quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Rescaldo

De feriado
Manhã desperta em silêncio de uma cidade que sobrevive ao blim-blão que norteou família e amigos reunidos em ceia – os que a têm – para lembrar – pouco – o nascimento do símbolo maior da Cristandade.

Preguiça de feriado e pensamento matutando em torno do que virá no dia seguinte. Afinal, ainda que pouco reconheçamos, o day after a qualquer feriado nesta sociedade contemporânea mais está para concentrar em busca de soluções para os problemas que dormitaram na rede da fereança.

Nada na mente para escrever. Talvez – melhor dizendo – deixado para depois o que escrever. Solução para ocupar o tempo: leitura. E lá no Jornal GGN são mostrados resultados – e esperanças – advindos de uma experiência científica alimentada em pesquisa a partir um método de nome um tanto estranho – eletroconvulsoterapia (ECT) – voltada para apagar memórias ruins. De lá pinçamos:

“A um grupo de voluntários foram exibidas histórias traumáticas por meio de um slideshow. Em seguida, o grupo foi convidado a narrar os episódios vistos na apresentação. O passo seguinte foi submeter parte do grupo à terapia de ECT. No dia seguinte, em um teste, os pacientes submetidos ao experimento tiveram maior dificuldade de recordar os acontecimentos exibidos um dia antes, ao contrário dos demais que não passaram pelo ECT.

Como o nome do nominado método o diz cuida de trabalhar convulsões através de estímulos elétricos que levaram ao despertado interesse dos pesquisadores para solucionar problemas que afetam os sucumbidos à depressão grave.


Tivéssemos intimidade com Tia Zulmira – ermitã conselheira de Stanislaw Ponte Preta – certamente dela ouviríamos: “É, meu filho, ainda que a coisa cheire ao velho eletrochoque seria bem vindo ao Brasil, que anda precisando esquecer muita coisa. Inclusive a passagem de alguns políticos pelo poder. Com o risco de alguns ficarem inteiramente sem memória, no caso de parcela considerável dos analistas econômicos”.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Crônica de Natal

Epifania
  Adylson Machado

Uma certa nostalgia beira a depressão profunda. E se nos acomete quando se aproxima o Natal, anunciado sob o condão de que o mundo real é o recôndito que emana do encravado no Ártico de Papai Noel. E tudo conspira contra o resgate da alegria, no divulgar o “espírito” de menos fraternidade e mais materialidade, menos irmandade e mais consumo como saída mágica para as mazelas do planeta e de sua gente, elaborado no axioma mercantilista de que o ter, pelo poder da compra, realiza o ser.

Ao contrário de “Bate o sino pequenino, sino de Belém, já nasceu o Deus menino para o nosso bem”, a “Boas Festas” – de Assis Valente – melhor compreende esse estado de espírito, refletindo a contradição entre a esperança da igualdade inspirada no nascimento do Menino Jesus vocacionando o Homem à Felicidade e a que “inspira” as burras dos que ofertam um mundo melhor, sempre adiado, alimentado na concentração e não na distribuição das dádivas da riqueza.

Por outro lado, temos que um “raso da Catarina” da dura realidade há muito desmoralizou os versos de “O Velhinho”, de Octávio Filho, aquele do “Botei meu sapatinho na janela do quintal” porque “seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem”, singular utopia socialista, só não tachada de comunismo comedor de criancinha porque alimenta o capitalismo.

Afinal, quando despenca a distribuição da riqueza, quando o desemprego ainda existe, a senilidade do Papai Noel se acentua e torna-o mais seletivo, conduzindo o trenó somente para endereços de quem disponha de castelos com reluzentes luminárias que lhe sirvam de farol em noite de tempestade.

No entanto, o talento para idear meios cada vez mais capazes de exaurir poupanças manipula o espírito natalino-cristão em benefício do natalino-comércio. O sentimento da afetividade aflorada no imaginário, seduzida por música angelical, dispara o processo do compre-compre-quanto-mais-comprar-mais-feliz-será.

Nos últimos anos concebeu de instalar árvores de Natal em agências dos Correios e centros comerciais “enfeitadas” de cartões com pedidos de crianças que não possuem endereço com estacionamento para o trenó do cidadão da Lapônia.

Não deixa de ser comovente folhear tais pedidos, que sensibilizam certamente. “Já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem, com certeza já morreu ou felicidade é brinquedo que não tem”, declama Assis Valente, ecoando em nós mais pela melodia internalizada no imaginário do “compre” do que pela mensagem que expressa, elaborada para todas as idades.

E se nos alcança o Quixote redentor de que fazendo a minha parte contribuo para mudar o mundo. A universal “Noite Feliz” – letra original de Joseph Mohr para melodia de Franz Gruber, que se atribui composta no 25 de dezembro do distante 1818 – embala os sonhos de um mundo melhor lembrando que “O Senhor, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém”, razão por que a doação que se fizer nasce na manjedoura divina alcançada pela estrela guia.

Mas, dizíamos, não deixam de sensibilizar tantos pedidos para crianças que se encontram sob cuidados e atenções alheias dedicadas à prática do amor ao semelhante. Particularmente, os olhos marejam nas lembranças da infância sertaneja do autor, causticada a vida como a terra pelo sol, quando sapatinhos e meias eram postos bem arrumadinhos no compasso da espera e ficávamos retardando o sono na venial curiosidade de aguardar o velhinho para agradecimento pessoal e morrer de felicidade num abraço daqueles que só as crianças com sonhos satisfeitos podem dar.

E na desperta manhã quando nos debruçávamos sobre a realidade compreendíamos como punição o nada haver recebido – criança desobediente dá nisso mesmo. E púnhamos as mãos postas em oração silenciosa de mea culpa, ajoelhado ao lado de meias e sapatinhos vazios pedindo indulgências pela curiosidade. E antecipávamos o pedido implorado de que não fôssemos esquecido no ano seguinte e que continuaríamos um bom menino, rezando ao levantar e ao deitar para papai, mamãe, vovô, vovó, titio, titia, irmãozinhos e também “para você”, Papai Noel. Então corríamos para nos pendurar no batente da janela bebendo na ânfora da alegria alheia, olhar fundo, distante e comprido, brotado de foto de Sebastião Salgado.

É por isso que marejamos diante destas árvores pendidas de esperanças, sonhos e tantas expectativas com uma indagação: se não aliviadas de todos aqueles pedidos postarão as destinatárias mãozinhas vazias em oração, adiando a esperança? Terão voz para “Noite Feliz”, compreendendo a crueza da existência na realidade pautada em desigualdades?

Afinal, para o comércio, apenas algumas unidades a menos nas estatísticas dos negócios. Para a infância, a quem só resta o ano próximo, uma frustração que pode marcá-la para sempre, como ao gado sob o ferro em brasa, indelével para existência.

Mas nos vem Máximo Gorki: “tempo virá em que os homens se admirarão uns aos outros, em que cada qual brilhará como uma estrela, em que escutará a voz do seu semelhante como se fosse uma música” (A Mãe).

Por causa disso nos inclinamos a rogar que a epifania se faça e alguém tenha tomado o cajado de Papai Noel e guiado o seu trenó para evitar o desencanto de uma criança. Que é a coisa mais triste de se ver.

E de compreender!


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

São Paulo

Não é Brasília
Esta a dedução a que se pode chegar quando os arautos da moralidade encastelados principalmente no PSDB vetam qualquer iniciativa de apurar denúncias que os envolve. Trazemos aqui matéria veiculada no Brasil 247, nesta segunda 23, que bem ilustra a postura esquizofrênica (por conveniência, necessidade e sobrevivência) do tucanato paulista.

247 – Se depender da base aliada do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo, o escândalo da formação de cartel em contratos de trem e metrô em governos tucanos desde Mario Covas (1998) não sairá do papel.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pediu "rapidez" e "seriedade" nas investigações sobre o esquema de cartel.
No entanto, até agora, a abertura da CPI do caso não obteve adesão suficiente de deputados. Desde 2008, esta é a quarta tentativa do PT para instalar uma CPI sobre o conluio de empresas nos contratos do Metrô paulista. As propostas anteriores não passaram pelo mesmo motivo: bloqueio da maioria governista. Para existir, a comissão precisa de 32 assinaturas. Até o momento, a atual proposta conta com 26 adesões.
Além disso, dos 28 requerimentos da oposição para convocar autoridades e envolvidos no esquema, apenas três foram ouvidos pelos deputados. São eles: o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e os atuais presidentes do Metrô, Luiz Antonio Pacheco, e da CPTM, Mário Manuel Bandeira.
Figuras importantes, como os presidentes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinicius Carvalho, e da Siemens, Paulo Stark, e o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) não responderam à convocação.
A comissão ainda não acatou o pedido para ouvir um dos delatores do esquema, Everton Rheinheimer. Ele acusa três secretários de Alckmin – Edson Aparecido, Rodrigo Garcia e José Anibal – de receber propina do esquema. Além disso, envolveu o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) e o estadual Campos Machado (PTB).
Outro nome vetado foi o de João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM que recebeu US$ 836 mil numa conta na Suíça.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Alguns destaques


DE RODAPÉS E DE ACHADOS *

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Caças
Naufragaram os interesses da indústria estadunidense de vender aviões à Força Aérea Brasileira. Viram a bisbilhotice do “império” afastá-los da concorrência e os suecos levarem o negócio.

O mais importante da negociação reside na transferência de tecnologia, produção de componentes em território brasileiro e a abertura dos mercados da América do Sul e da África e onde mais tenha o Brasil penetração comercial.

Ou seja, abrimos um flanco para a indústria nacional e uma fatia no mercado aeronáutico de defesa.

Muito mais que a simples reposição de equipamento trata-se de expressiva ocupação de espaço na logística mundial.

Natal
Para Carlinhos Cachoeira – condenado a 39 anos de prisão – arrasta-se o processo no exercício do direito a recursos. Trabalha tranquilamente e mesmo ensaia lançar a atual mulher na carreira política.

Para Rafael Braga Vieira, continuar na prisão. O catador e morador de rua foi detido, no dia 20 de junho, com duas garrafas plásticas – uma com Pinho Sol e outra com cloro. Acusado de portar coquetéis molotov terminou condenado a cinco anos de reclusão (não era primário). 

O único dentre milhões que protestaram no período. (Sua história integra a edição 200 da Caros Amigos).

O primeiro sabe de tudo o que fez. O segundo desconhece o que lhe aconteceu e nem mesma sabia o que ocorria em volta, pois apenas retornava ao local onde costumava dormir.

Um e outro terão direito aos mesmos carrilhões natalinos, em tempos de solidariedade cristã.

Caiu no laço I
Sem o perceber o ministro Joaquim Barbosa caiu no laço armado por aqueles que não dispõem de pernas próprias para avanços político-eleitorais. Na falta de propostas concretas para enfrentar a situação a oposição tem se valido de todos os meios para encontrar um caminho. Encontra apoio – se não conivência – na grande mídia, que há muito esqueceu seu compromisso com a informação jornalística para assumir plenamente seus contornos políticos.

A espetacularização alimentada pela mídia – onde aí o próprio Joaquim Barbosa se tornou conivente (haja vista até antecipar para jornais decisões que publicaria no dia seguinte) – servia ao desiderato da construção do personagem heróico que lhe foram atribuindo, de salvador da pátria. Que o ministro aceitou, caso não tenha provocado.

Tornou-se Joaquim Barbosa a figura imprescindível aos interesses mais conservadores. Como contraponto ficou refém dos que o incensaram.

Caiu no laço II
A decisão do ministro, de respaldar decisão oriunda do Tribunal de Justiça de São Paulo, mantendo a suspensão dos efeitos de liminar concedida para sustar a cobrança do IPTU em áreas específicas, alcançadas pelo princípio da afetação da mais-valia, é um exemplo.

Em sua manifestação afirmou que não podia agir de forma diversa porque não dispunha de informações em torno do orçamento da capital paulista. Caso fosse essa a razão, não lhe custaria pedir cópia da peça orçamentária. Afinal, um julgador não pode decidir com base no que diz desconhecer e poderia conhecer.

Resultado: aliou-se aos interesses da elite paulistana em detrimento das vantagens que chegariam às parcelas menos favorecidas da população.

Caiu no laço III
O prefeito Fernando Haddad ao estabelecer um aumento diferenciado para o IPTU não estava cometendo absurdo. Apenas cumprindo a lei municipal que autoriza o município a atualizar, através de ajuste, a planta genérica do IPTU da cidade.

Por dita lei a afetação da mais-valia deve corresponder à responsabilidade do sujeito da obrigação tributária, beneficiado por valorização que ultrapassa os limites a serem alcançados pura e simplesmente por Contribuição de Melhoria.
Como contrapartida, a redução do IPTU em áreas não alcançadas por iniciativas do poder público que beneficiaram camadas mais aquinhoadas de contribuinte e o custeio da redução da tarifa de transporte urbano.

Nesse sentido, nenhuma crítica a empresários, industriais e ricaços paulistas em defesa de seus interesses pessoais. A crítica reside a quem cumpre contornar os conflitos, buscando a promoção de Justiça.

Aí sobrou – no fim – para Joaquim. Assumiu a postura de defensor de ricos e abonados.

Candidaturas
A informação – que pode ser uma afirmação – é de Dora Kramer, em sua coluna no Estado de São Paulo: efetivamente o ministro Joaquim Barbosa tem pretensões político-eleitorais. (Pretensões político-ideológicas o demonstrou sem constrangimentos desde que julgou/acusou a AP 470). Assim como a possibilidade cerca a ministra Ellen Grace, que assinou ficha de filiação no PSDB no início de outubro.

Joaquim – segundo Kramer – pode não sair candidato a presidente, justamente porque confirmaria – escancaradamente, dizemos nós – a atuação político-propagandística de seus mais recentes atos no STF.

Ao que parece, dos partidos políticos, o PSDB muito se interessaria na candidatura de Joaquim Barbosa. Como senador pelo Rio de Janeiro.

Não sabemos se interessa à mídia que o incensou uma candidatura que não seja para presidente. Afinal, não tira o ilustre nome votos de Dilma Rousseff, tampouco asseguraria um segundo turno.

Quanto a Gracie, o tempo dirá em torno do que pretende com a filiação ao PSDB.

Resta esperar pelo futuro. Dos candidatos! Em razão da escolha entre fazer política no STF, julgando, ou pelas vias legais, concorrendo a um mandato.

De nossa parte já os temos como suspeitos em julgamentos que digam respeito a aspectos político-eleitorais.

Quando a má fé impera I
A chamada do Jornal Nacional desta terça 17 não perdeu o mote de estabelecer detalhe a ser desmentido pela matéria: anunciou a privatização da rodovia BR-163 e informa que a concessão o foi para trinta anos. Ou seja, subliminarmente – portanto, propositadamente – vai jogando no imaginário do telespectador menos avisado que privatização e concessão são sinônimos.

Na mesma terça anunciou inverdade, no que diz respeito ao direito de passageiros de avião terem de volta, integralmente, o custo da passagem paga, em caso de desistência.

Quando a má fé impera II
Criando uma singular semântica para erro ou manipulação da informação, no caso das passagens, cuidou de pedir desculpas  pela “falta de precisão”, o que ocorreu na edição desta sexta 20.

No que diz respeito à confusão que lança no ar para estabelecer privatização e concessão como sinônimos nenhuma palavra.

Faz o jogo e o discurso dos partidos de oposição ao governo. Só que ela (a Globo) não é um partido político.

Ao que parece o padrão global, no plano jornalístico, vai perdendo espaço para a distorção da verdade/realidade.

Perdendo espaço na mesma velocidade com que perde audiência.

Quando a má fé impera III
Como distorce a verdade factual perde credibilidade até para por no ar um editorial que a defenda das acusações de sonegação.

Mas, como soaria bem uma chamada da Globo anunciando que foi instaurado inquérito, na Polícia Federal para apurar dita sonegação!

Mesmo que dissesse ser perseguição do Governo.

Que dificuldade!
Quando a economia brasileira tropeça é alimento do noticiário contra o Governo. A linha editorial de Economia da Globo não pode ser considerada favorável ao Governo. Suas análises sempre estão recheadas de um “mas”. Tem dificuldade em explicar sucessos da política economia – ainda que não seja uma das sete maravilhas do mundo. 

Como ocorre com a análise em torno da redução da concentração de renda no Brasil. Gagueira é a tônica, como visto em vídeo por nós localizado através do Conversa Afiada http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2013/12/20/a-dificuldade-da-urubologa-para-boas-noticias/

Gesto simbólico
O mandato do presidente deposto João Goulart foi devolvido simbolicamente pelo Congresso na última quarta 18. Presentes todas as autoridades da República.

Simbolicamente todos aplaudiram. Menos os chefes das três Armas. Não sabemos se por respeito ao golpe que depôs o presidente ou se por artigo presente no código de disciplina militar.

Distante da mídia
Cai a inadimplência, assim como o desemprego. Descoberto mais petróleo no pré-sal – agora no Rio Grande do Norte – e a refinaria Abreu Lima deve entrar em funcionamento em 2015. Em pleno vapor a indústria naval, lançando plataformas, como a recente P-62. Notícias alvissareiras.

Difícil é uma análise, na mídia, que as reconheça como originárias e positivas dentre as políticas do atual governo.

Lugar comum
O ano caminha para o término. Mais que suficiente o tempo para avaliações das administrações que iniciaram suas gestões no 1º de janeiro. Muitas ainda não disseram por que assumiram. Outras patinam no lugar comum da escassez de recursos.

Quase todas – se não todas – pautam(ram)-se no mais comum dos lugares comuns: incharam a máquina e as folhas de pagamento.

Itororó
Quem mais sentiu o desastre do Atlético Mineiro no Marrocos foi a cidade de Itororó. Lá nasceu Pierre, o combativo meio campista do galo.

Não pode esquecer, no entanto, que dificilmente, no curso de uma ou duas décadas, um itororoense chegará tão longe em nível de conquista e de participação no futebol mundial.

Saudade
Ainda que a sintamos com coisas muito recentes e sabendo quão difícil será para as gerações últimas compreendê-la em seu mais profundo significado, brindamos a todos com Francisco Petrônio e “Baile da Saudade” (Palmeira- Marinozo). Muitos poetas de hoje desconhecerão muito do que nela se encontra expresso. Em palavras e sentimentos.


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* Coluna publicada aos domingos no www.otrombone.com.br 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Vestais

Em chamas
O moralismo faz o moralista se revestir de atribuições que o tornam a referência para os demais vis mortais. De sua boca saem os clamores em defesa da ordem, da moralidade. Gritam contra a corrupção, contra atitudes de governantes. Sentem-se imunes e isentos, exemplo a ser seguido. Não à toa atribuir-lhe a sinonímia de vestal, simbolizada no vestalato da Roma Antiga, que de cada uma delas exigia dedicação extrema no âmbito da castidade para tonar-se sacerdotisa de Vesta.

De governos ditatoriais a opositores deste ou daquele governante, ou de sua forma de governar, trazem a lume o discurso como instrumento absoluto para a solução dos problemas da sociedade. Exibem-se arautos da moralidade pública, símbolos de retidão.

O PT tem comido o pão que o Diabo amassou às custas do caixa 2 que resolveu instituir nos moldes desenvolvidos pelo PSDB mineiro, tanto que lá foi buscar o seu coordenador Marcos Valério. O custo é o que vemos, transformado o irregular e ilegal custeio de campanhas políticas em 'mensalão'. 

De arrebanhamento de recursos viu de uma hora para outra tornada a prática comum em corrupção. E paga por isso. Porque assim definiram inúmeras vestais da política nacional. Algumas andam despencando, aos poucos que seja, como exemplos mais imediatos o ex-senador do DEM Demóstenes Torres e na esteira vão surgindo os integrantes de outra frente, a que integra o tucanato paulista.

Têm, ditos moralistas, encontrado o beneplácito da denominada grande imprensa. Que passa ao largo de ruas e avenidas onde estejam integrantes do PSDB, DEM ou PPS. E apoiados em clássicos engavetadores encastelados em instituições que convivem com o dever de desengavetar, a exemplo alguns titulares da Procuradoria-Geral da República.

Não sabemos os desdobramentos. Mas uma esquecida investigação- guardada com carinho nos escaninhos de Roberto Gurgel - parece que será desengavetada pelo atual titular da PGR, Rodrigo Junot. Algumas evidências(?) envolvendo o DEM do Rio Grande do Norte, onde pode estar envolvido o paladino Agripino Maia.

Tudo contido em matéria da IstoÉ que está nas bancas. Melhor, para o leitor, conhecer a origem acessando http://istoe.com.br/reportagens/340577_CAIXA+2+DEMOCRATA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Ainda que pareça precipitação, pelo menos por enquanto podemos anunciar que as vestais estão em chamas.

à espera dos bombeiros de sempre.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Samba

Doido
Stanislaw Ponte Preta, no segundo quartel da década de 60, protagonizou aquilo que o tropicalismo denominaria no imediato de 'Geleia Geral' (1968) -expressão de Décio Pgnatari, título de composição de Torquato Neto e Gilberto Gil - a partir do "Samba do crioulo doido" (1968). Já não bastava a Stan o Febeapá - Festival de Besteiras que assola(va) o país. A coisa desandara para pior. O samba era a profecia e Stanislaw o seu profeta.

Nos vem à oportunidade essa 'geleia' a propósito de uma declaração do governador e presidenciável Eduardo Campos proferida em terras baianas quando filiava Eliana Calmon ao PSB. O ilustre personagem criticou veementemente o governo Dilma Rousseff por considerá-lo guinado ao conservadorismo diante da aliança que estaria a sustentá-lo.

Sentimos de imediato a cabeça zunir e uma nuclearização de estrelas e pirilampos no entorno deste pobre escriba. Transtornado fomos buscar registros recentes de alianças.

Procuramos expoentes conservadores antes encastelados no PSDB, no DEM, no PPS liderados por ideólogos da estirpe de um Heráclito Fortes e Jorge Bornhausen.

Onde estão? Onde? Onde? No PSB de Eduardo Campos!

Um pouco aliviado nos acalmamos e estamos em transe para tentar (re)compor um novo samba: o "samba do Eduardo doido".


Raízes

Da desigualdade
A relatora especial das Nações Unidas para Água e Saneamento, Catarina de Albuquerque, manifestou sua estupefação com a desigualdade presente no Brasil no que diz respeito à sua área de atuação. Num mesmo país a cobertura de esgoto com tratamento varia entre 93% e 5,5%.

Para uma economia que apresenta índices civilizados de oferta de emprego (atualmente em 4,6% os desempregados), situando-se no patamar de sétima ou oitava do planeta, não deixa de ser grotesca a realidade posta no quesito saneamento básico. 

Mas, antes de qualquer observação mais exigente, veremos que a desigualdade é um fenômeno de natureza atávica no país de 500 anos. Desigualdade há na distribuição de renda, entre a menor e a maior remuneração paga, na tributação etc.

Cobra-se das autoridades políticas públicas concretas para reduzir tal absurdo. Entretanto se uma ou outra enfrenta o problema de imediato é atacada justamente por aqueles que mais se beneficiam da desigualdade que criam.

Temos uma ordem normativa elaborada para manter desigualdades, quando a maioria do Congresso corresponde à representação justamente das minorias que as alimentam.

O prefeito de São Paulo resolveu administrar aquilo que se denomina afetação da mais-valia. Para o leigo melhor entender: o poder público investe em áreas que traduzem maior agregação de valor aos imóveis particulares; ou seja, com investimentos de toda a sociedade algumas áreas são mais beneficiadas ao traduzirem valorização - às vezes desmedida - a imóveis sem que haja correspondência no âmbito da arrecadação tributária. A lei geral admite instrumentos como a Contribuição de Melhoria para corrigir tais distorções. Mas a CM não é o único meio.

O recadastramento imobiliário detecta as distorções. Razão por que reformulações no Código Tributário dos municípios se impõem através da viabilização de majoração das alíquotas de IPTU.

O que ora ocorre em São Paulo no início deste milênio repercutiu em Itabuna. A administração de Geraldo Simões (2001-2004) promoveu um recadastramento imobiliário e detectou absurdos como determinado contribuinte recolher aos cofres do município sobre apenas a área nua do terreno quando sobre ele havia construção que variava de térreo a dois, três pavimentos aéreos.

O ajuste de tais irregularidades gerou uma campanha de que havia um aumento "abusivo" do IPTU, quando não era verdade. Um punhado de beneficiados, muitos da classe média alta, engrossavam o coro de descontentes.

Em São Paulo o coro declara a existência de um aumento no IPTU como se fora generalizado, quando não o é. Apenas aqueles que entendemos integrarem áreas que correspondam a beneficiárias de investimentos públicos que estejam alcançadas pela afetação da mais-valia não suscetível de correção pela Contribuição de Melhoria.

Tenha o leitor a certeza de que o choro não vem de pequenos ou médios proprietários. 

Com este último exemplo podemos ilustrar como caminham as desigualdades no país. Um país que escolheu o Sudeste - posteriormente o Sul - para aplicar a riqueza arrecadada e negou às demais regiões o mínimo que lhes possibilitasse ingressar no 'primeiro mundo'.

Enquanto não houver uma reforma tributária que determine a tributação da renda, da riqueza e da herança para contribuir com a desoneração do consumo não deixaremos de conviver com absurdos como os observados pela relatora da ONU para Água e Saneamento.

Escandalizada ficou com a ponta do iceberg. Caso descubra mais uma parte do fenômeno certamente não terá coração para resistir.