Não há razão por quê
As circunstâncias nos impuseram assistir - novamente - o Jornal Nacional, nesta quinta 5. Estávamos num espaço, destes que - não explicam - sintonizam a Globo como dogma de Fé. Como o JN é coisa menos interessante do que nos oferecia o ambiente aceitamos o sacrifício (de saber o que vai sair, tão costumeira se tornou a linha editorial).
Não deu outra!
De novidade mesmo, a morte de Nelson Mandela. Alguns minutos envolveram a vida e a obra política do sul-africano.
Hilária a intervenção de Fernando Henrique Cardoso. Naturalmente o 'príncipe dos sociólogos" (com letra minúscula mesmo, revisor) e seu lugar comum que satisfaz o noticiário da elite.
Mas, como não poderia deixar de ser, novamente Dirceu no contexto. Edição repetida do que já ocorrera ainda esta semana.
Nenhuma mísera sílaba ou fonema sobre o helicóptero de um senador da República apreendido com cocaína no Espírito Santo.
E depois não querem que a audiência despenque!
Post. Scriptum: nenhuma intervenção de Lula, também ex-presidente da República. O detalhe fica no fato de que dentre os três (Mandela, Lula e FHC) dois são estadistas reconhecidos mundo a fora. O único ex-presidente brasileiro entrevistado pelo JN não integra a relação.
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Não deu
Estourou o dique
O Jornal Nacional desta segunda, ao noticiar a possível convocação de Policarpo Júnior e Roberto Civita pela CPMI do Cachoeira, demonstra não mais ter como blindar (como vinha blindando) a Veja e a Editora Abril por possível envolvimento em práticas criminosas do contraventor.
(Registre-se que a CartaCapital vem denunciando os fatos há meses, inclusive a evidência de prática de sequestro por Cachoeira, fato também hoje noticiado no JN).
Cabe-nos aguardar os desdobramentos. Anunciados por nós há meses. Esperamos que não busque transformar a apuração de crimes em censura à imprensa.
Há muita água para rolar, de fazer inveja a qualquer cachoeira.
O Jornal Nacional desta segunda, ao noticiar a possível convocação de Policarpo Júnior e Roberto Civita pela CPMI do Cachoeira, demonstra não mais ter como blindar (como vinha blindando) a Veja e a Editora Abril por possível envolvimento em práticas criminosas do contraventor.
(Registre-se que a CartaCapital vem denunciando os fatos há meses, inclusive a evidência de prática de sequestro por Cachoeira, fato também hoje noticiado no JN).
Cabe-nos aguardar os desdobramentos. Anunciados por nós há meses. Esperamos que não busque transformar a apuração de crimes em censura à imprensa.
Há muita água para rolar, de fazer inveja a qualquer cachoeira.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Jogo sujo
A Globo não perdoa...
A partir do faroeste a que se oferta a Globo como referencial de justiça, o que vimos na edição desta segunda 30 do Jornal Nacional nos remeteu, de imediato, à edição de triste memória realizada em 1989 depois do debate entre Lula e Collor.
Para tristeza vemos que nada mudou na platinada quando há oportunidade de efetivar um golpe, seja ele através de uma bolinha de papel transformada em torpedo - como na campanha de 2010 - ou ativar o ânimo da sociedade na pressão conservadora sobre o STF para que realize um julgamento político em vez de técnico para o denominado “mensalão”.
Nenhuma palavra sobre o “mensalão” do PSDB mineiro, que está a envolver até transferência de recursos pelo mesmo Marcos Valério para o ministro Gilmar Mendes, tampouco o do DEM de Arruda, em Brasília. Sobre esses tem o álibi de que não estão em julgamento. Mas, se houvesse isenção, tratando-se de fatos idênticos em sua origem, caberia registrá-los pelo menos com referência de que virão a julgamento.
...manipula
Há manipulação explícita de fatos reportados à época, destituídos das informações recentes envolvendo o denominado “mensalão”.
Edição voltada para desgastar a imagem de Lula, praticamente vinculando-o aos fatos do processo, em que pese não estar o ex-presidente sendo julgado.
Absurdos postos, como o de incentivar o afastamento do ministro Dias Tófoli, sem qualquer referência à nefanda postura de Gilmar Mendes, que mesmo ferindo o dever funcional, já antecipou voto.
Assim como negar a recente manifestação, unânime, do Tribunal de Contas da União inocentando Marcos Valério quanto à origem dos recursos, à época (que a Globo insiste em tornar presente) considerados de origem pública.
Blindando a Veja
Em outro momento da mesma edição, tratando do escândalo da companheira de Cachoeira tentar subornar um juiz, a edição do JN negou referência a Policarpo Júnior, da Veja, autor, segundo ela, de dados que alimentariam um dossiê contra o juiz.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Na defesa
Deu xabu
A “bombástica” entrevista da ex-mulher de Fernando Collor ao Fantástico, anunciada como revelação de segredos impensáveis ao saber do vil mortal, não passou daquilo que qualquer criança nordestina, iniciante no soltar fogos juninos, aprende quando o artefato falha e não corresponde à propaganda: deu xabu.
Não fora apelação, diante de nenhuma novidade – nem mesmo superando o que Rosane Malta ex-Collor afirmara à Folha Universal em janeiro de 2008 – a entrevistada quando muito “avançou” o foi no terreno do “eu acho”.
Em causa própria
Fica-nos a certeza de que a Globo estava muito mais para a defesa da Veja, que Collor quer ver chamada para responder e explicar à CPMI do Cachoeira suas relações com os crimes vários perpetrados através de Policarpo Júnior.
E defesa dos outros sem procuração pode ser considerada defesa própria. Ou confissão antecipada de que tem também culpa no cartório.
Por outro lado, cristalino que o senador Fernando Collor está incomodando ao pretender apuração, através da CPMI do Cachoeira, de abusos cometidos por "sacrossantos" símbolos da imprensa.
Por outro lado, cristalino que o senador Fernando Collor está incomodando ao pretender apuração, através da CPMI do Cachoeira, de abusos cometidos por "sacrossantos" símbolos da imprensa.
domingo, 15 de abril de 2012
De lixo, de finanças públicas e de poesia
O encanto e a graça do lixo
Em ano eleitoral, a reportagem do Jornal Nacional em Itabuna, na quinta 12, mexeu com diferentes rumos da autoestima grapiúna. De imediato, podemos afirmar, que essa “vergonha” tornar-se-á mote para as eleições deste ano, ao lado da violência e da saúde.
De logo, ataques à administração de Azevedo foram acompanhados por defensores de sua gestão(?), alguns lembrando que nas últimas décadas nenhum dos gestores cuidou do tema (leia-se, Fernando Gomes e Geraldo Simões).
Cumpre registrar que o encontrado em Itabuna pelo Jornal Nacional o é em qualquer de nossas cidades – grandes, médias e pequenas – porque a natureza do problema está em sua própria realidade, ou seja, o aumento, nas últimas décadas, do volume de lixo produzido e na sofisticação de seus componentes (não mais papel e restos de comida, como há 50 anos).
Para evitar proselitismos, contra ou a favor, cabe-nos analisar a circunstância em que se encontra o “nosso lixo” de cada dia, onde também o de Itabuna, por uma vertente pouco utilizada pela maioria dos críticos: as necessidades financeiras e a disponibilidade do(s) Município(s) para efetivar(em) um sistema moderno voltado para a coleta e o tratamento dos resíduos gerados na cidade.
Ainda que tivéssemos uma coleta que pudesse ser considerada como perfeita (auxiliada por uma população civilizada e consciente desta particular realidade), em sã consciência não podemos afirmar que o município de Itabuna (como os demais na região) disponha de meios para realizar os investimentos necessários para materializar um aterro sanitário moderno.
Os investimentos são de tal magnitude que mesmo os órgãos financiadores tradicionais não o fazem se não houver uma relação custo-benefício compatível.
É que o custo dos investimentos exige uma quantidade tal de lixo coletado para corresponder ao tratamento que cidades do porte das nossas gerariam ociosidade diante do investimento, o que leva os planejadores a não recomendarem a aplicação de recursos sob pena de implicarem em desperdício.
Por outro lado, o município de Itabuna (destinatário direto da matéria no JN), por exemplo, como os demais, não pode pensar pura e simplesmente em realizar um empreendimento deste porte com recursos próprios.
Isto porque, historicamente, o limite de sua capacidade de investimento é muito baixa, variando entre 3% a 5% da arrecadação, visto que não dispõe de uma política consistente de fazer aumentar a arrecadação própria. (Geraldo Simões, na primeira gestão, conseguiu elevá-la de 3,5%, em 1992, para 26%, em 1996).
A regra geral pode ser assim traduzida: de cada 100 reais arrecadados apenas de 3 a 5 estão disponíveis. Ou seja, de cada 1 milhão, disponíveis apenas um máximo de 50 mil para investimentos.
Ora, tomando-se a dimensão dos inúmeros gargalos a exigir investimentos (custeio da administração, saneamento básico, distribuição de água, pavimentação etc.) os valores disponíveis são insuficientes.
Essa a razão que move prefeitos do país por uma reformulação da distribuição da arrecadação federal, hoje alcançando 14% para os municípios (já foi menor) e de andarem sempre com o pires na mão junto ao Governo Federal.
O grosso das despesas dos municípios em geral (depois de afastados os recursos destinados ao Poder Legislativo) está comprometida com a folha de pagamento, o custeio da máquina administrativa (energia, veículos, combustíveis e outros insumos) e a dívida fundada decorrente de parcelamentos (INSS, PASEP, FGTS) vinculados às transferências do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Mas, não podemos negar, o lixo de Itabuna adquiriu vida. E mais: alma. Internou-se nas discussões, como centro de paixões e preferências político-eleitorais. Ainda que sob o crivo da racionalidade devesse ser discutido, não se deixando fugar dos prismas eminentemente técnicos.
De mais interessante, tornar-se inspiração para a poesia. Na poesia de Piligra, que dele se aproveitou para gerar um belo soneto sob o signo da forma italiana, correndo mundo pelo facebook e linhas de Gustavo Felicíssimo.
Para mostrar que se alhures "lixo é luxo", como o viu Joãozinho Trinta, também é "poesia".
segunda-feira, 12 de março de 2012
Manipulação
O deus Ricardo Teixeira
Descobriu o Brasil nesta segunda-feira outros meios para o processo de canonização vaticânica e singular modo de tornar um mortal em santo. É o mínimo que se depreende da edição do Jornal Nacional deste dia 12.
A simples, e esperada, notícia de que Ricardo Teixeira renunciou à direção da Confederação Brasileira de Desportos e penduricalhos (comitê organizador da copa – com letra minúscula mesmo, para não desprestigiar o dito cujo) tornou-se angustiado necrológio na platinada a realçar os “atos de bravura” e “conquistas” de Teixeira à frente da CBF.
Só os louros, duas Copas vencidas (como se não houvesse outras três anteriormente) e eventos que sustentam a vaidade do brasileiro, que enxerga no futebol a pátria (isso que a Globo sabe muito bem explorar).
Em nenhum momento as Copas de 1998 e 2006 – coisa de inimigos da Pátria – CPI ou a muamba de 1994 e coisinhas menores, como corrupção...
Santo padim Teixeira
Fosse o Jornal Nacional hegemônico como antes o povo sairia às ruas, queimaria pneus e enfrentaria a polícia para fazer retornar o indigitado renunciante ao cargo.
Para o amargo escriba, a Globo só faltou pedir contribuição ao torcedor para indenizar os prejuízos de Ricardo Teixeira.
Sorte que a Globo não anda essa coisa toda de audiência!
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