sábado, 10 de maio de 2014

Sou assim

Fazer o quê?
O decisão chegou aos jornais: o ministro Joaquim Barbosa negou o pedido de José Dirceu para trabalhar fora do complexo da Papuda, fundando-se na circunstância prevista em lei de que tal benefício somente alcança os que tenham cumprido um sexto da pena
Para nós nenhuma surpresa. No estágio de Estado de Direito em que estamos a interpretação de Barbosa igualando condenações em regime fechado às do semi-aberto nada mais é do que a manifestação da natureza -escorpíanico-barbosiana.
Aguarda-se - para que não afirmemos ter sido a decisão uma 'decisão política' - que faça o mesmo com Roberto Jefferson.

Certamente fica a certeza de que - no âmbito da evolução da interpretação da lei - estamos em estágio de 'involução'. Imagine o leitor que condenação ao regime fechado é repercussão atribuída como sanção do Estado a delitos graves; ao semiaberto, a delitos de menor repercussão. Tudo isso traduzido na dosagem das penas.

Quem comete um latrocínio (roubo seguido de morte) ou um estupro, apenados com punição restritiva de liberdade superior a 12 anos, não pode ser considerado em pé de igualdade a quem o foi apenas com menos de 8 anos. Para o primeiro, regime fechado; para o segundo, o semiaberto.

O nome para cada um por si mesmo define o que pretendeu o legislador.

Mas no caso do ministro Joaquim Barbosa - que inovou (como sempre) ao atribuir para si a condução da execução penal em relação aos condenados na AP 470 - "la Loi cett'est moi". Ou seja: a lei não é a regra jurídica geral e abstrata, mas a que ele faz e interpreta.

Atendendo a pedidos
A atuação do ministro Joaquim Barbosa no curso da AP 470 sempre esteve alinhada ao desejo da mídia político-partidariamente atuante. Manipulou a processo que tinha sob sua relatoria conforme o pretendido por segmentos da mídia sensacionalista, mais comprometida em utilizar os fatos que iriam a julgamento como instrumento político-eleitoral, tanto que o transcurso do julgamento se deu em período eleitoral.

Depois de cumprida a sua dimensão utilitária, quando começaram a vir à tona os absurdos cometidos em ferimento ao universo de princípios e regras jurídicas, perdeu Joaquim espaço. Mas não se curvou. Sacrifica a imagem do STF, porque a sua (pessoal) sacrificada está. 

No entanto mantém seu compromisso. Busca - assim vemos - retorno às manchetes. Para que tal ocorra precisa dotá-las de dimensão político-eleitoral, agora à véspera de eleição presidencial, onde presentes as mesmas disputas ideológicas.

Sangue tem sido o pedido maior daquela mídia. 

Lembramos há poucos dias que o proprietário da Escola Base, de São Paulo, linchado publicamente, tendo a vida destruída na esteira do sensacionalismo. Morreu sem ver-se recuperado do que passou.

Em Guarujá, uma mulher foi linchada. Antes, programas televisivos proclamam a 'reação' da população à 'inércia do Estado'. Justiça com as próprias mãos. 

O noticiário estampou em manchete que a filha de José Dirceu estava sendo beneficiada em visita ao pai na Papuda. Ainda que tudo tenha sido explicado permanece a ideia de que alguns presos são privilegiados. Ou seja, o Estado beneficia ilustrado em detrimento da plebe carcerária.

Não deixa de ser atiçamento à reação por 'justiça com as próprias mãos'.

Imagine a filha de Genoíno ou José Dirceu na fila da Papuda e percebida(s) como tal. Linchamento certo.

Para que tal não ocorra somente uma saída: ou se lhe nega acesso ou se a protege (dever do Estado).

Na esteira do que pensa e do como age Joaquim Barbosa, para atender aos reclamos só há uma saída: sangue. Que não precisa ser vermelho. Basta correr.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Violências

Várias
Dia desses o noticiário se estendeu sobre o linchamento de uma senhora em Guarajá-SP, motivada a turba (se podemos admitir 'motivo' para tal absurdo) em material que circulou pela rede denunciando retrato falado de possível pessoa que praticaria magia negra e coisas tais.

Não mais nos surpreendemos com tais fatos - em que pese surpreendido e atônito com a sua ocorrência. Afinal, uma considerável quantidade de programas em nível de radiodifusão nada mais fazem que apologia à violência, estimulando, inclusive, a reação individual diante da 'inércia do Estado.

O caso acima se fez farto de violações ao ordenamento jurídico, passível de punições sob a égide da aplicação da lei através de procedimento judicial regularmente instaurado, depois da apuração de autoria e responsabilidades consentâneas.

Em 22 de novembro de 2011 ocupou o noticiário a morte por espancamento de um jovem africano, oriundo da Guiné-Bissau, em Cuiabá-MT, próximo à Universidade Federal de Mato Grosso, onde estudava pelo sistema de intercâmbio.

Dentre os autores dois policiais. Segundo depoimentos e testemunhas, o jovem teria ultrapassado os limites da tolerância local, incomodando terceiros. A reação, no entanto, foi tida como desmedida. Entendemos melhor trazer parte do texto de Keka Werneck, do Terra (Juíza culpa vítima e inocenta PMs de matar africano):

"Toni passava por uma fase complicada na vida pessoal e, no dia em que morreu, segundo laudo policial, havia ingerido drogas e álcool. Depois disso, foi à pizzaria onde teria pedido dinheiro às pessoas de forma desconfortável.


A noiva do empresário disse em depoimento que, apesar do casal já ter negado a dar esmola, o rapaz ficou por ali incomodando e chegou a passar a mão na região do peito dela. Depois disso, o empresário desferiu vários socos no estudante, derrubando mesas e cadeiras, até chegar próximo onde estavam os policiais militares Weslley e Higor e seus familiares. Os PMs entraram na briga.
...
Alguns meses após o crime, a professora Janaína Pereira, que mora próximo à pizzaria, chegou a contar publicamente que, devido à gritaria, correu até o portão de casa e viu tudo acontecer. Ela teme pela própria vida por ser testemunha ocular. Segundo ela, os três acusados desferiram uma série descomunal de golpes de chutes e pontapés, quando Toni já estava sem forças. “Um deles foi tão forte que se Toni tivesse sobrevivido perderia um dos testículos”, relatou durante audiência pública sobre o caso.
...
Na sentença, a juíza Marcemila Mello Reis, da 3ª Vara Criminal de Cuiabá, assegura que, no episódio, Toni estava extremamente alterado e seu comportamento causou a tragédia. “A vítima foi o agente provocador dos fatos, e seu comportamento foi decisivo para o desenrolar dos acontecimentos”.
...
Conforme a juíza, várias pessoas bateram na vítima e não somente os três acusados. Conforme laudo médico, a morte de Toni se deu por asfixia mecânica, decorrente de uma fratura na traqueia.

Apesar da força dos fatos, ao sentenciar a juíza levou em conta o fato dos “envolvidos não terem antecedentes criminais”. A sentença, assinada na última sexta-feira, mais de dois anos após o crime, desagrada o movimento negro, que entende que este foi mais um violento caso de racismo."

Evitamos ficar entre os que veem a circunstância de ser negro como contribuição exclusiva para a violência cometida, como de imediato pode parecer. Fica-nos a interpretação judicial. 

Que bem pode ser aplicada aos que lincharam em Guarujá. Afinal, uma decisão judicial interpretada...

Que pouco difere daquela no STF condenando sem provas e invertendo o ônus da prova do acusador para o acusado. Culpar a vítima, em casos como o de Cuiabá, vai demonstrando a que estamos chegando.

Com valiosa contribuição de quem não deveria.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Brincando

Com fogo
É o que pode ser dito em relação ao estado crítico por que passa São Paulo e muitos outros municípios paulistas que dependem do sistema de fornecimento administrado pela SABESP (a EMASA de lá). Um de seus principais sustentáculos, o sistema da Cantareira, que está chegando a um dígito de sua capacidade de armazenamento, já chegou ao limite de 10%. 

O tucano Geraldo Alckmin vai rolando com a barriga - como FHC o fez com o câmbio, em 1998 - para não ver contagiada a sua campanha à reeleição. Tem esperança de que a tragédia absoluta venha a ocorrer somente depois da eleição. Ou seja, dele reeleito.

Ocorre que não há expectativa de chuvas, uma vez que o período de estiagem está começando. Nenhuma nuvem no horizonte. E a população já convive com um racionamento, denominado de 'rodízio' e multados os que ultrapassarem os limites médios de consumo.

O mais grave para a imagem de Alckmin como administrador é que tudo ocorre por falta de investimentos na área de captação e reserva nas últimas décadas. Coincidentemente, administradas pelo PSDB.

Alckmin está brincando... com água! O que pode lhe custar a reeleição. Afinal, todo mundo consome e precisa de água. Diferente de câmbio, coisa para perceber no bolso, não no corpo.

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Para economizar outro texto aproveitamos o espaço, pelo tema abordado, para lembrar que, em pesquisa do instituto Data Popular realizada por telefone com 18.534 pessoas, no dia 3 de maio, 29% responderam que a culpa pela falta d'água é da SABESP e 41% a atribuem ao próprio governador Geraldo Alckmin e ainda 9% culparam a presidente Dilma.

Unindo os dois pontos - assim que vinculados um e outro, SABESP e Governo de São Paulo - há 70% de eleitores aptos à dedução eleitoral, daqui até outubro, caso venha a se aprofundar o racionamento.

Ao lado da não-responsabilização de São Pedro (que ficou com míseros 7%) fica a batata quente eleitoral, para ser cozida pelo candidato Geraldo Alckmin até o horário eleitoral. Não devendo ser esquecido que a água na torneira vale mais que qualquer propaganda: contra (se falta) ou a favor (se não faltar).


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Outros tempos

Novos tempos
Há poucos meses uma reportagem da Globo pretendeu ouvir uma senhora na Paraíba, sucesso como empreendedora. Havia saído do Bolsa Família para tornar-se empresária, economizando migalhas do programa do Governo Federal com as quais comprava um pintinho num mês, dois em outro... assim acumulando um quintal com mais de 600 poedeiras, o que lhe permitia devolver o 'cartão'.

Naturalmente o fato merecia destaque. Mas o que foi destacado foi a reação da pequena empresária diante do pedido de entrevista: Se for prá falar mal de Lula, nem venha! Com outras palavras, a tradução: não confio no que vocês dizem.

O registro acima se vincula a uma análise (breve e superficial, razão por que não precisa ser admitida): há sinais de que a hegemonia da TV Globo está a existir para as burras da Comunicação do Governo Federal  que a agracia com quase 50% das verbas oficiais  e para os milhares de aparelhos ligados no mantra do plim-plim em antessalas de laboratórios de análise, de consultórios, de restaurantes, de rodoviárias etc. Ainda assim, está naquela de "tô nem aí". 

Para o telespectador menos apaixonado há indícios de desgaste no que a platinada oferece em nível de programação, ainda que programas tradicionais como o Globo repórter, o Jornal Nacional e o Fantástico permaneçam na grade. Pode-se presumir que o seja pelo conteúdo da programação em si. Mas  aí nossa especulação  pode estar ocorrendo uma reação tipo a da empreendedora paraibana, cansada de ver uma propaganda contra realizações do Governo Federal que são contrariadas pela realidade.

Os desgastes vão se aprofundando, até mesmo com reações nas ruas aos repórteres, expressão visível e palpável da platinada e tornados vítimas da insatisfação popular para com a empresa. Não dispõe a emissora da credibilidade que já refletiu no passado.

O Notícias da TV, de Daniel Castro, publicou queda na audiência de novelas, traduzida na perda de 11 pontos nos últimos três meses. Assim como a do Fantástico, neste domingo, que quase chegou a ser ultrapassada pelo SBT por volta das 22h12, vencendo o Sílvio Santos por apenas 1 pontinho (12,6 contra 12,5). E chegando a ficar atrás do Domingo Espetacular, da Record, durante 19 minutos.

Em síntese: em nível de Fantástico, o imbatível programa de variedades global durante décadas  perdia apenas para a Casa dos Artistas, de Sílvio Santos, no SBT, em 2001  onde detinha 40% da audiência para os atuais 14,4 ocorridos no Domingo de Páscoa, segundo Castro. 

Pode ser um sinal dos tempos, ou de novos tempos: a Globo não convence como antigamente. Já há quem desconfie de suas 'informações'.

Mas aproveita o poder que ainda possui  a internet está chegando, na esteira do aumento de audiência das TVs a cabo  para evitar o desastre que soa inevitável em arrecadação publictária, se mantido o atual caminhar.

No fundo, no fundo, muito dos ataques da Globo ao Governo Federal se ampara não só em sua natureza de escorpião mas no termo de que políticas públicas na área do controle das comunicações (como parte da frequência de 700 mhz para o poder público, para dar a segurança às polícias etc.) mais definhem sua atual hegemonia.

Ah! E evitar que no futuro mandato presidencial petista tenha suas verbas publicitárias reduzidas à realidade de sua audiência. 





domingo, 4 de maio de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Opinião I
Quem opina está na berlinda em relação a quem não comungue da opinião. É a maravilha do debate. Oportunidade para expor convicções, leituras etc.

O leitor levanta indagações diante do que escrevemos. Notamos que em muitos casos há um pré-julgamento de que o que escrevemos o faríamos em defesa de um status quo como alimentado por ele. Ou seja, de que escrevemos em defesa de grupos ou partido(s) político(s). Entendemos o comportamento. É muito difícil entender-se fatos afastados da contradição ou crítica sobre eles.

Assim, criticar a postura autoritária e inquisitorial do ministro Joaquim Barbosa ‘dois pesos, duas medidas’ no tratamento a réus condenados na mesma ação penal sob sua tutela em nível de execução (por ele mesmo determinada, ou autodeterminada) leva alguns a imaginar que haveria defesa de atos criminosos praticados por quem quer que seja.

Nunca escrevemos neste espaço que A ou B não tenha praticado delito a si atribuído. O que temos afirmado é que (o que se exige em julgamento judicial) não há provas e se não há provas não pode alguém ser condenado. Para que tal ocorra – condenação sem provas – o STF aplicou (erroneamente) a teoria do domínio do fato, que parte da presunção como afirmação de culpa.

Na mesma esteira violações aos mais comezinhos princípios do direito, como a da presunção da inocência, do juiz natural, do duplo grau de jurisdição, do ônus da prova para quem acusa (invertido no julgamento para o acusado) etc.

Outro exemplo: como admitir que o ministro Joaquim Barbosa tenha retirado dos autos da AP 470 documentos (inquérito) que inocentaria alguns dos réus e beneficiaria outros tantos? Naturalmente foi uma postura política. E isso não condiz com o exercício da magistratura.

Particularmente pensamos (e defendemos) que a corrupção e o mau uso do dinheiro público sejam extirpados da face da terra (de todo o planeta!). Daí imaginar que a 'augusta' oposição ao atual governo seja paradigma de moralidade é trilhar por 'sonho em uma noite de verão'.

Opinião II
Muito estranho seria para nós acompanhar a 'verdade da mídia' que preocupação o tem  na seara política  com os interesses de grupos econômicos. Tanto que é difícil admitir (para nós) que o país tenha se tornado um canteiro de obras e tal fato seja relegado a quarto, quinto plano.

Ocorre – e nos sentimos particularmente como uma vox clamans in deserto, ao lado de poucos – que não nos sentimos submetido à ‘voz’ de uma mídia que se aproveita de sua condição para assumir dimensão político-ideológica-eleitoral sem dizer que o faz (porque não assume) e mantendo a máscara da isenção quando em evidente lado escolhido.

 A Ética que deveria nortear as redações morreu nos desvãos dos interesses.

Uma imprensa que mente e manipula na primeira página e diz que erramos num cantinho de outra, como o fez a Folha de São Paulo depois de distorcer fala de Lula em Portugal, tem sido lugar-comum no país. 

Ocorre que o leitor lê a primeira página e quase nunca a sessão “erramos”. Assim, prevalece no leitor a mentira como verdade.

Com isso nunca concordaremos. Discutir tais fatos é imperativo. Em nossa opinião.

Assim caminhamos como civilização
Os interesses privados norteiam as políticas de Estado. A expressão poderia alimentar a idéia de que tal ‘política’ estaria voltada para corresponder aos interesses da sociedade, observados sob o prisma da igualdade ou, quando nada, do equilíbrio na distribuição da riqueza produzida.

Ledo engano. Alguns grupos privados têm o Estado a reboque para manutenção e ampliação de seus interesses. Ou seja, o que o Estado faz nada mais é defender a manutenção de privilégios assegurados a um ínfimo percentual da população mundial.

Bandeiras como democracia, igualdade, liberdade e solidariedade existem para o discurso e como instrumentos ideológicos que alimentam e constroem a imagem dos que a defendem. Ainda que na prática a ação dos seus defensores contrarie o discurso.

A concepção de ‘livre mercado’ é a tradução da forma mais comezinha de controle. Utilizando-se da liberdade e da democracia como direitos universais deles se apropriam para escravizar milhões sob a chibata do não-acesso ao consumo, que divulgam como ‘venerável’ deus.

Para os que não correspondem ao ideário – e enveredam por distribuir melhor a renda e a riqueza – o massacre em torno de suas políticas.

Para tanto utilizam-se dos meios de comunicação para manipular a opinião pública. Isso, porque desenvolveram no curso dos séculos contemporâneos – já nos primórdios dos movimentos iluministas que hão de se expressar na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos – a liberdade de expressão e o direito à informação (imprensa) como inalienável conquista. Só que não falaram do outro lado: o controle e manipulação dos que detêm esta conquista. 

Mas, como o que interessa é o discurso e não a coerência na prática... la nave va.

A PF e a política
A Polícia Federal anuncia greve para o período da Copa do Mundo. A mesma PF que vaza para órgãos da imprensa escolhidos a dedo dados de uma apuração de forma seletiva, para atingir o governo e o partido. Não é o direito individual – que deve ser assegurado e respeitado, de ser contra ou a favor – manipulado por agentes de um órgão do próprio governo escancarando a atuação político-eleitoral.

No caso desses ‘vazamentos seletivos’, adredemente escolhidos e manipulados até no que diz respeito a nomes, não são coisa nova. Em 2006, o atual senador Humberto Costa, então candidato do PT ao governo de Pernambuco, se viu envolvido na Operação Sanguessuga, que apurava a máfia as ambulâncias na época em que era ministro da Saúde. Posteriormente foi inocentado de qualquer envolvimento com o esquema, mas já perdera a eleição pernambucana.

O mesmo ocorreu com aquele montão de dinheiro arrumadinho para estourar a reeleição de Lula naquele ano.

Alguém já disse que a Polícia Federal derrotará Dilma. Que a tem tornado até alvo para treinamento de tiro, como divulgado pela internet.


Detalhe despercebido
Há quem afirme que a candidatura de Lula, substituindo a de Dilma, estaria vinculada à oscilação da avaliação (pessoal e do governo) e das intenções de votos nas próximas pesquisas.

O fato pode até envolver nuances de verdade. Caso Lula efetivamente pretenda ser candidato.

No entanto, o detalhe pouco percebido é o de vincular a permanência da candidatura de Dilma ao “humor” de alguns institutos de pesquisa.

Ou seja: quem determinaria o candidato do PT não seria o próprio partido, mas os institutos de pesquisa.

Que poderiam exercer a sublime virtude de não manipular questionários e dados. Apenas a margem de erro aqui ou ali.

A propósito
A propósito de pesquisas cheira estranho o avanço de Aécio Neves. Não há fato que o justifique. Estranho porque enquanto reduzidos os números para Dilma em nenhum instante deles se beneficiaram Aécio Neves ou Eduardo Campos.

Não nos esqueçamos que dados traduziam o fato de que o desejo de mudança pretendido por entrevistados em seguidas pesquisas não encontrava em nenhum deles o porto seguro.

A origem  e o 'pai'  da tal 'cláusula Marlim'
A Petrobras continua sendo a caixa de pancadas. Não os possíveis desmandos cometidos por este ou aquele diretor (o que, em sendo confirmado, exige exemplar punição) mas a empresa em si, como se fora um desmando só.

O bombo da fanfarra é a tal 'cláusula Marlim' no contrato de compra da Pasadena, como inovadora fonte de corrupção e de sangria para a empresa. Mas - perceba o leitor - há muita água embaixo desta ponte. 

Texto do engenheiro Pedro Celestino Pereira esclarece onde tudo começou: no governo de Fernando Henrique Cardoso


"Claro está que, em empresas do porte da Petrobras, públicas ou privadas, sempre houve e haverá irregularidades e malfeitos. O que cabe discutir hoje é o processo que levou a Petrobras à incômoda situação em que se encontra, de modo que possamos defendê-la, no momento em que se pretende fragilizá-la para permitir o assalto estrangeiro às maiores reservas de petróleo descobertas nos últimos 30 anos, as do Pré-Sal.
"Até 1973 quando, aproveitando-se da guerra Israel-Egito, a Arábia Saudita nacionalizou a exploração e produção de petróleo no seu território, era usual o imperialismo ir à guerra ou derrubar governos que contestassem seu domínio sobre o negócio do petróleo. Diante da impossibilidade de derrubar a monarquia saudita, foi obrigado a conviver com empresas estatais, e a buscar novas formas para assegurar seu domínio. Data de então o início do processo de cooptação e de corrupção de dirigentes de estatais na área de petróleo.
"Aqui, esse processo teve início de forma sistemática no primeiro mandato de FHC quando, com Joel Rennó, tecnocrata vindo da Vale do Rio Doce, na presidência da Petrobras, decidiu-se estabelecer uma parceria para desenvolver o campo de Marlim, então a maior reserva da empresa, sob a alegação de não havia recursos financeiros suficientes para fazê-lo sozinha. Constituiu-se então uma empresa, a Companhia Petrolífera Marlim, liderada pelo ABN-AMRO Bank, presidido pelo senhor Fabio Barbosa, em seguida nomeado membro do Conselho de Administração da Petrobras, ao mesmo tempo em que outro funcionário do mesmo Banco, Ronnie Vaz Moreira, assumia a diretoria financeira da Petrobras. A Companhia captou 1,5 bilhão de dólares no mercado internacional, dando em garantia o petróleo a ser produzido e a garantia corporativa da Petrobras. Por que, então, a parceria? Mais ainda, assegurava-se ao ABN AMRO Bank e ao J P Morgan, também sócio da empresa, remuneração mínima para o capital que proventura viessem a aportar, eliminando qualquer risco financeiro deles. É o que se convencionou chamar de cláusula Marlim, à baila hoje no noticiário sobre a compra da refinaria de Pasadena."

Todos os detalhes expressos pelo engenheiro Pedro Celestino Pereira estão, íntegra, em http://jornalggn.com.br/fora-pauta/a-origem-da-clausula-marlim-ii 

O leitor tem como verificar quem é o 'pai da Marlim'. Tudo começou com FHC e seu programa de partilha/entrega da Petrobras. Até a Globo pelo meio! Como o denuncia Fernando Brito no Tijolaço, acessível através de http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/04/28/tijolaco-joga-a-bomba-fhc-e-o-pai-da-clausula-marlin/ 


Está explicado
Jânio de Freitas levantou a bola e matou a charada: a irritação do Partido Republicano tem 'razão' para existir. E tem nome: DNIT. O manifesto "volta Lula" não tem nada pela volta do ex-presidente, mas pelo "fora Dilma" enquanto o PR não dispuser do órgão que detém o orçamento para a construção de estradas, pontes...

O pessoal não anda muito satisfeito depois que perdeu a boca - muito grande - e presidente Dilma Rousseff deu de colocar à frente do órgão o general Fraxe, que chegado a saborear empreiteiro e político corrupto que circule por seus domínios. 

Joaquim confirma...
Certamente a reação – desequilibrada como sempre – do ministro Joaquim Barbosa em devolver José Genoíno à prisão em regime fechado está vinculada à declaração de Lula em Portugal de que o julgamento do mensalão foi 80% político – já o afirmamos no curso da semana.

A observação centrada estava no fato de que Roberto Jefferson permanece cumprindo prisão domiciliar enquanto o 'sadio' Genoíno retornava a Papuda (na antevéspera de seu aniversário) fazia Joaquim Barbosa confirmar o que disse Lula além-mar.

...O próximo passo
Que ninguém duvide. O próximo passo do ministro Joaquim Barbosa será negar o direito de José Dirceu a trabalhar, mantendo-o em regime fechado quando condenado ao semiaberto.
Tampouco alguém ponha em dúvida que tal atitude viola a legislação. Para Joaquim não há lei. Ele é a lei.

Como diz dominar o francês dirá “La loi cett’est moi”. Doidinho para ser Luis XIV. O que afirmava “L’État c’est moi”.

Exagero, que seja!
Malhães – confesso torturador, assassino, ‘exumador’ e ocultador de cadáveres de mortos nos porões da ditadura – teria maior grandeza que o ministro Joaquim Barbosa se tivesse Genoíno sob seus “cuidados”. Simplesmente o mataria sob tortura, arrancaria sua arcada dentária e as falangetas e ocultaria o seu corpo. Mas o faria de uma vez.

Joaquim Barbosa retalha, como feitor espancando negro nos troncos da escravidão.

Centro administrativo
O Jequitibá caminha para tornar-se um centro administrativo. Brevemente ofertará o centro de decisões da Caixa Econômica Federal. O Governo da Bahia já anunciou que nele instalará o SAC.

Há alguns anos iniciativa semelhante do Governo da Bahia foi tida como elitista. Cabe observar o que mudou de lá para cá e se os frequentadores do Jequitibá não verão no povão que vai ao SAC um rolezinho grapiúna.
Para salvar 
Nosso código apriorístico anda sob permanente ataque. A música agredida como essência. Melodia e poesia. Não custa salvar por hoje um pouco do passado mais recente. ainda que de algumas décadas. Com Chico Buarque e sua "construção".
https://www.youtube.com/watch?v=P7mHf-UCZp0 

Confirmado

O óbvio
Entendemos por publicar o texto abaixo veiculado no Tribuna da Imprensa. Não porque o tema não tenha sido ventilado neste espaço no curso de sua existência. Mas pela importância da fonte: uma ex-assessora do Banco Mundial, onde trabalhou durante 20 anos.

A informação de que 'os meios de comunicação' estão inseridos no processo explica as razões da 'informação' controlada/manipulada.

E de uma parcela considerável agir como 'partido político'.

EX-JURISTA DO BANCO MUNDIAL REVELA COMO A ELITE DOMINA O MUNDO


Via Esquerda.net
Karen Hudes, graduada pela escola de Direito de Yale, trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Na qualidade de ‘assessora jurídica superior’, teve suficiente informação para obter uma visão global de como a elite domina o mundo. Desse modo, o que conta não é uma ‘teoria da conspiração’ a mais.
De acordo com a especialista, citada pelo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e de gigantes corporações para dominar o planeta.
Citando um explosivo estudo suíço de 2011, publicado na revista ‘Plos One’ a respeito da “rede global de controlo corporativo”, Hudes enfatizou que um pequeno grupo de entidades, na sua maioria instituições financeiras e bancos centrais, exerce uma enorme influência sobre a economia internacional nos bastidores. “O que realmente está a acontecer é que os recursos do mundo estão a ser dominados por esse grupo”, explicou a especialista com 20 anos de trabalho no Banco Mundial, e acrescentou que os “capturadores corruptos do poder” também conseguiram dominar os meios de comunicação. “Isso é-lhes permitido”, assegurou.
O estudo suíço que mencionou Hudes foi realizado por uma equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Os pesquisadores estudaram as relações entre 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo e descobriram que existe uma “super-entidade” de 147 megacorporações muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.
Contudo, as elites globais não controlam apenas essas megacorporações. Segundo Hudes, também dominam as organizações não eleitas e que não prestam contas, mas, sim, controlam as finanças de quase todas as nações do planeta. São o Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal Norte Americana, que controla toda a emissão de dinheiro e a sua circulação internacional.
O BC DOS BANCOS CENTRAIS
A cúpula desse sistema é o Banco de Pagamentos Internacionais: o banco central dos bancos centrais.
“Um organização internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissão de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado Banco de Compensações Internacionais [Bank for International Settlements]. Trata-se do banco central dos bancos centrais, localizado na Basileia, Suíça, mas que possui sucursais em Hong Kong e na Cidade do México. É essencialmente um banco central do mundo não eleito, que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (…). Hoje, 58 bancos centrais a nível mundial pertencem ao Banco de Pagamentos Internacionais, e tem, em muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. A cada dois meses, os banqueiros centrais reúnem-se na Basileia para outra ‘Cimeira de Economia Mundial’. Durante essas reuniões, são tomadas decisões que atingem todos os homens, mulheres e crianças do planeta, e nenhum de nós tem voz naquilo que se decide. O Banco de Pagamentos Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser uma das pedras angulares do vindouro sistema financeiro global unificado”.
Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar as nações e Governos inteiros é a dívida.
“Querem que sejamos todos escravos da dívida, querem ver todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos das gigantes contribuições financeiras que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os principais meios de informação, esses meios nunca revelarão o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira como funciona o nosso sistema”, afirmou.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dois destaques no 1º de Maio

Primeiro

Joaquim confirma
Certamente a reação – desequilibrada como sempre – do ministro Joaquim Barbosa em devolver José Genoíno à prisão em regime fechado está vinculada à declaração de Lula em Portugal de que o julgamento do mensalão foi 80% político.

Considerando que o 'doente' Roberto Jefferson permanece cumprindo prisão domiciliar enquanto o 'sadio' Genoíno retorna a Papuda Joaquim confirmou o que disse Lula.

Segundo

Como luva
Muito do que ocorre no Brasil neste ano eleitoral está a reproduzir o que se conhece quando se revira a História, ainda que possa parecer farsa. 

O leitor, observando os textos que reproduzimos abaixo com atenção, verá que as fontes que transitam nos distintos fatos, ainda que em momentos históricos diversos (1954 e 2014), encontram, em um e outro, atores comuns em propósitos, porque se sustentam no mesmo fundamento: o de atingir a soberania e a autonomia do país em defesa de interesses estrangeiros.

O primeiro texto, de Welinton Naveira e Silva, na Tribuna da Imprensa, debulha os fatos que vinculamos ao outro, de Carlos Chagas (também na Tribuna), para ilustrar a Carta Testamento de Getúlio Vargas. Que se ajustam como luva.

Num caso, morreu um presidente democraticamente eleito; no outro, com idêntico método, pretendem a morte do quanto conquistado pelo povo. Que traduzimos no legítimo representante: o trabalhador.

SINAL VERMELHO NA POLÍTICA

Welinton Naveira e Silva
Caso Hitler tivesse todos os poderosos recursos da tecnologia dos meios de comunicação da chamada grande mídia livre de hoje, bem controlada e direcionada pelas elites (à custa de muita grana), somado à sua inabalável determinação de domínio mundial, bem possível que teria deixado na retaguarda a sua poderosa força militar, atrás da linha de frente de uma gigantesca mídia livre nazista. Só precisaria comprar estratégicos elementos das elites dirigentes, em sua maioria, sempre prontos a trair seu povo e sua própria nação por um punhado de dinheiro. O maluco teria ido mais longe.
Aqui no Brasil, semelhante poder de força da grande mídia livre pode ser visto com todas as cores no julgamento-show-mensalão, distorcidamente apresentado como a maior roubalheira da República. Cínica mentira, sem esquecer que lugar de ladrão é na cadeia. Mas na verdade, a roubalheira atribuída ao mensalão foi insignificante se comparada com tantas outras. Isso, sem falar no maior rombo de todos os tempos, as chamadas privatizações FHC/PSDB, cujas perdas causadas ao Brasil, se devidamente contabilizadas e atualizadas a valores de hoje, por certo que totalizaria mais de R$ 10 trilhões. E ninguém fala nada. Silêncio total.
CAOS DO PRIMEIRO MUNDO
Agora, bem às vésperas das eleições prosseguem os esforços objetivando empurrar a economia do Brasil para a vala do caos do primeiro mundo. Estranhos grupos, possivelmente contando com suporte externo, descobrem nova roubalheira. Desta vez, na compra da refinaria de Pasadena nos EUA.
Tragicamente, nas democracias capitalistas, o roubo é coisa comum e conhecida. Para não ser pego, faz-se necessário dividir a roubalheira com outros poderosos. Mas, se dividir com gente errada, poderá ser pego e ou tornar-se alvo de outros grupos, nacionais e internacionais, ficando exposto a pesados bombardeios da grande mídia livre. Assim opera a bela democracia capitalista, sem planejamentos, burra e ineficiente.
Novamente, estão abrindo perigosas brechas para retorno de devastador entreguismo FHC/PSDB. Não escaparia da privatização a Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Eletrobras, Eletronorte, Furnas, Chesf, Eletrosul, Cedae, Embrapa, e inúmeras outras valiosas empresas públicas. Tudo, numa hora de profunda crise mundial devastando o primeiro mundo desde 2007.
Se acontece, o Brasil seria inteiramente desmantelado. Não sobraria pedra sobre pedra. Em poucos meses voltaríamos a ver por todas as cidades milhares de desempregados, falências e portas arriadas. Estaria de volta, milhares de placas “Vende” e “Aluga” vistas nos tempos FHC/PSDB. Claro sinal de desespero e falência generalizada.
Dado a atual insistente crise mundial, toda a América Latina seria arrastada junto. Voltaríamos a importar de tudo como na década de 50. Voltaríamos a exportar, tão somente, alimentos e minerais a preços de bananas, mas importando tudo e a preços de ouro. Em pouco tempo o Brasil seria transformado num imenso favelão com massas de miseráveis e violências de todos os tipos. Ainda está em tempo de interromper semelhante desgraça. Acorda, Brasil!

EM HONRA AO DIA DO TRABALHADOR

Carlos Chagas
Tradicionalmente no primeiro dia de maio, que amanhã se comemora, o presidente Getúlio Vargas comparecia ao estádio de São Januário, no Rio, para confraternizar com a classe operária. Havia sempre mais gente do que nas partidas de futebol do Vasco da Gama. Todos o aplaudiam com entusiasmo quando desfilava em carro aberto pelas laterais do gramado, discursando em seguida da tribuna de honra, sempre com a saudação dirigida aos “trabalhadores do Brasil” .
De 1930 a 1945, quando foi presidente provisório, presidente constitucional e ditador, Getúlio recebia o reconhecimento de naqueles quinze anos haver fixado um salário mínimo digno, estabelecido a jornada de oito horas diárias de trabalho, o pagamento de horas extras, de pensões e aposentadorias, o direito à assistência médica gratuita para o trabalhador e sua família, de férias remuneradas, de indenização por demissões imotivadas e de garantia de estabilidade no emprego após dez anos de permanência na mesma empresa.
Contra ele levantaram-se as forças da reação, foi deposto mas voltou cinco anos depois, eleito pelo voto popular. Outra vez no poder, sacrificou-se com um tiro no peito para não ser novamente humilhado e deposto por um golpe militar. Deixou um documento, o mais importante de nossa História. Vale apresentá-lo na véspera do dia em que o trabalhador brasileiro parece haver perdido a memória:
“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenam-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de domínio e de decênios de espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo.
A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização da Petrobrás. Mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco.
Quando vos humilharem, sentireis a minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota do meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência.
Ao ódio, respondo com o perdão. Aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço de seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora, ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente, dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”
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SERÁ PRECISO DIZER MAIS ALGUMA COISA?