Dinastia
Muito mais pesou na derrota de Juçara não as adjetivações que em torno dela plantaram, mas a mácula de ser ela não a liderança que representaria e sim uma "imposição" do marido Geraldo Simões.
Há muito pesa sobre a imagem do PT itabunense a configuração não de partido político mas de "partido de Geraldo", o que significa dizer que quem manda é ele e "tenho dito". Vane seria uma demonstração inequívoca do "comando" de Geraldo. Como não teria espaço para tornar-se candidato pela legenda dela se afastou e encontrou outro ninho e a prefeitura como prêmio pela escolha acertada.
Anuncia-se processo sucessório para o Diretório do PT itabunense. E para mostrar que as coisas continuam no rumo de sempre está anunciada a candidatura de Juçara presidente do PT.
Tudo em família. Na falta de prefeitura o diretório vai servindo.
Se vencer não terá méritos. Foi o marido que a elegeu. Se perder... ah! aí é demais!
No fundo, entenda o petista que vota, quando em jogo uma dinastia ou se concorda ou se pede para sair. É assim que Geraldo gosta.
Para nós o que é difícil de acreditar é que Juçara "suba" tantos degraus. De candidata a prefeita, duas vezes, agora "lute" para chegar a presidente... do PTdoG.
Mostrando postagens com marcador Juçara. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Juçara. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 30 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Elegância
Civilidade democrática
A nota distribuída pela chapa PT-PDT reconhecendo o resultado eleitoral prima pela elegância e civilidade democráticas. Abrangente, ainda que concisa, reconhece a decisão oriunda das urnas como vontade soberana do povo, ao tempo em que agradece aos que comungaram com a coligação e reitera os compromissos e propostas da campanha.
Uma lição de elegância de Juçara Feitosa e Acácia Pinho que engrandece a democracia.
A nota distribuída pela chapa PT-PDT reconhecendo o resultado eleitoral prima pela elegância e civilidade democráticas. Abrangente, ainda que concisa, reconhece a decisão oriunda das urnas como vontade soberana do povo, ao tempo em que agradece aos que comungaram com a coligação e reitera os compromissos e propostas da campanha.
Uma lição de elegância de Juçara Feitosa e Acácia Pinho que engrandece a democracia.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O penúltimo debate
Lugar-comum melhorado
Evidente que o formato ofertado pela TV Santa Cruz trouxe ao debate por ela promovido nesta quinta 4 um arejamento ao propósito de esclarecer o telespectador. Deu-se em razão de desenvolver blocos com perguntas diretas entre candidatos alternados com outros de perguntas amparadas em temas sorteados pelo programa.
As cautelas dos principais debatedores em poucos instantes deixou-se superar para confrontos mais incisivos. Neste particular quando Juçara (PT) provoca Vane (PRB) afirmando ter ele protegido colegas em seu relatório sobre irregularidades praticadas na Câmara. Ouviu ataque à administração petista, envolvendo devolução de 1 milhão, pela Câmara, "destinados" a aplicar em creches. Coisas menores, fruto de ausência de melhores proposições para discussão que o instante exigia. Para não dizer-se, que o povo esperava. Ficaram assim, tais instantes, como típicos "buracos negros" no universo do debate.
Zem Costa (PSOL) manteve a sua conduta e somente veio fustigar os demais, em raros momentos, ao passo que Azevedo (DEM) muito pareceu estar caminhando sobre chapa de ferro aquecida quando questionado sobre descasos ou irregularidades em sua administração. Desviava a resposta para "convocar" atitudes mais "amenas" no debate, ou simplesmente utilizava-se da proposição do "eu sou", "eu fiz", "eu vou fazer". O candidato à reeleição deixou claro, nos dois debates, que não domina como deveria os meandros da administração, o que explica muito do que nela tem acontecido.
No geral, sairam-se melhor Vane e Juçara. O mérito daquele residiu em responder mais consistentemente e demonstrar (como também o fez a petista) intenções de mudar o quadro administrativo itabunense.
As eleições no domingo certamente consistirão no último debate. Com participação direta do eleitor, o dono e titular dos destinos de Itabuna para os próximos quatro anos.
Evidente que o formato ofertado pela TV Santa Cruz trouxe ao debate por ela promovido nesta quinta 4 um arejamento ao propósito de esclarecer o telespectador. Deu-se em razão de desenvolver blocos com perguntas diretas entre candidatos alternados com outros de perguntas amparadas em temas sorteados pelo programa.
As cautelas dos principais debatedores em poucos instantes deixou-se superar para confrontos mais incisivos. Neste particular quando Juçara (PT) provoca Vane (PRB) afirmando ter ele protegido colegas em seu relatório sobre irregularidades praticadas na Câmara. Ouviu ataque à administração petista, envolvendo devolução de 1 milhão, pela Câmara, "destinados" a aplicar em creches. Coisas menores, fruto de ausência de melhores proposições para discussão que o instante exigia. Para não dizer-se, que o povo esperava. Ficaram assim, tais instantes, como típicos "buracos negros" no universo do debate.
Zem Costa (PSOL) manteve a sua conduta e somente veio fustigar os demais, em raros momentos, ao passo que Azevedo (DEM) muito pareceu estar caminhando sobre chapa de ferro aquecida quando questionado sobre descasos ou irregularidades em sua administração. Desviava a resposta para "convocar" atitudes mais "amenas" no debate, ou simplesmente utilizava-se da proposição do "eu sou", "eu fiz", "eu vou fazer". O candidato à reeleição deixou claro, nos dois debates, que não domina como deveria os meandros da administração, o que explica muito do que nela tem acontecido.
No geral, sairam-se melhor Vane e Juçara. O mérito daquele residiu em responder mais consistentemente e demonstrar (como também o fez a petista) intenções de mudar o quadro administrativo itabunense.
As eleições no domingo certamente consistirão no último debate. Com participação direta do eleitor, o dono e titular dos destinos de Itabuna para os próximos quatro anos.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Eleições e jogo do bicho
Barrigada e apelação
Todos sabemos o que representa o jogo do bicho no imaginário da população. A invenção do Barão de Drumond tornou a declarada ilegalidade uma instituição nacional. A contravenção rola solta Brasil a fora, elege representantes e tem um ponto de "negócio" em cada esquina. Alimenta milhões na informalidade. E ainda é reconhecida como exemplo de "credibilidade". Coisas deste país de "Macunaíma" e "São Saruê".
Para os que vivemos nestas plagas, sabemos que Itabuna (e buscamos referência em Eduardo Anunciação, que cita o detalhe sempre que pode) não deixa de ter um representante da "banca" na Câmara Municipal. A não ser em escassas exceções.
Brincar com a representação "zoológica" é tão comum como falar de Flamengo e Vasco, de Bahia e Vitória. O sígno (o jogo do bicho) está no dia a dia interpretado. Fácil fazer referência codificada a partir dos números que traduzem o elenco de aves, mamíferos e répteis que povoam o joguinho nosso de cada dia. E não precisa buscar um Câmara Cascudo para ver debulhada uma explicação que está no imaginário da coletividade.
A referência em programa eleitoral radiofônico, onde a imagem se faz através das palavras e seus significados, pareceu mais fácil a partir de referência facilmente identificável pelo ouvinte: o número de bichos, do popular jogo, vinculados a partidos políticos que se encontram em evidência na corrida eleitoral.
A pretensão visava traduzir a pesquisa divulgada onde Vane (10, "coelho") "ensebou as canelas" tomando a dianteira no alto de seus 38,5%, enquanto Juçara (13, "galo") "não canta mais de jeito nenhum" com seus acachapantes 11,1% e Azevedo (25, "vaca") "foi pro brejo" ao cair para 35,9%.
A expressão "a vaca foi pro brejo" é por demais conhecida e utilizada, alusão à uma coisa que não anda bem das pernas, não tem jeito, está perdida.
Não é que em seu programa de televisão desta segunda a candidata do PT sentiu-se desrespeitada, como "única mulher que disputou a prefeitura", e viu-se porta-voz da "mulher itabunense" agredida.
Em palavras simples e diretas: Juçara assumiu, como figura de cavalaria andante, a voz de todas as mulheres de Itabuna, "atacadas" pelo programa, sentindo-se ela (Juçara) a destinatária da expressão "a vaca foi pro brejo".
Esqueceu-se apenas de conhecer o povo que joga e brinca com o jogo do bicho e as coisas dele decorrentes.
Barrigada das grossas. Para não ficarmos com a ideia de que tudo não passa de apelação. Caso contrário mais uma demonstração de que não conhece o povo e suas idiossincrasias.
Mas, duro mesmo foi se atribuir o significado de vaca. Em instante infeliz, nada grandioso se comparado com a vaquinha que ajuda os que nela apostam seus centavos.
Nela (a vaca do jogo do bicho) pelo menos o povo simples deposita suas esperanças.
Todos sabemos o que representa o jogo do bicho no imaginário da população. A invenção do Barão de Drumond tornou a declarada ilegalidade uma instituição nacional. A contravenção rola solta Brasil a fora, elege representantes e tem um ponto de "negócio" em cada esquina. Alimenta milhões na informalidade. E ainda é reconhecida como exemplo de "credibilidade". Coisas deste país de "Macunaíma" e "São Saruê".
Para os que vivemos nestas plagas, sabemos que Itabuna (e buscamos referência em Eduardo Anunciação, que cita o detalhe sempre que pode) não deixa de ter um representante da "banca" na Câmara Municipal. A não ser em escassas exceções.
Brincar com a representação "zoológica" é tão comum como falar de Flamengo e Vasco, de Bahia e Vitória. O sígno (o jogo do bicho) está no dia a dia interpretado. Fácil fazer referência codificada a partir dos números que traduzem o elenco de aves, mamíferos e répteis que povoam o joguinho nosso de cada dia. E não precisa buscar um Câmara Cascudo para ver debulhada uma explicação que está no imaginário da coletividade.
A referência em programa eleitoral radiofônico, onde a imagem se faz através das palavras e seus significados, pareceu mais fácil a partir de referência facilmente identificável pelo ouvinte: o número de bichos, do popular jogo, vinculados a partidos políticos que se encontram em evidência na corrida eleitoral.
A pretensão visava traduzir a pesquisa divulgada onde Vane (10, "coelho") "ensebou as canelas" tomando a dianteira no alto de seus 38,5%, enquanto Juçara (13, "galo") "não canta mais de jeito nenhum" com seus acachapantes 11,1% e Azevedo (25, "vaca") "foi pro brejo" ao cair para 35,9%.
A expressão "a vaca foi pro brejo" é por demais conhecida e utilizada, alusão à uma coisa que não anda bem das pernas, não tem jeito, está perdida.
Não é que em seu programa de televisão desta segunda a candidata do PT sentiu-se desrespeitada, como "única mulher que disputou a prefeitura", e viu-se porta-voz da "mulher itabunense" agredida.
Em palavras simples e diretas: Juçara assumiu, como figura de cavalaria andante, a voz de todas as mulheres de Itabuna, "atacadas" pelo programa, sentindo-se ela (Juçara) a destinatária da expressão "a vaca foi pro brejo".
Esqueceu-se apenas de conhecer o povo que joga e brinca com o jogo do bicho e as coisas dele decorrentes.
Barrigada das grossas. Para não ficarmos com a ideia de que tudo não passa de apelação. Caso contrário mais uma demonstração de que não conhece o povo e suas idiossincrasias.
Mas, duro mesmo foi se atribuir o significado de vaca. Em instante infeliz, nada grandioso se comparado com a vaquinha que ajuda os que nela apostam seus centavos.
Nela (a vaca do jogo do bicho) pelo menos o povo simples deposita suas esperanças.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Como dantes
O que não mudou
A criticada pesquisa, alardeada como falsa pela campanha de Juçara, pode não conter verdades que interessariam à candidata. Mas contém uma verdade absoluta: a sua situação no processo eleitoral é aflitiva, para não dizer desesperadora.
A alteração no posicionamento de dois candidatos, Vane ultrapassando Azevedo, pode até ser revertida na reta final. Muita coisa pode acontecer.
O que não mudará é a situação de Juçara, que caminha para uma votação desmoralizante, considerando os mais de 40 mil votos que recebeu em 2008.
Tudo que nos chega de informação bate com essa realidade, a mais absoluta nestas eleições: nada mudou e continua como dantes no quartel do PTdoG.
Difícil de explicar
A dificuldade de Azevedo vencer reside justamente em depender do crescimento de Juçara. Que pode acontecer se conseguir fazer migrar votos de Vane para Azevedo. Porque para ela está difícil.
Isto é o que mais intriga nestas eleições: a alta rejeição individual de Juçara, superando a de Azevedo. Que tem contra si o desgaste de uma administração.
Certeza
No afunilamento da campanha, em que pese já um reduzido número de indecisos, há componente que nunca deixou de funcionar em qualquer eleição: o votó útil. Aquele dado ao que tem possibilidade de vencer ou que está na dianteira do processo.
Onde ocorre reeleição há, ainda, aquela parcela do eleitorado que vota para derrotar o prefeito.
Neste quesito Juçara também fica de fora, não capta nenhum descontente. Tende a perder um eleitor aqui e ali que buscará evitar a reeleição.
A criticada pesquisa, alardeada como falsa pela campanha de Juçara, pode não conter verdades que interessariam à candidata. Mas contém uma verdade absoluta: a sua situação no processo eleitoral é aflitiva, para não dizer desesperadora.
A alteração no posicionamento de dois candidatos, Vane ultrapassando Azevedo, pode até ser revertida na reta final. Muita coisa pode acontecer.
O que não mudará é a situação de Juçara, que caminha para uma votação desmoralizante, considerando os mais de 40 mil votos que recebeu em 2008.
Tudo que nos chega de informação bate com essa realidade, a mais absoluta nestas eleições: nada mudou e continua como dantes no quartel do PTdoG.
Difícil de explicar
A dificuldade de Azevedo vencer reside justamente em depender do crescimento de Juçara. Que pode acontecer se conseguir fazer migrar votos de Vane para Azevedo. Porque para ela está difícil.
Isto é o que mais intriga nestas eleições: a alta rejeição individual de Juçara, superando a de Azevedo. Que tem contra si o desgaste de uma administração.
Certeza
No afunilamento da campanha, em que pese já um reduzido número de indecisos, há componente que nunca deixou de funcionar em qualquer eleição: o votó útil. Aquele dado ao que tem possibilidade de vencer ou que está na dianteira do processo.
Onde ocorre reeleição há, ainda, aquela parcela do eleitorado que vota para derrotar o prefeito.
Neste quesito Juçara também fica de fora, não capta nenhum descontente. Tende a perder um eleitor aqui e ali que buscará evitar a reeleição.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Efeito Lula
Reações
A campanha de Pelegrino montou, para seu programa de televisão, imagens de Lula pedindo votos para ele e, em contraponto, ACM Neto dizendo que vai dar uma surra no ex-presidente.
Em Itabuna a campanha televisiva de Juçara mostra Lula, de rosto inteiro, pedindo votos para a petista.
Em Salvador parece estar produzindo resultados. Em Itabuna...
As reações do público não parecem as mesmas, apesar do mesmo ator.
A campanha de Pelegrino montou, para seu programa de televisão, imagens de Lula pedindo votos para ele e, em contraponto, ACM Neto dizendo que vai dar uma surra no ex-presidente.
Em Itabuna a campanha televisiva de Juçara mostra Lula, de rosto inteiro, pedindo votos para a petista.
Em Salvador parece estar produzindo resultados. Em Itabuna...
As reações do público não parecem as mesmas, apesar do mesmo ator.
sábado, 15 de setembro de 2012
Poste difícil
Imagine o leitor a razão
Já foi divulgado em nosso meio que a amizade entre Geraldo Simões e Lula era tão significativa que um filho fora batizado pelo ex-presidente. Não seja negado que em mais de uma oportunidade Lula foi hóspede de Geraldo e Juçara. Também não se negue que o símbolo maior do PT gostaria de apoiar com todos os meios de que disponha a candidatura petista em Itabuna, mormente vinculada a amigos de primeira hora.
Não se afirme compadrio entre ambos, mas a amizade será reconhecida. A primeira prova de quanto tempo isso exista pode ser avaliada a partir da foto histórica de Lula, Geraldo e Cabôco Alencar no ABC da Noite, nos idos de 1989, apesar de consolidada bem antes.
Nestas eleições a chapa feminina foi buscar o único homem que a interessava: justamente o ex-presidente Lula, para fotos e depoimento.
Lula está na Bahia, ajudando companheiros. Sacrifica-se no imediato da convalescença. Ainda que a poucas horas de voo não veio/vem a Itabuna ajudar os velhos amigos ou o "compadre" e a "comadre".
A comadre está precisada. Mas o compadre ilustre não pode vir. Não por falta de convite.
De nossa parte, especulador provinciano, cremos que para não ver repercutido (a televisão o acompanha a todos os lugares) algo inconveniente para a própria imagem do PT em nível nacional.
Talvez se tivesse que apoiar um "poste" fosse mais fácil.
Já foi divulgado em nosso meio que a amizade entre Geraldo Simões e Lula era tão significativa que um filho fora batizado pelo ex-presidente. Não seja negado que em mais de uma oportunidade Lula foi hóspede de Geraldo e Juçara. Também não se negue que o símbolo maior do PT gostaria de apoiar com todos os meios de que disponha a candidatura petista em Itabuna, mormente vinculada a amigos de primeira hora.
Não se afirme compadrio entre ambos, mas a amizade será reconhecida. A primeira prova de quanto tempo isso exista pode ser avaliada a partir da foto histórica de Lula, Geraldo e Cabôco Alencar no ABC da Noite, nos idos de 1989, apesar de consolidada bem antes.
Nestas eleições a chapa feminina foi buscar o único homem que a interessava: justamente o ex-presidente Lula, para fotos e depoimento.
Lula está na Bahia, ajudando companheiros. Sacrifica-se no imediato da convalescença. Ainda que a poucas horas de voo não veio/vem a Itabuna ajudar os velhos amigos ou o "compadre" e a "comadre".
A comadre está precisada. Mas o compadre ilustre não pode vir. Não por falta de convite.
De nossa parte, especulador provinciano, cremos que para não ver repercutido (a televisão o acompanha a todos os lugares) algo inconveniente para a própria imagem do PT em nível nacional.
Talvez se tivesse que apoiar um "poste" fosse mais fácil.
domingo, 8 de julho de 2012
DE RODAPÉS E DE ACHADOS dia 8 de julho
Adylson Machado
Tortura de Estado
Iniciativa do vereador Jamil Murad, do PCdoB, propõe fixação de placa no Cemitério Dom Bosco – o famoso “cemitério de Perus” onde muitas vítimas dos porões da ditadura foram sepultadas em São Paulo – para que nele conste: “Colina dos Mártires – neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos”.
Ali, dentre muitos, foram localizados e identificados os corpos de Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, Alexandre Vanuchi Leme, Flávio Molina e Carlos Danielli. (Mais detalhes em http://www.advivo.com.br/ de 1º de julho).
Sem reduzir a importância da iniciativa, entendemos existir exagero na expressão “mártires”, vinculada em muito à fé e não à ideologia política.
Revisão imperiosa
A nominação de espaços e equipamentos públicos sempre esteve ligada à importância do homenageado no campo da história, da política, da literatura, das artes, da ciência etc. Em síntese, ao efetivo serviço prestado à sociedade que faz presente o homenageado no imaginário da sociedade.
A busca da verdade fará com que futuramente nomes que sustentaram a tortura de Estado sejam retirados de homenagens em logradouros (praças, avenidas e ruas) e equipamentos públicos (escolas, rodovias etc.) porque nada nobre foi a razão que os levou à homenagem.
Mobilização
E mesmo não mais se fala na CPI da Privataria. Como contraofensiva, o alvo natural desta apuração – José Serra e PSDB – pretende a apuração em torno de Protógenes Queiroz.
Mas, enquanto uns não querem, outros não pensam nisso. É o caso registrado abaixo, de um jornal já distribuído a mais de 400 mil leitores, gratuitamente, para que não seja esquecido o caso.
Esperamos que a opinião pública faça o Presidente da Câmara instalar a CPI da Privataria Tucana.
Bola da vez
Marta Suplicy, alvo de chacotas em muitos momentos (o “relaxa e goza” tornou-se uma das marcas) tende a tornar-se a musa para a imprensa quatrocentona nas eleições paulistanas de 2012. O não comparecimento ao evento de lançamento da candidatura de Haddad, assim como não fazê-lo em relação ao início da campanha, já começa a produzir farpas (contra o PT e Lula).
Já escrevera, recentemente, artigo na Folha de São Paulo criticando Lula. Não tarda tornar-se a Heloísa Helena de 2006 e a Marina Silva de 2010.
Se a filial não chega...
Confusões
Muitos interpretam a decisão do TSE liberando os que não tiveram contas de campanha aprovadas como um retrocesso. Os que trabalham com o universo dos tribunais, seja-o de Contas, seja-o Eleitoral, sabe como pesa para um burocrata encastelado atrás de uma escrivaninha uma vírgula. Transformam-na em planeta desconhecido, escândalo, caso de polícia.
Uma prestação de contas de campanha sustenta-se num elementar conta-corrente. A confusão reside em o intérprete confundir aspectos de ordem meramente contábil com improbidade.
Não sabem que os fatos que produzem lesão ao patrimônio público não são alcançados pela decisão do TSE.
A cara com que ficou a solução
O texto abaixo, extraído de um e-mail recebido, retrata o artificialismo presente na solução encontrada pelo Governo Jacques Wagner para “preparar” os alunos do terceiro ano para o vestibular, remunerando a empresa do professor Jorge Portugal.
“Para sustentar este ‘faz de conta’ eu pensei em chegar na sala e dançar o tchá, tchá, tchá. Quem me conhece sabe que danço bem e também dou aula bem; entretanto, para adolescentes o tchá, tchá, tchá os manteria mais em sala do que a Química.
“Infelizmente tive que abortar o meu plano, pois havia 2 policiais (que deveriam estar correndo atrás de bandidos) andando pelos corredores da escola; bem como funcionários da SEC fazendo constantes “visitinhas” às nossas salas. “Neste momento, percebi que seja lá o que eu fosse fazer em sala deveria ser algo parecido com uma aula e que não falasse mal do governo.
“Mediante a todo este constrangimento moral, senti ânsia de vômito e solicitei o meu desligamento desta importante missão de deixar Jaques Wagner e Jorge Portugal bem na fita com a parcela alienada da sociedade. Diga-se de passagem, que este professor baiano nem precisou ir para o Big Brother (à exemplo de Jean William) para ganhar um milhão e meio de reais.
“Este é o relato da minha posse de 100 minutos. Preferi ficar sem salário a ficar sem respeito próprio. Afinal de contas, alguém precisa respeitar o professor; nem que seja ele mesmo!!!”
Ainda que não fosse verdade, como cheira mal essa terceirização da educação, para um punhado de localidades privilegiadas, a cargo da empresa terceirizada do professor Jorge Portugal!
Especulando
Há interpretações de que a intervenção de Jacques Wagner em favor da aliança do PSD itabunense ao PTdoG estaria vinculada a fatos como o enfrentamento ao DEM-PMDB e mesmo a crescimento das intenções de voto de Juçara.
Para nós uma coisa simples: freio de arrumação sobre Otto Alencar, o anunciado artífice da aliança PSD-PRB em Itabuna, até quinta-feira 5, com direito a pose e foto.
Na lente a eleição de 2014 e a possível ruptura do projeto do governador.
Ajuda
Caso o governador pretenda o que até este instante não demonstrou (apoio efetivo ao PTdoG) basta entrar de cabeça na campanha de Juçara.
Ou não entrar.
Balada em duo
Futurâmico João Bosco compôs pensando no duo PRB-PT entoando para o PSD, quando em vez de passos de um bolero pensassem no passe de um tempo: “Sentindo frio em minh’ alma te convidei pra dançar / a tua voz me acalmava, são dois pra lá, dois pra cá / Meu coração traiçoeiro / batia mais que o bongô”
A prudência recomenda nestes instantes muita cautela. Para evitar um crime passional.
“São dois pra lá, dois pra cá”.
Coisas de Sodré
O candidato a prefeito de Itapé Carlos Sodré reuniu a imprensa no Tarik para falar de seus projetos. No Tarik, em Itabuna! Chegamos até a imaginar que Sodré estivesse a fazer campanha para itabunenses eleitores em Itapé. Só isso explicaria descurar de sua própria terra para falar em outro solo sobre projetos àquela destinados.
Mas, certamente falta a Itapé um espaço soteropolitano para a pompa e a circunstância que a liturgia sodreana exige.
Coisas de Sodré.
Começo
O alçapão
Alguns analistas entendem que a candidatura de Juçara correria livre e solta como pluma em brisa suave no plano da rejeição porque a candidata não teria nenhum senão contra si.
O problema de Juçara não está em si mesma, mas em ser apêndice da vontade/imposição de Geraldo Simões. Imaginar que Juçara alçou e promoveu voo próprio é negar uma realidade que afeta a sua imagem; a do marido impondo seu nome. Não fora isso seria unanimidade dentro do PT. E não é.
Batata assando
Já chegou à cúpula da Fundação Cultural/SECULT a utilização para fins político-partidários do Centro de Cultura Adonias Filho, preterindo espetáculos em favor de convenção partidária no dia 30 de junho. A matéria publicada em DE RODAPÉS E DE ACHADOS e no nosso blogue (“Moralidade I” e “II”) repercutiu na Fundação.
A situação de Aldo Bastos cada dia mais agravada. Dizem por lá que se não fosse a defesa que dele faz Geraldo Simões Aldo já teria saído. Há muito. Por lá, internamente, não bastasse o que consideram descaso para com o equipamento, não o engolem desde a comprovação de irregularidades cometidas.
Com um detalhe: os fatos atingem o Governo do Estado.
Bumerangue
Uma denúncia levada à autoridade policial respingou granizo grosso em Aldo Bastos. Os fatos fizeram lembrar da denúncia de corrupção no Centro de Cultura e favorecimento de Aldo à campanha de Juçara em 2008, que a ela oferecia o espaço do equipamento público para café da manhã.
Como todos
Azevedo será criticado pelo anúncio de realização ou de início de obras em período eleitoral. Uma das ações mais profícuas da última gestão de Geraldo Simões foi o asfaltamento de dezenas de quilômetros de ruas em vários bairros e centro da cidade (com material de excelente qualidade) realizado nos últimos meses de sua administração.
Nesse particular, com Azevedo ou Geraldo, antes tarde do que nunca.
Mãos à obra
Postos os nomes na disputa, as estratégias no curso da campanha definirão o vencedor. O que ora se apresenta pode não se manter para uns, pode surpreender para outros.
Visível que a disputa está centrada em três nomes, todos hoje lutando por espaço (leia-se, tempo) na propaganda de rádio e televisão: Azevedo, Juçara e Vane.
O espelho atual reflete uma posição de crescimento cômodo para Vane, uma indefinida situação para Juçara e o aparente tranquilo caminhar para Azevedo.
De concreto o alvo comum para Juçara e Vane: ataque à administração de Azevedo.
Azevedo
Registre-se que Azevedo conta, no momento, tão somente com uma imagem pessoal junto a uma parcela do eleitorado que lhe parece fiel. Algumas realizações, ainda que tardias, podem repercutir no curso da campanha, ainda que configurem oportunismo, como a anunciada inauguração de parte da obra do Lava-Pés, uma ponte ali, pavimentações acolá.
Contra terá a carga adversária sobre os desmandos praticados por pessoas a ele vinculadas, uma administração sofrível, sem falar no desgaste de uma luta jurídica para afirmar a candidatura.
Vane
Apresenta-se como renovação política e crescimento contínuo em pesquisas de intenção de voto. Cremos, pela análise a partir de entrevistas televisivas, que dispõe de boa imagem na tela, que se bem explorada pelos marqueteiros, efetivará a ideia de credibilidade ao que diga. Estabilizar seu crescimento será o grande obstáculo.
Juçara
Carrega o peso do apoio do marido, hoje mais dividindo o PT do que somando. Atribuem-lhe uma imagem de pernosticismo, estigma que lhe foi impingido em 2008. Tem a seu favor a atuação como Secretária de Desenvolvimento Social na última administração de Geraldo Simões. Certamente se utilizará do jargão de ser do mesmo partido do Governador da Bahia e da Presidente da República e um forte apelo ao eleitorado feminino propondo-se a ser a primeira mulher prefeita de Itabuna.
Tem contra, no momento, a desgastada imagem de Jacques Wagner como companhia. O discurso de parceria com Dilma tende a ser neutralizado porque os mesmos programas que afirmará dispor em seu governo já são alcançados por Azevedo, adversário da Presidente.
A dor profunda
Um registro em música da crueldade da escravidão. De servir de tema para Amistad (Spielberg) depois de declamação de Navio Negreiro (Castro Alves). Aqui “Sinhá”, de Chico Buarque e João Bosco, do Chico (Biscoito Fino), de 2011, em descontraída gravação na própria casa de Chico com acompanhamento de Bosco.
Uma letra que acentua o enlouquecer de corpo e mente que apanha e melodia que chora com o lamento. Versos de uma catarse histórica na visão de mundo em jogo de duas pessoas (escravo e cantor/compositor) digna de figurar em estudo sobre Bakhtin e sua tensão dialógica da linguagem.
DE RODAPÉS E DE ACHADOS está também disponível em www.adylsonmachado.blogspot.com
_________________
Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum
Assinar:
Postagens (Atom)