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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Perfumaria

Global
Não se negue a capacidade técnica da televisão Globo. Seu padrão é por demais respeitado e tornou-se paradigma para muito do que se faz na telinha brasileira. Seguir-lhe a trilha tornou-se, nesta “terra de São Saruê”, sinal de inteligência de cultura técnico-televisiva. Também não se lhe negue a importação de formatos, em detrimento do desenvolvimento de uma produção autóctone – observada aí no plano de valores tipicamente brasileiros – em muito utilizados desde os primórdios da emissora.

O mal de tenra infância da Globo ocorreu pelo viés de servir ao poder. Nasceu servida pelo Estado para contrapor-se a qualquer outro sistema. Tanto assumiu o compromisso que hoje costuma ser brindada com a nada augusta expressão “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. 

Ultrapassada a fase dos ditos anos de chumbo não se afastou de servir ao poder, como mais dedicação do que Jacó a Labão “pai de Raquel, serrana bela”. No caso da Globo não servia por ela mas ao que através dela pretendia e conseguia. A fortuna dos atuais filhos de Roberto Marinho bem o diz.

Uma ruptura – ou retorno às origens, caso tomemos a vocação atual como aquela que o grupo manifestava antes do golpe civil/militar – retoma a telinha, em dimensão orgástica quando por tema do “J’Acuse” o poder atual. 

A campanha cerrada que vem fazendo ao Governo Federal – naturalmente em sua versão petista – não é criticável por ocorrer, mas por ultrapassar os limites da informação isenta.

Mas, faz parte de sua natureza, adquirida em tempos de chumbo, quando aliada da ditadura militar, à qual ajudou no tempo em que o grupo limitava-se a jornal e rádio, buscando uma estação de TV. Habituou-se a Globo a ser ‘poderosa’, a impor seu ponto de vista, arvorada na capacidade de botar e tirar governantes (clássico caso o de Collor).

Para quem analise as contradições postas em diferentes instantes de noticiário haverá de perceber que a manipulação da informação é flagrante e que nela há objetivo político-eleitoral. 

A utilização do “axioma” ricuperino - através dela vazado em madrugada - o que é ruim deve ser mostrado à exaustão e o que é bom será escondido vai chegando a paroxismos tais – quando os interesses da platinada emergem – como semantizar racionamento no fornecimento de água em São Paulo com rodízio, a mais recente expressão de sua inovação estilística. 

O rodízio é justamente a expressão da materialização do racionamento. Mas não é assim que o Jornal Nacional mostra a realidade.

A edição desta quinta 10 beirou a hilaridade, quando usou como destinatário da panaceia a defesa da incompetência da gestão tucano-paulista no affair reservatório da Cantareira.

A muito bem elaborada edição pautou a ‘maravilha’ de aprender a economizar água, de descobrir vazamentos, de aplaudir a pouca água que chega nas torneiras etc. Uma gente lavando roupa uma vez por semana ‘feliz’ com tudo aquilo. E por aí...

Só faltou aparecer faixa aplaudindo o governador Geraldo Alckmin pelo racionamento – ops!, ‘rodízio’.

E afirmar que a água que sai escassa da torneira é perfumada e milagrosa, razão por que é escassa.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O sistema

Presente
Este 2014 não é um ano qualquer. Muitos estarão voltados para dois eventos que nele se destacarão: a realização da Copa do Mundo (64 anos depois da primeira – bem provavelmente a última no continente sulamericano, como já o sinalizou a própria FIFA) e as eleições presidenciais, que podem alimentar mais quatro anos para o PT e sua gestão de centro-esquerda no Brasil.

A Copa é criatura do Governo do PT, que incomoda com a possibilidade concreta de permanecer no poder. Aí reside o conflito: sucesso para a Copa representa propaganda indireta para o Governo (leia-se, PT). Então, os que lhe fazem oposição ficam contra a Copa, não importa o que traga ela de vantagem para o Brasil. É a luta e o embate político eleitoral que estão em jogo. Em ringue de vale-tudo.

Não nos devemos pautar, no entanto, tão somente nos dois eventos. Mas tomar outros dois a serem lembrados neste mesmo ano e que, de uma forma ou de outra, apresentam lições para o observador em relação aos vários elementos que se interligam e se fazem presentes em todos.

Para que o leitor possa melhor entender o raciocínio, partamos para os dois outros fatos históricos de significação a que nos referimos acima, que devem ser lembrados este ano, especialmente por suas contradições e íntimas relações: a campanha das “Diretas Já”, em 1984 e o golpe de 1964. Separados por exatos 20 anos. 

Um para ser lembrado com alegria, por ter sido o móvel do processo da retomada da Democracia no país, completando trinta anos; outro, para não ser esquecido, já que o esquecimento sobre as razões que o levaram a ocorrer não podem escorrer para o limbo; mesmo porque ainda se fazem presentes, por outros meios, neste mesmo ano eleitoral, ainda que vetusto em suas bodas de ouro.

As eleições deste ano, por exemplo, trazem projetos antagônicos no âmbito de anseios políticos: as forças que enfrentam o poder instituído trabalham da mesma forma como trabalharam as que levaram ao golpe. Em 1964 um governo que buscava implementar reformas ‘de base’ e políticas públicas de caráter nacionalista e distributivista – reformas agrária e educacional, tributação sobre a riqueza etc. – foi destituído pelos ideais conservadores, que alimentaram e beberam não na vontade popular, mas na manipulação da informação e na distorção dos fatos acontecidos, parte deles custeada e promovida pelo reacionarismo, como meio de gerar o caos social, como hoje acontece através de manifestações de classe média alta nos mesmos moldes das ‘marchas’ da família com Deus pela liberdade e pela democracia naquele fatídico ano para a contemporaneidade brasileira.

Alguns movimentos ou mobilizações hoje correntes movem-se no mesmo ideário – se assim podemos chamá-lo – que norteou a atuação de elites em 1964: frustrar políticas que alcançam camadas mais miseráveis da sociedade. Em 1964, ainda em projeto; em 2014, já implantadas e em curso de aperfeiçoamento.

Hoje, como ontem
A presença de veículos de comunicação em um e outro merece consideração especial, porque a atuação permanece. Estiveram ao lado do golpe militar e, caso consigam o que insinuam, não seriam contrários a outro, desde que lhes fosse – e aos que defendem – assegurados o controle e a hegemonia político-administrativa.

Não se diga que contra a Copa do Mundo não está sendo desenvolvida uma campanha solerte, de conteúdo político-eleitoral para gerar factóides a serem utilizados na presidencial. Tal campanha encontra nos meios de comunicação um baluarte especial: a TV Globo.

(A propósito da Globo, a Polícia Federal finalmente instaurou inquérito para apurar o crimes fiscais e financeiros cometidos em 2002 e que hoje representam mais de 1 bilhão de reais de sonegação fiscal).

Não passa por nós apenas insinuar que tanto no golpe militar como na campanha das “Diretas Já” o sistema Globo atuou exemplarmente. Com o golpe ganhou o sistema de televisão, com o qual ignorou a campanha pela aprovação da emenda Dante de Oliveira.

Hoje, em relação à Copa do Mundo – ainda que detenha os direitos de transmissão – faz dela mote para campanha contra o Governo. Tornou-se lugar comum em sua programação jornalística o “imagine na Copa” para anunciar um caos que só ela enxerga.

Não à toa torna-se lugar comum palavras de ordem em manifestações, como “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”.

Difícil será, para a maioria da população, compreender que o sistema – ontem e hoje – continua presente para derrubar o que seja melhor para o povo. 

Objeto, objetivo e meios são os mesmos.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

O que move

Gilmar Mendes
Não se afirme que a decisão de Gilmar Mendes de suspender tramitação de lei em fase de discussão legislativa pode ser tributada à consciência do STF. Fora isso e teríamos alcançado o caos institucional.

Não descuremos que Gilmar Mendes é um ministro famoso e caiu nas graças da opinião pública não por seu conhecimento jurídico mas por ter concedido dois habeas corpus em menos de 48 para soltar o banqueiro Daniel Dantas e permitir a fuga de Roger Abdelmassih, aquele médico condenado a 278 anos de cadeia por haver estuprado 58 mulheres em sua clínica, quando o mesmo Mendes o favoreceu também com um habeas corpus.

Há nas inconsequentes atitudes monocráticas de Gilmar Mendes uma evidente atuação político-partidária, tanto que aplaudido por parlamentares de partidos que hoje temem a eleição de 2014 e buscam, por todos os meios, criar espaços que levem a eleição presidencial pelo menos ao segundo turno.

Se a política move o ministro Gilamr Mendes joga ele as instituições democráticas em terreno pantanoso, visto não ser facultado a membros do Poder Judiciário a atuação em tal seara. A não ser que a ele renunciem.

Ninguém duvide, no entanto, que a atuação do ministro, ao se deixar bajular por políticos, se insere em típica oposição político-partidária extrapartidária.

domingo, 21 de abril de 2013

De Rodapés e De Achados- 21 de Abril de 2013


Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  

Adylson Machado

 

Chegados a uma paranoia

De antemão não temos compromisso com apologias à violência, em qualquer de suas vertentes. O que inclui o uso de armas, coisa permitida à sobeja nos Estados Unidos, mais para proteger a indústria que o cidadão.
Mas aprendemos a enxergar os fatos e como são divulgados quando ocorrem nos EUA ou onde a eles interessa. Controlando a informação fazem da notícia o que querem. Tortura nos demais países, sim; em Guatânamo, não! Buscam a partir de loucuras cometidas em seu território fazer-se vítimas universais quando são os maiores causadores de tragédias planeta a fora.
paranoiaNo imediato do sensacionalismo originado do atentado, ou lá que o seja, em Boston, loucuras outras tendem a ser cometidas. Isso é natural para eles, no papel de Tio Sam e seu big stick, delicado jargão para a diplomacia estadunidense, inclusive para viabilizar alguma intervenção bélica nos moldes do Iraque sob razões inexistentes.
O New York Post identificou um marroquino de 17 anos como possível perpetrador do atentado. Ainda que inocente, Sulahaddin Barhoum está apavorado, como o disse ao Daily Mail (do website do The Guardian). Seu nome está na rede, a partir do New York Post.
De nossa parte registramos preocupação pela segurança de Barhoum, um destes muitos que escolheram a pátria da liberdade para viver e nela podem morrer antes do tempo. Não há exagero. Nem John Lennon escapou da paranoia.

 

Paranoia a serviço dos EUA

De nossa parte, afirmamos acima, aprendemos a enxergar os fatos quando acontecem no ou a serviço dos Estados Unidos. Essa coisa de dois terroristas, como afirmado pela corporativa mídia estadunidense e repercutida pela sabujice da brasileira, um já morto (com tantos tiros que nem a perícia conseguiu ainda definir a quantidade de disparos que o atingiu) e outro que logo morrerá (felicidade dele, para evitar a tortura que sofrerá – se não em território estadunidense, em Guantânamo) nos deixa com a pulga atrás da orelha – obrigado Tormeza.
www.infowars.com desconfia do que está acontecendo, a ponto de haver identificado agentes privados da Craft International na maratona de Boston, fato negado pelas autoridades do FBI. Daí a indagação: O que faziam os mercenários da Craft na Maratona de Boston? Tem muito pano pra manga.
A pressa em localizar e eliminar os “terroristas”, mais que solícita apuração dos fatos, pode ser um álibi para esconder outras coisas. O 11 de setembro que o diga.
Apenas esperamos que nenhum país seja invadido “por abrigar” ou “ter abrigado” os dois “terroristas” mortos.

 

Leituras

leituras
Essa gente estrangeira precisa aprender!. Não é que um correspondente do Le Monde no México, cobrindo o lançamento da “cruzada nacional contra a fome” (o Fome Zero de lá, inspirado na iniciativa de Lula, que lá estava a convite)) chamou o ex-presidente de “ícone da luta contra a pobreza” (icône de la lutte contre la pauvreté).
Se andasse por aqui vivendo nossa linguagem jornalística certamente aprenderia a chamá-lo de bandit. No entanto, ficaria sem entender porque Lula é investigado aqui pela Polícia Federal, para gáudio orgástico da mídia local, e exaltado no exterior.

 

Urnas auditáveis

urna
Transcrevemos aqui texto postado no www.advivo.com.br que pode ser acessado através de “Como funciona o processo eleitoral na Venezuela” no Google, para mais detalhes:
“1. O teste da realidade.
O país passou por 18 eleições nos últimos 14 anos, todas acompanhadas por observadores internacionais e consideradas “limpas”. Em 2012, na eleição de Hugo Chávez, observadores de 30 países acompanharam o processo.
2. A identificação do eleitor.
O eleitor identifica-se aos mesários primeiro por meio de uma carteira de identidade. Depois, há uma conferência eletrônica dessa identificação através da biometria: o eleitor pressiona o polegar direito num aparelho, e suas digitais acionam uma tela onde aparecem os dados do eleitor, que são conferidos com os dados da carteira de identidade.  Se os dados batem, o eleitor é liberado para votar. Detalhe: a própria urna eleitoral é desbloqueada somente pelas impressões digitais do polegar direito do eleitor.
Essas medidas garantem a equivalência um eleitor – um voto.
3. O voto.
O eleitor dirige-se à cabine indevassável e lá encontra uma grande tela plana horizontal, sensível ao toque, com as imagens e os nomes dos candidatos. O toque nessa tela transmite a informação para um aparelho eletrônico, situado ao lado da tela, em cujo monitor ele pode confirmar que o voto dado é realmente o voto que será registrado na urna. Estando tudo certo, ele aperta, nesse aparelho, a tecla Votar. O aparelho, então, imprime o comprovante do voto individual, que pode ser novamente conferido pelo eleitor.
4. O depósito do voto.
O eleitor leva o voto impresso à urna e deposita-o manualmente, garantia extra para a recontagem de votos.
5. A finalização do processo.
O eleitor assina seu nome no caderno de votação e depois recebe a tinta indelével num dedo mindinho, terceira forma de garantia de que não haverá mais que um voto por eleitor.
6. A contagem dos votos numa urna.
Findo o período de votação numa sessão eleitoral, a máquina de votação imprime uma ata contendo informações sobre a seção eleitoral, a mesa, os nomes dos membros da mesa, além do número de votantes e do número de votos de cada candidato.  Esta ata é conferida e assinada pelo presidente da mesa eleitoral, pelos mesários e por um representante de cada uma das forças políticas na disputa. Quem assina (presidente da mesa, mesários e fiscais) também precisa deixar registradas suas impressões digitais.
7. A auditoria.
Ainda nas seções eleitorais, é feita uma auditoria em 54% das urnas convencionais, para certificar-se de que as informações de cada uma das atas respectivas realmente correspondam à verdade dos votos depositados nas urnas. A média mundial é 3%. Se só há uma mesa na seção, ela é auditada. Se há duas, uma é auditada, por sorteio. Se há três, duas são auditadas, por sorteio.
8. A distribuição das atas.
Cada partido recebe uma cópia assinada de cada uma dessas atas – as mesmas que serão usadas para uma possível recontagem pela justiça eleitoral. Os dados de máquina, então, são transmitidos eletronicamente para o CNE (Conselho Nacional Eleitoral).
Na eleição deste ano houve 39.322 atas, correspondentes às 39.322 seções eleitorais.”
Poderá o eleitor tirar suas conclusões e não entender porque raivosos comentaristas brasileiros falam tanto em “fraude” nas eleições venezuelanas.

 

Urnas inauditáveis

Por sua vez, as urnas brasileiras, pelo sistema aqui implantado, estão no patamar da divindade, na força de virtudes teologais: onisciência, onipresença e onipotência dos que a pensaram. Ainda que controladas pelo homem são expressão da divindade na terra brasilis.
O Supremo, sempre ele, ou “Ele”, a pedido da procuradora Sandra Cureau, suspendeu os efeitos de lei sancionada ainda pelo presidente Lula, oriunda de projeto de Brizola Neto, que determinava a impressão do voto já nas eleições de 2014.
Por aqui nenhuma possibilidade há de recontagem de votos, porque a divina conclusão impressa do resultado – ainda que possa ser manipulado e não corresponder à realidade dos votos registrados – é palavra final, peremptória, absoluta e inquestionável.
Nossa urna é insegura e ultrapassada. Nenhum país que adota voto eletrônico usa máquinas como as brasileiras (a não ser o Paraguai, o que explica o sucesso de nosso sistema), justamente porque são inauditáveis e inconferíveis. Sua segurança tem sido questionada e comprovada a possibilidade de violação.
Compare o leitor o processo brasileiro com o venezuelano e conclua qual o mais perfeito. O detalhe do da Venezuela é que não foi elaborado por deuses.

 

Da bizantinice ao lucro

Para economistas que não estão a serviço da especulação financeira a alta da SELIC para conter a inflação, neste instante no Brasil, estaria no âmbito de típica discussão bizantina, a que não encontra saída, resposta, tampouco importância além do confronto em si mesma, daí porque insignificante. (A expressão tem origem em Bizâncio, quando já o Cristianismo reconhecido como religião oficial, decorrendo do fato de que por lá membros destacados do clero se debatiam em longas e inconclusas discussões que versavam sobre temas como o sexo dos anjos).
A inflação, que não está fora do controle, "tem causas estruturais muito mais complexas que aquelas passíveis de correção com a elevação dos juros", afirma-o Delfim Neto, na Sextante (Carta Capital  nº 739). E avançamos: que não podem ser tributadas ao tomate e quejandos. (A propósito, o tomate, na feira livre de Itabuna, tem seu preço em queda há, pelo menos duas semanas, sem qualquer influência de alterações da SELIC).
No entanto, a batalha campal pelo aumento da taxa básica de juros não se arrefece. 
É que, ainda que bizantina em relação aos componentes estruturais da inflação atual - sob controle, repetimos - serve aos senhores da especulação financeira.
É a bizantinice a serviço do lucro. 

 

Fux no “xou”

As relações de amizade entre o ministro Luiz Fux e o advogado Sérgio Bermudes não são recentes. E não poderiam sê-lo. Afinal, uma amizade sólida entre adultos não se faz da noite para o dia.
Remonta há 40 anos, ou pelo menos 26 – observando-se fatos documentados – quando no fevereiro de 1987, em vinte e quatro horas, o então juiz Luiz Fux, da 9ª Vara Cível do Rio de Janeiro, concedeu liminar pedida por Sérgio Bermudes e Ivan Ferreira, em favor de Maria da Graça Meneghel, qualificada como “atriz-manequim”, para sustar a comercialização do VHS “Amor, Estranho Amor”, filme de 1983 dirigido por Walter Hugo Khoury.
As razões do pedido diziam respeito ao fato de que o filme abalava a imagem da “atriz-manequim”, agora “rainha dos baixinhos” na alcunha de Xuxa, que aparecia nua no filme (medíocre como atriz) incluindo a tentativa de sedução sexual de uma criança.
Fux dispensou perícia ou qualquer outra justificativa e concedeu a liminar proibitiva imediatamente, mesmo sem perceber que “Ninguém imaginaria os pais comprando o vídeo de ‘Amor, Estranho Amor’ para mostrar aos filhos o que eles não conheciam de Xuxa”, como observa Jânio de Freitas em “Xou do Fux”, na Folha de São Paulo deste sábado 20.

 

Pagando para ver

De Élio Gáspari, em sua coluna na Folha de São Paulo deste sábado 20:
“FORTES EMOÇÕES
Ao contrário do que foi publicado aqui no domingo passado, é razoável a chance de reversão da sentença que condenou José Dirceu por formação de quadrilha, levando-o a penar em regime fechado.
Basta que o ministro Teori Zavascki, que não estava no tribunal em novembro, vote a favor do recurso. O jogo empata, com Celso de Mello, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Marco Aurélio e Joaquim Barbosa de um lado, e Rosa Weber, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Zavaski, do outro. Zerado o placar, cai a decisão que levaria Dirceu ao presídio de Tremembé.
Indo-se para o campo da fantasia, em seguida pode acontecer o seguinte:
Barbosa fala dois minutos contra a reversão do resultado do julgamento do ano passado, joga a toga sobre a bancada, deixa o Supremo e vai disputar a Presidência da República.
Dias emocionantes virão”.
Tal sessão do STF, se televisada, exige audiência absoluta.

 

A serviço do desserviço

Preocupa-nos a postura de sapiência exposta por apresentadores de televisão, quando enfrentam temas complexos e se põem a emitir opiniões e conceitos em temas que nada entendem. Mostram-se superiores, escolhem a quem criticar e vivem estado de deuses.
No curso desta semana a postura da substituta do apresentador de um programa de audiência na televisão local enveredou por comentar o apoio de sete ex-ministros da Justiça por levarem ao Supremo Tribunal Federal posição em defesa da tese de que usuários de drogas não sejam punidos criminalmente, partindo do princípio de que não se pode punir comportamentos  praticados na intimidade que não “prejudiquem terceiros”.
O documento tem assinaturas de Nelson Jobim, Miguel Reale Júnior, José Carlos Dias, Aloysio Nunes Filho, José Gregori (que atuaram com Fernando Henrique Cardoso), Tarso Genro e Márcio Thomaz Bastos (com Lula).
A ilustrada comentarista desancou logo Tarso Genro (não sabemos se pelo fato de haver sido ministro de Lula ou pelo fato de estar mais em evidência por ser governador do Rio Grande do Sul).
Recomendamos aos editores de programas jornalísticos, ao pautar temas, que o façam fundados em estudos científicos passíveis de avaliações lúcidas pelos apresentadores e não deixá-los à análises emocionais e oportunistas.
Caso contrário só resta ao telespectador clamar pelo titular ou desligar a televisão, caso não queira mudar de canal.

 

Certeza de impunidade

A desfaçatez no trato do dinheiro público vai alcançando foros de deboche para com as autoridades fiscalizadoras, já que o povo – financiador da sociedade – há muito não merece o menor respeito.
Na região, tomamos conhecimento, um município destes de pequeno porte, incluiu num edital de licitação 4.000 carimbos. Como sua população, segundo o IBGE (dados de 2010), não chega aos 20 mil habitantes temos que cada um de seus habitantes – de mamando a caducando – será presenteado com um carimbo quando o Natal chegar.
Ou, quem sabe, a decoração de sua famosa festa junina será à base de carimbos.
Nada a estranhar para quem admitiu vitória a licitante que pedia 200 mil reais para fornecimento de materiais em detrimento de quem oferecia o mesmo material por 120 mil.

 

Causas da não-fiscalização

As câmaras municipais, a quem compete a fiscalização das contas públicas, muitas se envolvem nas tramas, sustentadas na espúria e indecorosa relação de troca de favores, indicando de sua parte “servidores” para preenchimento de cargos no poder executivo.

Lição para compreender

Nossa sugestão músico-semanal traz hoje vertentes além da arquitetura que concilia melodia e letra. É que “Os Meninos da Mangueira” (Rildo Hora-Sérgio Cabral), sucesso das paradas em 1976 – entendemos – deve ser lembrada e permanentemente tocada. Como lição para ser compreendida e difundida. Além de primoroso arranjo, pela simplicidade, onde se destaca a intervenção de instrumentos em diálogo com letra e melodia, amparada em um belo contracanto da flauta, constitui-se um hino em defesa da tradição, tão escassa hoje.
“E onde é que se junta o passado, o futuro e o presente” deveria ser o lema de muitos propósitos culturais de nossa gente, confundidos muitas vezes com assistencialismo social, por falta de compreensão da realidade por quem comanda a seara da Cultura, descobertos tais comandos em muitos casos tão somente sob a égide do que denominamos cultura da certificação e não na essência, no ser-enquanto-ser da realidade.


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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

segunda-feira, 25 de março de 2013

Pensamento externo

E interno
Texto do Banco Mundial, divulgado por Adir Tavares no Luiz Nassif OnLine no www.advivo.com.br (Banco Mundial: o mundo pode aprender com o Brasil) sinaliza para o inimaginável há dez anos: "Desde el 2003, el país sacó 20 milones de personas de la probreza, y con el programa Brasil Sem Miséria, pretende erradicarla para el 2015".

E prossegue: "El mundo, y América Latina, parecen mirar más a Brasil, especialmente en temas de economia, sociedad y desarrollo".

Enquanto lá fora os analistas enxergam o Brasil como o "país de referência" e que "el mundo puede aprender mucho de Brasil", essa a terra brasilis na leitura do atual projeto de Estado, o 2014 que se avizinha traz pérolas como a do candidato Aécio Neves, que anseia reencontrar o falido neoliberalismo da era Fernando Henrique Cardoso (por sinal, seu inspirador) como farol de sua campanha.

Aqui é assim: a turma confunde a busca pela alternância do poder com a busca pelo retrógrado.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Algo estranho

No ar
A administração municipal começa a encontrar comentários e críticas ao andamento do processo gestor ainda antes dos toleráveis primeiros cem dias. Ainda que tenha havido pedido expresso de um secretário para que a paciência do munícipe fosse exercida como virtude maior neste instante.

Realmente não cremos que as críticas estejam centradas na ação administrativa propriamente dita. Alguma coisa - ainda que limitada - tem sido feita. Parece-nos que há, isto sim, algo que entrava iniciativas, ausência de comunicação entre órgãos institucionais.

E o que mais desperta a curiosidade: indefinições que decorreriam de uma luta política interna.

O que, quando nada, deixa a sensação de que há algo estranho no ar.


sábado, 2 de março de 2013

Batalha

De Itararé
O articulista Marco Wense, em texto desta semana (publicado na terça 26 no Pimenta) especula em torno da intenção prefeiturável do tenente-coronel Serpa para 2016 e recomenda, paternalmente, que o mesmo busque as hostes do PDT, uma vez que o PCdoB não lhe abriria espaço para a pretensão ao Centro Administrativo Firmino Alves, tampouco o haveria no PSB, no PSDB ou no PMDB.

Na esteira da “pretensão” descola Wense por sugerir, de forma nada subliminar, o afastamento das negociações de Serpa com o PCdoB, que se encontram(vam) em andamento há semanas, naturalmente sob o crivo dos detalhes que um acordo envolvendo os cururus exige.

Com todo o respeito às fontes de Marco Wense a “informação” publicada na terça estaria carente de sustentação, no que diz respeito à intenção de candidatura à prefeitura de Itabuna, como nos informa fonte ligada ao próprio Serpa.

Restando, assim vemos, a tentativa de afastar o tenente-coronel Serpa de consumar uma aliança com o PCdoB. Principalmente, considerando que a matéria foi publicada na terça 26, quando tudo estava consumado, ficou no ar um cheiro de barrigada, para o jargão jornalístico.

Já no sábado 24 à tarde os interessados quase se bicaram durante uma confraternização natalícia; por volta das 18:30 encontraram-se Davidson Magalhães, Wenceslau e Serpa no Tarik Fontes (fato presenciado por outros personagens).

Na segunda-feira 25 reencontraram-se os personagens principais (Davidson, Wenceslau e Serpa) em Salvador com o deputado Daniel Almeida. Martelo batido. Serpa será candidato a deputado estadual pelo PCdoB.

O “PDT do saudoso e inesquecível Leonel Brizola” de Wense perdeu a batalha.
Que não houve – como a de Itararé – porque, ao que parece, somente arquitetada pelo ilustre articulista.