domingo, 10 de janeiro de 2016

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________


Argentina
Não se deve negar que a eleição de Macri na Argentina vai realizando os sonhos neoliberais de alguns brasileiros, que esperavam em Aécio o seu mágico e redentor.

A recente atitude dos hermanos foi dispensar os médicos cubanos do programa Mais Médicos de lá. Que  como aqui  trabalhavam onde os de lá  como os daqui  não queriam servir.

Há gente exultante por aqui.

Possivelmente pronta e disposta para atuar no exército de Macri quando as mobilizações populares começarem a reagir.

Laboratório de nosferatu
A Argentina vai funcionando como laboratório para o decadente neoliberalismo.

Típico laboratório de nosferatu, palavra aqui posta em sua significação românica, como sinônimo de vampiro.

Para quem deseje sentir o clima pode buscar os filmes homônimos de Friedrich W. Murnau (1922) e Werner Herzog (1979).

A banca exulta.

O filme perfeito
Nos tempos do ‘milagre econômico’ na ditadura a mensagem do dia era ‘fazer o bolo crescer para depois distribuir’. 

Ao lado, sustentando tal política no imaginário da população, como mantra da elite, o famoso ‘ensinar a pescar é melhor que dar o peixe’. Vinculando o ensinar a pescar com o fazer crescer o bolo chegaríamos à perfeição na distribuição de renda.

Quarenta anos são passados. O mantra se repete a cada instante. Temos mais de 600 bilhões de dólares escondidos no exterior e anualmente a sonegação beira outro meio trilhão de reais.

Não precisamos ir longe para compreender quem fica com o bolo. Ainda que o povo tenha aprendido a pescar.

                 Miniatura

Até os indiozinhos de colo!
Em nosso Amendoeiras de Outono (Via Litterarum) um dos personagens, aboletado em Paris, por lá sempre ouve que somos descendentes "dos 'irresponsáveis' perante a mata e o índio:  se a este matam, àquela extinguem."

Doída realidade. Já dizimaram praticamente os povos indígenas. Pela fome, doenças e aculturação.

Passam à conclusão pelo extermínio direto. 

Como fizeram com a criança índia Kaingang, de dois anos, no município de Imbituba-SC, conforme denúncia do CIMI-Sul; degolada enquanto era amamentada dentro de uma estação rodoviária.

Em avançado estágio a destruição da biodiversidade. E de roldão, a fauna primitiva: índio.

A ilusão
O não-sujeito de direitos preenche considerável parte do universo adolescente brasileiro. O ordenamento jurídico – capitaneado pela Constituição Federal – outorgou-lhe garantias várias. Dentre elas – a mais elementar e primordial – o direito à vida e à liberdade de ser e viver como criança e adolescente. Na esteira, a educação.

Na sociedade excludente – por vocação e princípios – onde o indivíduo não passa de peça de reposição na massa uniforme da força de trabalho para corresponder à máquina coordenada pelo capital, negar o menor dos direitos à criança e ao adolescente corresponde a torná-lo inexistente, porque nunca chegará àquela utilidade. 

E não chegando jamais se tornará parte desta sociedade. 

A saída – dolorosa – é buscar quem o reconheça, enquanto vida ainda tiver.

Amparando-o, o crime, o único que o reconhece útil.

Esclarecendo
Bastante singular o que está ocorrendo no seio da Operação Zelotes (e seus promovidos desdobramentos). Os senhores investigadores esqueceram-se – pelo menos por conveniência ou desinteresse – de vazar informações (certamente por falta de algum petista entre os apurados) em torno do real objeto daquela operação: definir autoria e indiciar os responsáveis pelo escândalo que envolve prejuízos de cerca de R$ 20 bilhões para o Governo.

Esqueceram-se do Bradesco, do Bank Boston, do Pactual, do Santander, do Itaú, do Safra, da Gerdau, da Ford, da MMC-Mitsubishi, da RBS (Globo), etc. etc. e cuidam de ‘apurar’ vantagens obtidas por parlamentares para a aprovação de Medidas Provisórias.

Para tanto o ex-presidente Lula foi convidado a esclarecer em torno de fatos envolvendo a edição de Medidas Provisórias que desoneraram empresas.

O que falta esclarecer
Lula esclareceu. Não custa agora o brasileiro comum cobrar da Polícia Federal, e seus delegados, bem como do MP, do Judiciário, o "esclarecimento" – à sociedade que paga seus gordos salários, como funcionários públicos que são – do porquê da guinada da operação Zelotes em relação a seus objetivos originais. 

A operação já em abril de 2014 se arvorava em apurar até as últimas consequências o que começou com a venda de "soluções mágicas" dentro do CARF, órgão de apoio a Receita Federal, com vários empresários gordos do Brasil, bem como bancos, rede de televisão, e um monte de gente graúda envolvida, e que agora descamba para uma suposta investigação sem pé nem cabeça.

Limites (ou a falta de...)
Queremos crer que se trate de uma montagem veiculada por algum irresponsável na internet.

Caso contrário estamos nos limites da irresponsabilidade. 

Miniatura

O outro lado
De postagem/comentário do delegado da Polícia Federal Armando Rodrigues Coelho Neto no blog de Marcelo Auler:

Sr. Repórter. Sou contra o impeachment da presidente. Como delegado federal atesto que a PF vive seu melhor momento. Só Dilma, entre 2011/2014, aprovou 13 normas pró PF. A citação ao meu nome está truncada. A PF não está lutando contra a corrupção e sim contra o PT. A campanha salarial está contaminada pelo clima de golpe. Os delegados têm feito uma avaliação equivocada do momento político e descontextualizado, seja da crise mundial, da crise nacional e descontextualizada no tempo. Afinal, não comparam passado e presente. Usam a LAVA JATO como chantagem, mas a democracia sobreviverá”.

Para não esquecer
Há coisas que não podem cair no esquecimento. Por mais amparados que estejam os atores principais.

Miniatura

Insaciabilidade
A grita da PF por mais recursos não destoaria da realidade se não estivesse ela exercitando sua atividade em dimensões como nunca antes.

O número de operações confessa a melhoria/aumento de recursos alocados pelo Governo para a PF.

No entanto imaginar-se insuscetível de contingenciamento – quando até a Saúde e a Educação sofreram cortes – é imaginar-se ou sentir-se a ‘dona da bola’.

Chapéu alheio
A ‘ajuda’ da Veja pode complicar o juiz Moro, divulgando o que ele dispôs (depósito judicial) quando não podia dispor.

Mas – talvez – para quem compete apurar ‘não venha ao caso’. 

A ‘bondade’ do juiz Sérgio Moro para com a PF no Paraná cheira a esmola roubada de chapéu alheio.

Dinheiro havia
A 'ajuda' do juiz Sérgio Moro decorreria (no condicional, mesmo) da falta de recursos para a manutenção de veículos. Tal não ocorria, demonstra-o Fernando Brito no Tijolaço. Que observa:

"Mas creio que está mais do que suficiente – e existem mais valores – para demonstrar que há algo de muito estranho com este chororô de que o Governo, malvado, não dava verbas para manter os carros da PF paranaense e os delegados da Lava Jato tiveram de ir passar o chapéu diante do juiz Sérgio Moro que, embora “não sendo apropriado”, liberou recursos sob sua guarda para evitar o colapso da operação".

O homem (Moro) ou anda mal orientado ou mal intencionado, a ponto de cometer um ilícito para beneficiar a turma insaciável.

O mais grave
Para Fernando Brito, em "Documentos: Moro tirou da própria cabeça 'urgência' e ameaças a Lava Jato", todo o 'enfeite' moriano saiu de sua própria mente.

Inclusive a alusão  desnecessária  à Lava Jato.

Stalinismo I
Muito de desgraça já aconteceu neste país sob a égide da guerra fria. Pensar contrariamente ao consenso nascido nos EUA e levado ao planeta pela CIA constituía crime de lesa-majestade. Todos comunistas. 

E por tal razão muitos não só presos, também torturados e mortos. 

A prisão de ‘comunista’ poderia constituir-se na sua sentença de morte. Coisa assim, tipo stalinismo – o método pelo qual uma prisão ou julgamento já tinha antecipadas a sentença e a execução; bastava ser adversário. O processo instaurado dele já se sabia o resultado.

Assim caminha esta terra de São Saruê. A Polícia Federal quer autonomia total. 

Polícia só tem autonomia em ditadura. Quando age no modus operandi stalinista.

Stalinismo II
O stalinismo em regime democrático somente pode ocorrer à luz da ausência de comando, de desrespeito à lei. Assim têm agido alguns policiais e delegados federais.

Mas, na falta de comando, a bagunça se torna ‘lei’.

Como bem observa Paulo Henrique Amorim em comentário em sua TVAfiada, a proeza de José Eduardo Cardozo é haver transformado a Polícia federal num DOI-CODI em plena democracia. 

                 
Apareceu a Marina
Não a Margarida, como diz a canção. Marina Silva aparece para defender a cassação da chapa Dilma-Temer por possível recebimento de recursos de propina para a campanha.

Não lembrou – ou deixou de aproveitar a oportunidade – de informar a quem pertence o jatinho que a conduzia na campanha política até a morte de Eduardo Campos.

E – para mostrar quão límpido era o seu dinheiro de campanha – explicar aquele jogo contábil que fez transferir R$ 2,5 milhões da conta pessoal de Eduardo Campos (depois de morto) – valores superiores a cinco vezes ao que declarara ao TSE – para os gastos de sua campanha em 2014.

Lição não aprendida
A situação por que passa o jornal O Estado de Minas é gravíssima. Assim que ficou um ano longe da cornucópia do poder capitaneado por Aécio Neves/PSDB se viu no que sempre foi: um nada, que só vivia como dependente de recursos públicos.

A lição pode ser levada a outros veículos de comunicação

Quem nunca exerceu a lição governamental foi o Governo Federal.


Estrela branca
O símbolo do Partido dos Trabalhadores é uma estrela vermelha. Impregnado no imaginário popular (ou de parte dele) pela força de ações do Governo Federal.

Não tenhamos dúvida de que a ‘estrela’ deu de amarelar. E brevemente será branca. Ou seja... nada.

Mas o ministro amarelado, José Eduardo Cardozo, permanece no trabalho de branqueamento.

Não faltando o apoio da presidente Dilma... que aproveita as horas vagas para escrever artigos para o ‘”Opinião” da Folha de São Paulo.

Licitação questionada
Robenilson Torres  vice-presidente do Conselho Municipal de Transportes de Itabuna  questiona em artigo publicado no Pimenta o processo licitatório para o transporte urbano itabunense lançado pelo Município.

Sua análise decorre do fato da inserção dos critérios "Melhor proposta técnica" e "Menor tarifa de remuneração' concomitantemente, fato que  na forma do art. 46 da lei geral das licitações (8.666/93)  somente poderia ocorrer exclusivamente para serviços de natureza predominantemente intelectual.

Assiste razão a Robenilson.

Bastaria o Município exigir a 'melhor proposta técnica' para todos e – dentre os que a apresentarem em igualdade – vencedor seria o que oferecesse a 'menor tarifa de remuneração'.

Simples assim. Evitaria suspeita de possível interpretação subjetiva em torno da 'proposta técnica' para assegurar a alguém desvantagem, ainda que apresente 'menor tarifa'.



domingo, 3 de janeiro de 2016

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Eis o Ano Novo!
Que nossos leitores possam dele dispor com o melhor do que possamos oferecer.

Dispensando festas
No distante 1956 a descoberta de que a Física está mais à gauche quando a paridade se vê conservada em interações nucleares fracas.

Antes da experiência da cientista chinesa Chien-Chiung Wu – trabalhando nos Estados Unidos – que materializou a teoria dos colegas Tsung-Dao Lee e Chen Ning Yang, tinha-se como absoluta ser a natureza simétrica, razão por que o nosso mundo deveria ser idêntico a sua imagem espelhada.

Como observa Jennifer Quellette no Gizmodo, em relação ao experimento: "A ideia era usar os campos magnéticos para orientar os núcleos, fazendo com que todos girassem na mesma direção, e, em seguida, contar quantos elétrons foram emitidos para cima e para baixo, depois do decaimento dos núcleos. Se a paridade fosse conservada, deveria haver números iguais.

Para surpresa de todos, não havia números iguais de partículas beta emitidas em ambas as direções. A natureza, ao que parece, é “uma canhota semi-ambidestra“, mostrando uma ligeira preferência para a esquerda."
O destaque singular decorre do fato de Madame Wu (como chamada) haver dispensado a viagem com o marido no Queen Elizabeth na virada do ano de 1955 para 1956 (viajou sozinho) para empenhar-se no experimento que veio a dar o Nobel para Lee e Yang.

Quem diria!
A China tende a superar – além do PIB – a bilheteria cinematográfica estadunidense por volta de 2017.

Tempo houve que a indústria cinematográfica dos Estados Unidos – atendendo ao Departamento de Estado – tinha chineses e japoneses como os bandidos por excelência a serem combatidos por mocinhos e heróis (estadunidenses, of course) em defesa do 'mundo livre'.

A China já caminha para fazer com que a indústria roliudiana trate ‘melhor’ a imagem de chineses. E como anda comprando tudo não tardará adquirir Hollywood.

A diversidade cultural – antes negada por força de uma política de Estado, pelo Departamento de Estado, como propaganda e sedimentação no imaginário de estereótipos que elevavam o país a ser o mentor da liberdade no mundo – será imposta pelas circunstâncias.

Modelo
O atual modelo de ocupação de terras agricultáveis versus produção de alimentos para a população deixa a desejar.

Dados apurados no censo rural do IBGE, traduzidos no gráfico, apontam as distorções, abaixo analisadas:

A maior parte da produção para alimentação do povo brasileiro (70%) e emprego dos trabalhadores está na agricultura familiar, mesmo dispondo de menos crédito e terras.

A agricultura de extensão (o agronegócio), por seu lado, concentra terras, recebe mais créditos e produz apenas 30% do que é consumido pela população, já que o restante da produção, em sua maioria commodities, é exportado.

                Miniatura

Mais Médicos
Cynara Menezes – que andou palestrando, ao lado de Fausto Wolf, há alguns anos nesta Itabuna – destaca em seu blog o que configura o Mais Médicos no presente instante. E não são somente as grosserias com que foram tratados médicos cubanos por colegas brasileiros.

Chamou-nos a atenção o fato de que o Programa já conta com 18.240 profissionais. Outro dado: em 2014 “95% das 4.146 vagas foram ocupadas por médicos brasileiros”. Mais outro: o redirecionamento da política de criação e instalação de novos Cursos de Medicina voltado para priorizar a Saúde da Família: A meta é criar, até 2018, 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, em áreas prioritárias para o SUS. Os municípios onde serão instalados os novos cursos de medicina foram escolhidos de acordo com a necessidade social, ou seja, lugares com carência de médicos.

Leia mais Cynara Menezes  

Enxergando
Os números ainda não foram apresentados em sua totalidade. Mas – o que a realidade demonstrou – as vendas no comércio estiveram próximas das de 2014. 

O mundo não acabou. 

Basta o percentual de ocupação em hotéis e voos, já que houve aumento significativo na procura de passagens de avião e os hotéis das cidades turísticas ficaram locados. Incluindo o Rio de Janeiro onde – mais uma vez – se destacou aquele mar humano inundando praias.

Mais próximo da razão a verve de Bessinha.


Síndrome de Estocolmo
A presidente Dilma Roussef – em velado agradecimento (assim pensamos) – brindou a Folha de São Paulo com um artigo na seção Opinião

De tanto apanhar no jornal dos Frias – naquela de dar a outra face – nele publicou artigo.

O parceiro Lula há algum tempo dá entrevistas a blogs.

Lembrando ‘seu’ Quequé
Para O Globo o pré-sal é uma inutilidade, tão altos os custos de exploração. “Não seria econômico produzir no pré-sal”, diz em editorial o panfleto dos Marinho. 

Esquecendo – por conveniência – que os custos no pré-sal ‘elevam’ o preço do barril a US$ 9 contra 15 das petroleiras estrangeiras. O que viabiliza a exploração, ainda que o barril esteja cotado em torno de 37 dólares.

Lembraríamos – para não perder o mote – diante de tantos que desejam nele investir (a ponto de José Serra ensaiar sua entrega às petroleiras estrangeiras) da quadrinha que marca ‘seu’ Quequé, da Pensão Riso da Noite, de José Condé:

"As mulheres me criminam,
Por eu ser muito pidão:
Eu peço porque careço,
E elas... por que me dão?"

Aqui parodiado:

Muitos me criminam
Por eu ser muito durão
Eu nego porque é meu
O que eles não querem não

Veto
Não faltará quem veja no veto da presidente Dilma ao aumento de 16% nos valores do Bolsa Família como um chega pra lá nos beneficiados.

Esquecem que os valores orçamentários a ele destinados são fixos. Qualquer aumento no benefício – individualmente – requer redução de beneficiados.

O que pretendia quem aprovou a emenda – nada mais, nada menos – era simplesmente política eleitoral, jogando os que seriam afastados contra o Governo.

Descendo degraus
Deixando a liturgia do poder Dilma Rousseff esqueceu-se de que é a Presidente da República e recentemente discursou como candidata ao afirmar que a oposição está a “... perder eleições sistematicamente”.

Desceu degraus para falar com os de baixo, por ela criticados.

Para superar a infeliz expressão poderia exonerar o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Ficaria bem no placar.

Querendo subir
Fernando Henrique Cardoso escrevendo sobre o instante político cheira a bolor no imediato do golpe civil/militar de 1964, como exposto no Estadão:

"Há sinais de esperança. Comecemos 2016 com animo, imaginando que pelo melhor meio disponivel (renuncia, retomada da liderança presidencial em novas bases (sic), ou, sendo inevitável, impeachment ou nulidade (sic) das eleiçoes) encontremos os caminhos da convergencia (sic) nacional"...

Caso não se perceba o clamor por um golpe no texto de FHC caminha-se para alienação total.

Como diz Gilberto Bercovici: "Venha de onde for, seja do Legislativo, de tribunal, palácio ou quartel, e atribua-se o nome que for, a natureza das coisas não muda: golpe é golpe".

Mas, para aclarar a memória trazemos alguns 'recuerdos' da passagem de FHC pelo governo, não esquecendo a sua confissão recente (em livro) de que sabia que a Petrobras era "um escândalo" e que nada fez para não prejudicar a votação da emenda da reeleição e aquele apagãozinho em 2001/2002.
essa.jpg
Assim mata a moça!
Para quem já previu – inúmeras vezes – um apagão no governo Dilma (nos moldes daquele no governo FHC), anunciar investimentos em infraestrutura pode enfartar Míriam Leitão.

Eis o Ano Novo!
Aproveitamos o texto de André Araújo, O mito da estabilidade monetária, para trazer o cerne da crise brasileira para o debate. Para tanto, também disponibilizamos vídeos de apresentações de Maria Lúcia Fattorelli Carneiro,Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida.

Cabe registrar que a auditoria da dívida é disposição inserida na Constituição Federal, nunca efetivada.

Países que o fizeram encontraram absurdos. Recentemente o Peru auditou a sua dívida, em bases jurídicas, materializando uma redução de 70%, que se constituía excesso e penalizava as contas públicas sem contrapartida alguma.

É o que ocorre com a dívida brasileira. Tanto que o país em recessão e o sistema financeiro/bancário dando risadas diante do aumento dos ganhos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Até que enfim!
O título do rodapé não se vincula ao fim de um ano conturbado e atropelado. Mas ao comum e significativo fato de que tivemos a oportunidade de vivenciar as agruras dos que dependem da ditadura/monopólio da OI. Por tal circunstância ficamos sem internet desde a publicação no dia 20, sem levarmos ao leitor nada do elaborado para o último fim de semana.

Não desejamos ao pior inimigo viver o que passamos durante estes dias. Duas dezenas de 'protocolos' estão a dizer que nada representa comunicar à empresa de que você mudou de endereço (ainda que a poucos metros do anterior). A deselegância e o desrespeito são a tônica do serviço.

Somente hoje tivemos acesso aquilo que por ele pagamos (tão caro). 

Só nos restou, como único alento, um 'até que enfim'!

Entre o fim e o limiar
Reeducando o verbo aproveitaremos para desenvolver a coluna entre este 31 e o amanhã. Entre o estertor de 2015 e o alvorecer de 2016, aproveitando e ampliando nossos registros para a coluna anterior, para que não morra sem ter nascido.

E o faremos tudo dedicando a Elenn Bortoncello e Antonio Sobrinho (sem os correspondentes acentos agudo no Elenn e circunflexo no Antonio, coisa da inventiva cartorial nesta terra brasilis), visitantes ilustres que nascem dos sonhos da vocação advocatícia (ela) e do debruçamento sobre a graduação em sistemas de Informática (ele), afastados da estiagem em Feira de Santana e Santo Estêvão para reencontrá-la em Itabuna.

Tempo de começar
Ainda que tenha o cheiro de tardio há sinais concretos – estabelecidos com visibilidade cristalina – de que a presidente Dilma Rousseff pode voltar a presidir o país. Basta-lhe continuar ‘ouvindo’ as ruas. E ouvir as ruas – nada mais nada menos – é perceber o clamor que vem dos desassistidos de sempre que encontraram melhoras para suas vidas e se vêem no risco de voltar ao antes. O ‘antes’ de desemprego alto, de inflação descontrolada, da falta de apoio material.

Os governos petistas anteriores ao presente conseguiram a proeza de transferir  e distribuir renda (ainda que longe do ideal para reduzir desigualdades a níveis civilizados), dar aumento real para o salário mínimo, implantar e desenvolver programas sociais do quilate do Bolsa Família, do Luz Para Todos, do Minha Casa Minha Vida, Pronaf, Pronatec, de reduzir a miséria e retirar o país do ‘mapa da fome’ da ONU. 

Não bastasse o salto quantitativo em número de Universidades Federais e Escolas Técnicas Federais, o assegurar a maior redução de desempregados no curto espaço ao alimentar investimentos espalhados em todo o território nacional e em todas as frentes: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrelétricas, transposição do São Francisco, descoberta e exploração do pré-sal, retomada e ampliação da força da indústria naval. 

Caso o queira, Dilma Rousseff pode começar a governar. Mostrará, então, que tudo fez para atender políticas adversárias – garantia ao rentismo etc. – mas que nada disso bastou para melhorar a vida do povo. Por fim, que sua experiência de vida na adversidade a fez viver, em outra conjuntura, o que viveu no passado recente sob a tônica da busca pela ‘governabilidade’.

Ao largo I
“O ano que não existiu”. Assim o economista André Perfeito definiu 2015, em entrevista no Band News. 

E tudo muito mais pela crise política que pelo ajuste econômico. Que em agosto ameaçava a total perda de controle no Congresso, sob o condão de Eduardo Cunha.

Ao largo II
A Copa de 2014 foi criticada em razão do desperdício do poder público (União, Estados e Municípios), que nela teria gasto o equivalente a 30 bilhões de reais.

Os juros decorrentes da Selic no curso de 2015 chegam a R$ 500 bilhões. Sem deixar uma mísera cadeira na arquibancada de qualquer estádio de periferia.

Ao largo III
As reformas que o Estado exige, dependentes da classe política no Congresso, continuou a passo de cágado.

Com um detalhe: para trás.

Em busca do tempo perdido dos que ainda não concluíram o processo eleitoral de 2014.

Ao largo IV
O ano chega ao fim. Duas agências de risco rebaixam a avaliação brasileira para investimentos. O risco Brasil – no momento – gira em torno de 450 pontos (neste auge da sanha financeirista). Em 2002 estava superior a 2.700. As reservas atuais superam US$ 368 bilhões (dados do BC para quarta-feira passada); em 2002 aproximavam-se de 40 (em torno de 10,8% da atual).

O risco, mesmo, é a sanha de esfolar o país.

Bem que o Governo poderia dar um chega pra lá nas agências. Bastava começar a reduzir a Selic.

Mimimi
De Mimimi foi Aécio Neves alcunhado, em razão da ladainha contra o governo.

Já sondam chamá-lo de Mememé depois de O Globo e o Estadão estamparem sobre os R$ 300 mil recebidos a título de propina em 2013.

Detalhe: desde julho sabia-se de tais fatos (dentre os recentes) nada abonadores em relação a Aécio. Os 'amigos'  que ora o denunciam  cuidavam de protegê-lo.

Miniatura

Em boa companhia
Aécio não está só. Em boa companhia anda ele. Basta reconhecer  como reconhecem em relação a outros políticos da situação  que os santos e imaculados tucanos não são tão santos assim.

Pelo menos afirma-o Cláudio Humberto (veiculado no GGN), a partir de delação de executivos da Andrade Gutierrez, de que 'estariam envolvidos no esquema de corrupção que tirou recursos da Petrobras.

Da Petrobras, ouviu Sérgio Moro!



E tem  para não esquecer  aquele dinheirinho (entre 100 e 120 mil dólares mensais) que o vestal tucano recebia do esquema de Furnas, como denunciou Alberto Yousseff, em março.

Que o Dr. Janot tem em mãos – toda a tramoia documentada – e anda esquecendo de (mandar) apurar.


Livros
"Palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer" – afirma-o Graciliano Ramos (Linhas Tortas - 1962), parodiando as lavadeiras.

Assim o que esperamos da boa e verdadeira leitura. Ainda que menos Literatura e mais pesquisa levada à leitura.

Como exposto na tese do delegado Orlando Zaccone "Indignos de Vida - A forma jurídica da política de extermínio de inimigos na cidade do Rio de Janeiro" (Editora Revan-2015), sustentada no empirismo da pesquisa no estudo dos pedidos de arquivamento, acatados pela Justiça, dos inquéritos envolvendo 'autos de resistência'.

Sinais
Temos que este ano que passou, próximo ao horrível, deixou legados positivos e imorredouros.

No final do ano passado começaram a espoucar – em parte da grande imprensa – as denúncias contra tucanos. Destaque-se: na mídia que os amparava, escondidas desde que evitadas em nível de vazamento.

A blindagem midiática que sempre protegeu partidos políticos que representam os interesses de oligarquias tende a não se sustentar. E levará até os setores conservadores do Ministério Público e do Judiciário a não mais se omitirem diante de fatos sobejamente denunciados e comprovados. As evidências forçarão uma tomada de posição. Ainda que tarde mais um pouco é inexorável.

Podemos estar sonhando, mas quando investigadores e juízes puserem no mesmo saco os gatos/gatunos de todas as cores sentiremos um alívio.

Basta não escolher lado para jogar no saco.


domingo, 20 de dezembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
___________________

Luz no fim do túnel
Perceber a dinâmica histórica em andamento não é papel para neófitos. Sentir os humores decantados dos fatos cotidianos não é tarefa fácil. No entanto, o que ora ocorre no Brasil – oriunda da crise política que afeta a economia – precipitou percepções, oferta lições para serem postas em prática imediatamente.

No viés da economia o terrível erro do Governo de imaginar que uma política ortodoxa levasse o país ao Paraíso está dando com os burros n’água. O modelo que destrói o planeta em benefício exclusivo de um punhado de rentistas, administrado ao sabor de teorias desenvolvidas para corresponder aos interesses do sistema financeiro internacional – apátrida – mais do que demonstrou ser inviável para responder aos reclamos exigidos.

O tripé posto se sustenta – por exemplo – na ficção de que a inflação em curso pode ser controlada por uma elevada taxa de juros. Tal remédio – amargo ao extremo – deveria ser utilizado quando a demanda se torna inconveniente e a relação oferta-procura – em razão da demanda – faz o ofertante elevar os preços do que vende para ‘aproveitar’ a oportunidade. Não é o caso brasileiro.

O aumento de preços decorre não de demanda excessiva do consumidor, mas de preços administrados em dólar que vão às alturas por falta de controle do câmbio que faz a moeda estadunidense oscilar ao sabor de humores da especulação, entre outros penduricalhos. Dessa forma, subindo o dólar sobem todos os bens que tem seus preços nele administrados: trigo, petróleo etc.

Para sermos sucinto, o ajuste fiscal proposto – causando recessão – certamente não é o caminho da retomada do crescimento. Aliado a isso, uma atuação criminosa do Judiciário – ao intervir em relações econômicas – gera o caos de ver-se uma Petrobras – da qual dependem cerca de 71 mil empresas no país – impossibilitada de comprar/encomendar e de pagar a quem já lhe forneceu obras e serviços. A cadeia produtiva – e os empregos por ela sustentados – foi lançada ao léu e leva, certamente, a que o PIB tenha se contraído em pelo entre 2% a 3% em razão direta com a impossibilidade atual de a Petrobras manter seus investimentos.

Por outro lado, a crise política – que alimenta o aprofundamento da econômica – deixa entrever que algo de concreto está acontecendo. E não decorre – como muitos podem admitir – de sucesso de operações policiais envolvendo a classe política. (Até porque a seletividade nos objetivos das operações depõe contra a utopia de ‘passar o Brasil a limpo’ somente tirando a sujeira de um lado da casa e deixando o outro sob o antigo tapete).

O que emerge da crise política leva(rá) até ao cidadão mais distante das discussões/análises a compreender que este presidencialismo de coalizão – levado ao extremo no período Sarney e lançado como projeto por Temer – precisa mudar sob pena de esfacelamento da nação.

Mais que cristalino que atender aos caprichos deste ou daquele partido que se apresente com maior número de congressistas na base de sustentação ao governo não tem demonstrado ser o ideal.

Podemos estar errado: mas a crise política tem o condão de viabilizar a depuração neste ‘presidencialismo de coalizão’. Começando – à guisa de exemplo – com o afastamento da turma vinculada a Temer dos cargos que ora ocupa no Governo.

Abrindo espaço para outros formadores da coalizão e lançando o joio às chamas.

Degradação
Quando instado a manifestar-se dentro dos parâmetros da isenção o ministro Gilmar Mendes aproveita a oportunidade para dar razão ao professor e jurista Dalmo de Abreu Dallari, que, profeticamente, em artigo publicado na Folha de São Paulo em maio de 2002, criticava a possível indicação do nome do então Advogado-Geral da União para o STF. Alertava o presidente FHC dos graves riscos decorrentes da indicação (e mostrando as razões) e afirmando peremptoriamente: "Gilmar Mendes no STF é a degradação do Judiciário Brasileiro.

Não lhe bastou o voto no julgamento em torno do rito do impeachment e sai Gilmar Mendes a alimentar a sua natureza degradatória, ofendendo seus pares em entrevista concedida a CBN, dizendo  entre outras diatribes  que por lá foram "cooptados". 

Razão assiste a Dalmo Dallari.

dallari_.jpg

Ser ou não ser
A preferência política – a cada dia se confirma – parece ser o limite das investigações que querem passar o Brasil a limpo. Limpando do cenário político brasileiro o PT. Isso porque não se vê uma só iniciativa de Ministério Público, Polícia federal e do juiz Sérgio Moro (em particular) que envolva um tucanozinho que seja. Deixamos de fora a imprensa (“golpista”, como a denomina Paulo Henrique Amorim) porque esta permanece em seu papel histórico, deitada no berço esplêndido comprado pelos poderosos (daqui e de lá) aos quais sempre serviu e serve, pautada por bandidos.

Isso o que está desmoralizando operações perante a opinião pública.

Na Bahia – por exemplo – fica difícil para o baiano enxergar pureza no carlismo e nos seus sucessores. Assim, em Pernambuco, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Pará etc. (São Paulo fica de fora, porque é um caso de patologia político-administrativa especial). Em cada um o povo conhece os ‘seus’ ladrões. Não os vendo alcançados pela dura investigação começa a duvidar das intenções e pretensões punitivas.

Esconder o PSDB das investigações desmoraliza a atuação investigativa. As provas não faltam. Falta a vergonha na cara de não ser isento.

Coisa de trazer à baila Shakespeare do Hamlet.

Legalidade
As oposições – impõe-se o plural diante das tendências (no Judiciário Gilmar Mendes, no PSDB Aécio Neves, FHC etc. etc. etc.)  gastaram um ano com o discurso do impeachment. Construído sobre os trilhos que ela mesmo edificou. 

Sua vitória residia – no entanto – no apoio das ruas. Foi-lhe negado.

E tudo caminha para as calendas.

Bastou atender à legalidade. 

Dobradinha
A OAB nacional engrossa uma corrente de ruptura institucional aderindo a uma ideia inoportuna pelo instante: o semipresidencialismo. 

Lembra-nos a solução ‘parlamentarista’ para barrar o golpe no imediato da renúncia de Jânio Quadros para evitar a assunção plena do vice-presidente João Goulart.

Destacamos do informe da OAB: "A proposta de se debater a implementação do semipresidencialismo no Brasil, defendida pela OAB, foi recebida com elogios pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Para o magistrado, é importante que as instituições estejam abertas a possibilidades para contornar a crise enfrentada pelo país e que uma revisita histórica pode trazer luzes ao momento atual de crise".

Naturalmente, Gilmar Mendes adorou. Com quem a OAB passa a fazer uma dobradinha.

Ficou pequeno
O voto do ministro Edson Fachin nos causou estranheza. Não podemos entender como embasado juridicamente um posicionamento que contraria normas expressas. No caso da questão levantada pelo PCdoB no STF – das irregularidades cometidas por Eduardo Cunha, ao atropelar o Regimento Interno (e a lei) para assegurar o controle da Comissão que analisaria o impeachment – Sua Excelência entendeu legítima a atuação de Cunha.

Fachin ingressou no STF sob grande pressão e era tido e defendido como um progressista. Negou-se a si mesmo, e encontrou aliados em Gilmar Mendes e seu pupilo Dias Tóffoli. Ficou pior entre alguns de sempre.

Ficou pequeno, mal entrou nos cueiros do STF. E decepcionou. Jogou fora a oportunidade de ministrar uma lição que o poria entre os melhores. Bastava aplicar a Constituição. Como o fez Barroso.

Caso encontre justificativa para a aberração nas ameaças sofridas, temos que, além de pequeno, ficou covarde.

A foto que fala
Atribui-se a Michelangelo, extasiado, diante da obra que acabara de realizar: “Fala!” 

Tão perfeita a arte na Moisés que viva o era.

A foto de Gilmar Mendes nada tem de êxtase. Tampouco de comparação com Moisés.

Mas que fala, isso fala!

      Miniatura

Escutando as ruas I
A presidente Dilma Rousseff dá sinais de retomada do poder que ainda não assumira no segundo mandato. Exonerar e nomear faz parte do ritual.

A mudança na Fazenda – ponto nevrálgico – sinaliza ter ouvido as ruas. Lá não ouviu somente apoios, mas também críticas contundentes a uma política econômica que aprofundava o desastre. E quanto aos apoios – parece haver percebido – os perderia se mantivesse a política levyana.

Livrou-se de Levy. Com isso um recado: o mercado será ouvido mas não manda.

Escutando as ruas II
Na esteira do instante acena para uma guinada na economia com a edição de uma Medida Provisória para legitimar acordos de leniência com envolvidos em escândalos com estatais. Simplesmente salvar empresas e empregos sem prejuízo de punir os responsáveis e a própria empresa nos limites de sua responsabilidade/possibilidade.

Feito isso teremos a retomada da atuação das empreiteiras e do emprego em fase de retorno. 

Afinal, a Petrobras emprega – com suas encomendas – trabalhadores de 71 mil empresas brasileiras.

Gostemos ou não
“Ajustes nunca são um fim em si mesmos. Ajustes são medidas necessárias para a recuperação do crescimento da economia, que por sua vez é condição indispensável para continuar nosso projeto de desenvolvimento econômico.” (De Barbosa há um ano).

Gostemos ou não a fala de Barbosa mais afinada está com o desenvolvimento do país.

Gostar ou não gostar
No âmbito das paixões, gostar ou não gostar dos possíveis novos rumos para a economia brasileira é apenas ‘torcida’. 

A coisa pode rolar por outros vieses, mas o peso do mercado financeiro nas prioridades de formulação de política econômica não mais representa o que representou com Joaquim Levy.

Vazar é a lei
Vazamento no Brasil se tornou lugar comum. Caminha para tornar-se instituição nacional. 

Até no STF.

Doa a quem doer
Há quem veja naquela expressão de Dilma, de que “não ficará pedra sobre pedra” uma estratégia de espera.

Caso haja procedência, a Operação Sangue Negro pode servir de parâmetro para o dito: tucanos relacionados, por ações no período de FHC/Rennó começam a ser investigadas.

Joel Rennó foi o presidente da Petrobrás no primeiro mandato de FHC (onde tudo continuou). O próprio FHC – em seu livro de memórias – confessa ter ouvido de Steinbruch que por lá (na estatal) era “um escândalo”.

No tempo de FHC tudo ia para baixo do tapete. Nos tempos recentes não fica “pedra sobre pedra”. Eis a diferença.

Tanto é que a coisa começa a cheirar mal para os lados do período tucano. É o que afirma Marcelo Auler em Operação Sangue negro atinge governo de FHC.

Para o juiz Sérgio Moro – que ouviu de Cerveró e Pedro Barusco o que está sendo apurado na Sangue Negro – não vem ao caso.

Esse Merval!
A premonição de Merval Pereira, em sua coluna n’ O Globo de quinta-feira 17:

"Caminho livre

O dia de ontem adicionou dois dados fundamentais no caminho do impeachment da Presidente Dilma: o relatório do ministro Luiz Edson Fachin, que deve ser aprovado quase que por unanimidade hoje ... "

Só falta dizer que Eduardo Cunha ganhou de 3 x 8 na sessão da tarde do STF, na mesma quinta.

A ver navios
O trenó ansiado por Eduardo Cunha lhe foi tirado. Vai ficar a ver navios neste Natal. Resta-lhe tempo para reiterar a defesa no processo a que responde.

                 

Melou
O mecanismo engendrado para afastar Dilma e colocar o afastadores no poder começa a melar: sem povo e vendo o vice capitão do golpe à paraguaia suspeito das mesmas práticas.

Ou seja, o caos se aproxima. Na linha de sucessão cabe a Eduardo Cunha assumir o Planalto.

O povo não é bobo... não só contra a Globo. 

O que restou
De todas as manifestações pró impeachment restou o que diz Cervantes em relação aos cavaleiros de Granada: saiam em louca disparada na madrugada. Para quê? Para nada!

Ou, como observa Paulo Henrique Amorim em vídeo postado em sua TVAfiada:

“Não tinha um negro. Não tinha um pobre.  É um golpe de poucos brancos contra todos os pobres”.

Aglutinando
As forças que vêem no pedido de impeachment um golpe branco, à paraguaia, vão se aglutinando. Juristas de renome, prefeitos de capitais, governadores de estado, juízes federais da associação Juízes para a Democracia  

O golpismo contava com as ruas. Contava.

Não ofende
Não custa perguntar: o que faz um táxi de 230 mil reais em nome de um tal Altair Alves Pinto (citado como receptor de dinheiro destinado ao deputado, segundo Fernando Baiano) estacionado na garagem de Eduardo Cunha?

Miniatura

Bahia na cabeça
Em termos absolutos – considerando a participação no total de votantes – a representação baiana na Câmara dos Deputados deu nada mais nada menos que 1/3 dos nove votos em defesa de Cunha na Comissão de Ética.

O nome dos heróis baianos: Cacá Leão (PP), Erivelto Santana (PSC) e João Bacelar (PR).

Rescaldo
A temeridade bateu-lhe de frente. O impeachment sem base material (crime de responsabilidade cometido no exercício do mandato) tendia a não vingar. No entanto, a oposição insistiu, tresloucada. 

Imaginou existir em 2015 uma véspera de 1964. Tempos outros, não dissecados e interpretados com a sabedoria exigida.

Os custos começam a surgir. Cobranças, idem.

A nau começa a fazer água. Tripulantes  inclusive antigos  anunciam deixá-la.

Havia fala de Alckmin trocar o PSDB pelo PSB. Aguarde-se. Álvaro Dias fala em deixar o tucanato para envolver-se no PV...

O rescaldo será cruel.

E terá que segurar Eduardo Cunha... quando até as águas investigatórias ameaçam o antes inalcançável PSDB (Azeredo condenado, Petrobrás tucana sob a Operação Sangue Negro etc.).

Walter Moreira
A Galeria Walter Moreira já foi espaço de exposição de livros de autores regionais, de saraus literários e de lançamentos de pinturas e artes. Por lá livros e quadros estavam à disposição do público que circula na Olinto Leone. Inclusive do artista grapiúna que honra o local, dignificando-o com seu nome.

A instituição que o administra anuncia desvio na utilização.

Walter Moreira  o grapiúna que dá nome ao Espaço – deve estar chacoalhando em sua sepultura.

Dizem, no entanto, que a mudança decorreu de ‘pressão no facebook’, diante da poeira e teias de aranha que ocupavam o local. Detectada por ‘gentil’ assessor de imprensa.

Itabuna, final de 2015
Valorosa consumidora saiu para comprar um reservatório para água. O preço estava tão alto que saiu mais barato comprar uma piscina.

Correu as ruas. ‘Espírito’ natalino é assim. O venda do momento era de baldes, de mosquiteiros e de raquete para matar muriçoca.

Em meio a um desses espaços, um pré-candidato a prefeito ‘deixando-se’ fotografar, para ampliar o ‘currículo fotográfico’ aos cuidados de zeloso assessor.