domingo, 18 de maio de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Negócio inviável I
Há muito temos defendido a necessidade de intervenção estatal no negócio em que se tornou a produção de drogas ilícitas. A premissa que nos sustenta reside na própria razão de existência do capitalismo: lucro. Ninguém produz se não dispõe de consumidor; e havendo este, que assegure ganhos.

Em linguagem mais direta: só há tráfico  em razão da ilicitude do negócio  porque alguém está ganhando dinheiro com isso.

Para eliminar o traficante a melhor saída é eliminar o negócio. Inviabilizada a possibilidade de lucro o negócio se torna desinteressante. 

Aí entra o Estado como controlador das ações que levem à inviabilização do comércio de drogas ilícitas.

Primeiramente, exercitando o controle sobre venda e consumo; em seguida – com políticas públicas – reduzindo o consumo, que a médio e longo prazo praticamente levará o uso de drogas a patamares insignificantes diante do que é atualmente.

Negócio inviável II
O que tem exigido apreciação mais racional é o fato de que o consumo de drogas ilícitas tem se tornado um problema de saúde pública. E como tal cumpre ser cuidado. Assim observado, cabe ponderar se a pura e simples repressão é a solução para conter a tragédia em que se tornou o problema droga.

Algumas experiências neste viés têm ocorrido. Criticadas pela visão conservadora, construída no curso de quase um século, de que a repressão é a melhor solução para conter o consumo de drogas.

Não mais se nega a utilização da maconha para uso medicinal. Seguem-se-lhe movimentos para a possibilidade de utilização lúdica e mesmo o plantio em residência para consumo próprio.

Nos Estados Unidos, por exemplo, maior expressão em políticas repressoras, já mais de 20 estados descriminalizaram a maconha para uso medicinal e no Colorado foi admitido o uso denominado recreativo.

Negócio inviável III 
O resultado já é visível: plantadores da cannabis no México central – tradicionais fornecedores para o consumo estadunidense – simplesmente decidiram parar de plantar diante da queda do preço, que despencou de U$S 100 para U$S 25 o quilo.

O negócio – antes lucrativo – mantendo os mesmos custos de produção se encontra inviabilizado diante da queda no preço.

Como registra o Último Segundo: “'Não vale mais a pena', afirmou o cultivador de cannabis Rodrigo Silla ao jornal The Washington Post. Ele disse ao periódico que não consegue se lembrar de uma época em que sua família e outros moradores na pequena aldeia onde vive no estado de Sinaloa, um dos pontos mais fortes de narcotráfico no México, deixaram de cultivar a planta. 'Gostaria que os norte-americanos parassem com essa legalização'”.

Lições começam a se materializar de como combater a tragédia das drogas ilícitas. Exige-se apenas a superação da hipocrisia como o tema ainda é tratado pela sociedade. Que vive como avestruz: escondendo a cabeça para fugir do perigo.

Retrovisor
A campanha presidencial em andamento já abre espaço para temas que serão debatidos no curso do processo. Em especial – o que vemos como de maior importância – a condução da política nacional frente aos interesses estrangeiros no Brasil. Assim, voltarão à mesa a conveniência ou não de o país atrelar-se aos ditames dos Estados Unidos em sua dimensão hegemônica para com a América Latina ou fortalecer o Mercosul.

Lembre o leitor que a menina dos olhos da campanha de José Serra em 2002 era a inclusão do Brasil na ALCA, o grande mercado comum que, nos moldes do NAFTA, nos faria integrado ao universo estadunidense da igualdade no tratamento aduaneiro etc.

A eleição de Lula frustrou a proposta estadunidense, que dela desistiu, mas que a motiva por outros vieses, como a denominada Aliança do Pacífico. Que vem sendo elogiada por Aécio Neves.

A propósito de tão significativo tema trazemos artigo de Mauro Santayana, no Carta Maior (“Boi, porco e frango sobrem 25% em um ano e consumo cai 20%. E não é na Venezuela”):

Para alimentar sua população, e afastar o risco de uma crise de abastecimento, governo mexicano pede que Brasil e Argentina forneçam, em caráter de emergência, 300.000 toneladas de frango.

É de dar pena. Mas, para infelicidade de seu próprio povo, o modelo neoliberal mexicano  continua fazendo água por todos os lados.

Empresa menos rentável da América Latina no ano passado, segundo o site especializado Latinvex, a PEMEX teve, em 2013, o maior prejuízo de sua história, da ordem de mais de 12 bilhões de dólares – e ele já passa de U$ 2.5 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Enquanto isso, com todos os seus problemas, a Petrobrás - eleita no mesmo ranking a empresa mais rentável do continente latino-americano em 2013- lucrou, no mesmo período, mais de U$ 10 bilhões.

O conteúdo local dos produtos mandados para o exterior, pelos cinco principais setores exportadores mexicanos, segundo a revista local Paradigma, não chega a 60%, contra 90% no Brasil e na China.

Segundo a OCDE, quatro em cada 10 mexicanos não recebem um salário que dê para comprar uma cesta básica.

No país mais desigual das Américas, junto com o Chile, não existe seguro desemprego, e 60% da população ativa está na informalidade.  

Agora, para ilustrar melhor o que verdadeiramente está ocorrendo por lá, o site especializado em proteína animal www.eurocarne.com, citando a associação de importadores de carnes do México, acaba de divulgar que houve um aumento de 25% no preço da carne de frango, boi e porco – o suíno, por exemplo, passou de 30 para 48 pesos o quilo - no mercado mexicano, nos últimos meses, devido ao crescimento dos custos de produção nos EUA, seu principal fornecedor de alimentos.

Com isso, o consumo de proteínas no país de Zapata, com mais de 50% da população em situação de pobreza, caiu, também, no mesmo período, extraordinários 20%.

Para evitar o aumento da inflação e uma grave crise de abastecimento, o governo Peña Nieto está ultimando a importação, da Argentina e do Brasil, em caráter de emergência, de 300.000 toneladas de frango.

E ainda tem mexicano - que com certeza não precisa comer empanada na hora do almoço – que fica falando mal da Venezuela nos sites e redes sociais.

É isso aí.

Trata-se do incompetente e decadente Mercosul, dando de comer ao povo da nau capitânia da “próspera” – o México cresceu a metade do Brasil no ano passado – e “bem sucedida” – na opinião de The Economist e do Financial Times - Aliança do Pacífico."

Concluímos: a tragédia mexicana – integrante do NAFTA – leva a sua população a se alimentar de ratos como o denuncia a Tribuna da Imprensa. 

Até que chegue a carne do Mercosul. Que os senhores presidenciáveis – que se dizem contrários a atual política brasileira – olhem no retrovisor, para ver o que fizeram os Estados Unidos ao México.. 

Ainda assim...
O jornal Estado de São Paulo denunciou: quatro dos integrantes da CPI da Petrobras no Senado teriam recebido dinheiro para suas campanhas das construtoras Camargo Corrêa, OAS e Votorantim, que prestam(ram) serviços a Petrobras, dentre eles José Pimentel (PT-PI), Humberto Costa (PT-PE), Ciro Nogueira (PP-PI) e Vanessa Graziotin (PCdoB-AM).

Nenhuma ilação pode ser tirada da matéria de que a Petrobras tenha cometido alguma irregularidade em contratar empresas que fazem doações a políticos. 

No entanto volta à baila o lugar-comum: empresas que prestam serviço a governos financiam campanhas políticas.

A nossa análise passa para um ponto mais no fim da linha: a doação de empresas a políticos, fato sob análise do STF, com maioria condenando tal procedimento e o ministro Gilmar Mendes pedindo vistas (congelando o julgamento) para que seja assegurado o procedimento no curso das próximas eleições.

Quando se defende o financiamento público de campanha – que permite transparência, ainda que não seja absolutamente seguro – muitos são contra.

Quando se fala numa reforma política com poder constituinte exclusivo para tal fim levantam-se contra. Inclusive o jornal o Estado de São Paulo. (Que poderia ter aproveitado a oportunidade e falado do financiamento de campanhas com dinheiro da corrupção de trens e metrô).

Ninguém espere que com a atual conformação o Congresso e esta classe política venham a fazer a reforma política. Muito menos defender financiamento público.  

55 Copas
O ‘não vai ter Copa’ – que durará até a Copa – insiste em confundir alhos com bugalhos. E, com apoio da mídia, vai encontrando espaço para seu discurso. Como o que está no jogo é menos futebol e mais política eleitoral, pouco se atenta para a realidade.

A fonte pode até não ser a ideal para muitos. Mas, para estes, basta buscar os meios de confirmação do quanto expressado no blog do deputado Edinho Silva:

“Foram 17,6 bilhões na Copa, contra 968 bilhões em educação, saúde e mobilidade urbana desde 2010. Só no Pronatec, são 14 bilhões, mais 16,5 bi na construção e reforma de Unidades Básicas de Saúde e nos programas Rede Cegonha e Brasil Sorridente, além de 143 bilhões em mobilidade urbana.”

Os recursos representam 55 Copas do Mundo. Em quatro anos.

Como seria
A TV Globo, através de seu noticiário, se transformou até em instrumento oficial de convocação de movimentos contra a Copa do Mundo, antecipando onde vão ocorrer. Imagine o leitor o que diria a Globo caso o Brasil não sediasse a Copa do Mundo. 

Certamente como ora circula na rede.


Não engana
Temos tido uma postura de respeito para com o candidato Aécio Neves. Não por suas propostas, mas por sua coerência. Afinal, como bom tucano  e liderado pelo ideário de FHC  mantém-se na linha das propostas que alimentam o PSDB enquanto governo. 

É o caso de Aécio em relação ao salário mínimo. Ninguém diga que ele engana.

Na mosca I
Ainda repercute a propaganda do PT. O recado não poderia ser mais incisivo, não fora a criatividade. Convocar a lembrança do leitor para comparar o passado recente (tucano) com o mais recente (petista) exige um exame de consciência, no confessionário do travesseiro, na linha do que era antes (pior, essa a mensagem) e o que é hoje (melhor). Assim, o que ‘você’ conquistou (torna o povo partícipe) não pode ser jogado no pântano da incerteza e do retorno a tempos previsíveis. (Deixa na saia justa o tucano Aécio Neves e sua defesa em arrochar o salário mínimo).

Como escrevemos neste espaço (“Direto no fígado”) a oposição ‘caiu no conto’ e reconheceu os efeitos da propaganda, saindo-se com a ideia de que “o medo” fora trazido à tona quando, na verdade, a propaganda petista simplesmente ‘convoca’ o eleitor a preferir entre o período FHC/PSDB e o Lula/PT.

Na mosca II
No confronto desenvolvido no campo da propaganda o candidato Aécio Neves definiu o espaço que, por lógica, lhe cabia no processo eleitoral: o de arauto do antipetismo / antilulismo.

Lançou às traças a imagem de bom moço e assumiu – jogando Eduardo Campos na disputa pelo terceiro lugar – a condição de único e confiável defensor das políticas neoliberais e do enfrentamento ao Governo/PT.

Assumiu-se no alea jacta est, como Cesar no Rubicão, e lançou os dados. O resto reside no que vai conquistar em tempo no horário eleitoral, o palco para levar o personagem a convencer o eleitorado.

Entre tropeços...
Eufórica a oposição na Bahia. Tem certeza na vitória. Ainda que Paulo Souto tropece aqui e ali e guarde cacife (em tropeços) para o horário político.

Exalta a oposição (de Paulo Souto a Geddel Vieira Lima) a violência como pedra de toque para sensibilizar o eleitor, vítima daquela.

O detalhe fica à conta de que dados estatísticos permanecem no tempo e podem negar discursos.

a.M.  d.M.
Prestes a ser publicado  fonte fidedigna nos confirmou a edição no Diário Oficial para os próximos dias  Decreto do Governo Estadual que revolucionará a dimensão econômica da região cacaueira.

Tendo a sustentabilidade como tônica os reflexos já ocorrem, com a valorização das terras de cacau, antes beirando umas poucas moedas por hectare.

Confirmar-se-á o que escrevemos há muito, hipotecando às ações e ideias de Juvenal Maynard e o que estava por vir. Que será o porvir regional. 

Itabuna
A!... Mais pensando em 2016 quando nem ultrapassou 2014. Se é que pode ser afirmado que tenha ultrapassado 2013.

Sexteto do Beco
A rede  apesar de escasso frequentador  nos permite (re)encontrar amigos. Como Sérgio Souto, que nos informa da reedição do antológico "Sexteto do Beco', 34 anos depois do lançamento.

Dele ainda guardamos crítica de Camier, no Paris Magazine: "Dans le genre, c'est ce que j'ai entendu de plus enthousiasment cette année, et ça reste pourtant toujours de la musique que chacun peut assimilier sans le moindre difficultté". 

Ouça o leitor o que tanto 'entusiasmou' a crítica do Paris Magazine, através de "Flutuando" e "Suíte 312" (ambas de Aderbal Duarte).
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A coluna será atualizada no curso do domingo, até que encerrada com a disponibilização do vídeo musical

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Supositório

Como solução
Em ano de eleições é assim mesmo. Tudo pode ser usado – contra ou a favor – para assegurar uns votinhos. Ponto e contraponto.

A crise no abastecimento de água em São Paulo e nos municípios do entorno, que integram a Região Metropolitana, evidentemente é uma dor de cabeça, em nível de enxaqueca daquelas, para o governador Geraldo Alckmin, que pretende a reeleição. 

A compra de Pasadena, pela Petrobras, torna-se o olho de furacão para o Governo Federal e, naturalmente, para a reeleição de Dilma Roussef, ainda que a mesma Petrobras esteja produzindo recorde no pré-sal (já 470 mil barris/dia, no último 11 de maio). 

Pernambuco estoura os limites da violência e torna-se preocupação para Eduardo Campos, visto que não pode fugir das ações dos policiais grevistas pelo fato de haver deixado a governança para pretender a Presidência da República. 

Aécio vê reações a sua política salarial, ações administrativas e – como se não bastasse – ilações na internet em torno de comportamentos privados incompatíveis com a imagem pública.

Cada um, no entanto, busca reverter o que lhe é contrário e transformar o negativo em positivo. 

O caso de Geraldo Alckmin, em São Paulo, no entanto, beira o surrealismo.

A crise no fornecimento de água – responsabilidade de uma empresa estadual, a SABESP – levada o foi ao racionamento (doce e ternamente chamado de “rodízio”) por absoluta ausência de investimentos no curso das últimas décadas. 

Não tem Alckmin e seu PSDB como transferir responsabilidades para antecessores, porque são eles, tucanos, que se sucedem há décadas (Mário Covas, Alckmin, José Serra, Alckmin) na administração da ‘locomotiva do Brasil’, como se alcunhavam os paulistas diante do restante do país.

Não bastasse – para ser coerente com o neoliberalismo – o capital da SABESP foi aberto à iniciativa privada e leiloado sob loas até na bolsa de Nova York. Hoje, dos cerca de 2 bilhões de reais anuais de lucro, 500 milhões são ‘reservados’ para distribuição  e aplausos à especulação financeira. 

Essa uma das razões da falta de recursos para os investimentos necessários na captação e distribuição de água, que resulta na atual crise. Mantida está uma estrutura concluída há trinta/quarenta anos, para atender à população de então, de 5 a 6 milhões de habitantes, e que se encontra hoje entre 12 e 13 milhões.

Mas, Geraldo Alckmin, no esforço para transferir água para o reservatório da Cantareira anuncia com pompa e circunstância a captação do denominado ‘volume morto’ como forma de amenizar a imagem perante o consumidor, que em mais de 50% o vê como responsável.

No vale tudo da campanha chegamos ao surrealismo de ‘inaugurar’ captação de ‘volume morto’ na falta de inaugurar obras. A imagem produzida pode evitar que Alckmin seja ‘morto’ eleitoralmente. Essa a desesperada saída.

Para o consumidor resta a esperança de que seja inaugurada pelo governador Geraldo Alckmin uma nova campanha: a de ser induzido a substituir a tradicional ingestão de remédios por via oral – que exige água – pela via anal, como ironiza Nani.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Direto

No fígado
Começou a chiadeira. Reage a oposição a uma inserção do Partido dos Trabalhadores na TV que recomenda a não volta ao passado. É o que se depreende das manifestações de Aécio Neves (que precisa melhorar a imagem reproduzida pela telinha, para não alimentar especulações sobre o que consome) e Eduardo Campos.

Em boxe o direto no fígado leva a curvar-se o adversário, tentendo-o abrir-se para um golpe no queixo que pode nocauteá-lo. Não se pode comparar a inserção petista com um golpe de boxe, porque política tem nuances imprevisíveis, mas  pelas reações dos candidatos de mais expressão (Aécio Neves e Eduardo Campos) – parece que algo efetivamente incomodou.

Ambos sentiram o peso da propaganda do partido do governo, pela abordagem proposta: comparar administrações e políticas de governo. Abalados ficaram com o mostrado em 30 segundos. Arrepiaram-se os candidatos. Imagine-se mais tempo disponível para tal propaganda mostrando o que a imprensa não mostra.

A desarrumada reação centrou-se em argumento pífio: como se a concepção de “medo” posto por Regina Duarte – como ‘musa’ do PSDB – na campanha de 2002, visando jogar o mercado e tudo o mais contra Lula, estivesse ora utilizada. Naquela oportunidade sucumbido o ‘medo’ diante da ‘esperança’ de novos tempos.

Na falta de argumento Aécio e Eduardo – em discurso orquestrado – puseram ‘medo’ onde não há. 

Na propaganda do PT o eleitor apenas é chamado a ‘preferir’ entre os feitos da experiência de FHC e de Lula/Dilma.

O mote da campanha do Governo/PT limitou-se tão somente a disparar a tomada de consciência do eleitor/ouvinte para comparar o período do PSDB-PFL/DEM-PPS com o atual. 

Cabe saber se a oposição terá bala na agulha para enfrentar a proposta de marketing posta. 

Isso, porque o discurso comparativo entre dois períodos é desastroso para o PSDB quanto aos números. 

Quanto ao PSB, pela posição assumida (negando, inclusive, o programa partidário) deixou-se levar pelo mesmo discurso do PSDB, passando a disputar o mesmo espaço entre ‘quem fará melhor’, se ele ou Aécio (que saiu na frente).

Por mais apoio que tenha a oposição da mídia – típico aliado político-partidário – não há como negar a realidade, que é palpável. Depende apenas de ser lembrada. Nisso a inserção do PT se torna perfeita.

Restará à oposição a(s) CPI(s) da Petrobras, o ‘não vai ter Copa’. A Copa acaba em julho, antes da campanha; CPIs podem trazer surpresas. Para todos. Inclusive a oposição. Não à toa se nega a aceitar o que ela mesmo ‘exigia: CPI exclusiva, no Senado, para apurar desmandos na Petrobras. Sabe o que pode acontecer.

Na campanha (com propaganda eleitoral e quejandos) as comparações serão aprofundadas: diferença (em dólares) no salário mínimo; no risco brasil; nas reservas internacionais; no canteiro de obras; no desemprego; na inflação; na capacidade energética instalada; nos novos programas como o Minha Casa, Minha Vida, o Luz Para Todos, o Universidade Para Todos, o PROUNI, o FIES, o ENEM/SISU e a criação e o acesso à universidade, o Mais Médicos etc.

Resta saber – o tempo dirá – quem tende a vencer o embate: se as anteriores propostas (PSDB) ou as recentes (PT). Ou se nenhuma delas.

Não se afirme que apresente resultados concretos. Mas que a propaganda do PT incomodou, tenha a certeza o leitor, incomodou! 


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Até quando

Contra tudo e todos
Por mais abjetas que sejam as atitudes de Joaquim Barbosa como ministro-presidente do STF – e acusador, julgador e carcereiro autodefinido – uma coisa é certa: mantém-se no noticiário. Ainda que como exemplo negativo, tantas as objeções que vão lhe sendo feitas, uma vez que amparado apenas naqueles que o tem como o mítico vingador. É o que lhe resta, por escolha. Desde que aceitou ser marionette.

Sua postura em relação a José Dirceu, por exemplo, negando-lhe direito assegurado em lei e na interpretação pretória de décadas, que admite trabalho externo para o condenado ao semiaberto, desde que o estabelecimento prisional não seja colônia agrícola (onde teria de trabalhar 1/6 da pena) mais alimenta a certeza de ser possuidor de uma mente tacanha, mesquinha e perseguidora. 

As decisões do STJ – corte competente para o tema – é diversa da de Joaquim. Sua interpretação sem provocação da possível inconstitucionalidade do quanto definido pelo STJ há mais de uma década – e, pior, fazendo-o monocraticamente – eleva-o à condição de bufão da Corte, para adjetivar suavemente a sua dimensão autoritária.

Seu maniqueísmo – onde certamente se autointitula o perfeito, o que não erra, o semideus – contraria tudo: parecer de Procurador, jurisprudência, doutrina, juristas etc.

No fado a que se deixa levar Joaquim até a aplicação de princípios doutrinários seculares, pensados desde Beccaria, que se desdobraram em ter a punição estatal segregacionista somente necessária quando perigoso o condenado, são lançados às feras no Coliseu barboseano. O que a Humanidade avançou no século das Luzes Barbosa refaz pelo caminho do retorno ao período das Trevas. Com ele retroagimos à Idade Média, ainda que vivendo a Contemporânea pós Moderna.

Sabe que sua decisão não prosperará em qualquer dimensão lógica de julgamento imparcial. Tanto que será desmoralizado se deixar qualquer recurso sobre ser apreciado pelo plenário do STF. Mas, ainda assim, cumpre seu desiderato: de carrasco petista. Isso mesmo – carrasco petista – porque só tem olhos para atingir o PT, quando no centro de suas decisões. Existe somente sob tal condão. Escolheu o caminho que lhe ofereceram – quando manipulado – e o aceitou como Fausto a Mefistófeles.

Sua posição absurda chega ao ponto de revogar até o que já decidiu em relação a outros apenados para que possa assegurar sua perseguição a Dirceu. Que vive o inusitado de ser responsável por uma ‘quadrilha’ que não mais existe no julgamento.

Afinal, foi condenado – sem provas – com base na indefensável aplicação da doutrina do domínio do fato, aquela de que se utiliza o julgador para condenar quando, não tendo prova, parte para a presunção.

A derrota por que traça Joaquim Barbosa para a sua imagem pode levá-lo a deixar o STF muito brevemente. Assim vêem alguns analistas. Não sabemos se o fará. Afinal, enquanto houver AP 470 e petista de coturno para ser perseguido Joaquim Barbosa tem combustível para sua maldade. Que só não é infinita porque é terrena. Tanto que sobrevive do noticiário que lhe dão. O mesmo noticiário que alimenta a violência cotidiana, onde Joaquim é peça expressiva. 

Até quando, não sabemos. Mas, contra tudo e todos Joaquim Barbosa vai sobrevivendo.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Chama

O pajé
No final dos anos 90 meu filho André estudava na Escola Preparatória de Cadetes do Ar-EPCAR, em Barbacena-MG. Sonhava ser piloto da Força Área Brasileira. Por razões outras deixou o curso, no final do terceiro e último ano, quando se preparava para a AFA, em Pirassununga.

De sua experiência na EPCAR, dois fatos são por nós considerados significativos. O primeiro, de que era ele quem fazia a guarda quando aquele helicóptero caiu na escola, nas comemorações dos 50 anos da instituição, que poderia  segundo disse  ter explodido parte de Barbacena caso tivesse atingido os depósitos de gás.

O segundo (que aproveitamos para sugerir ao governador Geraldo Alckmin), do que ouviu de um dos pilotos que levaram dois pajés a Rondônia, que padecia de uma seca há meses, sem nenhuma expectativa de chuva, onde grassava gigantesco incêncio. Os índios foram levados para 'fazer chover'.

Lá chegando  relata André, do que ouviu da testemunha presencial  afastaram-se do avião que os levara e, em campo aberto, começaram a pajelança, enquanto aguardados pelo piloto. Não tardou voltarem correndo e mandando levantar voo porque se não o fizesse o piloto logo não sairiam, tamanho o toró que já ensaiava os primeiro pingos.

E choveu como ninguém imaginava, apesar de a meteorologia afirmar que chuvas somente ocorreriam dentro de seis ou oito meses.

O complexo da Cantareira, importante reservatório para o abastecimento de parte da cidade de São Paulo e da Região Metropolitana está caminhando para o zero, já abaixo dos 10% de sua capacidade e perdendo cerca de 1% a cada um, dois dias. Deve secar  segundo especialistas  até o final de junho, caso permaneça o atual nível de precipitação pluviométrica na região. A meteorologia não sinaliza chuva para os próximos meses. 

Sinal de agravamento no racionamento  delicadamente definido (e protegido pelo noticiário amigo) como "rodízio"  e de possível encolhimento nas intenções de voto para Alckmin, que vem fazendo das tripas coração para que o fato não tenha repercussão eleitoral.

Como é homem de credo conservador, o governador Geraldo Alckmin poderia pedir conselho/orientação aos companheiros da Opus Dei, e pedir pajelança para a região que abastece o reservatório da Cantareira.

Melhor chamar o pajé para tentar fazer cair chuva do que cair do poder por causa da falta da dita cuja.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Política

E província
Poderia ser província e política o título. Qualquer que seja a escolha do leitor sustenta-se um ou outro (título) no que expressa a terrinha de cada um de nós em qualquer lugar deste 'país de São Saruê'. Dizemo-lo porque não vemos muita coisa diversa de Itabuna – foco imediato – da Bahia – foco mediato.

Assistimos trechos da entrevista do ex-prefeito Fernando Gomes ao programa Alô Cidade Debate, da TVI, edição do último sábado 10. O matreiro político desfraldou sua experiência e observação. Afastada a intervenção do entrevistador Rui que o questionou sobre possível incoerência entre FG criticar Wagner por não concluir o Teatro/Centro de Convenções enquanto tal equipamento fora promessa não cumprida do então governador Paulo Souto, hoje ‘solução’ fernandista para a Bahia, tudo transcorreu como sói transcorrer quando FG é o centro de atenção.

Sabe disfarçar a resposta, fugindo do objetivo se lhe é inconveniente, e se manter centro respeitoso de atenção.

De sua entrevista uma coisa ficou afirmada: não pretende ser candidato a prefeito em 2016 (afirmativa de que o é, desde que problemas jurídicos não o impeçam), bem como continua a defender a privatização do serviço de água e esgoto do município (EMASA).

Defendeu veementemente a candidatura de Paulo Souto para governador, Geddel para senador, Fábio Souto para a Assembleia Legislativa e José Carlos Aleluia para a Câmara Federal. Naturalmente – ainda que tenha dito que não prejudicará candidato locais – não vê nos conterrâneos nomes para a grandeza de seu apoio.

E desancou, naturalmente, as candidaturas da situação.

Nada de novo no front. O que saiu da boca de Fernando Gomes é natural, a ele coerente. Político ultrapassando 40 anos de carreira (somado aí o período de ‘ensaio’ no governo de Oduque Teixeira, como secretário de administração), ainda que ausente deste ou daquele período em termos de mandato, não lhe pode ser negado o epíteto de liderança suficientemente construída, com público cativo e fiel, capaz de influenciar até parcela do eleitorado mais jovem na esteira do conjunto de obras que põe em seu currículo e que a memória pode trair, se não cobrada.

E muitos que gastam precioso tempo para nos ler indagarão em torno das razões deste debruçamento em torno de Fernando, suas idéias, seu jeito de fazer política neste espaço.
É que Fernando é a província falando. Não como o “Cuma” – a sátira que lhe fazem – mas como expressão desta terra.

Que se ‘prepara’ para o futuro com os de ontem, porque os de hoje não andam a demonstrar competência para permanecerem 40 anos em evidência. Não que os de antanho sejam melhores e perfeitos. Mas são a única resposta à indignação imediata.

Itabuna província. Como a Bahia. Que ‘inova’ ensaiando o retorno dos que a governaram por outros 40 anos e dela afastados porque não mais a serviam.

Itabuna e Bahia. Esqueceram-se nos grotões.


domingo, 11 de maio de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Feliz Dia das Mães
Quando nos entendemos por gente o dia a ela destinado como homenagem não trazia ainda embutido o consumismo como razão e sim o reconhecimento por tudo que representava no seio da família e da sociedade. 

Comemorava-se a sua existência, sua importância num tempo em que ainda não precisava tornar-se contribuinte da renda familiar, trabalhando fora, tampouco  chefe de família como muito ocorre contemporaneamente.

Tempo em que a família toda se reunia em torno dela para dar-lhe o melhor dos presentes: amor, estima e reconhecimento. Tempo em que "o lar" configurava não somente espaço comum à família, mas o mais profundo sentido de unidade na mais importante célula social. Tempo em que o valor atribuído à família extrapolava a simples mecânica da criação dos filhos.

Fica em nós uma saudade. Especialmente por aquelas que não mais estão entre nós. Para todas, presentes e ausentes, nossa homenagem particular se expressa através de “Mamãe”, de Herivelton Martins e David Nasser, imortalizada por Ângela Maria em gravação de 1956, pela Copacabana e aqui em dupla com João Dias.
https://www.youtube.com/watch?v=Jc5x8RE1T4M

Ainda que ontem
Não podemos precisar quando tal aconteceu. Mas não foi há 50 ou 40 anos. Mas veja o leitor o que representava o aparelho celular à época em termos de avanço. Os títulos falam tudo: o revolucionário “envio de texto” de um celular para outro; a possibilidade de “, 1 em cada 50 mil casas ter acesso a internet“, compactar uma música “para caber em três disquetes”.


Acontecendo

Piso salarial de professores sobe de 2.600 reais para 3.000 e o município abrirá concurso para admitir 3,5 novos professores. No município de São Paulo.

“São Paulo está tomando uma decisão importante de reajustar o piso do magistério. O salário inicial passa a ser, a partir do dia primeiro de maio, de R$ 3 mil por mês, que é um dos maiores do Brasil. Isso vai ter um rebatimento em toda carreira, que acaba sendo beneficiada. Após 25 anos de trabalho, por exemplo, uma professora estará recebendo em torno de R$ 8,8 mil. A carreira de São Paulo passa a ser uma das mais atraentes do Brasil”, disse o prefeito de São Paulo".

"O secretário da Educação, Cesar Callegari, também participou do anúncio e disse que o reajuste também foi expandido para todos do 'quadro da educação', incluindo gestores. No caso dos supervisores, o piso passa de R$ 4.460 para R$ 5.146, enquanto o dos diretores aumenta de R$ 4.188 para 4.832. Já para os coordenadores pedagógicos, o piso vai de R$ 3.692 para R$ 4.260.”

Ainda que não o ideal, a iniciativa do município de São Paulo contribui para a melhoria da autoestima da classe, mesmo que não reconhecida nos moldes como ocorre em outros países, onde a carreira na educação é a mais importante.

Claro que não estamos exigir que tudo ocorra de uma vez, de um salto, mas que os senhores candidatos ao governo do Bahia poderiam assumir, de público, o compromisso concretizado pelo prefeito Fernando Haddad.

Fundador da Telexfree é preso
Nos estados Unidos, o americano James Matthew Merrill (segundo da esquerda para direita na foto,) foi preso na sexta-feira 9.

A turma no Brasil - que insiste em não reconhecer a existência de pirâmide no negócio - deve preparar uma vaquinha para ajudar o companheiro estadunidense. Incluindo o Botafogo, patrocinado pelo esquema.












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Zero à esquerda
Sem Dirceu, Genoíno e quejandos o ministro Joaquim Barbosa é um zero à esquerda. Um nada que somente existe quando viola princípios e regras jurídicas para saciar a sanha dos que o encontram na reação a Dirceu (principalmente) e a Genoíno, as expressões que configuraram a resistência ao regime autoritário e tiveram a iniciativa de integrar um grupo que criou um partido político que atua conforme o propósito (cunho social) quando exercita o poder.

Integrantes de um partido que mostrou ao país e ao mundo que – gostando ou não dele – comprova a competência da senzala diante da casa-grande.

Insanidade
A decisão de Joaquim Barbosa pode levar muitos a imaginar que o é contra José Dirceu, ao negar-lhe o direito a trabalhar. E muitos estão a aplaudi-lo, por se integrarem ao clube dos que querem ver sangue e tragédia sobre petistas e PT.

Ocorre que milhares neste país (de 100 a 200 mil) estão na mesma situação de Dirceu, porque condenados ao semiaberto e, portanto, trabalhando fora da prisão.

A sanha insana de Barbosa desencadeará o inusitado de fazer com que decisões judiciais em cumprimento sejam desfeitas na esteira da ignomínia barboseana.

Caso o plenário do Supremo, em sendo provocado, não traga à normalidade o que ora é aberração.
Quem manda sou eu
Leitor da rede fez publicar interessante fato – assemelhado ao de José Dirceu: condenado por estupro e atentado violento ao pudor cumpria os 25 anos em regime fechado a que foi condenado. Alcançou a progressão para o semiaberto e buscou exercer o direito de trabalhar. Foi-lhe negado, em instância inferior pelo fato de ser autônomo, exercendo a atividade em lugares diversos, o que prejudicaria a fiscalização judiciária. Recorreu então ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu o benefício em decisão unânime do STF, onde presentes, dentre outros, Gilmar Mendes, Ayres Brito, Lewandowski.

Os fatos apresentam-se idênticos. Mas o estuprador está por aí exercendo sua atividade. 

Diferentemente de Dirceu, perigoso petista.

Uma voz
Única voz vinculada a OAB a se manifestar, na rede, o ex-presidente da OAB-RJ, jurista renomado:
Por Wadih Damous, em seu Facebook.

"A decisão de Joaquim Barbosa em não permitir que Dirceu trabalhe fora do presídio é ilegal, esdrúxula e persecutória. Essa história de cumprir 1/6 da pena se exige quando se trata da progressão do regime fechado para o semi aberto. Dirceu tem direito ao regime semi aberto. O argumento de que trabalhar em escritório de advocacia é incompatível e configura “ação entre amigos” mostra que Barbosa tornou-se carcereiro. O que vemos é que quando se trata de José Dirceu a interpretação da lei é especial e só vale pra ele. Joaquim Barbosa é uma ameça séria e concreta à democracia e ao estado de direito".


Sherazade x Barbosa
O que une apresentadora Sherazade, do televisivo da SBT, e o ministro Joaquim Barbosa, do STF, pode passar despercebido de muitos. Mas há em comum o fato de ambos desrespeitarem a lei. Um, investido da toga para promover violações; outra, incitando a violência.

De comum entre eles a paixão pela violência. Ambos estão em busca de um cadáver.

Entre a pesquisa e a realidade
Para os analistas, inclusive vinculados a um dos institutos (Datafolha), a pesquisa semanal, que mais próxima está de apurar uma ‘eleição semanal’, não está servindo para nada. Ou seja, de nenhuma utilidade concreta. Isso porque o eleitor ainda não se ligou na eleição e parcela considerável (às vezes superior a 50%) não se decidiu em quem votar.

Para Marcos Coimbra, estão os institutos a falar para eles mesmos. Falam para o mesmo público.

Ainda que não admitíssemos o que está posto acima vem-nos a leitura diretamente do povo, a partir de uma única amostragem: uma pessoa do povo, respondendo ao que púnhamos a partir das pesquisas recentemente publicadas: viajo de coletivo na cidade, de ônibus entre cidades, converso com o povão. E não vejo outro candidato eleito que não Dilma.

Estratégias I
A semanal divulgação de pesquisas de intenção de votos têm uma função: utilizar-se dos meios em que são divulgadas para constituir um pano de fundo negativo para o governo e a candidata à reeleição.

É da natureza do sistema. Desde que pesquisa deixou de ser retrato de um instante (comumente volúvel) para tornar-se instrumento de propaganda eleitoral.

Isso porque, basta olhar-se a forma como feitas – algumas induzindo respostas, inclusive – para verificar-se quão às escâncaras está o procedimento.

Estratégias II
Estranha a insistência em por na relação de nomes recomendados na estimulada o nome de quem não é candidato. No caso, Lula. Entra como Pilatos no Credo.

Ocorre – e faz parte da estratégia – vincular a imagem (positiva) de Lula a uma imagem negativa de Dilma, pondo-os em confronto interno, com vistas a dividir o eleitorado.

Partem da idéia de que reconhecendo o povo (incentivado para tal) que Lula é melhor e sendo Dilma a candidata ‘eu não voto nela”. Caso não queira votar na oposição “anulo meu voto”.

Estratégias III
Outro dado que não vem encontrando a devida avaliação: a pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado declina um nome sem que lhe seja apresentada a cartela de candidatos (estimulada).

Na espontânea Dilma + Lula + candidato do PT preenchem, com grande vantagem, o imaginário do eleitor.

Estratégias IV
A postura político-eleitoral dos institutos de pesquisa fica flagrante – no caso de inserir um nome que não é (e afirma peremptoriamente não sê-lo) – por incluir nome de ex-presidente vinculado ao um partido (PT) quando também tem outro ex-presidente (PSDB) que toda hora dá pitacos sobre a eleição e tem o sonho incontido de ser candidato. 

Ou, quando nada, de influir no resultado.

Estratégias V
Na análise dos resultados sempre está realçado o avanço de candidato(s) da oposição e a queda da candidata à reeleição sem a devida análise do que tem representado um e outro fato para a decisão.

Estratégias VI
Ou não estamos lendo ou sonegam a informação, ou, ainda, não tem sido o entrevistado inquirido sobre o confronto no segundo turno, caso exista. Na realidade não são feitas as análises devidas em torno da circunstância. É assim que interessa chegar ao povo.

Isso porque há a ‘insistência’ em torno da possibilidade de haver segundo turno. Projetadas as avaliações sob o viés da realização ou não do segundo turno é afastada uma determinante em votos no primeiro turno: a certeza de que alguém vencerá no segundo pode levar a uma definição de voto no primeiro para aquele vencedor futuro.

Sob esse viés as pesquisas recentes evitam refletir sobre respostas em quem vota o eleitor no segundo turno.

Como posto nenhum candidato de oposição venceria Dilma no segundo. Se isso é verdadeiro cabe não afirmá-lo para que não venha a influenciar o voto do agora indeciso que pode se tornar definitivo (em primeiro e em segundo). 

Afinal, quem escolheu (enquanto indeciso) votar no candidato que está à frente no segundo, confirmará o voto apenas.

Na jugular
A campanha de Eduardo Campos sentiu o ataque na jugular. Viu sua estratégia – de alinhamento às mesmas forças conservadoras que transitam com Aécio – naufragar quando a mídia mostrou que entre ele e o mineiro quem merece confiança é o de Minas.

A condição de arauto do arrocho – como Aécio – não fica bem no retrato do neo-conservador Eduardo Campos. Até porque – dirão os que nele não confiam – não é o discurso que faz o candidato, mas as práticas e compromissos de seu partido para com o que propaga.

Marina Silva percebeu. E reagiu. Sabe que os tucanos começaram a busca por financiamentos e aí não querem dividir recursos com Campos. E atacou Aécio.

Eduardo começou a perder a utilidade para a oposição à Dilma. Servirá apenas de contrapeso. Como Heloísa Helena, em 2006, e a própria Marina, em 2010. 

Difícil entender
O PSDB exigiu CPI exclusivamente sobre a Petrobras, no Senado. Brigou por isso. A ponto de interpor mandado de segurança – e obter êxito – junto ao STF.

Agora diz que a CPI deve ser mista.

Fácil de entender: melhor a especulação do que a apuração da verdade. 

Que alcançará petistas (alguns), tucanos (em quantidade que pode surpreender) e peemedebistas (na quantidade esperada). E muito mais gente.

Antiga paranóia
Temos uma dúvida permanente: a urna eletrônica. Nela não confiamos, por falta de comprovação e de possibilidade de conferência. Ninguém usa a urna eletrônica brasileira, a não ser o Paraguai.

Qualquer candidato que não supere 5% pode sucumbir a uma armação.

Não engana
Ninguém diga amanhã, caso eleito, que Aécio enganou o eleitor. Arrochará salários, entregará o pré-sal. Mas já antecipou.

Disparada
A disparada de Jair Rodrigues como cantor ocorreu no primeiro quartel dos anos 60, como “Deixe isso pra lá” (Alberto Paz-Édson Menezes) criando um furor pela forma (utilização das mãos) como interpretava o samba que antecipava o funk. 

Consolidou-se para o público com o “Fino da Bossa”, na Record, comandando o programa ao lado de Elis Regina.

E definiu-se com “Disparada” (Théo de Barros-Geraldo Vandré) no Festival da Record, de 1966, dividindo com a “Banda” (Chico Buarque) defendida por Nara Leão.

Jair Rodrigues morreu esta semana. Reavivando lembranças. Disparando para alegrar o alto