella.

Não somente por ter produzido o debate e a forçar a mudança a partir do voto. Mas por haver enfrentado essa "religião" onde muitos querem tornar os que integraram a ditadura militar beatos da liberdade, a ponto de reconhecê-los investidos do poder natural à defesa de dogmas de Fé e como senhores da Verdade defendida por 'Torquemadas' promover o extermínio dos que lhes faziam oposição.

Mesmo que ainda tenhamos legitimada uma Lei de Anistia (que também beneficia assassinos e torturadores) e um ministro do Supremo Tribunal Federal que nela viu "um mal necessário".

Bem melhor que se construa a cidadania com o exercício do direito de escolha.



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Imagem

Arranhada
A lamentável atitude de alguns profissionais da Medicina, que se entendem o máximo por serem brasileiros, não depõe a favor do respeito e do reconhecimento que a categoria merece pela importância de sua existência. 

O comportamento xenófobo, acentuado mais em relação aos médicos cubanos - mais em vertente racista - escancara a imagem do país (não somente da minoria que protesta), pelo nonsense e descompasso com a realidade.

Mais que a imagem do Brasil esvai-se pelo ralo, no imaginário da população carente, a imagem do próprio médico e da Medicina.

Uma tristeza!

Não são estrangeiros
Atribui-se à imperícia a morte de bebês em maternidade itabunense. Um deles logo depois de ter o bracinho fraturado no ato médico de trazê-lo à vida.

Saiba o leitor que não foi nenhum médico estrangeiro. Ou cubano em particular. Tampouco profissional que integra o Programa Mais Médicos, do Governo Federal.

Como também não, o que cobrava de pacientes quando deveria atendê-los gratuitamente.

Depoimento
O que temos dito nestes últimos dias está quase tudo relatado no depoimento abaixo, que circula no YouTube http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=HjjmphNNhMk#t=102



sábado, 25 de maio de 2013

Lição

De constitucionalista
Falando durante o 13º Congresso Brasileiro de Direito do Estado, em Salvador, nesta sexta-feira 24, o recém indicado ministro para o STF, Luís Roberto Barroso, traduziu uma lição clássica:

"Penso que deve ser a regra geral na democracia: decisão política tem que tomar quem tem voto e, portanto, o Judiciário deve ser deferente para com as escolhas feitas pelo legislador e para com as escolhas feitas pela administração. A menos que - e aí sim, se legitima a intervenção do Judiciário - as escolhas violem frontalmente a Constituição, algum direito fundamental, as regras do jogo democrático. Aí sim, por exceção e não por regra, o Judiciário pode e deve intervir".

Traduziu, tão somente o óbvio ululante: "Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição" (Parágrafo único do art. 1º da Constituição Federal). Cabe ao Pode Judiciário proteger o que nela está estabelecido, não violá-la, como o desejam alguns pares do futuro ministro.

Pelo que se sabe - e não precisa ser constitucionalista ou ministro do Supremo Federal - juiz e ministro de tribunal não é eleito. É indicado e nomeado pelo Poder Executivo depois de aprovado o seu nome pelo Poder Legislativo.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Para ver

E reler
Vimos neste domingo 19, na TV Senado, um documentário sobre Darcy Ribeiro. Donde emerge sua quase ressurreição para concluir a obra que diz ele ser ápice de sua pesquisa: "O Povo Brasileiro - a formação e o sentido do Brasil" (1995).

A defesa deste torrão encontrou poucos como Darcy Ribeiro. Que bebeu no sergipano Manoel Bonfim (1868-1932), de "O Brasil Nação" (citado à sobeja em "Os Donos do Poder", de Raymundo Faoro), que para Darcy era o pensador "mais original da América Latina".

Ler "O Povo Brasileiro" exige buscar Manoel Bonfim de "O Brasil Nação" (1931), "O Brasil na História" (1930) e de "O Brasil na América" (1929). Heréticos, um e outro, em seu tempo.

O visionário Manoel Bonfim, que Darcy Ribeiro sempre reverenciou, a ponto de tê-lo como fundador de uma Antropologia do Brasil e dos brasileiros, não dissociava o país do contexto sulamericano, basta que saibamos haver escrito ele, em 1905, "América Latina: males de origem", o que temos como antecipação do "As Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano.  

Em um país cuja elite resiste ao pensamento nacionalista, Manoel Bonfim e Darcy Ribeiro foram condenados, assim como Anísio Teixeira, Getúlio Vargas, Leonel Brizola etc.

sábado, 4 de maio de 2013

Titulo

Nada lisonjeiro
O Brasil ocupa o penúltimo lugar (à frente apenas da Indonésia), dentre os 40 países avaliados, em raking global que mede sistemas educacionais por sua qualidade, segundo levantamento efetuado pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit, a pedido da Pearson, uma empresa que produz sistemas voltados para sistemas de aprendizado. Notas de testes e qualidade de professores são postos de destaque na avaliação.

São primeiros, pela ordem, a Finlândia, Coreia do Sul e Hong Kong. Turquia , Argentina, Colômbia, Tailândia, México, Brasil e Indonésia figuram entre os piores. (Da BBC).

Um título nada lisonjeiro. Ainda que o resultado tenha apurado testes efetuados por estudantes destes países no período 2006 a 2010, incluindo dados sobre o números de alunos que ingressam na universidade.

De nossa parte, a dúvida reside no fato de quem encomendou a pesquisa. E em ver a Argentina em 35º lugar!

Possíveis contradições
Não pode ser afirmado que o levantamento tenha deixado de reconhecer alguns avanços registrados no Brasil, como um aumento significativo de ingressos nas universidades e mesmo a avaliação do PISA, que reconheceu o país como o que mais avançou nos índice de educação. Mas soa estranho.

Não fora o salto nos dispêndios do Governo federal para o ensino básico, de 300 milhões de reais em 2007 para mais de 4,6 bilhões a partir do FUNDEF e a criação de dezenas de escolas técnicas e de 14 universidades federais.


segunda-feira, 25 de março de 2013

Pensamento externo

E interno
Texto do Banco Mundial, divulgado por Adir Tavares no Luiz Nassif OnLine no www.advivo.com.br (Banco Mundial: o mundo pode aprender com o Brasil) sinaliza para o inimaginável há dez anos: "Desde el 2003, el país sacó 20 milones de personas de la probreza, y con el programa Brasil Sem Miséria, pretende erradicarla para el 2015".

E prossegue: "El mundo, y América Latina, parecen mirar más a Brasil, especialmente en temas de economia, sociedad y desarrollo".

Enquanto lá fora os analistas enxergam o Brasil como o "país de referência" e que "el mundo puede aprender mucho de Brasil", essa a terra brasilis na leitura do atual projeto de Estado, o 2014 que se avizinha traz pérolas como a do candidato Aécio Neves, que anseia reencontrar o falido neoliberalismo da era Fernando Henrique Cardoso (por sinal, seu inspirador) como farol de sua campanha.

Aqui é assim: a turma confunde a busca pela alternância do poder com a busca pelo retrógrado.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Disputa

Despencando
Por ser emblemática - envolver o futuro do PSDB em nível nacional, além de testar a capacidade de transferência de votos pelo ex-presidente Lula - as eleições paulistanas apresentam mais um capítulo, uma semana depois de iniciado o programa eleitoral: a disputa pelo segundo lugar, ou seja, quem vai para o segundo turno.

A disputa está entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT). O primeiro, com 22%; o segundo, alcançando 14%, com o detalhe de que a rejeição a Serra sobe aos 43%. 

Pelo andar da carruagem a se manter a tendência, Haddad vai para o segundo turno.



Contra Golpes

Faltou no tempo certo
Registro na coluna "Rosa dos Ventos", assinada por Maurício Dias na última edição de Carta Capital, trata de uma publicação do Exército: Guia de Orientação e Prevenção a Golpes.

Em que pese dizer respeito àqueles promovidos contra os seus aposentados e pensionistas e voltado contra  ação de estelionatários,  deixou-nos o quê de quanto retardada foi a edição do "Guia...".

Poderia tê-lo sido antes de 1964, destinado a manter as instituições e respeitar a Constituição e o Estado Democrático.

Outras formas de avareza
Sinalizam aos tímpanos do escriba que mais coisa pode andar acontecendo para os lados da campanha de Vane, além de aventado conflito entre PCdoB e PR.

Há mais gente insatisfeita.

Coisa assim de "O Avarento", de Moliére. Só que não pelo risco de roubarem um pote de ouro. Mas, o direito de participarem da partilha das moedas.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Comissão da Verdade

Sucedâneos
Começam a ser criadas e instaladas Comissões da Verdade Brasil a fora. Em vários estados brasileiros as Assembleias Legislativas as instalaram, para colher depoimentos a elas particularizados. Seguem-lhe os passos algumas Câmaras Municipais. (O coronel Brilhante Ustra, de codinome nos porões da ditadura "coronel Tibairiça", acaba de ser convocado pela Comissão da Câmara de São Paulo).

Universidades também começam a enveredar pelos caminhos da catalogação de "informações" sobre os anos de chumbo. Afinal, do mundo universitário muitos foram presos em suas dependências e alguns nunca mais encontrados.

Os resultados começam a aparecer. Em texto neste espaço (""Verdade vindo à tona", postado no dia 15 de agosto) tratamos da revelação ocorrida durante a instalação da Comissão da Verdade da Universidade Nacional de Brasília, quando o professor da UFBA, João Augusto da Rocha Lima, revelou que o professor Anísio Teixeira fora assassinado em quartel da Aeronáutica no Rio de Janeiro, revelação que lhe fora feita pelo ex-governador Luís Viana Filho.

A busca pela verdade torna-se inexorável e irreversível.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Surrealismo à brasileira

Recebi, não nego...
Matéria veiculada no Estadão informa que o ministro Gilmar Mendes, do STF, promoveu junto a Procuradoria-Geral da República a abertura de inquérito por calúnia, difamação e injúria contra a revista Carta Capital (e seu editor Mino Carta), que afirmou, na edição 708, haver o ministro recebido 185 mil reais do valerioduto mineiro em março de 1999, quando advogado-geral da União.

O argumento de Mendes é de que àquela época (o do recebimento) não era Advogado-Geral da União (o que ocorreria a partir de janeiro de 2000), e sim subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Não fora isso, alega que é falsa a lista onde aparece seu nome como beneficiário do “mensalão” do PSDB mineiro (que espalhou dinheiro para políticos e personalidades de vários estados brasileiros).

A matéria não explica se Gilmar Mendes, na condição de “subchefe” para Assuntos Jurídicos da Casa Civil podia exercer a advocacia privada. (Aqui não entramos no mérito de que tal advocacia o era para um esquema criminoso).

...Mas foi legal
O que está claro: Gilmar Mendes não nega haver recebido o dinheiro.

Entende, no entanto, que comprovada está a falsidade da acusação pela circunstância de nela ser afirmado que ocupava o cargo de Advogado-Geral da União, o que ocorreria somente um ano depois.

Ou seja, se fosse o Advogado-Geral da União não podia (ilegal), mas como era “subchefe” para Assuntos Jurídicos da Casa Civil estava amparado (não sabemos em quê!).

Brasil singular. O ministro do STF – nosso “Fanfarrão Minésio” – recebeu recursos de um esquema criminoso enquanto servidor de alto escalão do Governo Federal ao tempo de FHC (que o indicou para o Supremo) e parece demonstrar que isso é normal.

Tanto que pretende processar a Carta Capital não pelo conteúdo (a denúncia do recebimento) mas pela “falsidade” de que não era Advogado-Geral da União e sim mísero subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Detalhe para fechar o pano: certamente pretende julgar a ação, para que não falte mais nada neste teatro do absurdo do surrealismo tupiniquim do século XXI.

Para sabermos onde pisamos
O senador Fernando Collor, na reunião da CPMI do Cachoeira desta terça 14 apresentou uma grave denúncia que leva ao descrédito a atuação de membros do Ministério Público federal. Ou, quando nada, ao envolvimento de alguns com irregularidades outras, além das por eles praticadas.

Revelou o senador que, exatamente em 2 de março de 2012, procuradores que se constituem braço direito do Procurador-Geral da República Roberto Gurgel (Leia Batista de Oliveira, Daniel de Resende Salgado e Alexandre Camagno de Assis) se encontraram, por orientação de Policarpo Júnior, com outros repórteres da Veja, Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel. Deles receberam documentos de inquéritos protegidos por “segredo de Justiça” que resultaram nas operações Monte Carlo e Vegas.

Para Collor, a Veja e o Procurador-Geral estão num mesmo barco, altamente suspeito de transporte de material nada regular.

Afinal, a transferência de material sob responsabilidade da PGR, amparado em “segredo de Justiça”, para a revista dos escândalos, onde o mais recente é o envolvimento com o crime e sob comando de um criminoso (Carlinhos Cachoeira) abala os pilares da respeitada instituição republicana denominada de Ministério Público Federal.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Olimpíadas

Legado
Evidente que no "país do futebol" o Brasil continuar sem medalha de ouro remete a uma frustração coletiva. Tínhamos uma seleção invidualmente apta à conquista. Parece-nos ter faltado o que continua a ocorrer: decisão técnica na hora necessária.

Mas, o Brasil está entre os países que conquistaram medalhas: 15º no cômputo geral e 22º em relação às medalhas de ouro.

Ainda que vejamos nossas deficiências sob seus vários vieses uma coisa está clara: superamos muitos países de primeiro mundo, dentre aqueles com alto padrão de renda, que nem chegaram a 10 medalhas conquistadas, a exemplo de Suécia, Dinamarca, Noruega.

Das 204 bandeiras presentes 120 retornaram a seus países de mãos abanando, como o Chile e a Áustria.

Um alento!

Quanto custará

Para refletir
Não temos valores exatos em relação a cada Câmara de Vereadores das mais de cinco mil espalhadas pelo Brasil. A do Rio de Janeiro, por exemplo, remunera cada vereador com 15 mil reais. Mas há milhares que podem estar abaixo dos 3 mil.

São 5.070 as vagas criadas para vereador a partir da Emenda Constitucional 58/2008, elevando o número de cargos para 56.818. Se tomarmos como média a remuneração de 4 mil reais custarão ao povo brasileiro mais de 220 milhões mensalmente, superando os 2,7 bilhões anuais.

Se acrescermos as despesas somente com assessoria, na ordem de igual quantia, temos a bagatela de 5,4 bilhões de reais esvaídos do erário público. Valor que se aproxima do orçamento da Câmara Federal e do Senado, que ultrapassa, cada um, os 2,7 bilhões anualmente.

Neste ano de eleições voltaremos ao tema, em busca de mais reflexão.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Partido à vista

Mais um
Vem aí o Partido Pirata Brasileiro, fundado formalmente no último fim de semana em reunião ocorrida em Recife. As pouco mais de 100 pessoas de 15 estados brasileiros subscreveram o programa, o estatuto e elegeram a direção nacional.

Repercute no Brasil o ideário internacional imaginado pelo sueco Rick Falkvinge, que envolve ativistas da tecnologia e defende a bandeira da inclusão digital e do uso de softs livres, não fora a construção de políticas públicas colaborativas.

Mais um a engrossar o caudal da representação partidária. Não tarda haver mais partidos que adeptos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Irã

Não acredito!
Dirá o leitor do noticiário cotidiano, habituado a conviver com a informação pré-estabelecida, intimamente ligada ao interesse, não à verdade.

O Irã, prestes a ser atacado para que sejam preservados os "valores da democracia" como a concebe o Ocidente sob a égide estadunidense - ou seja, os seus interesses - não é aquele bicho-papão como perigo nuclear.

Ehud Barak, general e Ministro da Defesa de Israel declara que  "o Irã ainda não decidiu fazer a bomba nuclear". Ou seja, nem pensou, muito menos começou a produzir.

Nos sustentamos para este texto em Jânio de Freitas, da Folha de São Paulo.

Olha Lula aí!
Para os que nordestimos somos, marginalizados e ofendidos pela casa-grande deste país, buscamos aquele pronuncimento do então Presidente Lula, que ao lado do então recém eleito presidente turco, Tayyp Ergodan, havia encetado uma proposta de paz para o Oriente Médio a partir do quanto assegurado por Ahmadinejad - de que não tinha propósito belicista o seu programa nuclear.

(Não esquecer que o brasileiro e o turco agiam em nome de Barack Obama, que depois recuou).

O que ora ocorre brinda Lula e Tayyp Ergodan, reduz Obama que, ainda que presidente democrata, defendeu os republicanos e sua sanha por conflitos, detentores que são da indústria armamentista. E desmoraliza a ONU - porta-voz estadunidense.

No fundo uma lição de sensatez: o Irã não é o Iraque. O ensaiado ataque ao Irã encontraria desdobramentos imprevisíveis.

A eleição de Putin pode estar no fundo da declaração de Ehud Barak.

O recuo de Israel, em casos como estes, traduz outros desdobramentos. Esperamos que o sejam para a Paz.

Menos passeatas e mais compromissos. Disto é que precisamos. Em todos os níveis.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Explicado

Interesses
A secretária de Estado norte-americaca Hillary Clinton quer que sejam os EEUU reconhecidos como "um bom parceiro", disse-o nesta terça 17. Mais vinculada está a defesa da americana aos interesses das petroleiras estadunidenses.

Defende, portanto, Hillary, que Brasil e Estados Unidos devem manter a parceria na área da exploração de petróleo em águas profundas.

Leitura deste escriba: pré-sal, a riqueza brasileira ainda não suficiente mensurada. Que muito interessa aos EEUU.

Hummm! Está explicada a visita.

E não à toa a IV Frota trilha os mares do Atlântico Sul.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Camisa de onze varas

Telhado de vidro
Dentre os paladinos e arautos da moralidade e da transparência o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) se destaca. (No momento outro está na muda – o goiano Demóstenes Torres, do DEM-GO). É justamente na trilha da defesa que faz(em) da tribuna do Senado que nos vem à mente o raciocínio abaixo.

Neste Brasil nos foi dada a oportunidade de descobrir, nos últimos anos, que, em nível de partidos – a considerar o universo dos políticos que os integra – não há santos em profusão. Alguns políticos, raros, não merecem nem mesmo integrar tal mundo, tanta a credibilidade que ostentam.

No entanto, temos certeza, que a regra geral trabalha por outra vertente: a dos maus exemplos.

Assim, a coisa está se tornando temerária para quem denuncia, porque costuma respingar em vários partidos as mazelas. O que pode incluir o seu.

No caso em evidência, que alimenta holofotes, pedidos de CPI – mais que justos, não fora necessários – podem redundar em resultados pífios, quando todos buscarem salvar a pele na hora de concluir relatórios.

Foi assim com a do Banestado, quando se abraçaram PSDB e PT.

Roto falando de esfarrapado
A tal Toesa, por exemplo, não só venceu licitações do Ministério da Saúde, quando José Serra (PSDB) era Ministro, como o acompanhou quando assumiu a Prefeitura de São Paulo.

Sua competência é vasta, pode-se perceber. Venceu licitações no Distrito Federal, com José Roberto Arruda (DEM), com Kassab (PSD, ex-DEM). E deve estar por este Brasil a fora. (A informação é da mesma fonte, citada abaixo).

Paremos por aqui, por enquanto, lembrando minha Tormeza: quem tem o seu de vidro não joga pedra em telhado alheio.

É que fica a parecer coisa de roto falando de esfarrapado.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Exemplo a ser seguido

Lição argentina
Já alcança 95,7% o percentual de credores da Grécia que aderem à proposta de receberem 45,6% do valor dos bônus a que tinham direito. O total da dívida desta forma renegociada alcança 197 bilhões de euros. Detalhes em www.advivo.com.br (Credores aceitam negociação da dívida grega) da sexta 9.

Quando a Argentina de Kirchner disse que só pagaria 25% da dívida, por entender que esta era a realidade, tantos os juros já pagos, os da banca internacional chamaram de calote. O portenho fincou pé e a turma aceitou.

Da Grécia estão recebendo mais que os 25% da Argentina. Fartos de juros recebidos anteciparam-se para não perder mais.

Aprenderam rápido!

Corrida do ouro
Que o Brasil se prepare. O dinheiro correrá para esta gloriosa terra que ainda paga os juros mais altos do planeta.

E que anda honrando os compromissos com a especulação internacional.