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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Debate

Mar calmo
O debate da TV Cabrália não trouxe nenhuma novidade, tampouco gerará a repercussão que dele se esperava, além de sua ocorrência. Em princípio, pelo formato. Que procurou distribuir tempo e oportunidades aos candidatos como se todos tivessem a mesma densidade eleitoral.

De certo modo frustrou os que esperavam maior debate de convicções e ideias. Estas, apenas visíveis e expostas pelo candidato Zé Roberto (PSTU), dentro da tônica que norteia o partido, de fomentar a propaganda de uma mudança revolucionária. Palavra (revolução) que ocupa a propaganda do candidato Eliodório (PCB) sem, contudo, traduzir a força no discurso que expressa. Zen Costa (PSOL) não tem a verve da companheira Heloisa Helena; transita pela oportunidade como um monge falando para um público em meio a um conflito, onde os ânimos exaltados lhe são motivo para testar as convicções filosóficas, demonstrando poder comprovar sua capacidade de meditar emitir e entoar mantras em plena Cinquentenário em dia de passeata e buzinaço.

Juçara (PT) e Vane (PRB) estiveram, quando a oportunidade se deu através do primeiro, praticamente trocando figurinhas tendo por alvo a administração de Azevedo (DEM), que passou o tempo todo ora elogiando a si e à sua administração, ora cutucando os dois que lhe fazem frente.

Nada mais que o já exaustivamente mostrado nos programas eleitorais. Ou seja, propostas e boas intenções.

Não se viu, entre eles, demonstração de conhecimento pleno do que encontram pela frente. Nenhuma discussão sobre a capacidade financeira, a dívida fundada, a Itabuna para daqui a 50 anos.

Considerando que todos, em especial Juçara e Azevedo, esperam contar (Juçara) e contam (Azevedo) com repasses conveniados com o governo federal, ficamos a imaginar que o município, em si mesmo, não tem qualquer participação concreta ou perspectiva em torno da sua arrecadação própria.

Ao largo as questões urbanísticas mais profundas. Assim, como o aproveitamento da vocação grapiúna diante do que lhe está sendo oferecido pelo complexo intermodal. Da mesma forma o Meio Ambiente, que parece somente existir no e pelo rio Cachoeira isolado.

O jogo bruto não ocorreu
O fato da semana, o conflito de gênero lançado como salvação, a luta entre homem e mulher passou ao largo. Limitou-se - dentro dos limites da repercussão cabível, mais alimentada em esparsas paixões e reações individuais - ao espaço da propaganda eleitoral, onde nasceu e morreu.

Afastado de "novidade" o debate transitou pelo lugar comum. No fundo, no fundo, o formato inviabilizou o debate em si.

E tudo trancorreu em mar calmo com pequenas marolas. Onde o espaço para pescaria já se encontra previamente delimitado. Cada pescador sabendo o cardume e tipo de peixe que vai encontrar.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Razões...

Vermelho em baixa
Diante das quase certas ausências de Lula e da Presidente Dilma dos palanques do PTdoG, o presidente nacional da sigla, Ruy Falcão, veio ajudar a campanha petista, ainda em agosto.

Em meio à dupla bangu Ruy se fez vestido de azul.

São razões que a própria razão desconhece!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Eleições

Os caminhos
São seis os candidatos a prefeito em Itabuna. Três integrando a disputa direta pela eleição e os demais levando ao eleitor o discurso de mudança do processo eleitoral.

O trabalho de formiguinha dos candidatos Zen Costa (PSOL), Pedro Eliodório (PCB) e Zé Roberto (PSTU) exercita a oportunidade de mostrar ao eleitor caminhos mais condizentes com a realidade da população, trilhando contra os vícios que alimentam tradicionalmente a política brasileira em seu viés itabunense.

Na outra ponta, fagueiros nas avaliações das pesquisas Azevedo (DEM), Vane (PRB) e Juçara (PT) disputam de forma efetiva a possibilidade de vitória. Cada um deles dependendo do desenrolar da campanha, visto que o erro de um beneficia outro. Assim, cada um trabalha de forma cautelosa, avaliando diariamente a conduta e a ação dos adversários.

Há uma indefinição neste instante, ainda que números divulgados ao alvitre de cada um apontem alguma vantagem para Azevedo. O postulante à reeleição encontra-se sob maior visibilidade e alcance dos ataques de campanha, em razão de sua gestão.

O adversário de Azevedo
O olho do furacão da candidatura de Azevedo reside justamente em sua administração. Não pelo que possa dela decorrer em relação ao que realizou (para ele) ou deixou de realizar (para os adversários). Sob esse prisma Azevedo encontra apoio nos fatos e tem como testemunho natural as comunidades beneficiadas e as filmagens e fotografias que o comprovam.

Ninguém afirma que Azevedo tenha imagem pessoal negativa quando olhada sob a pessoa dele, tanto que o carisma individual não se vê tão afetado.

No entanto, a imagem da administração é desastrosa. A incompetência de uma parcela considerável de seus auxiliares diretos inibe a atuação elogiada dos poucos (dois ou três) que se encontram bem avaliados pela sociedade. E não se afasta do estigma da corrupção que beneficia alguns apadrinhados.

A gestão da coisa pública não demosntra afinidade entre as ações e a efetivação dos benefícios promovidos. Um exemplo recente desta observação é a atuação do administração em Ferradas, positiva, que tornou-se negativa no imaginário da população, justamente pela forma como auxiliares de Azevedo conduziram o processo.

Para garantir fotografia a turma jogou fora a conquista do Prefeito.

Aí reside o perigo.

E como a rejeição à administração em geral (sustentada na condução negativa de muitos de seus auxiliares) é fator que poderá pesar no resultado eleitoral Juçara e Vane acompanham com redobrada atenção o estrago, para ocupar espaços que Azevedo construiu para si e os "amigos" entregam aos adversários.

domingo, 29 de julho de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS-Dia 29 de Julho

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  
Adylson Machado

                                                                             

Olimpíadas

A festa de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos tem conseguido surpreender a cada edição. Desde aquele humanizado Misha vertendo lágrimas na despedida nos Jogos de Moscou (1980) temos tido verdadeiros espetáculos de criação, resgatando a história e as tradições de cada povo.
A abertura dos Jogos de Londres, na sexta, conseguiu trazer novidade, depois de imaginarmos que tudo havia se esgotado nos Jogos da China de 2008.
Marcou, na mensagem, a história da contribuição inglesa para o mundo a partir da industrialização como grande foco, não afastando a literatura e a música. Nem mesmo dispensou Mr. Bean.

Compradores em potencial

cadilacEis o famoso Cadillac Town Sedan 1928 que pertenceu a Al Capone, levado a leilão neste domingo 28.
Bem que poderia ser arrematado por algum brasileiro de casta muito “ilustre”.

Onde a isenção?

cartaO ministro Gilmar Mendes, ainda que luminar do Direito, no plano ético não nos traduz credibilidade e isenção. O que significa dizer: decisões suas podem estar eivadas de menos defesa do Direito e mais dos interesses à sua volta.
Declarações estapafúrdias e ameaças a membros de outros Poderes da República fazem-no, para nós, um ator bufão em busca de aplausos. Particularmente sabemos de quem espera aplausos, ou mesmo para quem atua no tablado.
Não fora a manifestação funcional em favor de poderosos, onde o exemplo mais imediato está nos habeas corpus para livrar Daniel Dantas da prisão (não pela concessão da ordem em si, mas pelo atropelamento ao ordenamento jurídico pátrio, ultrapassando instâncias), tem se portado em certos instantes como panfletário político-partidário.
Do ministro Gilmar Mendes não podemos duvidar nada. Mas nos faltava algo além na sua capacidade de inovar. E a revista Carta Capital traz então a última pérola do fanfarrão Minésio: recebeu dinheiro do “mensalão” do PSDB de Minas Gerais, através do mesmo Marcos Valério, que ele julgará, a partir de agosto.

Inédito

Estranha essa greve de caminhoneiros. Param para pedir o “direito” de continuar a trabalhar mais com menos descanso. A lei que os beneficia e os humaniza está sendo questionada pelos próprios beneficiados.
Mais nos parece locaute, a greve dos patrões. Os que teriam de assegurar jornada de oito horas, com intervalo de descanso de meia hora a cada quatro viajadas.

Preservação

A mãe morrera logo depois do parto, deixando quatro gatinhos a miar por alimento. O leite de gado, desdobrado com água, não lhes faltava. Faltavam mamas. Que lhes foram ofertadas por Primavera, uma cadelinha poddle. Que brigava com todos que se aproximassem de “sua” ninhada.
Aconteceu ali em Itororó, no início dos anos 60. Testemunhas vivas do fato. Eu e minhas irmãs Eva, Aidil e Nancy.

Diplomacia

Há uma insistência do conservadorismo nacional em criticar a política externa brasileira e em particular a atuação de sua diplomacia. O aprofundamento da aproximação com a África, Oriente Médio e a América Latina sofre na língua viperina de parcela da imprensa como nordestino em tempo de estiagem.
Evidente que este país, para pensar mais em seu futuro (ainda que não se afaste em termos absolutos, inclusive pela impossibilidade geopolítica), não pode estar atrelado, sob a égide da submissão, aos ditames do interesse dos Estados Unidos.

Diplomacia e subserviência

Nossa subserviência recente, no período FHC, nos levou a absurdos como prometermos entrega da Base de Alcântara sem que mesmo tivéssemos, os cientistas brasileiros, possibilidade de lá entrar sem autorização estadunidense. A ALCA eram favas contadas, a partir de janeiro de 2003. E não se fale na vergonhosa postura de um chanceler tirando sapatos em aeroporto como se reles mortal portador de artefatos capazes de destruir o Pentágono ou a Casa Branca.

Diplomacia que não perdoam

No caso recente, do golpe perpetrado no Paraguai, a diplomacia brasileira tem comido o pão que o Diabo amassou. E mesmo escrevem os arautos da conservadora elite nacional – mais afeta ao entreguismo que ao nacionalismo – de que estaríamos intervindo em assuntos internos do Paraguai, ainda que reagindo nos termos contidos nas declarações que alimentam o Mercosul.
Muito diferente dos Estados Unidos (santo do pau oco, como diria  Tormeza), que não fazem outra coisa nesse mundo a não ser promover belicosas intervenções em negócios alheios. (E estamos aqui para ajudar a não esquecer sua participação na nefanda ação na América Latina, derrubando governos eleitos democraticamente em defesa da democracia contra o comunismo, o que particularmente nos deixou um legado difícil de triste memória).

Diplomacia de lá para cá

De Cláudio Humberto não podemos esperar outra coisa além do que faz. É da ideologia dele, é compromisso dele e para com os dele. Respeitamos. Mas, até que nos seja ofertada uma explicação convincente, ficamos sem entender o por quê de o Diário do Sul publicar texto de Humberto criticando a diplomacia brasileira.
Nosso espanto não decorre do texto em si. Mas porque o Diário do Sul não tem tradição de enfrentar temas polêmicos locais, estaduais ou nacionais. Muito menos temos conhecimento de que na sua editoria haja alguém que se debruce em suas páginas para lidar com o melindroso tema que é a diplomacia.
A não ser que tenha tomado essa iniciativa. O que muito louvamos.

Guerra de números I

Pesquisas de intenção de voto pululam para consumo interno, vazadas conforme o interesse da encomenda ou por quem se vê beneficiado por elas. Estudos há, em relação a reeleições, municipais em particular, de que não são os indicadores de intenção de votos o grande referencial para definir a comodidade ou não de candidato que está no poder.
Os estudos analisam em torno de exemplos concretos, onde ponderado o peso e a influência de um dado pouco apresentado por muitos candidatos à reeleição: a imagem da administração na avaliação do conjunto da obra (administrativa), que pode influenciar no resultado se este indicador apontar um percentual em torno de 25% de ruim.
Isto acontecendo, ainda que na dianteira das intenções de voto, pode o “eleito” perder a eleição em consequência de como é visto o seu gerir a coisa pública.

Guerra de números II

Levantamos essa discussão – inclusive já a levamos a debate em programa de rádio do qual temos participado (o Bom Dia Bahia, comandado por Ederivaldo Benedito, na Rádio Nacional AM, aos sábados) – diante da circunstância de tomarmos conhecimento do resultado de pesquisas não levadas a registro na Justiça Eleitoral onde estão apontadas apenas as intenções de voto da estimulada, o que inviabiliza análise mais aprofundada dos dados coletados por não estarem disponíveis aqueles acima referidos.
Tudo que nos tem chegado ao conhecimento gira em torno de certa vantagem de Azevedo, dele se aproximando Vane, que se encontraria empatado, ainda que na dianteira, com Juçara. Ou de que a realidade não é bem essa: Juçara lideraria, com Azevedo escorregando na folha de bananeira e Vane sem sair do lugar.
Mas, diante do esconde-esconde dos dados preferimos ficar com o raciocínio de que em andamento está uma “guerra de números” aguardando as urnas. Que passam pelo horário eleitoral no rádio e na televisão.

Campanha pela “princesinha”

princesinha
Por demais louvável a iniciativa dos que convocam a comunidade uesquiana em torno da preservação da velha fobica
Certamente a Professora Adélia Pinheiro desconhecia a situação e compreenderá a mobilização em favor de um dos poucos ícones materiais da Universidade.
O pombal se foi, a planta baixa do projeto original foi alterado. Que a “princesinha” não continue a enferrujar.

Peças trocadas I

Fomos a Ferradas ver o que se passava por lá. Ainda que náuseas nos alcancem quando se trata de evento ligado à administração municipal. Não porque realizações da administração local não mereçam nossa atenção e respeito, mas por ver, em meio a homens de bem, uns tipos asquerosos e nauseantes, inexpressivas figuras, carimbados papagaios-de-pirata de eventos que possam lhes garantir uma fotografia para um álbum particular onde só resta a foto e nada de feito.
Mas para lá nos deslocamos, neste sábado, porque temos acompanhado, desde meados de 2010, a atuação de alguns abnegados em defesa do resgate de Ferradas a partir do filho ilustre – que nunca negou ter ali nascido, em que pese os saudosistas e pessimistas desta terra se utilizarem dessa afirmação negativa, que desconhecemos como nascida de Jorge Amado.
Visando transformar aquele espaço da geografia urbano-itabunense num centro cultural para Ferradas trouxeram, inclusive, um evento internacional – a XI Edição do Mercado Cultural, em novembro de 2011.
Para tanto, revitalizar a casa onde viveu Jorge Amado parte de sua tenra infância integrava o propósito. Adicionaram os idealistas transformá-la também num espaço de ações culturais concretas, onde instalado um Galpão Cultural.
Lutaram e conseguiram do prefeito Azevedo o compromisso de verem inaugurada a casa do escritor ferradense, onde só havia terreno e mato, e nela acrescer Galpão, biblioteca e museu. Não se negue: o prefeito cumpriu e a obra foi inaugurada neste sábado 28. Como também um símbolo do resgate que o idealismo almejou, com a estátua do ferradense no trevo recém-construído na entrada do bairro.
Peças trocadas II
Para lá nos deslocamos, esperando ver autoridades ao lado do povo de Ferradas, representantes da ACCODEC (a associação local) em festa todos para lembrar Jorge Amado. No entanto, visualizamos um punhado de pessoas para momento tão nobre, numa Ferradas onde muitas portas estavam fechadas como gesto mudo de repúdio.
Tudo precedido de propaganda eleitoral indevida e ilegal. Não fora o repertório brega que o mesmo veículo decidiu tocar.
Para coroamento, não podia faltar um símbolo amadiano: uma Gabriela. Que parecia em fim de carreira. Como a imagem de muitos que integram a administração de Azevedo e se faziam ali presentes.

Dinheiro do Santander

Uma placa do Santander enfei(t)a a parede lateral direita na sala de entrada da casa de Jorge Amado em Ferradas, acima de cópia da certidão de nascimento do ferradense. Não está de graça.
Não temos a razão imediata, mas sabendo que onde há nome de banco há sinal de dinheiro circulando, como cidadão gostaríamos de saber quanto o Santander andou distribuindo para ter o nome na parede da casa do ferradense ilustre.
E mais: se houve autorização da Câmara Municipal para tanto. Afinal, a Casa de Jorge Amado em Ferradas é espaço público, por integrar o patrimônio cultural do município.

Juçara está certa I

Melhor assumir a realidade e afastar, de logo, imagens que possam prejudicar a sua campanha. Assim, defendemos a posição de Juçara/Acácia no que diz respeito a desvincular Jacques Wagner e Geraldo Simões de sua propaganda eleitoral. Hoje mais pesadas do que chumbo lançado em piscina.
Como desculpa, no entanto, afirmar que a razão de exibir material de propaganda onde só apareçam mulheres (Dilma, Juçara e Acácia) está vinculada a legitimar a chapa local como força eleitoral feminina, dá para enganar alguns, mas não convence.
E não convence por uma razão elementar: não se dispensa em processo eleitoral apoio, muito menos se ele vem de imagens já vinculadas no imaginário da sociedade. Não se pode dizer que um Governador de estado reeleito e um deputado federal em terceiro mandato e ex-prefeito por duas vezes – não fora o distante mandato de deputado eleitoral – não teriam peso em sua campanha pela circunstância de serem homens/masculinos (preconceito de gênero).

Juçara está certa II

Ocorre é que grande mesmo é o peso de qualquer candidato em Itabuna – para não dizer da região – dizer que tem o apoio de Jacques Wagner. Pior, no caso particular, dizer que o tem de Geraldo Simões, imagem desgastada e sofrível (ainda que seja injusta a afirmação, para alguns), hoje às voltas até com uma denúncia junto ao Conselho de Ética da Câmara Federal.
Juçara está certa mesmo. Basta o peso de uma imagem que lhe outorgaram e que lhe pode ser cara: a de ausente da realidade do povo e de ser candidata imposta ao PT por ser mulher de Geraldo Simões.

E por falar em Olimpíadas

Porque é tempo de confraternização olímpica trazemos o tema principal da trilha de Carruagens de Fogo, de Vangelis, posto na abertura do filme que aborda a luta e determinação para superar dificuldades e alcançar vitórias. Com um detalhe particular: serviu de mote para o humorismo de Mr. Bean na abertura dos jogos de Londres, nesta sexta 27.

Cantinho do ABC

caboco28 de julho de 2012. Dia, mês e ano do Jubileu de Ouro do ABC da Noite. Fomos visitar o filósofo do Beco do Fuxico na antevéspera da efeméride histórica. Meu filho André acompanhando. Cumprimentos rolaram. E provocamos a verve alencarina:
– Cabôco, 50 anos na cacunda do ABC não é pouco para você!
– É, Cabôco – investe o filósofo – pelo menos você tem idade para tentar outro cinquentenário. Eu não.
– Certo que não dispensamos você por companhia, que tem vocação para Matusalém – dissemos. E prosseguimos no mote:
– O que não lhe falta é mato para percorrer.
– É, Caboco, muitos matos além! – fechou a cena o filósofo do Beco.
Só nos restava anotar mais uma. Para a segunda edição de O ABC do Cabôco.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Calo

Sucessão I
O que duvidamos caminha para se consolidar: a manutenção da unidade da frente PRB-PDT-PCdoB-PV, engrossada nos últimos dias com o PP e o PPS.

Sinaliza uma proposta concreta e viável para as eleições.

Tem muito para tornar-se um calo e levar Juçara e o PTdoG para um terceiro lugar se o andar da carruagem de pesquisas vazadas (não publicadas) se materializar.

A candidatura da frente tornar-se-á efetivo contraponto à polarização ora existente. Com um detalhe: a que melhor traduzirá o discurso contra desmandos e corrupção.

Sucessão II
A se manter o andar, com a frente  PRB-PDT-PCdoB-PV-PP-PPS mantendo-se unida para sucessão municipal, com candidatura viável, uma lição dela se depreende: Geraldo Simões perdeu o controle sobre tradicionais "companheiros". Dentre eles PDT e PCdoB. Para não citar o PMDB, já afastado, e o PR, a caminho do rompimento definitivo.

Uma coisa está clara: a candidatura imposta por Geraldo Simões, em que pese os méritos da indicada, não gerou confiança.

Como ninguém entra em barco furado para disputar uma só tábua de salvação os velhos companheiros buscaram navio que possa levá-los ao porto.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ouro de tolo

Pagando para ver
Um frêmito toma petistas. Razão: Leninha Alcântara - pré-candidata do PMDB - procurou Juçara, com Mariana Alcântara, sua filha, visando possível entendimento político para as eleições 2012. Estaria Leninha levando proposta do PMDB.

Leituras deste articulista:

1. Leninha perdeu o controle de sua candidatura dentro do PMDB, tanto que leva certamente somente o seu apoio pessoal; assim como o da filha, para reforço de alguma proposta.

2. Leninha desistiu de ser candidata, partindo-se da premissa de que o PMDB de Itabuna, sob liderança de Gedel em nível estadual, tem praticamente 100% de possibilidades de não apoiar o PTdoG.

3. Deu a louca em Leninha, que, não tendo o controle do PMDB local, fala sozinha nesse contexto.

4. A falta de controle dentro do PMDB já ficara flagrante quando ensaiou integrar a frente PCdoB, PV, PDT, PRB etc e teve que voltar atrás, justamente porque não tinha o apoio da executiva.

5. Acaba de jogar fora as cartas que tinha na mesa. Apoiando Juçara será apenas coadjuvante menor. A não ser que volte a desmentir tudo.

Porque, no fundo, oferece ouro de tolo.

domingo, 25 de março de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS

Ainda na muda
Assim continua a classe política de Itabuna: calada, falando somente o necessário para manter os holofotes. (Afinal nem todos dispõem de emissora de rádio).

Olhares e ouvidos voltados para a Câmara. Aguardando o anuncio da Ordem do Dia da próxima sessão, para conferir se o parecer do TCM (pela rejeição das contas de Azevedo) será posto em discussão e votação.

Correndo muito daquela água que passa pelo canal do Lava-pés em tempo de estiagem. Ou seja, dejetos.

Como já deduzimos neste espaço, a inviabilização da candidatura de Azevedo faria mudar o quadro de expectativas político-eleitorais, afastando a polarização Azevedo-Juçara e viabilizando candidaturas atualmente tendentes a aderir.

Depois do tapetão
Sob a suposição de Azevedo ser afastado da disputa, analisamos na edição passada os resultados sob o prisma do “tapetão”, das lições do passado recente, de carismas, estratégias e logísticas.

Hoje o faremos sob o crivo das cores, paixões e ideologias.

A razão central
Nossa análise passa por um componente que se avoluma neste ano eleitoral: a antipatia e a resistência a qualquer candidatura petista (não só a de Juçara), por causa de Geraldo Simões.

GS tem sedimentado convicções em vários formadores de opinião de que o seu projeto é eminentemente individual, onde Itabuna é apenas trampolim.

Ainda sob a ótica deste pensar, a vitória petista, tornando-se vitória de Geraldo, fortalece-o proporcionalmente ao enfraquecimento de correligionários. Quanto mais crescer mais enfraquece os que a ele estejam submetidos.

Assim, para os que foram liderados de GS é hora de libertação, porque uma vitória do PT aprofunda a dependência, retardando para muito adiante qualquer expectativa de ocupar o poder municipal.

Herdeiro(s) I
Assim, temos que a herança da votação de Azevedo será dividida ou concentrada a partir de uma premissa, visível e cristalina: derrotar o inimigo comum, o PTdoG, ou simplesmente, Geraldo Simões.

Juçara, nesse contexto, não tem vida. É apenas a mulher que Geraldo impõe ao eleitorado para manter o seu poder, no projeto de construir uma dinastia política, à qual se integrará em tempos não distantes, um de seus filhos. Também pela imposição.

No “tiro ao pombo” da vez, já escrevemos, o “pombo” é Geraldo Simões.

Herdeiros(s) II
Discutida sob a ótica da dicotomia esquerda-direita, como extremos – parece-nos difícil uma vocação de centro no processo itabunense – o PCdoB já percebeu (não só em nível local) que precisa pensar no poder, não como coadjuvante; a direita, de manter sua hegemonia, retomada com Fernando Gomes em 2004.

O PCdoB já definiu o nome de Wenceslau Júnior, acrescendo ao de Juçara Feitosa e ao de Azevedo, para a reta de definições.

Afastado Azevedo, fica somente o nome dos dois, com esperanças para Leninha (PMDB), Augusto Castro (PSDB), Coronel Santana (PTN), Vane Renascer (PRB), Acácia Pinho (PDT) e Roberto Barbosa (PP). Outros nomes voltam-se apenas para assegurar visibilidade e tentar viabilizar eleições proporcionais (vereadores).

Algumas destas pré-candidaturas somente se confirmarão caso possam contribuir para dividir a votação do PTdoG.

O foco da situação
A grande indagação, na área do poder local, é quem possa enfrentar o PTdoG. Ou seja, em sede dos que apóiam a atual administração, caso afastado o candidato natural, Azevedo, quem teria as condições para assumir o enfrentamento à candidatura do PT, que, em tese, sairia fortalecida com a do Prefeito fora do páreo.

Nesse viés, que nome seria capaz de manter a hegemonia.

Nomes naturais
Augusto Castro e Coronel Santana são nomes naturais. (Santana adianta-se à hipótese e lança seu nome). Têm mandato de deputado estadual; a nenhum a candidatura traz prejuízo porque não carecem de renúncia para assegurá-la.

Tentará, cada um, arregimentar as forças contrárias a Geraldo Simões, torcendo para que a candidatura do PCdoB se mantenha.

O risco nesta avaliação reside no fato de Wenceslau congregar em torno de seu nome forças presentes no Centro Administrativo Firmino Alves.

O perfil ideal
Em outra vertente, a candidatura para se manter no comando municipal, passará por quem tenha o melhor discurso de resistência e enfrentamento ao próprio PTdoG.

Ou seja, que “encarne” e convença o eleitorado radicalmente contra o petismo e tenha a possibilidade de arregimentar descontentes em outros segmentos.

Nesse paradigma o melhor nome será o daquele que se apresente como “inimigo do PTdoG” e que tenha história de vida neste enfrentamento.