domingo, 6 de janeiro de 2019

Só dói quando rio

De Ziraldo, no Pasquim dos velhos tempos, combatente em outros tempos de estio, a charge de um indivíduo que, trespassado por uma espada, diz "Só dói quando eu rio". Há livro com este título, do próprio Ziraldo.

Nós outros, que não nos enveredamos pela hipocrisia de desejar loas e futuro 'benauguroso' a um governo que sempre insinuou não deseja-lo, porque caminhará sobre suas próprias pernas e convicções, kafkamos (de kafkar, neologismo do escritor e poeta Ruy Póvoas) a rir do que acontece e mais acontecerá.

Sem responsabilidade alguma por elevar ao Olimpo quem Zeus não admitia (o homem, no Mito de Prometeu) começamos a gargalhar, como em picadeiro de circo mambembe em que a queda e os tropeços do(s) palhaço(s) são a razão e o motivo de rir.

Aderindo aos sinais dos tempos, nestes tempos de estio, só melhoro quando rio. 

O remédio de que dispomos.

É de morrer de rir I
Comemorada pelo eleito a criação da Secretaria de A(na)lfabetização, que pode ser chamada, por quem vai ocupá-la, de ANALFABRAS para os mais patriotas.

É que o secretário a assumi-la é contra a alfabetização escolar, preferindo-a em domicílio, à distância.

Atende a uma sugestão de Stanislaw Ponte Preta que em seu FEBEAPA, diante da burrice institucionalizada no país à época, teria comungado com sugestão do contemporâneo Nestor de Holanda (de Ignorância ao Alcance de Todos, p. 153) para que fosse criada a ANALFABRAS, sugestão que acaba de ser acolhida, seis décadas depois. 

O programa “Alfabetize em casa” é a descoberta da pólvora do futuro 'sua incelência', defensor entusiasta da "educação familiar" como ilustra o Brasil 247.

Mais do currículo do ilustrado e inusitado 'educador': crítico feroz de Paulo Freire. 

Não precisa dizer nada.

É de morrer de rir II
Para a turma escola é coisa perigosíssima e aprender alguma coisa, quando muito assinar o nome, é função familiar. Razão por que cursar uma escola regular é um perigo. Deve imaginar o augusto Secretario. 

Como pode ser letrado coisinha a mais que parcela considerável dos companheiros da vigorosa ação governamental, muito possível que conheça a crônica de Sérgio Porto em sua alcunha de Stanislaw Ponte Preta (trechinho de início abaixo) e cuida logo de interromper tais descarações.

"O analfabeto e a professora

Foi quando abriram a escolinha para alfabetização de adultos, ali no Catumbi, que a Ioná resolveu colaborar. Essas coisas funcionam muito na base da boa vontade, porque alfabetizar adultos nunca preocupou muito o governo. No Brasil, geralmente, quando o camarada chega a um posto governamental, acha logo que todos os problemas estão resolvidos, sem perceber que - ao ocupar o posto - os problemas que ele resolveu foram os dele e não os do País. Mas isto deixa pra lá." 

Rezar, eis o que nos cabe
Não acreditamos na reedição de práticas postas no imediato do golpe civil/militar de 1964. 

A substituição da função legislativa pela executiva já encontra amparo constitucional através de medidas provisórias dispensando o Decreto-Lei. 

A necessidade de consolidação do alcançado para permanecer pelo tempo necessário dispensará a criação de novos porões de ditadura, mesmo porque os meios de que dispuseram as forças que elegeram o novo presidente permanecem à disposição, de onde se destaca o controle privado da comunicação de massa, mais presente do que em 1964 em poder e meios (aperfeiçoado com os fake news, que asseguraram sua eleição). 

E um fato novo em relação a 1964: o STF subserviente e medrado.

Tanto que não custa pagar para ver a materialização dos arroubos de campanha e pós-eleição em torno do perigo vermelho.

Não assumimos a veleidade hipócrita de desejar ao futuro governo que o faça bem porque não o fará. Quem diversamente pensar imagine que se em fase de campanha – de dúvida quanto ao convencimento do eleitor – foi dito o que foi dito o que não farão desconhecidos áulicos no exercício efetivo do poder?

Um novo governo assume numa espécie de ante-véspera da Quaresma. A sinalizar, de sua parte, o que pretende. Começo de semana, de ano e da era que pretende implantar.

De nossa parte apenas a recomendação, bem ao modo de como nos veriam Nietzsche e Fuerbach, sublimativo: rezar. E, entrar em penitência pelo pecado cometido, no que vemos como permanente Quaresma.

Disse-o em 2002
Entrevista com Eric Hobsbaum, em 2002. Qualquer semelhança com a atualidade (brasileira, inclusive) pode ser tributada à premonição, caso o processo histórico não sirva ao leitor como paradigma.

Os detalhes mais significativos a partir do 18º minuto.

                      

Por fim
Eis que por hoje nos bastamos e deixamos, para reflexão, a mensagem do 'comunista" Ruy Barbosa, para quem "Uma raça, cujo espírito não defende o seu solo e o seu idioma, entrega a alma ao estrangeiro, antes de ser por ele absorvida".

Ria, inda que doa!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Consummatum est ou Como sobreviver em tempos de estio


Manual de sobrevivência em tempos de estio

Verifique se você se confirma dentre pessoas com qualquer um dos seguintes perfis, não necessariamente pela ordem de referência:

a) militante do PT, do PSOL, do PCdoB, do PCO, PSTU, especialmente do PT;
b) integrante do MST, MLT, MTST, CUT etc.;
c) defende reformas agrária e urbana, demarcação de terras indígenas e quilombolas e já manifestou estas posições em discussões nos ambientes em que frequenta;
d) aplaude a UNE e o movimento estudantil, faz, ou fez, parte de Diretórios e Centros Acadêmicos etc.;
e) é artista ou ativista em defesa da cultura, do teatro, do cinema, da dança etc.;
f) entende a defesa dos Direitos Humanos como conquista da Humanidade e o Estado Democrático de Direito como paradigma da Civilização;
g) é contra – e já manifestou sua opinião – o capital estrangeiro especulativo, o neoliberalismo e, por excelência, à política externa dos Estados Unidos;
h) defende o regime de cotas como instrumento de redução das desigualdades;
i) defende a soberania nacional como instrumento da nacionalidade brasileira;
j) defende o uso das riquezas minerais e aquíferas do país para benefício da sociedade brasileira;
k) é contra a qualquer forma de fascismo e de autoritarismo;
l) criticou em algum instante o juiz Sérgio Moro e demais figuras do Judiciário pela prisão de Lula;
m) admira Lula e o tem como um grande Presidente da República e liderança mundial de seu tempo.
n) defende Sociologia, Filosofia, Ciência Política e Economia Política como matérias obrigatórias nos currículos escolares.
o) tem a escola como meio de formação do pensamento crítico e a academia como espaço para o debate e conformação da sociedade.
p) é contra a qualquer forma e manifestação de preconceito.

Caso confirmado em qualquer dos perfis acima e para evitar riscos por ser reconhecido como defensor de qualquer deles atente para as seguintes lições:

1.  Não discuta com quem quer que seja sobre ideias. Nem mesmo as alheias, muito menos as suas;
2.  Não as exponha em qualquer lugar, a não a ser na intimidade de seu lar, caso não tenha algum membro da família que participou de caminhadas contra a corrupção, pelo impeachment, pela prisão de Lula.
3.  Caso seja do conhecimento dos que estejam a sua volta que votou no PT não discuta com eles nem mesmo sobre a vitória ou derrota de seu time de coração
4. Até que a poeira baixe (Deus sabe quando!) não utilize a cor vermelha no vestuário, saias e calças, camisas e blusas, boné (uso de bandeira nem pensar!).
5.  Não fale em Karl Marx e nem mesmo de “O Vermelho e o Negro”, de Sthendal. A recomendação alcança Gramsci, sem dispensar Proudhon, Rosa Luxemburgo e Mao Tsé Tung.
6.  Nunca utilize Bíblia com capa vermelha.
7.  Quando alguém disser que a tortura é natural, porque Cristo se deixou torturar para salvar a Humanidade não faça cara de espanto. Apenas meneie a cabeça como um bom ator, dando a parecer que concorda. Nunca expresse discordância.
8.  Retire de qualquer de suas falas em público a palavra ditadura.
9.  Ponha em prática, como nunca o fizera antes, a lição de Carl Jung: “Aprendi a não dizer aos outros o que eles não podem entender”.
10.  Feche os olhos para tudo que aconteça à sua volta, de briga de vizinho à prisão arbitrária de um amigo; do pedinte ao desempregado; incluindo a criança esfomeada que lhe estira a mão pedindo esmola à que acaba de ser assassinada como assaltante, viciada em droga, especialmente se negra e pobre de periferia.
11.  Para aperfeiçoar esta lição, NUNCA indague por quê.
12.  Por uma questão de segurança, para instante mais aflitivo, tenha à disposição para uso uma camisa estampada com a frase de Juraci Magalhães: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Supimpa estar escrita sobre as bandeiras dos dois países entrelaçadas sob uma foto vigilante da estátua da liberdade ou daquele clássico “Tio Sam” com o dedo em riste..
13. Considerando que cabe ao bom brasileiro reconhecer a vontade soberana dos que ora salvam a pátria dos comunistas e anticristos, hereges e ateus, entenda necessário o patriótico sacrifício decorrente das políticas econômicas proclamadas pelo governo e aceite o empréstimo que lhe fará o bondoso agente financeiro da esquina para pagar o aluguel até que sua vida permita voltar a comprar leite e pão.

Seguindo as orientações acima você poderá sobreviver por alguns anos em paz. Até que a morte o alcance por desnutrição ou doença não assistida pelo sistema público de saúde.

E para não pensar que o mundo acabou de vez feche-se em seu quarto, a cadeado, e (re)comece leituras de Voltaire (muito sugestivo o Dicionário Filosófico’) a Franz Kafka e volte a escutar “Opinião”, “Vai Passar”, “O Bêbado e o Equilibrista”, “Apesar de Você”, “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores”, Cálice”, “Angélica”, “Querelas do Brasil” etc. etc.

Podendo dispor dos filmes, assista Cabra Marcado Para Morrer, O Caso dos Irmãos Naves, Olga, Batismo de Sangue, Pra Frente Brasil, Eles Não Usam Black Tie, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Zuzu Angel, Manhã Cinzenta, Nunca Fomos Tão Felizes, Terra em Transe, Cabra Cega, O Que É Isso Companheiro? etc. etc.

Para ironizar a história e rir de tudo, mesmo tragédia shakespeariana, aproveite para (re)ler Febeapá 1, 2 e 3 (Stanislaw Ponte Preta), e Máximas e Mínimas (Barão de Itararé).

Do quarto somente saia para o plebiscito sobre a nova constituição “moderna, viva e adequada” (Costa e Silva) elaborada por ‘sábios’ e ‘notáveis’ (ou – quem sabe – um só deles, nos moldes de Chico Campos, Carlos Medeiros Silva, Alfredo Buzaid, Gama e Silva), que poderá incluir uma proposta de monarquia absolutista, que será promulgada por uma constituinte originária nos moldes das ‘convicções’ que permeiam a atualidade, ou seja, para ratificação do que pensam os ‘sábios’ e ‘notáveis’ ou – repetimos – apenas um deles.


domingo, 30 de dezembro de 2018

À espera


“Armai-vos uns aos outros” I
A partir de Fernando Brito, no Tijolaço, concluímos: em tempos de ocupação evangélico-pentecostal do poder em dimensão castrense tornou-se possível a releitura bíblica, com “Armai-vos uns aos outros” como nova forma de proclamar o ‘amor ao próximo como a ti mesmo’.

O presidente eleito já anunciou que – sem qualquer discussão técnica – vai, por decreto, facilitar o porte de armas.

A indústria bélica exulta. A bandidagem idem.

Detalhe I: em cada 10 armas encontradas em poder de bandidos SETE tiveram origem em aquisições autorizadas.

Detalhe II: 13.867 cartuchos foram roubados do Exército somente no ano passado.

Como o Diabo gosta!

“Armai-vos uns aos outros” II
E para coroar, caso aplicada a sugestão do General Guilherme Theophilo para disponibilizar armamento pesado para as polícias podemos concluir que o Diabo não gosta, porque tende a perder a hegemonia sobre o Mal.


Entre a vila e o forte
A propósito do que anotamos na edição passada (23/dez), em torno da proposta do General Guilherme Theophilo de criar vilas militares, nos vem o seguinte raciocínio: para o militar  os pares das polícias civis e militares estão muito expostos onde moram, ao lado de criminosos e portam-se acovardados, sem mesmo poder usar a farda.

Sob essa premissa uma indagação: e as famílias de militares concentrados em um só espaço não ficariam mais vulneráveis a ataques de bandidos contra membros da corporação?

A resposta lógica seria sim. Mas – sempre um mas – não podemos esquecer de uma promessa de campanha do presidente eleito: armar a população para enfrentar o crime e se defender.

Imagine o leitor uma vila residencial de policiais armados. Não será ‘vila’, mas ‘forte’.

Como fica flagrante que a proposta não corresponde à efetiva proteção de policiais e familiares, resta concluir com o previsível: financiamento subsidiado. Alimentando mais uma manifestação do triunvirato conceitual que rege este país desde priscas eras: compadrio, patrimonialismo e corporativismo.

Leia
Mensagem da AEPET enquanto algo da Petrobras ainda nos pertence.

Tempo de caça ou de guerra
Não sabemos qual. Mas os tempos anunciados pela retórica dos vencedores não refletem nada além de guerra aos inimigos ou perseguição idem. 

É a análise de Tereza Cruvinel, aqui disponibilizada através do Conversa Afiada.

Sem resposta
Entre as muitas perguntas sem resposta aquele estranho atentado cometido por Adélio, sob avaliação de Sérgio Saraiva, no GGN.

O nome do plano I
Famoso o título “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco.

Nome, encontra significações várias, da antroponímia (o dado à criança para identificação em sociedade) à designação de uma classe de coisas, pessoas, animais etc.

Plano, abordado em nível de conceito, traduz intenção ou projeto. Significa toda construção de ideias que podem ou não ser postas em prática.

Os governos em sede de ação exercitam planos. O estado traça planos de médio e longo prazos para que a ação governamental os materialize.

No Brasil, qualquer do povo sabe bem o que significa ‘plano’. De estapafúrdios alguns, inclusive, tentando salvar a pátria de tacão.

Mas, nesse instante singular onde não se tem um plano que traduza o governo entrante, tudo no plano das especulações, já sinaliza, segundo a turma que não perdoa, o seu plano maior, para a área econômica, experimentado durante décadas pela família do eleito: o Plano Fabrício. Como o denomina/sugere Fernando Brito, no Tijolaço.

O nome do plano II
Registra Gilberto Dimenstein que “Bolsonaro está começando seu governo no estado em que outros presidentes acabam”.

No momento tem um plano para enfrentar a situação: Haddad, PT, Lula.

Não sabemos até quando o plano funcionará ou se as fake news que o elegeram conseguirão a proeza de esconder os escândalos que subirão com ele a rampa do Planalto.

Ignorância e/ou subserviência I
A ignorância sobre o que acontece no país tem levado – o que não é surpresa para quem se negou a discutir e a debater propostas e projetos durante a campanha – o governante eleito a declarações que transitam do simplório à absoluta desinformação sobre a realidade do país e de sua gente. Acaba de anunciar, com pompa e circunstância, como “muito bem encaminhada” uma parceria com o governo de Israel em projetos para dessalinização de águas no Nordeste.

Registre-se que, em nível de tecnologia, o país tem domínio para a implantação do sistema. O que sempre o inviabilizou é o alto custo. Razão por que outras iniciativas e projetos encontram-se em funcionamento no Nordeste, desde 2004. Inclusive a vitoriosa ação de Campelo que levou a 1 milhão de cisternas para aproveitamento das chuvas.

Assim, como já existe tal tecnologia – ou semelhante – para corresponder ao proposto atuando no Nordeste desde 2004 temos a iniciativa como mais uma meta do plano da subserviência a interesses alheios ao Brasil.

Que interesses são esses: água. Israel ocupa a Palestina não só por controle político, mas por água. O Nordeste possui um dos maiores lençóis freáticos do planeta, como também o da Amazônia e parte considerável do Aquífero Guarani.

A já anunciada visita de um ministro brasileiro a Israel em janeiro a um ‘escritório de plantações e patentes’ cheira a negócios escusos e não custa sabermos, dentro em pouco, se a água do sobsolo nordestino dependerá de Israel para ser consumida.

Ou, quanto mais custará ao brasileiro a presença israelense. Em termos políticos e financeiros.

Ignorância e/ou subserviência II
Pagaremos royaltes, sim, caro leitor. Caso não acredite, acomode-se e aguarde a conta chegar.

Apertem os sinos, o piloto chegou
Para Tereza Cruvinel os ‘anos perdidos’ tendem a permanecer. Como biruta de aeroporto, acrescentamos.

E aproveitando a conclusão do artigo, ora disponibilizado a partir do Conversa Afiada, de que cabe apertar os cintos porque “O voo incerto vai começar” recomendamos aos que tenham TV a cabo aquela série Mayday, Desastres Aéreos, da National Geográfic ou Discovery Chanel.

Bastante didática.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Natal em tempos de passar a régua


Passando a régua I
Um Ministro do Supremo Tribunal Federal concede medida cautelar em ação declaratória, reconhecendo valia, em nível constitucional, a dispositivo do Código de Processo Penal.

Militares se reuniram para avaliar a decisão. 

Em videoconferência os integrantes do Alto Comando de uma das três armas disseram estar “observando”.

Fecha o pano!

Passando a régua II
General emite juízo, através do twiter, sobre julgamento do STF: "[...] a atitude unilateral contrária a uma decisão colegiada é uma demonstração de indisciplina intelectual e de escárnio ao STF e à sociedade brasileira. Marco Aurélio Mello merece cassação!"

Fecha o pano!

Passando a régua III
Nada mais precisa para ser mantida a ameaça de um dos filhos do presidente eleito: por os tanques na porta do STF antes da posse.

Fecha o pano!

Passando a régua IV
Com decisão de Tóffoli, cassando a de Marco Aurélio, escancarada ficou a intervenção militar no STF.

Fecha o pano! E suprime o resto de Democracia (escrita).

Supreminho
Eis o estágio a que chegou o Supremo Tribunal Federal, casa maior das decisões judiciais, guardião da Constituição Federal.

Quando tornou-se, através de muitos de seus ministros, um órgão político-partidário abriu o flanco para ser criticado sob o viés dos interesses político-econômicos deste ou daquele comentarista/articulista, por qualquer insignificância de quem se imagina detentor do poder divino sob a égide da onisciência dos que a arguiram para si mesmos.

E assim todo mundo que o pretenda se torna ávido crítico deste ou daquele ministro sob ‘sua’ compreensão do mundo jurídico.

O que inclui muitos do mundo jurídico que apenas estudaram para passar no Exame da OAB. Que não avalia o pensar jurídico.

Tornado casa de mãe joana o STF não passa de uma corte sem nenhum respeito. 

Quando muito, um supreminho.

O desencanto
Do Conversa Afiada o desencanto do Professor Afrânio da Silva Jardim:

[...] "1) Não mais acredito no Direito como forma de regulação justa das relações sociais.
2) Não mais acredito em nosso Poder Judiciário e em nosso Ministério Público, instituições corporativas e dominadas por membros conservadores e reacionários.
3) Não vejo mais sentido em continuar ensinando Direito, quando os nossos tribunais fazem o que querem, decidem como gostariam que a regra jurídica dissesse e não como ela efetivamente diz.
4) Não consigo conviver em um ambiente tão falso e hipócrita. Odeio o ambiente que reina no forum e nos tribunais. Muitos são homens excessivamente vaidosos e que não se interessam pelo sofrimento alheio. O "carreirismo" talvez seja a regra. Não é difícil encontrar, neste meio judicial, muito individualismo e mediocridades.
5) Desta forma, devo me retirar do "mundo jurídico", motivo pelo qual tomei a decisão de requerer a minha aposentadoria como professor associado da Uerj. Tal aposentadoria deve se consumar em meados do ano que se avizinha, pois temos de ultrapassar a necessária burocracia." [...]
Enrustido I
Emblemático o sobrenome do jornalista que defendeu a implantação de um nacional-socialismo modelo nazista no Brasil: Brasileiro. Vemos nele – a ele, de sobrenome Brasileiro – o enrustido pátrio se manifestando/escancarando quando oportunidade lhe foi dada.

Brasileiro não é o jornalista que pensa ser o nazismo a solução, mas todos os brasileiros que comungam com ele.

Diferentes num ponto, o cearense Brasileiro não é mais um nazista enrustido, mas assumido.

Enrustido II
Depois do ocorrido em torno da liminar de Mello, cassada por Tóffoli, este escriba passa a considerar o Brasileiro cearense como um profeta.

Caótica, que seja, mas premonição.

Huummm!!!
Ilustrado militar, futuro assessor de Sérgio Moro, defende iniciativas do governo desde a aplicação de recursos oriundos da Caixa Econômica e das loterias para financiamento subsidiado de vilas militares para policiais ao uso de armamento pesado pelas polícias.

Subsidiar moradia para policiais será apenas a reprodução de benesses que atendem a juízes e promotores, entre outros. Afinal, o que é um auxílio-moradia que beneficiou a tantos até a pouco?

Há quem questione a pretensão quanto ao armamento pesado. 

Afinal, sem armamento de tal estirpe a polícia brasileira é famosa mundialmente pelo alto índice de óbito “em confronto” (naturalmente com pretos e pobres de periferia).

O detentor da ideia, general Guilherme Theofilo, foi candidato a governador do Ceará, pelo PSDB, obtendo 20% dos votos.

Por este ângulo (do resultado eleitoral) há quem imagine que a ideia do armamento pesado tenha um viés bastante distinto do pretendido.

Pobreza aumenta
Conceitualmente, no Brasil, miserável é pobre. Que ficou mais pobre e miserável em 2017.

Imaginar que renda média de 406 reais estabeleça o mínimo necessário para uma subsistência é zombaria. 

Mas assim são as análises técnicas. Como as do IBGE.

Epifania
E porque é Natal recomendamos ao leitor nossa crônica "Epifania", publicada originalmente no GGN e integrante de nosso livro Portal da Piedade (Via Litterarum). Também na janela CRÔNICAS deste blog.

Boas Festas, ainda que a mensagem, nestes tempos de passar a régua, possa conter uma dimensão sadomasoquista.

domingo, 16 de dezembro de 2018

A cor da moda


Por que vestir marrom
Música dos anos 60, sucesso de Adriana, dizia no refrão: “Vesti azul, minha sorte então mudou...”.

Nestes tempos tão estranhos quanto sombrios o perigo é vestir vermelho, a cor ameaçada em todos os quadrantes de apoio ao governo eleito. Naturalmente para agradar também o fazem os oportunistas.

Nossa orientação quanto ao que vestir, considerando que azul não cai bem ou não traduz o que por aí vem e o verde não combina com quem pretende vender a Amazônia brasileira, amarelo já está saturado e pode dar uma ideia de que está com o eleito, melhor vestir marrom, a cor perfeita para explicar o que tudo aí está.

Ao que parece, a cor da moda. Se a moda pega!

Supimpa!

Mourão à espera
O General Mourão pode ser razinza e delicado como um elefante em loja de cristais quando faz declaração. Mas – ninguém se engane –
sabe o que quer. E mais: pode não perder o salto quando o cavalo passar correndo. Está treinado para a oportunidade que lhe vier.

Não custa duvidar – os que sonharam com um presidente general de linha dura/ditadura – de que sonho esteja prestes a se concretizar pelas vias democráticas que norteiam a singular atualidade desta terra brasilis.

Para o bom entendedor as coisas parecem caminhar para o pretendido por Mourão. Os apoios de sempre, conhecidos desde antes de 1964, já se manifestam. Ainda que veladamente, não tão veladamente.

Como se não bastassem algumas estrelas – não poucas – cintilando em torno do eleito presidente.

O caboclo lá das brenhas lecionará? esse mourão não amarra burro nem cerca.

Quem não sabe rezar
De renato Novai no 247:

"O que impressiona neste momento é que Jair Bolsonaro, que se elegeu com a mesma agenda e narrativas de Jânio e Collor, vive antes mesmo de sua posse um desgaste tão grande que sequer terá a famosa lua de mel, que quando curta, dura até a semana santa.

O bate-cabeças no PSL, partido do governo, as caneladas do general Mourão no presidente e em seus filhos, a dificuldade em criar uma base para eleger os presidentes da Câmara e do Senado e a nomeação de uma série de ministros inexpressivos e caricatos, indicam que Bolsonaro começa seu mandato já com cheiro de mofo.

Em começo de mandato, governantes costumam ter paz e capital político para se impor. Mas isso não está acontecendo com o futuro presidente. Ao contrário, ele está completamente perdido e já começa a ser visto como um estorvo a ser retirado do cargo."

Nada a acrescentar. A não ser um pouco da sabedoria popular: quem não sabe rezar, xinga Deus.



(Não)Diplomacia
Aviso nada velado: apoio da Rússia de Putin à Venezuela mais que à Venezuela fala ao Brasil.

E por falar em Putin, também a Europa de Angela Merkel (Alemanha) a Emannuel Macron (França) já mandou os seus recados, de negócios com o Mercosul ao Acordo sobre o clima.

O clima não anda bom. Também lá fora.

E o homem ainda nem tomou posse!

Nem o sangue escapa
Nestes tempos obnubilados, sombrios, tudo que contenha vermelho se torna perigoso. A covardia e a subserviência cuidam de aprimorar.

Desta vez não aquele shopping que vestiu Papai Noel de marrom, em Salvador da Bahia de Caymmi e Jorge Amado. 

O Ministério da Saúde trouxe a cor da merda para uma faixa de campanha contra a AIDs. 

Queremos crer que para entra na onda ou na cor da moda.

Detalhe: a cor e a criação da campanha não pertencem a  brasileiros, muito menos a petistas ou por eles influenciado. Mas por artistas estadunidenses nos idos de 1992.

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Da redação: a reprodução acima é de Guilherme Amado/O Globo