terça-feira, 15 de abril de 2014

É da natureza

Do escorpião
Não se cobre da mídia conservadora - porque comprometida com as elites, os privilegiados, parte deles exploradores do povo brasileiro no curso de décadas, de séculos - que faça jornalismo isento. Mais uma vez mostrou para que existe.

Perante senadores e deputados, no Congresso, a presidente da Petrobras Graça Fosrter defendeu as premissas que sustentaram a compra da refinaria de Passadena, porque "precisávamos refinar o óleo pesado de Marlin fora do país". Em 2005 a ampliação do refino fora do Brasil era uma questão estratégica.

Adiantou Forster que a atual expectativa de refino pelo parque em fase de construção no Brasil levará o país a processar a produção prevista "de forma muito mais econômica e rentável", razão por que, sob um critério de análise técnico-contábil hoje - pelas atuais condições brasileiras - a compra de Passadena não a venha a ser reconhecida como um bom negócio.

A síntese do que disse Forster pode assim ser expressada: ao tempo da compra era negócio rentável, visto que precisávamos refinar óleo pesado e pagávamos por isso lá fora. Com a construção das várias refinarias espalhadas pelo território brasileiro hoje não faria sentido a compra de Passadena.

Como previsível o noticiário televisivo editou como lhe interessava e publicou somente o que disse a presidente da Petrobras como não ser 'contabilmente um bom negócio", hoje. Divulgaram uma 'confissão' que não ocorreu.

É a turma que fez Getúlio dar um tiro no peito, que promoveu o golpe militar em 1964, que começou a privatizar a Petrobras na era FHC e pretende fazê-lo para atender à sua vocação entreguista. No fundo, tornar o Brasil o 51º estado dos Estados Unidos.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Continua


O vale-tudo
Um fato 'deverasmente' grave - para vocabularizar com Odorico Paraguaçu nesta Sucupira em que vai se tornando este 'país de São Saruê" - passa ao largo dos noticiários: uma promotora do Distrito Federal - a pretexto de apurar o não-provado telefone de José Dirceu enquanto preso na Papuda - pediu a quebra de sigilo telefônico no limite territorial que entendeu fixar.

Tudo estaria correto - se correta é a continuidade de uma apuração já concluída desde fevereiro - se não fosse o inusitado de a ilustre representante do MP do Distrito Federal haver estabelecido como coordenadas geográficas do território a ser alcançado pela quebra do sigilo justamente onde situado o Palácio do Planalto. Ou seja, os limites de longitude (47º 51' 38.67" O) e da latitude (15º 47' 56.86" S) buscavam, inclusive, os telefones usados pela presidente Dilma Rousseff.

O fato - por si só - é um escândalo. Não se viu, tampouco se ouviu, qualquer manifestação da gloriosa imprensa. Como diria Tormeza - tratando de quem se cala diante do que deveria falar - nossa imprensa sempre em busca do sensacionalismo 'nem mugiu nem tugiu'. Mesmo diante de uma típica ação de espionagem contra a Presidente da República.

No vale-tudo do golpe evidentemente 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena' - que nos perdoe Fernando Pessoa trazer a nobreza da alma à sujeira da trama.

Outros 'senões' vão encorpando o escândalo não mugido nem tugido: a ilustre promotora - por singular coincidência - foi orientada por Gilmar - atual ministro do STF - em sua dissertação de mestrado nos idos de 1997. Certamente aprendeu as manhas do mestre, aquele que denunciou a existência de um grampo sem nunca apresentar o áudio. Claro que nada tem a ver uma coisa com a outra - dirão os otimistas - mas a relação dá sinais de suspeição.

A insubordinação e a quebra de hierarquia decorrente da atuação da ilustre promotora também não sensibilizaram qualquer investigação jornalística. Afinal, estava ela a serviço da mesma causa por que trafega "o Padre Nobréga' - como diria Zé Limeira - "o poeta do absurdo" (obrigado Orlando Tejo).

E mais, caro leitor: o silêncio conivente de Suas Excelências juiz da Vara das Execuções Penais do Distrito Federal e do ministro Joaquim Barbosa nada também representaram, muito menos despertaram a mínima expectativa de especulação jornalística. 

Jânio de Freitas, no entanto, em sua coluna ("Nos Passos de Obama") na Folha de São Paulo no domingo 13 não tergiversou, como pode ser visto na íntegra em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2014/04/1439955-nos-passos-de-obama.shtml uma vez que estamos impossibilitado de copiar o texto, protegido pela lei de Direito Autoral.

Mas, simples e simplesmente, Jânio tributa ao ministro Joaquim Barbosa e ao juiz da Vara de Execuções Penais de Brasília o prévio conhecimento "da artimanha" neste "novo ardil para xeretar as comunicações da Presidência da República e da própria presidente Dilma Rousseff".

O vale-tudo continua.


domingo, 13 de abril de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Quem diria!
Não há de ser negada a competência de empresas/empresários dos Estados Unidos para vender de tudo por este mundo do Deus 'lhe dará'! Em meio aos produtos a fórmula de comercializá-los. Em alguns casos chegam a criar típico processo de dependência no consumidor – não química – para que a ‘corrente’ nunca se quebre e os cofres permaneçam recebendo o dinheirinho que não faz mal a ninguém.

Deu no GGN, reproduzindo matéria do Financial Times: no início do ano a Comissão Federal de Comércio dos EUA – entidade antitruste e de proteção ao consumidor estadunidense – instaurou um inquérito contra a Herbalife, depois de monitorar seu negócios por mais de um ano, estando a empresa acusada de um esquema marketing multi-nível, vulgarmente conhecido como “pirâmide”. 

Entraram em campo, com investigação criminal,  o Departamento de Justiça e o FBI.

Denúncias têm pipocado contra a Herbalife, o que forçou a apuração instaurada. Em defesa da empresa figuras como George Soros, acionista por coincidência.


Charge O Tempo 12/04
Alerta!
Risco de chegada ao Brasil de uma doença transmitida por um vírus, o chikungunia, semelhante à dengue. O alerta é da Fiocruz.

Detalhe: o trasmissor é também o aedes aegipty

Que começa um processo de típica diversificação de sua atividade originária.

Petrobras
Do Jornal do Brasil – Aumento da produção de petróleo eleva em 12% arrecadação de royalties, em decorrência da entrada em funcionamento de novas plataformas de extração de óleo em diferentes bacias do pré-sal, fazendo aquela arrecadação superar os 4,6 bilhões de reais somente no primeiro trimestre de 2014 para União, Estados e Municípios.

Nove foram as plataformas concluídas pela Petrobras em 2013 (fato inédito), parte já produzindo.

No entanto – para o senador Álvaro Dias – a estatal (o que resta dela) está em frangalhos. Melhor – não o disse, mas o quis – que seja vendida a preço de banana ao capital privado, estrangeiro de preferência, como a Vale, a CSN, Embratel etc.

Aguarda-se que a presidente Graça Forster mostre aos congressistas tais números, porque o que mostra o noticiário é o caos.

Sorites I
No plano do raciocínio lógico denomina-se sorites ao “silogismo composto ou polissilogismo, no qual a conclusão do silogismo que precede é adotada como premissa do silogismo subsequente, até se chegar a relacionar o antecedente ao primeiro silogismo com a consequência do último” (Dicionário de Filosofia, de Nicola Abagnano). 

Ou seja, um  processo de raciocínio composto de uma série de proposições ligadas entre si de maneira que o predicado de um torna-se o sujeito da seguinte, e assim até a conclusão, que tem como sujeito o sujeito da primeira e como predicado o predicado da última proposição anterior à conclusão.

Por mais que pareça complicado ao leitor não afeito ao universo da Filosofia, podemos traduzir em nossa realidade o acima posto, na construção desenvolvida pela imprensa para tornar verdade absoluta o fato que ela manipula: a notícia é inventada (tratamos aqui daquelas que são mentiras, como o clássico 'grampo sem áudio, de Gilmar Mendes, Demóstenes Torres, veiculado pela Veja, dentre outros) e publicada no jornal ou revista; a televisão a repercute; entra em campo parlamentares da oposição que discute o lido e o visto e ouvido, que volta a ser divulgado e comentado pelo jornal e pela revista... 

Este o ciclo. Que vai crescendo, crescendo, como bola de neve.

Sorites II
Ainda que denunciado, o estrago causado por um boato é devastador. É um mecanismo de psicologia coletiva, difícil de ser reparado, ainda que desmentido. Deixa sequelas profundas.

Nesse processo de propaganda – largamente utilizado pela oposição e seus veículos de apoio – a verdade é secundária. Ainda que desmascaradas, as mentiras tendem a ser devastadoras. 
Lembremos – no plano histórico – que nunca se provou intervenção de familiares de Getúlio no atentado da Toneleros, mas quando veio a ser comprovada a mentira de Carlos Lacerda Getúlio já dera um tiro no peito.

Está aí a Petrobras e a compra da refinaria de Passadena (ora produzindo no limite de sua capacidade, recuperando seu valor de compra depois da crise de 2008) confundido o negócio com desmandos deste ou daquele dirigente (fatos em apuração).

Não sabemos os desdobramentos político-eleitorais (até este instante de nenhum efeito concreto), mas que a mancha pega, isso pega! 


É a lógica do raciocínio elaborado. Só superável pela realidade fática, não pela argumentação em contrário.

Geopolítica
Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, denuncia que suinocultores brasileiros entraram com pedido junto ao Ministério da Agricultura (que ainda estuda o assunto, não sabemos até quando) para que seja suspensa a importação de plasma, material genético e animais reprodutores dos Estados Unidos.

Por lá estão enfrentando uma epidemia do vírus da DES-Diarreia Epidêmica Suína que já se espalhou pelo México, Canadá, República Dominicana, Colômbia e Peru.

O material questionada é utilizado como ração suína. No que diz respeito ao plasma e a sua ração nem mesmo os EUA o utilizam como complemento alimentar. Muitos entendem que nenhuma necessidade há da utilização dos produtos questionados.

Os problemas, dizem técnicos, se assemelham ao que ficou famoso como ‘vaca louca’.
De nossa parte – sempre duvidando do que exportam os Estados Unidos – ficamos a vislumbrar o risco iminente de um problema na produção de carne suína e a inviabilização de sua exportação.

Justamente nesse instante em que as portas mais se abrem para nosso produto na Rússia, depois que os EUA perderam espaço na exportação de carne suína para a Rússia por causa da Crimeia.

A CPI e o fim do mundo I
Quando instalada a denominada CPI do Cachoeira de logo recebeu a adjetivação de ‘cpi do fim do mundo’ tantas as vertentes a que se propunha e terminou em fracasso e desgaste para o Congresso.

A caminho de idêntico fim esta outra CPI do fim do mundo, encabeçada por apurar fatos relativos a Petrobras e, na esteira, da Alston e porto de Suape.

Descobrem os analistas que nem mesmo a oposição pretendia a instalação da CPI da Petrobras. Teria imaginado ficar com a aura de paladina da moralidade e da luta contra a corrupção e que não encontraria assinaturas necessárias.

A preocupação faz sentido: ultrapassado o fator político-eleitoral – já alcançado pela reverberação das “denúncias” na mídia, suficiente para causar os danos que tenha de causar ao Governo – dentro de 60 dias começa a Copa do Mundo e já em julho o processo eleitoral.

Para quem precisa estar em campo garimpando dinheiro para a campanha – porque sem a reforma política e sem o financiamento público de campanha não se consegue votos sem 'ajuda' – trabalhar nas comissões é um tiro no pé de qualquer reeleição.

Não fora isso, iniciativas como a de Forster de ir ao Senado dar explicações vai esvaziando o conteúdo das apurações. Furando o balão da oposição.

A CPI e o fim do mundo II
Não havíamos recebido a Carta Capital desta semana. Para surpresa - se é que nesse Brasil de singulares políticos há surpresa - o 'santo guerreiro' da oposição e da mídia, o doleiro Yousseff, nela está escancarado como doleiro de Ricardo Sérgio - ilustre tesoureiro do PSDB em campanhas de Fernando Henrique e José Serra - que através dele (doleiro) transferiu para o exterior a bagatela de 56 milhões de dólares.

Caso o Yousseff resolva falar o que sabe (sobre tudo e sobre todos) imagine o leitor a razão por que a oposição já se acha 'arrependida' por pretender a CPI da Petrobras.
Novo conceito
Fernando Henrique Cardoso - segundo a Folha - durante encontro com intelectuais no Museu de Arte do Rio de Janeiro, produziu risos quando afirmou: "Hoje, se disser que sou de esquerda, as pessoas não vão acreditar. Embora seja verdade. É verdade!”

FHC afirma-se de esquerda, o que “ninguém acredita”. Para quem, no exercício do poder, se tornou expoente do liberalismo em sua expressão mais nefasta – o neoliberalismo – por entender que o Brasil se achava no seio do universo dos que somente se desenvolvem sob dependência ao capital financeiro externo, como defendeu em sua ‘teoria da dependência’, não deixa de antever uma típica reformulação conceitual do que seja ‘esquerda’.

O problema reside em nós outros: acreditar que permaneça depois de dizer que 'esquecessem' o que havia dito e escrito.
Dois calos I
O PSDB, sempre amparado na confiável grande imprensa - incumbida pelo sistema e autoassumida na defesa dos seus - começa a viver vazamentos no barco que singrava em águas calmas. 

Em ano eleitoral e vivenciando escândalos em governos geridos por tucanos (São Paulo e Minas Gerais), viu-se no olho do furacão – escapado durante anos – quando Eduardo Azeredo estava prestes a ser julgado pelo STF em seara idêntica à que vitimou os petistas da AP 470.

A melhor solução política – porque como jurídica foi perfeita – recomendou afastamento de Azeredo do cenário e da visibilidade assegurados pelo STF, encontrando na renúncia o caminho de retorno à instância inferior e do esquecimento pela média parceira.

Dois calos II
Elevado à categoria de perfeito exemplar tucano e paradigma de gestor, outro tucano, Pimenta da Veiga, fora escolhido a dedo como solução para o governo de Minas em 2014. Currículo ideal.

Esqueceram de perguntar à Polícia Federal, que o indiciou por malfeitos não tão recentes, apenas antes esquecidos em alguns escaninhos.

Dois calos III
E deixou Aécio com uma batata quente nas mãos: a de defender o recém indiciado Pimenta da Veiga.

Tem cuidado de fazê-lo acusando a inoportunidade do indiciamento, ocorrido depois de o tucano ter sido lançado com pompa e circunstância candidato a governador. 

Como memória de político é convenientemente curta, falta lembrar a Aécio que o seu raciocínio também o foi do PT, quando Joaquim Barbosa esqueceu o mensalão do PSDB (de Minas Gerais), mais antigo, e preferiu o do PT... às vésperas de processo eleitoral.

Não sabemos como se sairá Aécio Neves como 'podólogo' depois que o candidato ideal do PSDB em Minas se tornou mala sem alça, já causando estrago.

Geddel I
Participávamos de um programa radiofônico em rádio local onde entrevistado ao vivo Geddel Vieira Lima. Anunciava o político o projeto que denominava “Pé na Estrada”, que objetivava manter-se em permanente contato com a sociedade baiana em todos os seus recantos. Entendemos que ali se iniciava sua campanha para governador nas eleições 2014. O “Pé na Estrada” fora anunciado naquele 10 de novembro de 2012, dois anos antes do ano das majoritárias a se consumar neste 2014.

De lá para cá, uma vez lançado o seu nome, Geddel defendeu a si mesmo como o nome ideal para aglutinar a oposição ao governo Wagner e ao PT baiano. Custeando seu projeto manteve cargo na Caixa Econômica Federal.

Muita água rolou por baixo da ponte. De um instante para outro Geddel tornou-se candidato ao senado, renunciando ao projeto “Pé na Estrada”.

De ator principal a coadjuvante. Ou o “Pé na Estrada” não era projeto. Ou, se se o era, afundou.

Geddel II
Havia dado um xeque-mate naqueles que não cumpriam o acertado com ele. Tinha a faca e o queijo na mão. Renunciou a tudo. Abandonou o projeto e o tabuleiro. 

Coisa daquelas ‘nuvens’ de que falava Magalhães Pinto para tentar definir a política – aí entendida nas ações dos políticos – para quem num instante você olha e está de um jeito, quando retorna o olhar já é outro.

Geddel trocou a autonomia de seu projeto político por uma candidatura a vice-prefeitura de Salvador em 2016. Prêmio que somente o futuro poderá explicar. Se conseguir.

Geddel III
Pode ter reconhecido que não tinha caminho ou futuro próprio. Precisa recomeçar. Como se indispôs com o PT baiano e estendeu essa indisposição ao nacional, busca no imediato formar novo grupo.

Manteve unida a oposição na Bahia.

Pode – especulação – ser o canal para futura junção dos frangalhos de DEM e do PSDB em torno de seu nome como liderança regional do PMDB.

No momento, divide, para tanto, o PMDB. Alguns históricos aliados não admitirão a convivência com o carlismo.
Homenagem singela
Diante da grandeza de sua atitude depois de levantar heroísmos em liderados, a conclusão a que chegou Geddel cobra de nós uma homenagem musical. 

Ei-la - extraída do "Acabou Chorare" (1972) - composta por Galvão-Pepeu-Moraes Moreira.
40 anos depois a música é lembrada (e louvada) pelo projeto que representou a gravação histórica. Não sabemos - o tempo dirá! - se o homenageado será lembrado.
http://www.youtube.com/watch?v=sGA9KaP9eus 

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Estando fora do ar por problemas técnicos, a coluna está sendo postada somente neste espaço, até que retorne O Trombone 


sexta-feira, 11 de abril de 2014

Perfumaria

Global
Não se negue a capacidade técnica da televisão Globo. Seu padrão é por demais respeitado e tornou-se paradigma para muito do que se faz na telinha brasileira. Seguir-lhe a trilha tornou-se, nesta “terra de São Saruê”, sinal de inteligência de cultura técnico-televisiva. Também não se lhe negue a importação de formatos, em detrimento do desenvolvimento de uma produção autóctone – observada aí no plano de valores tipicamente brasileiros – em muito utilizados desde os primórdios da emissora.

O mal de tenra infância da Globo ocorreu pelo viés de servir ao poder. Nasceu servida pelo Estado para contrapor-se a qualquer outro sistema. Tanto assumiu o compromisso que hoje costuma ser brindada com a nada augusta expressão “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. 

Ultrapassada a fase dos ditos anos de chumbo não se afastou de servir ao poder, como mais dedicação do que Jacó a Labão “pai de Raquel, serrana bela”. No caso da Globo não servia por ela mas ao que através dela pretendia e conseguia. A fortuna dos atuais filhos de Roberto Marinho bem o diz.

Uma ruptura – ou retorno às origens, caso tomemos a vocação atual como aquela que o grupo manifestava antes do golpe civil/militar – retoma a telinha, em dimensão orgástica quando por tema do “J’Acuse” o poder atual. 

A campanha cerrada que vem fazendo ao Governo Federal – naturalmente em sua versão petista – não é criticável por ocorrer, mas por ultrapassar os limites da informação isenta.

Mas, faz parte de sua natureza, adquirida em tempos de chumbo, quando aliada da ditadura militar, à qual ajudou no tempo em que o grupo limitava-se a jornal e rádio, buscando uma estação de TV. Habituou-se a Globo a ser ‘poderosa’, a impor seu ponto de vista, arvorada na capacidade de botar e tirar governantes (clássico caso o de Collor).

Para quem analise as contradições postas em diferentes instantes de noticiário haverá de perceber que a manipulação da informação é flagrante e que nela há objetivo político-eleitoral. 

A utilização do “axioma” ricuperino - através dela vazado em madrugada - o que é ruim deve ser mostrado à exaustão e o que é bom será escondido vai chegando a paroxismos tais – quando os interesses da platinada emergem – como semantizar racionamento no fornecimento de água em São Paulo com rodízio, a mais recente expressão de sua inovação estilística. 

O rodízio é justamente a expressão da materialização do racionamento. Mas não é assim que o Jornal Nacional mostra a realidade.

A edição desta quinta 10 beirou a hilaridade, quando usou como destinatário da panaceia a defesa da incompetência da gestão tucano-paulista no affair reservatório da Cantareira.

A muito bem elaborada edição pautou a ‘maravilha’ de aprender a economizar água, de descobrir vazamentos, de aplaudir a pouca água que chega nas torneiras etc. Uma gente lavando roupa uma vez por semana ‘feliz’ com tudo aquilo. E por aí...

Só faltou aparecer faixa aplaudindo o governador Geraldo Alckmin pelo racionamento – ops!, ‘rodízio’.

E afirmar que a água que sai escassa da torneira é perfumada e milagrosa, razão por que é escassa.


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Nada além

Do dèjá vu
Há no ar certo clima de déjà vu. Como o de quem assiste a vivência de paixões estrepitosas descambando em nostalgia assim que desdobrados os primeiros instantes de sonhados encontros e os passos dos arroubos apaixonados entraram em saturação, cansaram seus personagens. Que se refaz no trajeto do inconsciente, de que já visto o que vê. Ou que tão somente se repete o que aconteceu outras vezes. Mesmo lugar, mesmas pessoas, mesma história. 

Comum como em todos os casos de amor não correspondido. Levando ao recôndito do sentimento o acontecido sob cores de amargura e desencanto. Uma lembrança. Até a dificuldade de compreender, no plano da dúvida, se já viu ou viveu tudo o que vislumbra.

Há um clima de que alguém enganou alguém. De quem se apresentou em dimensão diversa de sua realidade trazendo a frustração comum como natural escoadouro em tais instantes. Quando muito restando uma dor-de-cotovelo conforme o sentimento nutrido em cada um pelo outro.

Há erro essencial sobre a pessoa – em direito de família – quando um dos parceiros se apresentou ao outro em dimensão do que não era. Seja-o no plano da identidade, honra e boa fama, ou o levou à ignorância de pratica de fatos criminosos em instante pretérito, ou mesmo de doença que ponha em risco a vida do cônjuge. Tudo que leve a uma situação insuportável, decorrente da enganosa conduta.

Também podemos entender, no plano inverso, quando alguém espera de outrem o que este não poderia oferecer. Mas, o engano de dizer-se possível de ofertar comunga com a vontade do que se imagina beneficiado. No fundo, um castigo comum. Como punição por ambos pretenderem enganar um ao outro.

O ministro Joaquim Barbosa vive – assim vemos – um estágio probatório para ocupar a galeria do esquecimento. Talvez melhor, a ser alcançado pela percepção do reconhecimento de sua desnecessidade. É que deixou de frequentar as manchetes como paladino da luta contra a corrupção, de ocupar o lugar de signo de salvador da pátria que construía a imprensa em torno de seu corpo de comum mortal. Que dele se utilizava enquanto útil como timoneiro da AP 470.

Começa a viver clima adverso Sua Excelência. Vaiado em alguns lugares que frequente, desde que lá esteja quem o descobriu tão somente carrasco.

Em declaração recente descobre Joaquim Barbosa o óbvio ululante: a necessidade de um marco legal para a regulação dos meios de comunicação no Brasil.

A turma que o incensava chama a isso de censura. Mas, o ministro está certo. Apenas colherá outros frutos, porque em outro campo. Mais útil certamente quando defende a criação de um marco legal para a comunicação do que enquanto carrasco de institutos jurídicos. Inútil, no entanto, para os que se beneficiam da sua inexistência (do marco legal).

São as reviravoltas que o mundo dá. Como a separação entre dois apaixonados, de um amor à primeira vista na terça-feira de Carnaval.

Dirá o leitor: o que há de extraordinário em algo tão comum, natural à espécie humana? 

Nada, a resposta. Apenas o déjà vu.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Para análise

Isenta
Convocamos nosso leitor hoje, através de "Entrevista e depoimento", para acompanhar o quanto expressado pelo ex-presidente Lula a blogueiros. É que partimos da premissa de que ouvir (e ver) sempre é melhor, por permitir as verdadeiras conclusões por parte de quem ouça e veja. Melhor, muito melhor, que 'ouvir' secundado por opiniões terceiras.
Obviamente imaginamos contar com ouvintes/leitores que estejam preparados para enfrentar o que veja e ouça com a devida capacidade de dialetizar, de formar uma visão crítica, de se afastar de posições pré-estabelecidas, de evitar (pré) julgamentos.
Sabemos, no entanto, que nosso imaginário pode estar recheado de um código apriorístico onde seja estranho o desenvolver uma visão crítica. A resistência torna-se comum, porque o que 'tenho' pensado não muda.
Nosso mundo político - aqui e alhures - está repleto de convicções, de certezas. E pensar diversamente pode parecer - ou dar a parecer - que o leitor tenha fraquejado.
Tanto que voltamos ao assunto. Para pedir desculpas se não contribuímos para a formação de uma consciência crítica. Afinal, de nosso universo político - secundado e exacerbado pela grande mídia - há a certeza de que foi acometido pela divindade.
Ainda que para levar o país ao abismo. Para a maioria, porque a divindade (e seus acólitos) permanecerá onde sempre esteve e de onde nunca saiu. Apenas perdeu espaço.

E para recuperar espaço tudo vale. Como transformar o não-dito como dito.



Para entendermos um pouco do dito acima - razão por que de nossa recomendação para que o leitor assista o vídeo - a manipulação já expressada pela Folha de São Paulo e pelo O Globo. 

Que simplesmente alteraram o que declarou o ex-presidente sobre o assunto na entrevista. 


E põem na rua como verdade a mentira que traduzem. 


Nenhuma novidade. Faz parte do gênero e da espécie.
 


Entrevista

E depoimento
Escrevemos ontem, terça 8, sobre Lula como ‘o grande eleitor’. Mais tarde, ainda pela manhã, através da internet, assistimos – depois de mais de uma hora de iniciada – a uma parte da entrevista do ex-presidente. 

Concedida a blogueiros a la guache – como considerados aqueles que não comungam com o lugar comum em que se tornou a pauta do jornalismo brasileiro sob o cutelo da grande imprensa – nunca imaginaríamos que houvesse destaque em noticiários televisivos da noite sobre sua entrevista. 

Houve, ainda que não na dimensão que ensejava. Talvez pelo tempo e pela variedade de temas nela abordados.

O que disse Lula repercutiu. Justamente porque quem o disse foi Lula. Não porque – assim vemos – fale por falar, mas por tratar com lucidez, sem temor, todos os assuntos que lhe sejam postos a enfrentar. Mais de 200 minutos de entrevista estão lá no https://www.youtube.com/watch?v=hhjATYYobG0

Entrevista livre, solta, descontraída, em linguagem coloquial, informal, sem “pergunta proibida", em clima de "jogo aberto”.

Ficamos sem entender por que Lula não é ouvido pela grande imprensa em debate. A conclusão mais imediata é a de que não interessa à grande mídia ouvir Lula sem “pergunta proibida” e sem edição/manipulação. Lula seria a própria catarse do que edita essa mídia comprometida com a 'isenção' de fazer política e defender seus candidatos afirmando que não o faz.

Sua fala na terça pode ser considerada como a mais importante entrevista concedida pelo ex-presidente. A capacidade de Lula de enfrentar todo e qualquer tema posto – pautada na transparência – demonstra a grandeza do que representa para a política brasileira contemporânea. Não fora o fato de que o domínio dos números e das estatísticas é uma de suas marcas.

Instantes há na entrevista em que Lula fala como se fosse um oposicionista. Não tergiversa em defesa de possíveis erros do partido que ajudou a fundar.

Alerta sobre o fato de que o PT precisa ter “aprendido a lição do que representou a CPI do mensalão”, “porque esta CPI deixou marcas profundas nas entranhas do PT” (aos 24 min). Tudo porque – segundo Lula – o PT não fez o debate político que o fato e o instante exigiam. Ficou – prossegue o ex-presidente – esperando o debate jurídico, deixando o debate político de lado. E deu no que deu. O PT confiou num julgamento jurídico quando o foi político. Porque – afirma Lula – no fundo a “imprensa construiu o resultado desse julgamento”. E o PT fugiu ao debate político “certamente por divergências internas... e o PT sabe que nós nascemos para combater esses equívocos que muitas vezes o PT comete” (26 min).

A fala de Lula para os blogueiros não pode ser entendida tão somente como uma entrevista. E sim como um depoimento político-administrativo sobre a história recente do Brasil. Ouçam-no todos e a avaliem.

Ao fim chegamos a uma outra conclusão: com tanta coisa para mostrar o Governo sempre anda acuado. No mínimo, no mínimo, a sua comunicação não ultrapassa a circunstância de ser alimento financeiro para a imprensa que o massacra.