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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Nada

Republicano
O que caracteriza uma República é a existência de poderes independentes e harmônicos entre si, princípio inspirado em Montesquieu consolidado em "O Espírito das Leis" (1748). A partir de sua configuração entende-se republicano no mundo político aquele que segue e "professa o republicanismo", que simplesmente é a qualidade de quem está convicto dos valores por ela representados.

Simplesmente exige-se, para reconhecer-se um republicano, que este - principalmente no exercício de atividades inerentes ao Estado - respeite os poderes dos outros entes institucionais. Especialmente os denominados agentes políticos.

Pinçado no Pimenta em postagem desta semana:


"O prefeito Claudevane Leite não enfrentou grandes dificuldades no seu relacionamento com os vereadores em 2013. Dos 21 vereadores, conta com a simpatia e o voto de quase todos na casa e navegou em mar calmo no ano que passou.


O novo ano, porém pode registrar maiores dificuldades para o prefeito de Itabuna. Parte dos aliados no legislativo julga que o prefeito não tem olhado o legislativo com carinho. A conversa é: 'se Vane tem a caneta, nós temos o voto'”.

A dedução imediata é a de que Sua Excelência exercitou uma postura republicana em relação ao Poder Legislativo local, tanto que "navegou em mar calmo no ano que passou".  O que significa dizer que repassou o duodécimo e não promoveu qualquer interferência/intervenção nas atribuições privativas da Câmara.

No entanto a expressão "se Vane tem a caneta, nós temos o voto" sinaliza uma insatisfação - para não dizer ameaça - e que (não há dúvida) diz respeito ao nomear/exonerar nos limites do Poder Executivo, uma atribuição específica de qualquer gestor, dentre eles o prefeito de um município.

Como estamos transitando por republicanismo, muito vemos de uma intervenção de integrante de um Poder (Câmara) em outro (Executivo). Que, no mínimo, deseja assumir a caneta: para exonerar ou demitir. Não na Câmara, mas na Prefeitura. 

Exemplo - dos milhares neste País - de como anda funcionando nossa República.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Entre o que entra

E o que sai
A adjetivação para a administração Azevedo, se assim podemos chamá-la diante dos exemplos recentes em contraposição com os pretéritos, se faz de tristezas e melancolias. Perdeu a alegria, desprendeu-se do mito que a sustentava: o próprio Azevedo. Desapareceu do cenário o prefeito, escondido nas soluções que busca, cada uma mais insustentável.

A corrida para concluir, ou avançar, obras fruto de convênios celebrados com o Governo Federal dão a dimensão do desespero que vive e do quanto brincou com coisa séria. Não tributamos ao ainda prefeito as mazelas por que passa sua gestão de final bufo. Traduz ela o aprofundamento e visibilidade maior do que sempre ocorreu: ausência de comando ou, o mais objetivo, inteiro controle de terceiros sobre ele. 

O futuro prefeito flana, leve diante do que apresentará de imediato como construção de imagem de administrador. Bastar-lhe-á instaurar auditoria(s) para demonstrar o que pretende como gerente sério da municipalidade.

Poucas ações redundarão em visibilidade concreta: regular coleta do lixo, lâmpadas acesas em postes, um pouco de remédio nos postos médicos, limpeza de nossos monumentos e equipamentos públicos. Pouca coisa para resgatar nossa autoestima, que anda no patamar mais baixo.

É que, diante do descalabro por que passa Itabuna, gota d' água será enchente.

Isso fará o prefeito que entra ainda maior e o que sai muito menor do que anda querendo ser.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Desculpas

Razões
Efeito Malafaia, guinada para o conservadorismo e pentecostalismo (sem convicção) têm sido aventados como elementos conturbadores da campanha de José Serra. A nove dias do segundo turno as eleições paulistanas parecem convergir para Fernando Haddad. Sim, aquele mesmo que desmoralizaria o padrinho Lula, com seus 3% no início da campanha enquanto Serra flanava acima dos 30%.

Não se negue que José Serra vai adquirindo aquela imagem de perdedor, acentuada em duas eleições presidenciais. Em que pese haver vencido para prefeito da capital e governador de São Paulo.

Vemos, no entanto, fenômenos mais científicos na atual situação de Serra, oscilando entre 16 e 17 pontos para menos ante Haddad. São eles a alta rejeição pessoal (que ora alcança em torno de 52%) e a péssima avaliação da adminsitração de Gilberto Kassab, o atual prefeito, que o apoia  (que supera 42%).

Deixemos a força do PT como partido e Lula como cabo eleitoral e fiquemos com os elementos acima declinados. Todas as descuplas são válidas, mas as razões são fundamentais.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Da transição à definição

Especulação
Por demais natural a espectativa em torno de Vane. Não fora a própria eleição algumas incógnitas passam a integrar a próxima equação: composição do secretariado.

Tem dito e repetido o prefeito eleito que se valerá de técnicos para constituir seu governo. Não estejam alijados aí os companheiros de primeira hora,  de confidência e dificuldades, os que acreditaram no projeto e estiveram com o eleito em todos os instantes.

No âmbito da especulação circulam fatos e fofocas. Dentre as fofocas que o prefeito estará submetido ao PCdoB - a quem destinaria secretarias de grande densidade - e aos grupos religiosos que têm afinidade com suas convicções.

A especulação em torno dos fatos aflora com a composição da equipe de transição. É o periscópio imediato, na vastidão do oceano de adivinhar  o que sucederá a partir de 1º de janeiro.

A equipe de transição é o primeiro teste do quanto de técnicos se cercará o novo prefeito de Itabuna.

Especulando que seja, da transição pode se estar chegando à definição.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ao pé do cabôco

Ritual
O prefeito José Nilton Azevedo foi cumprir obrigação no terreiro de Ruy Machado. Por lá andou para falar da votação de suas contas e, naturalmente, das de Geraldo Simões. Pelo menos, o que fizeram vazar de uma conversa entre quatro paredes, sem água e às escuras, no Gabinete do Presidente da Câmara.

O périplo pode demonstrar que as coisas não devem andar muito boas para o lado de Azevedo. A ponto de se dirigir a Ruy quando está acostumado a receber Ruy.

Se não quisermos entender como o ritual do instante, que exige solenidade própria.

Porque, a solução mesmo, será encontrada e discutida em outros espaços com outros argumentos.

Simbólico
De singular no encontro e eivado de profundo significado é o fato de haver ocorrido às escuras. (O prédio onde funciona a Câmara e a Biblioteca Plínio de Almeida anda sem "luz" e sem água).

Uma representação simbólica a traduzir a possível natureza moral das conversas no encontro, tamanha a dimensão do conteúdo e do que dele (não) se espera.

Das "trevas" alguém espera o "fiat lux". Que nesse caso encontra em Ruy Machado o verdadeiro "deus".