quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

De trapalhões

E trapalhadas
As razões que levaram o prefeito Claudevane Leite a cancelar o carnaval antecipado de Itabuna ainda chacoalham nas mentes grapiúnas que se embalavam para a folia. Os motivos imediatos apontados por Sua Excelência – risco de epidemia de dengue e de instauração da violência – beiram o senso do ridículo. Não fora uma certa confissão de que nas hostes administrativas – lançadas nos escalões superiores da gestão como exemplo de competência quando da anunciada equipe de governo – paira uma desarrumação de fazer inveja ao caos que se atribui à origem do Universo sob o condão da Ciência.

Talvez aí – no conflito entre Ciência e Religião – venha a ser encontrada a verdadeira razão a justificar o vai e vem do Prefeito, que transitou nos últimos dias em afirmar – e demonstrar porque o fazia – que o reinado de Momo aconteceria, ainda que – como o disse em programa repercutido pela radiodifusão – perdesse o vetusto e temporário “rei” a chave da cidade para Jesus.

Contou-nos uma fonte que o Carnaval 2014 em Itabuna - sob o crivo de variadas pressões - conteria o inusitado de duas praças para a folia: uma tradicionalmente ‘pecadora’ – como a pagã saturnália de priscas eras – e outra redentora. Tudo porque – entenda o paciente leitor – também haveria palcos (com pouca distância entre si) para algumas manifestações de caráter religioso como contraponto espiritual (gospel) para os males originados dos centros de dancinhas na boquinha da garrafa, poucas vestes, umbigos de fora e quejandos.

Mas, chama-nos a atenção – ainda que pouco convincentes em si – os motivos alegados para suspender o que já estava definido: risco de uma epidemia de dengue e instauração da violência. Ninguém diga que tais razões não seriam previsíveis. E por sê-lo mais demonstram os limites do modus operandi da gestão municipal.

Ora, dengue por aqui impera há muito e resiste brava e competentemente ao combate(?) que lhe enceta a administração; instauração da violência – por seu turno – exige compreensão do morador comum (mormente o das periferias, para não colocarmos no mesmo saco de gatos muitos comerciantes do centro) tão habituado a tiroteios que deles sente falta quando não ocorrem.

No fundo vemos a confessa falência do “pensamento/ideário” que norteou a gênese da administração atual: por temer a dengue não teve competência em fazê-la tolerável; por temer mais violência reconhece sua existência e jogou por terra a construção da “cidade da Paz”.

Não duvidemos que o carnaval apenas serviu como desculpa. Para confirmar que o laico não tem como se submeter às coisas do espírito – a não ser buscado este como apoio metafísico para aquele. Lembrando a lição de Cristo através do ‘dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” misturar uma e outra apenas consolidou uma trapalhada de fazer inveja aos “Trapalhões”.

Nesta ‘trapalhada’ perdem muitos. Não os foliões – já acostumados a não terem um período momesco de mais dias há anos; estes se contentarão com a Lavagem do Beco do Fuxico. Mas os pequenos comerciantes e vendedores, empresários de blocos e negociantes instalados, que já haviam investido recursos em produções e compras para os festejos.

E – naturalmente – a administração. Que perdeu credibilidade, quando o próprio prefeito disse e desdisse. Para este a cidade levantará orações pelos mais diversos motivos, entre louvor e lamento.

Para ele não sabemos o prêmio que lhe erá outorgado. Assumiu o que não merece.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Efeito viral

Antídoto
Os denominados rolezinhos começam a chamar a atenção de observadores e estudiosos. Para estes não se trata de um fenômeno de desajustamento de parcela da sociedade, como querem alguns que pretendem sua criminalização. 

Neles está presente - afirmam muitos - a força da comunicação da rede, que multiplica o chamamento. A ferramenta utilizada, portanto, torna-se mais preciosa que a razão em si para o observador. Não que a "razão" não contenha importância. Afinal, ela (a razão) está a constituir a repercussão de um outro fenômeno: a descoberta da luta, desprovida de conteúdo ideológico, por participação e igualdade de acesso.

A propósito da vertente aqui abordada, lembramos de uma festa de 15 anos programada em uma cidade de interior provinciano, de menos de duas dezenas de milhares de habitantes. O universo de convidados não ultrapassava 300. Quase mil 'convidados' compareceram. Não fora a precaução do promovente teria passado vergonha.

O que aconteceu na festinha da província está a acontecer nos denominados rolezinhos. A diferença de convocação difere para a sua multiplicação participativa: na cidadezinha o denominado "convite de orelha'; para os shoppings a rede social.

Alguns denominam o processo de 'efeito viral', metáfora para permitir a compreensão de como se espalha/multiplica a convocação, como fora de um vírus em determinado corpo físico vital.

A compreensão desta dimensão comunicativa - pela extensão que em si encerram as redes sociais - pode reduzir a conceituação criminalizadora de que há pré-elaborada convocação, organizada para fins definidos, com o fito de ocupar espaços discriminativos em plano de participação social.

Não há que ser negado que ocorre - assim pensamos - uma confluência entre sociedade de consumo em sua dimensão de consumismo (como extremo, de natureza patológica, compreendido como o consumo do supérfluo e do dispensável) e a busca pelo espaço onde ofertado, propagandizado e propagado. Propagandizado - porque a propaganda é o seu alimento - propagado - porque a rede se incumbe de convocar um outro grupo (não)destinatário do quanto disponibilizado em espaços tais (shoppings).

Está a ocorrer - outra visão pessoal, passível de contradição - uma reação químico-física para conformação de um 'universo'. Prótons, elétrons e neutros perdidos em sua gênese começam a confluir para a constituição de futuros organismos.

Estamos diante da saída de um funil que a sociedade de consumo desenvolveu e que começa a produzir desdobramentos. A propaganda e os meios de realizá-la - em suas várias dimensões, como rádio, televisão, revistas etc. - destinada a motivar e convocar consumidores em potencial encontra destinatários alijados de um sistema antes discriminador pela força do poder aquisitivo (shoppings) que passam a exercer o direito de 'conhecer' ditos espaços. 

Convocados pelas redes sociais. Que já se apresentam como vetores de vírus e seus efeitos multiplicadores.

No entanto, não há, neste instante, procedimentos químico/normativos para conter a expansão.

Quem sabe? mais igualdade, melhor distribuição da riqueza. Talvez o único antídoto capaz de conter o espanto ora causado. Que está em poder de quem não pretende (nunca pretendeu) socializá-lo.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS *

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Natureza em foco
Indivíduo recentemente avistado na costa piauiense media dois metros de comprimento. Alguns podem chegar a 900 quilos. A chamada tartaruga de couro também visita e desova na costa do Espírito Santo.

Cometa brasileiro
O dia 12 de janeiro pode tornar-se histórico para a história da astronomia tupiniquim. Os astrônomos Cristóvão Jacques, Eduardo Pimentel e João Ribeiro de Barros, a partir de um telescópio de 450 milímetros instalado no interior de Minas Gerais, detectaram o primeiro cometa descoberto por brasileiros – batizado de C/2014 A4 SONEAR – fato confirmado e reconhecido pela União Astronômica Internacional no último dia 16.

Se a moda pega por aqui
Um protesto singular – pelo conteúdo físico – ocorreu na França. Um caminhão – e uma faixa com um “Fora Hollande e toda a classe política” – despejou uma carga de estrume em frente ao edifício da Assembleia Nacional.

Não há informações na France Press para as razões do protesto: se o denunciado caso extraconjugal de Hollande ou o aumento recente, para 75%, do imposto sobre as maiores rendas (lá rico paga mais imposto).

Certo é que se tomarmos o conteúdo do protesto – farto no Brasil – teríamos estranhas alegorias em frente ao STF, Palácio dos Bandeirantes, Congresso Nacional e uma porção de prefeituras país a fora.

Parcerias e tropeços
Dado como definido: o PSB de Eduardo Campos – atendendo aos reclamos de Marina Silva – não apoiará a reeleição de Geraldo Alckmin.

Problemas para Aécio, caso chegue ao segundo turno. Mais ainda se Alckmin não vencer no primeiro.

Nada impede que o feitiço se volte contra o feiticeiro, em sendo Eduardo Campos o que dispute a presidencial num segundo momento.

Se não houver segundo turno pior ainda para Alckmin, que enfrentará o “poste” de Lula já com a presidencial definida.

Nova é a forma de convocação
O rolezinho – a moda de verão – não pode ser descartado como resultante da possibilidade de comunicação entre os interessados, facilitada pelas redes sociais. Como a mesma rede abre espaço – através do comportamento de grupos que se sentem marginalizados – de conscientização para reação destes grupos diante de práticas que antes eram esquecidas nas prateleiras mofadas de apartheids sociais.

Locais destinados aos bem aquinhoados sempre discriminaram quem lá chegasse apenas para observar. O ir i vir ficava condicionado ao poder aquisitivo para entrar e sair de tais locais.

O processo – que pode envolver matizes de racismo – teve início nos Estados Unidos, em fevereiro de 1960, quando um grupo de jovens negros pretendeu (sem conseguir) atendimento igualitário em uma lanchonete em Greensboro, na Carolina do Norte.

Como registra a BBC Brasil ‘rolezinhos’ são uma realidade há anos em shoppings dos EUA e têm aberto um debate sobre o papel dos shoppings centers como local de reunião e encontro destes jovens de poder aquisitivo distinto dos frequentadores habituais.

O fato não é tão recente, tampouco privilégio brasileiro. Nova é a forma de convocação.

Também petistas
Já convocamos nossos leitores para folhearem “Operação Banqueiro” de Rubens Valente. Para uma interessante arrumação que beneficiou Daniel Dantas – que pode ter lhe rendido 1 bilhão de reais – não imaginemos que somente tucanos e quejandos. Também petistas de coturno. Um deles advogando e fazendo lobby para Dantas; o outro arquitetando os interesses do banqueiro, ainda que expressão do diretório nacional. Daqueles que muito contribuem para gerar páginas negativas para o partido.

Tanto que se encontram entre os protegidos da imprensa. Os nomes estão no livro. E para detalhes preliminares Paulo Henrique Amorim no http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/01/18/os-dois-petistas-da-%E2%80%9Coperacao-banqueiro%E2%80%9D/

Informação(?)
O Estadão, na quinta 16, promoveu mais uma das suas, sensacionalizando o fato de Genoíno haver alugado uma casa “com 450 metros quadrados” em área de classe média em Brasília por 4 mil reais. Com trem e metrô de São Paulo, bloqueio de recursos do DEM do Distrito Federal pela justiça suíça – da Suiça, da Suiça – não saem do pé de Genoíno.

A forma como o jornal noticiou o aluguel alimenta a rede até para informar que as doações para o pagamento da multa de Genoíno estão sendo utilizadas para a “mordomia”. Esquece – por conveniência – que o aluguel em Brasília se tornou imperativo depois que Joaquim Barbosa negou transferência para São Paulo, fato ocorrido bem antes da determinação do cumprimento da sentença no que diz respeito ao pagamento da multa.

O Estadão – agindo de má fé – não divulga que o aluguel é por temporada (o que o torna mais caro), em casa mobiliada e que o terreno é que tem 450 metros quadrados. Não fora o caso de toda a família do deputado está ali residindo: mulher, filhos, genros e netos, ao todo 10 pessoas para três quartos.

Outra: não discute o absurdo de um condenado ao regime domiciliar estar pagando para residir fora de seu domicílio.

Ele merece!
Enquanto isso o ministro Joaquim Barbosa – que nega a Genoíno o cumprimento do direito ao regime domiciliar em sua própria residência – flana em Paris, com diárias do STF. Remuneradas para corresponder a palestras em pleno período de férias do STF.

Poste
O que um poste não pode fazer. Desde que o seja “de Lula”. Assim podemos denominar ‘todo aquele que sem suficiente bagagem político-administrativa é guindado a candidato de cargo majoritário importante por recomendação pessoal de Lula’.

À guisa de exemplo: presidente da república, prefeito de megalópole. Por enquanto.

Feitiço contra o feiticeiro
Somente os apaixonados pelos ideais/métodos tucanos não reconhecerão o uso político-eleitoral que o PSDB deu ao julgamento da AP 470 – o mensalão petista. Uma notícia veiculada no Estadão traduz a possibilidade de o mensalão mineiro ser julgado no curso de 2014 – correndo o risco de ocorrer durante o período eleitoral.

Como o ministro Joaquim Barbosa – aquele de dois pesos e duas medidas – havia desmembrado o mensalão do PSDB (o que não fez com o do PT) serão julgados no STF apenas o ex-governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB) e o vice Clésio Andrade (PMDB).

Não sabemos se holofotes da imprensa e de acessos a TV Justiça darão o mesmo tratamento ao tucano como o deram ao petista.

Maracanã
A campanha contra a Copa do Mundo continua nas ruas. Somente no Brasil, que se vê pelo espelho de elites, um evento desta dimensão é criticado. (Claro que muito das críticas reside no fato de tudo acontecer quando o PT está no Governo).

O Maracanã que fica – ainda que alcançado por uma série de denúncias de irregularidades – certamente é mais positivo que as críticas à Copa do Mundo que nele encenará o espetáculo da final.

A vestal e o véu partido
Ou Gilmar Mendes inviabiliza a circulação de “Operação Banqueiro” ou verá sua biografia moral – que não é lá essas coisas nos meios mais nobres do mundo jurídico (afastados os que integram o seu círculo íntimo) – mais chafurdar em pântanos mais profundos.

Dele já dissera o jurista Dalmo de Abreu Dallari – em artigo publicado na Folha de São Paulo em 08.05.2002, sob o título “Degradação do Judiciário” – antes de sua aprovação pelo Senado, assim que indicado por FHC:

“Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.

Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente — pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga –, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.

É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas.

Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.


A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público — do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários — para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

Quando o rabo preso é solução
Não bastasse o registro arrasador de Dallari aí está a participação espúria do ministro Gilmar Mendes em favor de Daniel Dantas, fartamente exposta e documentada em “Operação Banqueiro”.

O caso é para impeachment. Não sabemos se o rabo preso de muitos parlamentares deixará acontecer.

Boicote na rede
Se a Globo não anda bem das pernas no quesito audiência os que lhe combatem andam mais vitaminados. Não mais bastam gritos de ordem por onde passem jornalistas em trabalho, com o já clássico refrão “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. Na rede compartilham uma campanha de boicote à sua programação.

Encruzilhada I
A oposição na Bahia fala em consenso para composição da chapa majoritária. Da largada disputam a chegada apenas o ex-governador Paulo Souto e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Os ventos – assim vemos – já bafejaram Geddel como melhor brisa. Para quem pauta em seu diário político o projeto Ondina a cabeça de chapa de 2014 já esteve mais próxima, quando sinalizada a senatoria para Paulo Souto.

Trabalhando para sua sobrevivência – pelo menos imediata – o PFL/DEM encontra no momento baiano singular oportunidade: real possibilidade de vencer, o que anima o partido para saracotear com alegria de pinto no lixo em torno de encabeçar a majoritária. As pesquisas contribuem para alimentar a aventura amparada em possibilidades concretas de vitória.

Antes a quase certeza de que Geddel congregaria em torno de si a unanimidade da candidatura a governador. Hoje Paulo Souto se sente o pólo de convergência.

Encruzilhada II
Aí reside a encruzilhada de Geddel: alimentar a pretensão a governador – com chances de vitória – ou adiá-la para futuro mais distante. Bem mais distante.
Isto porque quase certa em 2018 a candidatura de ACM Neto a governador, depois de uma reeleição em Salvador como prefeito, assegurando a Paulo Souto uma senatoria depois (ainda hipotética) de passagem por Ondina.
Restaria a Geddel uma das vagas para senador em 2018, como propõe o consenso ensaiado pela oposição para 2014.

Não sabemos se tudo está conforme os planos de Geddel. Que novamente pode se contentar com uma sinecura no Governo Federal. De um PT que tudo aceita (premissa menor) pela governabilidade (premissa maior). Até empregar quem o critica e à sua administração.

Everaldo está certo
Evidentemente que o melhor candidato para ser enfrentado pelo PT/Governo é aquele que possibilite comparação/debate entre dois modelos. Nesse aspecto o presidente estadual do PT, Everaldo Anunciação, está coberto de razão quando espera que o candidato governista tenha Paulo Souto como adversário.

O carlismo – do qual Souto foi expressão de proa – privatizou o BANEB e a COELBA. No plano das ideias uma oportunidade para comparar privatização com concessão.

Não fora o que pode acontecer: Souto sofrer outra derrota para o PT ou deste se vingar, retomando Ondina para o PFL/DEM.

Entre a política e a realidade
A declaração do prefeito Claudevane Leite de que não realizará reforma no secretariado denota uma circunstância eminentemente de trato político, para não afetar alianças em ano eleitoral.

Não porque a máquina esteja produzindo o ideal. A Saúde que o diga!

Aderbal Duarte
O baiano de Boa Nova, radicado em Salvador, que não perde um São João em Itapetinga – a ponto de dispensar concertos na Europa se propostos para o período junino – não somente é a maior referência em João Gilberto no mundo. Compositor e regente, famosa cabeça pensante do antológico “Sexteto do Beco”, oferta dimensão estética singular a sua obra.

Aqui um trabalho de Aderbal, interpretado pelo violonista e compositor Babuca durante homenagem feita em 2010, no teatro do SESI, em Salvador.

Destaque-se em “Samba da Promessa” o balanço (swing), que não está contido no andamento, mas nas próprias síncopes da arquitetura da composição.


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* Coluna publicada aos domingos em www.otrombone.com.br 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Não há

Como cobrar
Acontecendo em Recife o III Congresso Nacional da Juventude Camponesa. O evento reúne mais de dois mil jovens de 17 estados brasileiros, discutindo o tema "Terra, Pão e Dignidade - Na Caminhada pela Terra Brasil Livre", desde a terça 14. (Do Brasil de Fato).

Não vemos no noticiário referência sobre o Congresso. Afastamos a Globo porque foi expulsa pelos jovens quando uma equipe da local pernambucana queria registrar o evento e foi repelida sob o refrão "a realidade é dura, a Globo apoiou a ditadura".

Passando

Ao largo
Apesar de posto em prática o programa Braços Abertos - da prefeitura de São Paulo - não temos visto, em nível de noticiário, a repercussão que merece pelo que demonstra estar realizando. Não se afirme que há algo ousado na iniciativa paulistana. Estudos recomendam o processo como a melhor solução, em muito distinta do combate pela repressão. Em si o Braços Abertos está tratando o problema da droga e usuários de rua como um problema de saúde pública. O que no fundo é.

O que parecia incrível já começa a acontecer: na manhã desta quinta 16 já foram vistos os primeiros afastados da rua trabalhando. Uma atividade como ocupação - remunerada, como o é - alimenta a autoestima. Esse, certamente, o principal aspecto contido no programa. Ao lado dele a moradia e a alimentação dignas. Com um detalhe: sem obrigar - o que seria uma condicionante repressora - a deixar o vício. Isto acontecerá no curso do processo, até porque sem a contribuição do viciado/doente nada pode ser feito.

Do pouco que vimos e assistimos até agora somente críticas ao prefeito Fernando Haddad por viabilizar o programa, centradas nas 'despesas' que dará ao município. (A propósito, não encontramos nos críticos nenhuma determinação crítica em relação aos desvios de recursos envolvendo trens e metrô paulistanos, um fato também recentemente ampliado em divulgação).

Ainda que cedo para cantar loas por resultados que não se materializaram plenamente (por demandarem tempo) não custava levantar as informações (destituindo-as de proselitismo político-partidário) que levem a um debate em torno da experiência.

No entanto esta triste imprensa - que se assume  partido político - passa ao largo de assunto tão candente. Como ao largo de tudo que seja positivo em relação a iniciativas de governos petistas.

Cadeia e segregação social: a solução de sempre. Assim imaginam.

Ainda que exista

Passa ao largo
A Petrobras está anunciando um crescimento de 43% nas reservas provadas do pré-sal, o que já permite a extração recorde de 390 mil barris diários, ultrapassando os 371 extraídos em dezembro último. As bacias de Campos e de Santos já contribuem com 51% deste recorde. E, em oito anos de operação, as reservas do pré-sal permitiram uma produção superior a 290 milhões de barris, o dobro do extraído no campo de Garoupa em 35 anos.

Simplesmente a tão alimentada dúvida quanto à viabilidade econômica das reservas naquele patamar físico está sendo superada.

Os resultados são impressionantes. No entanto não vemos referência ao fato na imprensa. É que a preocupação desta mídia político-partidária se volta para o que de negativo ocorra. Afinal - para ela - as eleições presidenciais não podem ser alimentadas com notícias positivas para o Governo.

Sob esse viés, ainda que haja sucesso na extração de óleo do pré-sal melhor passar ao largo.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Evasão escolar

E qualidade de ensino
Dentre os vários pontos de estrangulamento que acometem a educação brasileira – de péssima avaliação quando comparada aos níveis internacionais – a evasão escolar sempre esteve dentre fatores consideráveis. A partir de tal premissa a presença do aluno em sala em pelo menos 75% das aulas seria elemento contributivo para o aprendizado. Em dimensão aritmética não pode haver dúvida, partindo-se do fato elementar de que maior quantitativo de recepção teórico-prática do ofertado em cada aula traduziria maior apreensão da informação por cada aluno presente.

Há anos o Brasil se utiliza de políticas para assegurar/motivar a presença do aluno na escola: do fornecimento de merenda ao recente condicionamento da frequência para a percepção no programa Bolsa Família. (Não é pretensão nesse instante analisar o que falta – e não é pouco – apenas observando experiências bem sucedidas realizadas no país).

O Blog do Planalto destacou, na quarta 15, comentário da Presidente Dilma Rousseff em sua conta no twitter, “que nos meses de outubro e novembro do ano passado 96% dos estudantes da rede pública atendidos pelo Bolsa Família e acompanhados pelos estados e municípios cumpriram a frequência escolar exigida para permanência no programa. Esse índice representa mais de 15,4 milhões de alunos que alcançaram no mínimo 85% de frequência, no caso dos estudantes de 6 a 15 anos, e 75% para os de 16 e 17 anos”, onde destacados “Os alunos do Norte e do Nordeste” como “os que apresentaram maior índice de cumprimento da frequência escolar em 2013 – 97,7% e 97,5% respectivamente. Em seguida, vêm as regiões Centro-Oeste (96,3%), Sul (93,2%) e Sudeste (92,7%). Os cinco estados campeões da frequência escolar foram Amapá (99%), Maranhão (98,6%), Piauí (98,5%), Acre (98,4%) e Alagoas (98,1%)”.

O otimismo da Presidente leva-a a outra consideração: Aprovação dos alunos do Bolsa Família tem sido superior à média registrada por alunos da rede pública não atendidos pelo programa”.

Tudo o aqui dito está voltado para reconhecimento e conclusão de que a melhora dos índices de avaliação da educação brasileira não mais depende da frequência como paradigma absoluto. Pelo menos recentemente.

Portanto, para compreendermos as razões da baixa qualidade repercutida pelo ensino no Brasil necessário debruçar sobre o que de muita água existe embaixo da ponte pedindo atenção e repensamento: estrutura física, oferta de equipamentos, outras carreiras inseridas nos planos de carreira (psicólogos, assistentes sociais etc.), conteúdos e grade curricular, programas e projetos de valorização e reconhecimento das identidades culturais regionais (naturalmente acompanhados em nível de conteúdos), regionalização da elaboração e da edição do livro didático (hoje submissos ao eixo Rio-São Paulo) etc.