Preocupante
O prefeito eleito de Itabuna, Claudevane Leite, se houve bem na condução da composição de seu secretariado. Trouxe para a sociedade nomes que, antes de tudo, encontraram ressonância justamente por sinalizarem o compromisso com a formação técnica, pedra de toque do futuro prefeito ainda no curso da campanha.
Surge no noticiário a existência de pontos de conflito entre indicados do primeiro escalão, fruto da intervenção de um deles na secretaria alheia.
Não nos debruçamos em nomes, mas na análise dos fatos, uma vez que exigirão de Vane um posicionamento que pode definir e tornar-se marca de sua administração: a autonomia de cada secretário, nos limites da função, a partir de uma manifestação concreta, ainda que não seja pública, pela não-intervenção que reflita atendimento a interesses desta ou daquela sigla partidária em detrimento do conjunto gestor.
Isto porque, se o prefeito pretende bem administrar o "pepino" que vai encontrar não pode gastar tempo com problemas causados por este ou aquele assessor por ele indicado.
Por outro lado, não pode deixar que a administração se torne feudo de pessoas ou grupos, sob pena de ver frustrada sua proposta administrativa, centrada mais na competência do que no apadrinhamento que este ou aquele pretenda inserir.
A expectativa em torno da futura gestão passa pelo compromisso com a Ética e a Moral, virtudes traduzidas na imagem do prefeito eleito e presentes no imaginário da população que o observa.
Todo o cuidado é pouco. E a hora é de definições em favor da futura administração. De mostrar quem é o comandante. Para que não seja atropelado depois.
E para que o sinalizado não se torne preocupação permanente.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
Do Carnaval
Para o povo
O prefeito Claudevane Leite anunciou, diante das dificuldades que tem pela frente a partir de 1º janeiro, que não realizará o Carnaval em 2013. Sua Excelência trouxe a público parte do caos financeiro por que passa a municipalidade.
Sob este aspecto, o financeiro, sobram razões ao futuro prefeito. Gastar com festa cheira a desperdício. Não fora isso, a população está sem festejos carnavalescos não de agora, se o entendermos como tal trazer nomes de alto coturno no plano dos custos.
No entanto, levantamos uma reflexão: há necessidade de alterarmos uma vocação de que festejar Carnaval, São João etc. implica em abrir o erário para encher bolsos de distante origem.
É que as manifestações carnavalescas encontram razão na Cultura e como tal devem ser correspondidas.
Um Carnaval genuinamente itabunense
Em Itabuna, ultrapassada a fase dos bailes carnavalescos promovidos pelos clubes e dos "blocos de sujos e mascarados" nascidos da expontaneidade das gentes todas (no Carnaval todos são iguais perante Momo), a partir do início dos anos 80 iniciou-se a "Lavagem do Beco do Fuxico" (detalhes de sua origem podem ser encontrados em "O ABC do Cabôco", de nossa autoria, editado pela Via Litterarum) que, inegavelmente, ocupa o imaginário da região, tão consolidada está.
Para a "Lavagem do Beco do Fuxico" a participação da municipalidade pode limitar-se à logística, que vai do carro-pipa ao aproveitamento do Carnaval Cultural trabalhado pela própria FICC, sem qualquer exagero financeiro que possa caracterizar desperdício.
Por outro lado, o povo agradecerá. Não somente o folião, mas, principalmente, os vendedores ambulantes que encontram no evento uma forma de gerar renda.
Gerar renda em Itabuna é bem melhor que alimentar a de Ilhéus, destino do dinheiro itabunense quando nada há por aqui.
Ah! tudo isso gera também recursos para os cofres municipais.
No fundo, a "Lavagem do Beco do Fuxico" (uma festa sem brigas) é um Carnaval para o povo itabunense, alimentando uma tradição que precisa ser trabalhada como peça integrante do catálogo turístico grapiúna.
E uma ótima oportunidade de reverter esta história de que fazer festa popular é trazer nomes nacionais que custam os olhos da cara.
O prefeito Claudevane Leite anunciou, diante das dificuldades que tem pela frente a partir de 1º janeiro, que não realizará o Carnaval em 2013. Sua Excelência trouxe a público parte do caos financeiro por que passa a municipalidade.
Sob este aspecto, o financeiro, sobram razões ao futuro prefeito. Gastar com festa cheira a desperdício. Não fora isso, a população está sem festejos carnavalescos não de agora, se o entendermos como tal trazer nomes de alto coturno no plano dos custos.
No entanto, levantamos uma reflexão: há necessidade de alterarmos uma vocação de que festejar Carnaval, São João etc. implica em abrir o erário para encher bolsos de distante origem.
É que as manifestações carnavalescas encontram razão na Cultura e como tal devem ser correspondidas.
Um Carnaval genuinamente itabunense
Em Itabuna, ultrapassada a fase dos bailes carnavalescos promovidos pelos clubes e dos "blocos de sujos e mascarados" nascidos da expontaneidade das gentes todas (no Carnaval todos são iguais perante Momo), a partir do início dos anos 80 iniciou-se a "Lavagem do Beco do Fuxico" (detalhes de sua origem podem ser encontrados em "O ABC do Cabôco", de nossa autoria, editado pela Via Litterarum) que, inegavelmente, ocupa o imaginário da região, tão consolidada está.
Para a "Lavagem do Beco do Fuxico" a participação da municipalidade pode limitar-se à logística, que vai do carro-pipa ao aproveitamento do Carnaval Cultural trabalhado pela própria FICC, sem qualquer exagero financeiro que possa caracterizar desperdício.
Por outro lado, o povo agradecerá. Não somente o folião, mas, principalmente, os vendedores ambulantes que encontram no evento uma forma de gerar renda.
Gerar renda em Itabuna é bem melhor que alimentar a de Ilhéus, destino do dinheiro itabunense quando nada há por aqui.
Ah! tudo isso gera também recursos para os cofres municipais.
No fundo, a "Lavagem do Beco do Fuxico" (uma festa sem brigas) é um Carnaval para o povo itabunense, alimentando uma tradição que precisa ser trabalhada como peça integrante do catálogo turístico grapiúna.
E uma ótima oportunidade de reverter esta história de que fazer festa popular é trazer nomes nacionais que custam os olhos da cara.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Por enquanto
Questão resolvida
O prefeito eleito, Claudevane Leite, tinha sobre suas costas a carga da indicação do secretariado. Não necessariamente a cobrança estava atrelada ao "conhecimento" da equipe, mas à possibilidade de ser visto, e confirmado, que o futuro prefeito sucumbira às votades e determinações dos que o apoiaram, partidos políticos e igrejas evangélicas.
A discussão em cafés, bares, esquinas, pontos vários criava uma expectativa e tornava Vane o olho do furacão. Isso não lhe dava tréguas para mais nada. Nada podia pensar enquanto não resolvesse o imbroglio. Seus passos eram (per)seguidos mais amiudamente. No fundo, depois da eleição o eleito continuava alvo de parte da propaganda adversária durante a campanha.
O anúncio parece ter demonstrado sapiente comportamento na condução da escolha. E, o mais interessante, deixou os observadores no marasmo de descobrir quem é este ou aquele indicado. Retirou-lhes o foco de ouvintes e os transformou em pesquisadores... dos futuros secretários.
De nossa parte vemos com bons olhos as atitudes do futuro prefeito até agora. Demonstra deter o controle da situação e deixa sinais claros que articulação política não é submissão.
Questão resolvida. Pelo menos por enquanto.
O prefeito eleito, Claudevane Leite, tinha sobre suas costas a carga da indicação do secretariado. Não necessariamente a cobrança estava atrelada ao "conhecimento" da equipe, mas à possibilidade de ser visto, e confirmado, que o futuro prefeito sucumbira às votades e determinações dos que o apoiaram, partidos políticos e igrejas evangélicas.
A discussão em cafés, bares, esquinas, pontos vários criava uma expectativa e tornava Vane o olho do furacão. Isso não lhe dava tréguas para mais nada. Nada podia pensar enquanto não resolvesse o imbroglio. Seus passos eram (per)seguidos mais amiudamente. No fundo, depois da eleição o eleito continuava alvo de parte da propaganda adversária durante a campanha.
O anúncio parece ter demonstrado sapiente comportamento na condução da escolha. E, o mais interessante, deixou os observadores no marasmo de descobrir quem é este ou aquele indicado. Retirou-lhes o foco de ouvintes e os transformou em pesquisadores... dos futuros secretários.
De nossa parte vemos com bons olhos as atitudes do futuro prefeito até agora. Demonstra deter o controle da situação e deixa sinais claros que articulação política não é submissão.
Questão resolvida. Pelo menos por enquanto.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Anunciado
Nada definido
A bolha da especulação se esvaiu, na esteira do controle "externo" de quem constituía o secretariado do futuro governo. O prefeito eleito contornou, sapientemente, a ansiedade dos que esperavam ser tutores da indicação. Como limitou crenças e poderes de quem os imaginava ter aos próprios vezos da realidade. Eliminou autoindicados e frustrou comandos de indicação.
No mais simples e imediato linguajar demonstra controle sobre o que pretende. Inibiu a pretensão catártica dos que esperavam solução pela simples indicação, como se os problemas de Itabuna pudessem ser solucionados, num passe de mágica, pura e simplesmente, com nomeação do primeiro escalão. Em outras palavras, o prefeito de Itabuna trouxe à reflexão a sociedade grapiúna para cumprir sua função mais imediata: reconhecer um gestor que comanda. E que, nessa condição, o tenha como o condutor dos destinos desta terra pelos anos que virão.
Na primeira fase eliminou vontades, sonhos, pretensões. Legou à tomada de consciência individual as precipitações. Afinal, nomes havia de "indicados" que já alardeavam a composição de seus subordinados imediatos. Aqueles, se prometeram cargos, terão que explicar sozinhos a impossibilidade de não consumar o domínio que alardeavam ter.
Os perfis que ora cobrem as indicações do secretariado, por si, não definiram a política de governo em sua dimensão "de estado municipal". Sob este particular aspecto Vane limitou-se a anunciar nomes e currículos, alguns - reconheça-se - de notoriedade.
Levantamos o questionamento porque não encontramos no anúncio proferido pessoalmente pelo prefeito eleito as linhas do programa de governo que pretende gestar a partir de 1º de janeiro.
Para este limitado escriba, aprendiz de analista de fatos, fica a certeza de que o prefeito Vane deixou para depois o que poderia anunciar logo. Ou, talvez, sabiamente, definirá sua política de governo quando anunciar segundo e terceiro escalões.
Que venha, então, o anúncio de ditos escalões! Afinal, pelo até agora anunciado, nada definido!
A bolha da especulação se esvaiu, na esteira do controle "externo" de quem constituía o secretariado do futuro governo. O prefeito eleito contornou, sapientemente, a ansiedade dos que esperavam ser tutores da indicação. Como limitou crenças e poderes de quem os imaginava ter aos próprios vezos da realidade. Eliminou autoindicados e frustrou comandos de indicação.
No mais simples e imediato linguajar demonstra controle sobre o que pretende. Inibiu a pretensão catártica dos que esperavam solução pela simples indicação, como se os problemas de Itabuna pudessem ser solucionados, num passe de mágica, pura e simplesmente, com nomeação do primeiro escalão. Em outras palavras, o prefeito de Itabuna trouxe à reflexão a sociedade grapiúna para cumprir sua função mais imediata: reconhecer um gestor que comanda. E que, nessa condição, o tenha como o condutor dos destinos desta terra pelos anos que virão.
Na primeira fase eliminou vontades, sonhos, pretensões. Legou à tomada de consciência individual as precipitações. Afinal, nomes havia de "indicados" que já alardeavam a composição de seus subordinados imediatos. Aqueles, se prometeram cargos, terão que explicar sozinhos a impossibilidade de não consumar o domínio que alardeavam ter.
Os perfis que ora cobrem as indicações do secretariado, por si, não definiram a política de governo em sua dimensão "de estado municipal". Sob este particular aspecto Vane limitou-se a anunciar nomes e currículos, alguns - reconheça-se - de notoriedade.
Levantamos o questionamento porque não encontramos no anúncio proferido pessoalmente pelo prefeito eleito as linhas do programa de governo que pretende gestar a partir de 1º de janeiro.
Para este limitado escriba, aprendiz de analista de fatos, fica a certeza de que o prefeito Vane deixou para depois o que poderia anunciar logo. Ou, talvez, sabiamente, definirá sua política de governo quando anunciar segundo e terceiro escalões.
Que venha, então, o anúncio de ditos escalões! Afinal, pelo até agora anunciado, nada definido!
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Ansiedade
Secretariado
O prefeito eleito de Itabuna demonstrou, à luz do observador externo, grande competência na construção do seu secretariado. Não se diga que esta ponderação diz respeito ao nível da futura composição, porque será oficialmente conhecida somente amanhã. Mas na forma como conduziu o processo e soube afastar as "insinuações" e "buscas" de espaço de alguns pretendentes, muitos previamente se anunciando e outros trilhando o caminho do oferecer-se como solução.
Nossa análise, pelo instante, pode redundar em equívocos. Justamente porque alguma destas "insinuações" e "buscas" pode vir a materializar-se. Mas tal circunstância não exime a proeza do futuro prefeito de ter evitado uma avalanche de informações e contrainformações sobre os futuros assessores, fato ensaiado à sobeja quase no imediato do resultado eleitoral.
Reconheça-se, neste particular, constituir hercúleo esforço, praticamente vitorioso, haver deixado nos limites de seu círculo de decisão aquilo que tendia a se tornar especulação.
Outro aspecto a ser considerado diz respeito à composição propriamente dita do futuro governo. Sinalizou, de forma clara, o prefeito Vane, pretender efetivar uma equipe técnica, sem prejuízo do reconhecimento do universo político que alimentou sua candidatura.
Quando anunciar sua equipe veremos se conseguiu conciliar ambições particulares em conflito com interesses da coletividade.
A ansiedade alimentada pelo prefeito, ao conter as especulações, ou, simplesmente, limitá-las ao plano interno de sua equipe, tende a ser superada amanhã, quando anunciar formalmente a composição do futuro governo.
Caso esta postura possa constituir-se em referência ao perfil do prefeito eleito não deixa de ser um ponto positivo, tradutor de sua capacidade de articulação, controle e determinação, primeiro sinal a demonstrar quem comandará efetivamente o município a partir de 1º de janeiro.
O prefeito eleito de Itabuna demonstrou, à luz do observador externo, grande competência na construção do seu secretariado. Não se diga que esta ponderação diz respeito ao nível da futura composição, porque será oficialmente conhecida somente amanhã. Mas na forma como conduziu o processo e soube afastar as "insinuações" e "buscas" de espaço de alguns pretendentes, muitos previamente se anunciando e outros trilhando o caminho do oferecer-se como solução.
Nossa análise, pelo instante, pode redundar em equívocos. Justamente porque alguma destas "insinuações" e "buscas" pode vir a materializar-se. Mas tal circunstância não exime a proeza do futuro prefeito de ter evitado uma avalanche de informações e contrainformações sobre os futuros assessores, fato ensaiado à sobeja quase no imediato do resultado eleitoral.
Reconheça-se, neste particular, constituir hercúleo esforço, praticamente vitorioso, haver deixado nos limites de seu círculo de decisão aquilo que tendia a se tornar especulação.
Outro aspecto a ser considerado diz respeito à composição propriamente dita do futuro governo. Sinalizou, de forma clara, o prefeito Vane, pretender efetivar uma equipe técnica, sem prejuízo do reconhecimento do universo político que alimentou sua candidatura.
Quando anunciar sua equipe veremos se conseguiu conciliar ambições particulares em conflito com interesses da coletividade.
A ansiedade alimentada pelo prefeito, ao conter as especulações, ou, simplesmente, limitá-las ao plano interno de sua equipe, tende a ser superada amanhã, quando anunciar formalmente a composição do futuro governo.
Caso esta postura possa constituir-se em referência ao perfil do prefeito eleito não deixa de ser um ponto positivo, tradutor de sua capacidade de articulação, controle e determinação, primeiro sinal a demonstrar quem comandará efetivamente o município a partir de 1º de janeiro.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Destaques do DE RODAPÉS E DE ACHADOS
Dos deuses
Descobrimos que o dia 9 de novembro é Dia Mundial da Cerveja. E que a preciosidade já existe há 4 mil anos antes de Cristo lá pela Mesopotâmia. Por ali sumérios registraram em seus textos a existência de “deuses” que vieram de outro planeta, os annunaki de Nibiru.
Certamente os que lhes deixaram a cerveja. Talvez, essa a razão da turma da tulipa chamá-la de coisa dos deuses.
Golpe
Aos 10 de novembro de 1937 Getúlio Vargas inovou a incipiente democracia que se anunciava saída da Constituição de 1934, suspendendo as eleições e lançava o Estado Novo, ditadura declarada que durou longos oito anos. A militar, nascida nos braços dos “democratas” de 1964, castrou o país durante 21 anos.
Revendo a História, ultrapassados 85 anos do Estado Novo e 48 do golpe de 1964, quando alimentamos maioridade pós tais experiências, o mesmo pensamento anseia um outro golpe. Paraguaio que seja. Que por aqui começa pelas “inovações” do STF.
Os dez dias que abalaram o mundo
Este o título da obra do jornalista americano John Reed (também levada ao cinema) para traduzir o evento que marcava o que muitos vieram a denominar de primeiro projeto de socialismo real: a revolução russa de 1917. A Revolução de Outubro, tornada de Novembro na força do calendário Gregoriano.
A falta de Tobias Barreto
Para o jurista alemão Claus Roxin, que aprimorou a teoria do domínio do fato, autor não é só quem executa o crime, mas o que detém o poder de decidir sua realização e planeja para que tal aconteça. No entanto, não basta que haja indícios de que tenha ela ocorrido; precisa ser provada. “Quem tem posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isto deve ser provado”, afirma o jurista.
Não é assim que pensa maioria do STF.
A diferença entre o formulador da teoria (Roxin) e o aplicador (STF) é a ausência de um intermediário do porte de Tobias Barreto. Que não só dominava teorias alemãs, como escrevia em alemão.
Os atuais não sabem ler. Ou o fazem através de péssimos tradutores. Consequentemente... mais se aproximam do Parlamento e da Corte Suprema do Paraguai.
Necrológio político
Nirlando Beirão, na Carta Capital 722, textua o obituário político de Serra em “José Serra (1963-2012)”, tomando como paradigmas a trajetória a partir da posse como presidente da UNE, em 1963 e o resultado eleitoral de 2012. E pontua: “Morre agora para a política nos braços do sulfuroso pastor Silas Malafaia, o porta-voz da homofobia, e com as bênçãos daquela Igreja que reza pela cartilha obscurantista do Papa Ratzinger, aqui tão bem representada pela doçura partidarizada do arcebispo Odilo Scherer e pela facção aeróbica do padre Marcelo Rossi”... “Uma assombração que nada terá a ver com o José Serra que prometeu ser. E que não foi”.
Para políticos regionais refletirem.
Freud, o ministro e o turismo
Enquanto se inspira em Freud para compreender a região cacaueira, o prestígio de Helenilson Chaves fica evidente, pelo menos nas matérias que circularam durante a semana. A partir de encontro com o ministro do Turismo, Gastão Vieira, foi o grapiúna buscar meios de fomentar este nosso “primo pobre”. Como não há informação de quem agendou o encontro ficamos com a premissa de que foi prestígio pessoal.
Coincidência ou não, no instante em que se desenvolve no seio científico da CEPLAC uma revitalização da cultura regional, tornando o cacau sua mola propulsora não mais como “plantation”, e a Mata Atlântica se faz referência à revitalização do theobroma com o sistema cabruca.
Não sabemos se há lugar para Helenilson no governo Vane. Como secretário de turismo.
Congresso
O III Congresso Brasileiro do Cacau, debatendo os “Desafios para a cacauicultura brasileira”, terá início neste domingo, no Centro de Convenções de Ilhéus.
Certamente a CEPLAC terá papel especial nas discussões.
Há em andamento uma retomada do vigor e da autoestima ceplaqueanos, novos trabalhos e pesquisas, confiança no futuro, credibilidade nas ações, certeza de que estão sendo observados.
O desprendimento e o compromisso gestor alimentam a esperança.
Tudo ampliado a partir da Rio + 20.
“Em plena atividade”
Não deixa de ser uma singular “atividade” da Câmara Municipal de Itabuna, em sua fase experimental prestes a findar, a publicação de páginas inteiras de publicidade em jornais locais, onde em algumas estão destacadas as fotos, nomes e cargos dos ilustres edis.
Uma forma, reconheçamos, de não serem esquecidos. O que não deixa de ser uma “atividade” a merecer registro gráfico.
É “O Poder Legislativo em plena atividade”. “Participe... e seja um cidadão atuante”.
Secretariado
Em que pese “anunciado” e “desanunciado” para este primeiro quartel de novembro, o secretariado do Prefeito Vane ainda se encontra em fase de composição.
O jornalista Ederivaldo Benedito, em seu programa “Bom Dia Bahia” no sábado 10, na rádio Nacional, afirmou que o futuro prefeito estaria com dificuldades de fechar o quadro, por não encontrar pessoas com o perfil que deseja. Seja-o pela reduzida “oferta”, seja-o por recusas.
Levando ao pé da letra a informação de Bené, cumpre-nos registrar: como acreditamos na força e no caráter do futuro prefeito de logo descartamos a existência de pressões partidárias ou religiosas. Tampouco a ausência de grandeza em descobrir valores além dos companheiros imediatos.
O que nos preocupa é que não consiga “perfis”.
Geddel I
Geddel Vieira Lima anuncia o projeto “Pé na Estrada”. Conforme traduziu em entrevista ao “Bom Dia Bahia” no sábado, é forma de manter contato com a sociedade baiana, em todos os seus territórios.
Para nós, início de campanha para governador, em 2014.
A candidatura de Geddel ficou fortalecida evidentemente, com a aliança com o DEM.
Tende, sob nosso observar, a trazer muitos que hoje estão com o governo Wagner, na hora de a onça beber água.
Geddel II
Declarações e insinuações aí estão. Fazemos leitura das entrelinhas. Afagos entre ACM Neto e Wagner/Dilma e vice-versa. Geddel por perto.
Dentro de um projeto nacional (ora comandado pelo PT e onde o PMDB é peça capital) Lula já deu sinais evidentes de que não pode o tema ser tratado com radicalismos (a “Carta aos Brasileiros”, de 2002 é o primeiro instante), tampouco fechar-se em copas os que se encontram no poder e se entendiam “razão de existir” do PT (Haddad, em São Paulo é um exemplo, onde “venceu” Marta e quejandos). Desta forma, lideranças novas serão admitidas, justamente porque são “novas” no plano etário e estão a consolidar seus projetos políticos.
Em nível de Bahia o projeto nacional não pode sucumbir à vontade provinciana. Tanto que a disputa que ocorrer no plano interno não deve interferir no nacional.
Gedel, pela tangente
Indagado por nós, durante o programa “Bom Dia Bahia”, sobre a evidência de ser ele Gedel Vieira Lima uma importante peça na construção deste projeto nacional, em nível baiano, cuidando de arregimentar lideranças emergentes como ACM Neto e José Ronaldo para as hostes peemedebistas (e consequentemente para a base do Governo Federal) o ex-ministro de Lula e atual vice-presidente de uma das diretorias da Caixa Econômica Federal, nem disse que sim e mais que não.
Registraremos nossa análise, confirmando-a, quando ACM Neto se filiar ao PMDB.
Questão de tempo!
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Da transição à definição
Especulação
Por demais natural a espectativa em torno de Vane. Não fora a própria eleição algumas incógnitas passam a integrar a próxima equação: composição do secretariado.
Tem dito e repetido o prefeito eleito que se valerá de técnicos para constituir seu governo. Não estejam alijados aí os companheiros de primeira hora, de confidência e dificuldades, os que acreditaram no projeto e estiveram com o eleito em todos os instantes.
No âmbito da especulação circulam fatos e fofocas. Dentre as fofocas que o prefeito estará submetido ao PCdoB - a quem destinaria secretarias de grande densidade - e aos grupos religiosos que têm afinidade com suas convicções.
A especulação em torno dos fatos aflora com a composição da equipe de transição. É o periscópio imediato, na vastidão do oceano de adivinhar o que sucederá a partir de 1º de janeiro.
A equipe de transição é o primeiro teste do quanto de técnicos se cercará o novo prefeito de Itabuna.
Especulando que seja, da transição pode se estar chegando à definição.
Por demais natural a espectativa em torno de Vane. Não fora a própria eleição algumas incógnitas passam a integrar a próxima equação: composição do secretariado.
Tem dito e repetido o prefeito eleito que se valerá de técnicos para constituir seu governo. Não estejam alijados aí os companheiros de primeira hora, de confidência e dificuldades, os que acreditaram no projeto e estiveram com o eleito em todos os instantes.
No âmbito da especulação circulam fatos e fofocas. Dentre as fofocas que o prefeito estará submetido ao PCdoB - a quem destinaria secretarias de grande densidade - e aos grupos religiosos que têm afinidade com suas convicções.
A especulação em torno dos fatos aflora com a composição da equipe de transição. É o periscópio imediato, na vastidão do oceano de adivinhar o que sucederá a partir de 1º de janeiro.
A equipe de transição é o primeiro teste do quanto de técnicos se cercará o novo prefeito de Itabuna.
Especulando que seja, da transição pode se estar chegando à definição.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O penúltimo debate
Lugar-comum melhorado
Evidente que o formato ofertado pela TV Santa Cruz trouxe ao debate por ela promovido nesta quinta 4 um arejamento ao propósito de esclarecer o telespectador. Deu-se em razão de desenvolver blocos com perguntas diretas entre candidatos alternados com outros de perguntas amparadas em temas sorteados pelo programa.
As cautelas dos principais debatedores em poucos instantes deixou-se superar para confrontos mais incisivos. Neste particular quando Juçara (PT) provoca Vane (PRB) afirmando ter ele protegido colegas em seu relatório sobre irregularidades praticadas na Câmara. Ouviu ataque à administração petista, envolvendo devolução de 1 milhão, pela Câmara, "destinados" a aplicar em creches. Coisas menores, fruto de ausência de melhores proposições para discussão que o instante exigia. Para não dizer-se, que o povo esperava. Ficaram assim, tais instantes, como típicos "buracos negros" no universo do debate.
Zem Costa (PSOL) manteve a sua conduta e somente veio fustigar os demais, em raros momentos, ao passo que Azevedo (DEM) muito pareceu estar caminhando sobre chapa de ferro aquecida quando questionado sobre descasos ou irregularidades em sua administração. Desviava a resposta para "convocar" atitudes mais "amenas" no debate, ou simplesmente utilizava-se da proposição do "eu sou", "eu fiz", "eu vou fazer". O candidato à reeleição deixou claro, nos dois debates, que não domina como deveria os meandros da administração, o que explica muito do que nela tem acontecido.
No geral, sairam-se melhor Vane e Juçara. O mérito daquele residiu em responder mais consistentemente e demonstrar (como também o fez a petista) intenções de mudar o quadro administrativo itabunense.
As eleições no domingo certamente consistirão no último debate. Com participação direta do eleitor, o dono e titular dos destinos de Itabuna para os próximos quatro anos.
Evidente que o formato ofertado pela TV Santa Cruz trouxe ao debate por ela promovido nesta quinta 4 um arejamento ao propósito de esclarecer o telespectador. Deu-se em razão de desenvolver blocos com perguntas diretas entre candidatos alternados com outros de perguntas amparadas em temas sorteados pelo programa.
As cautelas dos principais debatedores em poucos instantes deixou-se superar para confrontos mais incisivos. Neste particular quando Juçara (PT) provoca Vane (PRB) afirmando ter ele protegido colegas em seu relatório sobre irregularidades praticadas na Câmara. Ouviu ataque à administração petista, envolvendo devolução de 1 milhão, pela Câmara, "destinados" a aplicar em creches. Coisas menores, fruto de ausência de melhores proposições para discussão que o instante exigia. Para não dizer-se, que o povo esperava. Ficaram assim, tais instantes, como típicos "buracos negros" no universo do debate.
Zem Costa (PSOL) manteve a sua conduta e somente veio fustigar os demais, em raros momentos, ao passo que Azevedo (DEM) muito pareceu estar caminhando sobre chapa de ferro aquecida quando questionado sobre descasos ou irregularidades em sua administração. Desviava a resposta para "convocar" atitudes mais "amenas" no debate, ou simplesmente utilizava-se da proposição do "eu sou", "eu fiz", "eu vou fazer". O candidato à reeleição deixou claro, nos dois debates, que não domina como deveria os meandros da administração, o que explica muito do que nela tem acontecido.
No geral, sairam-se melhor Vane e Juçara. O mérito daquele residiu em responder mais consistentemente e demonstrar (como também o fez a petista) intenções de mudar o quadro administrativo itabunense.
As eleições no domingo certamente consistirão no último debate. Com participação direta do eleitor, o dono e titular dos destinos de Itabuna para os próximos quatro anos.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Fez o que pode
Aproveitou
Não se diga que a programa eleitoral de Juçara não soube aproveitar a situação que encontrou. Moldou o barro à imagem que precisava. A arte se encontrou em transformar e materializar ao seu modo e interesse o que existia nas palavras. De tornar vídeo o que era tão somente áudio.
O 25 (DEM), vaca no jogo do bicho, ocupou o lugar do 13 (PT), como poderia ser do 10 (PRB) e por aí vai. O trunfo girava em criar uma situação de antipatia ao adversário, colocando-o no patamar de preconceituoso em relação ao gênero. Em outras palavras, marcá-lo como machista, desrespeitoso contra o sexo fraco.
A força da televisão reside justamente em oferecer o visual, onde as palavras estão mais para acessórios. Não tinha o programa de Juçara imagens de Vane agredindo "companheiras". Trouxe do programa radiofônico as expressões que lhe interessavam do áudio, para torná-lo vídeo, expondo-as em texto declamado e lido lentamente, com a pausa quando necessária.
O marketing trabalhou bem a tentativa. Afinal, a ideia mais recente de machismo e de preconceito contra a mulher está em muito vinculado à violência doméstica, a "homem que bate em mulher". Essa, de maneira objetivamente subliminar, foi a imagem jogada no imaginário de quem assistiu os penúltimos programas eleitorais da majoritária do PT na televisão.
A resposta
O programa de Vane ofertou resposta sem aceitar a provocação. Não partiu para defesa ou contra-ataque. Limitou-se a trazer a resposta perfeita que respondia à provocação: depoimentos femininos exaltando o Vane trabalho, o Vane nome, o Vane modo de agir, o Vane que cuida de pessoas, o Vane que ajuda o próximo e o Vane família.
Simplesmente, não jogou álcool na fogueira.
Aguardemos os limites da exploração e da defesa dentro do debate na TV Cabrália. Onde tem gente para explorar de graça o conflito entre as duas chapas.
O beneficiado
De fora, dando gargalhadas, o Capitão Azevedo.
Justamente quando o governo Wagner começava a vislumbrar vitória em Itabuna. Afinal, Juçara e Vane são filiados e disputam a prefeitura integrando partidos da base de sustentação do Governo Estadual.
Não se diga que a programa eleitoral de Juçara não soube aproveitar a situação que encontrou. Moldou o barro à imagem que precisava. A arte se encontrou em transformar e materializar ao seu modo e interesse o que existia nas palavras. De tornar vídeo o que era tão somente áudio.
O 25 (DEM), vaca no jogo do bicho, ocupou o lugar do 13 (PT), como poderia ser do 10 (PRB) e por aí vai. O trunfo girava em criar uma situação de antipatia ao adversário, colocando-o no patamar de preconceituoso em relação ao gênero. Em outras palavras, marcá-lo como machista, desrespeitoso contra o sexo fraco.
A força da televisão reside justamente em oferecer o visual, onde as palavras estão mais para acessórios. Não tinha o programa de Juçara imagens de Vane agredindo "companheiras". Trouxe do programa radiofônico as expressões que lhe interessavam do áudio, para torná-lo vídeo, expondo-as em texto declamado e lido lentamente, com a pausa quando necessária.
O marketing trabalhou bem a tentativa. Afinal, a ideia mais recente de machismo e de preconceito contra a mulher está em muito vinculado à violência doméstica, a "homem que bate em mulher". Essa, de maneira objetivamente subliminar, foi a imagem jogada no imaginário de quem assistiu os penúltimos programas eleitorais da majoritária do PT na televisão.
A resposta
O programa de Vane ofertou resposta sem aceitar a provocação. Não partiu para defesa ou contra-ataque. Limitou-se a trazer a resposta perfeita que respondia à provocação: depoimentos femininos exaltando o Vane trabalho, o Vane nome, o Vane modo de agir, o Vane que cuida de pessoas, o Vane que ajuda o próximo e o Vane família.
Simplesmente, não jogou álcool na fogueira.
Aguardemos os limites da exploração e da defesa dentro do debate na TV Cabrália. Onde tem gente para explorar de graça o conflito entre as duas chapas.
O beneficiado
De fora, dando gargalhadas, o Capitão Azevedo.
Justamente quando o governo Wagner começava a vislumbrar vitória em Itabuna. Afinal, Juçara e Vane são filiados e disputam a prefeitura integrando partidos da base de sustentação do Governo Estadual.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Eleições e jogo do bicho
Barrigada e apelação
Todos sabemos o que representa o jogo do bicho no imaginário da população. A invenção do Barão de Drumond tornou a declarada ilegalidade uma instituição nacional. A contravenção rola solta Brasil a fora, elege representantes e tem um ponto de "negócio" em cada esquina. Alimenta milhões na informalidade. E ainda é reconhecida como exemplo de "credibilidade". Coisas deste país de "Macunaíma" e "São Saruê".
Para os que vivemos nestas plagas, sabemos que Itabuna (e buscamos referência em Eduardo Anunciação, que cita o detalhe sempre que pode) não deixa de ter um representante da "banca" na Câmara Municipal. A não ser em escassas exceções.
Brincar com a representação "zoológica" é tão comum como falar de Flamengo e Vasco, de Bahia e Vitória. O sígno (o jogo do bicho) está no dia a dia interpretado. Fácil fazer referência codificada a partir dos números que traduzem o elenco de aves, mamíferos e répteis que povoam o joguinho nosso de cada dia. E não precisa buscar um Câmara Cascudo para ver debulhada uma explicação que está no imaginário da coletividade.
A referência em programa eleitoral radiofônico, onde a imagem se faz através das palavras e seus significados, pareceu mais fácil a partir de referência facilmente identificável pelo ouvinte: o número de bichos, do popular jogo, vinculados a partidos políticos que se encontram em evidência na corrida eleitoral.
A pretensão visava traduzir a pesquisa divulgada onde Vane (10, "coelho") "ensebou as canelas" tomando a dianteira no alto de seus 38,5%, enquanto Juçara (13, "galo") "não canta mais de jeito nenhum" com seus acachapantes 11,1% e Azevedo (25, "vaca") "foi pro brejo" ao cair para 35,9%.
A expressão "a vaca foi pro brejo" é por demais conhecida e utilizada, alusão à uma coisa que não anda bem das pernas, não tem jeito, está perdida.
Não é que em seu programa de televisão desta segunda a candidata do PT sentiu-se desrespeitada, como "única mulher que disputou a prefeitura", e viu-se porta-voz da "mulher itabunense" agredida.
Em palavras simples e diretas: Juçara assumiu, como figura de cavalaria andante, a voz de todas as mulheres de Itabuna, "atacadas" pelo programa, sentindo-se ela (Juçara) a destinatária da expressão "a vaca foi pro brejo".
Esqueceu-se apenas de conhecer o povo que joga e brinca com o jogo do bicho e as coisas dele decorrentes.
Barrigada das grossas. Para não ficarmos com a ideia de que tudo não passa de apelação. Caso contrário mais uma demonstração de que não conhece o povo e suas idiossincrasias.
Mas, duro mesmo foi se atribuir o significado de vaca. Em instante infeliz, nada grandioso se comparado com a vaquinha que ajuda os que nela apostam seus centavos.
Nela (a vaca do jogo do bicho) pelo menos o povo simples deposita suas esperanças.
Todos sabemos o que representa o jogo do bicho no imaginário da população. A invenção do Barão de Drumond tornou a declarada ilegalidade uma instituição nacional. A contravenção rola solta Brasil a fora, elege representantes e tem um ponto de "negócio" em cada esquina. Alimenta milhões na informalidade. E ainda é reconhecida como exemplo de "credibilidade". Coisas deste país de "Macunaíma" e "São Saruê".
Para os que vivemos nestas plagas, sabemos que Itabuna (e buscamos referência em Eduardo Anunciação, que cita o detalhe sempre que pode) não deixa de ter um representante da "banca" na Câmara Municipal. A não ser em escassas exceções.
Brincar com a representação "zoológica" é tão comum como falar de Flamengo e Vasco, de Bahia e Vitória. O sígno (o jogo do bicho) está no dia a dia interpretado. Fácil fazer referência codificada a partir dos números que traduzem o elenco de aves, mamíferos e répteis que povoam o joguinho nosso de cada dia. E não precisa buscar um Câmara Cascudo para ver debulhada uma explicação que está no imaginário da coletividade.
A referência em programa eleitoral radiofônico, onde a imagem se faz através das palavras e seus significados, pareceu mais fácil a partir de referência facilmente identificável pelo ouvinte: o número de bichos, do popular jogo, vinculados a partidos políticos que se encontram em evidência na corrida eleitoral.
A pretensão visava traduzir a pesquisa divulgada onde Vane (10, "coelho") "ensebou as canelas" tomando a dianteira no alto de seus 38,5%, enquanto Juçara (13, "galo") "não canta mais de jeito nenhum" com seus acachapantes 11,1% e Azevedo (25, "vaca") "foi pro brejo" ao cair para 35,9%.
A expressão "a vaca foi pro brejo" é por demais conhecida e utilizada, alusão à uma coisa que não anda bem das pernas, não tem jeito, está perdida.
Não é que em seu programa de televisão desta segunda a candidata do PT sentiu-se desrespeitada, como "única mulher que disputou a prefeitura", e viu-se porta-voz da "mulher itabunense" agredida.
Em palavras simples e diretas: Juçara assumiu, como figura de cavalaria andante, a voz de todas as mulheres de Itabuna, "atacadas" pelo programa, sentindo-se ela (Juçara) a destinatária da expressão "a vaca foi pro brejo".
Esqueceu-se apenas de conhecer o povo que joga e brinca com o jogo do bicho e as coisas dele decorrentes.
Barrigada das grossas. Para não ficarmos com a ideia de que tudo não passa de apelação. Caso contrário mais uma demonstração de que não conhece o povo e suas idiossincrasias.
Mas, duro mesmo foi se atribuir o significado de vaca. Em instante infeliz, nada grandioso se comparado com a vaquinha que ajuda os que nela apostam seus centavos.
Nela (a vaca do jogo do bicho) pelo menos o povo simples deposita suas esperanças.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Como dantes
O que não mudou
A criticada pesquisa, alardeada como falsa pela campanha de Juçara, pode não conter verdades que interessariam à candidata. Mas contém uma verdade absoluta: a sua situação no processo eleitoral é aflitiva, para não dizer desesperadora.
A alteração no posicionamento de dois candidatos, Vane ultrapassando Azevedo, pode até ser revertida na reta final. Muita coisa pode acontecer.
O que não mudará é a situação de Juçara, que caminha para uma votação desmoralizante, considerando os mais de 40 mil votos que recebeu em 2008.
Tudo que nos chega de informação bate com essa realidade, a mais absoluta nestas eleições: nada mudou e continua como dantes no quartel do PTdoG.
Difícil de explicar
A dificuldade de Azevedo vencer reside justamente em depender do crescimento de Juçara. Que pode acontecer se conseguir fazer migrar votos de Vane para Azevedo. Porque para ela está difícil.
Isto é o que mais intriga nestas eleições: a alta rejeição individual de Juçara, superando a de Azevedo. Que tem contra si o desgaste de uma administração.
Certeza
No afunilamento da campanha, em que pese já um reduzido número de indecisos, há componente que nunca deixou de funcionar em qualquer eleição: o votó útil. Aquele dado ao que tem possibilidade de vencer ou que está na dianteira do processo.
Onde ocorre reeleição há, ainda, aquela parcela do eleitorado que vota para derrotar o prefeito.
Neste quesito Juçara também fica de fora, não capta nenhum descontente. Tende a perder um eleitor aqui e ali que buscará evitar a reeleição.
A criticada pesquisa, alardeada como falsa pela campanha de Juçara, pode não conter verdades que interessariam à candidata. Mas contém uma verdade absoluta: a sua situação no processo eleitoral é aflitiva, para não dizer desesperadora.
A alteração no posicionamento de dois candidatos, Vane ultrapassando Azevedo, pode até ser revertida na reta final. Muita coisa pode acontecer.
O que não mudará é a situação de Juçara, que caminha para uma votação desmoralizante, considerando os mais de 40 mil votos que recebeu em 2008.
Tudo que nos chega de informação bate com essa realidade, a mais absoluta nestas eleições: nada mudou e continua como dantes no quartel do PTdoG.
Difícil de explicar
A dificuldade de Azevedo vencer reside justamente em depender do crescimento de Juçara. Que pode acontecer se conseguir fazer migrar votos de Vane para Azevedo. Porque para ela está difícil.
Isto é o que mais intriga nestas eleições: a alta rejeição individual de Juçara, superando a de Azevedo. Que tem contra si o desgaste de uma administração.
Certeza
No afunilamento da campanha, em que pese já um reduzido número de indecisos, há componente que nunca deixou de funcionar em qualquer eleição: o votó útil. Aquele dado ao que tem possibilidade de vencer ou que está na dianteira do processo.
Onde ocorre reeleição há, ainda, aquela parcela do eleitorado que vota para derrotar o prefeito.
Neste quesito Juçara também fica de fora, não capta nenhum descontente. Tende a perder um eleitor aqui e ali que buscará evitar a reeleição.
domingo, 8 de julho de 2012
DE RODAPÉS E DE ACHADOS dia 8 de julho
Adylson Machado
Tortura de Estado
Iniciativa do vereador Jamil Murad, do PCdoB, propõe fixação de placa no Cemitério Dom Bosco – o famoso “cemitério de Perus” onde muitas vítimas dos porões da ditadura foram sepultadas em São Paulo – para que nele conste: “Colina dos Mártires – neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos”.
Ali, dentre muitos, foram localizados e identificados os corpos de Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, Alexandre Vanuchi Leme, Flávio Molina e Carlos Danielli. (Mais detalhes em http://www.advivo.com.br/ de 1º de julho).
Sem reduzir a importância da iniciativa, entendemos existir exagero na expressão “mártires”, vinculada em muito à fé e não à ideologia política.
Revisão imperiosa
A nominação de espaços e equipamentos públicos sempre esteve ligada à importância do homenageado no campo da história, da política, da literatura, das artes, da ciência etc. Em síntese, ao efetivo serviço prestado à sociedade que faz presente o homenageado no imaginário da sociedade.
A busca da verdade fará com que futuramente nomes que sustentaram a tortura de Estado sejam retirados de homenagens em logradouros (praças, avenidas e ruas) e equipamentos públicos (escolas, rodovias etc.) porque nada nobre foi a razão que os levou à homenagem.
Mobilização
E mesmo não mais se fala na CPI da Privataria. Como contraofensiva, o alvo natural desta apuração – José Serra e PSDB – pretende a apuração em torno de Protógenes Queiroz.
Mas, enquanto uns não querem, outros não pensam nisso. É o caso registrado abaixo, de um jornal já distribuído a mais de 400 mil leitores, gratuitamente, para que não seja esquecido o caso.
Esperamos que a opinião pública faça o Presidente da Câmara instalar a CPI da Privataria Tucana.
Bola da vez
Marta Suplicy, alvo de chacotas em muitos momentos (o “relaxa e goza” tornou-se uma das marcas) tende a tornar-se a musa para a imprensa quatrocentona nas eleições paulistanas de 2012. O não comparecimento ao evento de lançamento da candidatura de Haddad, assim como não fazê-lo em relação ao início da campanha, já começa a produzir farpas (contra o PT e Lula).
Já escrevera, recentemente, artigo na Folha de São Paulo criticando Lula. Não tarda tornar-se a Heloísa Helena de 2006 e a Marina Silva de 2010.
Se a filial não chega...
Confusões
Muitos interpretam a decisão do TSE liberando os que não tiveram contas de campanha aprovadas como um retrocesso. Os que trabalham com o universo dos tribunais, seja-o de Contas, seja-o Eleitoral, sabe como pesa para um burocrata encastelado atrás de uma escrivaninha uma vírgula. Transformam-na em planeta desconhecido, escândalo, caso de polícia.
Uma prestação de contas de campanha sustenta-se num elementar conta-corrente. A confusão reside em o intérprete confundir aspectos de ordem meramente contábil com improbidade.
Não sabem que os fatos que produzem lesão ao patrimônio público não são alcançados pela decisão do TSE.
A cara com que ficou a solução
O texto abaixo, extraído de um e-mail recebido, retrata o artificialismo presente na solução encontrada pelo Governo Jacques Wagner para “preparar” os alunos do terceiro ano para o vestibular, remunerando a empresa do professor Jorge Portugal.
“Para sustentar este ‘faz de conta’ eu pensei em chegar na sala e dançar o tchá, tchá, tchá. Quem me conhece sabe que danço bem e também dou aula bem; entretanto, para adolescentes o tchá, tchá, tchá os manteria mais em sala do que a Química.
“Infelizmente tive que abortar o meu plano, pois havia 2 policiais (que deveriam estar correndo atrás de bandidos) andando pelos corredores da escola; bem como funcionários da SEC fazendo constantes “visitinhas” às nossas salas. “Neste momento, percebi que seja lá o que eu fosse fazer em sala deveria ser algo parecido com uma aula e que não falasse mal do governo.
“Mediante a todo este constrangimento moral, senti ânsia de vômito e solicitei o meu desligamento desta importante missão de deixar Jaques Wagner e Jorge Portugal bem na fita com a parcela alienada da sociedade. Diga-se de passagem, que este professor baiano nem precisou ir para o Big Brother (à exemplo de Jean William) para ganhar um milhão e meio de reais.
“Este é o relato da minha posse de 100 minutos. Preferi ficar sem salário a ficar sem respeito próprio. Afinal de contas, alguém precisa respeitar o professor; nem que seja ele mesmo!!!”
Ainda que não fosse verdade, como cheira mal essa terceirização da educação, para um punhado de localidades privilegiadas, a cargo da empresa terceirizada do professor Jorge Portugal!
Especulando
Há interpretações de que a intervenção de Jacques Wagner em favor da aliança do PSD itabunense ao PTdoG estaria vinculada a fatos como o enfrentamento ao DEM-PMDB e mesmo a crescimento das intenções de voto de Juçara.
Para nós uma coisa simples: freio de arrumação sobre Otto Alencar, o anunciado artífice da aliança PSD-PRB em Itabuna, até quinta-feira 5, com direito a pose e foto.
Na lente a eleição de 2014 e a possível ruptura do projeto do governador.
Ajuda
Caso o governador pretenda o que até este instante não demonstrou (apoio efetivo ao PTdoG) basta entrar de cabeça na campanha de Juçara.
Ou não entrar.
Balada em duo
Futurâmico João Bosco compôs pensando no duo PRB-PT entoando para o PSD, quando em vez de passos de um bolero pensassem no passe de um tempo: “Sentindo frio em minh’ alma te convidei pra dançar / a tua voz me acalmava, são dois pra lá, dois pra cá / Meu coração traiçoeiro / batia mais que o bongô”
A prudência recomenda nestes instantes muita cautela. Para evitar um crime passional.
“São dois pra lá, dois pra cá”.
Coisas de Sodré
O candidato a prefeito de Itapé Carlos Sodré reuniu a imprensa no Tarik para falar de seus projetos. No Tarik, em Itabuna! Chegamos até a imaginar que Sodré estivesse a fazer campanha para itabunenses eleitores em Itapé. Só isso explicaria descurar de sua própria terra para falar em outro solo sobre projetos àquela destinados.
Mas, certamente falta a Itapé um espaço soteropolitano para a pompa e a circunstância que a liturgia sodreana exige.
Coisas de Sodré.
Começo
O alçapão
Alguns analistas entendem que a candidatura de Juçara correria livre e solta como pluma em brisa suave no plano da rejeição porque a candidata não teria nenhum senão contra si.
O problema de Juçara não está em si mesma, mas em ser apêndice da vontade/imposição de Geraldo Simões. Imaginar que Juçara alçou e promoveu voo próprio é negar uma realidade que afeta a sua imagem; a do marido impondo seu nome. Não fora isso seria unanimidade dentro do PT. E não é.
Batata assando
Já chegou à cúpula da Fundação Cultural/SECULT a utilização para fins político-partidários do Centro de Cultura Adonias Filho, preterindo espetáculos em favor de convenção partidária no dia 30 de junho. A matéria publicada em DE RODAPÉS E DE ACHADOS e no nosso blogue (“Moralidade I” e “II”) repercutiu na Fundação.
A situação de Aldo Bastos cada dia mais agravada. Dizem por lá que se não fosse a defesa que dele faz Geraldo Simões Aldo já teria saído. Há muito. Por lá, internamente, não bastasse o que consideram descaso para com o equipamento, não o engolem desde a comprovação de irregularidades cometidas.
Com um detalhe: os fatos atingem o Governo do Estado.
Bumerangue
Uma denúncia levada à autoridade policial respingou granizo grosso em Aldo Bastos. Os fatos fizeram lembrar da denúncia de corrupção no Centro de Cultura e favorecimento de Aldo à campanha de Juçara em 2008, que a ela oferecia o espaço do equipamento público para café da manhã.
Como todos
Azevedo será criticado pelo anúncio de realização ou de início de obras em período eleitoral. Uma das ações mais profícuas da última gestão de Geraldo Simões foi o asfaltamento de dezenas de quilômetros de ruas em vários bairros e centro da cidade (com material de excelente qualidade) realizado nos últimos meses de sua administração.
Nesse particular, com Azevedo ou Geraldo, antes tarde do que nunca.
Mãos à obra
Postos os nomes na disputa, as estratégias no curso da campanha definirão o vencedor. O que ora se apresenta pode não se manter para uns, pode surpreender para outros.
Visível que a disputa está centrada em três nomes, todos hoje lutando por espaço (leia-se, tempo) na propaganda de rádio e televisão: Azevedo, Juçara e Vane.
O espelho atual reflete uma posição de crescimento cômodo para Vane, uma indefinida situação para Juçara e o aparente tranquilo caminhar para Azevedo.
De concreto o alvo comum para Juçara e Vane: ataque à administração de Azevedo.
Azevedo
Registre-se que Azevedo conta, no momento, tão somente com uma imagem pessoal junto a uma parcela do eleitorado que lhe parece fiel. Algumas realizações, ainda que tardias, podem repercutir no curso da campanha, ainda que configurem oportunismo, como a anunciada inauguração de parte da obra do Lava-Pés, uma ponte ali, pavimentações acolá.
Contra terá a carga adversária sobre os desmandos praticados por pessoas a ele vinculadas, uma administração sofrível, sem falar no desgaste de uma luta jurídica para afirmar a candidatura.
Vane
Apresenta-se como renovação política e crescimento contínuo em pesquisas de intenção de voto. Cremos, pela análise a partir de entrevistas televisivas, que dispõe de boa imagem na tela, que se bem explorada pelos marqueteiros, efetivará a ideia de credibilidade ao que diga. Estabilizar seu crescimento será o grande obstáculo.
Juçara
Carrega o peso do apoio do marido, hoje mais dividindo o PT do que somando. Atribuem-lhe uma imagem de pernosticismo, estigma que lhe foi impingido em 2008. Tem a seu favor a atuação como Secretária de Desenvolvimento Social na última administração de Geraldo Simões. Certamente se utilizará do jargão de ser do mesmo partido do Governador da Bahia e da Presidente da República e um forte apelo ao eleitorado feminino propondo-se a ser a primeira mulher prefeita de Itabuna.
Tem contra, no momento, a desgastada imagem de Jacques Wagner como companhia. O discurso de parceria com Dilma tende a ser neutralizado porque os mesmos programas que afirmará dispor em seu governo já são alcançados por Azevedo, adversário da Presidente.
A dor profunda
Um registro em música da crueldade da escravidão. De servir de tema para Amistad (Spielberg) depois de declamação de Navio Negreiro (Castro Alves). Aqui “Sinhá”, de Chico Buarque e João Bosco, do Chico (Biscoito Fino), de 2011, em descontraída gravação na própria casa de Chico com acompanhamento de Bosco.
Uma letra que acentua o enlouquecer de corpo e mente que apanha e melodia que chora com o lamento. Versos de uma catarse histórica na visão de mundo em jogo de duas pessoas (escravo e cantor/compositor) digna de figurar em estudo sobre Bakhtin e sua tensão dialógica da linguagem.
DE RODAPÉS E DE ACHADOS está também disponível em www.adylsonmachado.blogspot.com
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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Pegou pesado
Opinando
Eduardo Anunciação embevecido e deslumbrado com a gentileza da Magnífica Reitora da UESC, Professora Adélia Pinheiro, o que é demais justo, como se depreende de texto levado a sua coluna no Diário Bahia de quarta 4.
Lamentável que Eduardo não a conhecesse há mais tempo.
Em contrapartida, difícil entender sua análise sobre a candidatura de Vane - a quem conhece há muito tempo -, vendo-a como produto “novo” que “pode ter embalagem colorida, vistosa, bonita, linda por fora, mas sem conteúdo por dentro”, realçado diante do fato de Vane integrar o Legislativo Municipal.
Para Eduardo Vane está “na Câmara de Vereadores cujo passado recente de irregularidades está em julgamento nos Tribunais de Justiça”. (Não esclareceu se Vane está entre os pares julgados).
Chega a ver o “novo” como se apresentará Vane ao eleitorado como o “novo” que foram Fernando Collor, Fernando José e Celso Pita.
Pegou pesado o querido Eduardo. Muitos poderão tomar sua análise como insinuações.
Fidelidade
Eduardo tem a virtude e a honestidade de declarar, escrevendo, em quem vota, de defender sua convicção político-eleitoral.
De nossa parte ficamos a imaginar se a opinião seria a mesma caso Vane fosse vice de Juçara.
domingo, 25 de março de 2012
DE RODAPÉS E DE ACHADOS
Ainda na muda
Assim continua a classe política de Itabuna: calada, falando somente o necessário para manter os holofotes. (Afinal nem todos dispõem de emissora de rádio).
Olhares e ouvidos voltados para a Câmara. Aguardando o anuncio da Ordem do Dia da próxima sessão, para conferir se o parecer do TCM (pela rejeição das contas de Azevedo) será posto em discussão e votação.
Correndo muito daquela água que passa pelo canal do Lava-pés em tempo de estiagem. Ou seja, dejetos.
Como já deduzimos neste espaço, a inviabilização da candidatura de Azevedo faria mudar o quadro de expectativas político-eleitorais, afastando a polarização Azevedo-Juçara e viabilizando candidaturas atualmente tendentes a aderir.
Depois do tapetão
Sob a suposição de Azevedo ser afastado da disputa, analisamos na edição passada os resultados sob o prisma do “tapetão”, das lições do passado recente, de carismas, estratégias e logísticas.
Hoje o faremos sob o crivo das cores, paixões e ideologias.
A razão central
Nossa análise passa por um componente que se avoluma neste ano eleitoral: a antipatia e a resistência a qualquer candidatura petista (não só a de Juçara), por causa de Geraldo Simões.
GS tem sedimentado convicções em vários formadores de opinião de que o seu projeto é eminentemente individual, onde Itabuna é apenas trampolim.
Ainda sob a ótica deste pensar, a vitória petista, tornando-se vitória de Geraldo, fortalece-o proporcionalmente ao enfraquecimento de correligionários. Quanto mais crescer mais enfraquece os que a ele estejam submetidos.
Assim, para os que foram liderados de GS é hora de libertação, porque uma vitória do PT aprofunda a dependência, retardando para muito adiante qualquer expectativa de ocupar o poder municipal.
Herdeiro(s) I
Assim, temos que a herança da votação de Azevedo será dividida ou concentrada a partir de uma premissa, visível e cristalina: derrotar o inimigo comum, o PTdoG, ou simplesmente, Geraldo Simões.
Juçara, nesse contexto, não tem vida. É apenas a mulher que Geraldo impõe ao eleitorado para manter o seu poder, no projeto de construir uma dinastia política, à qual se integrará em tempos não distantes, um de seus filhos. Também pela imposição.
No “tiro ao pombo” da vez, já escrevemos, o “pombo” é Geraldo Simões.
Herdeiros(s) II
Discutida sob a ótica da dicotomia esquerda-direita, como extremos – parece-nos difícil uma vocação de centro no processo itabunense – o PCdoB já percebeu (não só em nível local) que precisa pensar no poder, não como coadjuvante; a direita, de manter sua hegemonia, retomada com Fernando Gomes em 2004.
O PCdoB já definiu o nome de Wenceslau Júnior, acrescendo ao de Juçara Feitosa e ao de Azevedo, para a reta de definições.
Afastado Azevedo, fica somente o nome dos dois, com esperanças para Leninha (PMDB), Augusto Castro (PSDB), Coronel Santana (PTN), Vane Renascer (PRB), Acácia Pinho (PDT) e Roberto Barbosa (PP). Outros nomes voltam-se apenas para assegurar visibilidade e tentar viabilizar eleições proporcionais (vereadores).
Algumas destas pré-candidaturas somente se confirmarão caso possam contribuir para dividir a votação do PTdoG.
O foco da situação
A grande indagação, na área do poder local, é quem possa enfrentar o PTdoG. Ou seja, em sede dos que apóiam a atual administração, caso afastado o candidato natural, Azevedo, quem teria as condições para assumir o enfrentamento à candidatura do PT, que, em tese, sairia fortalecida com a do Prefeito fora do páreo.
Nesse viés, que nome seria capaz de manter a hegemonia.
Nomes naturais
Augusto Castro e Coronel Santana são nomes naturais. (Santana adianta-se à hipótese e lança seu nome). Têm mandato de deputado estadual; a nenhum a candidatura traz prejuízo porque não carecem de renúncia para assegurá-la.
Tentará, cada um, arregimentar as forças contrárias a Geraldo Simões, torcendo para que a candidatura do PCdoB se mantenha.
O risco nesta avaliação reside no fato de Wenceslau congregar em torno de seu nome forças presentes no Centro Administrativo Firmino Alves.
O perfil ideal
Em outra vertente, a candidatura para se manter no comando municipal, passará por quem tenha o melhor discurso de resistência e enfrentamento ao próprio PTdoG.
Ou seja, que “encarne” e convença o eleitorado radicalmente contra o petismo e tenha a possibilidade de arregimentar descontentes em outros segmentos.
Nesse paradigma o melhor nome será o daquele que se apresente como “inimigo do PTdoG” e que tenha história de vida neste enfrentamento.
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