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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Continua

Manipulando

Do Correio do Povo
17 /02/2014
“Eu vim para o Brasil para trabalhar, não para ficar dando entrevistas”, foi assim que Yamile Mari Min, médica cubana que atua no posto de saúde do Bairro Santa Luzia, me recebeu no início da tarde desta segunda-feira. Por diversas vezes, ela já havia sido procurada pela equipe do OCP, mas se recusava a falar. O meu objetivo era repercutir reportagem publicada pela Revista Veja, que denuncia suposta tentativa de pressão por parte do Ministério da Saúde e do governo de Cuba para que os médicos da ilha de Fidel Castro permaneçam no país. 
Segundo a revista, Vivian Isabel Chávez Pérez (chamada de capataz dos médicos na reportagem) exerceria esta função e teria, sob ameaças, conseguido manter as duas médicas cubanas em Jaraguá do Sul. O fato foi desmentido pelo o secretário de Saúde, Ademar Possamai (DEM), que foi citado pela revista. Segundo ele, em dezembro, as médicas estavam com dificuldades de adaptação e quase chegaram a se desligar, mas depois de contato do Ministério da Saúde, o problema foi solucionado e hoje está tudo bem. 
Depois de alguns minutos de conversa no consultório, Yamile foi perdendo a desconfiança e admitiu que foi procurada pela Veja na semana passada, mas disse que se negou a falar por entender que parte da imprensa vem tratando deste assunto sob a ótica estritamente política. “Eu e todos os médicos cubanos sabíamos quanto iríamos ganhar ao vir ao Brasil. Ninguém é obrigado a nada, a gente se inscreve sabendo de tudo. Eu estou aqui para ajudar o meu país”, resumiu a cubana já com sorriso no rosto e falando um bom português. Para ela, a prova da importância do programa é a satisfação da comunidade. 
A polêmica em torno da presença dos profissionais cubanos no Brasil está no fato de que eles recebem R$ 1mil ao mês, os outros R$ 9 mil a que teriam direito são depositados em uma conta do governo de Cuba. No término do contrato, quando retornam para casa, os médicos recebem mais um percentual do valor, o restante fica com os cofres públicos, funciona como um imposto retido na fonte em um país onde a educação e a saúde são 100% financiadas pelo governo. 
De Cuba para Jaraguá do Sul
Yamile Mari Min, médica cubana que atua no Posto do Santa Luzia e foi citada pela Revista Veja desta semana, critica decisão de Ramona Matos Rodriguez, que deixou o programa Mais Médicos e entrou com uma ação trabalhista por danos morais de R$ 149 mil contra o governo federal. Os cubanos recebem R$ 1 mil ao mês, auxílio moradia, alimentação e transporte.                                                                                       
A matéria da edição desta semana da Revista Veja denuncia pressão para permanência de médicos cubanos no país, citando profissionais que estão em Jaraguá do Sul. A reportagem cita suposta declaração da coordenadora de Atenção Básica no município, Nádia Silva, que teria dito: “(elas) sofreram um impacto psicológico muito grande por causa dessa diferença de tratamento (salário). Não havia uma semana que não reclamassem das dificuldades de viver aqui”. Procurada pela coluna ontem, Nadia desmentiu as informações publicadas na revista. “Na verdade saiu tudo diferente do que a gente falou. Não sei se eles tinham um interesse com a matéria, mas estamos muito chateados”, contesta a coordenadora, que admite que em dezembro as duas médicas pensaram em deixar o município, mas acredita que tenha sido por dificuldade de estar longe dos familiares e amigos. “Está tudo muito bem”, avalia. 
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Da redação de Rastilhos da Razão Comentada:
A denúncia da médica cubana apenas confirma o que todos sabemos, desde que utilizando a lucidez: a Veja não passa, como diz Paulo Henrique Amorim, de 'detrito sólido de maré baixa'. Cocô, para simplificar.

A propósito, alguém veiculou na rede: "A Revista Playboy é a segunda maior revista de sacanagem do Brasil, perdendo só para a Veja."

quarta-feira, 27 de março de 2013

Haja em nós

A luz
A editoria de O Trombone descobriu, assim nos parece, uma forma bastante interessante de chamar a atenção para notícias que não nos interessam diretamente: um título. Na esteira da descoberta trouxe para sua manchete na terça 26 texto publicado por Ederivaldo “Bené” Benedito que envolve sonho de muito itabunense, ilheense etc. etc., com a chamada que exige leitura imediata: “MPF aciona ex-prefeito e ex-secretário de Saúde por desvio de quase 2,4 mi”.

Cai-se no laço, sem mesmo dimensionar o valor posto no título, e descobre-se que o lide não nos diz respeito. Ex-prefeito e ex-secretário de Saúde são de município inteiramente fora de nossa área de influência e sabemos de sua existência mais porque o time de futebol que leva seu nome ocupa às vezes espaço na mídia que divulga o campeonato baiano de futebol.

Só então percebemos que o que nos interessa envolve valores de 7 a 17 milhões para uns, de bem mais para outros.

Mas, depois do impacto, a esperança. De que o MPF, lucífero, descubra que somos filhos de Deus também.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Saúde

Em movimento
Poucos dias antes da informação que transita na blogosfera local soubemos que o ex-futuro secretário de Saúde de Itabuna não ocuparia a função em 1º de janeiro.

A fonte nos passou, no entanto, outra versão para a não assunção do cargo. E pouco tinha a ver com problemas de família do indicado, mas de outra natureza.

De qualquer forma, não deixa de ser estranho o raro fato de alguém desistir quando prestes a assumir.


sábado, 27 de outubro de 2012

Verdadeira preocupação

A doença
A Saúde tornou-se, em tempos de transparência um típico nervo exposto. Dói muito. Em parte porque o Brasil optou por fazê-la universal: todos têm direito independentemente dos recursos individuais de que disponham.

Sabemos que, ainda que insuficientes para corresponder ao ideal, os recursos a ela destinados "renderiam" melhores resultados caso administrados em benefício dos destinatários, o povo simplesmente. Há corrupção em todos os aspectos e lados: no gestor público que superfatura; nos profissionais da medicina que não cumprem com obrigações contratuais.

A Itabuna recente viveu experiências que permitem conclusões absolutas. De nossa parte, não temos dúvida: dentre o que não coaduna com a gestão da Saúde é contador, historiador ou empresário da área gerenciando-a.

Aí deve residir a verdadeira preocupação de qualquer gestor na escolha de um secretário para a Saúde.

Saúde
A gestão da saúde deve ser entendida não como a que esteja voltada para a cura, mas a que evite a doença.

E isto não se configura em gerenciá-la tão somente como ato contábil, tampouco elementos para estudos históricos ou competição entre curar e evitar.




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Não viveu para ver

Dona Dolores I
Entusiasmada com o trabalho que se desenvolvia, servindo cafezinho e água para os que trabalhavam e oferecendo sua própria casa como espaço para depósito do material para a obra, não cansava de repetir: "Agora sim, vou poder dizer que sou vizinha de Jorge Amado. Com muito orgulho!"

Foi das primeiras a internalizar a ideia de que o ferradense ilustre nascera realmente ali e era um conterrâneo muito especial. Podemos afirmar que nela estava representada a mudança da consciência que norteou um novo comportamento dos moradores de Ferradas para com Jorge Amado.

As ações positivas do município, revitalizando com a construção da casa onde residiu o "Menino Grapiúna" a memória local, abrindo espaço para que Ferradas venha a ser efetivamente ocupada no imaginário itabunense como uma das "Terras do Sem Fim", encontrou nela a melhor expressão do reconhecimento pelo que então se fazia.

Inaugurada a casa, faltou a Dona Dolores ver a promessa de que a vizinha ilustre pertenceria à comunidade, que seria nela referida e valorizada.

Morreu antes. Apenas viu a casa construída, não o ideal que a norteou, como aos demais ferradenses.

Dona Dolores II
Maria Dolores da Silva, simplesmente Dolores - como era conhecida - passou mal durante a madrugada de domingo 12, sendo levada para o Hospital Santa Cruz no dia seguinte. Cobraram-lhe, através dos parentes, 20 mil reais para garantia do internamento e outros 15 mil para a do tratamento enquanto estivesse internada. 

Dispondo de apenas 500 reais para a consulta (assim o disseram os parentes) e outros 300 para cobertura de exames, não tinha como permanecer na entidade filantrópica e foi encaminhada para o São Lucas, onde recebeu o tratamento possível.

Faleceu neste domingo 19, sepultada nesta segunda.

O legado de Dona Dolores
Não fora o entusiasmo e alegria com que via Ferradas tornando-se referência, Dona Dolores nos deixa um legado: de nos permitir registrá-la em texto, como mais uma, dos incontáveis que buscam o Hospital Santa Cruz para tratamento e se veem tornados inúteis trapos humanos se não dispõem dos recursos financeiros para assegurar o "negócio/empresa da saúde" em que se tornou o espaço sonhado por pioneiros para cuidar dos que carecessem de uma "Santa Casa", que por "Misericórdia" encontrassem.

Ainda que custeada com recursos públicos, que fizeram de suas instalações e equipamentos o primor que são e a tornaram referência em Medicina no estado da Bahia, a Santa Casa de Misericórdia de Itabuna, por sua estrutura original - o Hospital Calixto Midlej - é hoje um rendoso negócio para os profissionais privilegiados por nele trabalhar. Tanto que não largam o osso!

Nele não há "misericórdia".

As "Marias Dolores da Silva" que o digam. Se pudessem dizê-lo!


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vitória

Outros caminhos e parcerias
A retomada da gestão plena da Sáude pelo município de Itabuna retira do candidato Azevedo uma de suas estratégias de campanha: a de que a culpa pelo estágio degradante em que se encontrava a saúde pública itabunense decorria de perseguição do Governo do Estado.

No entanto, mais ganha do que perde. Não são somente os recursos. Reforçará o seu discurso pelo viés de que, na visão republicana posta à luz pelas administrações de Lula e Dilma Rousseff, não cabe ao PT o privilégio ou o monopólio da intermediação real e natural de transferências governamentais. Ou seja: com o PT no governo federal todos são iguais e igualmente atendidos, basta que "tenham projetos", argumento que já andou ensaiando. 

No entanto, se quiser beneficiar-se terá que aplicar os recursos ampliados para mostrar que a afirmação anterior era verdade, o que justificava até sua busca por uma intervenção judicial para solucionar o problema.

A Resolução n. 4, consolidando o "Pacto pela Saúde", novo sistema de gestão do SUS, demonstra cabalmente que a ação do Governo Federal está voltada mais para soluções e menos para politizações. Tempos bem diferentes de uns ainda vivos em nossa memória.

Basta, de ora em diante, a renovação anual do TCG (Termo de Compromisso de Gestão), que substitui o anterior processo de habilitação, para que ocorra a transferência de recursos para a Atenção Básica, Média e Alta Complexidade da Assistência, Vigilância em Saúde, Assistência Farmacêutica, Gestão do SUS e Investimentos em Saúde. Em linguagem simples: pactuação direta entre o Município e o Governo Federal.

Por outro lado, para Azevedo, como candidato, está aberto um caminho para ampliar a estratégia da campanha, partindo do mote de que "ele" é também parceiro do Governo Dilma, parceiro da seriedade.

Se o povo acreditará é outra coisa!