domingo, 28 de julho de 2019

Dura reflexão ou como a verdade escondida dói


Verdade que dói
Garimpeiros, fortemente armados, invadem reserva indígena, ocupam terras e mesmo matam a facadas o chefe da tribo. Cena comum e recorrente em antigos filmes faroestes onde a ‘corrida’ às terras auríferas da Califórnia tudo justificava, inclusive chacinar índios à bala, incumbida a indústria cinematográfica (na quase totalidade das ‘mensagens’) escrever e pintar os atacados silvícolas/peles-vermelhas como bandidos cruéis e sanguinários, bárbaros lutando contra a civilização que lhes é oferecida.

Em tempos de rede social como instrumento de comunicação um ‘especialista’ invade telefones privados.

O dirigente maior da nação proclama nepotismo, ao lado de promover o desmonte de tudo que possa representar instrumento de defesa da soberania, da indústria, de riquezas e lança ao rés do chão os mais comezinhos princípios inerentes à liturgia do cargo.

Um ministro empossado como da Justiça anuncia aos quatro cantos que determinará à polícia sob seu comando a destruição de provas coletadas para apuração de fato possivelmente criminoso que o cita envolvido. E como dita apuração envolve estrangeiro residente no país – que deu de divulgar outras irregularidades do ‘ministro’ – sinaliza a deportação sumária de estrangeiros nos moldes preconizados em conveniente portaria de seu ministério para uso ao alvitre de sua caneta. (Antes da iniciativa tirara uns dias de férias e foi descansar nos EUA assim que pipocaram as denúncias contra si).

Alguns Procuradores da República utilizam-se de fama produzida (alimentada pela mídia) para reunir-se com banqueiros e ministro do STF antes das eleições (junho de 2018), em segredo, para traçar rumos, onde “eleições” era o tema servido, das quais alijado o candidato que a venceria no primeiro turno. Por mera coincidência esses bancos se beneficiam de privatização logo nos seis primeiros meses do novo governo abocanhando quinhão nobre da BR Distribuidora, fato que não ocorreria se outro o vencedor das “eleições”.

No primeiro caso nenhum espaço na mídia; 

no segundo, verdadeiro estardalhaço em torno dele, ainda que os fatos a ele vinculados fiquem de lado nas avaliações; 

no terceiro, silêncio conivente, limitado ao conveniente da divulgação; 

no quarto, embala-se a ‘informação’ na possível ilegalidade na obtenção da fonte e passa-se ao largo da gravidade contida no quando divulgado; 

no quinto... ora, mais uma das dezenas de “crimes contra o patrimônio público” que andam acontecendo, especialmente quando perpetrados por agentes públicos envolvidos no ‘combate à corrupção’.

Diante de tudo não custa perceber – à luz das ‘reflexões’ – que as redes sociais se apresentam delimitadas em dois campos de batalha precisos: dos que são a favor e dos que são contra alguma coisa. E que esse “alguma coisa” tem por nome e objeto um partido político e quem lhe seja a favor. O inverso também ocorre. Resultado: amor e ódio, permanente prato do dia.

Em meio a tudo – ainda que através da rede ou de veículos de comunicação – uma parcela de analistas, significativa, expressa o espanto diante de tudo que aí está. Entende ela que a verdade dos fatos não corresponde ao que está veiculado como informação. E diante de tal revelação claro fica que menos há de informação e bem mais de manipulação.

Eis por que também se espanta este escriba de província: crime a invasão de terras indígenas demarcadas, crime a prática de nepotismo, crime a destruição de provas que podem elucidar um ilícito praticado, crime desrespeitar os primados inseridos na Constituição em defesa da liberdade de imprensa e da atividade jornalística, incluindo a de proteger o sigilo da fonte.

E como, ainda que tudo seja crime, há quem diante disso se cale ou se omita, quando não defenda, porque 'sou' a favor, desde que ‘alguma coisa’ esteja por trás, como presumo ou convicção tenha. E nem aí se fale dos que não percebem e os que fingem não ver, todos embrulhados no mesmo pacote lançando ao precipício o sonhar uma gente que imaginou-se digna de um futuro com tal.

E para o caboclo no grotão, assistindo a tudo que ora vê e antes não via, a percepção de que nada há de novo. Tudo existia e havia. Apenas não se percebia por falta de oportunidade.

Vivemos a singular realidade expressa por Bertold Brecht: do tempo em que temos que defender o óbvio, como se fosse revolucionário.

Dura a reflexão. Ou como a verdade dói. 

Talvez tudo melhor expresse a racionalidade de quem observa “O Grito”, de Edvard Munch.

No mais, Mozart como fundo musical (abaixo):

          Dies irae (dia de ira)
          Dies illa (dia de raiva)
          Solvet saeclum en favilla (dissolve a terra em cinzas).

Apenas acrescentamos: onde se lê saeclum leia-se terra brasilis.

Algumas leituras para esta atualidade
Por tudo que acima escrevemos recomendamos ao estimado leitor, para caminhar o caminho da compreensão do quanto acontece, as leituras de Jessé Souza e seu “A Elite do Atraso” (Rio de Janeiro: Leya, 2017) ou descobrir em Pierre Bourdieu, para quem a concentração de capitais econômicos, sociais e culturais por determinados grupos são utilizados como forma de dominação sobre outros, em que a classe dominante se impõe distinta de assalariados em “A distinção: crítica social do julgamento” (Lisboa, Editorial Vega-1978) ou a reprodução, na escola, pelo sistema de ensino, das desigualdades que efetivam a estrutura social, em “A Reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino” (Porto Alegre: Editora Zouk, 2007).

                

domingo, 21 de julho de 2019

Afinal, nada mais que um afinal


Tanto de tudo tem acontecido. Só não o que deveria acontecer. Assim – transitando por vieses surrealistas – vamos descobrindo que novo aprendizado se nos afigura contemporâneo: o absurdo não é tão absurdo assim como pintam.

No fundo vivenciamos o absurdo como roteiro ao qual nunca imaginamos que quem dele participasse fossem aqueles que o têm sob rédeas.

Os que aprendemos nos alfarrábios o que representam as instituições e o seu significado na preservação e na defesa de valores tão permanentemente repetidos, como mantra espiritualista, passamos a duvidar se o que ora nos ocorre realmente o é ou se apenas vivemos um estágio de pesadelo.

Há quem – analisando o que ocorre à volta – vislumbre apenas um processo de retorno. Ou seja, os que atingimos a civilização ora trilhamos caminho inverso em velocidade superior à da luz. O que levou milênios para se materializar como avanço  despenca no abismo sem fundo. No inimaginável racionalmente pensado. 

Talvez – muito provável – vivamos apenas uma disputa entre tais extremos. Desta forma descobrimos – estarrecidos – que a primitividade existia e não sabíamos. E mais: muito mais forte que a racionalidade. E mesmo diríamos: era ela no fundo nossa razão de existir.

Aquilo que antes imaginávamos natural aos que se encontrassem internados em manicômios – porque eram eles os “sem juízo”, os desconformes em relação ao certo e ao errado que norteia o que denominam de civilização – estão ao redor a confundir ou exibir o impensável.
.
E mais: muito do que ora acontece antes compreendíamos somente possível – se o fosse – em grotões, nunca naquele país que se situa entre as dez maiores economias do planeta.

A responsabilidade deste país para com o concerto das nações sinalizava a existência de um compromisso para com a civilização, ainda que jovem no plano de sua representação histórica.

Mas descobrimos a barbárie como futuro, a irracionalidade como razão, o ódio como manifestação do amor, que o mundo será melhor sem poesia, sem música e sem cores.

E nem temos como vislumbrar a retomada do aprendizado.

Afinal, estamos naquela de nada mais que afinal.

domingo, 14 de julho de 2019

De Herodes Antipas e de procuradores


Outra cabeça
Por demais conhecida a passagem do Novo Testamento (Mateus e Marcos) que trata das ambições e caprichos humanos no capítulo Herodes Antipas versus João Batista, ao sabor dos desejos de Herodíades manipulando Salomé.

Rolou a cabeça de João Batista, servida em bandeja.

Tempos atuais outras ambições e caprichos, métodos diversos, final semelhante. 

Afinal, uma ‘outra’ cabeça na bandeja atende a outro tipo de ambição.

Em meio a tudo, a indagação que nunca calará: como interesses de um punhado de indivíduos se sobrepõem ao de milhões de cidadãos que os custeia?

É que – não custa analisar – a paixão desmedida peca menos que a ambição criminosa.

Especialmente quando se ganha dinheiro com o indecoroso que pratiquemos e mesmo busquemos uma “fundação” para garantir a patranha proibida por lei.

Lecionando
Nesta terra onde tristes figuras ocupam o espaço antes destinado aos que se fizeram destinatários – de uma forma ou de outra – as regras vão-se atropelando para garantir espaços à mediocridade.

Depois do encanto com o aumento de exportações com abacates destinados à Argentina (dizem as más línguas que toneladas imensuráveis em três caminhões), de ser anunciado o novo eldorado para a economia com a sugestão de exportação de bijuterias de nióbio passamos a mostrar ao mundo que não temos limites.

Eis que surge no horizonte próximo um mercado diplomático dispensando a tradição (carreira no Itamaraty ou representação intelectual respeitada por serviços à nação, como ocorre no caso de embaixadas ocupadas por ex-presidentes ou ex-ministros, intelectuais etc.).

No nosso et coetera (etc.) abre-se espaço para simples experiência em alguma coisa referente a algum país como fundamento de indicação.

Assim, “fritar hambúrguer” nos Estados Unidos habilita a quem o fez pretender a embaixada nos domínios de Trump.

Aproveitando a deixa há quem sugira a da Itália para quem goste de pizza, a da Alemanha para quem assistiu aquele 7x1, a da França para quem tenha foto na Torre Eiffel etc.

Como há em tudo um cheiro de ironia sádica não custa lembrarmos da inesquecível criação de Péricles como o grande mestre a lecionar para estes tempos.

MEC-USAID
A indecência embutida no Tratado MEC-USAID (no imediato do golpe de 1964, sinalizando a privatização da universidade pública de então) volta ao cenário.

Na época estávamos nas ruas do Centro Histórico, em Salvador, gritando contra. 

Os estudantes e professores vencemos a batalha

PHA
Paulo Henrique Amorim nos deixa. 

Órfãos ficamos de um texto limpo e objetivo. Sua passagem pela televisão marcou era. 

Assim como o papel pioneiro na rede com o seu Conversa Afiada.

O Brasil ficando menor a cada dia.  

domingo, 7 de julho de 2019

Um milênio de silêncio e o silêncio ensurdecedor

Aquele violão nos deixou
João Gilberto se foi. Levou para o túmulo o que o fez característico: de ser  como o afirma o maestro Aderbal Duarte  a expressão estética da Bossa Nova.

O Maracanã dedicou-lhe um minuto de silêncio, na íntegra. 

Um outro silêncio, 'ensurdecedor', mais adiante se fez, dedicado ao inquilino do Palácio do Alvorada, que a Globo não conseguiu esconder.

Para João Gilberto trazemos a singular expressão da Bahia, ritmando Dorival Caymmi em "Samba da Minha Terra".

Da coluna, um milênio de silêncio para João Gilberto (porque um minuto é pouco para quem traduz a Eternidade), que cantou o Brasil como poucos e rompeu com o tradicionalismo musical que norteou esta terra por tantos anos até que ele deixasse Juazeiro para tornar-se universal.

                      


Versões I
Os fatos últimos vão dando o rumo da confirmação do que somos em nível de informação. Em outras palavras: como se comporta a imprensa tradicional diante da realidade, diante da verdade factual. 

Para manter-se coerente permanece trabalhando conforme o instante, conforme a conveniência. Ou seja, menos informa ou, quando o faz, está naquela dimensão que Leonel Brizola dizia referindo-se a quem não assumia: “Costeando o alambrado”.

Singular para a análise o comportamento do jornal Folha de São Paulo e da revista Veja, como parceiros do Intercept na divulgação do escândalo já alcunhado de Vaza Jato, de um lado, e outros sistemas, capitaneados pela Globo, de outro.

De um lado a assunção da verdade quando mentiram deslavadamente para que a mentira prosperasse e gerasse monstros como os que se apresentam nesta contemporaneidade; de outro, aquele não dar o braço a torcer, ainda que tal seja necessário. 

Para tanto, neste último caso, em vez de buscar a verdade pune-se a fonte da verdade.

Versões II
Um empresário suicidou-se, em público, em protesto contra política de governo local.

Deu-se em Sergipe, terra de Tobias Barreto, de Manoel Bonfim, de Francisco J. C. Dantas e de Seixas Dórea. 

Nenhuma referência na imprensa tradicional, na dimensão que o fato representa.

Avaliando I
Há quem veja sua excelência (com letra minúscula, revisor) em processo de fritura, como bem ilustra a charge de Cristóvão Villela. 

Um ‘analista’ mais açodado disse a este escriba que não tarda a indigitada figura ser presa.

Na sexta-feira até mesmo o ‘parceiro’ Globo/Jornal Nacional não resistiu à verdade revelada e ‘dedicou’ (certamente contrariado) bons seis minutos às denúncias veiculadas na revista Veja. 

Os ratos, evidentemente, começam a abandonar o barco capitaneado pelo nada capitão de longo curso Moro (nada a ver com Jorge Amado, porque longo é este outro curso!).

Avaliando II
Nossa avaliação ao óbvio: 

1. Não se pode falar em fritura para quem há muito está cozido. Cumpre verificar a hora de ser servido. Parodiando o filme de Henri Verneuil (A 25ª Hora/1967) aquela 25ª hora, a da conformação; na morina, uma 26ª hora, a hora da conveniência.

Para demonstrar nosso otimismo realístico – coisa assim de política em seara de surrealismo fantástico – nada acontecerá com sua excelência (não mexa revisor!).

Inclusive, não será surpresa para a coluna que, com apoio do judiciário (não ponha maiúscula, revisor!), venha a tornar-se candidato a vice na reeleição do inquilino do Alvorada, em 2022.

Até lá o povo já esqueceu de tudo e os absurdos já terão sido reconhecidos como avanço democrático e por aí vai.

Por fim, antes as vivandeiras dos quartéis; hoje, do espaço conquistado – aquele em que o Estado Democrático de Direito se põe de joelhos para corresponder aos que nunca tiveram apoio tampouco apelo popular e somente através do autoritarismo encontram um púlpito e um microfone - aquela parcela incondicional de um eleitorado que elegeu o inquilino do Alvorada.

Avaliando III
Somente a descrença alimenta a Esperança. Essa contradição expressa a visão deste escriba diante do que ocorre no e ao país.

A uma, porque definitivamente escancarada a divisão, a luta de classes, a certeza de que o bom somente o que eu faço ou o que eu defendo; a duas, porque apenas a reação natural fará o quadro ser alterado. E tal não ocorrerá com a brevidade necessária, como alguns imaginam.

Temos no Brasil – claramente configurado – uma parcela definida de conservadorismo – em dimensão radical e fundamentalista – que afasta qualquer possibilidade de que algo diverso ocorra caso não seja “o meu” governar, “o meu pensar”. E este segmento assegura, em processo eleitoral, em torno de 20% fixos, permanentes, em defesa de suas propostas. 

O restante dilui em parcela de visão mais aberta, idealista e republicana, que pode alcançar o mesmo patamar de 20%, um pouco mais talvez. O restante acompanha o momento. Sob esse viés, essa a gente que decide. É aquela que reage aos interesses pessoais atingidos ou à mensagem do grupo, da igreja, da imprensa e hoje – o que pode ser acentuado – da comunicação via rede.

Faltando à sociedade, em geral, uma consciência do que sejam Políticas de Estado presentes neste ou naquele governo, o apelo ao óbvio, ao imediato, tende a tornar-se o mantra eleitoral. Foi assim com o momento do “contra os marajás” (mais remotamente) ou do “contra o que aí está” (presentemente).

Atente o leitor para fato de que qualquer forma de mensagem estribada nos apelos acima encontra eco.

"Sei não!"
Circulou na rede a notícia da pretensão do inquilino do Alvorada de reeleger-se. 

Quem duvida? Dispõe de 25% de um eleitorado disposto a tudo para que outro não ocupe o espaço que imagina “seu” como propriedade. 

Não bastasse, correspondendo aos interesses dos grandes grupos aqui representados naquela parcela de um punhado da classe dominante que pensa em Miami, como antigamente em Paris, não lhe faltará mídia. 

Por outro lado, quem lhe seja contrário tende a permanecer dividido e – ao centro e à esquerda – disputando a expansão do “seu” território e não do “coletivo”.

Pessimismo, pode ser. Mas, “não sei não!” – dirá o caboclo nos grotões.

Organização criminosa
FHC, PGR, Moro e quejandos flagrados em conspiração contra país estrangeiro. Conluio escuso. Trama diabólica apoiando adversários de um governo estrangeiro, ainda que conscientes do risco de instauração de uma guerra civil e do agravamento da “convulsão social e mais mortes” na Venezuela a partir de suas tramas. Aquilo que fizeram internamente, alimentando o impeachment e interferindo no processo eleitoral.

As publicações do Intercept na Folha deste domingo constituem-se escândalo imensurável.

Para essa gente Acordos e Tratados Internacionais nada representam. Olham como se olhassem o Direito interno, por eles violado, com apoio do STF.

A turma não respeita o que está escrito.

Em meio a tudo a participação concreta – pela omissão quando convocado – do STF.

Caro leitor: PGR, STF, PF nas pessoas que agiram criminosamente alimentam reações (que nos indignam) daqueles que dizem ser bom fechar STF, bastando um jipe e um soldado.

À deriva
A capitulação da Globo e seu Jornal Nacional aos fatos que antes noticiados apenas com o fito de descaracterizá-los não somente cheira a uma capitulação da emissora, mas a uma confissão explícita de que é tudo verdade.

Em outras palavras: Moro – que sempre por ela foi apoiado e incensado – fica à deriva. Porque simplesmente não tem como enfrentar o tsunami que desaba sobre a sua praia.

E la nave va
Antes vazando delações para corresponder às conveniências político-eleitorais. 

Para não perder o costume passa a vazar inquéritos sigilosos para os próprios investigados.

Gostem ou não os admiradores: o juiz(?) Moro é um transgressor por excelência (ops!).

domingo, 30 de junho de 2019

Escolha o leitor: uma droga de semana ou uma semana de drogas

Uma semana como sói natural nestes tempos singulares. Diplomacia –  ou o que isso representa para o atual governo , judiciário, hidrofobia, drogas e quejandos outros. E –  tema obrigatório –  o que traz o Intercept.

No quesito droga cremos que o título deste dominical deixa ao leitor reconhecê-la sob a melhor configuração semântica. 

Aos fatos, como observados pela coluna.

Aplausos
Não se diga que o governo liderado pelo inquilino do Alvorada não encontra apoio internacional. Por defender pauta das mais retrógradas na ONU o Brasil foi aplaudido pela Arábia Saudita, Paquistão e Barhein, como veiculou Jamil Chade

Inclusive o autor da matéria ouviu de um diplomata que circulava nos corredores do G-20, em Osaka-Japão, uma afirmativa de um o governo de Duterte (Filipinas) tinha apoio brasileiro para uma resolução para que os massacres naquele país não sejam investigados.

Na outra ponta,  a agenda com o presidente da França, Macron, foi por ele (Macron, naturalmente) cancelada, em protesto às posições da ‘diplomacia’ brasileira em relação ao clima.

O inquilino do Alvorada se tornou um típico leproso vivendo no auge das Escrituras: ninguém o quer por perto. E quando aparece fogem dele como o Diabo da cruz.

Não se diga que tudo foi ruim: o excelentíssimo – que já andou exaltando exportação de abacate brasileiro para a Argentina – acaba de anunciar a força da terra brasilis naquilo que vê como grande fonte de divisas para o país: exportação de bijuterias de nióbio.

Chade se disse decepcionado. Não sabemos se a adjetivação corresponde à realidade.

Lado desconhecido
O apoio de alguns militares ao inquilino do Alvorada (leia-se, ao seu governo e ideias) exibe um lado que nunca imaginamos existir nas Forças Armadas: o idiota de farda.

Tudo acrescido do singular instinto de cão raivoso, como alguns fazem questão de exibir.

Avião
Helicóptero de Perrela, com 548 quilos de pasta de cocaína; avião da comitiva presidencial, com 37 quilos; 33 quilos em outro avião militar.

Famosa a expressão ‘avião’ para definir crianças e adolescentes que servem ao tráfico transportando papelotes.

Oportunidade de conferir quem são os verdadeiros traficantes. 

E de onde surgem e quais a garantias de cada um deles.

E lá se vão as galinhas dos ovos de ouro
Estatais de outros países apropriam-se, via privatizações, das riquezas minerais brasileiras. Não são os investimentos que aportam, mas as facilitações do governo para que se apropriem da riqueza que é do povo.

O detalhe é que cai por terra o discurso interno de que as estatais são inconvenientes. Naturalmente as nossas – para os entreguistas – porque as estatais chinesas, norueguesas, francesas, italianas, até mesmo colombianas estão nadando de braçada em substituição às nossas.

País dos sonhos
Melhor diríamos: Judiciário dos sonhos. Sonhos de efetivação de Justiça, não. Mas os sonhos da classe dominante. Aquela que tem o país a seu serviço.

Deu no 247: aquele senador do Distrito Federal condenado por crimes financeiros a quatro anos acaba de ter autorização judicial para passar férias em Aruba, no Caribe.

Lula não teve autorização nem para ir ao enterro do irmão.


STF I
Trilhamos pelo perigoso caminho de desconhecer que toda ação humana carece de estar respaldada na Moral. Ou seja, somente se perfaz válida se moralmente reconhecida, se por aquela justificada.

Diante das dúvidas que pairam sobre algumas excelências degustadoras de filé de lagosta e vinhos importados (à custa do povo) diante do escândalo comandado por juiz e procuradores para condenar Lula cremos que o dito acima tornou-se apenas figura de retórica.

STF II
Como previsto a covardia, o comprometimento com o golpe confirmado fica com o adiamento inconcebível em um Estado de Direito, quando feridas as disposições legais que asseguravam o direito do autor ao julgamento.


Réu idoso preso, julgamento já iniciado para apreciar o habeas corpus.

Ainda que saibamos, não custa perguntar: o que ganha o STF afirmando-se conivente?

STF III
Temos escrito em torno do comprometimento do STF com tudo que ora ocorre. Até porque nada mais profético que aquele “Com Supremo e tudo” de Sérgio Machado dialogando com Romero Jucá, tradução literal do que se trama nos bolsões da classe dominante para se apropriar do Estado e dele fazer sua propriedade: a lei é para todos – os outros – não para mim

Mas uma pergunta sempre nos fazemos: quem nomeou tais ministros?

Da atual composição apenas quatro – já foram três – não são indicação de governos petistas. E olhe que outras peças (singulares) não mais lá estão (também indicações petistas) como Ayres Brito, Joaquim Barbosa, Eros Grau, César Peluso.

De origem petista indicações várias para Superior Tribunal de Justiça e TST.

Lula já afirmou, diante da juíza Gabriela Hardt, que as indicações para o STF ocorriam por acordo com a classe política. 

Aí o busílis: regra antiga (que devia ser combatida) como a indicação para cargos vários (inclusive diretorias da Petrobras) para assegurar a ‘governabilidade’.

A manutenção de tais vícios gerou ‘mensalão’ (caixa 2 julgado como corrupção) e petrolão. 

Naturalmente porque o PT era a vidraça. Afinal, beira a insanidade imaginar que tudo começou em 2003.

domingo, 23 de junho de 2019

Ainda a "era da vergonha"



Na cronologia da história humana a periodização constitui singular capítulo a demonstrar os estágios de avanço na construção que deságua nesta contemporaneidade (Era Antiga, Era Moderna etc.). 

Alguns levaram milhares de anos, outros bem menos tempo. 

Mas, talvez, nenhuma tenha surgido tão rapidamente como a "era da vergonha", criação tupiniquim desenvolvida nesta terra brasilis em menos de uma semana. 

[...} "Com Supremo e tudo" I
Vivemos uma situação inusitada (em que pese nada mais que envolva STF e quejandos justificar tal adjetivação): possibilidade concreta de um julgamento agendado para o próximo dia 25 ser adiado ao sabor dos humores da nova presidente da Turma que julgará o habeas corpus impetrado para reconhecimento da nulidade processual por suspeição do juiz Sergio Moro.

Onde o inusitado? Todo o planeta reconhece a postura criminosa de Moro. Inclusive não poucos magistrados e procuradores brasileiros. Sem descurar de ministros. Os fatos são gritantes.

Temos dito, porque sabido e consabido, que nada teria acontecido caso o STF houvesse cumprido com seu dever de protetor da ordem jurídica.

Eis aí o busílis: no momento Moro está às traças no quesito credibilidade; caso o STF (Cármen Lúcia) adie a decisão promoverá o reconhecimento da responsabilidade de muitos de seus pares na patranha que levou Lula à condenação/prisão e à impossibilidade de candidatar-se à presidência.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

[...} "Com Supremo e tudo" II
Afinal, em estágio de confirmação e ratificação o alinhamento do Poder Judiciário e Ministério Público (por convicção) e a classe dominante e sua representação (Congresso) com o golpe que no primeiro instante evitou Lula tornar-se ministro de Dilma, em seguida alimentou a deposição/impeachment da presidente e se consumou com a perseguição judicial ao ex-presidente como pessoa e como político.

A Procuradora-Geral da República Rachel Dodge já exibiu as unhas e dentes: opina contra a suspeição de Moro. Resta o STF confirmar. Ou tentar se redimir dentro de um quadro irremediável.

Afinal, todo o desenrolar desta ópera bufa ratifica, mais e mais, o grande acordo refletido no diálogo Sérgio Machado/Romero Jucá: “A solução é botar o Michel [...] Num grande acordo nacional, com Supremo e tudo”.

"Botar o Michel” significa ‘botar’ qualquer um, gato, rato, papagaio, periquito.

O atual inquilino do Alvorada foi apenas a solução extrema, quando não mais havia outra saída.

No fundo, uma catarse viva e permanente muito bem ilustrada por Jessé Souza em seus últimos escritos/revelações, do qual destacamos “A Elite do Atraso” e por Petra Costa, no documentário “Democracia em Vertigem” (Netflix).

Mais uma da série
O inquilino do Alvorada retirou de Ônix Lorenzoni (civil) a articulação política com o Congresso e a transferiu para o recém nomeado General Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo.

Simplesmente retirou do político de carreira o controle da articulação com os pares políticos e o entregou a um general.

Como não sabemos da experiência política de um general de caserna, a não ser sob o critério do mando e da ordem unida, muito certamente o inquilino pretende que, com um grito, o Congresso se submeta, sob o risco de baionetas embaladas convencerem os recalcitrantes.

Busca repetir o que já aconteceu com o STF: ameaça de general já funcionou. 

Contra Lula, naturalmente.

A preço de ocasião
O STF (leia-se ministro Edson Fachin) legitimou mais uma falcatrua: a venda da Transportadora Associada de Gas, subsidiária da Petrobras.

A coisa remete a um cheiro comum, como aquele negócio mal feito da indenização/aquisição da Light, pelo Governo Federal, nos anos 70 do século passado, por 390 milhões de dólares.

Para relembrar: a Light (canadense) tinha concessão governamental para fornecer energia por 100 anos e todo o material investido no período seria do próprio governo ao final do período, 1991.

Resultado: ainda que fosse receber ‘de graça’ os investimentos feitos pela Light o governo pagou, para antecipar a entrega, a bagatela acima referida. 

O negociador, eufórico, declarou a um amigo a inconfidência (entreouvida pelo Jornalista Sebastião Néry, que a publicou no Tribuna da Imprensa) que só ele receberia 39 milhões. Supimpa.

Dias atuais: nesta entrega na bacia das almas a Petrobras vende um gasoduto em valores de mercado por aquilo que ora transporta. 

Por mera coincidência, logo depois anuncia mega campo em Sergipe de petróleo e gás.

Ou seja: o valor transportado poderia ser bem maior do que aquele que justificou o atual preço.

Apoteose: caso a francesa adquirente resolva vender hoje a TAG, sem mesmo tomar posse do que comprou, ganharia bilhões de dólares.

Viva o Brasil!

E para não perder o mote: "Com Supremo e tudo".

Perfeito
Do muito pouco que assisti da midiática sessão da Comissão (o que se tornou comum, especialmente quando se pretende utilizar  no caso a própria mídia  da contextualização conveniente para atingir este ou aquele objetivo) não alcancei a expressão deste senador. 

Cansei em razão de dois instantes: um deles, a mediocridade intelectual de uma senadora do PSL, que se proclamou advogada, tentando explicar e defender o inexplicável e indefensável; outro, o de dois senadores petistas, que  mais uma vez (os petistas)  transformam em palanque uma oportunidade de deixar a singular nada 'triste figura' na rés do chão, bastando que perguntassem ao dito cujo se "verdade ou não" o que foi divulgado. 

Caso assim fizessem deixariam o "artista" na condição de: 1. ou confirmava; 2 ou negava. No primeiro caso, a confissão; no segundo, a prática de crime, a ser apurado, por mentir perante a comissão. 

Mas assim não agiram Suas Excelências. 

E mais uma vez  não conseguem fazer a leitura da realidade (de que são 'o Cão chupando manga')  e alimentam a mídia favorável a tudo que a aí está, aquela para quem tudo "é coisa do PT". 

A postura do senador capixaba foi perfeita. Lembramo-nos, respeitosamente, da então senadora Marina Silva, interrogando ACM no caso da violação do painel, quando se limitou apenas a perguntar  de forma arrasadora  dispensando o discurso.