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domingo, 29 de novembro de 2015

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Cozendo o galo
Nomeie-se o galo de Turquia. Bem analisa J. Carlos de Assis a histórica paciência dos russos: “Foi assim com Carlos XII da Suécia, com Napoleão e com Hitler. Os mais notáveis comandantes militares russos, o Marechal Sucorov, que derrotou Napoleão, e Marechal Zhukov, que derrotou Hitler, ganharam suas medalhas mais significativas usando o recurso da paciência.

Em razão do incidente o governo turco já pediu desculpas. Mas não pode ser afirmado que Putin esquecerá. 

Até porque – em nível da geopolítica regional – a área de conflito está sob atenção direta da Rússia, em razão do posicionamento estratégico em relação ao seu território.



Alerta
Apesar de causar em torno de 5.000 óbitos anualmente pouco se sabe sobre a bactéria Legionella. Com sintomas parecidos com os da pneumonia sua percepção é difícil. Daí o alerta de especialistas.


Bactérias da Legionella no microscópio / Foto Wikimedia - CC
Bactérias da Legionella no microscópio / Foto Wikimedia – CC
O perigo oculto no lava-jato
“As reportagens devem sempre consultar pesquisadores” recomenda Bensoussan, que acrescentou: “a imprensa tem que tomar cuidado.” Contrariamente ao difundido, a bactéria pode estar em qualquer aerossol ou vapor de agua, e na lista preta entram chuveiros, fontes decorativas, jacuzzis, parques aquáticos, umidificadores de ar, torres de resfriamento utilizados na refrigeração e máquinas de lava-jato.
Os especialistas não se cansam de afirmar que no ano de 2013, quando no Brasil ocorreram 387 mortes por dengue, 4.600 por tuberculose e 41 de malária, pela “desconhecida” Legionella teriam morto em torno de cinco mil pessoas. Os idosos com problemas respiratórios e fumantes formam o maior grupo de risco. Mortes, custos médicos, absenteísmo em escolas e trabalho poderiam diminuir sensivelmente com mais informação. A única prevenção possível é evitar a sua proliferação nos ductos de água. Infelizmente, análises de amostras de água de todo o Brasil, mostram um percentual de 15% de resultados positivos para a bactéria.

Uma busca no Google, permite conferir facilmente o pouco destaque que a mídia brasileira tem dado ao problema que acaba com 13 vidas por dia no país, nos cálculos mas otimistas. A imprensa pode colaborar de diversas maneiras. Uma é simplesmente publicando notícias que atraiam a atenção do público e dos responsáveis. Em tese, a difusão de informações sobre a legionella poderia fazer pressão para que o Ministério da Saúde aborde o assunto de forma proporcional à sua importância. Os hospitais no Brasil não identificam o tipo de microrganismos que causa febre ou pneumonia, e se fosse feita a identificação, seria mais fácil localizar surtos ou regiões com problemas de proliferação da bactéria.
Cartel
Prova nada fácil de ser obtida: a de que houve conluio para o ajustamento dos preços. O grande confronto ocorre com a ‘liberdade de mercado’. Sob esse prisma vendo por quanto quiser, compre quem o puder.

A dificuldade de materializar o crime e indiciar os criminosos por sua prática reside justamente em provar o conluio deliberado.

Mas a PF, o MPF e o Cade dizem-se satisfeitos com as investigações em relação ao cartel de combustíveis no Distrito Federal, segundo matéria de Bárbara Mengardo para o Jota.

Bem que poderiam incluir nossa região na investigação. Talvez pudessem explicar a diferença de quase R$ 0,40 centavos por litro no preço da gasolina aditivada entre um posto e outros.

Até que enfim!
Na última quarta 25 a Norte Energia anunciou haver conseguido a Licença de Operação da Usina de Belo Monte, concedida pelo IBAMA.

Reduz-se mais ainda o risco de um apagão, como aquele ocorrido entre 2001/2002, no tempo de FHC.

Tardou, mas chegou!



Militares da Democracia
A redemocratização não fez, ainda, a justiça que inúmeros fardados ao tempo do golpe civil/militar merecem. Até porque poucos – quem? – hão de lembrar da postura do capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o “Sérgio Macaco, do PARA SAR” (falecido em 1994, aos 63 anos), em não atender ao que pretendia o Brigadeiro João Paulo Burnier e explodir, em 1968, o gasômetro do Rio de Janeiro (uma tragédia que geraria em torno de 100 mil mortos) para jogar a culpa nos comunistas e gerar um banho de sangue inominável para fortalecer a linha dura do golpe.

Enquanto a Pátria não lhes faz Justiça, documentários como o "Militares da Democracia: os militares que disseram Não", de Sílvio Tendler, para a TVBrasil, alimentam a História.



Delcídio
O PT mais uma vez toma na cabeça por admitir qualquer um em seus quadros. Basta querer assinar a ficha – quando não convidado – para esquecer o partido de suas ‘históricas’ exigências em passado não tão recente para admitir uma filiação.

Para compreender a trajetória político-ideológica de Delcídio do Amaral basta uma consulta ao Wikipédia. Compreenderá – inclusive – porque o senador apóia José Serra no desmonte da participação da Petrobras no pré-sal: trabalhou para a Shell por dois anos, na Europa, e fez parte da diretoria de Energia e Gás da Petrobras quando FHC dirigia o país, com ‘louvável’ iniciativa de trazer Cerveró e quejandos para a estatal (lá nos tempos de FHC, que o juiz Sérgio Moro não quer ver).

O PT de Mato Grosso do Sul o ‘aproveitou’, por recomendação de Zeca do PT, que o apoiou para eleger-se senador em 2002.

Saia justa
A influência do banqueiro André Esteves sobre a mídia é fato sabido e consabido. Que farão seus acólitos diante dos fatos denunciados?

Tremenda saia justa!

'Não contavam com minha astúcia'
A prisão do senador Delcídio do Amaral não poderia ser prato melhor para a mídia exaltação: um líder do Governo teve a prisão decretada – e confirmada pelo Senado.

Não é assim ‘qualquer coisa’ para o Governo – e a Presidente – que o tinha em grande conta.

Mas – sempre surge um mas – o estrago vem à cavalo, como vingador em faroeste: já pululam as origens e tramóias do senador. Desde os tempos gloriosos em que comandou diretoria da Petrobras no governo FHC.

A verdade – de tanto selecionada – que atingia um lado só tomou a iniciativa de alcançar o outro lado e está a dizer – como aquele Chaves/Chaolin: não contavam com minha astúcia.

Contorcionismo
O manipular a informação é flagrante na mídia. Por exemplo: em que pese Delcídio do Amaral ter começado a sua carreira no PSDB, indicando Cerveró e quejandos, a sua condição circunstancial de estar no PT leva o noticiário a frisar somente este aspecto. 

A ponto de o Jornal da Band falar em “preocupação” do PT com delação de Delcídio. Ou seja, nada de PSDB e FHC é publicado, ainda que a gravação em que se sustenta a matéria não deixar margem de dúvida.

O Boechat da rádio Band difere daquele do Jornal. O que diz pela manhã (vídeo) não edita à noite.

Contorcionismo editorial do Grupo Bandeirantes



Os amigos I
A imprensa insiste – para vincular – em citar Bumlai como “o amigo de Lula”.

Poderia aproveitar e citar Galvão Bueno, João Carlos Saad (do Grupo Bandeirantes) e Beto Mansur.

Os amigos II
Por outro lado a imprensa evita – ou não tem interesse – exibir os amigos do banqueiro Esteves. 

Dentre eles, Aécio Neves – com lua de mel custeada pelo próprio no Waldorf-Astoria.

Bandidagem I
Não pode ser considerada de outra forma a postura editorial da Folha de São Paulo em relação a fatos que vinculam a instituição e o pecuarista Bumlai.

Para melhor entender acesse A Folha errou

Miniatura

Bandidagem II
Mais bandidagem. Veja o leitor os envolvidos e a relação que mantêm entre si aqui.

Citados
O inusitado – à luz deste ‘não contavam com a minha astúcia’ – é o fato de que os também citados ministros do STF, dentre eles alguns determinando a prisão do senador Delcídio, além de cometerem deslizes em relação às garantias constitucionais (que a eles cabe defender e preservar) trataram de proteger sua própria casa (a de cada um referido).

Afinal, o crime não é inafiançável, tampouco flagrante haveria (os pressupostos que assegurariam a efetividade da prisão).

Não bastasse – por mais irônico que possa parecer – a decisão da Turma do STF se baseou numa gravação ilegal, porque não autorizada judicialmente.

E Delcídio não tem a quem apelar.

Cheira, pois – diria o gajo – a uma decisão por conveniência.

bessinha estado de direito

Confissão
O argumento de que havia risco de a investigação ser prejudicada e de fuga de um envolvido chega a ser pífio e desmoralizante em relação aos órgãos de polícia e investigação do país. 

Afinal, se você (Polícia Federal) já sabe – em razão da gravação – que alguém pretende fugir e o prende para evitar o risco temos de reconhecer uma confissão de incompetência em ‘acompanhar’ o pretenso fugitivo através de uma simples campana.

Mais grave e singularmente interessante: o pretenso fugitivo está preso.

Falando pelos cotovelos
Perdeu a oportunidade de manter a postura de julgadora a ministra Carmen Lúcia, quando – a exemplo do colega Gilmar Mendes (que parece andar fazendo escola) – deu de aproveitar a oportunidade para uma ‘declaração política’ em seu voto pela prisão do senador.

Ah! Se viesse à tona!
Serra procurou Delcídio, cercando-o para proteger Preciado, o artífice de negócios da Petrobras na África antes de 2003 (período FHC).

Ainda que tenha, ao lado do PSDB, larga proteção da imprensa a coisa não anda tão tranquila assim!

Quem salva a turma  até agora  é o juiz Sérgio Moro, para quem antes de 2003 nada vem ao caso.


Para melhor entendermos todo o imbróglio ouçamos a íntegra do áudio de Delcídio, gravado por Bernardo Cerveró, falando dos 'negócios' e 'influências'.



Negócio rendoso
A considerar o número de vazamentos tem-se que – já que são remunerados – tornou-se um negócio rendoso.

O erro
Tucano preso só quando deixa o partido e vai para o PT. Em relação às práticas, Delcídio apenas mantinha a coerência com o passado e suas origens.

A plateia I

Temos que o juiz Sérgio Moro tem razões para comparecer a eventos privados censuráveis: afinal, carece de público. Como não encontra no mundo jurídico apoio para suas aberrações vai buscá-lo na mídia que ataca o Governo e, justamente, aliada de seu projeto discriminativo de apuração

Uma indagação se impõe: encontraria holofotes na mídia se apurasse em torno de tudo que já ouviu, incluindo o período de FHC?

Suas declarações em mais um evento privado – do qual deveria declinar, como o fizera, pelo menos, em relação à Câmara dos deputados – contribuem para o universo dos que tratam o Estado de Direito como ‘meu Estado de direitos’.



Criticar, na condição de juiz, uma lei recém aprovada, que assegura ao ofendido pela mídia o mínimo sagrado direito de resposta, não depõe por fazê-lo um juiz pela Democracia.

Ao dizer o que a plateia quer ouvir o torna limitado em suas convicções, medíocre como magistrado. E – psicanaliticamente – sublimando decepções ou – como diria o caboclo – querendo aparecer.

Que o diga andar pedindo apoio da população para suas pretensões, que despencam no imaginário, à luz de pesquisa Vox Populi, citado em artigo de Coimbra na Carta Capital e veiculado no Conversa Afiada.

A platéia II

Moro recebendo homenagem da imprensa que paga pelos vazamentos que saem de sua jurisdição mais está para a hipótese de um juiz de futebol receber homenagem do time da casa no intervalo do jogo.

Dúvida atroz

Com o (re)surgimento – mais uma vez – do nome Gregório Marim Preciado (carimbada figura ligada a Serra e ao PSDB) a dúvida que nos acomete é se para o juiz Sérgio Moro vem ou não ao caso apurar em torno de tão ilustre personalidade.

Pode temer as ligações perigosas entre eles e aquele FHC de tempos não tão esquecidos, onde “A Privataria Tucana” imperou e deixou profundas raízes. 

Miniatura

Detalhe
A prisão de Delcídio deixa-o livre do juiz Moro. Mas suas declarações refletirão – necessariamente – na Lava Jato, nela inserindo tucanos de alto coturno.

Aguarde-se o jogo de cintura de Moro ‘não vem ao caso’.

Cadastro de reserva
Ainda que não indiciado na Zelotes o filho de Lula passa a integrar o ‘cadastro de reserva’. É o que deixa a entrever a Folha, em reprodução no GGN.

Quiá-quiá-quiá-quiá-quiá...
Para o juiz Sérgio Moro a prisão do pecuarista Bumlai tem o condão de ‘preservar Lula’: “fatos da espécie teriam o potencial de causar danos não só ao processo, mas também à reputação do ex-presidente, sendo necessária a preventiva para impedir ambos os riscos”.

Quanta bondade! Quanta preocupação!

Me engana que eu gosto
Ultrapassada a gargalhada – motivada pelo espírito de caridade cristã que norteia o juiz Sérgio Moro – quem melhor analisa as declarações do magistrado – até por conhecer os seus íntimos pensamentos, vazados não tão de vez em quando – é o Merval Pereira:

Antes de representar um atestado de inocência de Lula, as ressalvas com relação a ele feitas pelo juiz Sérgio Moro na decretação da prisão do pecuarista José Carlos Bumlai significam que ainda não foi possível chegar a uma prova concreta que determine com firmeza o envolvimento do ex-presidente nos fatos que estão sendo investigados, embora ele seja presença freqüente nas colaborações premiadas e sujeito oculto nas tramas que estão sendo reveladas.”

Tudo, pois, é uma questão de tempo. Assim interpretamos.

Muito provável entre o Natal e o Reveillon de 2015, 2016 ou 2017  eis o sonho.

Merval acertou na mosca das intenções – em nada de amor e carinho – do Sérgio Moro.

Para o magistrado das confrarias com a oposição ao PT, Lula, Dilma e Governo o tradicional: “me engana que eu gosto!”

Razão para se preocupar
 A ‘preocupação’ do presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, de que não há com que se preocupar em relação ao ex-presidente Lula a partir da Lava Jato, partindo do ‘axioma’ Sérgio Moro deixa-nos à deriva.

Primeiro: porque não vemos como haver preocupação com investigações contra Lula (ou outro cidadão qualquer) se inocente o é.

Segundo, a declaração atesta inocência em relação ao que pretende Sérgio Moro: prender Lula. Assim que – ainda que sob um ‘domínio do fato’ qualquer – encontrar/fabricar indícios certamente o fará.

Demais disso, Everaldo esqueceu de ler o porta-voz de Sérgio Moro: Merval Pereira.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Eleições


O grande eleitor I
Em que pese dois momentos significativos da história político-administrativa recente do país somente um deles tem sido explorado em pesquisas. Ainda que a disputa de idéias se apresente polarizada entre PSDB e PT, quando referido um representante dos respectivos ‘pensamentos’ somente o ex-presidente Lula tem integrado as planilhas de pesquisas eleitorais.

As conclusões imediatas podem advir do fato de que Fernando Henrique Cardoso não recuperou a imagem que deteve em instantes de seus governos; o contrário de Luís Inácio Lula da Silva, que a mantém. 

Isso considerado uma conclusão se impõe: FHC tira votos; Lula, soma. Talvez essa a razão por que os institutos de pesquisa não põem em confronto FHC x Lula em suas enquetes.

Claro fica, escancaradamente – e vemos como de importância singular – que o guru de Aécio Neves – FHC – em nenhum momento é posto sob consulta como ocorre com Lula. O que há no ar além dos aviões de carreira: o tão alardeado governo tucano não motiva nenhum chamado tipo ‘volta, FHC’, dentro do PSDB, como ocorre com o ‘volta, Lula’ em setores do PT.

Resta – para abalar os efeitos do grande eleitor – gerar a desconfiança que interessa à oposição (a quem serve parte da imprensa): um conflito entre Dilma e Lula, instigado sempre sob o domínio de números que a ele assegurariam vitória certa. 

Jogo psicológico, teste de nervos.

O grande eleitor II
Partindo da premissa da existência de manipulação através do levantamento aventamos ontem ("Falta combinar com alguém") a circunstância efetiva do porquê da queda de Dilma em pesquisa da Datafolha, considerando o fato concreto de que nenhum dos demais candidatos postos como cabeça de chapa haverem dela se beneficiado. 

E mais: de que nela estaria embutido um claro sinal de substituição do nome de Eduardo Campos por Marina Silva, aquela que, segundo o levantamento, seria capaz de assegurar um segundo turno.

No entanto, outro dado presente na pesquisa fora omitido da divulgação (com objetivo de “agitar o mercado”): o que representa aquele Lula ‘eleitor’ no processo eleitoral. 

Tais dados foram divulgados à solerte na calada da noite, 24 horas depois, na noite de domingo, pela Folha de São Paulo, sem a visibilidade que exigia sua importância: o peso de Lula na sucessão leva-o a ordenar e a hierarquizar a definição de – compreenda o leitor o porquê de a Folha não divulgar o dado pesquisado no sábado – 60% do eleitorado. 37% ‘votariam com certeza’ no indicado por Lula. Ou seja: considerável parcela do eleitorado votará em quem Lula recomendar.

Para ampliarmos a dimensão do fato negado no primeiro instante pela Folha: 41% rejeitariam indicação de Marina Silva e 57%, a de Fernando Henrique Cardoso (somente 23% admitem sufragar uma sua indicação).

Elementar conclusão: quase o mesmo percentual que admite votar em quem for indicado por Lula (60%) rejeita indicado por FHC (57%).

O grande eleitor é fato explícito. Arrasador nas andanças de campanha pelo país e nos programas eleitorais.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Meta

Futura
Artigo publicado por Fernando Henrique Cardoso em jornais no último domingo (O Globo, O Estado de São Paulo e Zero Hora) pode ser olhado como a bíblia para elaboração do programa do PSDB para as próximas eleições presidenciais. Nada de novo, para ser coerente. Como não poderia deixar de ser, no plano interno defende receitas postas em prática pelos tucanos como gestão pública e o papel do estado na economia. (Nesse particular, obviamente o Estado mínimo).

Cumpre seu papel de ideólogo vinculado aos interesses estadunidenses quando enumera o que pensa sobre a política externa brasileira. De imediato fica claro o retorno ao realinhamento automático com os EUA e a Europa, razão por que é fundamental (para ele) o ingresso do Brasil na ultra-liberal Aliança do Pacífico – comandada pelos Estados Unidos, como sabido – o que implica reduzir o espaço da China e distanciamento dos governos sul-americanos mais à esquerda, realçando o México como potência emergente (hoje em estágio lamentável depois de haver aderido ao Nafta).

De ressaltar, ainda que possa parecer proposição imediata, que a manifestação de FHC, em que pese nada inovadora, não parece possível de ser traduzida em projeto para o PSDB em 2014, que vai ocupando uma posição de coadjuvante no processo sucessório, ainda que apoiado por Eduardo Campos.

A polarização PSDB-PT – transformada em PT-PSDB nos últimos 12 anos – tende a não se manter, a ponto de analistas políticos prenunciarem um insosso terceiro lugar para Aécio Neves.

Não bastasse, o PT busca ampliar seu leque de alianças à direita, ou à centro-direita, começando por São Paulo, onde pretende liderança do agronegócio como vice na chapa de Padilha para governador. Ou seja, o PT começa a invadir território antes restrito ao PSDB.


Assim, pensamos que a mensagem de FHC visa atrair discípulos – no imediato de 2014 – como Eduardo Campos, para realização do que ele PSDB não poderá (o que significa reconhecer dificuldades concretas nas próximas presidenciais) e retomar o caminho para tentar o poder em instante mais distante – em 2018.


sábado, 4 de janeiro de 2014

Arauto

Da razão
Escrevemos recentemente sobre o descarte de Fernando Henrique Cardoso no que diz respeito a uma possível candidatura do ministro Joaquim Barbosa a presidente da República (“Barbosa descartado”, na quinta 2). Para FHC Barbosa “não tem traquejo” para o cargo. Não se negue verdade no expressado pelo ex-presidente.

O atual presidente do STF não tem seu nome ventilado por méritos administrativos, muito menos por qualidades políticas, tampouco por propostas que correspondam a muitos dos anseios do país ainda não suficientemente correspondidos.

Atende à sanha de uma parcela da sociedade – a de sempre – que se ampara em qualquer peça que possa ser utilizada no tabuleiro para fazê-la avançar ou retornar a uma posição de controle em seu xadrez. Não àquela eminentemente político-oposicionista; mas a que alimenta em suas entranhas o que há de discurso moralista, reacionário e – por que não dizer – golpista por excelência.

Para ela Joaquim Barbosa é o que de ideal acontece. Especialmente por encarnar a sublimação do vingador.

A razão que se atribui a FHC é a de haver aproveitado a oportunidade – do alto da cátedra de ex-presidente da República – para definir, no âmbito político-eleitoral, o que já disseram em outras vertentes juristas e cientistas políticos.

Sintetiza uma reflexão singular: como candidato a presidente da Nação Joaquim Barbosa não vende nem as máscaras de Carnaval produzidas a partir da sua imagem bufã, não fora começar a ser reconhecido como aberração jurídica presente no STF, da qual foge qualquer político que se apresente lúcido. 

E que não passa de uma caricatura capturada pela mídia. 

Nesse instante, pelo que disse em relação a Joaquim Barbosa, FHC se apresenta como arauto da razão.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Barbosa

Descartado
Encantou o país durante pelo menos um ano. Tornou-se referência no combate à corrupção, assim o entendeu parcela significativa da população que o aplaudiu a partir da visibilidade dada pela mídia quando assumiu punir muitos – se não todos os possíveis – ainda que faltassem provas contra alguns. Para tanto pouco importava a existência de violações à lei ou a princípios universais do direito.

Na catarse nacional – sempre carente de um Dom Sebastião redivivo de Alcacequibir –, da qual viveu, vive e (sobre)viverá a classe dominante, passava a encarnar a esperança de regeneração de uma sociedade que, através dele, se encontraria escapada do domínio do mal sob o condão de um legítimo ‘salvador da pátria’.

Fernando Henrique Cardoso jogou a pá de cal nas pretensões de Joaquim Barbosa – se as tinha, como o demonstrava – de candidatar-se ao cargo maior da Nação. É dito por Ricardo Chapola, do Estado de São Paulo:

“O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ‘não tem traquejo’ para ocupar a Presidência da República na hipótese de o ministro decidir se candidatar ao Planalto. Para FHC, Barbosa não possui as características necessárias para liderar o País e sugeriu que seria ‘mais positivo’ se ele eventualmente se candidatasse ao Senado ou à Vice-Presidência.

Ao senado, sonha o PSDB do Rio de Janeiro; à vice, o PSDB de Aécio Neves.

Tudo caminhava para um final feliz. Uma candidatura a presidente, quem sabe? O sonho – para não desmoronar – lhe reserva apenas um papel de coadjuvante. De vela, como se dizia no interior para quem apoiava ou acobertava namoro alheio proibido.


Barbosa está descartado. Não pelo prazo de validade, mas de utilidade.

De sua cruzada fica apenas o papel de carrasco.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Não muda

Não há razão por quê
As circunstâncias nos impuseram assistir - novamente - o Jornal Nacional, nesta quinta 5. Estávamos num espaço, destes que - não explicam - sintonizam a Globo como dogma de Fé. Como o JN é coisa menos interessante do que nos oferecia o ambiente aceitamos o sacrifício (de saber o que vai sair, tão costumeira se tornou a linha editorial). 

Não deu outra!

De novidade mesmo, a morte de Nelson Mandela. Alguns minutos envolveram a vida e a obra política do sul-africano. 

Hilária a intervenção de Fernando Henrique Cardoso. Naturalmente o 'príncipe dos sociólogos" (com letra minúscula mesmo, revisor) e seu lugar comum que satisfaz o noticiário da elite.

Mas, como não poderia deixar de ser, novamente Dirceu no contexto. Edição repetida do que já ocorrera ainda esta semana.

Nenhuma mísera sílaba ou fonema sobre o helicóptero de um senador da República apreendido com cocaína no Espírito Santo.

E depois não querem que a audiência despenque!

Post. Scriptum: nenhuma intervenção de Lula, também ex-presidente da República. O detalhe fica no fato de que dentre os três (Mandela, Lula e FHC) dois são estadistas reconhecidos mundo a fora. O único ex-presidente brasileiro entrevistado pelo JN não integra a relação.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Nova bomba

Sobre o tucanato
Fernando Henrique Cardoso, tornado pela imprensa "baba ovo" em "O príncipe dos sociólogos" acaba de se tornar personagem (real) de uma outra biografia: "O Príncipe da Privataria". Lá estão "cabeludos" casos, da compra de votos para a reeleição à "bolsa pimpolho". 

O recente livro de Palmério Dória, lançado nesta sexta 30 pela editora Geração (a mesma de "A Privataria Tucana", de Amaury Jr.), está amplamente documentado, inclusive trazendo o nome da testemunha e informante da compra de votos para a reeleição, antes simplesmente denominado de "Senhor X". Para mais detalhes, rápida entrevista de Palmério Dória em http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/08/30/quem-e-o-sr-x-que-gravou-a-compra-da-reeleicao-de-fhc/

Certamente um novo sucesso de vendas.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Omissão

Denúncia
O senador Roberto Requião, em pronunciamento nesta segunda 1º da tribuna da Casa, ressaltou a postura discriminatória de parcela da imprensa - com destaque para Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Época - quando trata das viagens do ex-presidente Lula ao exterior, e mesmo da Presidente Dilma Rousseff.

O senador paranaense fez o contraponto citando o ex-presidente Fernando Henrique Cadoso, que ao exterior viaja custeado por instituições que vão do banco Itaú às empresas beneficiadas com as privatizações em seu governo. 

O detalhe mais interessante é que FHC costuma falar mal do Brasil lá fora - denuncia Requião.

Certamente - dizemos nós - o apoiador da candidatura Aécio Neves prepara o terreno para a obtenção de recursos para a campanha tucana, já embalada no retorno ao projeto neoliberal dos anos 90, como já exaltado pelo próprio Aécio, para cumprir o que FHC não pode realizar: não deixar pedra sobre pedra do que resta de bens públicos do país.

Que passa pelo sonho de entregar algumas joias da coroa como Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica, o que resta da Petrobrás.

Àqueles que financiarão o Instituto FHC e pagarão suas palestras no exterior... para falar mal do Brasil.

Beneficiado pela omissão da grande mídia.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Euforia

FHC na ABL
O tucanato está eufórico. Fernando Henrique Cardoso tem tudo para se tornar membro da Academia Brasileira de Letras. Nada contra, diante das últimas espécies da fauna que passou a ocupar a casa de Machado de Assis. Tampouco é exigida firmeza idealístico-ideológica.

A euforia que ora registramos – ou, diríamos, a vingança tucana tarda mas chega – reside no fato de que um tal nordestino e metalúrgico, que deu de se tornar presidente da República e anda muito elogiado mundo a fora, nunca alcançará o laurel.

O detalhe fica na voz rouca da turma que está a lembrar que FHC nada tem escrito ou dito que justifique a indicação depois daquele “esqueçam o que escrevi”.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Casa de enforcado

Desespero
As coisas não andam nada boas para José Serra em São Paulo. Números de  pesquisas de intenção de voto apontam a possibilidade concreta de nem mesmo chegar ao segundo turno.

Reconhecido o quadro nada animador, até mesmo Fernando Henrique entrou na propaganda eleitoral. E o fez utilizando-se do denominado "mensalão" petista, em julgamento pelo STF.

Confirma-se o que muitos anunciavam, inclusive nós: a inoportunidade do julgamento, ocorrendo em período eleitoral, e de forma unilateral, pois da mesma fonte para fazer o "caixa 2" bebem todos os partidos, o que não afasta o PSDB, glorioso baluarte do esquema de Marcos Valério a partir de Minas Gerais, aguardando que o mesmo STF designe data para julgá-lo.

Roto falando de esfarrapado
Não bastasse a "privataria tucana", da qual Serra é ator principal ao lado de outros próceres do tucanato, denunciam uma novidade na formação de "mensalão", agora desenvolvido em São Paulo: distribuição de bolsas de estudo a alunos fantasmas.

Inova o PSDB, através de sua ala intelectual, e cria o mensalão tucano da educação. Que funciona (segundo denunciou Ernani de Paula, ex-proprietário da São Marcos, ao Ministério Público de São Paulo), através da concessão de bolsas de estudo para o ensino superior a alunos fantasmas. (Do Brasil 247).

Ou seja, o "fantasma" recebe a bolsa e o PSDB paulista o dinheiro a ela destinado.

FHC utilizando "mensalão" como propaganda contra o PT é como o dito popular: roto falando  de farrapado. Para não dizer que anda falando em corda na casa de enforcado.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Dois pesos e duas medidas

Para garantir audiência
O STF remeteu a denúncia contra Demóstenes Torres à instância inferior. Assim entendeu o Ministro Ricardo Lewandowski, nesta quarta 1º: “Merece acolhimento o pedido da Procuradoria-Geral da República, pois, com a cassação do mandato de senador da República, o qual era exercido pelo investigado, cessa a competência originária criminal deste Supremo Tribunal Federal”.

A Constituição Federal no Título IV (Da Organização dos Poderes), Capítulo III (Do Poder Judiciário), na Seção II (Do Supremo Tribunal Federal), através do artigo 102, fixa a competência da Corte, nos seguintes termos:

“Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I – processar e julgar, originalmente:
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República”.

Quando Tomaz Bastos requereu o desmembramento do processo, fundado nas mesmas razões por que Lewandowski não aceitou a denúncia contra Demóstenes (que não era mais “membro do Congresso Nacional”), o mesmo STF entendeu diferente, por maioria de 9 a 2.

Entenda o leitor leigo que “competência originária criminal” significa dizer que o processo criminal tem início no próprio STF e não em instâncias inferiores (Vara Crime de Justiça Estadual ou Federal), chegando ao Supremo somente em grau de recurso extremo. Esta a razão de a disposição constitucional enumerar explicitamente os casos cabíveis de apreciação “originária” pelo Supremo: Presidente e Vice-Presidente da República, membros do Congresso Nacional (deputados e senadores), os próprios pares e o Procurador-Geral da República.

Não custa lembrar que o ministro Joaquim Barbosa procedeu de forma idêntica a Lewandowski em relação ao escândalo do “mensalão” do PSDB mineiro. Mas bateu boca com Lewandowski, defendendo a unidade de acusação para o escândalo petista.

É que no caso o julgamento do denominado “mensalão” petista o julgamento deixou de ser técnico e assumiu contornos políticos.

Para atender aos reclamos da mídia. E não perder a audiência.

Pesos e medidas da hora
Atribui-se a FHC a expressão de que não existia opinião pública e sim opinião publicada. Referia-se o ex-presidente ao fato de que a “opinião pública” então analisada traduz não a consciência dos fatos, mas a informação na forma que lhe é passada desses mesmos fatos.

Temos vivido essa circunstância no Brasil. Do noticiário sensacionalista que afirma que determinada escola exercita as artes da pedofilia com suas crianças (tudo desmentido posteriormente), levando a “opinião pública” a ações de depredação material e moral do estabelecimento à montagem de matérias e temas pela imprensa quando lhe interessa determinado resultado, casos mais explícitos recentemente como os denunciados contra a revista Veja e suas relações com o Carlinhos Cachoeira.

A euforia do momento é o julgamento do denominado “mensalão petista” (porque o há “tucano”, de Minas Gerais, e “demista”, do Distrito Federal, mais recentes), alardeado como o maior escândalo da República.

No “País de São Saruê” às avessas, onde a dura relação homem e sobrevivência é sublimada pelas cores da “opinião publicada”, está nas manchetes o maior escândalo da história da República, o denominado “mensalão” petista.

Deixemos de lado o “mensalão” mineiro e o homônimo distrital e lembremos apenas alguns fatos da história recente desta República: o impeachment de um Presidente da República, as privatizações da era FHC, a compra de votos (de 200 a 500 mil reais por cabeça) para assegurar a reeleição para FHC...

Bem, leitor, paremos por aqui.

Melhor convivermos com a “opinião publicada” da vez! A maior da história da República.

domingo, 6 de maio de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS Em: 06 de maio de 2012

AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

                                                                              

Um livro bomba

“Memórias de Uma Guerra Suja” (editora Topbooks) traz relatos/memórias do ex-delegado capixaba Antônio Cláudio Guerra aos jornalistas Marcelo Neto e Rogério Medeiros sobre crimes cometidos pela repressão política do regime instaurado a partir do golpe de 1964.
Presos políticos mlivroortos pela tortura tiveram os corpos incinerados em usina de Campos (dentre eles os de David Capistrano e Ana Rosa Kucinsky). Outros enterrados em locais escondidos justamente para permanecerem “desaparecidos”.
Dentre proezas da repressão o próprio ex-delegado confessa (não é ironia) que se disfarçou de padre para tentar assassinar Leonel Brizola utilizando-se de um revólver cubano, logo que retornou do exílio. A estratégia (padre assassino) tinha o objetivo de responsabilizar a Igreja Católica e vincular o “motivo” (arma cubana) a Fidel Castro, que andaria insatisfeito do Brizola.
A operação – que chegou a ser iniciada e não foi consumada porque Brizola não desceu de seu apartamento em Copacabana naquele meio-dia – estava sob o comando do coronel de Exército Freddie Perdigão (do SNI) e comandante Antônio Vieira (do Cenimar), que também viriam a planejar a “bomba” do Rio centro.

Senões

Dúvidas estão sendo levantadas, quando alguns afirmam que o ex-delegado nem mesmo seria conhecido dos relatórios dos defensores de direitos humanos.

No ventilador

Os coronéis Juarez de Deus Gomes da Silva e Brilhante Ulstra, acusados por Guerra de envolvimento na morte do delegado Sérgio Fleury dizem que o processarão. Para eles está “louco” ou “recebendo dinheiro” para afirmar o que afirma.
Parece-nos que pode haver farinha no ventilador. Assim que exumados os corpos dos “desaparecidos” e um exame de DNA comprove sua origem, a credibilidade das “memórias” do ex-delegado não serão tão memórias.

Solução

Que alguns até queiram admitir a validade da espúria Lei de Anistia, como o faz o STF – contrariando os Tratados Internacionais chancelados pelo Brasil – mas não podemos renunciar à possibilidade de conhecer a verdade.
A cada dia mais urge a instalação da Comissão da Verdade.

Regulamentação

Os motoristas de caminhões e ônibus, mais especificamente do “transporte de passageiros e de cargas”, têm a profissão regulamentada em lei (12.619/2012), a vigorar em 45 dias de sua publicação, ocorrida na quarta 2 
Dentre outros aspectos descanso de 30 minutos a cada 4 horas de trabalho.

Como dantes...

codigoO teatro para a aprovação do novo Código Florestal revelou que este país não mudou muito, a não ser nas aparências.
E que “Casa Grande & Senzala” de Gilberto Freyre precisa ser lido para compreendermos por que isso ocorre.

Afinados I

A presidente Dilma Rousseff é interpretada por Pedro do Coutto, articulista do Tribuna da Imprensa on line, na quarta 2, como isolada na atuação de fazer a limpeza aproveitando-se da CPI do Cachoeira, Delta e penduricalhos.
Não interessa à presidenta da República a absolvição a quem quer que seja. Nada disso. Quanto mais rigor houver, na CPI Demóstenes-Cachoeira e Supremo Tribunal Federal, melhor.
Dilma, em ambos os casos, livra-se dos aliados incômodos, dos falsos amigos, os quais sempre terminam levando os que ocupam o poder a situações constrangedoras”. (in Dilma usa Delta e Mensalão para se livrar de falsos aliados).
A análise do articulista parte da circunstância de haver a Presidente mandado “colocar na internet todos os contratos da Delta Construções com o governo federal”, contrariando o que “supunham figuras do próprio PT”.
Como muitos, Coutto vê nas atitudes da Presidente Dilma uma ruptura com Lula. Pensamos de modo inteiramente inverso. Há inteira afinação e troca de conversas e opiniões com o ex-presidente. Essa nossa posição se sustenta em texto já escrito – “Lula retornando”, no http://adylsonmachado.blogspot.com/ de 3 de abril último.

Afinados II

A Presidente não rompe politicamente com ninguém. Aproveita a oportunidade, que Lula não teve, inclusive para enfrentar o sistema econômico que nos domina há décadas. Um modelo agiota, ensaiado em 1964 e consolidado, a partir de 1994, com FHC e mantido com Lula, pelas circunstâncias políticas.
O sistema faturou bilhões durante décadas à custa do emprego e da produção, do consumidor e da indústria, do comércio e dos cofres públicos. E negou oportunidade a qualquer projeto nacionalista.
Se não barrada, a Presidente Dilma deu o primeiro passo para uma arrancada econômica sólida, amparada no pressuposto de que temos tudo para desenvolver um Brasil progressista e forte.

Dilma e os bancos

A arma para sustentar a iniciativa se chama bancos públicos sob controle do governo. A lição está aí: enquanto FHC queria vender o BB e a CEF Dilma deles se utilizou para levar os grandes bancos à queda dos juros.
Eis a diferença.

Impressiona

Em nosso “Rastilhos da Razão Comentada”, de quinta 3, em http://adylsonmachado.blogspot.com/, escrevemos que nos impressiona a coragem da presidente Dilma ao enfrentar o todo poderoso sistema financeiro. Nas entrelinhas jogou a população contra os bancos privados, contrariando a máxima de que “a saudável concorrência”, do “isento mercado”, deve continuar a controlar o sistema que ele criou. Para eles, por que tirar a raposa do galinheiro quando tudo deu sempre certo para a raposa?
E lembramos que na história do presidencialismo o último a enfrentar o sistema financeiro fora Prudente de Morais, quando desafiou os credores externos. No século XIX.
A intervenção do Governo vem ocorrendo desde a assunção de Tombini e de quando este reduziu a influência do sistema bancário privado na fixação da SELIC.

Mensagem subliminar

E excelente o recado para os que querem paralisar o governo ameaçando-o com os desdobramentos da CPI do Cachoeira: “Vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores. E cada vez mais estimular as coisas bem feitas e as pessoas honestas de nosso país”.

Divisor de águas

Não há exagero em afirmar que a Presidente Dilma lançou o seu alae jacta est na mensagem de 1º de maio. Definiu o trabalhador como construtor da nação. No plano da economia a força de trabalho, e não o capital especulativo. Avançou contra os dogmas de mercado. Deu rumos ao seu governo. Estabeleceu a prioridade.
A sorte está lançada. Temos que o trabalhador a entende.

Se mexer...

bessinhaEnquanto a imprensa se mostra preocupada em defender a elite política que a apoia os tentáculos de Cachoeira vão alcançando de forma mais profunda o PSDB. O tucanato vai-se enterrando de cabeça naquela barrica onde o delegado, personagem de Mário Palmério em “Chapadão do Bugre”, arrancava confissões.

Tiro no pé

A arma utilizada era vincular a Delta ao PT e ao PMDB. Aí aparecem contratações bilionárias do governo paulista, desde tempos de Serra. Assim como possíveis ligações com o Paraná de Beto Richa. Alagoas, de Vilela. E não se fale em Goiás, pátria amada e idolatrada e de onde se irradia a pilantragem que está vindo à tona.
A sujeira hoje atribuída com exclusividade ao PT pela grande imprensa (o PiG de PHA) tem um DNA recente no PSDB. Aquele mesmo PSDB do “mensalão” mineiro com Marcos Valério que o PT se utilizou. Tudo começando com Sérgio Motta, o tesoureiro arrecadador.

Escondendo

No noticiário que decorre da CPI do Cachoeira tudo tem sido divulgado, desde que envolva políticos e governos.
De fora, protegida por uma carapaça, não sabemos até quando, a participação da revista Veja.

Escola pública domina premiação

Todos os vencedores, nove, do Concurso de redação Camélia da Liberdade, discorrendo sobre o tema “Luíza Mahin: Uma Rainha Africana no Brasil” são de escolas públicas ou de pré-vestibulares sociais. (da Agência Brasil para o Correio Brasiliense).

GS x Miralva

Geraldo Simões, por mais que evitemos, não deixa o noticiário. Dele teria partido a “recomendação” de abertura de sindicância na Direc-7 para apurar possíveis irregularidades “atribuídas a ex-gestora Miralva Moitinho”.
Aguarde-se chumbo grosso.

Dois lados

Caso venha a se confirmar que GS “recomendou” a instauração de sindicância para apurar irregularidades “atribuídas” a Miralva Moitinho teremos mais uma vez o lado perseguidor de Geraldo. Não o que o norteou no passado, o republicano ou o da transparência.
Dizemos isso porque GS não tem sido tão interessado em ver apurados desmandos, uma vez que assume a defesa de corrupção praticada por seu indicado Aldo Bastos no CCAF.
O detalhe para justificar a dúbia postura reside no fato de que Aldo exerce como poucos a gloriosa função de “amarrador de cadarços” enquanto Miralva reagiu quando alcançada pelos blocos do “eu sozinho” do PTdoG.

O que está por trás

Geraldo Simões quer afastar Miralva da direção do PT local. Como foi ele que defendeu o seu nome para a Executiva tira uma de bonzinho. 

Cheiro

Os manuais de Direito Administrativo têm a sindicância como instrumento para levantar autoria ou indícios de autoria e de materialidade de ilícitos para constituir prova material para procedimento administrativo disciplinar (inquérito) ou judicial. No entanto, o teor da Portaria 4.518/2012, de 04.05.2012, de logo estabelece a autoria e certamente fica a dedução de que busca apenas a materialidade.
A coisa cheira a política. Inteiramente dispensável a expressão “...apurar irregularidades ocorridas na Diretoria Regional de Educação – DIREC-7, atribuídas a ex-diretora Miralva Moitinho Sousa...”. (A não ser enxovalhar a reputação da sindicanda antes mesmo que ocorra a conclusão dos trabalhos).
Redação menos política determinaria a apuração, os possíveis fatos (irregularidades em quê?), órgão e o período a que se limitaria a apuração (ano tal, biênio tal etc.).

Do “L’ état c’ est moi”...

Se tivéssemos que nos preocupar já teríamos enveredado para a autoimolação. O fundamentalismo petista sob o condão de Geraldo Simões e seu PTdoG está levando ao paradoxo da defesa da democracia desde que seja a minha. O pensamento único desenvolvido por GS sob a metalinguagem do possessivo faz com que seus seguidores não admitam a menor crítica ao método, tornado dogma de fé. O que o oráculo GS diz é lei, é definição e definitivo. Insuscetível de questionamento. Coisa de um deus olímpico e seu mantra: eu e o meu.
Até quando levantamos a discussão do risco posto a fomentar a tragédia itabunense com a continuidade dos desmandos e descasos que vão alimentando uma cultura peculiar para a administração local, em todos os níveis institucionais, não atendemos à doutrina dos seguidores do PTdoG.

...à “La verité cett’ est moi”

É que a tragédia não está na derrota de Juçara, caso ocorra, mas na vitória do sistema vigente e sua continuidade. A ruptura deste sistema vem sendo retardada pelas imprecações de Geraldo Simões ao impor a sua vontade individual como vontade fora de uma comunidade. Não admite que outros ou outros meios sejam o caminho da ruptura. Como onipotente decidiu que só ele é o meio. Fora dele não há salvação. Tornou-se uma paródia do “L’état c’est moi”, de Luiz XIV, com a “La verité cett’est moi”, dita pelo napoleônico grapiúna GS.”
E os que enxergamos a tragédia em continuidade, sabendo-a pautada no dogma do PTdoG, ainda que lutemos para reverter o andar da carruagem nos defrontamos com zumbis de GS reproduzindo o mantra de que só ele é a salvação.

A Ceplac d.M.

Assusta-nos o salto que representará para a Ceplac a sua participação na Conferência Mundial do Meio Ambiente Rio + 20, da ONU, em junho, no Rio de Janeiro. A proposta ceplaqueana já repercute em jornais do Sudeste.
As coisas na Ceplac em tempos mais pretéritos muito foram marcadas pela defesa de interesses de grupos. A nova atuação certamente se constituirá numa ruptura. Porque valoriza o seu quadro científico, sem dispensar contribuições de terceiros – desde que atendam ao interesse da sociedade regional, e não os “privilegiados” tradicionais.
É a Ceplac depois de Maynart. Não custa esperar os desdobramentos. Afinal, os interesses podem não ser os mesmos, mas que los hay hay.
Fica a esperança de que a sociedade contribua para que o atual superintendente não se torne Dom Quixote... ou defunto, se voltarmos à práticas de antanho.

Desdobramentos

A tardia solução do Supremo Tribunal Federal para o conflito que envolvia a reserva Paraguaçu-Caramuru, anulando títulos de propriedade concedidos pelo Governo da Bahia em área indígena, pela forma como foi alcançada, despertará desdobramentos.
Em que pese a realidade distinta (não há títulos concedidos em discussão) a forma de luta que fez precipitar a decisão pode desencadear um movimento de invasões em áreas pretendidas pelos tupinambás de Olivença.
Intranquilidade à vista.

Excelente I

Repercutiu a disponibilização neste espaço do sítio http://www.excelencias.org.br/ como instrumento para qualquer cidadão conferir a vida patrimonial e judicial de políticos do Poder Legislativo. A de Geraldo Simões foi o primeiro destaque, natural, pela evidência que representa no universo local.
Mas todo e qualquer político com mandato legislativo tem seus dados disponibilizados.

Excelente II

Também repercutiu o http://www.portaldatransparencia.gov.br/ para os convênios celebrados entre o Governo Federal e entidades sediadas em Itabuna. Desde o Município até instituições outras.

FICC fiasco

Ainda vai render aquela anunciada abertura do antigo Cine Itabuna, que seria o Cine Teatro Jorge Amado. Que ficou só no release quando Azevedo disse nada saber do projeto, tampouco a Prefeitura teria como assumi-lo.
Tem coisa mal contada ou contada pela metade.

Ceren Baran


Encantador o trabalho da turca Ceren Baran, em “Walk Dance”, do servo-croata Miroslav Tadic. Nos veio a lembrança “Blue Rondo A La Turk”, de Dave Brubeck, em muitas frases da execução.
A pesquisa nos levou a saber que Tadic (que tem acento agudo no c) completou sua formação musical nos Estados Unidos. Bebeu Brubeck, com certeza.
Vejamos uma e outra.


Cantinho do ABC da Noite

cabocoObservação alencarina a partir do balcão do ABC da Noite, definindo o cliente rarefeito no ambiente, que acaba de entrar:
– Paletó de maçonaria. Só circula na rua em dia enterro de maçom.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum