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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O penúltimo debate

Lugar-comum melhorado
Evidente que o formato ofertado pela TV Santa Cruz trouxe ao debate por ela promovido nesta quinta 4 um arejamento ao propósito de esclarecer o telespectador. Deu-se em razão de desenvolver blocos com perguntas diretas entre candidatos alternados com outros de perguntas amparadas em temas sorteados pelo programa.

As cautelas dos principais debatedores em poucos instantes deixou-se superar para confrontos mais incisivos. Neste particular quando Juçara (PT) provoca Vane (PRB) afirmando ter ele protegido colegas em seu relatório sobre irregularidades praticadas na Câmara. Ouviu ataque à administração petista, envolvendo devolução de 1 milhão, pela Câmara, "destinados" a aplicar em creches. Coisas menores, fruto de ausência de melhores proposições para discussão que o instante exigia. Para não dizer-se, que o povo esperava. Ficaram assim, tais instantes, como típicos "buracos negros" no universo do debate.

Zem Costa (PSOL) manteve a sua conduta e somente veio fustigar os demais, em raros momentos, ao passo que Azevedo (DEM) muito pareceu estar caminhando sobre chapa de ferro aquecida quando questionado sobre descasos ou irregularidades em sua administração. Desviava a resposta para "convocar" atitudes mais "amenas" no debate, ou simplesmente utilizava-se da proposição do "eu sou", "eu fiz", "eu vou fazer". O candidato à reeleição deixou claro, nos dois debates, que não domina como deveria os meandros da administração, o que explica muito do que nela tem acontecido.

No geral, sairam-se melhor Vane e Juçara. O mérito daquele residiu em responder mais consistentemente e demonstrar (como também o fez a petista) intenções de mudar o quadro administrativo itabunense.

As eleições no domingo certamente consistirão no último debate. Com participação direta do eleitor, o dono e titular dos destinos de Itabuna para os próximos quatro anos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Debate

Mar calmo
O debate da TV Cabrália não trouxe nenhuma novidade, tampouco gerará a repercussão que dele se esperava, além de sua ocorrência. Em princípio, pelo formato. Que procurou distribuir tempo e oportunidades aos candidatos como se todos tivessem a mesma densidade eleitoral.

De certo modo frustrou os que esperavam maior debate de convicções e ideias. Estas, apenas visíveis e expostas pelo candidato Zé Roberto (PSTU), dentro da tônica que norteia o partido, de fomentar a propaganda de uma mudança revolucionária. Palavra (revolução) que ocupa a propaganda do candidato Eliodório (PCB) sem, contudo, traduzir a força no discurso que expressa. Zen Costa (PSOL) não tem a verve da companheira Heloisa Helena; transita pela oportunidade como um monge falando para um público em meio a um conflito, onde os ânimos exaltados lhe são motivo para testar as convicções filosóficas, demonstrando poder comprovar sua capacidade de meditar emitir e entoar mantras em plena Cinquentenário em dia de passeata e buzinaço.

Juçara (PT) e Vane (PRB) estiveram, quando a oportunidade se deu através do primeiro, praticamente trocando figurinhas tendo por alvo a administração de Azevedo (DEM), que passou o tempo todo ora elogiando a si e à sua administração, ora cutucando os dois que lhe fazem frente.

Nada mais que o já exaustivamente mostrado nos programas eleitorais. Ou seja, propostas e boas intenções.

Não se viu, entre eles, demonstração de conhecimento pleno do que encontram pela frente. Nenhuma discussão sobre a capacidade financeira, a dívida fundada, a Itabuna para daqui a 50 anos.

Considerando que todos, em especial Juçara e Azevedo, esperam contar (Juçara) e contam (Azevedo) com repasses conveniados com o governo federal, ficamos a imaginar que o município, em si mesmo, não tem qualquer participação concreta ou perspectiva em torno da sua arrecadação própria.

Ao largo as questões urbanísticas mais profundas. Assim, como o aproveitamento da vocação grapiúna diante do que lhe está sendo oferecido pelo complexo intermodal. Da mesma forma o Meio Ambiente, que parece somente existir no e pelo rio Cachoeira isolado.

O jogo bruto não ocorreu
O fato da semana, o conflito de gênero lançado como salvação, a luta entre homem e mulher passou ao largo. Limitou-se - dentro dos limites da repercussão cabível, mais alimentada em esparsas paixões e reações individuais - ao espaço da propaganda eleitoral, onde nasceu e morreu.

Afastado de "novidade" o debate transitou pelo lugar comum. No fundo, no fundo, o formato inviabilizou o debate em si.

E tudo trancorreu em mar calmo com pequenas marolas. Onde o espaço para pescaria já se encontra previamente delimitado. Cada pescador sabendo o cardume e tipo de peixe que vai encontrar.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Fez o que pode

Aproveitou
Não se diga que a programa eleitoral de Juçara não soube aproveitar a situação que encontrou. Moldou o barro à imagem que precisava. A arte se encontrou em transformar e materializar ao seu modo e interesse o que existia nas palavras. De tornar vídeo o que era tão somente áudio.

O 25 (DEM), vaca no jogo do bicho, ocupou o lugar do 13 (PT), como poderia ser do 10 (PRB) e por aí vai. O trunfo girava em criar uma situação de antipatia ao adversário, colocando-o no patamar de preconceituoso em relação ao gênero. Em outras palavras, marcá-lo como machista, desrespeitoso contra o sexo fraco.

A força da televisão reside justamente em oferecer o visual, onde as palavras estão mais para acessórios. Não tinha o programa de Juçara imagens de Vane agredindo "companheiras". Trouxe do programa radiofônico as expressões que lhe interessavam do áudio, para torná-lo vídeo, expondo-as em texto declamado e lido lentamente, com a pausa quando necessária.

O marketing trabalhou bem a tentativa. Afinal, a ideia mais recente de machismo e de preconceito contra a mulher está em muito vinculado à violência doméstica, a "homem que bate em mulher". Essa, de maneira objetivamente subliminar, foi a imagem jogada no imaginário de quem assistiu os penúltimos programas eleitorais da majoritária do PT na televisão.

A resposta
O programa de Vane ofertou resposta sem aceitar a provocação. Não partiu para defesa ou contra-ataque. Limitou-se a trazer a resposta perfeita que respondia à provocação: depoimentos femininos exaltando o Vane trabalho, o Vane nome, o Vane modo de agir, o Vane que cuida de pessoas, o Vane que ajuda o próximo e o Vane família.

Simplesmente, não jogou álcool na fogueira.

Aguardemos os limites da exploração e da defesa dentro do debate na TV Cabrália. Onde tem gente para explorar de graça o conflito entre as duas chapas.

O beneficiado
De fora, dando gargalhadas, o Capitão Azevedo.

Justamente quando o governo Wagner começava a vislumbrar vitória em Itabuna. Afinal, Juçara e Vane são filiados e disputam a prefeitura integrando partidos da base de sustentação do Governo Estadual.