quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Não perdem

Por esperar
Ainda que não tenha a população resultados das investigações que envolvem os empréstimos consignados - deles em Itabuna há rastros de significância - é sabido que o fato implica em violações a normas que envolvem a Caixa Econômica Federal, de um lado, e, portanto, constituem-se crimes a serem apurados pela Polícia Federal.

Uma postagem do blogueiro Ari Rodrigues no facebook trouxe à tona um outro expediente para lesar a CEF: alguém o procurou buscando informação sobre um comerciante de de materiais de construção que fosse "de confiança". Atento para o detalhe procurou saber o porquê e então a pessoa o informou de que dispunha de um cartão de 5 mil reais da CEF para compras e que queria "negociar" com um comerciante. Para tanto pretendia receber 4 mil em dinheiro e "deixar" 1 mil para a empresa.

A quantas andam as coisas. Quando uma denúncia for promovida muita gente será visitada pela Polícia Federal.

Pode até ser que não dê em nada, mas não perdem os "sabidórios" por esperar!


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Entenda, cidadão

Não somos todos iguais
Muito do que pinçamos na rede aberta ao público evitamos citar a fonte, no entanto não podemos nos furtar a comentar o que nos deixa no limite da preocupação. Sobre fatos envolvendo jovens que pretendiam entrar em um shopping de São Paulo para um ‘rolé’* (ainda não dominamos o que significa a expressão) resta-nos observar o postado, que convocava a iniciativa para a Câmara e o Senado para os seus integrantes, uns ‘adolescentes à toa’.

Este "adolescentes à toa" é o nó górdio da questão/observação. 

Em princípio temos que a expressão tem conotação (pre)conceitual em relação a uma parcela da sociedade de classes – dividida estas em andar de cima e andar de baixo – partindo da definição de que shopping não existe para “todos”, ainda que todos sejam da mesma cidade, estado e país.

Não fora isso, difícil compreender que alguém não possa entrar em qualquer espaço destinado ao público, seja público e privado, a partir de presunção. Naturalmente atendendo às exigências do local e às normas legais.

Mas, no caso concreto, caso levemos em consideração o postado por Vanessa Bárbara, reproduzido nos comentários ao texto de Fábio de Oliveira em http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/rolezinho-e-racismo, não custa duvidar de que estejamos diante de algo mais grave, que passa por violações a princípios constitucionais que asseguram a igualdade de todos e o direito de ir e vir.

"Por VANESSA BARBARA
COLUNISTA DA FOLHA

No estacionamento do shopping Metrô Itaquera, 11 jovens de bermudas coloridas e tênis chamativos estavam sendo revistados. Tinham um olhar vazio e sem expressão; cederam as mochilas, os documentos e explicaram o que tinham ido fazer ali: dar um "rolezinho".

O tenente encarregado da operação não encontrou nada de ilícito nos pertences dos jovens, a maioria negros e menores de idade. Explicou que a polícia estava abordando pessoas que pudessem ter ido para o evento, pois tinha um mandado de proibição.

Anotaram nome e endereço de todos e avisaram que, se causassem tumulto, seriam multados em R$ 10 mil.

Os adolescentes não me olhavam nos olhos e pareciam resignados. "Não vou embora não, quero ir ao cinema", disse Rodney Batista, 20. No grupo de 11, só um tinha o olhar duro de quem estava engolindo a raiva.

Não vi ninguém com armas; ninguém roubando, depredando ou fazendo arrastão. Ainda assim, os lojistas entraram em pânico.

Segundo a opinião pública, são bandidos com histórico de crimes; no melhor dos casos, vagabundos que vão lá tumultuar, cometer delitos e assustar "gente de bem".

São tratados como tais pelas autoridades: passando pelo corredor, um policial repetia no ouvido de todos: "Vou arrebentar vocês, vou arrebentar" – e plaf, deu um chute em um menino.

Pedi: "Licença, gostaria de saber o nome do senhor, ouvi o que o senhor disse e vi o que fez", ao que ele tirou a etiqueta de identificação e escondeu no bolso. Insisti em saber o nome, tentei tirar uma foto, recorri ao tenente e falei com outros policiais – todos identificados.

Me acovardei e pensei que ele poderia ter ficado assustado por ter sido flagrado, que talvez tenha sido um momento do qual se arrependeu... Pensei também que arrogar qualquer tipo de coisa –"Sou da imprensa, olha só o meu crachá lustroso" – rebaixaria ao nível dele, que usou do poder para fazer algo contra alguém mais fraco.

Vi gente filmando e sendo obrigada a apagar o arquivo, e a imprensa foi orientada a não registrar o que ocorria.

A gente fica só imaginando o que não devem fazer quando ninguém está realmente olhando."

Todo o expressado do que trazemos aqui tem uma proposta didática: a de que tenhamos a consciência de que neste país, onde a economia caminha para ser a 5a. do mundo, há adolescentes e "adolescentes à toa".

Caso algum leitor não concorde acompanhe a postura do Estado e sua força repressiva em qualquer festa de rua  onde se concentre muita gente. E veja quem cai no cassetete. Ainda que não esteja consumindo drogas entre cordões.

Ou resolva levar alguns amigos/colegas conhecidos que residam em bairros periféricos de Itabuna e que não estejam trajando etiquetas ao Jequitibá. Sorte sua - quando os levar - de não ser enquadrado como "adolescente à toa".

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* Até que nos seja passado o real significado (atual) de "rolé" cremos que não é assalto, estupro, tráfico de drogas, vandalismo. Pensamos que não passa de um simples caminhar por algum lugar. Temos certeza que não é linguagem criada por black bloks.


Redução

De vagas
Quatro foram as prisões fechadas por falta de 'clientes', não pelo estado físico das instalações. Certamente muitos acharão um absurdo. Afinal, no instante em que o país padece da falta de vagas para atender à demanda prisional o encerramento de atividades em quatro delas clama pelo absurdo.

Absurdo seria, caro leitor, se caso fosse no Brasil. Trata-se da Suécia - segundo o The Guardian, trazido pela Carta Capital - onde o que parece inusitado aconteceu.

Registraremos outras considerações em postagens futuras. Por enquanto, as principais razões da iniciativa sueca:

1) investimentos na reabilitação de presos, ajudando-os a ser reinseridos na sociedade; 

2) penas mais leves para delitos relacionados às drogas e 

3) adoção de penas alternativas (como liberdade vigiada) em alguns casos.

Por aqui a política gira em pedir mais punição, mais condenação em regime fechado e gastar com alimentação entre 3 a 4 mil reais mensais por preso, como em Pedrinhas-MA, para matar a fome de empresas ligadas ao marido da governadora Roseana Sarney.

Claro que não estamos na Suécia, onde são fechadas prisões. Aqui é necessário ampliá-las. Afinal, melhor vender refeições para presídios que abrir escolas e educar.

Muito melhor que reduzir vagas em prisões a redução de vagas em escolas de qualidade. Afinal, parte substancial de nosso ensino 'desmotivador' é, em si, uma escola de chamamento ao crime.


Público

Cativo
A postura do ministro Joaquim Barbosa – que parece específica para um dos casos que julga, acusa e executa, o denominado “mensalão” petista – somente encontra respaldo entre os que aplaudem a vingança de opinião como instrumento de Justiça. Para esta “escola” – sustentada no estando eu contrariado os outros são culpados – condenar não basta, é preciso humilhar e esquartejar, ainda que para isso sejam violados princípios basilares do Direito.

No entanto, o ‘salvador da pátria’ tende a esgotar-se em si mesmo, a isolar-se no biombo de suas ações. Matéria de Severino Mota para a Folha de São Paulo na quinta 9 (“Ações de Barbosa criam mal-estar no STF”) mostra que as críticas ao ‘salvador’ não estão limitadas a petistas, juristas e quejandos. Até alguns pares – de todos os que foram ouvidos – não resistem às diatribes de Sua Excelência:

“A Folha ouviu 3 dos 11 ministros, que reclamaram de três pontos da atuação de Barbosa nas prisões:

1. Nem todos os sentenciados tiveram seus mandados de prisão expedidos no mesmo dia em que seus processos foram encerrados, como ocorreu com a primeira leva dos detidos do mensalão;

2. somente um dos dois condenados com problema de saúde já está cumprindo pena. José Genoino está em prisão domiciliar, enquanto o delator do caso, Roberto Jefferson, segue solto no Rio; e

3. o envio a Brasília dos primeiros presos do processo, e posterior permissão para que um deles (Rogério Tolentino) se entregasse e ficasse em seu Estado (Minas Gerais)

Um dos ministros ouvidos pela Folha disse que o mensalão é um processo delicado, por isso, qualquer ação que crie confusão ou turbulência no caso é prejudicial.

Outro reclamou que as incertezas de procedimento geram desconforto psicológico desnecessário aos presos.

Um terceiro ministro, por sua vez, fez críticas duras a Barbosa. Para ele, que como os colegas pediu anonimato, apenas a exposição midiática do caso justifica a demora para a expedição de mandados de prisão."

Mas tenha certeza o leitor que o ministro Joaquim Barbosa tem público específico e para ele faz texto e cena.

Tem público cativo dentre os que atingem o orgasmo com o estupro do Direito e das instituições às quais cabe proteger.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Desculpa

Esfarrapada
A divulgação da celebração de um contrato de patrocínio entre o Botafogo de Futebol e Regatas e a Telexfree levantou suspeitas, não bastasse a reação indignada do Ministério Público. Se dúvidas há sobre a plausibilidade do negócio, alta a probabilidade de operação que pode redundar em lavagem de dinheiro.

A Telexfree se encontra com seus bens bloqueados no Brasil sob suspeita de promover pirâmide financeira, que resultou em prejuízo de bilhões de reais a mais de um milhão de brasileiros, já que não há informações sobre os valores que manipula em outros países. A prática é vedada pela legislação pátria.

A suspeita mais se aprofundou pelo fato de o contrato ter sido assinado em Miami, nos Estados Unidos, para onde se deslocou o dirigente botafoguense Sérgio Landau, que se saiu com esta pérola de explicação/justificativa: "Como firmamos a parceria com eles, queríamos conhecer a sede e tudo foi assinado lá. Só por isso. Não há nenhum problema".

Ou seja, precisava Sua Senhoria conhecer a sede da empresa para confiar no que estava prestes a consumar. 

Seria bem mais simples conversar com Procon, Ministério Público federal e estadual e uma juíza lá no Acre, que decretou o bloqueio. Bem mais fácil e mais barato.

Temos que com uma desculpa tão esfarrapada a emenda ficou pior do que o soneto. E pode confirmar a existência de mutreta na coisa.


Impotência

E internet
Atribui-se a Cristo Jesus a expressão “meu reino não é deste mundo” para responder às cobranças que lhe eram feitas para que realizasse materialmente como o messias revolucionário que muitos imaginavam fosse. 

Diremos que não controlamos este mundo, tampouco “temos como exigir deste mundo nem mesmo o que ele se propõe a nos oferecer” ou, simplesmente, nada mais do que esperar por aquilo que ele afirma poder oferecer. Para Jesus Cristo o plano da Salvação não poderia corresponder aos quereres do mundo material. Para os que vivemos nele (o mundo material) ainda que paguemos por aquilo que se nos propõe não temos como controlar em torno dos compromissos que dele são derivados.

Toda essa alegoria – ainda que não a vejamos em bases escatológicas, em que pese nos sentirmos como se o mundo chegara ao fim – para dizer que nada registramos em nosso blogue durante quatro dias por que nos furtaram os meios de fazê-lo. Meios sobre os quais não dispomos como controlar, porque não estão sob nosso mísero controle.

Fica-nos apenas a sensação do fracasso por nos sentirmos envolto no princípio exuperiano de que ‘somos responsáveis por aquilo que cativamos’. Os milhares de acessos mensais de que dispomos diretamente em nosso blogue exigem – já o percebemos – atualização diária – muitas vezes horária. Para tanto carecemos também da atualização na própria rede de que nos valemos para expor. Seja-o como fonte atualizadora, seja-o como instrumento de comunicação.

Simplesmente ficamos sem internet – paga ao sistema Velox – no curso desses dias. Até que conseguimos uma terceira fórmula para postar esta coluna. Razão por que concluímos com o 'Quem tem um não tem nenhum', da sabedoria popular. Parodiando-a: que tem só Velox não tem internet.

Como consumidor fazer o quê? Demande judicialmente – dirá alguém! – afinal você é advogado. Mas aí a distância entre o espiritual e o material. Nossa angústia – por falhar em nossa responsabilidade em razão de outrem – encontrará limite no fio de navalha entre postular no mundo dos homens através de sua Justiça (Judiciário) e o que deixamos de realizar – e não mais será o mesmo, porque não há como ser repetido, em razão do instante em que se fazia útil ou necessário – apenas para transitar por caminhos iluminados pelo pré-socrático Heráclito de Éfeso no século VI a.C.

Restaria – no plano da reparação judiciária – a recuperação de prejuízos materiais, que exigem prova quantificada. Muito pouco para quem tem na mensagem que efetiva a riqueza produzida instantânea e diariamente: a de ser lido, discutido, questionado e, ainda que pouco, centro de informação e opinião. Portanto, o espiritual mais prepondera e é inalcançado pela quantificação material.

A impotência – desprovida nesse instante de indignação – apenas recomenda lembrar das apologias tributadas a governantes e a pensamentos econômicos.

No particular do neoliberalismo tupiniquim foi vendida como sucesso e revolução para o consumidor a telefonia. Na venda ofertaram até o satélite de que dispúnhamos para dar maior legitimidade ao butim.

Seus arautos até ilustram o progresso com o número de usuários na telefonia móvel, como se a inexorabilidade da inovação e de sua presença não houvesse ocorrido caso permanecesse o controle sob o regime público.

Vivemos a apologia da expansão da comunicação pela rede. Esquecendo de quem a controla.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Alguns destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS *

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O Financial e o Papa
Não pode ser descurado o comportamento da Igreja Católica em muitos instantes históricos na defesa de valores pouco ou nada correspondentes àqueles propugnados por Jesus Cristo. O conflito entre o cristianismo primitivo e o versado em dimensão paulina que se vincula ao poder temporal e a este sustenta espiritualmente a partir do séc. IV da atual Era é algo concreto. O Cisma no séc. XVI foi o primeiro registro externamente revelado. Assim, entre a pobreza e o poder material considerável parcela de dirigentes eclesiásticos preferiu o segundo no curso dos séculos, quando não o exercitaram plenamente.

Há muito não acompanhávamos um dirigente da Igreja como o papa Francisco. A Evangelli Gaudium é uma das muitas surpresas trazidas pelo atual Pontífice e um ataque frontal ao neoliberalismo como ideologia dominante em parte do mundo contemporâneo. Muito diz quando afirma: “Enquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz”.

Viu-se Sua Santidade – em razão de sua postura – abertamente criticado em pleno período natalino pela Financial Times – a bíblia do neoliberalismo. Natural que o seja. Afinal, o Financial também critica governos progressistas e desenvolvimentistas que não rezem por seu catecismo, que não tenham o mercado como seu deus.

Por essas e outras – como dito pelo anarquismo, se hay gobierno soy contra – particularmente somos contra a qualquer defesa do Financial Times.
O papa Francisco está em bom lugar, em defesa do ideário do Cristo, quando é criticado pelo Financial Times. Que Deus lhe dê vida longa e que o seu papado não seja breve!

Mais um livro
Os baús sempre guardam alguma coisa. Podem rememorar bons e maus momentos. Deram, nestes últimos tempos, de futucar tralhas da oposição. Quando o fazem descobrem o óbvio que vivia escondido sob o pálio das conveniências e de seus guardiões. Dentre estes, a imprensa que publica o que lhe interessa (e, naturalmente, em defesa dos grupos e interesses que a sustentam) e move os cordéis conforme lhe seja conveniente.

Na esteira a reação dos que não se calam movidos pela indignação contra os que emudecem a solução encontrada é a publicação de livros-denúncia. O mais recente traz o título de “Operação Banqueiro”, de Rubens Valente, um duro relato sobre como muito dinheiro público se esvaiu através de figuras exponenciais da elite tupiniquim, de governantes a investidores, passando por políticos, juízes, polícia e quejandos.

A Geração Editorial – no selo História Agora, que já publicou “A Outra História do Mensalão” (Paulo Moreira Leite), “A privataria Tucana” (Amaury Ribeiro Jr) e “O Príncipe da Privataria” (Palmério Dória) – chama a atenção para “Uma trama brasileira, sobre poder, chantagem, crime e corrupção” e destaca: “este não é apenas mais um livro reunindo informações publicadas pela imprensa ou extraídas de processos, a respeito de um escândalo qualquer. Trata -se de uma surpreendente e enorme investigação particular, conduzida por um premiadíssimo jornalista brasileiro, a respeito de um dos maiores casos policiais e políticos de nossa história, envolvendo um banqueiro bilionário, políticos e empresários”.

Destaca as fontes como aquilo – a leitura é mais que imprescindível para conhecermos um país onde o denominado “mensalão petista” é fichinha – que “Foi uma ampla investigação sobre um dos mais intrigantes e poderosos personagens da cena política, o banqueiro Daniel Dantas, símbolo da onda de privatizações de estatais levada a cabo pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 -2002). Nos anos 1990, o banco comandado por Dantas, o Opportunity, do Rio de Janeiro, arrematou empresas ligadas a transportes e mineração e uma das maiores companhias telefônicas do país, a Brasil Telecom”.

O que mais chamará a atenção do leitor de “Operação Banqueiro” não dirá respeito ao que já é público e notório – as relações de Daniel Dantas e as privatizações nos governos FHC – mas o que representou o Judiciário (como um todo) e o ministro Gilmar Mendes (em particular) para salvar o ‘banqueiro’

Masoquismo ou corrupção
A revista Veja – da Editora Abril – está entre as cabeças de ponte da imprensa brasileira que fazem política contra o Governo Federal, pelo “crime” de ser petista. Sua atuação se pauta no ‘jornalismo’ espúrio, na denúncia sem provas e mesmo se apoia em posturas criminosas, basta lembrar suas relações com Carlinhos Cachoeira, para quem elabora matérias convenientes). Exercita uma campanha escancaradamente suja que a desacredita. Em si a Veja é a expressão da Editora Abril.

Ninguém, em sã consciência – ou com saúde mental razoável – pode entender como um governo venha a gastar os recursos públicos que administra para custear quem faz campanha abertamente contra, utilizando-se para isso de todos os meios indecorosos de que possa dispor.

Dito isso, não pode ser interpretada de outra forma – se não uma manifestação psíquico-patológica – a postura do ministro Aloísio Mercante, da Educação, de autorizar a compra de livros na Editora Abril sem licitação no apagar das luzes de 2013 (30 de dezembro, para ser exato).

O extrato de informações do procedimento – fundado no art. 25 da Lei de Licitações, aplicável nos casos em que “houver inviabilidade de competição”, como o expressa o caput do artigo – mais fala do que qualquer indignação:

EXTRATO DE CONTRATO N 296/2013 – UASG 153173
n Processo: 23034007062201383.
INEXIGIBILIDADE n 206/2013.
Contratante: FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO-DA EDUCACAO.
CNPJ Contratado: 54956206000119.
Contratado: FUNDACAO VICTOR CIVITA
Objeto: Aquisição da revista Nova Escola para atendimento ao Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE Periódicos 2014.
Fundamento Legal: Inciso I do artigo 25 da Lei 8.666/93.
Vigência: 30/12/2013 a 28/03/2015.
Valor Total: R$2.529.630,60.
Data de Assinatura: 30/12/2013.
(SICON – 30/12/2013) 153173-15253-2013NE800593

Estranha no caso a dispensa em final de exercício sem que idêntico procedimento haja ocorrido em relação a outras publicações do gênero (a Nova Escola não é a única), se tomamos o conteúdo em si como o objeto da dispensa.

São mais de 2,5 milhões de reais, caro leitor, para aquisição de uma revista que não é a única do gênero no mercado editorial. Caso houvesse o procedimento licitatório e vencesse o certame tudo bem! Mas não é o visto.

Não temos dúvida: se o ministro Aloísio Mercadante vier a ser entrevistado das páginas amarelas ou ser capa da revista Veja, em qualquer edição até 2015... é corrupção – dirá a oposição.

Entre a técnica e a política I
A palavra de ordem contra o Governo está alimentada com a publicação do índice da inflação acumulada em 2013. Ainda que abaixo da meta, será lançada nos ouvidos do brasileiro como o mais terrível dos malefícios causados pela política econômica.

Afirmam os técnicos que os alimentos foram o grande vilão. Não esqueçamos que o tomate foi estrela em 2013 como o chuchu na década de 70.

Esquecem-se os críticos que alimento em muito está vinculado ao clima – ou a disputas de terras, como ocorre com o preço da farinha de Buerarema. E não há governo que tenha o condão (a não ser naquilo que possa ser armazenado, como os grãos) de impedir que a escassez implique no aumento do preço, justamente porque a demanda passa a ser maior que a oferta. É regra primária de mercado: menor oferta, maior preço; mais oferta, menor preço.

O contraponto necessário reside na capacidade de o consumidor suportar o contrapeso da escassez, o que ocorre quando dispõe de poder de compra sem risco de sacrifício à sobrevivência (poder comprar) caso não queira enfrentar o instante (não comprar).

O risível girará em termos comparativos quando os críticos trouxerem as referências aos “anos de ouro” e da “estabilidade econômica” de FHC. Caso caiam na besteira de comparar os dois períodos – oito anos de FHC x doze de Lula/Dilma – encontrarão a média anual de efeagacê (9,1%) bem superior a dos governos petistas (entre 5,9% a 6%). 

Entre a técnica e a política II
Mas, quem não tem cão caça com gato. Na falta de tu é tu mesmo. É que a inflação – que se encontra “moderada e controlada” para o economista João Sicsú, da UFRJ e ex-dirigente do IPEA – vive seu ápice dimensional de “mais política do que técnica”.

Lembrarão da inflação e esquecerão o recorde de aplicações na caderneta de poupança, o que significa dizer que ainda que preços subam está havendo renda para os gastos com a sobrevivência e sobrando dinheiro para economizar e poupar.

Em meio às anunciadas mobilizações no curso de 2014 a título de pré-campanha eleitoral – contra a Copa do Mundo etc. – a inflação será o mote.

Todo cuidado é pouco I
O PSDB não se encontra – palavra de analistas políticos – em situação confortável para 2014. No plano federal tende a perder espaço para o PSB de Eduardo Campos, que pode levar Aécio a um terceiro lugar nada honroso para quem já presidiu o país durante oito anos e polarizou durante outros doze.

Mas o grande palco pode estar sendo encenado nos estados, dois deles cruciais: Minas Gerais e São Paulo. Em Minas o processo é – diremos – natural: envolve políticos presentes nas últimas eleições. Mas no caso de São Paulo não só a defesa da hegemonia tucana nos últimos vinte anos, mas a possibilidade de mais um “poste” de Lula chegar ao poder.

A turma anda ressabiada com Fernando Haddad, na prefeitura paulistana. Imagine no governo do estado?

Daí porque pode ser uma vitória retumbante para o PSDB a reeleição de Geraldo Alckmin.

Todo cuidado é pouco I
Uma dedução lógica: mais perigoso para o PSDB não é o PT, em si, mas Lula – o implantador de “postes”. Contra o PT a campanha já tem um mote: o “mensalão”. Para Lula o PSDB aguarda o lançamento do livro de Tuma Jr. Na falta de outros argumentos chamar Lula de dedoduro será a única arma disponível.

Isto porque – diante da proibição de entrevistas para os presos da AP 470 Marcos Valério não tem como afirmar que Lula era o “chefe”.

A não ser que o ministro Joaquim Barbosa mude de opinião e determine ao afilhado que conduz a execução penal a liberação de entrevistas.

Desgaste
A administração municipal vive momentos de contradição. Por um lado demonstra estar encontrando o rumo, quando realiza algumas atividades, dentre elas a de manutenção de vias, e ajusta contas; de outro, peca na oferta de serviços, como na saúde.

Nesse particular cabe resposta do município se tal ocorre por falta de recursos ou de gestão.

Qualquer que seja a resposta repercute na imagem do prefeito Claudevane Leite.

Campesina lição
Uma das belas páginas da música brasileira – e da nordestina em particular – esta apresentação de Gilberto e Dominguinhos, autor e compositor, respectivamente, da canção. Talvez o melhor título não fosse “Lamento Sertanejo” e sim Lembranças da Campina. Tanto pela alusão ao campo como a uma das pátrias do forró.

A intervenção sanfônica de Dominguinhos – a primeira vez – é um diálogo sentido traduzindo na melodia o espírito dos versos da poesia, de raízes plantadas no arcadismo – em sua dimensão pastoral, confessional e nativista, de típico fugere urbem – que retoma o fulgor da resistência e a alegria de existir no improviso/festa que prepara a intervenção última do canto.


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* Coluna publicada aos domingos em www.otrombone.com.br